Together
19 Me faz bem.
— Vilu, quando o encontro acabar, me manda mensagem, eu quero saber tudo que rolou. T-U-D-O. – Francesca disse quando saímos da sala.
— Fran, pela milésima vez, não é um encontro. – murmurei agarrada ao meu caderno.
— Ah claro. O que é então? – perguntou irônica.
— Ele só está me agradecendo, nada demais. – minha voz foi mais baixa que o normal.
— Agradecendo? Não ofenda a minha inteligência Violetta. – ela disse parando no meio do corredor. – Vocês dois estão estranhos. O Diego está estranho. Tá todo mundo estranho, e eu não to sabendo nada sobre essa estranheza.
— Porque não tem nada para entender. – respondi tentando manter o tom natural da minha voz, para não parecer mentira.
— Eu descubro sozinha, já que ninguém me fala nada. – estreitou os olhos para mim. – Nem mesmo a minha melhor amiga.
Revirei os olhos e ela saiu nervosinha na frente. O que é que tem demais em se conformar com os fatos? A Francesca precisa ser mais paciente, céus! Parece uma criança às vezes.
— Violetta. – León me chamou quando eu já estava fora do colégio. Sorri, e ele sorriu de volta.
— Oi. – murmurei e ele me deu um beijo rápido na bochecha. Tentei não sorrir demais e ele me achar uma boba por isso.
— Vamos? – perguntou e eu assenti feliz da vida.
Caminhamos em direção ao barzinho da Jú, e encontramos Diego andando por aí. Ele me olhou confuso e eu murmurei um “depois eu explico”, ele sorriu – um daqueles sorrisos maliciosos – e acenou para o León, que fez o mesmo.
— Vai querer o que hoje? – León perguntou vendo o variado cardápio de sorvetes.
— Um suco de morango. – respondi e ele revirou os olhos rindo em seguida.
— Eu jurava que seria sorvete. – largou o cardápio.
— Eu pago hoje. – falei colocando a mochila em cima de outra cadeira.
— Nem vem. – negou de imediato. – Eu convidei, eu pago.
— León, é sério. – ri. – Não é justo. Assim fica equilibrado. Eu pago um dia, e você no outro, depois é a minha vez de novo, e depois você. – falei simples.
— Então quer dizer que a gente vai sair de novo? – ele perguntou com um sorriso presunçoso e eu senti minhas bochechas queimarem, ele riu.
— Não foi isso que eu quis dizer. – respondi com a voz baixa.
— Relaxa – ele riu. – Eu adoraria sair mais vezes.
Ai León, porque você me diz essas coisas pra mim? Vou pirar a qualquer momento, to sentindo isso. Sou tão iludida.
— A gente não tá saindo. – falei franzindo a testa.
— Não? – perguntou confuso.
— Você acha que estamos? – perguntei rindo da cara que ele fez. – A gente só tá saindo pra tomar um suco depois do colégio. Eu fazia isso com a Fran. E não é bem sair, porque esse barzinho fica praticamente do lado do colégio.
— Tem razão. – cruzou os braços. – Então a gente podia sair de verdade.
Não, não.
— O que? – perguntei incrédula. Acho que fiz uma careta, pois ele riu da minha expressão.
— Já sei. A gente pode ir ao cinema, tem um filme muito legal passando e... – o interrompi.
— Você tá viajando.
— Não, to falando sério.
— A Naty morreria. – suspirei apoiando o cotovelo na mesa.
— Sim. – confirmou e eu olhei em seus olhos. – Mas ela supera. E não é como se eu e você, fossemos namorados.
Puxa... Então por que ele quer sair comigo? Nós nunca fomos próximos.
— Mas pra que sair? Não acho que pegaria bem pra sua popularidade. – falei desgostosa, e acho que ele percebeu.
— Popularidade? Agora você tá viajando. – falou e eu revirei meus olhos. – Acredite se quiser, mas eu gosto da sua companhia. – ele disse com um sorriso.
— Da minha companhia? Faça-me rir.
— É sério. Eu gosto. – sorriu. – Mas eu queria entender uma coisa Violetta.
— O que? – perguntei bebericando o meu suco que tinha chegado há uns dois minutos. León pediu um suco de maracujá.
— Por que você saiu daquele jeito na festa na casa do Marco? – perguntou e eu o olhei nos olhos. – Eu queria tanto conversar com você naquele dia.
— Você que pediu para eu esquecer tudo. – murmurei me lembrando do trágico dia.
— Não era pra você levar ao pé da letra. – suspirou. – Eu só queria que você esquecesse que eu tentei te beijar. Sério, desculpa. Eu não sei o que deu em mim. Aí eu pedi para você esquecer, pra tentarmos ao menos ser amigos. Eu não gosto de ter inimizade com ninguém, e depois que eu te conheci melhor... Uau... Eu te achei incrível.
— Você tá me zoando? – perguntei boquiaberta com o elogio que ele me fez.
— Não, eu to falando bem sério. – riu. – E eu preciso dizer que você dança muito bem. Muito bem mesmo. – ele disse com um olhar brilhante e eu ergui uma sobrancelha.
— O que? – perguntei sem entender.
— Eu te vi dançando no galpão do colégio. – ele disse coçando a nuca. – Eu e a Francesca na verdade.
— Não acredito. – minha voz saiu em um sussurro. Eu acho que eu podia sumir na vergonha que eu estava sentindo.
— Você estava incrível. – elogiou mais uma vez, com aquele brilho estranho no olhar. Bati na sua mão que estava em cima da mesa. – Ai.
— Como você se atreveu? – eu perguntei em choque nem meu pai havia me visto dançar.
— Ah foi por acaso. – ele desandou a rir.
— Que mico. – escondi o rosto em minhas mãos.
— Foi surpreendente. – colocou a sua mão sobre a minha, e eu tentei não deixar sensações esquisitas me atingirem com esse toque, mas não pude evitar sentir aquele arrepio na espinha.
— Se você diz. – tirei minha mão debaixo da sua e sorri meio nervosa.
— Então topa um cinema? – perguntou mudando o assunto.
— Topo. – sorri mais uma vez.
— Legal. Ação ou terror? – perguntou e foi minha vez de rir.
— Pensei que você fosse amante da literatura e gostasse de romance.
— Eu gosto, mas acho que não cairia bem agora. – sorriu. – Quem sabe outro dia.
— Quem sabe. – deixei a ideia no ar. – Mas então, eu prefiro ação.
— Então você é daqueles que tem medo de filme de terror?
— Não, mas sei lá. Não é a minha praia. – voltei a tomar o suco.
— Ótimo. Te pego as sete no sábado.
— Tenho que falar com o meu pai, né? – falei rindo do seu modo prático de resolver as coisas.
— Se quiser posso pedir pessoalmente para ele. – deu de ombros. – Eu gosto bastante do seu pai.
— Gosta? – ri.
— Sim. Ele é um cara legal, e sempre me ajuda quando o meu pai me sobrecarrega na empresa com uns trabalhos nada legais.
— Eu nunca fui à empresa. – comentei. – Lá não deve ser um lugar muito legal.
— Só é legal, quando seu pai tá lá. Acredite, ele deixa tudo mais descontraído.
— Ele também gosta muito de você. – falei me lembrando da conversa que tivemos ontem de noite.
— Ele te disse isso? – perguntou com um sorriso de criança.
— Disse. – sorri, não disse com as palavras exatas, mais disse.
— Fico feliz. – murmurou abaixando a cabeça. Não entendi muito bem aquele pequeno momento. – Então sábado...
— Nos vemos. – completei a frase, e me levantei para ir embora, já tínhamos terminado, e eu precisava voltar para casa. León continuou sentado, e me olhou nos olhos. Sorri.
Fui até ele e beijei sua bochecha. Pela primeira vez. O contato dos meus lábios em sua pele macia da bochecha me deixou extasiada, e triste ao mesmo tempo, pois talvez fosse o mais perto que meus lábios conseguiriam chegar nele. Afastei-me de León depois de míseros segundos e dei mais um sorriso, antes de partir.
Ele me faz bem, e não percebe.
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