Together
22 Fôlego
Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, pus uma blusa regata branca e um short jeans. Era só um passeio no parque, não preciso me enfeitar tanto, acho. Olhei-me no espelho e sorri, eu estava bem normal, e isso me fazia sentir confortável e menos estranha, e isso era ótimo, pelo menos para mim. Calcei meus tênis e fim, só esperar o León chegar.
— Pequenina. – Olga entrou em meu quarto me dando um susto. A porta estava aberta, não posso culpá-la.
— Oi – murmurei lhe devolvendo o sorriso.
— Como está linda. – me olhou de cima baixo. – Vai aonde?
— Ao parque. – respondi feliz voltando a encarar o meu reflexo no espelho.
— E me deixa adivinhar. – fez uma pausa. – Vai com o León?
— Sim, Olga. – ri.
— Agora entendo porque o seu pai está estressadinho e me estressando na cozinha. – suspirou. – Quer que eu prepare algum lanche para vocês comerem?
— Não é um piquenique, só vamos dar uma voltinha no parque. – respondi e ela abriu um sorriso.
— Se vê claramente que vocês estão apaixonados um pelo outro. – ela disse com um ar maravilhado.
— É. – sorri triste. – Eu estou. Agora ele eu já não sei... – suspirei sentindo minhas bochechas ficarem vermelha. Olga deveria me dar um prêmio. É a segunda pessoa que eu admito estar apaixonada pelo León.
— Oh minha querida, é claro que ele está. – ela disse se aproximando mais de mim e pegando minhas mãos. – Eu vi nos olhos dele, aquele dia que ele veio te buscar para sair. Está caidinho por você.
— Eu não acho, mas espero que sim. – ri.
— Confie em mim, ele está. – disse. – Agora me deixe apressar o almoço antes que seu pai fique com fome. – beijou minha testa. – Bom passeio. – piscou um de seus olhos e eu sorri. – Vou preparar o almoço, antes que seu pai me tire do sério. – revirou os olhos e então saiu do quarto.
Olhei-me mais uma vez no espelho e sorri satisfeita. Olga pode ter razão. Vai ver León também esteja gostando de mim, nem que seja um pouquinho né? Não acho que ele seria capaz de brincar com uma coisa tão séria como o sentimento.
***
— Vai sair com León de novo? – Ludmila perguntou quando eu desci para a sala. Apenas assenti com a cabeça, não estava a fim de conversar sobre isso, ainda mais com ela que só sabe me julgar. – Pelo amor Violetta, você vai acabar se machucando, ele não presta. – disse segurando o meu braço.
— Você só está dizendo isso por causa da Naty. – revidei me irritando, puxando meu braço de volta. – Que eu saiba, eu mesmo tomo conta de mim, não preciso que você me diga o que fazer.
— Presta atenção no que eu to te falando. Tenho mais experiência que você. – colocou as mãos na cintura.
— Acredite, se eu precisar conversar com alguém que tenha alguma experiência, não vai ser com você. – revirei os olhos.
— Escuta o que eu to te falando. – suspirou. – Você só vai ser mais uma. – disse pausadamente. – Como eu, e a Naty fomos.
— Você namorou o León? – perguntei erguendo uma de minhas sobrancelhas.
— Nós ficamos. – ela disse com as bochechas vermelhas e eu arregalei os meus olhos. – Foi antes de ele começar com a Naty. – continuou rapidamente.
— Você gosta dele? – perguntei com o estomago embrulhado.
— Hm... Não, acho que não. – disse claramente constrangida.
— Ludmila eu... – antes de continuar, a campainha tocou, interrompendo a minha fala.
Olga saiu correndo da cozinha e foi atender. Respirei fundo e dei um último olhar para a Ludmila, que estava com os braços cruzados me olhando como se esperasse alguma reação contraria do que eu estava expressando. Comprimi os lábios e a ignorei, voltando o meu olhar para León, que cumprimentava Olga com um abraço.
— Violetta... – Ludmila tentou pela última vez.
— Não se mete. – murmurei de volta. – Uma vez na sua vida, não se mete, por favor. Se eu tiver que quebrar a cara, eu quero quebrar sozinha.
Ela sacudiu a cabeça e me deu as costas, subindo as escadas em direção ao seu quarto. Fechei os olhos e suspirei. Caramba. Minha irmã já ficou com o León. Com quem será que ele não ficou? Eu definitivamente não queria ter escutado aquelas palavras de Ludmila. Não mesmo. O dia estava tão bom.
— Violetta – León disse estalando os dedos na minha frente, me fazendo perder os pensamentos em instantes. Seus olhos me olhavam concentrados. – Tudo bem?
— Tudo ótimo. – sorri o tanto que eu pude.
— Vamos? – perguntou estendendo sua mão para mim.
— Claro. – coloquei minha mão sobre a sua, e fiz questão de esquecer tudo que a louca da minha irmã disse. Ele sorriu e de mãos dadas fomos para fora de minha casa. Eu adoro quando ele pega na minha mão.
***
— Gosta de algodão doce? – León perguntou quando estávamos chegando próximo a barraquinha de guloseimas.
— É claro. – ri. – Eu comia bastante quando eu era mais nova, principalmente quando Olga levava Ludmila e eu para o parque de diversões.
— Eu gosto também, não tanto quanto Corn Dogs, mas gosto. – riu. – Quando eu morei nos Estados Unidos, por volta dos doze anos de idade, passei o tempo todo dos parques de lá, e só gostava de comer isso. É muito bom.
— Nunca comi. – falei fazendo uma cara pensativa tentando lembrar.
— Corn Dogs não é nada mais do que uma salsicha empanada no palito. – ele disse ainda rindo. – A gente pode fazer em casa mesmo.
— Verdade. – sorri.
— Vem, vamos pegar o algodão doce. – ele disse pegando minha mão.
Quase derreti, literalmente, com este gesto. Parece que nunca vai passar. O frio na barriga quando ele fala comigo, as bochechas esquentarem quando ele olha dentro dos meus olhos e o arrepio quando temos algum tipo de contato. O que ele faz comigo? Tenho que conversar com o Diego faz um bom tempo que não nos falamos, e eu estou doida pra contar como as coisas evoluíram sem que eu percebesse.
— Dois, por favor. – dispersei meus pensamentos, com León falando. – Obrigado. – agradeceu assim que pegou o pedido. – Aqui está. – me entregou um. – Vamos sentar? – perguntou e eu assenti.
Caminhamos entre assuntos banais até um banco de madeira pintado de branco. Tinha poucas pessoas por ali, e dava até pra dizer que tínhamos um pouco de privacidade. León sentou ali e eu sentei também.
— Mas me diz aí, qual sua cor preferida? – perguntou e eu dei risada.
— Pergunta clichê. – respondi comendo o resto do meu algodão doce.
— Só quero saber mais de você. – respondeu desconcertado, sorri.
— Azul, e a sua?
— Branco. – respondeu com um sorriso. – Comida preferida.
— Empanadas e a sua?
— Tacos. – riu.
— Música preferida? – perguntei.
— Fine by me. E a sua? – perguntou.
— Curto pop, mas estou escutando muito Never gonna be alone.
— Antiga, mas é muito boa.
— É sim. – sorri.
— Nunca tive uma conversa assim antes. – ele disse me olhando com um sorriso aberto. – Você me deixa leve. – murmurou.
— Me sinto bem com você, também. – respondi.
Ele ficou em silêncio, me olhando. Eu desviei nossos olhares algumas vezes, mas não conseguia fugir dele. Está sendo melhor do que um dia eu pude imaginar. Estar aqui com ele é um sonho. Mas de repente a conversa que eu tive com a minha irmã hoje mais cedo, me veio à mente, e eu fechei os olhos abaixando a cabeça para tentar esquecer.
— Eu gosto de olhar nos seus olhos. – León disse se aproximando, erguendo o meu queixo, fazendo-me abrir os olhos.
— Os seus são mais bonitos. – sussurrei com um sorriso pequeno.
— Eu não acho. – roçou nossos narizes, já que ele estava perto o suficiente para fazer isso, e eu não fui capaz de dizer mais nada. Já estou perdida. – Gosto de você. – declarou como um sopro, enchendo o meu coração com uma coisa que eu ainda não sei explicar, não no momento. – Gosto muito. Mais do que um dia eu pensei que fosse gostar.
Apenas conseguia sorrir, não sei como me declarar assim, tão fácil, como ele. Acho que meu sorriso mostrava que eu também gostava muito dele, e que uma parte de mim estava mais que satisfeita por ele sentir alguma coisa por mim também.
Ele também sorriu para mim, e logo senti seus lábios nos meus, e por mais que nós já tivéssemos feito isso antes, a sensação foi novamente nova, me fazendo suspirar e arrepiar. Senti os lábios de León sorrirem contra os meus, antes de tudo tomar um novo rumo. O beijo ficou urgente, e eu definitivamente não sabia o que fazer, e além do mais, eu já não tinha mais ar nos meus pulmões, sério, cadê o meu fôlego?
Não consegui aguentar e me afastei dele dando risada. León me olhou confuso, mas parecia divertido. Eu deveria estar da cor de um pimentão. Eu definitivamente tenho que aprender essa coisa de beijar. Quando eu ia inventar alguma coisa para explicar a interrupção do beijo, meus olhos foram atraídos para o lado, onde encontrei Diego me olhando confuso, do outro lado do parque. Eu até pensei em acenar, mas foi então que eu vi a figura baixinha da minha amiga, ao seu lado, me olhando chocada.
Droga.
Levantei daquele banco, na intenção de ir até lá, para conversar com ela, mas Francesca foi mais rápida, puxando o braço de Diego para ir embora. Ela deve estar uma arara, e muito brava comigo, e dou toda a razão a ela. Sou uma péssima amiga.
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