Together

10 Desconfiança


—Luh, eu tenho certeza de que ele está me traindo. – escutei uma voz soar do andar de baixo de minha casa. – Ou que está gostando de outra.

—Ele está diferente?

—Sim, muito. – saí de meu quarto. Eram Natália e Ludmila conversando. – Ele está estranho, nem está me chamando de apelidos carinhosos, como me chamava antigamente.

—Não deve ser nada. Ele deve estar... Amadurecendo. – Ludmila supôs.

—Não, eu aposto que tem outra garota na jogada. León nunca agiu assim, ele não pode estar simplesmente amadurecendo. – desabafou. – Nós nos amamos, nosso amor é mais forte do que qualquer um que tente nos separar.

—Então se vocês se amam tanto, porque desconfia assim dele? – Ludmila perguntou, e ela parecia cansada daquilo.

—Porque ele está estranho desde aquela festa na piscina aqui da sua casa. – olhei por cima, e vi Natália com os braços cruzados de pé, ela parecia brava.

—E o que você acha que aconteceu? – Luh apoiou o rosto entre as mãos.

—Tenho certeza que a sonsa da sua irmã aprontou alguma com o meu fofinho. – disse alto em bom som. Encolhi-me de medo pelo seu tom de voz.

—Ela não é sonsa ok? – Ludmila me defendeu e eu sorri sem que ninguém me visse. – mas o que ela pode ter feito? Violetta nunca faria algo de mal para estragar sua relação com o León.

—Faria sim, ela tem cara de santa, mas não me engana. – Natália disse furiosa. – Eu tenho certeza que ela e o León têm alguma coisa e...

—Espera aí Naty, não pira. – Ludmila a interrompeu. Aquilo já estava passando dos limites, pelo menos eu achava. – Você não tem provas para acusá-la, e tenho certeza que a Violetta jamais faria uma barbaridade dessas.

—Tem certeza? – perguntou. – Você viu como ela foi vestida para escola hoje? Como alguém muda tanto o estilo de uma hora para outra? Só pode ter se arrumado para alguém.

—Sim, ela pode ter se arrumado para alguém, mas não pode ser para o León, eles nem se falam direito. Pensa um pouco, amiga.

—Não sei, não sei – ela dizia atordoada. – Eu o amo tanto amiga, tanto. Não sei o que faria sem ele. De verdade, ele se tornou tudo para mim, tudo. – ela diz choramingando. – Não o quero perder.

—Você ao vai perdê-lo. – Ludmila a abraçou. – Se você o ama tanto, confie no amor de vocês. Eu sou totalmente a favor do amor de vocês dois. São tão lindos. – riram e eu estava me segurando para não vomitar.

—Tem razão. – ela respirou fundo. – Não vou perder-lo por minha desconfiança tão idiota. – sorriu superior.

—É assim que se fala amiga! – bateram as mãos.

Decidi intervir. Aquela conversa estava me dando náuseas. Desci as escadas cuidadosamente e as duas me olharam assustadas. Acho que elas não esperavam que eu aparecesse na minha própria casa, que ironia.

—Oi. – cumprimentei com um sorriso falso, e nem esperei elas responderem, me direcionei a cozinha para comer algo.

***

Estava na pracinha, sentada em um banquinho. Natália ainda estava em minha casa, e parecia que não ia sair tão cedo de lá. Comprei um sorvete de morando, e enquanto eu comia, observava os casais e as crianças que ali passeavam.

De longe avistei Marco e Francesca sentados em uma lanchonete, conversando e rindo ao mesmo tempo. Eles pareciam felizes. Estava rezando para que ela parasse de ser tão obcecada pelo Tomás.

—Oi Vilu. – escutei alguém me chamar e rapidamente olhei para trás, encontrando Diego com um sorriso no rosto.

—Oi. – sorri quando o mesmo se sentou ao meu lado. – Quer? – perguntei oferecendo o sorvete de morango.

—Não, mas obrigada. – sorriu gentil. – O que faz aqui sozinha?

—Não estava me sentindo bem em casa. – respondi desviando nossos olhares.

—Aconteceu alguma coisa? – perguntou, mas eu neguei. – Você não sabe mentir. Vai me diz. O que houve?

—Natália anda desconfiando de mim. – respondi triste.

—Por quê? Você fez alguma coisa? – perguntou sério.

—Não é que... Eu ouvi uma conversa entre ela e a Ludmila, elas falavam de mim, por isso escutei. Natália disse que León estava estranho, e que era por minha culpa. Ela acha que eu estou me envolvendo com ele.

—E você está? – perguntou.

—Claro que não Diego! – me exaltei.

—Desculpa, desculpa. – disse levantando as mãos. – Vocês andam mais próximos, normal que ela pense isso, mas não é que seja verdade.

—Eu sei, mas hoje mais cedo ele tentou... – não conseguia dizer.

—Tentou o quê? – perguntou preocupado. – Fala Violetta!

—Ai ele tentou me beijar. – falei escondendo o meu rosto.

—E isso não é bom? – Diego perguntou rindo.

—Claro que não! Você é louco?! Ele tem namorada. – falei alterada. – E eu acho que ele só tentou fazer isso, porque eu estava diferente.

—É, você estava muito gata hoje. – Diego disse me olhando com um sorriso malicioso, e logo riu. O repreendi. – Estou brincando, mas estava muito linda.

—Então... Ele só tentou me beijar por minha aparência. Eu me senti um lixo. – falei triste. – Não posso acreditar que ele tenha feito isso.

—Olha, se eu te contar uma coisa, você promete não contar a ninguém? – perguntou e eu assenti. – O León andava falando muito de você nos últimos dias, muito antes de você mudar sua aparência.

—O que?

—É isso mesmo que você ouviu. – riu. – Tudo que nós falávamos, ele arrumava um jeito de falar de você. Nós garotos achamos estranho a princípio, mas não falamos nada. – explicou. – Agora não deixe isso sair daqui Castillo.

—Pode deixar – falei com um sorriso pequeno no rosto. – Mas o que ele dizia?

—Não vou te contar. – Diego disse rindo. Fechei a cara e cruzei os braços. – Somos garotos, você não vai querer saber o que nós falávamos. – continuou e só aí eu me dei conta do recado.

—Diego... – falei horrorizada. – Seu pervertido! – bati em sua cabeça.

—Ai, ai! – ele ria. – Calma aí, eu nem falei nada.

—Nem precisa né? – mostrei a língua. Ele gargalhou.

—Ok, ok...

***

Voltei para casa, já era tarde, e estava escurecendo. Papai não havia chegado, e eu não havia visto Ludmila pela casa, deve ter saído. Subi direto para o meu quarto. Olga estava limpando a cozinha.

Eu adorava conversar com o Diego, ele era um amigo daqueles. Bem confidente. Amei saber que o León fala de mim para os garotos, mesmo não sabendo sobre o que ele fala, Diego me garantiu que são coisas boas e um tanto carinhosas.

Peguei meu teclado e tranquei a porta, para que ninguém me interrompesse, ou me ouvisse. Peguei minhas partituras bem guardadas da gaveta, e as posicionei. Iria terminar aquela música. Estava me sentindo bem determinada.

Enquanto eu tocava as teclas daquele instrumento pensava no dia em que eu e León nadamos na piscina aqui de casa. Sorria ao pensar que aqueles olhos um dia olharam para mim, de maneira carinhosa.

—Agora só falta à letra. – murmurei acabando as últimas notas.

Toquei novamente, surpreendendo-me com aquela melodia. Eu jamais havia feito algo tão encantador. Bom, pelo menos para mim estava encantador. Guardei as partituras de volta na caixinha onde elas estavam, e também o meu teclado.

Fui até a minha cama, pegando o meu diário. Mas antes de escrevê-lo, peguei meu celular que estava conectado no carregador, o ligando. Havia uma mensagem. Estranhei, era rara as vezes que alguém me mandava mensagens.

“Desculpa por hoje.” — León.

Sorri com o meu coração derretido. Eu parecia uma boba, mas uma boba muito apaixonada. Eu não conseguiria ficar brava com ele, não depois do que eu descobri. Suspirei, e tentando não parecer muito feliz com aquela mensagem, respondi a ele:

“Tudo bem.”