Depois de alguns minutos encarando os olhos tão lindos de León, escutei o portão de minha casa se abrir. Rapidamente me afastei dele, e me virei para ver quem tinha aberto. Me deparando com o meu pai, que tinha a testa franzia e uma sobrancelha erguida, como se estivesse desconfiando de algo.

— Achei que tivesse escutado vozes. – papai disse nos olhando seriamente. – Vim ver se tinha alguém aqui, e bem... – cessou a fala.

— O-oi pai. – gaguejei o olhando sem jeito.

— Já está tarde. – falou olhando seu relógio de pulso. – Acho melhor você entrar, filha. – pegou meu braço e o puxou delicadamente, me afastando do León. – É... Hm... Obrigado por trazer Violetta de volta, León.

— Foi um prazer, com todo respeito, sair com a sua filha Germán. – León disse, fazendo minhas bochechas esquentarem de vergonha. – Boa noite, Violetta. – beijou minha bochecha, mas especificamente o canto de minha boca, eu sorri me lembrando do toque de seus lábios nos meus. – Germán. – apertou a mão de papai.

— Boa noite rapaz. – papai retribuiu o aperto de mão.

— Boa noite. – minha voz saiu como se fosse um sussurro.

Ele deu uma piscadinha e um sorriso em minha direção, eu posso jurar estar corada. Papai colocou as mãos por cima de meu ombro, me virando em direção a casa, como se estivesse me protegendo de algo. Sorri. Seria ciúme de pai? Ri com o pensamento. Nunca o vi agindo assim.

— Bom, hm... Como foi a saída? – papai perguntou sem jeito, quando entramos em casa. Olga estava tirando o pó dos móveis, quando me viu deu um sorriso que eu logo fiz questão de retribuí.

— Foi legal. – respondi baixo, tentando não abrir um sorriso revelador.

— Só isso? – perguntou e eu o olhei. – Ele não fez nenhuma gracinha?

— Pai! – cruzei os braços, ele sabia mais do que eu que eu não deixaria ninguém tentar nada comigo.

— Só estou perguntando. – se defendeu.

— Eu vou para o meu quarto. – falei revirando os olhos e lhe dando as costas. Só queria me jogar na cama, e sonhar com essa noite tão maravilhosa que eu já mais iria esquecer. Jamais.

***

Eu adorei sair com você hoje JLeón.

Eu estava deitada em minha cama, quando meu celular vibrou, e para minha surpresa era uma mensagem de León, o que me fez sorrir ainda mais.

Eu também adorei — respondi.

Poderíamos marcar de novo, se quiser. – León.

É claro que eu quero.

Posso te levar há um lugar que acho que você vai gostar sábado que vem, o que acha? – León.

Puxa! Um novo encontro! Foi mais rápido do que eu imaginava.

Legal, só tenho que falar com o meu pai.

Tentei não soar muito animada com esse convite.

Se não conseguir, posso tentar falar com ele. – León.

É melhor eu lidar com o meu pai J, senti que ele ficou meio enciumado hoje.

Verdade. Ele me olhou estranho, e agora entendo o porquê, mas de qualquer forma ele tem razão em ter ciúmes de você. – León.

Claro, qualquer pai em sã consciência teria ciúme da filha.

Não foi isso que eu quis dizer. Você é linda, e tenho que ter muito cuidado com isso. – León.

Cuidado?

Cuidado. – León.

Ainda não entendi.

Ok. – respondi.

Vai me deixar cuidar de você? – León.

Acho que não preciso de tantos cuidados assim.

Quero cuidar de você, porque gosto de você. – León.

Ok. Isso foi uma confissão.

Gosta de mim?

Sim. – León.

Isso não tem a ver só porque saímos hoje não é?

Não. Já faz um tempo. – León.

Acho que está tarde, preciso dormir.

Está fugindo de mim? Eu não diria essas coisas se soubesse que iria ficar assim. Você não sente o mesmo não é? Pode falar, eu não vou ficar chateado. — León.

Não é isso. Só não gosto de falar sobre essas coisas, ainda mais por mensagem.

Se quiser, conversamos amanhã mesmo. Se bem que do jeito que você é, é capaz de virar um pimentão e não dizer nada. – León.

Amanhã não. Meu pai irá fazer milhões de perguntas, que eu não to a fim de responder.

Então na segunda, depois da aula? — León.

Pode ser.

Agora você me deixou ansioso para segunda-feira. – León.

Estou ansiosa desde o dia em que te vi.

Nossa Violetta! Agora você se precipitou! Caramba! O que ele vai pensar de mim?!

Vou dormir mais feliz depois dessa confissão. — León.

E eu vou me esconder debaixo no cobertor para sempre. Não era para eu ter dito isso.

Não é tão ruim assim. Nós nem estamos nos vendo, como você pode ser tão tímida? – León.

Vai dormir León.

Depois de você. Porque agora tenho certeza que vou passar uma boa parte da noite pensando no que você disse. – León.

Pegou pesado.

É o que eu sinto. – León.

Boa noite León.

Boa noite Violetta. – León.

***

Acordei no outro dia mais radiante do que o sol que não brilhava tanto lá fora. Coloquei uma saia longa e uma regatinha, não tinha planos para sair mesmo, então às únicas opções era ficar em casa fazendo alguma coisa, seja assistir a um filme, arrumar o meu quarto ou até mesmo tocar alguma coisa no meu teclado, e falando nisso, eu to com uma melodia persistente na mente desde ontem.

— Bom dia. – anuncie aparecendo na cozinha, vendo papai e Ludmila sentando a mesa, tomando o café tranquilamente.

— O que deu em você? – Ludmila perguntou com uma das suas sobrancelhas arqueadas.

— Hã? – me fiz de boba.

— Seu sorriso tá maior do que a sua boca. – ela respondeu revirando os olhos, e eu senti minhas bochechas corarem.

— Ludmila. – papai repreendeu-a.

— Estou falando o que estou vendo. – Ludmila disse me jogando um olhar desconfiado.

Eu abri a boca para responder, mas Olga veio correndo em direção a mesa onde estávamos com um sorriso alegre no rosto.

— Bom dia. – saldou-nos. – Só vim avisar que o León está no telefone.

— León? – papai perguntou e logo lançou um olhar desconfiado para mim. – Aconteceu alguma coisa?

— Não, apenas pediu para que eu chamasse a Violetta. – mordi o canto da bochecha vendo que todos os olhares da mesa se direcionaram a mim.

— Sabia que ele tinha alguma coisa haver. – Ludmila disse se levantando. – De repente perdi o apetite. – jogou seu guardanapo sobre a mesa. – Com licença papai, vou para a minha prisão. – disse sarcasticamente ao meu pai, e logo saiu dali, subindo para seu quarto.

— Vou ver o que León quer no telefone. – respondi fugindo das possíveis perguntas que meu pai me faria.

Cheguei à sala vendo o telefone fora do gancho. Suspirei e contei até dez, o León podia ser um pouquinho mais previsível. Eu nunca sei qual o seu próximo passo, e isso me deixa ansiosa e muito nervosa.

— Oi. – falei baixinho, com vergonha, nunca falei com nenhum garoto pelo telefone.

— Oi.— respondeu. — Tudo bem com você?

— Podia ter ligado no meu celular. – falei de uma vez.

— Eu tentei, três vezes, mas você não me atendeu.

— Ah... Acho que o deixei no meu quarto. – murmurei, tateando o meu bolso, não encontrando nenhum sinal do meu aparelho eletrônico. – Mas por que ligou? – perguntei não entendo o motivo.

— Seria clichê demais falar que só queria ouvir sua voz?— perguntou e eu gargalhei no telefone, fazendo o meu pai aparecer na sala em instantes. Calei minhas risadas na hora e meu pai se sentou no sofá, claramente interessado em minha conversa com León.

— Seria. – respondi confirmando sua pergunta.

— Mas é o que eu queria mesmo.— riu. – Quer dar uma volta no parque comigo?

— Hoje? – perguntei olhando para o meu pai que fingia concentração em um jornal qualquer.

— Hoje.— confirmou.

— Não sei se é uma boa ideia.

— É só uma volta, juro.— prometeu e eu ri.

— Tudo bem.

— Isso é um sim.

— Sim. – não pude evitar abrir um sorriso.

— Em meia-hora chego aí.

— Estarei te esperando.

— Eu sei.

— Tchau León. – desliguei antes dele dizer qualquer coisa.

Respirei fundo e coloquei o telefone no gancho. Meu pai dobrou o jornal e tirou os óculos de leitura.

— O que León queria? – perguntou curioso.

— Pai, será que eu posso ir ao parque? – perguntei não respondendo sua pergunta, se bem que isso já era uma resposta né?

— Suponho que León tenha te convidado, não é?

— É... – murmurei.

— Não sei não. Vocês já saíram ontem, vão se ver a semana todinha, não é melhor tirar esse dia só para você minha filha? – perguntou tentando me convencer a ficar e eu sorri.

— Pai, eu tive um tempo enorme só para mim. – ri me lembrando sobre os meus tempos de solitária. – Finalmente, eu tenho algo pra fazer, com alguém especial e... – ele me interrompeu.

— Especial? – arqueou uma de suas sobrancelhas e eu acho que fiquei vermelha, isso saiu tão espontaneamente.

— Hm... Eu gosto da companhia do León. – tentei dizer algo menos vergonhoso.

— Mais do que a companhia da Francesca? Você pode ligar para ela para vir aqui, eu não ligo, sério.

— Pai, eu vou sair com o León e ponto. – falei firme. – É só uma volta no parque. Volto antes do almoço.

— Acho bom. – murmurou.

Sorri e corri para o meu quarto. Preciso de algo melhor para vestir.