Together
11 Chapter 10 — I've Missed You...
Notas iniciais
Assim que saí do hospital Saint Prayer com Castiel, tratei de explica-lo tudo que o Doutor tinha me sugerido. No dia seguinte — No caso hoje — Faríamos uma festa de boas vindas para ele em casa. Algo modesto, mas que tinha de ser repleto de sentimentos. Algo que faria Dean ter a melhor recuperação pós-coma que seus melhores amigos poderiam oferecer.
A sugestão parecia algo deveras funcional. Até por que o único problema que enfrentaríamos seria o pouco tempo do qual nos dispúnhamos. Apenas 24 horas. O qual de fato era um muro a se escalar, mas nada que não poderíamos lidar. Faríamos algo para comer... Talvez um bolo simples — o limite de meus dotes culinários — e desejaríamos boas-vindas da melhor forma possível: Com música!
Ao acordarmos pela manhã, Castiel pareceu contagiado irreversivelmente com a ideia da comemoração. Bombardeou-me com ideias terrivelmente caras! Eu sabia que ele vinha de uma família que tinha uma base financeira estável e que ele poderia abusar em vários pontos de sua vida. Era de meu conhecimento também que depois de seu aniversário de 18 anos — O que aconteceria junto ao meu daqui a três semanas — ele poderia acessar a poupança que seu pai criara quando Castiel nascera.
— E então. Que horas vamos ao mercado comprar tudo? — Castiel iniciou um diálogo antes que ligasse o carro e decidíssemos no meio do caminho que iríamos para outra direção — Digo... A gente mal sabe fritar um ovo sem a ajuda do Dean. Precisamos de algo que venha com “pronto” no nome!
— Fale por você, senhor Castiel! Eu sei fritar ovo. Ele gruda na frigideira, mas eu sei! — Contestei falsamente ofendido. — Enfim, vamos fazer algo prático... Que tal Cupcakes com chá de menta?
— A parte do chá parece simples... Agora o Cupcake! Você se encarrega de preparar as coisas de comer e eu prometo não atrapalhar. Simples não? — Ligou o carro e riu — Agora, para onde capitão?
— Me leve para casa. Depois continue descendo a rua até achar aquele mercadinho de esquina. Compre as coisas lá e volte. Vou arrumar a casa enquanto isso. — Enquanto falava coloquei o sinto e quando passei as mãos pela minha bacia senti a fisgada que sobrara do que ocorrera enquanto estava em cativeiro.
— Sim senhor — disse — mas... O que eu preciso comprar mesmo? Digo, eu não faço ideia de como fazer Cupcakes...
— Ai Castiel, o que seria de você sem mim... — O fato de que estávamos sem Dean e que essa frase poderia muito bem ter vários sentidos tristes não nos afetou, na verdade, nem mesmo percebi aquilo... Apenas foquei em Dean. E só. — Essência de menta para os Cupcakes, o chá, provavelmente, você achará de menta, entretanto por via das dúvidas, se não achar, traga o mais fraco possível... Provavelmente será algo como o Chá Mate, ou de camomila... Só, pelo amor de Deus, não traga de Erva doce... Seria um desastre completo! Nem de Canela! Para a massa, traga algo pronto. De gosto bem fraco também, se não achar massa neutra para bolo, o famoso bolo branco, traga de abacaxi ou laranja... Não preciso dizer que cenoura é muito forte né? — Castiel balançava a cabeça cordialmente e de forma um tanto meticulosa, mas nesse ponto, afirmou com um murmúrio seu pleno entendimento de tudo que eu tinha dito. — Bom...
XXX
Uma flanela; tudo o que eu precisava para começar a arrumar a casa e limpar o que estava sujo. Castiel chegaria tão logo quanto eu poderia sequer dizer limpo e eu precisava arrumar o possível durante o resto da tarde. Andei até o aparelho de som e inseri minha aquisição mais recente: Artpop. Pressionei o botão Aleatório e a música se iniciou enquanto arrastava móveis pela sala para limpar tudo.
I am so fab
(Eu sou tão fabulosa!)
Check out I'm blonde, I'm skinny, I'm rich
(Veja, eu sou loira, eu sou magra, eu sou rica).
And I'm a little bit of a bitch.
(E tenho um pouco de uma vadia).
Sala, quarto, cozinha, até mesmo passei uma vassoura pela área de serviço. Fiz tudo em tempo recorde, não conseguia acreditar que o alemãozinho estava voltando para casa. Em menos de meia hora eu tinha terminado tudo e fui tomar um banho. Estava suado, empoeirado, fétido e não tinha condição de cozinhar nada daquele jeito.
A banheira era convidativa — até mais do que deveria — mas tive que resistir aos seus encantos e ir até ao banheiro do corredor, que também ficava no segundo andar da casa, mas entre os quartos meus e de Dean. Ensaboei-me e me enxaguei. Não pulei a cerimônia toda como o bom ritual que tinha me habituado, e foi exatamente para ceder aos meus prazeres com a higiene corpórea que adiantei todo o serviço de limpeza o mais rápido possível.
Fechei o registro e saí do banheiro, ainda enrolado na toalha ouvi a voz de Castiel me chamar e perguntar onde estava. Gritei-o lá de cima e o ouvi subindo os jogos de escadas.
— Eu... Cheguei... — Completou obviamente afetado pelo meu estado... Olhou-me dos pés à cabeça e repetiu o processo, até se dar por si e voltar ao assunto. Corei obviamente... — As coisas estão na mesa, vou ver se tem algo para eu fazer lá em baixo... Até...
Apenas ri; tímida, mas divertidamente. De forma inaudível, mas igualmente incontrovertível. Após um lance de memórias percorrerem meu corpo, lancei-me quarto adentro e me vesti propriamente. Os lances de escadas, anteriormente percorridos por Cass, davam vazão agora aos meus pés para percorrer...
Quarenta gramas de margarina, cento e cinquenta mililitros de leite e por final, quatro ovos. A receita da massa pronta neutra que Castiel conseguiu miraculosamente — primeiro porque não existe, segundo, porque não existe — pedia esses exatos ingredientes nas respectivas proporções. Bater tudo na batedeira e despejar nas formas de Cupcakes que achamos nas coisas de Dean não foi difícil. O relógio já marcava cinco da tarde quando o hospital ligou dizendo que Dean já partira para casa.
Tudo estava pronto.
Mas não me referia à comida, me referia à Dean Singer. O garoto que eu amo. Amo?
XXX
Dean’s P.O.V
As luzes da casa de Castiel estavam apagadas. Decidi vir a pé e sozinho, precisava andar, sem o tumulto de todos. Sem que toda essa responsabilidade de ter estado quase morto pelo o que pareceu ser um século foi apenas quatro meses... Sinto que meu corpo foi reconstituído. Mas todas as lembranças. É como se estivesse passado pelo inferno.
A porta semiaberta apontava uma luz ao fundo, no chão, a luz do crepúsculo que se formava atrás de mim manchou de um tom laranja apurpurado o assoalho da casa no triângulo que circundava minha silhueta. Na cozinha, outra luz, claramente artificial marcava o chão com um tom cintilante de branco. Pude sentir um cheiro muito bom. De comida.
Ao passo que andava sentia a respiração ofegante e percebia o quanto esse momento era importante. Meu pai havia morrido naquele incêndio e meu destino teria sido o mesmo se não fosse por esses dois. E agora precisava agradecer de todo o meu coração. Mas parece que quem fez uma comemoração não fora eu.
Fale com o autor