Notas iniciais
Espero que voces gostem mais dessa versao do que da anterior (que apesar de eu amar foi bem fraca)

POR FAVOR COMENTEM E RECOMENDEM E FAVORITEM SE VOCES GOSTAREM!!!!!

Breadstone, condado de Gloucestershire, Inglaterra.

10 atrás

— Vamos fazer uma promessa? – indagou a pequena Lucky olhando

profundamente nos olhos da melhor amiga.

— Qual? – quis saber Amy enquanto brincava no meio fio.

— Nunca vamos nos mudar, seremos vizinhas até morrermos, promete?

—propôs Lucky chamando a atenção da amiga.

— Prometo.



Dias atuais.



—MENTIROSA! – gritei, quebrando o silencio instalado em meu quarto durante os minutos de devaneio.

O dia estava chuvoso, o cheiro de algo em decomposição flutuava pelo ar, na verdade era assim quase o ano inteiro, um dia nublado atrás do outro, sugando toda a vida da cidade. E tinha quase certeza de que um pedaço mofado de pizza jazia debaixo da pilha de roupa suja no canto do quarto.

Estava deitada na cama, fitando o teto, meus pensamentos bem longe dali, muito além de um céu cinzento e um teto com a tinta descascando. Minha expressão era uma mistura de ódio e tristeza e meus olhos insistiam em derramar lagrimas que, inutilmente, eu tentava forçar a voltarem de onde vieram. A chuva do lado de fora sincronizada com o meu choro.

Depois de um tempo meus olhos já não conseguiam discernir os objetos a minha frente. Mas pude focar na antiga casa na árvore que ligava a minha varanda com a de Amy.

Mil lembranças vieram à mente e mais lagrimas vieram a cair dos meus olhos inchados.

Meus avós construíram aquela casa no meu primeiro verão aqui em Breadstone. Foi a melhor maneira que eles encontraram de me distrair do fato que que eu havia sido tirada da minha mae por maus tratos. De cada varanda sai uma ponte de cordas que se encontram numa casinha estruturada em uma árvore velha e bem resistente na divisa dos dois terrenos.

Eu só deveria passar as férias de verão com meus avós até minha mãe se recuperar e receber minha guarda de volta, mas o sol se foi e eu fiquei. E no começo do ano letivo eu estava matriculada na escola do bairro.

Com o tempo eu acabei esquecendo como vim parar aqui. Mas tudo veio a tona naquela manhã.

Amy havia se mudado,era isso que acontecia aqui no meio do nada, as pessoas iam embora.E a pior parte foi que ela não se mudou para a cidade vizinha que fica há 40 minutos daqui, não, ela foi pra Nova Iorque, Estados Unidos. Que fica a um oceano de distancia. E me abandonou aqui com

Mason e meu gato velho.

Ok, Mason é meu melhor amigo, mas não é a mesma coisa. Ele não entende as cólicas ou a TPM ou mesmo a sensação de comprar um novo sutiã que deixa os peitos maiores.

Mesmo não querendo viver naquele momento, sabia que eventualmente teria que superar a partida dela, por isso chamei o Mason aqui, não que ele precise de convite para entrar na minha casa, mas eu queria ele aqui comigo.

— Wolfgang, por que a vida é tão cruel comigo? – questionei meu gato que se espreguiçava em cima da cama, enquanto eu deixava a gravidade agir aos poucos, me arrastando da beirada da cama para o chão.

— A vida apenas te deu uma oportunidade de crescer – eu que até agora encarava a chuva com certo desgosto, tive um sobressalto. Gatos não falam. Certo? Mas assim que olhei para trás vi Mason entrando no quarto. – Conversando com os animais de novo, senhorita Strike? – ele terminou de me jogar no chão, já que a gravidade não queria fazer seu trabalho direito.

— Ouvindo minhas conversas de novo, senhor Foster? – retruquei em tom de deboche.

— Ai! Vejo que não perdeu a ironia – falou enquanto arremessava o próprio corpo no chão.

— Jamais, querido – pisquei e fiz um estalo com a boca – Perco a amizade, mas não perco a piada. – seu braço passou pelos meus ombros deixando claro que ele sentia a dor que tentei esconder na voz.

— E então, o que planeja fazer hoje além de chorar? – passou as costas da mão em meu rosto, limpando um pouco das lagrimas que escorriam nele.

— E quem disse que isso não é chuva? – ele chegou mais perto de mim, com a mão afagando meu cabelo.

— Eu sei que não é chuva porque água do céu não deixa o rosto vermelho e os olhos inchados – ele beijou minha testa e se levantou – Vai ficar parada ai? Vem, vamos pelo menos nos sentar na cama, ela vai absorver suas lagrimas, e sua avó não vai reclamar da poca de “chuva” no chão – ele disse arrancando um sorriso de mim. Um progresso.

Ele se deitou primeiro e assim que meu corpo entrou em contato com a cama, desabei em mais choro. Mason veio até mim e me abraçou. Então ele me deitou em seu peito e, sem falar nada, adormeci.

Quando acordei, ele não estava mais lá.

Já anoitecera, a chuva havia parado, mas a sensação úmida que ela trás ainda estava no ar. Fui até a varanda e me sentei no parapeito que não era muito alto, apenas gelado e um pouco áspero. Olhei o céu e tentei contar as estrelas, que brilhavam sutilmente em meio às nuvens escuras de uma tempestade que estava esperando o momento certo para estragar a meu dia. “tarde demais” pensei comigo mesma “nao tem como o dia piorar”. Perdi-me na contagem, porque elas, aparentemente não ficavam paradas. Olhei a lua e pensei que não importa a distancia, ainda assim, veremos a mesma lua.

Agora eu fitava a varanda de Amy, vazia e apagada como minha alma naquele momento. Sem movimentação, como meu corpo. E sem o brilho que só Amy levava para os lugares, como tudo na minha vida. Eu a conheci aqui em frente quando eramos pequenas. Acabara de me mudar para o vilarejo e tinha apenas seis anos de idade. Ela de cara virou minha melhor amiga. Não esqueço as incontáveis noites que passamos juntas uma na casa da outra ou até mesmo na casinha. Ela sempre soube dos meus segredos mais obscuros, coisas que eu não contara a ninguém além dela, nem mesmo ao Mason.

Mason. Conheci-o alguns meses depois de me mudar, no primeiro dia de aula da escola. Ele se tornou um grande amigo, não conto tudo o que sinto para ele, afinal, ele é menino e acho que não entenderia. Às vezes, nem eu me entendo.

Voltando a Amy, ela sempre esteve comigo, nos tempos bons e nos ruins, dizem que bons amigos sabem todas as suas aventuras, mas os melhores amigos as viveram com você. E isso define bem a Amy, temos tantas historias juntas, tantas brigas, tantas tontices, e tantas gargalhadas, que é difícil conter a raiva por ela jogar tudo fora, entrar num aviao e nem olhar para tras.

Ela me disse que era a oportunidade da vida dela estudar em Nova Iorque, e que sempre quis sair de Breadstone, mas afinal, quem nao queria sair dali? Ela gostava da tecnologia e da modernização. Não que eu não goste, eu amo, mas eu não sinto necessidade de ir para outro continente por isso. Ainda custo a acreditar que ela foi embora por algo tão fútil, que ela me deixou aqui por algo tão ridículo e penso se a amizade que tínhamos era verdadeira ou apenas conveniente.

Essa era a parte que mais doia. A duvida sobre a genuinidade da nossa amizade.

A noite se fez muito fria, minhas mãos estavam congelando e a ponta do meu nariz estava vermelha, acho que se alguma lagrima escorresse pelo meu rosto naquele momento, rapidamente se transformaria em gelo.

Entrei para evitar um resfriado ou até uma hipotermia. Antes de fechar as cortinas olhei fixamente para varanda da Amy na esperança de que tudo não passasse de uma pegadinha que minha mente pregou em mim, esperava ver um movimento qualquer, uma luz acesa, uma voz perdida pelos corredores, ou apenas o barulho de passos, mas nada aconteceu.


Meu coração foi comprimido pelo peso do silencio.

Notas finais
SE VOCE GOSTOU COMENTEEEE!!!

Se voce leu a primeira por favor mande um salve! sdds de vcs suas lindaaaaas