Notas iniciais
geeeeeente to aqui de volta espero que gostem pq nao tive muito tempo pra editar :( se tiver muito erro me avisem!!!!

Despertei com um barulho peculiar. Uma mistura intrigante de berros em meio ao som incômodo do aspirador de pó. Aparentemente vovó Adelaide está gritando meu nome enquanto aspira a casa. Ótimo jeito de acordar, por sinal. E quem em sã consciência aspira a casa as 06:00 da matina?

Levantei desajeitada e para minha sorte, o maldito cobertor enrolou no meu pé e cai de cara no chão. Levantei-me e fui tropeçando de sono para o banheiro.

Tentei. Juro que tentei tomar um banho rápido, mas você sabe o que acontece quando juntamos sono e água quente? Pois é, o resultado é uma adolescente dormindo no banho e atrasada para a escola.

Meu querido Avô Bernard preparou panquecas.

Peguei algumas panquecas e enfiei na goela.

Como todos os alunos do bairro, peguei o “caminho da roça” e fui para a escola escutando música no celular. Enquanto andava, fingia que as pessoas que encontrava pelo caminho estavam cantando o que eu estava escutando. Até agora o melhor foi o gordinho de meia idade sambando ao som de “Bad Romance”.

Algumas pessoas me olharam assustados, provavelmente preocupados com a minha saúde mental. Outras se empenharam em entender por que eu as encarava de maneira fascinante. Eu não ligava muito se elas realmente pensavam que tenho parafusos a menos, não me importava muito com a opinião dos outros a meu respeito e talvez, só talvez, isto fez o número de encrencas em que me meti aumentar drasticamente nos últimos anos.

Depois de uns bons 15 minutos andando (a cidade era muito pequena para termos um sistema de ônibus escolares e Vovô Bernard não confiava um automóvel nas minhas desastradas mãos), cheguei ao quarteirão da escola.

Reta final. Olhei na tela do meu celular e vi que eram 8:59 e o portão fechava às 9:00 em ponto! O urubu desalmado que cuida da passagem para o purgatório, mais conhecido como zelador Joe, odeia todos os alunos, mas uma em especial. A nossa queridíssima e ilustríssima Lucky aqui!

E antes que eu me esqueca, meu nome é Lucky Strike, sim, igual o cigarro. Já podemos identificar a razão de eu ter sido tirada da minha mãe.

Com os olhos focados no meu premio, comecei a correr desesperadamente, avistei o zelador contando os segundos para fechar o portão. Não se deixe enganar pela postura inclinada por conta da idade, ou os olhos exaustos, seus cabelos brancos ou sua voz de Papai Noel. Ele é um servo direto do diabo, disso tenho certeza.

Obriguei minhas pernas a correr mais rápido, estava sentindo a vitória, eu iria conseguir chegar a tempo, seria a primeira vez neste mês, mas faltando apenas dois metros ate portão eu tropecei numa pequena pedra, nem quero saber por que tinha uma pedra no meio do caminho só sei que fui para o chão. A regra é simples: se você estiver com alguma parte do corpo em contato com a parte interior da escola, você chegou a tempo. Infelizmente isso não aconteceu, aquele rato de esgoto riu com sarcasmo.

— Mais sorte da próxima vez, Strike – debochou ele.

— Você não perde por esperar! –

— Para a sala do diretor, mocinha – que surpresa – Acho que você conhece o caminho melhor que ninguém! – ele deu uma gargalhada do mal e trancou o portão, sumindo entre as árvores do pátio. Esse cara me dá arrepios.

Com grande pesar no coração chego à sala daquele que desconta nos alunos suas frustrações de relacionamentos conturbados. Bato na porta e entro antes de escutar a resposta. Já tinha criado certa "intimidade" com a diretoria. Sabia seus horários, no caso, sabia que ele não estava ocupado, mas que em meia hora, o superintendente chegaria para a conferência semanal.

Assim que entrei vi-o sentado a mesa como de costume, mas algo estava estranho, alguma coisa estava diferente. Não sentia o cheiro costumeiro de álcool e charuto no ar. Seus olhos tinham bolsas tão grandes que podia ver o emblema da Gucci neles.

Foi quando vi as prateleiras ao meu redor estão totalmente vazias e ele está visivelmente sóbrio, o que piora ainda mais minha situação.

Vi sua caixa de charutos sobre a mesa e já preparava meu suspiro de alívio na garganta, mas quando me aproximei vi-a completamente vazia. Minha vida acabou. Fez Puff. Ele parecia preocupado com alguma coisa importante. Estranho, nas quartas ele só começa a se preocupar depois do terceiro período.

Antes que pudesse começar meu repertório de desculpas ele se pronunciou

— Você não tem jeito mesmo, não é? – ele falou calmo, o que me assustou um bocado.

— Bem eu... – ele não permitiu que eu falasse.

— Me poupe de suas desculpas esfarrapadas. Você tem que mudar de atitude! – ele pensou por alguns segundos e uma expressão de alegria invadiu seu rosto velho – E eu já sei como – fiquei em choque, ele nunca havia falado algo do tipo em todos esses anos que estudo aqui. – Bem, você será a tutora dos novos alunos – ele parecia bem feliz com a ideia, como se matasse dois coelhos numa cajadada – Para sua sorte eles só começam a frequentar a escola na semana que vem – eu queria pular no pescoço dele. Mas não pulei, porque algo mais profundo que isso me incomodava. As pessoas mudam de Breadstone, nao para Breadstone. Não existe essa coisa de “novos alunos”, pelo menos nao por aqui, ou pelo menos não até agora.

Como era de se esperar, eu dormi nas duas primeiras aulas. Não foi minha culpa, na primeira aula tem uns puffs no meio da sala que eu uso para tirar uns cochilos e a segunda é aula de História da Arte.

Infelizmente a cobra sem peito que todos chamam de professora não concordava que História fosse para dormir.

Eu tentava não parecer que estava desrespeitando os professores (porque deve ser uma vida péssima ter que aturar centenas de adolescentes mimados todos os dias) mas eu sou virginiana e como consequência minhas emoções e pensamentos escorrem pelo meu rosto.

O som majestoso de liberdade ecoou pelos corredores, sim estava na hora da saída! Como um zumbi, me arrastei pelos corredores.

— Mason! Me leva de cavalinho! Isto é uma ordem! – ele caminhava ao meu lado até a entrada da escola.

— A única ordem que tenho é a de buscar minha irmã depois da aula. Se vira loira azeda. – Ele piscou aqueles olhos castanhos para mim.

— Eu te odeio, sabia disso? – ele riu, como se eu não tivesse falado sério!

— Você só vai me odiar no dia em que eu namorar a Siena, e acho que isso não vai acontecer tão cedo – abusado. Quem ele pensa que é? Meu melhor amigo? Ok, ele é, mas eu estou certa e ponto.

Como a casa dele fica na direção oposta da minha, nos despedimos na entrada da escola mesmo. E eu comecei minha pequena maratona até em casa. Anos de preparação física foram necessários para tal façanha.

O dia não estava tão feio, por isso até que aproveitei a caminhada. Meus vizinhos eram silenciosos, mas a casa de Amy parecia sugar a felicidade de tudo com o silêncio ensurdecedor que vinha dela.

Quando já estava entrando em casa, vi chegando um caminhão na minha rua. Só consegui vê-lo virando a esquina, pois no segundo seguinte, já estava dentro de casa. Não parecia grande coisa e podia estar apenas de passagem pela rua.

Não estava chovendo apesar das muitas nuvens no céu, então, assim que entrei fui para o jardim, me deitei na grama que estava pouco úmida por conta de chuva no dia anterior, fiquei lá parada encarando o céu azul, tonalizado de um leve tom de cinza, que em parte, combinava com a cidade.

— VAI SUA MULA, CORRE, CORRE, CORRE! – eu gritava com o céu, na verdade com as nuvens que estavam se movendo. Eu tinha certeza de que a nuvem macaco iria ganhar da nuvem elefante. Pois é, não rolou.

Desisti das nuvens, rolei para dentro de casa e subi para o meu quarto, que era uma mistura perfeita de bagunça, mofo e pôsteres. Joguei-me na cama e coloquei uma música bem alta, fazendo Wolfgang sair correndo do quarto. Estava cantando loucamente, pulei pra lá e pra cá, passei um bom tempo assim. Quando meu corpo não aguentava mais, peguei um livro. A capa era bem bonita, toda colorida e bem trabalhada, mas a história não era lá essas coisas. Não deveria ser tão difícil fazer uma personagem principal menos sonsa.

Com o cair da noite e a chegada do frio mais intenso optei em usar como pijama, calças de moletom e um blusão.

Permaneci deitada na cama, perdida em pensamentos, até que aquela velha casa na árvore me chamou atenção, como na noite anterior, mas dessa vez era como se ela me chamasse. Saí na varanda, e me sentei no parapeito. Como fazia todas as noites, fiquei olhando para casa na árvore e lembrando todos os bons momentos que tive naquele lugar. Meu corpo apenas ficou ali, sofrendo a lei da inércia por um bom tempo.

Já era tarde e precisava dormir, entrei no quarto, e como na noite anterior fiquei observando a varanda de Amy, na esperança de que tudo aquilo não passasse de um pesadelo. Olhei pra varanda por uns 5 minutos, e quando ia me virar, vi algo que, no momento nem eu acreditei que fosse verdade.

Uma luz se acendeu no quarto de Amy.

Notas finais
FAZ O FAVOR DE COMENTAR NESSA BIROSCA!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.