Todo Está Al Revés

2 Dime quién es el mejor.


Notas iniciais
Voltei! Não demorei muito para escrever um novo capítulo, mas não posso prometer que vá ser sempre assim. Tenho que estudar muito, e isso toma bastante do meu tempo. O máximo que posso garantir é que vou me esforçar para atualizar a fanfic o mais rápido que puder. Fiquei muito feliz com a quantidade de pessoas que está acompanhando a TEAR. Por outro lado, me deixou triste o fato de que só duas comentaram. Aliás, muito obrigada a vocês, meninas! Gostaria que todos vocês vocês me dissessem o que acham da fanfic, mesmo que brevemente. É sempre bom saber a opinião suas opiniões. Dessa forma, sei onde estou errando e onde estou acertando. Pude perceber, também, que como não tem meu nome no meu perfil, fica um pouco difícil para vocês se dirigirem a mim. Sempre que quiserem falar comigo, seja nos comentários ou nas mensagens, sintam-se a vontade para me chamarem de R ou Red. Sei que parece um pouco estranho, mas creio que não tem problema. Não vou mais enrolar. Espero que gostem do capítulo!

— Mas você ficou louca?

Caímos em plena calçada.

O concreto arranhava minhas pernas e a água gélida que corria no meio-fio envolvia meus pés. O resto do meu corpo estava sobre o rapaz que derrubei, e eu não sabia o que fazer. Ainda não vira seu rosto, mas tinha certeza de que estava furioso, a julgar pelo modo que falou comigo. Não tinha coragem para me levantar e encará-lo. Por outro lado, tampouco queria ficar estirada no chão daquele jeito com um desconhecido.

No fim das contas não precisei fazer nada: O rapaz me empurrou sem nenhuma delicadeza e minha cabeça quase bateu no chão. Ele se levantou com agilidade e ficou de costas para mim, de modo que eu só conseguia ver sua camisa azul e seus cabelos lisos, agora molhados.

Pude visualizar em algum canto próximo a meu rosto um guarda-chuva amarelo, que provavelmente pertencia a ele. O objeto deve ter caído com o susto da queda, e temi que fosse levado pelo vento se seu dono não se apressasse em apanhá-lo.

Apoiei-me nos cotovelos e comecei a levantar.

— Me desculpa... Eu não vi você. – Minha voz saiu embargada pelo choro de instantes atrás.

Ele se virou para mim e pude ver em seu rosto que estava indignado. Tinha olhos castanho-esverdeados que me fuzilavam, e seus cabelos escuros grudavam na testa. Sua boca formava uma linha rígida e reta.

— Deveria prestar mais atenção! – Esbravejou. – Que tipo de pessoa sai correndo pela rua sem nem olhar quem está na sua frente? Agora eu vou ter que trocar de roupa!

O garoto não ofereceu ajuda para que eu me levantasse, o que àquela altura já não me importava mais. Ele estava sendo tão arrogante e idiota que a única coisa que eu poderia querer naquele momento era que ele se calasse.

Ok, eu deveria estar prestando atenção. Não foi prudente da minha parte sair correndo por aí sem dar a mínima para o que estava à minha volta. Mas foi um acidente. Não tinha porquê ser tão grosseiro.

— Olha, eu já pedi desculpas. – Limpei as lágrimas – Não queria te derrubar. Mas você não pode gritar comigo desse jeito. Foi só uma queda. Poderia ter acontecido com qualquer um.

— Eu não me importo se foi um acidente ou não. Você arruinou a minha roupa. – Apanhou o guarda-chuva do chão. – Me deixou encharcado.

Suspirei com impaciência. Naquele momento, aturar um garoto mimado e ridículo era o que eu menos precisava. Quem ele pensava que era? Onde foi parar a educação das pessoas? Eu não saía muito de casa, mas tinha certeza de que não eram assim os modos de hoje em dia. Comecei a me retirar, mas ele segurou meu ombro.

Lancei um olhar de ódio para ele.

— O que é?

Ele deu um meio sorriso e ergueu as sobrancelhas.

— Então é isso? Você me molha e simplesmente sai?

Soltei uma risada sarcástica e bufei. Que história era essa agora?

— O que você espera que eu faça? – retruco. – Te dê um prêmio por ser tão estúpido e mal-educado? Desculpa, lindo, mas esqueci os troféus em casa.

— Você deve ter de sobra, né? Por ser tão atrevida.

— Se falar o que penso com alguém tão sem noção como você é ser atrevida, então, sim, sou com prazer. – Esboço um sorriso irônico. – Sabe o que mais? Nem sei porque estou continuando essa conversa. Passar bem, boa sorte com essa roupinha ridícula.

O garoto soltou uma risada. Antes estava furioso. Agora, no entanto, parecia estar se divertindo com a situação, como se fosse uma conversa entre amigos. Qual era o problema dele? Provavelmente irritar era seu hobbie preferido.

Antes que pudesse sequer fazer menção de sair, uma loira com cabelos, maquiagem e roupas impecáveis apareceu. Uma garota mais baixa de cabelos pretos e cacheados segurava um guarda-chuva para ela enquanto ficava exposta na tempestade. Franzi o cenho.

— Lion! O que aconteceu? Você está horrível! – A loira exclamou com uma voz absurdamente irritante. Tentava transparecer preocupação, mas estava claro que não passava de fingimento.

— Tive alguns problemas. – O garoto gesticulou com a cabeça para mim.

As duas se viraram para me encarar. A loira me analisou minuciosamente dos pés à cabeça e depois riu. A morena acompanhou sua risada, como se fosse obrigada a tudo exatamente igual à outra.

— O que essa formiguinha fez com você? – perguntou em tom malicioso.

— Você me chamou de que? – indaguei.

Todos me ignoraram.

— Esbarrou em mim enquanto corria e acabei caindo e me molhando todo. Espero ter roupa reserva no armário, porque não vou poder continuar com essa.

— Mas, ora, que absurdo! As formigas não se enxergam mais.

Aquela foi a gota d’água. Não pude aguentar mais aquela babaquice. Explodi.

— Não ajam como se eu não estivesse aqui, porque eu estou! Não pense que eu vou permitir que me chame de formiga, e se tem alguém que precisa se enxergar aqui, esse alguém é você! Vocês não me conhecem! Já disse para esse idiota que foi um acidente, e sinto muito se estraguei essa roupinha de grife ou esse cabelinho lambido. – Cuspi as palavras como se fossem ácidas. – Não sei quem vocês acham que são, mas posso garantir: Não são o centro do universo. Não podem tratar as pessoas, mesmo que as que vocês conhecem, como inferiores a vocês. Vocês são ridículos.

Eles ficaram atônitos com o que falei. Provavelmente não estavam acostumados a serem respondidos desse jeito. Não conhecia a loira egocêntrica, a morena fantoche ou o garoto arrogante. Todavia sabia que eles eram exatamente o tipo de pessoa que eu não suportava. E não tinha sentido continuar ali aguentando seus desaforos.

O impacto de minhas palavras não durou mais que alguns segundos. Logo eles se aprontaram em assumir o mesmo ar de superioridade que tinham pouco antes. A loira se aproximou lentamente de mim e sorriu com desdém.

— Me admira que tenha coragem de falar conosco desse jeito, garotinha. As formiguinhas como você geralmente não são tão corajosas. – Ela segurou uma mecha de meu cabelo. – Não sei quem você é, mas entenda: Você não é nada. Você é só uma garotinha impertinente com roupas de quinta e cabelos horrorosos. Nunca chegará ao nossos pés. É como se estivéssemos no topo do Everest, e você, nas zonas abissais. Entendeu?

Arregalei os olhos, incrédula. Ela realmente se achava melhor do que eu?

— Essa discussão me cansou. – falou por fim. – Lion, vamos entrar e dar um jeito em você. O formigueiro não pode te ver desse jeito. – Ludmila agarrou a mão do garoto e começou a puxá-lo.

Ele lançou um olhar divertido para mim, ao qual eu respondi revirando os olhos.

— Tchau, Lion! – Me despedi com a voz recheada de escárnio – Espero que se percam no caminho!

Ele não me respondeu, e os três seguiram para dentro de um prédio. Era o mesmo prédio que eu avistara instantes antes de trombar com aquele idiota. Parecia ser bem colorido e animado, mas com aquele tempo tão nublado e cinzento, a única aparência que tinha era melancólica.

Me dei conta de que, depois de toda aquela discussão, todos os que estavam ali presentes me encaravam. Alguns pareciam ter gravado toda a conversa com o celular, e outros cochichavam sem a mínima discrição. Estalei a língua e me sentei ali mesmo na calçada.

Não bastou mais do que um minuto para aquele aperto que sentia no peito antes voltasse a me açoitar. Toda aquela confusão inibiu um pouco o que me afligia, e agora que acabou, o sentimento voltava com força total. Lágrimas voltaram a encher meus olhos, e abracei meus joelhos, pronta para ser atingida por outra crise.

A chuva parou nessa hora, o que foi de certa forma positivo. Por outro lado, o sol agora começava a aparecer, o que não combinava nada com meu estado de espírito do momento. Concluí que era melhor me levantar e me abrigar em alguma sombra, afinal, logo começaria a ficar bem quente e eu não queria ter nenhuma queimadura. Poderia me lamentar em outro lugar.

Avistei um banco embaixo de salgueiro há alguns metros de distância. Sentei no meio e comecei a sentir certo incomodo com a água que escorria por meus braços, pernas e rosto.

— Oi. – Pude ouvir alguém falar.

Olhei em volta e vi que quatro pessoas estavam sentadas próximas à árvore, rodeadas de comida e aparelhos de mp3. Se tratava de dois garotos, um deles bem baixinho, usando um boné, e o outro mais alto, aparentemente estrangeiro, e duas garotas, uma de cabelos pretos e outra de cabelos castanhos. Todos pareciam hesitantes.

— Desculpem. – Fiquei de pé. – Não tinha visto vocês. Já estou saindo.

— Não, não precisa! – O de boné se aprumou em dizer. – Queríamos perguntar se você quer se sentar aqui com a gente.

Ninguém era normal nesse lugar?

— Olha, eu agradeço, mas... – Minha voz estava desconfiada, assim como eu. – Eu estou toda molhada, e para ser sincera, quero ficar sozinha.

Eles sorriram de modo simpático e a agora de cabelos pretos deu tapinhas no espaço da grama ao lado esquerdo dela, insistindo que eu me sentasse.

— Vimos sua discussão com Ludmila e suas marionetes. – A de cabelo castanho falou. – Ficamos impressionados com você. Ninguém nunca os respondeu assim antes.

— E por que não? – indaguei. – Eu não os conheço, mas tenho certeza de que não são príncipes nem princesas de nada. E mesmo que fossem, não têm direito de tratar ninguém do modo que me trataram.

— Também pensamos assim. – O do boné sorriu. – Só que a gente não pode fazer nada. Eles são os preferidos dos professores, e todos os admiram. Têm muito talento e, bom, dinheiro.

Eu não estava entendendo mais nada. Professores? Talento? Estavam no colégio ou algo do tipo? Não pareciam ser estudantes do ensino médio, embora tivessem uma aparência muito jovem.

— Não sei como é a escola de vocês, mas está errado favorecer a alguém, não importa quais sejam suas condições financeiras ou sociais.

— Sabemos disso. Mas não estamos em uma escola. Estudamos no Studio – Ele sorriu. – Não nos apresentamos ainda, né? Meu nome é Maxi. – Ele apontou para o garoto alto, a de cabelos pretos e a de cabelos castanhos, respectivamente. – E eles são Braco, Francesca e Camila. Você veio se inscrever?

— Me inscrever?

— Para o Studio 21, ora! Você não sabe o que é? – Ele parecia surpreso.

— Uma das maiores academias de música do mundo. – A tal Francesca respondeu, igualmente incrédula. – Você não conhece? Todos os que se formaram aqui se tornaram grandes artistas. – A garota gesticulou para algo atrás dela.

E lá estava o prédio colorido. Agora eu podia ver claramente uma placa com o nome “Studio 21” estampado.

Uma academia de música parecia ser algo incrível. Então era em locais assim que os artistas, como cantores e bailarinos, se formavam? Mamãe teria estudado em alguma academia como o Studio?

Mamãe... Esse nome me trouxe toda a angústia de volta. Percebi que tinha que voltar para casa e esclarecer tudo com papai, por mais que me faltasse coragem. Não me adiantaria de nada fugir. Procrastinar não era nada mais do que adiar o inevitável.

Respirei fundo e abri um meio sorriso.

— Bom, fico feliz que tenham gostado do que falei para Ludmila e o tal... Lion. – Fiz uma careta ao pronunciar o nome.

— León. – Camila corrigiu, rindo.

— Tanto faz. – Dei de ombros. – De qualquer forma, tenho que ir.

— Mas nem vai nos vai dizer seu nome? – Braco perguntou, falando pela primeira vez desde que cheguei ali. Tinha um sotaque forte, algo parecido com o russo.

— Sou Violetta. – afirmei. – Bem, nos vemos por aí.

— Tchau! – falaram em uníssono.

Comecei a andar lentamente em direção à minha casa. Não sabia o que me esperava lá, nem quais seriam minhas reações a isso. No entanto – agora eu percebia – era algo que eu tinha que enfrentar. Se nada desse certo, ao menos eu chegara o mais próximo que jamais chegara de ter amigos e até mesmo inimigos.

E esse fato tornava o peso em minhas costas bem mais suportável.

Notas finais
Não foi um capítulo espetacular, mas foi de extrema importância. Espero melhorar cada vez mais nos próximos. Por favor, por favor, deixem seus reviews. Quero saber tudo o que vocês acham que precisa ser melhorado, o que está bom, o que acham que vai acontecer e o que vocês gostariam que acontecesse. Volto em breve com mais um capítulo. R.