Todas as formas de amar

5 Capítulo 5 - Obstinação


Notas iniciais
Eu recebi comentários e eu fiquei realmente feliz! Eu demorei um pouquinho para escrever esse capítulo mas ele é muito importante para a história. Espero que gostem! Então... Vamos descobrir? Enjoy!

Depois daquela reunião cômica e conflituosa, eu pedi um pouco de tempo para pensar, e foram me dadas míseras 24 horas. Ou seja, eu teria um dia para decidir o futuro da empresa para qual eu tenho trabalho todos esses anos, da qual depende a vida e carreira de muitas outras pessoas.

**********

E agora eu estava aqui, com as únicas pessoas no mundo que poderiam me dar algum conselho, ou me fazerem desistir de vez.

Temari: Hina, minha amiga... Na minha humilde opinião, você é mais do que capaz para presidir essa empresa. – Disse confiante, as vezes eu queria ter um pouco da confiança dela.

Pe. Micael: Olha, eu nunca pensei que diria uma coisa dessas, mas... Até que eu concordo com a Temari. – Disse meu amigo, enquanto nos servia o chá.

Temari: Oh, nossa! Quão honrosa estou eu, Padre. – Disse e sorriu debochada.

Pe. Micael apenas deu de ombros. Eles eram completos opostos, mas se davam muito bem.

Pe. Micael: Hinata, minha querida... Você sabe que é capaz. O que lhe causa tanto medo? Nos diga, afinal, estaremos sempre aqui para te ouvir. – Sorriu compreensivo.

Exatamente... Afinal, do que eu tinha tanto medo? Eu sempre cuidei da empresa do modo que podia, sempre ajudei no possível, sempre estive ao lado de Naruto. Mas eu não era ele... E talvez fosse isso que mais me assustava. Eu não era como ele, – lidar diariamente com os problemas da empresa, com a mídia, informações, reuniões, acionistas, investidores e essas coisas, definitivamente não eram para mim. – Eu apenas era uma simples programadora. Minha especialidade era desenvolver jogos infantis, e não sentar naquela cadeira grande e gerir uma empresa daquele tamanho.

Oh, eu estava assustada. Seriamente pensando em recusar esse absurdo, com certeza eles achariam alguém mais habilitado do que eu para o cargo. Talvez Sasuke? Ou Shikamaru? Que tal Neji? – Fui retirada de meus pensamentos por Temari, que suspirava alto.

Temari: Eu sei muito bem o que você está pensando mocinha! E não... Nenhum deles é mais ou menos capaz que você. Mas eles te escolheram, Hina. – Ela disse e eu me assustei, como ela sabia o que eu estava pensando?

Pe. Micael: Nós te conhecemos muito bem, senhorita Hyuuga. – Disse e voltou a bebericar seu chá.

Uma coisa era certa... Eles realmente me conheciam bem. Porém nenhum deles poderia estar ao meu lado diretamente, enquanto eu estivesse passando por essa situação.

Temari: Eu sei que não poderemos estar ao seu lado, afinal, somos apenas uma médica e um padre... – Disse argumentativa. – Mas vamos te apoiar no que for preciso. Talvez um cházinho no final do expediente. O que me diz? – Ela sorriu, Pe. Micael e eu a acompanhamos.

Hinata: Minha cabeça está realmente confusa agora... Ao aceitar isso eu teria que fazer algumas mudanças. Não acham? – Eles assentiram.

Naquela noite ao voltar para casa, pela primeira vez Naruto estava lá. – Há dias que ele não come e nem dorme ali, ou fica sempre em seu escritório, agora ele não precisa mais esconder de ninguém onde e com quem está. – Eu achei estranho, mas como não era da minha conta, apenas subi as escadas para meu quarto.

Depois de um belo banho tomado, eu fui ver meu filho, que já se encontrava dormindo. Os homens desta casa andam muito estranhos. – Geralmente Boruto vara a madrugada jogando vídeo game com os amigos. – Lhe dei um beijo de boa noite e voltei ao quarto.

Porém Naruto estava ali, de banho tomado e pijama vestido, deitado na cama e olhando para o teto.

Definitivamente este homem estava estranho! – Pensei conflituosa.

Naruto: Se você quiser eu posso dormir no escritório. – Disse ainda olhando para o teto, após perceber que eu estava há um bom tempo parada na porta do quarto.

Aquelas palavras soaram tão vazias. Afinal eu me importava se ele estava ali ou não? Me questionei internamente. – Por 15 anos nós dividimos a mesa cama, mesmo com o cheiro dela impregnado nele, e eu havia decidido não me importar. O que estava diferente agora? Todos sabiam que ele exalava a colônia francesa dela.

Hinata: Este quarto é seu também. – Disse e pela primeira vez ele me olhou, seus olhos carregavam culpa, mas.... Novamente eu não me importei.

Sentei na cama, puxei meu notebook e comecei a trabalhar, eu precisava apresentar um plano estratégico na manhã seguinte, e com todos os conselhos dos meus amigos, eu pude pensar em como resolver aquela situação, melhorar a imagem da empresa e ainda conseguir sair do desconforto que era pensar em entrar naquela sala de presidência novamente.

Naruto se encolheu em seu lado da cama, e algumas vezes ele me olhava, e até tentou dialogar... Algo como “A noite está realmente fria, você gosta assim não é?”... Que papo era aquele? Ele nunca prestou atenção nessas coisas, ou sequer desconfia o porquê de eu preferir o frio e a noite. Como eu disse antes... Ele estava muito estranho, mas isso novamente não era da minha conta. Eu apenas respondia com “sim” ou “não”, e ele logo desistiu e foi dormir.

**********

Cá estamos nós de novo, na “Reunião principal” na sala de “reunião principal”, e estava novamente um sufoco... Todos falavam e ninguém dizia nada.

Naruto e Sakura acanhados como no dia anterior; meu pai e minha sogra discutindo como sempre; Sasuke de olhos nos papeis mega interessantes que ele tinha à sua frente; Shikamaru e Neji apáticos com tudo aquilo; Hanabi e Konohamaru conversando sobre eles mesmos (eles é que estavam certos), e por fim, Minato, meu sogro apenas observando aquilo, enquanto olhava inquisitivo para mim.

Há alguns minutos a reunião “deveria” ter começado, mas ninguém parece se lembrar que precisamos resolver algo importante aqui. Eu sabia o que meu sogro queria de mim... Ele queria que eu resolvesse aquela confusão. E suspirando eu decidi me pronunciar.

Hinata: Pessoal! – Eu tentava não gritar... Mas era necessário aumentar o tom de voz. – Gente, pelo amor! – Gritei e todos me olharam incrédulos, pois eu nunca gritava, não mais.

Hanabi: Ui, senta que a Hina tá brava! – Disse minha irmã e eu lhe lancei um olhar mortal, se eu seria presidente dessa confusão, eu merecia o mínimo de respeito. – Certo, desculpe. – Ela disse acanhada.

Minato: Será que é preciso a Hinata se alterar para vocês prestarem atenção? Temos que resolver algo realmente importante aqui. – Disse visivelmente cansado.

Hiashi/Kushina: Desculpe. – Eles disseram em uníssimo como duas crianças emburradas, e eu não pude deixar de sorrir, talvez eles fossem apenas adultos com espírito de criança.

Minato: Certo, vamos ouvir o que Hinata tem a nos dizer. – Ele disse levantando da cadeira principal, e eu me direcionei para sentar ali.

Suspirei fundo, eu precisava de forças, eu precisava pensar em todas as pessoas que estavam precisando de mim naquele momento. Eu precisaria tentar, e sim, se Deus quiser tudo vai dar certo. E pedindo forças a Ele eu comecei.

Hinata: Bom, após muito pensar sobre a proposta de assumir a presidência, eu decidi aceitar. – Agora eu não teria como voltar atrás.

Todos pareceram satisfeitos, mas agora estava na hora de eu fazer minhas objeções.

Hinata: Mas, eu tenho algumas condições. – Pronto, falei.

Minato: E quais seriam essas “objeções”. – Ele perguntou inquisitivo.

Hinata: Primeiro, eu não irei usar a sala da presidência.- Disse firmemente, nem morta que eu entraria ali de novo.

Todos me olhavam questionadores, ninguém sabia o que acontecia naquela sala, e não seria eu a contar para eles, era constrangedor demais, além de nojento. Apenas Naruto e Sakura compreenderam o meu pedido, e enquanto me olhavam tristes, eles baixaram a cabeça mais uma vez naquele dia... Culpados.

Minato: Eu não entendo – Meu sogro foi interrompido.

Kushina: Certo. O que mais, querida? – Minha sogra tinha um olhar compassivo, como mulher e esposa, ela se colocava sempre ao meu lado.

Hinata: Por um tempo estarei assumindo a sala de planejamentos. – Todos assentiram. – Mesmo estando na presidência, eu gostaria de continuar a desenvolver softwares. – Eu não abriria mão do que eu amava fazer.

Shikamaru, eu, e mais alguns parceiros trabalhávamos na “Sala de desenvolvimento”, mas como eu tinha outros planos para ela, a “Sala de planejamentos” serviriam como uma “Sala de presidência improvisada”.

Hanabi: Mais será muito trabalho... – Disse. – Mas tenho certeza que você dará conta. – Olhou-me confiante. – Será preciso uma nova secretária, como a Sakura foi destituída do cargo, precisaremos contratar uma nova.

Hinata: Não precisa. – Disse decisiva. – Shikamaru, eu gostaria que você me ajudasse, por apenas 3 meses. Não será exatamente um “secretário”, será mais como um ajudante, ou auxiliar.

Eu olhei para o marido de minha amiga confiante, mas também suplicante. Temari me assegurara que Shikamaru iria me ajudar, por ela e pela empresa.

Shikamaru: Certo, Hinata. Pode contar comigo. – Disse, e eu tive certeza que Temari o convencera.

Hiashi: Muito bem, muito bem! Mas ainda precisamos tomar algumas decisões. – Disse meu pai, e todos sabiam muito bem ao que ele estava se referindo.

Direcionaram seus olhares acusadores para Naruto e Sakura. Era necessário decidir o que fazer com eles, como ficaria a situação deles dentro da empresa agora que já não poderiam mais ocupar seus antigos cargos.

Hanabi: É agora que nos livramos deles? – Perguntou com os olhos brilhando.

Todos: Hanabi! – Foi literalmente um coro. Por mais que alguns ali quisessem realmente se livrar deles, não era o certo a se fazer.

Hanabi: Ai, tá bom! – Respondeu emburrada.

Minato: Esta decisão está nas mãos de Hinata. – Me olhou sugestivo.

Kushina: Por mim, demitiríamos os dois. – Disse duramente.

Kushina era de fato uma das melhores pessoas que eu conhecia, e uma verdadeira figura materna para mim. E era assim que ela me tratava, como a filha mulher que nunca tivera. E como mulher e esposa, também estava ao meu lado, mesmo que fosse para me defender de seu próprio filho.

Após o escândalo, ela se afastou bruscamente de Naruto, e Sakura – A quem também considerava como uma filha. – Para ela, o que ambos fizeram não tinha perdão. E realmente me assustava ela descobrir a quanto tempo os dois estiverem juntos pelas nossas costas, assim como o fato de eu esconder isso dela e de todo mundo.

Hanabi: Ah... Então alguém concorda comigo nesta sala. – Disse minha irmã como se tivesse toda a razão do mundo.

Todos: Hanabi! – De novo.

Hanabi: Ai, tá bom. Desisto! – Respondeu emburrada outra vez.

Sasuke: Qual é a sua decisão, “Presidente”? – Disse interrogativo. Eu sei o que ele queria que eu fizesse, e eu também sei que ele entenderia minha decisão, por mais que não fosse o que ele esperava.

Naruto e Sakura me olhava apreensivos, por mais que estivéssemos passando por tudo aquilo por causa deles, eles eram excelentes profissionais, e como toda empresa, deveríamos saber separar o “pessoal” do “profissional”, mas infelizmente isto não era possível neste caso.

E contrariando o desejo de todos, eu havia tomado a minha decisão.

Hinata: Com Shikamaru e eu na presidência, eu gostaria que Naruto assumisse nosso posto. Ele é um ótimo desenvolvedor, tanto de hardware, quanto de software. – Disse e pela primeira vez, eu direcionei meu olhar para Naruto, que parecia surpresa com a minha resposta.

Hanabi: Eu não sei se podemos confiar nesse aí não. – Disse minha irmã, e por mais que ela se doesse por mim, eu não deixaria a empresa ser afetada por meus sentimentos pessoas, não mais do que já estava sendo.

Shikamaru: Naruto e eu estudamos juntos, ele é tão capaz quanto qualquer um desenvolvedor da equipe. – Disse compassivo, e eu sorri.

Konohamaru: Certo, certo... Mas e Sakura? O que faremos com ela? – Perguntou preocupado.

Hanabi: Eu não me importaria de retirá-la da folha de pagamento definitivamente. – Disse novamente minha irmã.

Naruto e Sasuke pareceram se aborrecer com o comentário de Hanabi. – Afinal era a mulher que eles amavam, o alvo daquele comentário malicioso. – Mas ambos apenas se mexeram na cadeira incomodados. Eu sorri, quem sabe um dia eles não poderiam se acertar novamente.

Hinata: Fui informada que Tenten, a secretário da equipe de desenvolvimento, e também esposa de Neji, deu entrada hoje em seu pedido de licença maternidade. – Suspirei internamente, me perguntando se aquela era mesmo a decisão correta. – Então Sakura irá substituí-la por enquanto. – E olhei, pela primeira vez para aquela que um dia foi minha melhor amiga e sorri, ela me correspondeu.

Meu pai fez menção de falar, e com certeza reclamar, quando foi interrompido por Kushina.

Kushina: Eu tenho certeza que Hinata pensou muito antes de tomar essas decisões. Vamos apoiá-la, por favor. – Pediu compassiva e me sorriu, ela confia em mim.

Hinata: Há mais uma coisa. A mais importante. – Disse e respirava fundo, esta seria a condição mais difícil deles aceitarem, novamente eu precisava da ajuda dos Céus. Meu Deus, me ajude e me dê forças.

Neji: Considerando que é a mais importante, diga logo Hinata. Uma vez, que estamos já curiosos. – Disse com seu jeitão extremamente formal.

Hinata: Em três meses eu prometo reerguer a reputação e imagem desta empresa. – Disse e respirei fundo. – Depois eu sairei da presidência e indicarei outra pessoa para assumir meu lugar. – Seja o que Deus quiser.

Esse era o primeiro “pedido importante” que eu tinha para fazer naquele dia. E para esse, eu precisava da colaboração de todos, pois era necessário que concordassem com a minha ideia.

Hiashi: Porque três meses? – Perguntou bravo e ao mesmo tempo curioso.

Kushina: Hina, meu amor. Este pedido é complicado. – Disse tentando amenizar a situação.

Hanabi: Eu não tô entendendo mais é nada. Vai ficar na presidência ou não, Hina? – Perguntou interrogativa.

Um a um, todos foram fazendo suas colocações, exceto Naruto e Sakura, que observavam aquela confusão calados. E eu que só ouvia, decidi finalmente me manifestar.

Hinata: Eu entendo a apreensão de vocês, assim como a descrença neste meu pedido. Mas é a minha última condição, e é realmente importante para mim. – Disse e suspirei, lançaria a minha última cartada agora. – E caso não aceitem, infelizmente eu receio que precisem colocar outra pessoa na presidência.

Pronto, agora não tinha mais volta. Seria o que eles decidissem, e eu só poderia esperar pelo melhor. Caso rejeitassem, eu precisaria agir rapidamente e arrumar outra forma de conseguir o que eu queria.

E após muita gritaria, confusão e compreensão, o meu “querido povo”, resolveu confiar em mim. Graças!

Minato: Tendo em vista, tudo o que nos levou a chegar aqui. – Disse cansado. – E as condições de Hinata. – Me olhou interrogativo. – Nós decidimos aceitar suas objeções e confiar que podemos depositar em você, as esperanças para recuperar a imagem da nossa empresa.

Hinata: Sim! Eu prometo não falhar com nenhum de vocês. Podem confiar em mim! – Ótimo, o primeiro pedido foi aceito. Faltam 2. – Pensei.

*********

Após o fim da reunião, eu permaneci ali para repensar em todas as estratégias que eu deveria montar a partir deste momento, eu precisaria de foco, e de muito apoio. Talvez Boruto se interessasse em um estágio na empresa, ele ama desenvolver jogos, mesmo que amadores, mas Naruto nunca permitiu a presença dele ali.

Eu estava tão imersa em meus pensamentos que não notei que na sala, permaneceram também outras duas pessoas. As últimas pessoas com quem eu desejava conversar naquele momento: Naruto e Sakura.

Naruto: Obrigado, Hinata. – Disse ainda com os olhos baixos. – Por um momento pensei que exigiria nossa demissão.

Eu apenas sorri, eles pensaram mesmo que eu fosse capaz de fazer aquilo?

Hinata: Não precisa agradecer... São excelentes profissionais, a empresa não pode se dar ao luxo de perder vocês. – Disse e fui extremamente formal. Não havia espaço para conversas informais ali, pelo menos por enquanto.

Sakura: Hina... – Eu a olhei. – Desculpe, Hinata. – Continuou – Mesmo assim, obrigada. Eu não saberia o que fazer se tivesse que sair dessa empresa, aqui é o meu lar também. – Disse com a voz tão baixa, que tive que me esforçar para entender.

Eu não saberia definir a situação em que nos encontrávamos. Mais era a oportunidade perfeita para eu conseguir fazer o que era necessário naquele momento: meu segundo pedido.

Hinata: Naruto, se importa de me deixar a sós com a Sakura? – Perguntei.

E levantando os olhos ele alternou seu olhar entre ela e eu, talvez pensando se era ou não uma boa ideia, nos deixar sozinhas ali. Eu não sei o que passava na cabeça dele, mas eu disse.

Hinata: Prometo a você, que não farei nenhum mal a ela. – Eu disse e ele pode perceber que era ofensivo para mim que ele permanecesse ali. Ele não era necessário. Não ainda.

Quando Naruto deixou a sala eu pude vislumbrar lágrimas nos olhos verdes daquela que um dia foi minha melhor amiga, mas suas lágrimas não tinham efeito sobre mim. Eu aprendi a entender as pessoas, e entendo elas, eu pude perceber que ninguém é digno de pena... Somos apenas almas que buscam a redenção.

Sakura: Hinata, perdão. – Chorava. – Eu não sei como olhar para você e pedir isso, mas... Por favor, me perdoe. – Ela se desesperou.

Hinata: Calma, Sakura. Está tudo bem. – Eu tentava consolá-la, mas de certo eu não era a melhor pessoa para fazer aquilo. – Não se preocupe comigo. Eu já te perdoei. – Eu disse e ela me olhou chorosa e arrependida. – Há muito tempo eu já te perdoei. Tudo bem, não chore.

Sakura: Foi por isso... Não foi? – A olhei interrogativa. – Foi por isso que não permitiu que eu fosse madrinha de Boruto. – Lágrimas, e mais lágrimas. – Por muitos anos eu me ressenti com você, mas eu nunca tive esse direito, não é mesmo? – Perguntou, mesmo sabendo a resposta.

Eu apenas sorri e assenti. Pude perceber que era realmente doloroso para ela, estarmos ali. Ela sabia que era culpada, mas não seria eu a julgá-la. Cada um deve arcar com as consequências de seus atos, e ela com certeza estava passando por momentos difíceis, e sozinha, sem Sasuke. Pelo menos ela ainda tinha Naruto ao seu lado.

Decidi terminar com aquele sofrimento, mesmo que fosse momentâneo, eu precisava fazer o 2º pedido, e este, somente ela poderia me conceder.

Hinata: Eu sei que é difícil, tudo isto. E sinto muito que tenha que passar por momentos assim, mas... – Eu hesitei. – Eu preciso lhe fazer um pedido.

Ela me olhou, limpando as lágrimas e o nariz, — ela realmente chorou muito e isso traria uma baita dor de cabeça depois – mas seu olhar disse tudo aquilo que não poderíamos dizer. Nele eu pude ver compreensão, companheirismo e amor. Sakura era uma boa pessoa, e por mais que as coisas tenha sido um desastre entre nós duas, eu acredito que ela ainda merece ser feliz.

Sakura: Pode me pedir o que quiser, Hinata. – Disse decidida. – Ainda que fosse um rim, eu te daria os dois. – E sorriu.

Por um momento me permiti sorrir também, e pude ver que ali, ainda tinha muito daquela garota desmiolada que cresceu ao meu lado, e que por pouco tempo, me amou e me fez feliz.

Hinata: Quando se passarem três meses, eu lhe farei o pedido que realmente quero fazer e você deve me prometer que irá me conceder isso. – Disse decisiva. – Você irá fazer como eu lhe pedi.

Sakura: Eu prometo, pode contar comigo. – Disse, e por nenhum momento eu vi dúvidas em seu olhar, ela estava realmente disposta a fazer o que quer que fosse.

Excelente, o segundo pedido foi aceito. Falta 1. – Pensei.

**********

Já era de noite e eu estava em casa, no meu quarto. Havia falado com Boruto sobre me ajudar na empresa, – Afinal aquilo tudo um dia seria dele. – e pela primeira vez em muito tempo eu não vi meu garoto tão animado, e se meu filho está feliz, eu fico feliz também. E agora eu estou aqui, esperando um Naruto que eu nem sei se vem, mas que torço para que venha, porque o meu terceiro e último pedido é para ele.

E não demorou muito para o bonito aparecer ali, ele parecia cansado, e eu não faço a mínima ideia do que ele estava fazendo até esse horário, mas isso não era da minha conta. E ele foi, tomou banho, se arrumou aos meus olhos, mesmo em seus 37 anos, Naruto ainda parecia jovem, musculoso, de fato era um homem atraente, mas nada daquilo surtia efeito algum em mim. Para mim, era apenas o pai de Boruto, e nada mais.

Naruto: Eu não queria que pensasse isso... – Ele disse e eu não entendi bulhufas. – Sobre Sakura... – Explicou. – Eu não queria que achasse que eu acho que você pode fazer algum mal a ela, digo... Eu acho...Quer dizer, eu sei... Você sabe também, mas... Ela, ela está tão frágil... – Ele tentava falar, enquanto tropeçava nas palavras.

Era visível a preocupação de Naruto, e eu me questionava do porque ele voltar para casa todas as noites, enquanto poderia estar com ela. Desde o dia em que tudo veio à tona, ele esteve ausente, na certa estava com ela. Mas porque ele voltava? Não fazia nenhum sentido... E por mais que eu quisesse perguntar porque ele parecia tão sozinho, se agora poderia ficar do lado da mulher que amava, eu nada disse. “Curiosidade” foi uma das coisas que eu aprendi a controlar e deixar de lado, nestes 15 anos que se passaram.

Eu precisava fazer o meu último pedido e seria agora.

Hinata: Naruto, senta aqui. – Eu apontei ao meu lado na cama.

Ele pareceu surpreso, talvez desconfortável? Não sei. Mas ele não hesitou em se sentar ao meu lado, e me olhar intrigado.

É agora Hinata, o último pedido. – Pensei.

Hinata: Em três meses, eu lhe farei um pedido. E quero do fundo do coração, que ele seja atendido. – Disse e ele me olhou interrogativo. – Por favor, prometa que atenderá meu pedido. É a primeira coisa que eu te peço em 15 anos, e acho que eu mereço isso. – Disse suplicante enquanto segurava fortemente a sua mãe direita, esse era o último pedido, e eu necessitava que ele aceitasse, sem pestanejar.

Notas finais
Eita, eita... Quais são os pedidos da Hinata? Será que ela conseguirá realizá-los? Até o próximo!