Todas as formas de amar
6 Capítulo 6 - Emancipação
Notas iniciais
Hinata: Em três meses, eu lhe farei um pedido. E quero do fundo do coração, que ele seja atendido. Por favor, prometa que atenderá meu pedido. É a primeira coisa que te peço em 15 anos, e acho que mereço isso.
Naruto: Eu faria qualquer coisa por você. – Disse e sorriu.
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Eu desejava de todo o coração que os meus pedidos pudessem se tornar realidade. Assim, com o incentivo e apoio das pessoas ao meu redor, consegui aos poucos colocar tudo de volta ao seu lugar, com melhorias, que graças à contribuição de todos foram alcançadas.
Como a minha especialidade era em desenvolvimento de jogos, juntamente com Shikamaru, projetamos novos softwares, desta vez expandindo para mais áreas, como as de engenharia, medicina, educação, dentre muitos outros. O desenvolvimento desses programas e a garantia de qualidade, fez com que aos poucos fossemos evoluindo no ramo já tão antes conhecido, de produção de softwares, mas agora alcançando um novo patamar: “produção estrutural de programas necessários ao dia a dia”.
Assim, em três meses conseguimos novamente a admiração no mercado, a expansão do desenvolvimento de nossos produtos e, para minha surpresa, novos investidores se interessaram pela nossa marca. Felizmente, conseguimos apagar a fantasia melosa de “uma empresa feita por e para dois jovens apaixonados”, substituindo-a por “uma empresa de forte desenvolvimento e alta qualidade de produto”.
Com a graça de Deus e muito esforço de todas as partes envolvidas – como meu pai na produção de softwares relacionados à engenharia civil, meus sogros altamente empolgados com a produção de softwares relacionados à biologia e medicina, e até Boruto se esforçou e investiu na produção de jogos digitais. – E com o comprometimento de todos, logo voltamos às manchetes, agora bem longe das colunas de fofocas.
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Primeiro Desejo
Por incrível que pareça, os três meses passaram voando, e com todas as nossas expectativas sendo alcançados, eu pude perceber que havia tomado a decisão certa. Estávamos agora reunidos para a última reunião principal, que eu participaria.
Hiashi: Há exatos três meses atrás, nós estávamos aqui buscando soluções para a baderna que esta empresa tinha se tornado. – Disse, olhando para o horizonte e depois para Naruto e Sakura ainda com irritação. – Mas agora estamos indo de vento em popa! – Disse feliz.
Kushina: Realmente, Velho Chato! – Disse minha sogra, e todos aguentaram o riso, era assim que ela se referia ao meu pai desde.... Desde sempre. – Nossa Hinata conseguiu colocar tudo no seu devido lugar! – Disse orgulhosa. – E espero que nada mais saia dos trilhos daqui para frente. – Olhou novamente para Naruto e Sakura.
Mesmo depois de três meses, as coisas ainda não tinham ficado boas para o lado de Naruto e Sakura, os olhares e comentários maldosos ainda eram-lhes lançados, mas com menos frequência. Eu havia proibido qualquer tipo de comentário ou comportamento ofensivo em relação a eles, mas ninguém podia impedir seu Hiashi e dona Kushina de expelirem seu veneno e irritação por aí, com eles eu não podia.
Minato: Hinata realmente fez um excelente trabalho. – Disse contido, porém orgulhoso.
Hanabi: Ok, ok! Todos sabemos que minha mana foi excelente. Porém, o mais importante ainda não foi dito aqui. – Disse travessa, e curiosa ao mesmo tempo.
Hiashi: Hanabi está certa –
Hanabi: Ahah! Estou certa. – Disse e foi repreendida pelo olhar mortal de nosso pai. – Certo, continue.
Eu sabia ao que eles estavam se referindo. Eu havia feito um pedido há três meses, quando decidi assumir a presidência, e agora chegava finalmente a hora de eu revelar meu primeiro desejo. – O primeiro passo para a minha carta de alforria.
Sasuke: Hinata, acredito que todos concordamos que você fez um excelente trabalho há frente da empresa, e é uma pena saber que você estará deixando esta posição. – Disse compassivo. Meu amigo já sabia de algumas coisas, e me apoiava em todas elas, e isso me trazia a confiança necessária.
Hinata: Primeiro eu gostaria de agradecer por todo o apoio que recebi de vocês durante estes três meses. Todos vocês, sem exceção. – Olhei para Naruto e Sakura ao fundo da sala. – Foram imprescindíveis para o nosso sucesso de hoje.
Durante todo esse tempo eu pude pensar muito e sobre como eu iria proceder daqui para frente, cada ponto deveria correr exatamente como eu havia planejado.
Hinata: Eu prometi a vocês que colocaria nossa empresa de volta nos trilhos, no prazo determinado, e assim poderia decidir sobre o próximo presidente da Tecnology. – Todos assentiram. – Eu gostaria que vocês reintegrassem Naruto de volta ao cargo dele. – Disse e percebi o espanto de todos. – Apesar dos pesares, ele sempre foi um excelente profissional, e juntamente com Sakura, formaram uma boa equipe, além de sempre contribuírem para o sucesso da empresa. Assim, tendo em vista o papel que desempenharam nestes três meses de reconstrução, eu acredito que devemos passar uma borracha em tudo o que houve de ruim e recomeçar. Com Naruto como presidente e Sakura como sua secretária.
Todos me encararam incrédulos, inclusive Naruto e Sakura. Porém, esse ainda era o primeiro passo de muitos outros que eu daria daqui para frente. Meu sogro pode perceber que logo uma confusão começaria novamente e decidiu intervir.
Minato: Nós prometemos à Hinata que acataríamos a decisão dela. – Disse em voz alta. – Ela está certa, Naruto e Sakura erraram, e erraram muito feio... Mas devemos colocar um ponto nisso e seguir em frente.
Embora ainda contrariados todos pareceram concordar e ficaram calados em meio ao discurso de Minato. Bom, com Naruto e Sakura de volta aos seus lugares, agora era a minha vez de me posicionar.
Hinata: Que bom que tudo correu bem, eu tenho certeza que as coisas correrão bem de agora em diante. – Tomei fôlego, era hora de eu lançar a segunda bomba. – Gostaria de anunciar que estou me despedindo disto por aqui. – Falei e permaneci firme, aparentemente ninguém entendeu o que eu quis dizer.
Neji: Se despedir da presidência, você quer dizer, não é prima? – Perguntou Neji, apressado.
Hinata: Eu estou me despedindo desta empresa, meu primo. – Disse firmemente, enquanto era encarada por todos. – E agora chegou a hora de me despedir de vocês. – Continuei firme. – Durante 15 anos, eu me dediquei a esta empresa, mas agora eu sinto a necessidade de me distanciar. As minhas ações serão agora de Boruto, e ele poderá ter acesso a elas quando completar 18 anos.
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Segundo Desejo
Depois da reunião, da confusão e finalmente da compreensão de todos eu estava finalmente liberta da Tecnology. Eu amava a empresa, assim como todas as pessoas que estavam ali – apesar de tudo – porém, sabemos quando é necessário partir, e essa era a minha hora.
No entanto, ainda restava eu me libertar de mais algumas coisas. E era isso que eu estava fazendo agora. Em minha sala terminava de empacotar minhas coisas, enquanto esperava uma pessoa, aquela que poderia me consentir o meu segundo pedido.
Sakura: Desculpe a demora, eu estava fazendo a mudança para a sala presidencial. – Disse ao se sentar.
Durante os três meses que se passaram, Sakura tentou ao máximo se reaproximar de mim. Eu sorria, nós conversávamos pouco, mais nada muito íntimo, certas coisas simplesmente não podem ser concertadas... E amizade, era algo que eu não poderia compartilhar com ela. Não mais.
Hinata: Tudo bem. – Disse e sorri fraco.
Sakura: A empresa está uma confusão total. Eu ainda não acredito que você está nos deixando, Hinata. – Conversou normalmente. – Naruto ainda está meio aturdido com sua demissão, não sei se ele vai aceitar isso assim...– Disse e pareceu se arrepender no mesmo instante. – É que você é nossa melhor desenvolvedora. – Finalizou.
Hinata: Existem muitos outros bons desenvolvedores no mercado. – Disse e não queria, mas pareceu fria a minha fala.
Sakura: Certamente... – Disse e pareceu se lembrar de algo.
Hinata: Eu estou aqui para lhe fazer um pedido. – Disse, e ela assentiu.
Sakura: Eu farei qualquer coisa que me pedir. – Disse firmemente, e pude sentir sinceridade em sua voz.
Hinata: Eu não sei sobre seus sentimentos em relação à Naruto... – Fui interrompida.
Sakura: Hinata, me perdoe. Eu sei que – Lhe interrompi também.
Hinata: Por favor, me escute. – Pedi e ela assentiu. – Ele deve ter contado a você, que eu sabia sobre o relacionamento de vocês. – Assentiu novamente. – Sabe, durante muito tempo eu me senti inferior a você... Sempre a mais bonita, a que chamava mais atenção. – Sorri ao lembrar. – Porém, eu nunca te invejei Sakura, afinal de contas, você era a minha melhor amiga... Nem mesmo quando ele se aproximou de mim para saber mais sobre você. – Disse, impassível, vazia. – Mas então de repente ele olhou para mim, você imagina como eu me senti? – Perguntei e ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas. – Eu me casei com ele, e fui feliz. Por um ano inteiro eu fui feliz! E uau, você pode imaginar como eu me senti quando descobri que estava carregando um filho dele dentro de mim? – Agora ela encarava o chão. – Mas toda a minha felicidade morreu, Sakura. Morreu quando eu vi vocês dois, parecendo dois animais naquela sala... – Ela me olhou aterrorizada.
Eu busquei durante todos esses anos não guardar rancor, ou sentir ódio por todos que tinham me feito sofrer. Mas, eu não tinha sangue de barata, e por mais amor que eu sentisse por aquelas pessoas, elas mereciam saber tudo o que eu senti, o que eu sofri um dia.
Sakura: Eu não sei como te pedir perdão. Eu errei, Hina... Por muito tempo, tempo demais para poder ser perdoada. – Disse chorosa.
Hinata: Não cabe a mim te julgar. – Disse sincera. – Mas você precisava saber... Que um dia eu te amei, amei ao ponto de ficar calada enquanto você se deitava com o meu marido. – Não existiam lágrimas em meus olhos, somente dor. – E é por isso que eu quero te pedir, Sakura. Por favor, fique ao lado dele. – Disse finalmente.
Sakura que estava sentada com os olhos vermelhos, e com sua maquiagem toda borrada, levantou seus olhos e pela primeira vez, olhou para mim, olhou como se quisesse poder sugar toda a minha dor. Mas também com espanto, pelo que eu tinha lhe pedido.
Hinata: Fique ao lado de Naruto, como secretária ou qualquer outra coisa.... Mas fique ao lado dele. – Pedi. – Todos lhe viraram às costas: sua empresa, seus funcionários, seus pais, seu melhor amigo. – Pude ver que ela chorou mais nessa parte. – E até mesmo seu próprio filho, todos estão contra ele. Por isso ele precisa de alguém ao seu lado, e eu sei que você é a única pessoa que pode apoiá-lo nesse momento.
Sakura: Ele nunca te contou não é... – Perguntou amarga eu não entendi.
Hinata: Ele nunca me contou nada. – Disse friamente.
Sakura: A primeira vez em que dormimos juntos foi por acidente... — Disse amarga e arrependida. – Foi em uma noite quando bebemos, e fomos além da conta. – Chorava. – Eu não lembro de muita coisa, mas só me recordo que o tempo todo ele chamou pelo seu nome. – Disse finalmente.
Ouvir aquilo foi realmente confuso para mim, não fazia nenhum sentido ela me dizer essas coisas agora.
Hinata: Eu não estou entendendo onde você quer chegar... – Disse atordoada.
Sakura: Eu quase tive um filho dele, sabia? – Ela parecia não se dar conta do que estava dizendo.
Um filho? Sakura quase teve um filho de Naruto? Será que mesmo depois de 15 anos lutando essa luta já perdida eu ainda poderia me sentir mais derrotada?
Sakura: E assim como Boruto, teria agora 15 anos... Mas ele não chegou a nascer.
Um filho perdido? Como isso tudo aconteceu e eu nunca cheguei a imaginar esta situação?
Hinata: Sakura... Eu não sei... – Disse tristemente.- Eu sinto muito. – Continuei atordoada.
Sakura sorriu e finalmente olhou de volta para mim, suspirou, e enquanto limpava seu rosto com a costa da mão, disse.
Sakura: Eu estou aqui, dizendo que quase tive um filho do seu marido e você diz que sente muito? – Sorriu.. – Você é realmente alguém de outro mundo, Hinata. – Continuou. – Quem no mundo age como você? Você sabia que eu me deitava com ele e não fez nada! Absolutamente nada para impedir isso! Você permitiu que continuássemos errando! Foi você! – Agora ela levantou, me acusando, mas pude ver que ela sofria.
Durante todo esse tempo eu sempre imaginei esse momento, quando estivéssemos colocando todos os pingos nos seus devidos “is”.
Isso era algo que eu já havia respondido uma meia dúzia de vezes para Temari, o porquê de eu continuar ao lado de Naruto, o porquê de eu aceitar os belos pares de cifres que enfeitavam a minha cabeça, por tantos anos. “Como eu poderia amar um homem assim? ”, “Como eu poderia aceitar aquela situação e continuar a compartilhar a mesma cama com ele, quando ele cheira ao perfume dela? ”... Eram tantos “como” que as vezes, eu mesma me sentia sufocada e pensava em desistir.
Mas eu nunca tive culpa de nada, eu era suficiente, eu era amada, e era isso o que importava. E por mais que eu soubesse dessa situação por tanto tempo, eu não me permitiria aceitar uma culpa que não era minha. E sem perceber, eu desferi um tapa na cara de Sakura, que só me dei conta ao ouvir o barulho, que foi alto.
Hinata: Sakura, me desculpe... – Disse arrependida.
Sakura: Obrigada! – Disse, enquanto massageava sua fase avermelhada pelo tapa. – Agora eu me sinto menos ruim... – Sorriu fraco. – E perdão. Eu fui fraca... Sempre fui fraca... E por isso, eu perdi as duas pessoas que mais amava. – Disse chorando.
Ela chorava, e gemia de dor enquanto segurava sua barriga. Eu sabia que ela se referia a mim e ao Sasuke. Eu poderia ter sentido pena dela naquele momento..., mas eu não era ninguém para sentir pena de uma pessoa que havia perdido tanto.
Hinata: Fique ao lado de Naruto.
Foi tudo eu disse antes de sair daquela sala carregando minhas coisas. Por sorte, estávamos na hora do almoço, e não tinha ninguém ali que pudesse ter ouvido nossa conversa. Pelo menos era isso que eu pensava.
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Terceiro Desejo
Agora eu estava em casa, esperando a única que poderia me conceder o meu último desejo.
Naruto chegou ao entardecer, e eu já me encontrava à sua espera na sala. Boruto estava na casa de Temari, e eu havia dispensado todos os empregados, já seria bem desagradável para ter alguém ali observando.
Naruto: Boa noite. – Foi tudo o que ele disse, enquanto sentava no sofá e afrouxava o nó da gravata com a mão direita.
Ele parecia cansado, estar de volta a presidência deveria ter sido puxado comparado ao seu trabalho anterior, mais eu precisava ter uma conversa decisiva com ele.
Hinata: Boa noite. – Disse e ele me olhou, um olhar que pareceu vasculhar algo em mim.
Naruto: É agora que você me faz o seu pedido? – Perguntou amargo.
Eu não sabia se Sakura havia dito algo para ele, mas sabia que ele era totalmente contra a minha saída da empresa. Mas eu não voltaria atrás, esse era o meu jeito de ser.
Hinata: Sim. – Disse simplesmente. – Enquanto colocava alguns papéis em frente a ele.
Naruto: Foi por isso que você saiu da empresa? – Ele disse enquanto tinha os olhos nos papéis. – Você quer sair da minha vida também? – Perguntou visivelmente irritado.
Hinata: Nós já saímos da vida um do outro há muito tempo, Naruto. – Disse friamente.
Naruto: Você é a minha esposa. Mãe do meu filho, Hinata. As coisas não podem terminar simplesmente com um papel de divórcio. – Disse e levantou ao olhar para mim, enquanto segurava os em sua mão fortemente.
Hinata: Você disse que faria qualquer coisa por mim. – Disse e ele se exaltou.
Naruto: Mas isso não incluía tirar você da minha vida, Hinata! E enquanto a Boruto? Você é a mãe do meu filho! Meu único filho! – Disse exaltado.
Hinata: Não. – Disse e ele me olhou confuso. – Sakura também é mãe de um filho seu. – Disse franca.
Naruto: Hinata.... Como soube disso? – Perguntou surpreso.
Hinata: Sakura me contou. – Disse simplesmente. – Você quase teve um filho com ela. – Disse triste, enquanto olhava em seus olhos.
Naruto: Esse bebê foi fruto de uma noite de confusão Hinata! – Disse atordoado enquanto passava as mãos nos cabelos em sinal de agonia.
Hinata: Isso não importa, Naruto. – Disse triste, eu estava me deixando abater por toda aquela situação. – Nós passamos 15 anos enganando um ao outro, você por suas constantes traições, e eu por omitir que sabia delas. – Disse cansada. – Nós temos que pôr um ponto final para isso!
Eu não sei se conseguiria aguentar muito mais do que aguentei por tantos anos, eu tentei ser sempre forte e capaz de perdoar e pedir perdão. Mas meu coração ainda se entristecia por lembrar de todas aquelas coisas. E por pensar o que teria sido se não tivéssemos errado tanto.
Naruto: Por 15 anos você permaneceu ao meu lado! – Disse exaltado, e se aproximou de mim, me segurando pelos braços. – Por 15 anos, você foi minha. Eu nunca fui dela. O que tivemos nunca passou de algo apenas carnal, Hinata! É você quem eu amo! Você é a mulher da minha vida. – Disse exaltado e com lágrimas nos olhos.
Hinata: Eu fui sua por apenas 1 ano, Naruto. O primeiro ano do nosso casamento.... Quando eu pensava que era feliz e amada. Eu também podia ter te dado o que ela te deu. Eu também sou mulher, sabia? – Perguntei friamente.
Aquele comportamento dele estava fazendo vir à tona meu lado machucado e constrangido por me sentir inferior.
Naruto: Você sempre foi muito pura, Hinata.... Sempre amei isso em você. E eu era feliz com você... – Disse me apertando ainda mais. – Mas eu errei, errei com Sakura... Mas é você quem eu amo.
Hinata: Você sabe o quanto eu me sentia infeliz e suja toda a vez que você me tocava? – Perguntei magoada.
Naruto: Não diga essas coisas... Eu te amo! Podemos viver assim daqui para frente! Só nós dois, eu e você, como deveria ter sido desde o começo. – Chorava.
Hinata: Eu não posso mais, Naruto. – Disse me soltando de seus braços. – Eu não te amo mais.
Nesse momento ele se desesperou, se aproximou de mim e tentou me beijar, mas eu fui mais rápida e me afastei dele. Eu não permitiria que ele continuasse a me tocar, daqui para frente, ele não teria esse direito.
Hinata: Quando eu vi vocês dois, quando eu fui até Pe. Micael, quando eu soube que haviam descoberto a minha gravidez, eu decidi ficar. Decidi sim! Mas não por você. – Fui sincera. – Eu decidi ficar por Boruto... Por que eu sei o que é crescer em uma família desestruturada! – Disse e ele me olhou triste. – Você sempre teve pai e mãe. Mas eu cresci sendo constantemente cobrada pelo meu pai, para ser a melhor, para estar sempre em primeiro lugar... Eu nunca me senti amada, Naruto! Sempre sentindo a falta de uma mãe que pudesse estar ao meu lado, alguém que pudesse me entender, me fazer sentir melhor... Me fazer sentir completa! – Eu já chorava. – E foi por isso que eu fiquei, porque eu não queria que Boruto se sentisse infeliz, crescendo longe do pai, porque eu queria que meu filho pudesse ter uma família completa. Porque eu decidi que seria apenas a mãe de Boruto, e não a mulher na cama de Naruto Uzumaki.
Eu não queria, mas acabei despejando os pensamentos que me perseguiram ao longo destes anos. Eu ainda sentia dor, mas ela não era tão grande quanto no começo, quando eu era apenas uma menina sonhadora e apaixonada, e que teve todos os seus sonhos destruídos por aqueles que mais amava. Eu havia caído, mas eu aprendi a me levantar, e busquei a felicidade em outros lugares, em outras pessoas, e aprendi a perdoar..., mas as cicatrizes ainda estavam bem presentes dentro de mim. Eu sei que todos carregam dores, que todos têm marcas que nem o tempo pode apagar, mas eu só sei lidar com as minhas.
Naruto: Hinata.... Eu nunca imaginei que havia te feito tanto mal... – Ele chorava e pude sentir que suas lágrimas eram dolorosas.
Hinata: Eu sofri muito... Mas eu sei que tudo valeu a pena. – Disse. – Eu havia decidido que lhe entregaria esses papéis quando Boruto estivesse com 18 anos. – Disse simplesmente e ele me olhou amargurado. – Mas parece que eu fui emancipada. – Dei de ombros.
Naruto: Você sempre planejou se separar de mim? – Perguntou surpreso.
Hinata: Eu sempre planejei te deixar livre. – Suspirei profundamente. – E ser livre também.
Naruto parecia estar em um conflito interno sobre assinar ou não os papéis que ele tinha em mãos, e enquanto me olhava, ele suspirou derrotado.
Naruto: Você já assinou, não é? – Perguntou e eu assenti. – Eu farei isso.... Por você, porque quero que seja feliz. – Suspirou, enquanto escrevia. – Mesmo que não seja ao meu lado.
Hinata: Não seja tão dramático, Naruto. – Disse, tentando quebrar aquele clima ruim, e ele me entregou os papéis já devidamente assinados.
Naruto: Como Boruto vai ficar em relação a isso? – Perguntou para si mesmo. – Se ele já me odeia agora, imagine depois que souber disso. – Parecia decepcionado consigo mesmo.
Hinata: Eu estou saindo de casa, Naruto. – Disse e ele me olhou assustado.
Naruto: Agora? – Perguntou alarmado. – Você está realmente me deixando, não é mesmo? – Parecia triste. – E enquanto a Boruto? Ele vai com você? – Perguntou.
Foram tantas perguntas que eu fiquei confusa, e por um momento, triste por ele, mas só por um momento. Eu estava finalmente dando um passo em frente na minha vida, a minha carta de alforria estava ali, em minhas mãos. Eu estava satisfeita e me sentindo, leve. Mas Boruto sempre continuaria sendo minha prioridade.
Hinata: Ele está com Temari agora. – Expliquei. – Mas logo ele irá ficar comigo. Sinto muito, Naruto. – Disse complacente. – Ele preferiu assim... Adeus.
Deixei um Naruto desorientado e triste jogado no sofá, e saí. Saí daquela casa que guardou 15 anos da minha vida... Mas agora seria um novo momento. Era duro, mas eu precisava me desfazer das coisas antigas.
E parada em frente ao meu carro na garagem, eu olhei uma última vez para aquele lugar, o lugar onde criei meu filho, e onde aprendi a ser uma mulher forte. E eu apenas lhe sorri.
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Próximo ao Orfanato de Santo Inácio eu possuía um pequeno apartamento onde Temari, e eu passávamos as nossas tardes, após visitar o orfanato, lá era como se fosse o nosso esconderijo. E era para lá que ela ia quando brigava com Shikamaru.
Ao estacionar eu pude perceber que as luzes estavam acessas, ou seja, tinha alguém em casa.
Boruto: Mãe! – Disse meu filho que veio correndo. – A Madrinha está lá dentro, e vem chumbo grosso por aí. – Preocupou-me enquanto me ajudava com as malas.
Ao entrar em casa me deparei com uma Temari jogada no sofá e chorosa. Ela estava com a cara e as roupas amassadas. E isso era realmente algo que eu poderia considerar uma situação de urgência, levando em conta o quando ela era vaidosa.
Temari: Hina... – Ela disse e estendeu os braços para mim.
Eu corri para minha amiga e lhe abracei forte. Eu e ela éramos cúmplices, e estaríamos sempre uma ali pela outra. O choro dela era o meu, e a minha dor era a dela.
Hinata: Tema, o que houve? – Perguntei enquanto acariciava os cabelos dela, visivelmente preocupada.
Temari: Eu saí de casa, Hinata. – Disse firmemente, mesmo em meio às lágrimas. – E dessa vez é para valer.
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