Toda garota precisa de um melhor amigo
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Por todos os deuses! Marcelo tinha um olho roxo horrível. Chegava a dar dó. Mas... Espera aí... Será que...? Não! Impossível.
— Ai, que coisa horrorosa. – comentou Mari, fazendo uma careta. Olhou pra mim e em seguida pra Marcelo, percebendo que estava sobrando ali. – Er... Mari precisa ir. Melhoras aí, Marcelinho.
Mari sorriu amarelo, dando espaço pra que Marcelo entrasse. Então atravessou a porta, dando uma olhadela pra trás e sussurrando um “boa sorte”.
Eu realmente ia precisar.
Suspirei ao vê-lo fechar a porta.
— O que aconteceu? – perguntei, mordendo o lábio, morta de medo da resposta.
— Quer saber o que aconteceu?! – questionou sarcasticamente. — Aquele seu amigo, viadinho. Isso que aconteceu. – anunciou.
Merda. Mil vezes merda.
Tentei manter a calma.
— O que ele fez?
Estúpida. Estava bem claro o que ele fizera.
— Porra, Anna, não está vendo? – gritou, apontando para o próprio olho.
— Tá, mas me explica isso direito. – pedi, ignorando sua brutalidade.
— O idiota me viu na rua, e simplesmente me deu um soco! – seu tom de voz era ainda mais alto. – Aquele imbecil ainda me paga, eu juro que ele me paga!
Estreitei os olhos. Aquela história estava muito mal contada.
— E como o Luiz se cortou? – questionei, sentando-me no sofá. Aquela seria uma longa conversa.
— Caralho! Eu estou com um olho roxo, e você se preocupa mais com aquele filho da puta? – bufou, com os olhos vermelhos de raiva. Aliás, um deles. O outro continuava roxo. Haha. Piadinha sem graça.
Marcelo tinha um ponto, afinal.
— Desculpa. Senta aqui, vai. – pedi, dando batidinhas no lugar ao meu lado.
Ele caminhou até lá, com a expressão mais zangada que eu já tinha visto em toda a minha vida.
— Como você sabe que ele se cortou, por falar nisso? – perguntou após se sentar.
— Bom... – hesitei. – Ele veio até aqui.
“Vacilo. Quieta Anna, quieta!”
— O quê?!
Marcelo ficou de pé outra vez. Agora sim ele estava mesmo com raiva.
Eu fiquei sem saber o que fazer por um momento. Já havia aberto minha boca enorme, não tinha mais volta.
“Pense antes de falar, sua idiota!” meu cérebro, sempre tão simpático, ordenou.
Por sorte ou não, ele pareceu respirar. Estava recuperando a calma. Pelo menos eu achei.
— Por que. Ele veio. Aqui. Anna? – perguntou pausadamente, de costas pra mim.
— Pra que eu cuidasse dele. – falei, pra variar, sem pensar.
“Porra! Fecha essa boca, animal!” meu cérebro, galera, galera, meu cérebro. Prazer.
Marcelo fechou os punhos, inspirando muito, muito ar. Eu estava quase pra morrer sufocada de tanto oxigênio que ele colocou pra dentro, sem deixar nada pra mim.
— Anna. – disse ele finalmente. – Minha princesa. – e se virou pra mim. – Você o pôs daqui pra fora, não é mesmo? – questionou com uma voz assustadoramente calma.
— Eu... Não. – pronunciei, desviando o olhar.
“Puta que pariu, mulher!”
— Você... Não? – sentou-se novamente ao meu lado. – Por que não, meu amor?
Credo. Eu estava com medo.
— Porque ele não me disse que vocês haviam brigado! Só chegou aqui machucado. Queria que eu fizesse o quê?
Foi a minha vez de levantar.
Eu estava com medo e tensa.
Marcelo suspirou.
— Tudo bem. – disse, caminhando até onde eu estava. – Mas e agora, quem vai cuidar de mim? – perguntou com uma voz doce. Doce demais pra o meu gosto.
Tentei sorrir.
— Eu cuido de você, meu príncipe. – respondi, entrelaçando os braços em seu pescoço.
Ele pôs as mãos na minha cintura, puxando-me para perto de si. Aproximou seu rosto do meu, fazendo menção de me beijar. Mas não o fez.
— Eu quero que você cuide de mim, só de mim. Escutou, princesa?
Confirmei com a cabeça.
Eu queria beijá-lo... Ele era tão gato! Loirinho, olhos castanhos que continuavam perfeitos apesar do roxo, lábios irresistíveis que gritavam meu nome.
De repente eu me lembrei do motivo que me fazia ainda estar com ele.
Dei-lhe um selinho rápido, afastando a cabeça em seguida pra ver sua reação.
Ele apertou as mãos ainda mais em minha cintura, fazendo-me estremecer. Olhou-me por alguns segundos antes de me beijar, até que sua língua estava em cada canto da minha boca, explorando-a, me deixando louca.
Passou uma das mãos por baixo da minha perna e me levantou em seus braços, arrastando-me até o quarto.
Puta merda.
***
— Qual o motivo da demora? – questionou Mari, olhando pra cima para me fitar. Ela estava sentada na grama, nos arredores do campus.
Eu havia acabado de chegar. Marcelo me deixara lá e fora pra aula. Ele estava no terceiro período de Engenharia Civil, na faculdade estadual, que era um pouco mais longe.
Como a primeira aula já estava quase no fim, aproveitei pra pensar um pouco, no lugar onde eu e Mari sempre ficávamos cabulando todas as matérias possíveis.
Porém, Mari não devia estar ali. Devia estar na aula.
— Eu que pergunto! O que você faz aqui? Não tinha aquela aula super importante? –
Ergui uma sobrancelha, sentando-me ao lado dela.
Mari fechou o livro que lia e o colocou de lado.
— Nah, o professor faltou.
Balancei a cabeça negativamente.
— Novidade.
— Pois é. Mas e então, qual foi o babado? – falou me cutucando.
— Adivinha. Acabamos no quarto.
— O quê?! Quer dizer que vocês brigaram, tipo, muito feio mesmo, e daí partiram pra o sexo?
— E eu lá sei resolver as coisas de outro jeito, Mari do céu?
Levantei os joelhos na altura do pescoço e apoiei meus braços e cabeça lá.
— Nossa, Anna! Não sei o que fazer contigo, mulher.
— Nem eu. – murmurei cabisbaixa.
— Mas qual o problema? Toda essa situação não acabou te fazendo perceber que é do Marcelo que você realmente gosta?
— Pior que não, amiga...
Mari cruzou os braços.
— Explica isso direito.
— Bom... Quando ele me beija, eu sinto tudo. Aquele friozinho na barriga, desejos, etc.
— Mas?
— Mas, é só isso. Parece que, depois que ele me deixa excitada, pronto. Foda-se a Anna. No final de tudo eu sempre acabo altamente decepcionada.
— Me lembro de você ter comentado isso outra vez... Poxa, amiga, foi desse mesmo jeito hoje?
— Pior. Mari, você sabe que eu não sou nenhuma fresca, mas é demais! A gente transa, ele fica satisfeito, e pouco se fodendo pra mim. Sei lá, é esquisito.
Nossa. Como eu estava emotiva. Devia repensar minha dieta. Será que era algo que eu estava comendo? Aquilo não era normal.
— Anna, você é aquele tipo de garota de gosta de ficar conversando depois de “fazer amor”? – desenhou aspas no ar pra dar ênfase. – No creo! – exclamou rindo.
— Ai Mari! Credo. Não! Credo. – neguei batendo levemente no seu braço. – Eu só queria que ele... Sei lá...
— Te desse mais atenção? – sugeriu.
— Olha, essa conversa tá muito melosa pra o meu gosto. – declarei desviando o olhar.
— Caramba, Anna, como você é complicada!
— É, to sabendo. Vem, vamos entrar e tentar assistir ao menos à segunda aula.
***
Mari foi pra sua aula de Artes – infelizmente, ela não fazia Música comigo – e eu fui para a minha. O corredor estava vazio, e a sala silenciosa.
“Estranho”, pensei comigo mesma.
Abri a porta devagar, e contemplei a sala completamente despovoada. Ou pelo menos eu achava que estava... Até escutar o barulho de um acorde de violão.
— Luiz? – chamei, sem nem ao menos ver o rosto dele.
— Anna. – respondeu, dando uma pequena pausa na música. – Estou aqui.
Empurrei a porta completamente e o vi, sentado à beira da mesa do professor.
— Como sabia que era eu? – indagou, segurando seu violão favorito.
— Soava como você.
Ele esboçou um sorriso abafado.
— Por que não assistiu à primeira aula?
— Primeiro de tudo, cadê as pessoas daqui? – perguntei tentando desviar o assunto.
— O professor arrastou todo mundo pra sala de instrumentos. – explicou. – Agora responda a minha pergunta.
— Ué, por quê? Pensei que teríamos aula teórica no segundo tempo.
— Anna, responda a pergunta.
Suspirei. Seria impossível fugir do assunto.
— Marcelo me contou o que aconteceu.
Luiz ficou em silêncio por alguns segundos.
— O que ele te disse?
— Eu não entendi muito bem. Ele falou que você simplesmente o viu na rua e lhe deu um soco. Um bem feio, aliás. O olho dele está com um roxo horrendo. Por que você fez isso, Luiz? Foi muito desnecessário.
Ele abaixou o olhar para o violão, e não falou uma palavra.
— Eu realmente não entendo vocês, sinceramente.
Luiz continuou mudo.
— Ahh, é completamente impossível! – gritei, dando-lhe as costas.
***
POV Luiz
Não sei se Anna é realmente idiota, ou se faz. Aquele Marcelo, um completo babaca, a estava fazendo de imbecil e ela simplesmente não se tocava.
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