Notas iniciais
Percebi que minhas notas iniciais estavam enormes rs. Falarei pouquinho hoje, prometo. Primeiro, quero agradecer à linda da Annie pela recomendação. ADOREI! Muito mesmo, obrigada S2 Segundo, muito obrigada a cada um que favoritou, tirou um tempinho pra comentar, ou que somente acompanha a história. Não pense que só porque não citei seu nome, quer dizer que não me lembro de você. Muito pelo contrário! Lembro-me de cada um, e sinto falta quando algum de vocês não comenta. Terceiro, a você que acompanha a história, mas nunca apareceu pelos comentários, saiba que eu adoro conhecer meus leitores! Por fim, vamos ao capítulo. Boa leitura!

POV Narradora

Mari cursava Artes Visuais no Instituto de Artes da universidade. Naquele departamento, estudava também Anna – sua melhor amiga –, que fazia Música. Luiz, melhor amigo de sua melhor amiga, que também fazia Música. E Karen, ex-namorada do melhor amigo de sua melhor amiga, que fazia Artes Cênicas.

Todos eles tinham acabado de começar, estavam no primeiro período. As aulas haviam começado há apenas um mês, e parado para o feriado de carnaval.

Anna e Luiz saíram da cidade natal pra estudar na capital. Mari já morava na cidade com a mãe e a avó desde o fim do primeiro ano do ensino médio. Foi uma despedida dura pra ela e a melhor amiga desde o jardim de infância, Anna. Mas para a felicidade de ambas, elas puderam se reunir novamente e ainda estudavam na mesma faculdade.

Pra infelicidade pros planos de Mari para Anna e Luiz, Karen, namorada do ensino médio de Luiz, também foi para lá estudar. Também na mesmíssima faculdade.

Mari estava esperando acabar o tempo da sua primeira aula, já que o professor não havia ido.

Ainda que fizesse apenas um mês que o semestre havia começado, mas já fora tempo o suficiente pra que ela se apaixonasse por seu professor de Fotografia – aula que viria em seguida.

A garota não conseguia se concentrar. Era tanta coisa a ser pensada...

Um: como juntaria sua melhor amiga com o melhor amigo dela, se ambos eram dois cabeças-duras e mal estavam se falando?

Dois: como se concentraria se a aula seguinte era tudo o que lhe interessava?

Três: como seria o nome do primeiro garoto sentado à terceira fileira? Ele era bem bonitinho...

Mari balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos.

“Foco, Mari, foco.”, ordenou a si mesma.

Mirou o notebook à sua frente, tentando se concentrar na leitura que estava atrasada.

***

Luiz andava de um lado para o outro, pensando se deveria ou não contar a Anna o que realmente acontecera.

A sala continuava vazia, exclusiva apenas para ele e seus pensamentos, já que Anna há pouco saíra irada.

Ele agora mal podia distinguir quem estava com raiva de quem.

Deteve-se ao chegar ao canto da sala. Viu um dos “filhos” de Anna, o que ela esquecera lá há alguns dias, encostado à parede.

Alcançou o violão preto com grandes flores azuis espalhadas por todo seu comprimento, e se sentou na cadeira mais próxima.

— Charles... – sussurrou ao instrumento. Aquele era o nome que Anna dera ao violão.

Dedilhou algumas cordas, lembrando-se do episódio que acontecera há mais ou menos dois anos.

*Flashback on*

POV Luiz

Anna Clara Albertini, apenas uma pentelha chata de dezesseis anos que, àquela altura, fazia o segundo ano comigo. Aliás, minha pentelha chata.

Eu a arrastava todos os dias para a minha casa, e a fazia jogar Counter Strike comigo.

Erro terrível.

Ela se viciara, e por consequência, passou a perturbar ainda mais a minha paz.

Começou experimentando meus outros jogos, depois estava querendo tocar nas minhas guitarras, e por fim exigia algo que eu jamais poderia permitir: jogar no player um.

Ninguém tocava no meu controle.

Mas, sabe-se lá por que, ela tocou. E jogou com ele. Jogava sempre. Não era mais meu.

Entretanto, havia algo, algo ela que jamais ousaria fazer: encostar a mãozinha em algum dos meus instrumentos.

Isso não.

Não mesmo.

De jeito nenhum.

...

Luiiiiz. – Anna gemeu inquieta, enquanto caminhávamos, como sempre, até a minha casa após o fim da aula.

— O que foi, loira?

Fitei-a. Eu já a chamava assim desde o tempo em que havíamos nos conhecido, e ela ainda não se acostumara.

Anna cruzou os braços.

— Dá pra parar, por favor?

Dei de ombros.

— Não.

Anna soltou um longo suspiro.

— Idiota.

— Também te amo. – sorri. – E então, qual era sua reclamação?

— Bom... – ela pareceu se esquecer da recente raiva. – Já faz uns dois anos que a gente se conhece, e você nem pra tocar aquelas suas coisas pra mim.

Segurei o riso.

— Coisas?! – fingi raiva.

— Sim, homem. Aquele monte de instrumento que você tem em casa. Nunca te vi tocar.

— Qual seu interesse nisso?

— Eu só queria saber se toda essa sua prepotência tem motivo. – falou soltando um risinho.

Parei bruscamente no meio da calçada, agarrando-lhe o braço.

— Como disse?! Repita isso.

— Ué, você tem um ego bem grande. – e continuou rindo.

— Muito cuidado com o que diz, loirinha. – alertei-a.

— Tudo bem, pode deixar. – resmungou, tentando se livrar das minhas mãos.

Sorri para a pequena figura na minha frente.

— Então estamos resolvidos, baixinha.

Anna estreitou os olhos pra mim, soltando fumaça pelo nariz ao ouvir o que ela considerava ser o pior apelido da Terra.

Tudo o que eu vi após isso foi seu pé em cima do meu, esmagando-o com toda a força que tinha.

E que força, para uma baixinha. Lembrei-me de nunca mais chamá-la daquela maneira de novo.

Após o ato malcriado, ela sorriu vitoriosa, mostrando a língua.

— Vou arrancar essa sua língua fora. – pressionei os dedos ao redor do seu queixo. – E esse pezinho também. – apontei para o pé esquerdo da maldita que há pouco estava em cima do meu.

— Quero ver tentar.

Ri ao ouvir aquilo.

— Você me subestima demais, Anna. Um dia vai se arrepender.

Pus-me a andar novamente.

Ela não fez comentário algum, apenas me seguiu.

...

Anna sorriu pra minha mãe ao entrar em casa.

— Oi, tia Carol.

— Oi, minha linda. – mamãe retribuiu o sorriso, enquanto enxugava as mãos em um pano de prato.

Eu gostava de ver como as duas se davam bem. Mamãe gostava muito de Anna, e vice-versa. Ao menos uma figura materna que agia de forma carinhosa com a minha baixinha.

Ah, eu ainda podia chamá-la assim nos pensamentos. Porém, só lá mesmo, ou levaria outro pisão no pé. Ou até algo pior. Anna era meio perturbada das ideias.

— Oi, mãe. – aproximei-me do seu rosto para lhe dar um beijo. – Vamos subir. Se precisar de alguma coisa, grita aí. – avisei, puxando Anna pela mão.

— Tudo bem, crianças. – mamãe lançou um último olhar sorridente a nós dois, e voltou para a cozinha.

— Acho que ela pensa que namoramos. – comentou Anna enquanto subíamos as escadas.

— Como se isso fosse possível. – ri dando de ombros. – Sem falar que “Anna, a gata da escola”, namora “Felipe, o galinha da escola”.

Ela parou no corredor, em frente à minha porta.

— Pior seria se eu namorasse “Patrícia, a retardada mental da cidade inteira”.

Gargalhei incontrolavelmente, deixando-a, sei lá por que, com raiva.

A loira cruzou os braços, ainda estática, impedindo minha passagem ao quarto.

— Você sabe que é verdade. – acusou.

— Calada, Anna. – ordenei, aproximando-me. – E saia daí que eu quero entrar. – afastei-a com as mãos, facilmente, para longe da porta.

Entrei e esperei que ela fizesse o seu pequeno show.

— Quando você vai parar de ser tão arrogante?! – bufou, fechando a porta com as costas após entrar, mantendo-se apoiada a ela.

Não pude evitar um sorriso. Era sempre a mesma cena.

— Quando você finalmente parar de ser tão chata. – informei, pousando uma mão a centímetros de cada lado do seu ombro, mantendo-a presa entre mim e a porta. – Acho que ambas as coisas são impossíveis, não é, loirinha? – sussurrei ao seu ouvido.

Anna mostrou as covinhas num sorriso, concordando com a cabeça.

Por isso eu a amava. Ela até tinha seus momentos de frescura, mas discernia muito bem a hora em que eu estava brincando ou falando sério.

Afastei-me, puxando-a pela blusa até a cama.

— O que vamos fazer hoje? – perguntei a ela, que já havia se deitado.

Preguiçosa.

— Eu já disse! Você vai tocar algo pra mim. – disse abrindo um sorriso ainda maior que o anterior.

— Quem te iludiu desse jeito?

— Luiz, acredite, você vai. – afirmou, de repente séria. Levantou-se subitamente, passando por mim e parando em frente ao meu guarda-roupa.

Arrastou a porta de correr e se abaixou, vasculhando o móvel. E então, achou o que tanto procurava.

A-ha! – exclamou, admirando meu recém-comprado violão preto.

Balancei a cabeça, já vendo no que aquilo ia dar.

Caminhei até ela.

— Ah, não! Não, não, não e não.

Anna virou a cabeça pra mim, rindo diabolicamente, enquanto erguia meu novo favorito.

Corri para alcançá-la, ajudando-a a se levantar com cautela pra que não acontecesse nada ao meu violão.

— Anna, não inventa. – pedi, com medo de tirar o instrumento das mãos dela e acabar o danificando. Então abri as mãos, conscientemente em vão. – Me dá aqui, loira.

Ela ria como uma criança após uma travessura.

Correu até a cama e se sentou com o violão apoiado em seu colo.

— Você vai tocar pra mim, e depois vai me ensinar. – exigiu.

Suspirei.

Ela me perturbaria até o fim da minha vida se eu não o fizesse.

— Tudo bem, Anna. – cedi. Sentei-me ao lado dela, tirando o violão das suas mãos com cuidado.

Ela sorriu encantadoramente, esperando que eu começasse.

Abaixei os olhos, dedilhando alguns acordes.

Olhei pra ela, imaginando se ela percebera qual era a música. Era uma de suas favoritas.

Ela pareceu notar, pois seus olhos brilhavam.

Fechei os meus próprios e continuei tocando toda a primeira estrofe em silêncio. A mão pequena se pressionando contra meu braço me fez abri-los para fitá-la mais uma vez.

Ela estava com uma sobrancelha arqueada, e sua expressão me dizia “canta”. Sim, eu podia perceber apenas ao olhá-la.

Sorri, e fiz sua vontade.

— Começando da segunda estrofe. – avisei, tomando fôlego.

Ela retribuiu o sorriso, concordando com a cabeça. Deixou-se cair na cama e fechou os olhos para ouvir.

Algo simples, quero algo simples... Como versos que um dia fiz; que o vento espalhou e trouxe o seu sorriso, num jardim tão perto de mim. É tudo... Tudo... Tudo para mim. Eu desabo quando me calo, você é meu abandono, é tudo o que eu tenho. Eu desabo quando me calo, você é meu abandono... É tudo o que eu tenho.

A partir daí Anna começou a cantar comigo. Não apenas essa música, mas muitas outras. Uma variedade delas. E eu tive que cumprir minha promessa obrigada de ensiná-la a tocar. E, adivinhe qual violão ela queria usar...

Meu Entourage Cw Black Gt Qit.

Eu queria bater nela.

“Foi o primeiro que eu achei escondido no seu guarda-roupa. Além de ter sido o primeiro que você tocou pra mim. É especial! Vamos, tem que ser esse Luiz.”, ela insistira.

E eu cedi, como sempre.

Tentei ensiná-la, pacientemente, mas ela era teimosa.

“Anna, ninguém nasce aprendendo! Você precisa praticar.”, lembro-me de ter dito a ela. “Mas está demorando muito!”, foi o que eu recebi em resposta.

Se bem que, no final das contas, ela aprendera bem rápido.

...

Anna sorriu satisfeita, ao tocar perfeitamente, do início ao fim, a música que cantava pra mim. Eu não disse nada a ela, mas estava orgulhoso.

— Muito bem, loirinha. – sorri.

— Obrigada. – afastou uma mecha de cabelo do ombro, gabando-se.

— Ei, não se ache ainda! Você tem muito que aprender.

Ela me encarou com os olhos bem abertos, pronta pra ouvir qualquer sermão. No entanto, não era exatamente isso que eu tinha pra ela.

— Fique com ele e pratique.

Os olhos castanhos se deslumbraram.

— Sério?! Sério? – perguntou animada, colocando o “presente” de lado na cama e avançando em meu pescoço pra um abraço.

— Sim, mas caramba Anna, tenha cuidado. – pedi, afastando-a.

Ela sorriu e se aproximou mais uma vez para me beijar o rosto. Em seguida, pegou o violão nas mãos.

— Vou chamá-lo de Charles. – anunciou.

Franzi o cenho.

— E por quê?

— Porque eu gosto, ué. – foi a sua explicação. – Vem cá, ele não ficaria mais bonito com umas flores azuis pintadas aqui atrás? – sugeriu, virando o instrumento.

— Porra, Anna! Você quer estragar o violão?!

— Não. – deu de ombros. – Ficaria mais bonito sim. Quando eu aprender a desenhar, pintarei eu mesma. – falou com um sorriso determinado.

Balancei a cabeça. Lembra-se do que eu disse?! Perturbada! Perturbada e meio.

*Flashback off*

POV Narradora

Acabou que Anna não pintara as flores. Sua coordenação para isso era péssima. Assim que reencontrou Mari, pediu que o fizesse pra ela. E ali estava, um belo Entourage Cw Qit, cheio de grandes flores azuis. Luiz concordava agora que, de alguma forma, ficara mais bonito. Afinal, era único.

Sorriu com a lembrança.

Estava com saudades de Anna... Da sua amizade.

De repente ele se lembrou de que ainda precisava fazer algo em relação a Marcelo.

Levantou-se da cadeira, colocou Charles onde encontrara e partiu em direção ao corredor de Artes Visuais.

Notas finais
O nome Charles é em homenagem ao estômago da Monique hahah (piadinha interna). Ela, aliás, tem uma conta aqui - Moons and Stars -, e tem duas fics maravilhosas: Fogo contra Fogo (pra quem gosta de romance e ação), e Avengers Time (pra quem gosta de Hora de Aventura, ou de Vingadores, ou dos dois - como eu -). Quanto a esta que vos escrevo, o próximo capítulo provavelmente sairá amanhã. Continuem de olho! E me mandem suas opiniões S2 beijões pra vocês divos do meu coração! :*