Toda garota precisa de um melhor amigo
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Robert :3
***
Chegamos à minha casa, onde Mari tratou logo de fazer seu interrogatório.
– Anna, amiga, e agora?
– Agora o quê? – fiz-me de desentendida, jogando-me no sofá. Eu estava realmente exausta.
Mari se sentou ao meu lado
– Karen, oras! Ela quer voltar com o Luiz. Você não se sente nem um pouco incomodada com isso?
Cruzei os braços, fingindo estar prestando atenção à TV recém-ligada.
– Ué, não.
Na verdade, eu estava um pouquinhozinho incomodada. Quer dizer, Karen não era como Patrícia, aquela coisa horrorosa com cara de periguete que eu nunca gostei. E, embora, pelo visto, ela não gostasse de mim, eu sabia que Luiz gostava muito dela.
– Sei... Vamos amiga, te conheço. – insistiu.
– Já disse que não. – resmunguei. De repente aquela coisa, que Mari sabia e eu não, me veio à cabeça. – Ah é, e já pode me contar, bonitinha. – exigi.
Mari desconversou outra vez, levantando-se de seu lugar, aparentemente nervosa.
– Ai Anna, eu não sei de nada! Me deixa em paz, mulher!
Soltei um longo suspiro.
Eu só queria saber o truque pra arrancar informações de Mariana DeLucca. Ela, por exemplo, sabia exatamente como fazer isso comigo. Era triste.
– Tá certo Mari, nem insisto mais. – fingi raiva.
Mari veio até mim, preocupada.
– Poxa amiga. Eu sei que é importante, mas é Luiz quem deve te contar. Me perdoa?
Desviei o olhar.
– Como se eu conseguisse ficar com raiva...
Mari se jogou em cima de mim, com um abraço.
– Agora shiu que eu tenho uma coisa pra te contar! – berrou.
Ri com aquilo. Não queria me contar o que eu pedia, mas outra coisa nem fazia questão.
– Tá, vai. O que foi?
– Bom... – Mari suspirou, deitando-se com a cabeça no meu colo. – Não sei exatamente, mas... – fez uma pausa, com os olhos brilhantes, prestes a saltarem das órbitas. – O professor Robert me chamou pra sair!
Fiquei surpresa com a notícia. Não que Mari não pudesse conquistar qualquer carinha que quisesse... Mas por essa eu realmente não esperava.
– Olha aí, Mariana. – sorri. – E como isso aconteceu?
Mari me explicou toda a história da câmera, com um ar sonhador.
Pensei por alguns segundos.
– Ai Mari, isso vai prestar?
– Claro amiga. Vou ter cuidado. – prometeu. – Sem falar que ele é um amor... O que poderia dar errado?
– Certo. Tem razão. – Concordei.
Sempre fora assim. Eu sempre a apoiei, e vice-versa. E, mesmo achando loucura, não seria diferente daquela vez.
A dona dos olhos castanhos mais pidões de toda a história devolveu o sorriso, satisfeita.
– E você Anna, o que me conta?
– Bom, tirando o fato de que eu e Luiz transamos outra vez...
Mari deu um pulo.
– O quê?!
***
POV Narradora
Marcelo pensava no que fazer. Ele não conseguiria dormir até que arquitetasse o plano perfeito para acabar com Luiz, ainda que isso machucasse também a Anna.
Levantou-se da cama, dando uma última olhada no notebook para ver as horas.
Mexeu no bolso da calça que usara naquela manhã, alcançando um papel com alguns números e o nome de Patrícia mais em baixo. Levou-o até o nariz, sentindo o aroma cítrico. Argh. Preferia o cheiro doce de sua Anna.
Pegou o celular e discou os números que estavam anotados. Levou o aparelho até o ouvido, esperando que ela atendesse.
– Alô. – a voz feminina se arrastou do outro lado da linha.
– Patrícia? Marcelo.
– Ah, oi gato! – notou-se uma alteração na voz, que agora estava nitidamente animada. – Sabe, eu pensava que vocês, meninos, esperassem ao menos uns três dias antes de ligar. – soltou sua risada afetada, deixando Marcelo desconfortável.
Por isso amava Anna. Ela nunca fazia aquele tipo de coisa.
– Assunto urgente. Será que você poderia aparecer aqui amanhã?
– Hum, agora você me deixou curiosa... O que é tão importante assim que não pode esperar?
– Não se faça de sonsa. – Marcelo estava perdendo a paciência. – Eu sei que você veio até mim por algum motivo.
Patrícia riu ainda mais, fazendo com que Marcelo quisesse bater nela.
– Verdade gato... Espertinho você! A verdade é que eu não gosto nem um pouco da sua namoradinha oxigenada.
Então era isso... Patrícia queria atingir Anna. Que vadia. Marcelo poderia acabar com a raça dela naquele momento, se... Ela não fosse extremamente necessária para o que ele tinha em mente.
“Anna tem cabelos loiros naturais”, segurou-se para não dizer.
– Entendo. – murmurou, tentando escolher bem as próximas palavras.
– Mas acho que revelar isso a você acabou com o meu plano... Não é?
Marcelo sorriu pela primeira vez durante aquela ligação. Sentou-se na cama, incapaz de se manter quieto.
– Muito pelo contrário, minha linda. Na verdade, eu acho que posso te ajudar.
Patrícia soltou um gritinho de excitação.
– Estou ouvindo. – não hesitou em dizer.
– Mas não por telefone! – Marcelo decidiu que a menina era mesmo uma lerda. Completamente o oposto de Anna. – Venha aqui amanhã, como eu pedi, e então conversamos.
– Tudo bem, amorzinho. – Patrícia concordou. Na sua voz não continha rastro algum de raiva, pelo contrário. Esta ecoava entusiasmada e confiante.
Marcelo deu o número da sua casa à garota, que por sorte morava no mesmo bairro.
– Prontinho! Anotado. – riu do que parecia uma piadinha particular. – Amanhã que horas?
Marcelo pensou por alguns segundos.
– Eu tenho um jogo importante amanhã à tarde, então... Vem à noite, é até melhor. Pelo menos evita que o Luiz te veja por aqui, já que, como você sabe, o infeliz mora a apenas algumas quadras da minha casa.
– Sei... Perfeito então. Até amanhã lindinho! – estalou um beijo e desligou.
– Até... – Marcelo falou para o aparelho, com um sorriso diabólico no rosto.
***
POV Anna
– Isso aí que você ouviu.
Mari levou uma mão ao coração, fazendo seu drama rotineiro.
– Vocês dois ainda me matam um dia!
– Como se isso fosse grande coisa depois de tudo. – dei de ombros. – Pelo menos, agora, estamos realmente de boa.
Mari tratou de se sentar outra vez.
– De verdade? Mesmo? Por que antes você contou a mesma ladainha... E nem mesmo tinham conversado sobre o que havia acontecido! – fitou-me desconfiada e meio desacreditada – Espera aí... Vocês já conversaram agora, né? Depois de todo esse tempo... Me diga que sim Anna, por favor! – metralhou, parando por fim para respirar.
Abaixei a cabeça, com medo do que ela diria a respeito da resposta que estava prestes a sair da minha boca.
– Bom... – juntei a coragem. – Não.
Mari agora estava realmente incrédula.
– Como não, Anna? – bradou, agarrando-me os cabelos. – Como não?!
Empurrei-a.
– Ora, não e só. – respondi com um cruzar de braços.
– Por que vocês fazem isso comigo? – murmurou, deixando-se cair dramaticamente no chão, à beira dos meus pés.
Assisti à cena, controlando-me para não rir.
– O que você queria, Mari? Já disse que o Luiz é muito gostoso...
– Ai, amiga! – interrompeu-me – Nem me surpreendo mais. Mas tudo bem, eu entendo. – sentou-se onde antes estava deitada, com os braços apoiados em meus joelhos. Fitou-me com aquela cara de Mariana. – Mas e o Marcelo? Já se esqueceu dele?
Ajeitei-me no sofá, pensando a respeito. Marcelo nem mesmo havia passado pela minha cabeça, até aquele momento.
– Caramba, é mesmo!
Por coincidência ou apenas bruxaria das boas, Marcelo me mandou uma mensagem naquele exato momento.
Arregalei os olhos, mostrando o celular rapidamente à Mari, pra então abrir a tal mensagem.
“Bebê, não se esqueça de que eu tenho jogo amanhã! Te espero lá, beijão princesa.”
Droga. O tal jogo. Final de sei lá o quê. Acho que era importante.
– O que ele quer? – questionou Mari, aquietando-se por fim ao meu lado.
– Me lembrar daquele jogo de amanhã.
Mari pareceu pensativa.
– E você vai?
– Acho que sim... Prometi a ele. – Mari não demonstrou ter gostado muito da resposta. – Por quê?
– Nada não... – mostrou-me um sorriso amarelo.
Aquela Mariana estava me escondendo muita coisa... Eu ainda descobriria. Mas só depois. Naquele momento eu estava esgotada. Só queria dormir.
Claro que não foi o que eu consegui com Mari ali.
– Ei, já sei, vamos assistir àquele filme de terror! – sugeriu, me puxando até o quarto.
Não foi difícil convencê-la a tomar banho e comer antes. Entretanto, tirá-la a ideia de assistir a um filme de terror não era algo possível.
Preparamos pipoca e levamos para cama, junto com alguns doces. Mari colocou aquele filme do capiroto, O Chamado, e então se deitou ao meu lado.
Eu não suportava aquele gênero – sim, sou medrosa –, e sei que Mari também tinha muito medo, pelas caras que ela fazia a cada cena assustadora.
Por volta de meia-noite, eu já estava no terceiro sono. Mari, praticamente agarrada a mim, tentava pregar os olhos.
Um som intruso me despertou. Olhei para a TV, meio tonta. Passavam alguns créditos, mas o som não vinha dela.
Mari se levantou, assustada, com a respiração ofegante. Seu olhar estava direcionado a algo específico.
Segui-o, até parar no celular que vibrava inquieto e alto demais, em cima do criado-mudo. Esfreguei os olhos, indo buscá-lo.
Subitamente Mari pulou na cama, jogando-se em cima de mim.
– É ela Anna! É ela! Ela vem nos visitar! – Gritou desesperada, com os olhos arregalados, chacoalhando-me os ombros. – Menina de Deus, não atende esse celular! – berrou. – Anna, não atende o celular! – balançava a cabeça de um lado para o outro.
Não sabia se ria ou chorava com aquilo. Mariana desde sempre me colocando pra assistir a filmes de terror, e acabando com mais medo que eu.
A gargalhada foi inevitável.
– Sai pra lá, doida. – empurrei-a, ainda entre risos.
Alcancei o aparelho, e olhei com dificuldade para tela luminosa demais. Mari inclinou a cabeça para espiar, e se espantou com o que viu.
– Viu Anna! Número desconhecido! – choramingou me abraçando.
– Calma menina, eu hein. – passei o dedo pela tela, para atender a chamada. — Oi?
– Hum... Anna? – uma voz familiar de mulher soou.
– Sai daqui Samara, ninguém te quer! – Mari clamou.
Fiz um sinal com o dedo indicador, pedindo silêncio.
– Quem é? – perguntei.
– Para de falar com a menina do poço, Anna!
Dei uma segunda tapa em Mari naquele dia, dessa vez na testa, resmungando um “calada!”.
– Karen. – a voz do outro lado da linha se pronunciou.
Arregalei os olhos, pasma. Mari notou minha expressão, o que só aumentou aquela cara de espanto que ela carregava.
– Pai nosso que estás no céu, santificado seja o Vosso nome... – começou a sussurrar.
Levei uma mão à boca de Mariana pra que ela se calasse.
– O que você quer?
Fale com o autor