Toda garota precisa de um melhor amigo
15 Capítulo 14
Notas iniciais

Sim, é o Chace Crawford. Mas era mais ou menos essa imagem que eu tinha, então enjoy guys. E, meninas, parem de babar.
***
– Desculpa te ligar essa hora... Eu não sabia mais o que fazer. – a voz de Karen soava tensa, e com claras evidências de um choro recente.
– Hum, tudo bem. – respondi ainda meio desconfiada.
Mari continuava apreensiva ao meu lado. Afastei o telefone, sussurrando que era apenas Karen.
Menina do poço, que ideia. Quem me dera fosse ela.
Ouvi Karen limpar a garganta, para então declarar:
– Eu quero sua ajuda.
Tossi para o aparelho, com a intenção de que ela desse conta da loucura que estava dizendo. Indireta recebida, entretanto ignorada.
– Com o quê? — perguntei, entregando os pontos.
– Preciso reconquistar o Luiz. – falou decidida. – Sinto que a única coisa que me impede de conseguir isso é...– hesitou por alguns segundos. – Bem, é você.
Mas o quê?! O quê que essa bitch estava dizendo...? Que eu era o empecilho?!
Respirei fundo. Fechei os olhos. Contei até três...
"Um", pronunciei mentalmente. "Dois"... Inspirei outra vez. "Trr..." Mari se lançou sobre mim, e arrancou a celular da minha mão.
– Oi Sam... Karen, aqui é a Mari, a Anna conversa contigo mais tarde viu, beijos queridinha. – Mari falou com a voz mais falsa do mundo e desligou o celular sem esperar por resposta.
Empurrei-a de cima de mim, ainda mais furiosa.
– O que... Você... Fez...? Mariana! – perguntei com uma tapa em sua coxa a cada intervalo de palavra.
Mari cruzou os braços, jogando o celular pra longe.
– Menina, você ia explodir! – berrou. – Eu te salvei, agradeça e seja feliz.
Fechei os olhos outra vez, espremendo os lençóis entre os dedos, e o lábio inferior pressionado contra os dentes.
Mari tinha razão. Mas era muita ousadia daquela menina, ligar-me quase uma da manhã pra vir me falar uma idiotice daquelas. Mais uma palavra, e eu definitivamente não responderia por mim.
Fitei Mari, com um suspiro.
– Sabe o que ela disse? – Mari balançou a cabeça negativamente diante da pergunta, com uma expressão curiosa. – Que eu a estou impedindo de voltar com o Luiz! Pode isso?! Ora, eles que namorem, casem e morram. – grunhi, virando a cabeça para o lado num gesto simbólico de desinteresse.
Mari riu, o que me fez voltar a atenção para frente.
Ergui uma sobrancelha para ela.
– Do que você tá rindo?
– Nada. — respondeu, ainda entre risadas.
Eu merecia mesmo. Uma amiga louca, um amigo idiota e uma ex completamente psicopata querendo jogar suas culpas em mim. Estava mais do que na hora de pegar uns bons cem reais, colocar num envelope e partir pra uma sessão de descarrego na igreja Universal.
***
No outro dia, Mari e eu nos levantamos quase duas da tarde. Eu corri pra comer alguma coisa e fui pra o jogo. Antes disso, Mari combinou de me pegar para irmos à faculdade mais tarde e foi para sua casa.
Peguei um táxi, pra ser mais rápida, mas ainda cheguei com uns quinze minutos de atraso.
Ambos os times já estavam em campo. Aproximei-me de um menino na arquibancada, que me informou sobre o placar do jogo. Ainda estava zero a zero. Agradeci e me sentei, meio cansada, meio com sono e meio perdida.
Aquela era mesmo a final? Ou seria semifinal, quartas de final...? Sei lá, mas tinha um "final" no meio, com certeza.
Marcelo vestia o uniforme do seu time: Camisa preta, mangas longas, com o símbolo dos "killers", como chamavam a si próprios, no canto superior esquerdo, e um calção branco. O outro time trajava um tom de amarelo forte, com algumas listras pretas na camisa. Os dois times eram amadores, porém igualmente bons.
Avistei um garoto ainda mais loiro que o Marcelo, cujos cabelos brilhavam sob o sol, assim como os olhos verdes. O indivíduo deu uma olhadela pela arquibancada, como se adivinhasse, detendo-se ao me notar. Sorriu e cutucou Marcelo, que estava por perto. Este seguiu o olhar do seu colega de time, até parar em mim. Sorriu encantadoramente, e eu pude decifrar o que ele sussurrava: "Vou fazer um gol pra você, princesa". Cruzei os braços, devolvendo-lhe o sorriso. Mas o meu era desafiador, como quem dissesse "quero só ver". Não que eu estivesse duvidando... Ele era realmente muito bom. O artilheiro isolado do time, pra ser mais exata. Aquilo o tornava realmente sexy.
Cinco minutos depois, Marcelo cumpriu sua promessa. Chutou praticamente no meio do campo, acertando em cheio o canto direito da rede, sem chance para o goleiro. Correu para comemorar com o time, com direito a metade deles se jogando por cima do seu ombro. Ele riu e direcionou o olhar para onde eu estava. Fez um coração com as mãos, jogou-me um beijo e apontou para mim, dedicando-me o gol.
...
Intervalo de jogo, um a zero. Alguns cumprimentos, toques, e elogios do técnico depois, Marcelo caminhou até mim.
– Gostou? – perguntou enquanto se aproximava.
Sorri e confirmei, gesticulando com a cabeça.
– Fiz pra você. – anunciou ao passar a camisa pelos braços. Então a tirou completamente, revelando a pele suada.
Por que ele tinha que ser tão... Gostoso?
Suspirei, arrancando-lhe uma risada.
Marcelo me abraçou por cima dos meus braços, com a camisa em mãos, e a amarrou ao redor dos meus ombros, fazendo um nó nas mangas para segurar. Afastou-se um pouco e me deu um selinho.
– Volto já. – piscou e se afastou, indo em direção aos vestiários.
Estava difícil a minha situação. Mesmo com tantos garotos ali, Marcelo conseguia se sobressair. Era o mais lindo, de longe. Algumas meninas derretendo-se quando ele chegou perto confirmava isso.
Aliás, se ele não fosse tão ciumento e tão grudento, ou fosse ao menos um pouco mais carinhoso... Espera... O que eu estava pensando?! Argh. Eu não era aquele tipo de garota. Ele só precisava deixar de ser ciumento e grudento mesmo, daí seria perfeito.
...
Começo de segundo tempo, bola rolando. A camisa dele ainda estava amarrada em meu ombro. Ele colocara outra no vestiário. Eu roía as unhas, nervosa, ainda por não saber se aquele bendito jogo era a final ou não. Ainda mais depois do que aconteceu nos minutos seguintes.
Falha do zagueiro que marcava um dos atacantes do time adversário. Este, rápido, driblou o garoto mais baixo que ele, cruzou para o centroavante, que não desperdiçou a chance. Um a um.
Marcelo xingou a mãe, tia, avó e todos os membros existentes da família do pobre garoto, que pedia desculpas, com a cabeça baixa.
Trinta minutos e nada de reação. Chutes desperdiçados, lances perigosos, nada de gol. Quarenta e dois minutos. Marcelo já estava vermelho, com o semblante nervoso e preocupado.
Vi o técnico dos garotos gritar, chamando por alguém. Marcelo foi à beira do campo rapidamente, ouviu algumas instruções e voltou para o seu lugar. Cutucou aquele loiro dos olhos verdes que era um dos atacantes do seu time, e sussurrou alguma coisa ao seu ouvido. Este confirmou com a cabeça e se afastou.
Quarenta e quatro minutos. O garoto que há pouco recebera instruções de Marcelo provoca um zagueiro adversário. Corre com a bola até a área, grita alguma coisa pra o mesmo zagueiro que o marcava, que fica nervoso e acaba o puxando pela camisa. Uma queda seguida de uma cena exagerada, pênalti marcado.
Marcelo se posicionou para cobrar. Olhou de relance para mim, e então encarou o goleiro. O segundo tremia, obviamente exasperado. Conhecia a fama de Marcelo, estava na cara que já esperava pelo gol.
O juiz apitou, permitindo o lance. Marcelo recuou alguns passos, olhou para bola, ergueu a cabeça e chutou. Na trave! O goleiro, desacreditado e com a respiração acelerada, correu para agarrar a bola. Em vão. Esta rebateu, voltando para o pé de Marcelo, que não errou dessa vez. Gol.
Tudo o que eu vi foi um bando de garotos se jogando em cima dele, derrubando-o no chão. Olhei pra o técnico, que batia palmas, aliviado.
Os meninos se levantaram, retomando o jogo. Só faltava um minuto. Trocaram passes para perder tempo, e o outro time, exausto, não podia fazer mais nada. Aceitaram a derrota.
O juiz apita; fim de jogo. Dois a um. Juntei-me às pessoas que aplaudiam a vitória. Pela taça que traziam, descobri que era mesmo a final. Entregaram-na às mãos do artilheiro e capitão do time, que a levantou e soltou alguns gritos de guerra, sendo seguido pelos companheiros.
Ele estava ainda mais arrebatadoramente atraente e fascinante naquele momento.
Puta merda.
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