Toda garota precisa de um melhor amigo
13 Capítulo 12
Notas iniciais
POV Anna
Mari estava saindo pela porta da sua sala com alguns colegas, quando foi surpreendida com a louca aqui se jogando em seus braços.
– Mari, até que enfim! – exclamei, arrastando-a completamente pra fora. – Vem, você vai dormir lá em casa hoje. – avisei, sem lhe dar chances de se pronunciar.
Aquele dia que mais parecia eterno, finalmente havia chegado ao seu fim. Não literalmente, já que ainda eram dez horas da noite. Mas as aulas tinham acabado graças aos deuses. Ao menos eu consegui entregar aquele trabalho que passei toda a minha quarta-feira fazendo. Por milagre, Luiz havia feito, e o entregou também.
Por falar em Luiz, ele não mencionou mais o que quer que fosse que ele queria me contar naquele dia.
E por falar em dia, nunca vi um pra acontecer tanta coisa... E olha que eu havia acordado uma da tarde! Primeiro Luiz viera com aquele corte no braço. Depois, quando eu estava prestes a sair de casa pra ir à aula, Marcelo me vem com um olho roxo. E eu ainda não havia entendido o motivo de todo aquele auê.
– Ai, mulher! – Mari reclamou, soltando a minha mão que se pressionava contra seu braço. – Tá bom. Preciso mesmo te contar uns babados. – falou rindo.
Eu ia perguntar o assunto quando, atrás dela, saiu o anjo que eu havia visto mais cedo.
– Ah, você já conhece o Kauã, não é Anna? – perguntou Mari divertida, afastando-se pra que Kauã pudesse me cumprimentar.
Sorri boba.
– Conheço sim... Oi Kauã.
Kauã segurou uma das minhas mãos, exibindo as covinhas.
– Olá, Anna.
– Pois é. – Mari interrompeu a cena, separando-nos. – Temos que ir agora, até amanhã Kauã.
O loirinho de lindos olhos azuis riu, concordando com a cabeça.
– Claro. Até depois, Anna. – deu-me um beijo no rosto e se afastou, fitando Mari. – Te vejo amanhã! – acenou e foi embora.
Cruzei os braços pra Mariana.
– Ué, por que você fez aquilo?
Mari arqueou a sobrancelha, apontado com os olhos para algo atrás de mim.
– Quem é? – perguntou Luiz, aproximando-se.
Então eu entendi a reação de Mari. Que bobinha... Luiz não se importaria com outro menino perto de mim.
– Um garoto novo da minha sala. – respondeu Mari antes que eu pudesse falar qualquer coisa. – Ninguém importante. – sorriu forçadamente, mostrando uma boa quantidade de dentes.
Franzi o cenho, desconfiada. Resolvi dar de ombros.
– Então, Mari, você vem comigo?
– Claro, amiga. – e passou um braço por dentro do meu. – Você também vem, Luiz?
– Hum, não. Tenho que ir pra casa. Mas tenham cuidado. – fez um sinal com uma mão e em seguida colocou ambas nos bolsos, afastando-se. Clássico.
– Por que você o chamou? – perguntei quando Luiz já estava a uma distância considerável.
– Ué, achei que depois de ele ter te contado sobre o que aconteceu com o Marcelo você... – Mari se conteve ao ver minha reação.
– Como assim, o que aconteceu com o Marcelo? O que você sabe que eu não sei, Mariana?
Mari olhou para cima com uma cara de desentendida.
– Oras, eu não sei de nada. Por que a pergunta? Socorro, Anna! Para com esse interrogatório! – bradou afundando a cabeça em meu ombro.
Típica Mariana, fazendo Marianice.
– Olha aqui, Mari. Você vai me contar agora mesmo o que sabe! – exclamei, afastando-a.
Mari cruzou os braços, fazendo bico.
– Já disse que não sei de nada. Pergunte a Luiz.
De repente me veio à mente que aquilo que ele queria me contar mais cedo, devia ser exatamente o motivo da tal briga. E eu não deixei. Idiota!
– Ai, Mari. – murmurei apreensiva. – Vem, vamos ver se o alcançamos. – puxei-a pelo braço e saí em busca de Luiz. Ela pareceu não entender direito na hora, mas me seguiu sem reclamar.
Liguei pra ele algumas vezes, sem resposta. Fazia minha última tentativa, depois de rodar por quase toda a faculdade, quando o vejo próximo à entrada do teatro da escola.
Mari, que vinha atrás de mim, ainda não o tinha visto. Fiz um sinal pra que ela parasse de andar, trazendo-a para perto de um vaso de plantas, onde nos escondemos.
Luiz tirou o celular do bolso, olhou a tela por alguns segundos e o guardou de novo. Então voltou sua atenção à garota chorosa na sua frente. Não qualquer garota. Karen.
– Olha, é a Karen! – exclamou Mari.
Dei uma tapa na sua cabeça pela afirmação óbvia.
– Eu sei que é a Karen, Mariana!
Mari se ajeitou atrás de mim, tentando ver por cima do meu ombro.
– Ai, menina ignorante. – bufou.
– Shhh! Vamos ouvir o que eles estão dizendo. – sussurrei e Mari assentiu.
***
POV Luiz
Anna me ligava de segundo em segundo e, embora eu estivesse interessado em saber o que ela queria, não podia atender. Não com Karen ali, se derramando em lágrimas.
– Amor, você não entende que terminar foi um erro? – Karen insistia entre soluços, enxugando algumas lágrimas com um lencinho.
Fechei os olhos por um instante. Eu a amava, admiti naquela hora, surpreso. Mas não podia voltar com ela.
– Você terminou! – exclamei furioso. – Esse seu ciúme acabou com a nossa relação! Ainda foi um milagre que ela tenha durado quase dois anos.
Karen se debruçou ainda mais em lágrimas.
– Não meu amor, não diga isso!
Soltei um longo suspiro. Eu não suportava mais aquilo.
– Você me deu motivos, Luiz! – prosseguiu. – E sabe disso. Aquela sua amiguinha, Anna...
Interrompi-a, com o ódio cada vez mais crescente, e a agarrei pelo pulso.
– Não ouse falar dela. Anna não tem culpa de nada.
– Claro, defenda-a! Como sempre fez.
Soltei-a, dando-lhe as costas, sem conseguir ouvir mais nenhuma palavra.
– Amor, espera! – Karen me seguiu, com a voz arrependida. – Eu não quis dizer isso, desculpa. – Segurou-me pelo braço.
Parei e a fitei.
– Por favor, vamos recomeçar. – pediu, com as lágrimas caindo novamente.
Hesitei por alguns segundos.
– Desculpa Karen, não vai dar. – respondi por fim, deixando-a sozinha.
***
POV Anna
Vi Luiz se afastar de Karen, enquanto a garota permanecia desolada, sentada no chão, quase desidratada de tanta lágrima que lhe escorria pelo rosto. Eu não fazia ideia de que ela tinha ciúmes de mim... Até então.
Olhei para Mari, que tinha a mesma expressão de surpresa feat indignação, remorso e pena, tudo junto.
– Gente do céu! – exclamou Mari também perplexa.
– Pois é... E eu estava jurando pelos sete mares que Luiz aceitaria o pedido de desculpas... – comentei.
Até ali nós sussurrávamos, ainda escondidas atrás do vaso.
– Por que estamos sussurrando mesmo? – perguntou Mari
– Pra não nos ouvirem.
– Mas Luiz já foi e a pobre coitada está ali aos prantos, não deve estar escutando nem os próprios pensamentos. – retrucou Mari ainda a sussurros.
– Então vamos embora.
– Vamos.
Saímos dali agachadas, como se alguém fosse nos notar, pra só então voltar a andar e falar normalmente.
***

Oi :3
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