Notas iniciais
O dormitório da Sonserina estava completamente escuro, a não ser pela fraca luz da lua que entrava por uma janela enfeitiçada. Era exatamente assim que Matt Zabine esperava que ficasse.
O garoto levantou de sua cama, calçou seus sapatos, vestiu sua capa de frio saiu do quarto. O Salão Comunal estava vazio, do fogo da lareira só restavam alguns pedaços de carvão aceso.
Ele andou reto em direção à porta principal e saiu para os corredores das masmorras. Era um horário tão esquisito que não havia ninguém nos corredores, por volta de cinco da manhã. O garoto andou com uma certa pressa pelos corredores, subiu e desceu todas as escadas mais rápido do que o normal e chegou à grande porta que dava acesso aos jardins.
Geralmente àquele horário ela estaria fechada com várias trancas, mas algo a manteve aberta e ele estava certo que era sua remetente. Foi até o corujal em passos largos. Esperou alguns minutos e uma coruja das torres pousou perto de Zabine, uma carta amarrada no seu tornozelo.
O menino leu e murmurou “Incendio!”, segurando firme sua varinha, ninguém mais precisava saber o que aquele pedaço de pergaminho continha, muito menos sua parte consciente, que gritava constantemente que aquilo que ele fazia era errado.
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Rose acordou cedo naquele dia, como sempre. O céu estava acinzentado, mas nem aquilo impediria Lily e Dominique de brigarem com ela se vestisse alguma roupa que cobrisse um pouco mais da área do seu corpo.
Entrou no banho, um banho quente e demorado (afinal, ela tinha tempo para tal) e saiu de lá vestida. Quando saiu, não havia sinal de Mackenzie Longbottom no quarto.
— Óbvio que ela ficou até tarde tomando banho ontem para ir visitar o Al agora – Rose murmurou para si mesma enquanto juntava os livros e penas que precisaria para as aulas daquele dia.
A ruiva não esperou ninguém e desceu para o café da manhã. A mesa da Grifinória estava vazia, assim como as das outras casas, a não ser por algumas pessoas aleatórias, ou talvez nem tão aleatórias.
Foi só Rose passar pelas portas duplas do Grande Salão que ela sentiu um par de olhos se fixar nela, e algo lhe dizia que esses olhos eram acinzentados. Ela virou a cabeça levemente na direção da mesa da Sonserina e seu olhar encontrou com o de Scorpius Malfoy. Ele sorriu fraco para a garota e ela, meio num impulso, retribuiu.
Sozinha ela comia bastante rápido, então antes que suas primas (que passavam muito mais tempo que o necessário se arrumando) descessem, ela já saía em direção à sua primeira aula, Transfiguração. Antes de chegar à sala, porém, uma cabeleira loira e uma voz aguda e arrastada se puseram em seu caminho.
— Weasley! – Andrômeda Malfoy gritou fingindo entusiasmo, o qual Rose não conseguia retribuir de jeito nenhum, aquela menina era a definição de insuportável. – Mas que maravilhoso vê-la aqui.
— Aqui é o caminho para a minha aula, Malfoy – Rose respondeu num tom um tanto irônico e Andrômeda abriu um sorriso completamente falso.
— Eu não ligo para o que você está fazendo aqui – a loira não tirou o sorriso do rosto. Rose apoiou o peso do corpo numa perna e bufou, lá vinha alguma pérola. – Eu ligo para o que você anda fazendo com meu irmão.
Aquilo foi tão repentino e inesperado que a ruiva não pode conter uma gargalhada. De onde a louca tinha tirado que ela estava fazendo alguma coisa com Scorpius?
— O que eu ando fazendo com o seu irmão? – Rose perguntou retoricamente no meio das risadas. – Você fala dos nossos amassos ou do nosso encontro na Sala Precisa ontem à noite? – Rose continuou num tom zombeteiro e Andrômeda bufou nervosa.
— Eu sei mais do que você pensa – a mais nova tentou se impor, mas Rose já não levava aquela conversa a sério. – Vocês ficam se olhando, trocando sorrisos...
— Como se isso fosse alguma coisa. Quando souber de alguma coisa de verdade me fala. Estou louca pra saber das minhas aventuras com o Scorpius – Rose piscou um olho e saiu andando para a sala de Transfiguração, mas foi só virar à direita no corredor que a ruiva desabou no chão, agachada e encolhida.
De onde tinha tirado coragem para falar aquelas coisas? Aquela definitivamente não era ela. Rose Weasley nunca sugeriria um amasso com Scorpius Malfoy. Ela repudiaria essa ideia, principalmente por ele se achar o pomo de ouro da final da Copa Mundial de Quadribol.
Quando alguns alunos da Corvinal passaram pelo corredor onde Rose se encontrava, ela percebeu que tinha que ir para a sala. Levantou, endireitou as roupas e o cabelo (Cabelo?! Desde quando ela se preocupava com a situação do seu cabelo?!) e seguiu para a aula com a Sonserina.
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Alvo estava mais que ansioso para sair da Ala Hospitalar, não aguentava mais os tons claros que o cercavam há alguma tempo, nem o fato de acordar todos os dias sentindo um aroma de mel delicioso e nunca ver a dona dele.
— Sr. Potter – a voz de Madame Pomfrey tirou o moreno de seus pensamentos. – Sr. Potter, está me ouvindo?
— Sim, claro – Alvo concordou, mesmo que não tivesse gravado uma palavra que a enfermeira havia dito.
— Então está certo, você pode sair – ela disse e com um aceno de sua varinha o uniforme de Alvo apareceu aos pés da cama. Ela percebia que ele estava louco para sair, por isso não se deu ao trabalho de repetir as coisas que ele já tinha ignorado da primeira vez. – Sua turma está na aula de Transfiguração, se for rápido ainda consegue entrar.
Ele não tinha muita vontade de assistir a nenhuma aula naquela momento, mas a ideia de fazer uma grande entrada e jogá-la na cara dos sonserinos era bastante atraente.
— Obrigado, Madame – ele agradeceu enquanto ela voltava para sua sala. O moreno se vestiu e saiu a passos rápidos para a sala de aula.
Quando ele chegou, ainda estavam fazendo a chamada. Ao ouvir seu nome, o moreno abriu a porta e entrou na sala, exclamando um “Presente!”. Os sonserinos todos se irritaram, reviraram os olhos e bufaram, enquanto os grifinórios ficaram felizes. Seu melhor jogador tinha saído da Ala Hospitalar.
— Alvo! – Rose gritou levantando e correu para abraçar o primo junto com Dominique, ignorando completamente qualquer palavra do professor para que as duas sentassem. Enquanto a ruiva segurava o primo e fazia um discurso sobre ele não ter avisado que teve alta, mesmo que ele tentasse argumentar que não fazia nem dez minutos que estava de alta, Dominique olhava ao seu redor, estudando o rosto dos colegas de sala do time de Quadribol da Sonserina.
Mesmo que seu foco fossem as pessoas de verde, seu olhar parou em Mackenzie Longbottom. Ela tinha uma coisa diferente no olhar, cravado nas costas de Rose. Ela parecia excessivamente feliz pelo retorno de Alvo, mas também parecia com ciúmes. Pronto, Dominique sabia quem era a menina de Alvo, e o melhor de tudo: antes de James.
Dominique fez uma versão mais curta do discurso de Rose e as duas voltaram para seus lugares, uma ao lado da outra, à frente de Scorpius Malfoy e Mackenzie Longbottom e um leve cheiro de mel estava no ar, que obviamente não era de Scorpius. Dominique abriu um sorriso contido, sua hipótese estava confirmada.
A aula passou tranquila e, como sempre, Rose ficou por último. Ela passou pela porta para sair da sala e sentiu alguém a pressionando contra a parede imediatamente ao lado.
— Por que provocar a minha irmã dizendo que nos beijamos quando na verdade você troca a toda a minha perfeição pelo seu priminho esquisito? – Scorpius disse ao pé do ouvido da ruiva. Respira, Rose, ele é um idiota, lembra disso. Ele é um idiota que tem uma voz maravilhosamente hipnótica.
— Por que você se incomoda com Alvo? – ela perguntou em resposta, tentando manter sua voz firme, aparentemente com sucesso.
— O jeito que... – ele tentou falar, mas a ruiva o empurrou levemente, de forma que os dois se olhavam nos olhos e olhar dela o obrigava a parar de falar. Por que ele estava tentando se explicar?! Nenhum dos dois sabia, mas aquele olhar dela seria capaz de fazê-lo cortar um braço fora.
— Não precisa ficar com ciúmes – ela continuou olhando nos olhos dele e o garoto estava começando a se aproximar, mas ela juntou toda a sua força de vontade e o empurrou com força. – Eu nunca vou ser de nenhum de vocês dois mesmo – ela disse com uma risadinha e saiu andando a passos firmes.
Passos firmes até a pia do banheiro, em frente a um espelho velho e sujo. Mesmo naquele espelho, ela via que não era ela mesma. Aquela pessoa que estava no espelho não era a que ela conhecia tão bem. Aquela não tinha espinhas, não tinha um fio de cabelo num lugar inconveniente, não tinha as roupas meio número maiores. Aquela pessoa no espelho não era feita de boba, muito menos era inocente.
Aparentemente, havia duas Roses: uma boba apaixonada que cederia à primeira tentativa de Scorpius Malfoy e outra, que destruiria qualquer um.
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