Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS INICIAIS. É IMPORTANTE
Andrômeda andava pelos corredores de Hogwarts pisando duro. Já não bastava ter que aguentar toda a chatice daqueles dois ruivos insuportáveis da sua sala de Poções (Hugo Weasley e Lily Potter), mas também tinha que aguentar um irmão dando mole pra uma deles, os malditos Weasleys. Não, aquilo era humilhação demais pra uma pessoa só.
E pra piorar ainda mais, o irmão se fazia de sonso e fingia que não percebia o que estava estampado em sua cara: ele queria Rose Weasley.
Ok, talvez não estivesse tão estampado, mas Andrômeda conhecia o irmão, ah se conhecia. Ele podia ter quantas garotas quisesse, mas ele nunca ia atrás de nenhuma delas mais de uma vez, nem ficava trocando sorrisos toscos no café da manhã.
Alguma coisa estava muito errada ali, fossem as roupas curtas da Weasley fosse a cor do céu, que estava azul demais para o meio de outubro. Alguma coisa estava muito errada naquele castelo.
A Malfoy andava com tanta raiva pelos corredores que acabou esbarrando em um garoto e derrubando todos os seus livros no chão. Ela passaria reto, como se nada tivesse acontecido (como ela sempre faz com todo mundo, exceto Matthew Zabine, mas isso não vem ao caso), mas ele segurou a ponta de sua capa e a garota foi obrigada a parar de andar.
Ela se virou e ficou olhando de cima para o garoto no chão, ao lado de seus livros. Ela já tinha visto ele em alguma aula, devia ter sido de Astronomia ou alguma coisa inútil dessas, que ela não se dava ao trabalho nem de saber qual a Casa que estava com a Sonserina.
– O que você quer? — ela perguntou já que ele não falava nada. Sendo da LufaLufa, como sua gravata amarela indicava, era óbvio que ele esperaria que ela pelo menos se desculpasse.
– Você derrubou todos os meus livros no chão — ele afirmou e ela revirou os olhos.
– Você também está no chão: junte-os e saia andando como se nada tivesse acontecido, porque é o que eu estou fazendo — ela disse e puxou a barra da sua capa das mãos do garoto, mas não conseguiu nada.
– Você por acaso sabe meu nome? — ele perguntou irritado e ela deu de ombros.
– Não me interessa seu nome — ela continuou no mesmo tom. — Só sei que você é um daqueles insuportáveis caras da Lufa-Lufa que espera que todo mundo seja legal.
– Não espero que você seja legal, Andrômeda Malfoy — ele soltou a capa dela e se levantou, ficando quase uma cabeça mais alto que ela. — Já desisti dessa ideia depois quatro anos tendo aulas com você, mas esperava o mínimo de educação.
A garota o olhava quase vermelha de irritação, mas ele continuava com uma expressão calma no rosto. Ele balançou a varinha e todos os livros voaram para seus braços, sem ele dizer uma palavra.
– Às vezes é bom ter o mínimo de educação — ele disse após guardar a varinha. — Passar bem, Andrômeda — e saiu andando no sentido que ia antes, aparentemente para as masmorras.
Realmente, alguma coisa estava errada naquele castelo. Nenhum lufano falava o que queria para Andrômeda Malfoy e saía impune, muito menos deixava a loira curiosa. E ela odiou a experiência.
*******
– James! — Dominique gritou ao entrar na Sala Comunal da Grifinória depois da última aula. Ele estava jogado no sofá com uma daquelas coisas que tio Harry dava pra ele, pra ouvir música, coisa de trouxas. Graças a Merlin que aquele lugar estava vazio.
– Se for sobre a menina do Alvo, eu já sei quem é — o garoto disse ao ver que ela se aproximava.
– Eu também sei quem é — ela cruzou os braços.
– Claro — ela ironizou. — Onde estão os outros dois mosqueteiros, pra eu jogar a minha descoberta na cara de vocês três ao mesmo tempo?
– E eu vou saber? — ele sentou no sofá e ela deu de ombros.
– Você ta sempre com o Fred, sei lá, achei que vocês eram um pacote — ela se fez de ingênua e ele revirou os olhos. — Tudo que um sabe o outro sabe, vocês dormem na mesma cama, esse tipo de coisa — ela começou a satirizar a relação dos dois e James a fuzilou com o olhar.
– Primeiro: só elas dividem a cama comigo — ele levantou um dedo enquanto ela revirava os olhos. — Segundo: você não precisa ter medo de me perder pro Fred — ele levantou outro dedo e Dominique gargalhou. — Terceiro: com certeza você errou a menina do Alvo.
– Pobre iludido — ela disse dando batidinhas na cabeça dele.
– Então ta, você fala e depois eu falo — ele sugeriu e ela o fuzilou com o olhar.
– Você vai falar que já sabia — ela disse, mas ele tinha absoluta certeza que estava certo. Ele não cheirou quase cem garotas pra nada.
– E você não? — ele revidou e ela bufou cruzando os braços.
– Ok, os dois falamos ao mesmo tempo — ela sugeriu e ele fez que sim com a cabeça. — Um…
– Dois… — ele contou, olhando-a fixamente nos olhos, quase como se esperasse que ela desistisse dessa besteira toda e assumisse de uma vez que ele era melhor em procurar garotas do que ela (não que essa fosse uma competição realmente importante).
– Três — ela disse com o olhar desafiador.
– Mackenzie Longbottom! — os dois quase gritaram ao mesmo tempo, esperando que o outro falasse uma besteira como Katrina Parkinson, uma garota insuportável da Sonserina.
Os dois se entreolharam estranhando terem o mesmo palpite. Dominique estreitou os olhos e cruzou os braços, sendo imitada por ele. Ele balançou o peso de uma perna pra outra e ela fez a mesma coisa. Parecia que aquilo tinha virado um jogo de “quem ri primeiro”.
Dominique ia descruzar os braços e se aproximar de James, mas viu que Mackenzie Longbottom descia as escadas de seu dormitório, ligeiramente preocupada e andando um pouco apressada.
Ela desarmou toda a sua pose e se sentou meio jogada num sofá. Ele a olhou confuso mas, sem realmente perceber, fez o mesmo que ela.
– O que foi? — ele perguntou num tom de voz entre o irritado e o preocupado.
– O que a gente faz agora? — a loira perguntou e virou-se para ele. — A gente sabe que era a Longbottom, mas e daí?
– A gente agora conta pro Alvo — James disse simplesmente e Dominique jogou a cabeça pra trás, soltando todo o ar.
– A gente não pode só chegar e falar uma coisa dessas pro Alvo! — ela quase gritou outra vez. Aquele surto de histeria precisava passar. Logo.
– E por que não?
– Porque ele gosta da Rose! — ela disse mais baixo dessa vez. Seria mesmo possível que James não percebesse essas coisas básicas sobre o irmão dele? — Você não pode acabar com as esperanças do garoto desse jeito, James — ela disse como se explicasse o Wingardium Leviosa.
– É melhor tirar o esparadrapo de uma vez só — James disse e Dominique o olhou como se ele fosse louco, e só podia ser.
– Não vou nem comentar essa sua besteira — ela disse e se levantou do sofá. Ela viu que a porta do retrato estava sendo aberta, então aproveitou a deixa. — Você não vai falar nada para o Alvo — ela disse andando em direção ao buraco na parede — e eu vou jantar — ela já ia saindo, mas foi parada por Rose puxando-a pra dentro da sala de novo.
– Você vai jantar depois, Dominique — Rose disse e saiu puxando a loira em direção ao dormitório delas. — Agora você tem uma prima ruiva que precisa da sua atenção — e elas subiram, deixando James sozinho na sala.
– Vou jantar que ganho mais — ele disse para si mesmo e saiu andando para o Grande Salão, estranhamente incomodado por não ter superado Dominique.
*******
– Kenzie! — Scorpius chamou ao ver a menina entrando no Grande Salão. Ele estava parado na parede do lado de fora, esperando que ela ou Matt passassem.
– Scorp — ela respondeu sem muita animação. Ele franziu a testa e andou até onde ela tinha parado. — Eu tenho que jantar, se você quiser conversar vai ter que ser na mesa da Grifinória, enquanto eu afundo minhas tristezas no pudim — ela gesticulou para dentro do Salão e ele, meio sem opção, começou a andar em direção à mesa da Grifinória, fazendo Mackenzie soltar um risinho vitorioso. Scorpius odiava a mesa da Grifinória, gente demais rindo demais.
– Então — ela começou se sentando à frente dele — o que te traz aqui?
– A… — ele tentou falar, mas ela o interrompeu.
– Deixa eu adivinhar: tem cabelo ruivo, é da Grifinória e se chama Rose Weasley — Mackenzie sussurrou o nome e começou a comer um frango.
– É… — ele concordou, mas então percebeu o que havia dito e arregalou os olhos assustado — nada disso — ele tentou corrigir, mas ela começou a rir e as pessoas ao redor começaram a olhar para os dois. — Kenzie, para de rir — ele disse começando a rir também.
– Você nem consegue fingir que não está a fim dela — ela disse rindo ainda, mas um pouco menos escandalosa.
– Falando nisso, como você sabe? — ele perguntou irritado quando ela parou de rir.
– Eu falo com a sua irmã de vez em quando — ela disse comendo mais um pouco. Só faltava o mel pra aquela refeição fica boa. Mel… El… Al…
– Kenzie? — ele chamou quando percebeu que ela já estava a anos-luz de distância daquela mesa.
– Oi, desculpa — ela balançou a cabeça como se estivesse saindo de um devaneio. — Voltando, sua irmã me contou várias teorias dela — a Longbottom disse com um sorrisinho malicioso no rosto. — Só queria testar elas com meus próprios olhos — ela continuou com aquele maldito sorriso malicioso no rosto.
– A Andrômeda tem que ficar mais quieta — ele murmurou e ela riu fraco.
– Voltando à pergunta inicial, o que aconteceu com vocês? — Mackenzie perguntou novamente e ele afundou o rosto nas mãos, soltando todo o ar de seus pulmões.
– Aconteceu que essa garota vai me deixar louco — ele disse sem se mover, então levantou a cabeça e encontrou com a expressão incrédula dela. — Ah, o que foi agora?
– Só to passando na minha cabeça o que pode te fazer ficar assim por ela — a menina continuava com a mesma cara. — Ainda não achei nada.
– E eu aqui pensando que você podia me dar uma luz — ele murmurou meio decepcionado e ela riu fraco outra vez. — Eu só sei que quero ficar perto dela mais e mais, que quero que ela pare de fugir de mim e que nós tenhamos uma noite de felicidade na Sala Precisa — ele falou tudo de uma vez e Mackenzie o olhou assustada. — Sim, eu sei quanto é esquisito eu falando isso, ainda mais dela, mas eu não consigo impedir, Kenzie!
A garota o olhava sem saber muito o que fazer. Aquela era uma situação nova, Scorpius Malfoy realmente a fim de uma garota, e justamente a que não caía aos seus pés. Seria engraçado se não fosse irônico, quase trágico.
– Ok… — ela tentou começar a falar alguma coisa sobre isso. — Mas você ainda não me disse o que ela te fez dessa vez — ela pediu mais uma vez e ele suspirou pesadamente (o que era muito esquisito sendo ele que estava suspirando).
– Comigo ela é fria, fica se insinuando e depois foge, mas com o maldito priminho é toda risada — ele disse irritado e Mackenzie fez uma cara de confusão. — Aí eu puxo ela pra uma sala vazia, tentando aproveitar aquele bom humor, mas não, isso é pedir demais — ele começou a ficar irritado e ela revirou os olhos. Ela ainda não sabia o que ele tinha visto nela.
Rose Weasley era, aos olhos de Mackenzie, uma ruiva sem graça, esnobe, que se sentia o centro da razão e que queria que todos os homens — quase — na vida de Mackenzie Longbottom estivessem dispostos a fazer tudo por ela.
– Eu segurei ela de um jeito que faz todas as outras derreterem e ela ficou lá, me olhando com aquela cara que me faz ter vontade de agarrar ela — ele começou a bagunçar o cabelo. — Ela não cede de jeito nenhum, parecia que nada que eu fazia atingia ela, nada — ele estava começando a se irritar. — Ela saiu da sala andando rápido para longe de mim. Eu cheguei aqui para o jantar e lá estavam a praga e Rose rindo e abraçados. Pode não parecer muita coisa, mas eu não aguento os dois juntos, não aguento. Essa garota vai me deixar louco quando realmente começar a fazer alguma coisa, Kenzie — ele expressava sua irritação falando rápido, muito rápido, mas ela já tinha se acostumado.
Mackenzie mantinha uma expressão neutra no seu rosto. Não conseguia fingir estar rindo, mas não podia mostrar sua real irritação, era muita pra um Scorpius só aguentar. Isso porque não bastava Rose Weasley ter Alvo Potter aos seus pés, mais um pouco e ela teria Scorpius Malfoy literalmente rastejando pra ela. Ah, mas os dois Mackenzie não ia deixar mesmo.
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