Capítulo 09

O beijo não lembrava em nada a extravagante caricia que ambos trocaram na noite que aconteceu semanas atrás. Foi delicado e possuía certo respeito na maneira como o Guardião da Chuva movia seus lábios, e na forma como seus dedos acariciavam a nuca de Gokudera.

Ah, ele lembrava daqueles beijos. Geralmente eles eram trocados em momentos inusitados, como quando os dois passavam horas deitados no sofá e o moreno de repente o beijava; ou após terem se perdido um nos braços do outro em uma noite de sexo, aquela era exatamente a maneira como Yamamoto demonstrava carinho.

Um mudo e tímido "Obrigado por estar aqui" sentimento.

O homem de cabelos prateados deu um passo para trás, precisando encostar-se a parede. Na verdade aquela atitude serviu para que seu corpo simplesmente não caísse, já que seus joelhos tornaram-se trêmulos com apenas um beijo. Seu rosto estava corado, e ao ver que o Guardião da Chuva se aproximava novamente, foi quase impossível para o braço direito do Décimo resistir. O segundo beijo foi semelhante ao primeiro, mas dessa vez seus braços envolveram o pescoço do moreno de maneira possessiva. A distância entre eles diminuiu e por um instante Gokudera teve a impressão de que Yamamoto sorria enquanto o beijava.

Seus olhos não se abriram para constatar tal fato, e mesmo que fosse verdade, ele não faria nada a respeito porque por dentro ele também estava sorrindo.

O Guardião da Tempestade sabia o que aconteceria naquela noite, e não foi preciso nenhum toque ousado ou frase maliciosa para que o desejo mútuo entre eles fosse compreendido. Os beijos tornaram-se mais profundos, e o braço direito do Décimo pediu licença por alguns minutos e seguiu para o banho, deixando o moreno a sós com o restante do apartamento.

Yamamoto parou no meio da sala, permitindo que seus olhos observassem todo o local. Muito pouco havia mudado desde que deixara aquele apartamento meses atrás. Da última vez que esteve ali ele não reparou em nada, entrando e saindo sem dar uma segunda olhada. A posição dos móveis permanecia igual, assim como as cortinas, e a mesa de jantar que raramente era usada. O Guardião da Chuva caminhou pelo corredor, parando rapidamente na cozinha apenas para constatar a mesma semelhança com a sala. Seus olhos encararam a porta do banheiro e uma de suas mãos a tocou. Um meio sorriso brotou em seus lábios e foi com essa mesma expressão que ele seguiu finalmente até o quarto.

Foi com certo receio que Yamamoto pisou em um local que por anos ele chamou de seu. Não. Ele costumava chamar de nosso. Quando entrou pela primeira vez naquele quarto anos atrás, não havia nada além de uma cômoda encostada em um dos cantos de uma das paredes e uma pequena cama de solteiro. A primeira vez deles aconteceu naquela mesma cama, e a lembrança de tal coisa o fez passar a mão na testa, recordando-se do quão nervoso estava naquele dia. Com o tempo o quarto foi ganhando nova vida, assim como a relação entre eles.

A pequena cômoda ainda existia, mas fora colocá-la próxima a janela e servia apenas para guardar a roupa de cama. No lugar onde ela costumava ficar havia um largo guarda-roupa. A cama de solteiro deu lugar a uma cama de casal que foi comprada com o dinheiro dos dois. Meses de economias e o Guardião da Chuva lembrava-se vivamente do dia em que foram juntos a loja, e a maneira como Gokudera ficara mortalmente envergonhado.

Cada objeto. Cada móvel. Cada pedacinho daquele apartamento fazia parte de sua história. O moreno caminhou até o guarda-roupa, engolindo seco antes de abri-lo. Seus olhos se arregalaram levemente. Seria impossível esconder a surpresa que ele sentiu ao ver que tudo estava no mesmo lugar. O lado reservado para suas roupas estava do mesmo jeito. Seus ternos, suas camisas, suas gravatas e até um antigo taco de baseball ao fundo... Tudo. Tudo estava basicamente igual.

Por quê? Por que aquelas coisas ainda estavam ali? Por que ele não conseguiu manter sua palavra?

Caminhando até a cama, Yamamoto sentou-se e escondeu o rosto entre as mãos. As lágrimas finalmente escorreram quentes por seu rosto mesmo ele não querendo chorar. Seu peito doía, o ar lhe faltava e com os olhos fechados o moreno reviveu a cena que aconteceu há nove meses naquele local. As palavras rudes, a briga completamente desnecessária e principalmente a maneira como ele havia reagido. Por quantas noites ele não se arrependeu de ter sido tão inflexível? Por quantas vezes ele não caminhou até aquele apartamento apenas para encarar a porta fechada? Quantas vezes seus dedos não discaram o telefone de Gokudera mesmo não tendo coragem de completar a ligação?

O Guardião da Chuva não esquecera da briga, da mesma forma como não foi capaz de esquecer Gokudera. Os meses que seguiram à separação foram vividos de forma quase desumana. As informações vindas da Itália eram recebidas com ânsia. Todas as vezes que Ryohei retornava, o moreno o enchia de perguntas e até mesmo Tsuna não escapou a sua curiosidade. Porém, a iniciativa partia na maioria das vezes do próprio Décimo em comunicar como as coisas estavam na Itália, mais especificamente como seu braço direito estava se saindo.

Foi através do homem de cabelos castanhos que o Guardião da Chuva soube que Gokudera não se alimentava direito e que passava boa parte de seu tempo livre em lugares duvidosos. Quando retornaram à Namimori, o moreno pôde constatar com seus próprios olhos que as palavras de Tsuna eram verdadeiras. No dia em que ambos se encontraram no bar, foi através de Dino que Yamamoto chegou até o lugar, e ele jamais conseguiria explicar como se sentiu ao ser convidado de maneira tão sedutora pelo Guardião da Tempestade.

No começo Yamamoto ficou extremamente contente. Por semanas o moreno passou horas pensando em uma maneira de abordar o homem de cabelos prateados para que ambos pudessem ter uma conversa definitiva. Entretanto, ao chegarem ao apartamento ele percebeu que Gokudera não fazia ideia de quem ele era, e que o convite foi feito para alguém totalmente aleatório.

O Guardião da Chuva nunca quis machucá-lo como o machucou. Ele nunca quis forçá-lo ou deixá-lo no estado em que o encontrou na manhã seguinte. Sua decepção e tristeza não eram desculpas para aquele tipo de comportamento.

As lágrimas ainda escorriam pelas bochechas do moreno enquanto o mar de lembranças inundava sua mente, mas um de seus braços parecia se mover.

Não, ele não se movia. Alguém o puxava.

Erguendo o rosto vermelho, Yamamoto ficou surpreso ao ver Gokudera ao seu lado. O Guardião da Tempestade estava sentado e sua expressão era de pura preocupação.

- Você está me ouvindo, Yamamoto? — O homem de cabelos prateados tentava chamar a atenção do moreno há algum tempo.

O Guardião da Chuva enxugou o rosto com as costas das mãos, ficando de pé no mesmo instante. Seus lábios pediram desculpas e desejaram um rápido boa noite enquanto seus pés caminhavam com certa pressa.

A distância percorrida foi curta, e antes que Yamamoto pudesse sair do quarto, Gokudera o puxou pelo braço, forçando-o à olhá-lo.

- Como se eu fosse deixá-lo ir embora desse jeito. O que aconteceu?

- Nada... Mas eu não posso ficar, desculpe — O moreno tentou dar um passo para trás, apenas para sentir o outro braço do Guardião da Tempestade segurar-lhe ainda mais firme.

- Takeshi... O que está acontecendo?

Aquelas palavras não ajudaram em nada a situação.

Os olhos de Yamamoto encheram-se novamente de lágrimas ao ouvir seu nome ser chamado, e isso só deixou Gokudera um pouco mais desesperado. Seu rosto tornou-se vermelho, e mesmo estando apenas com uma toalha branca na cintura, o braço direito do Décimo obrigou o moreno a se sentar novamente na cama, indo até a cozinha e retornando em segundos com um copo d' água.

Ocupando o lugar ao lado, o homem de cabelos prateados permaneceu em silêncio, esperando Yamamoto se acalmar.

O silêncio durou longos minutos.

Aquilo era novo para Gokudera. Ele nunca vira o Guardião da Chuva chorar daquela maneira, mas no fundo ele suspeitava qual fosse o motivo. Seus olhos encararam a toalha em sua cintura e ele sorriu sem graça, ficando de pé e indo até o guarda-roupa.

- Eu não posso perdoá-lo.

A voz de Yamamoto entrou rápida e direta na mente de Gokudera.

Suas mãos haviam acabado de abrir o guarda-roupa, e continuaram a procurar uma troca de roupas limpas. Ele sabia. Ele sabia que o moreno não o havia perdoá-lo.

- Eu sei. — O braço direito do Décimo segurou as peças de roupa e trocou-se no mesmo lugar, dando meia volta e sentando-se novamente ao lado de Yamamoto na cama. Aquela conversa aconteceria antes do que ele esperava. — Eu não mereço que me perdoe.

O Guardião da Chuva encarava o copo em suas mãos. As lágrimas haviam parado, deixando apenas o sentimento reconfortante de alivio em seu peito.

- E-Eu sei que você tem muito a dizer, e eu mereço ouvir tudo — Gokudera mexia com os dedos enquanto falava, tentando ganhar a coragem necessária para dar o próximo passo. Conversar e compartilhar sentimentos não eram o seu forte. Discursos e pedidos de desculpas não faziam parte de seu vocabulário. Entretanto, aquela era a primeira vez que ele sentia tanta vontade de conversar — Mas eu gostaria que me ouvisse antes de qualquer outra coisa.

O braço direito do Décimo ficou de pé, sentando-se no chão e em frente à Yamamoto. O moreno ergueu o rosto e o olhou surpreso. Aquele tipo de atitude não era típica do homem de cabelos prateados.

- Você estava certo naquele dia. Minha viagem para a Itália foi completamente impensada e egoísta. Eu sabia desde o começo que era errado e mesmo assim não consegui impedir o que aconteceu — Gokudera tentava manter o olhar firme, mesmo sentindo vontade de encarar qualquer outro lugar. O Guardião da Chuva o ouvia sério e não parecia disposto a interrompê-lo — Naquela noite eu poderia ter evitado a briga se não fosse tão egoísta. Tudo o que aconteceu depois foi apenas consequência de uma escolha ruim. Eu me arrependi daquela noite no instante em que você deixou o apartamento e continuo me arrependendo nesse momento enquanto falo tudo isso.

Gokudera não percebeu que tinha as mãos sobre os joelhos de Yamamoto enquanto falava, da mesma forma como não notou que sua voz saia como um pedido de desculpas. A expressão em seu rosto — esta somente vista pelo moreno — era tão dolorosa e sincera que o Guardião da Chuva precisou se controlar para não abraçá-lo.

No fundo ele sabia que não poderia fazer isso, pois queria ouvir o restante.

- Eu não estou pedindo que me perdoe. Como eu disse antes, eu não mereço que me perdoe. — O homem de cabelos prateados continuou — Você merece alguém com firmeza de caráter e que seja capaz de tomar as decisões que eu não fui capaz. Você é bom demais, Takeshi, e tudo o que eu fiz nesses anos todos foi mantê-lo preso aos meus próprios caprichos. — Gokudera engoliu seco. Seus próprios olhos tornaram-se úmidos com toda aquela sinceridade. Os sentimentos que por meses foram trancados em seu peito pareciam ganhar vida através de suas palavras — Eu sinto muito por aquela noite, e principalmente por tê-lo magoado dessa forma. Se existisse uma maneira de voltar para aquele final de Dezembro eu não teria feito o que fiz. Então por favor, não chore por alguém que não vale suas lágrimas.

O Guardião da Tempestade encostou a testa no joelho do moreno, tentando ganhar novamente o controle sobre si mesmo. Era incrível a maneira como seu coração batia agitado em seu peito. Apesar da angústia ele se sentia incrivelmente leve. Por meses o pedido de desculpas permaneceu em sua garganta esperando o melhor momento para ser comunicado.

Ele não esperava que as coisas voltassem ao que eram antes, isso seria ingênuo e juvenil. Porém, o moreno merecia saber o quão arrependido ele se sentia, mesmo que isso significasse engolir seu orgulho e aceitar qualquer tipo de palavra ríspida que viesse em seguida. Gokudera mereceria.

Os cabelos prateados sentiram o leve toque dos dedos de Yamamoto por entre seus fios. O contato fez com que o braço direito do Décimo abraçasse mais as pernas do moreno, percebendo o quão carente estava de qualquer contato vindo daquela pessoa. O toque permaneceu o mesmo até o Guardião da Chuva levar a mão ao queixo de Gokudera, obrigando-o a encará-lo.

O homem de cabelos prateados relutou por alguns instantes, envergonhado demais. Porém, ele sabia que teria de ouvir até o final.

- Eu nunca me importei com seu egoísmo ou seu lado indeciso — O Guardião da Chuva estava sério. Não havia vestígio algum de lágrimas, e isso fez com que Gokudera temesse o que viria em seguida. Ele fora sincero. Ele dissera tudo sem esperar nada em troca. Entretanto, ele conseguiria aguentar a sinceridade de Yamamoto? — Quando eu me apaixonei por você eu sabia exatamente como você era. Quando eu me declarei para você eu sabia exatamente onde eu estava me metendo. A adoração pelo Tsuna, as palavras ríspidas, a falta de tempo, estar em segundo plano... Tudo. Eu sabia de tudo e mesmo assim foi minha a ideia para começarmos a sair. Suas falhas e defeitos... Eu amava todas elas, Hayato.

A mão que segurava o queixo do Guardião da Tempestade acariciou delicadamente seu rosto. A seriedade deu lugar a um triste sorriso, e foi impossível para Gokudera segurar suas próprias lágrimas.

A cada palavra de Yamamoto ele podia antecipar o adeus definitivo e isso o machucava lentamente.

- Você realmente me magoou naquela noite, mas eu não poderia colocar o peso da responsabilidade pela briga nas suas costas. Eu tive minha parcela de culpa. Nós mal nos víamos naquele tempo por causa das missões, e quando nos encontrávamos... Bem, não tínhamos muito tempo para conversas — O moreno corou — O que realmente me incomodou não foi sua viagem repentina, nem o tempo que você passaria na Itália. Tsuna havia me informado de antemão sobre a possibilidade de visitar o Ocidente, e a ideia de passar algum tempo no estrangeiro me pareceu extremamente conveniente. Porém...

O Guardião da Chuva permaneceu por alguns segundos em silêncio, escolhendo as palavras.

- O que me machucou foi o fato de você não ter me consultado. Eu havia acabado de tirar o passaporte, e planejava conversar sobre a viagem quando você decidiu por si mesmo que iria e que não pretendia retornar por algum tempo. Eu me senti como se nunca tivesse feito parte da sua vida, como se todos os anos que passamos juntos não significassem absolutamente nada. — Yamamoto fechou os olhos e respirou fundo. Gokudera prendeu a própria respiração — Eu disse que não posso perdoá-lo e eu não estava mentindo, mas mesmo não podendo, eu o perdoei há algum tempo. Se após aquela noite você tivesse permanecido em Namimori eu o teria procurado de qualquer forma, mas estar do outro lado do mundo apenas serviu para me mostrar o quão covarde eu consigo ser em alguns momentos. Eu não mantive a minha palavra. Eu não o esqueci, e acabei voltando para esse apartamento depois de prometer nunca mais aparecer.

A surpresa do braço direito do Décimo era proporcional a sua felicidade pessoal. Suas mãos enxugaram as lágrimas, e ele ouvia a tudo com muito interesse.

Se houvesse a mínima chance do moreno querer recomeçar, ele não pensaria duas vezes. E dessa vez Gokudera o amaria da maneira correta.

- Eu o vi com aquela moça no dia do jogo — O Guardião da Tempestade falou baixo. Se os dois estavam sendo sinceros então ele colocaria todas as suas dúvidas em jogo — Atrás do campo... — Ele não conseguiria dizer "nosso canto".

A reação de Yamamoto foi totalmente esperada. O moreno corou e pareceu muito embaraçado com o comentário.

- Eu não menti quando disse no jantar que não estamos namorando. Aquele dia eu acabei sendo pego de surpresa. Ela correu até aquela parte por ser a única área coberta. Eu me aproximei e a última coisa que lembro foi dela ter me beijado — O moreno desviou o rosto, extremamente envergonhado — E-Eu não me orgulho de ter usado aquele beijo como uma forma de teste. Por diversas vezes eu tentei esquecê-lo, mas toda vez que eu me aproximava de uma mulher eu lembrava de todas as coisas que fizemos e nenhuma delas chegava a sua altura. Quando nos encontramos naquela tarde na sorveteria eu a encontrei por mero acaso, já que ela tinha um encontro com a sua companhia.

Aquela indireta saiu totalmente intencional.

O Guardião da Chuva calou-se e encarou o braço direito do Décimo, esperando que ele continuasse.

- Eu aguento. Você pode me dizer o que aconteceu nesse tempo em que ficamos separados.

Gokudera tentou ignorar o duplo sentindo que aquela frase soou em seus ouvidos.

- Eu já disse. Aquela garota me abordou no final da missão e eu achei que ela estivesse atrás do Jyuudaime. Acabei ofendendo-a e a convidei para um sorvete para me redimir. Foi puramente profissional. Eu jamais trataria mal uma amiga do Jyuudaime — A voz do homem de cabelos prateados retornou a normalidade. O nome de Tsuna era citado constantemente e com certa ênfase — Excetuando-se isso nada relevante aconteceu. Eu não namorei, não sai com ninguém com exceção de um incidente na Itália, mas não aconteceu nada sério. Eu não consegui seguir em frente até aquele dia no bar. Naquela noite eu estava decidido a esquecê-lo, mas no final eu retornei ao ponto de partida. Você continua sendo a única pessoa que eu já permiti que me tocasse.

- E eu gostaria que permanecesse dessa forma.

O sorriso brotou nos lábios do moreno como o Sol depois de um dia de chuva. Seus joelhos escorregaram até a altura de Gokudera, e ambas as suas mãos seguraram o belo e surpreso rosto do braço direito do Décimo.

- Eu amo você, Hayato. Eu o amo depois de tudo o que aconteceu, e não quero mais passar minhas noites longe de você ou tentando esquecê-lo. Eu quero meus dias alegres, minhas noites agitadas, e que você faça parte de cada minuto do meu dia. Nós teremos de mudar algumas coisas, porque aquela noite não se repetirá, mas se você ainda sentir o mesmo por mim, então me deixe saber. Porque eu quero voltar a estar ao seu lado o mais rápido possível.

Gokudera sabia que as mudanças seriam inevitáveis, assim como tinha conhecimento que as coisas ficariam um pouco estranhas no inicio. Entretanto, não havia mais nada que ele quisesse tanto do que ouvir aquelas palavras. Seu peito tornou-se incrivelmente aquecido e seus lábios moveram-se em uma velocidade absurda.

- E-Eu senti sua falta... Eu sinto a sua falta, Takeshi...

Yamamoto sorriu, trazendo o corpo do Guardião da Tempestade para perto, abraçando-o forte. O gesto durou o tempo suficiente para que um abraço já não fosse o bastante para exprimir o que ambos sentiam.

Os lábios do moreno se aproximaram e dessa vez o beijo trouxe de volta a segurança e certeza que o braço direito do Décimo precisava. Os braços fortes e protetores do Guardião da Chuva o envolveram, e como se não possuem outras preocupações, os dois homens permitiram-se alguns minutos perdidos um no outro. Pensamentos, sentimentos, emoções... Finalmente tudo estava em seu devido lugar.

A distância do tapete para a cama foi totalmente irrelevante. O beijo tornou-se mais ousado, e as mãos de Yamamoto já percorriam sem medo o peitoral nu de Gokudera. O Guardião da Tempestade tinha os olhos fechados, permitindo-se sentir todas as sensações que somente o moreno era capaz de proporcionar.

A língua de Yamamoto descia por seu pescoço, e o corpo do homem de cabelos prateados antecipava o caminho que ela percorreria. Entretanto, quando ela chegou à altura do mamilo esquerdo, a incrível sensação parou.

- Eh?! — Gokudera abriu os olhos, sem entender.

- Você deveria atender — O moreno segurava o telefone em uma das mãos. O Guardião da Tempestade nem se quer o ouviu tocar — O prefixo parece ser estrangeiro.

O braço direito do Décimo sentou-se na cama, segurando o telefone e mantendo o olhar sério. Uma série de pensamentos cruzaram sua mente, e ele apenas torceu para que nada ruim tivesse acontecido. A situação atual não permitia que eles ficassem tão despreocupados.

- A-Alô?

- Olá, Hayato~!

O telefone caiu das mãos de Gokudera, e ele próprio escorregou da cama para o chão, contorcendo-se no mesmo instante. Yamamoto ajoelhou-se ao seu lado, visivelmente preocupado. Porém, essa preocupação foi momentânea. Seus olhos castanhos encararam o telefone e ele revirou os olhos.

- Bianchi?

A mulher do outro lado da linha sorriu. Por alguns minutos Bianchi e Yamamoto conversaram e riram ao telefone. A irmã de Gokudera desejou feliz aniversário e pediu que suas palavras e sentimentos fossem transmitidos ao irmão mais novo. O moreno assegurou que repassaria a mensagem, e assim que a ligação foi encerrada, ele abaixou-se e ajudou o convalescido Guardião da Tempestade a voltar para cama.

O braço direito do Décimo abraçava o estomago e gemia baixo.

Yamamoto havia esquecido que aquilo acontecia todos os anos em que Gokudera se esquecia de programar o telefone e a secretaria eletrônica. Suas noites apaixonantes de aniversário sempre corriam o risco de serem atrapalhadas por Bianchi.

- E-Eu estou bem — O braço direito do Décimo agarrou a manga da jaqueta do moreno quando o mesmo fez menção de sair da cama. — P-Podemos continuar.

- Hahaha claro, claro — Yamamoto bagunçou ainda mais os cabelos de Gokudera — Eu não tenho pressa, Hayato. Nós teremos o tempo do mundo quando você estiver melhor. Por hora, fique ai enquanto eu preparo um chá.

O Guardião da Chuva deixou o quarto com um sorriso, seguindo até a cozinha. O chá foi preparado e servido para o homem de cabelos prateados, que mesmo relutante adormeceu em seus braços minutos depois. Um dos lados da bochecha de Gokudera estava vermelho por causa do encontro com Hibari, o que fez Yamamoto pensar o que poderia ter acontecido entre eles para que uma briga fosse inevitável. O moreno acomodou Gokudera em seu peito, trazendo-o o máximo possível para perto.

Ambos os Guardiões dormiram absurdamente rápido. Aquela seria a primeira noite depois de meses em que os dois poderiam finalmente dizer que não temiam fechar os olhos, pois quando acordassem não estariam mais longe um do outro.

Continua...