To Listen To a Hard Hard Heart
12 Capítulo 10 - Final
Capítulo 10
- Nee, Hayato, eu acho que já passamos por essa loja.
Yamamoto parou, coçou o queixo e cruzou os braços.
Seus olhos encararam a vitrine da loja esportiva, tendo certeza de que já vira aqueles acessórios antes. O Guardião da Tempestade parou ao lado do moreno, avaliando cautelosamente o local.
Após decidir que eles ainda não haviam visitado aquele estabelecimento, Gokudera arrastou Yamamoto para dentro da loja. Aquela seria a oitava ou nona vez que o Guardião da Chuva sentia-se obrigado a acompanhar o braço direito do Décimo.
Tudo começou naquela manhã de sábado.
Yamamoto não havia se quer acordado direito quando foi abordado por um ativo e bem desperto Gokudera. O homem de cabelos prateados exibia o seu eu-tenho-uma-ótima-ideia-sorriso, e o moreno só esperava que isso envolvesse uma cama, horas de beijos, caricias e outras coisas.
Os dois haviam resolvido seus problemas há duas semanas, e mesmo todas as noites tendo a oportunidade de envolver Gokudera em seus braços, o Guardião da Chuva não achava suficiente. No dia anterior os dois foram dispensados depois do almoço pelo Décimo, e as horas foram passadas basicamente em cima daquela cama. O tempo foi tão bem aproveitado que os lençóis foram direto para o lixo, sem condições de passarem pela máquina de lavar.
Todos aqueles meses precisavam ser restituídos de alguma forma.
A ideia de Gokudera não envolvia uma cama, ou melhor, não era relacionada a nada que estivesse no apartamento. Ele decidira que ambos visitariam o centro comercial para comprarem o presente de aniversário atrasado de Yamamoto. O moreno riu com a ideia, mas aquilo só pareceu ofender seu amante.
Percebendo que não haveria outra saída além de aceitar com um sorriso, o Guardião da Chuva permitiu-se ser arrastado por diversas lojas, mas nada parecia agradar o braço direito do Décimo.
- Viu alguma coisa interessante? — Gokudera olhava para os lados e tentava não fazer cara feia. Lojas esportivas nunca foram o seu forte.
- Hm... Aquele par de tênis... Talvez.
Yamamoto sabia que não adiantaria dizer que não era necessário todo aquele esforço e dinheiro. Apesar de ter ficado magoado na época, naquele momento ele já não se importava mais com seu aniversário negligenciado. A situação entre eles estava melhor do que nunca, então somente daquela vez ele deixaria seu amante mimá-lo.
Gokudera estava se esforçando para se redimir.
Da loja de artigos esportivos os dois Guardiões seguiram para um restaurante familiar. Eram raros os dias em que ambos podiam desfrutar juntos de uma refeição completa.
A desconfiança do Décimo Vongola não havia melhorado nesse tempo. A falta de informações e os constantes rumores continuaram, e a tensão no escritório era mais do que Tsuna poderia aguentar. Uma ou outra informação nova chegou à Namimori, mas nada que pudesse esclarecer a situação. Havia uma Família com más intenções entre seus aliados, porém, o Décimo não fazia ideia de quem poderia ser.
Gokudera permaneceu o tempo todo ao lado de seu Chefe, trabalhando arduamente. Ele chegava e ia embora do escritório acompanhado por Yamamoto, e a velha rotina retornara como se não tivesse existido aquele pequeno espaço de tempo em que ficaram separados. O Guardião da Chuva lembrava-se do que acontecera, mas havia coisas mais importantes que mereciam sua atenção.
Enquanto observava o homem de cabelos prateados escolher o que comeria, os olhos do moreno encaravam a figura sentada à sua frente, sorrindo sem perceber. Yamamoto adorava a indecisão de Gokudera sempre que segurava um cardápio. Ele achava extremamente sensual a maneira como o homem de cabelos prateados colocava a franja atrás da orelha, além de umedecer os lábios antes de comunicar seu pedido. A voz grossa, mas levemente baixa. O sotaque que diminuiu com os anos, mas que ainda mantinha as evidências de suas raízes. Os belos olhos verdes, a pele pálida, a maneira de se vestir, portar-se... Não havia nada no braço direito do Décimo que o Guardião da Chuva não amasse, inclusive a personalidade egoísta e difícil.
Era por tudo isso que ele não se importou em receber o Guardião da Tempestade de volta. As qualidades e os defeitos. Ele queria todo o pacote.
O almoço transcorreu como qualquer outra refeição que eles compartilhavam. O assunto era a Família ou algum acontecimento atual. Os comentários de Gokudera eram na maioria das vezes desconfiados, contrastando com o bom humor de Yamamoto.
Os dois deixaram o restaurante e seguiram novamente para o apartamento, e nem bem a porta foi fechada, o homem de cabelos prateados se viu prensado entre a parede e o corpo do moreno, sentindo que seria impossível lutar contra uma atitude que se tornou cotidiana. Os olhos do Guardião da Tempestade fecharam-se devagar e seus lábios se entreabriram, permitindo que o beijo se aprofundasse. A sacola com o par de tênis caiu no chão, deixando que suas mãos agarrassem com força os ombros de Yamamoto conforme os corpos tornavam-se mais próximos.
O bom senso de Gokudera só retornou quando um gemido baixo saiu por seus lábios no mesmo instante que o moreno apalpou seu baixo ventre.
- Ya... Mamoto — O braço direito do Décimo tentava se afastar, mas era difícil juntar as forças necessárias quando a mão de Yamamoto começava a acariciá-lo.
- Hm...? — O moreno não parou o que fazia, descendo a ponta da língua pelo pescoço de Gokudera — Eu estou ouvindo.
- N-Não, não está... — O Guardião da Tempestade empurrou o homem a sua frente com um pouco mais de força, erguendo o rosto corado e encontrando um sorriso maldoso nos lábios de seu amante. O idiota estava visivelmente se divertindo com seu sofrimento — Eu preciso de um banho. Nós acabamos de chegar.
As palavras saíram baixas e um pouco envergonhadas. O verão estava no fim, mas isso não alterava o fato de que ambos andaram por horas debaixo do Sol.
- Eu não me importo, mas se você faz tanta questão... — O Guardião da Chuva deu um passo para trás e retirou a camisa que usava, jogando-a em um dos ombros — Eu vou acompanhá-lo então — Yamamoto retirou o tênis com os próprios pés, puxando Gokudera pelo braço.
- O-Oi! O-Oi! — O homem de cabelos prateados tentava retirar os sapatos, tendo um pouco mais de dificuldade — P-Por que você também vai?
- Porque se ambos tomarmos banho juntos poderemos ir mais rápido para o quarto — O moreno abaixou-se e retirou os sapatos de Gokudera sem esforço — Quer que eu o carregue?
- Nos seus sonhos, i-idiota!
O Guardião da Tempestade seguiu com passos pesados e o rosto vermelho na direção do banheiro, acompanhado por um risonho e incrivelmente bem humorado Yamamoto.
Os dois entraram juntos no box, e o braço direito do Décimo deixou claro que ambos não fariam nada durante o banho. O aviso não agradou muito o moreno, mas ele se comportou durante os minutos que permaneceram debaixo do chuveiro. Entretanto, o mesmo não poderia ser dito para o momento em que eles pisaram no quarto.
Gokudera sempre achou incrível o desejo insaciável que o Guardião da Chuva tinha por ele. No começo ele pensou ser coisa da idade. Quando os dois eram apenas adolescentes, ambos permaneciam por horas naquele quarto, saindo da cama apenas quando era extremamente necessário.
Os anos mostraram que não era uma fase. Yamamoto sempre possuía uma maneira irresistível de convencer Gokudera a ceder, mas não que isso fosse um esforço. Mesmo sendo um pouco mais tímido e contido para esse tipo de coisa, ele estaria mentindo se dissesse que aceitava certas coisas apenas para agradar. Não houve uma vez naqueles anos todos que o sexo entre eles fosse ruim ou feito apenas por obrigação.
O Guardião da Chuva retirou a toalha de ambas as cinturas assim que entrou no quarto. Elas voaram na direção da poltrona que ficava próxima a porta, e toda aquela rapidez e expectativa acabaram excitando o homem de cabelos prateados mais do que ele gostaria. Seu corpo sentiu o macio colchão, mas ele não teve muito tempo para apreciar a maciez. O moreno deitou-se sobre ele, beijando-o com pressa e necessidade. O beijo que começou afoito foi se acalmando com o tempo, transformando-se em um longo e apaixonado troque de caricias. Yamamoto passava as costas das mãos no rosto do braço direito do Décimo, e ainda que estivesse excitado, Gokudera sentia o coração bater mais rápido não somente pelo ato em si, mas pela tranquilidade que sentia ao estar nos braços do moreno. Era uma sensação segura e familiar.
- Hm... baunilha — Guardião da Chuva afundou o rosto no pescoço do braço direito do Décimo. O último shampoo tinha cheiro de cereja.
O homem de cabelos prateados sentiu a respiração tornar-se mais acelerada conforme uma das mãos de Yamamoto descia por seu abdômen. Seus olhos queriam ver, mas ele estava envergonhado demais para até mesmo espiar o caminho que ela fazia até finalmente segurar firmemente seu membro. O Guardião da Tempestade mordeu levemente o lábio inferior, percebendo o quão sensível estava.
Os beijos do moreno desceram do pescoço para os ombros de Gokudera, e mesmo estando ávido para beijar certas partes ele demorou o tempo que foi necessário nos mamilos do braço direito do Décimo. Ele sabia o quão sensível Gokudera era naquela região e assistir as diversas reações do homem em seus braços era delicioso. Quando os lábios do Guardião da Chuva finalmente encontraram a ereção de seu amante, não havia praticamente nenhum movimento necessário para estimulá-la.
O Guardião da Tempestade sentia o corpo contorcer-se conforme o moreno dava atenção para seu baixo ventre. Ele sentia claramente a maneira como a língua de Yamamoto brincava com a ponta de sua ereção, e instintivamente uma de suas mãos correu para a gaveta, procurando o tubo de lubrificante. Gokudera queria ir além.
- Você está apressado — O Guardião da Chuva tinha a voz rouca e charmosa. Seus olhos estavam na figura impaciente do homem de cabelos prateados, mas seus lábios e mãos continuavam o que faziam — Está na sala, nós deixamos lá ontem a noite — Um satisfatório flashback fez o moreno sorrir. Na noite anterior ambos começaram pelo sofá — E eu não pretendo buscá-lo, então você vai precisar relaxar.
O braço direito do Décimo desistiu da busca e concentrou-se apenas em agarrar com força o lençol branco. O Guardião da Chuva umedeceu os dedos com saliva, e levou um deles até a entrada de Gokudera. Houve resistência, gemidos de dor e muita preocupação. A atenção de Yamamoto estava nas reações do homem de cabelos prateados, e mesmo excitado ele sabia que teria de preparar seu amante ou a experiência seria desastrosa. A ideia de ir rapidamente até a sala passou por sua mente, mas ao notar que ao penetrar o segundo dedo os gemidos mudaram de dor para uma tímida satisfação, o moreno desistiu. A ereção do Guardião da Tempestade já dava sinal de que chegaria logo ao orgasmo, e ao notar que seus dedos moviam-se com tranquilidade, Yamamoto decidiu que já esperara o suficiente.
Posicionando-se entre as pernas e erguendo um pouco o quadril de Gokudera, o Guardião da Chuva penetrou-o com mais rapidez e força do que era esperado. A reação do braço direito do Décimo foi automática. Seus lábios soltaram um erótico gemido que foi acompanhado pelo orgasmo que pintou seu abdômen.
Yamamoto parecia encantado com acena que acabara de ver. O sempre teimoso Guardião da Tempestade contorcia-se por causa do clímax, e seu próprio corpo parecia ainda mais tentador. Sua entrada tornou-se mais apertada, e foi impossível para o moreno continuar impassível. Retirando praticamente toda sua ereção e penetrando-a novamente, Yamamoto arrancou outro gemido de Gokudera, que ainda não estava preparado.
O ritmo começou com uma lentidão quase torturante, ganhando um pouco mais de velocidade e força após algumas estocadas. A ereção do homem de cabelos prateados retornou, e não demorou a que seus lábios demonstrassem através de gemidos o que seu corpo sentia.
As mãos de Yamamoto subiam e desciam pela perna de Gokudera, acariciando-a devagar. Se o Guardião da Tempestade abrisse os olhos, ele sabia que encontraria o idiota o observando. A tranquilidade e segurança que o olhar do moreno lhe proporcionava eram indescritíveis. E mesmo não querendo, era impossível esquecer a noite em que o homem de cabelos prateados o levou para casa achando que era apenas um estranho. Imaginar que até mesmo alguém tão calmo como Yamamoto poderia ser tão selvagem e rude na cama o deixava excitado, porém, nada substituía o carinhoso e preocupado Guardião da Chuva; e a maneira cuidadosa com que ele se movia, esperando não somente sentir prazer, mas também oferecer.
O moreno continuou com o ritmo, até parar sem nenhum aviso.
O homem de cabelos prateados entreabriu os olhos verdes, sem entender porque aquela onda de prazer havia cessado. Yamamoto havia se sentado na cama, e o puxava devagar para que ele se sentasse em seu colo.
- Eu quero beijá-lo...
A voz do Guardião da Chuva saiu baixa e foi acompanhada por um profundo e longo beijo. O braço direito do Décimo Vongola gemeu baixo ao encostar os joelhos na cama. Aquela posição permitia que Yamamoto o penetrasse por completo, tornando difícil controlar suas reações quando o prazer acabava sendo maior que seu bom senso.
As mãos de Gokudera seguraram o rosto de Yamamoto, retribuindo o beijo com a mesma paixão e euforia. Seu corpo começou a mover-se sem que ele percebesse, procurando sentir o moreno o máximo possível.
O ruído da cama e os gemidos eram os únicos sons ouvidos no apartamento. O quarto estava claro, tornando a cena incrivelmente visível para ambos. O homem de cabelos prateados mordia levemente o ombro do moreno, levando uma de suas mãos até sua própria ereção após alguns minutos. O Guardião da Chuva chegou ao clímax primeiro. Não havia como ele retirar-se de dentro de Gokudera naquela posição, então tudo o que restou foi preenchê-lo com seu orgasmo e torcer para não levar uma bronca depois. O braço direito do Décimo não pareceu se importar, e após alguns segundos seu clímax chegou em sua mão.
Os braços do moreno seguravam as costas de Gokudera, mantendo-o na mesma posição. O Guardião da Tempestade sentia-se cansado, mas seus lábios queriam mais. Passando a ponta dos dedos pelo rosto suado de Yamamoto, o homem de cabelos prateados sorriu de canto antes de beijá-lo.
Ele entendia a necessidade excessiva que o idiota tinha em assegurar-se de que tudo estava bem. As noites quentes em cima daquela cama, os beijos escondidos no escritório, o excesso de zelo e cuidado... Aquela era a maneira como Yamamoto demonstrava que tudo estava bem, mas que ele ainda tinha medo. No fundo Gokudera gostava. Não havia maneira de ralhar com o moreno naquele quesito.
E enquanto a incerteza reinasse no coração do Guardião da Chuva, o braço direito do Décimo não se importaria de utilizar o próprio corpo para mostrar que tudo estava bem.
- Mais... — Gokudera passou a ponta da língua entre os lábios de Yamamoto, pedindo passagem para beijá-lo com mais profundidade — Eu quero mais, Takeshi...
Um meio sorriso estampou o rosto animado do moreno, que não perdeu tempo em deitar o homem de cabelos prateados novamente na cama, mostrando que não tinha intenção alguma de parar por ali.
- Você teve a sua vez...
O Guardião da Tempestade virou-se na cama e ficou por cima, colocando a franja trás da orelha. Suas mãos apoiaram-se sobre o peito e abdômen do moreno, e com movimentos extremamente eróticos, Gokudera esfregava seu membro no de Yamamoto. Aquele intimo contato surpreendeu o moreno, que não sabia para onde deveria olhar: a ação em si, ou a expressão de luxuria, esta visivelmente estampada no rosto de seu amante.
Não eram comuns os momentos em que o braço direito do Décimo tinha aquelas atitudes na cama, mas o Guardião da Chuva jamais reclamaria. Quando ambas as ereções retornaram, o homem de cabelos prateados ajeitou-se sobre o colo do moreno, permitindo-se ser penetrado novamente.
Dessa vez a resistência foi menor por causa do acidente de Yamamoto, e as sensações de prazer e preenchimento chegaram muito mais rápidas e fortes. Não havia motivos para esperar, então Gokudera começou a mover seu quadril enquanto segurava as mãos do moreno e as utilizava como apoio.
Por longos minutos o Guardião da Tempestade impôs o ritmo que seu corpo permitia. Seus gemidos misturavam-se com os de Yamamoto, que parecia estar sentindo mais do que a primeira vez. Daquela posição o braço direito do Décimo podia ver claramente as expressão de seu amante, incluindo os lábios entreabertos e as sobrancelhas juntas. Quando seus olhares se encontravam, Yamamoto esboçava um meio sorriso, mesmo impossibilitado de falar. Não importava a ocasião. Gokudera amava aqueles sorrisos.
Como esperado, não demorou para que o corpo do homem de cabelos prateados se cansasse de mover-se, e então o Guardião da Chuva viu que era sua a responsabilidade terminar. Gokudera deitou-se novamente na cama, esperando o moreno ajeitar-se novamente entre suas pernas. Os movimentos recomeçaram, mas dessa vez com um pouco mais de força e rapidez. Yamamoto segurava firmemente sua cintura, garantindo que seu amante o recebesse por completo.
O terceiro orgasmo do homem de cabelos prateados chegou primeiro, acompanhando dessa vez por uma rápida perda de consciência. Porém, seus olhos se abriram a tempo de verem o momento em que Yamamoto também atingiu o clímax. O Guardião da Chuva precisou apoiar as mãos ao lado da cama, respirando alto e mantendo os olhos fechados.
- D-Desculpe...
Gokudera fingiu não ouvir essa parte. Ele sabia que o idiota se referia ao fato de não ter conseguido se retirar novamente de dentro dele, mas naquela altura do campeonato aquilo pouco importava. Um outro banho seria inevitável, então não haveria problemas se eles aproveitassem o máximo possível.
- Você já está cansado, Takeshi? – O Guardião da Tempestade disse com um fio de voz e respirando alto.
- Cansado? Eu? – Yamamoto riu de canto. Sua pele morena brilhava por causa do suor – Estou apenas esperando você descansar.
Os dois Guardiões esboçaram um meio sorriso cansado, e o moreno inclinou-se, beijando os lábios do braço direito do Décimo com paixão. Eles estavam no meio da tarde e o Sol ainda brilhava forte no céu. Até o horário do jantar o moreno esperava sentir o gosto de Gokudera por mais algumas vezes.
x
Na manhã do dia seguinte Yamamoto acordou preguiçoso. Suas mãos correram para o outro lado da cama, sentindo apenas o travesseiro macio e o lençol. Os olhos negros se entreabriram, constatando que ele estava realmente sozinho.
Uma olhada melhor no quarto e ele espreguiçou-se antes de se levantar.
O corredor cheirava a café, e foi preciso que o moreno fosse até a sala para encontrar o outro morador daquele apartamento. Gokudera estava sentado na mesinha de centro, os cotovelos encostados e os olhos fixos na tela do laptop.
- Bom Dia — O Guardião da Chuva depositou um sonolento beijo no alto da cabeça prateada, recebendo um Bom Dia desligado — Você acordou cedo.
- Eu fui acordado pelo Jyuudaime, e não está tão cedo assim — O braço direito do Décimo respondeu sem tirar os olhos da tela do computador.
- Hm... — Yamamoto coçou os olhos e ficou surpreso por perceber que Gokudera estava vestido de roupa social — O que houve? Hoje é domingo, não?
O Guardião da Tempestade virou o rosto, encarando o moreno sério através dos óculos de leitura. Algo naqueles olhos verdes fez Yamamoto se arrepiar, e dessa vez não era por um bom motivo.
O moreno olhou para o laptop, engolindo seco ao ver o passaporte italiano de Gokudera em cima da mesinha.
- Tome um banho primeiro. Nós precisamos conversar.
A frase foi dita de maneira séria, e foi preciso uma dose a mais de força de vontade para que o Guardião da Chuva conseguisse seguir até o banheiro. Durante o curto caminho tudo o que ele conseguia pensar era que o homem de cabelos prateados o deixaria novamente, e a dor que sentiria por ficar sozinho nesse período.
Yamamoto não costumava tomar banhos demorados, mas aquele superou todos os anteriores. Em poucos minutos ele deixava o banheiro vestindo além da calça de moletom uma camiseta de algum time aleatório de baseball. O Guardião da Tempestade não estava na sala, e o moreno o encontrou no quarto.
Gokudera mexia no seu lado do guarda-roupa, separando algumas peças de roupa. Yamamoto cruzou os braços e tentou não ficar mal-humorado, mas era difícil. Duas grandes malas estavam abertas sobre a cama, o que o fez pensar que além de viajar as pressas, o homem de cabelos prateados ficaria muito mais tempo.
- O que está acontecendo?
A impaciência do Guardião da Chuva chamou a atenção do homem que estava ajoelhado na outra extremidade do quarto. O braço direito do Décimo virou-se e ficou de pé, segurando algumas camisas em suas mãos.
- O Jyuudaime me telefonou há cerca de uma hora. Parece que algo sério aconteceu na Itália, mas ele não tem informações concretas. O que eu sei é que para que o Jyuudaime decida viajar ainda hoje para lá é porque algo grave aconteceu com alguma Família importante — Gokudera falava enquanto ajeitava uma das malas. — Tentei entrar em contato com os Cavallone e a Varia, mas não consegui nenhum tipo de informação. Foi Enma quem avisou o Jyuudaime, então é uma Família a menos para checarmos.
O Guardião da Tempestade virou-se e caminhou na direção de Yamamoto enquanto mexia em um de seus bolsos.
- O avião sairá em duas horas. Eu terei de ir porque o Jyuudaime parece muito aflito, então... — O homem de cabelos prateados desviou rapidamente o olhar parecendo nervoso.
- E-Eu entendo, Hayato — O Guardião da Chuva entendia, mas não significava que gostava daquilo.
- Eu quero que venha comigo — O rosto de Gokudera tornou-se levemente vermelho. Sua mão retirou-se do bolso e esticou-se na direção do moreno. Havia um passaporte japonês entre seus dedos — E-Eu já avisei ao Jyuudaime que você iria, então é melhor você ir ou ele ficaria decepcionado. Não sei quanto tempo ficarei, então se quiser pode voltar antes. E-E o lugar em que vivo na Itália é pequeno, teremos que dividir praticamente tudo. Mas você pode alugar um outro lugar se quiser, e eu n--
O braço direito do Décimo calou-se. Seria muito difícil falar enquanto seu rosto estava afundado no peito de alguém que o apertava em um forte abraço. Yamamoto gargalhou, e sua voz fez o corpo de Gokudera vibrar.
- Obrigado por me convidar, Hayato... — O Guardião da Chuva sorriu, entendendo o motivo das duas malas e porque uma delas estava vazia. — E eu ficarei ao seu lado o tempo que for necessário.
Gokudera afundou-se um pouco mais no abraço, não permitindo que o moreno visse seu rosto vermelho. Foi muito difícil para ele agir daquela forma, mas em hipótese alguma o homem de cabelos prateados cometeria o mesmo erro duas vezes. Ele não deixaria Yamamoto sair de sua vida por nada nesse mundo.
Os dois homens arrumaram as malas juntos e ajeitaram os últimos preparativos. O Guardião da Chuva avisou seu pai que ficaria algum tempo afastado, e uma hora depois os dois estavam deixando o apartamento.
- Tem certeza de que não esqueceu nada? Não vá atrasar o Jyuudaime, Yamamoto — Gokudera trancava a porta, confirmando se tudo parecia bem fechado.
- Sim, sim. Está tudo aqui.
- É bom que esteja. Um idiota como você sempre esquece as coisas importantes na última hora.
Yamamoto riu, esperando que o Guardião da Tempestade se aproximasse para então segurar sua mão. O braço direito do Décimo corou, mas não hesitou.
Era domingo de manhã, então não haveria problemas em caminhar de mãos dadas até o carro. E mesmo estando preocupado com Tsuna, Gokudera permitiu-se aproveitar aquele momento que parecia incrível apesar de trivial.
Se ele tivesse sido sincero com seus próprios sentimentos, há nove meses, era daquele jeito que ambos deveriam ter deixado o apartamento. Segurando a mão de Yamamoto com um pouco mais de força, o Guardião da Tempestade desceu as escadas com o coração mais leve e uma única certeza: ele jamais abriria mão do moreno novamente. Missões, problemas, viagens... Eles estariam juntos até o fim.
A tempestade precisava da chuva para existir.
- FIM
-x-
Notas da autora:
Terminei!
Depois de meses, mimimi, loldrama e etc eu me sinto incrivelmente livre, leve e solta por ter terminado esse projeto. Sei que já escrevi n fanfics, mas essa teve um gostinho especial. Foi a primeira vez que escrevi algo tão “maduro”, o que me fez pensar que daqui para frente minha qualidade como autora deve melhorar. Não tenho mais receio em tocar em certos pontos, então espero que isso realmente faça minha escrita também amadurecer.
Eu falei tanto nas respostas dos reviews que sinto que restou muito pouco para ser dito agora. Eu sei que algumas pessoas podem ter ficado insatisfeitas com o rumo da história e o final feliz, mas não teria motivos para deixá-los separados. Como eu já disse antes, minhas histórias giram em torno do desenvolvimento dos personagens. O final feliz foi conquistado por eles e não oferecido de graça.
Só me resta agradecer de coração por todos os leitores que me acompanharam nesses meses. Eu me senti extremamente motivada ao ler as opiniões de vocês, e muitas delas me deram ideias ótimas para futuro projetos. Obrigada de verdade pelos reviews/opiniões/criticas e etc. Espero ter conseguido emocionar vocês de alguma forma, e que minha fanfic tenha alegrado a vida de vocês. (ok, eu sei que os primeiros capts foram tensos ahehuoaehauohuo).
E aos fãs de D18, semana que vem eu começo a postar a nova fanfic (eu sei, finalmente hauoheouheo). Meus posts serão semanais como de costume (:
Novamente, meu muito obrigada à vocês!
Até~
Fale com o autor