A noite escura caia sobre seus ombros, e o vento batia em seu rosto, mas nada conseguia levar aquele vazio de dentro dele.

Ele era forte, não só fisicamente, mas espiritualmente, tentava lidar com as coisas a sua volta da melhor maneira, e não demonstrava momento algum de fraqueza. Mas mesmo assim ele precisava de um tempo só pra ele, pra tentar por as coisas dentro de si em seu lugar, até por que a cada dia que passava ele sentia como se fosse perder completamente o controle da situação.

Não estava sendo fácil passar por tudo o que estava passando, ele reconhecia isso, e em nenhum momento queria que as coisas tivessem acontecido daquela forma.

E se ele não tivesse exigido vir sozinho pra Terra? E se ao chegar ali, ele tivesse cumprido sua missão, e não ter a deixado de lado por causa de ganância, fome por poder, egoísmo?

Na época ele nunca imaginara que fosse acontecer tudo aquilo que estava acontecendo, e se soubesse, talvez não tivesse feito da mesma forma. Mas ele sabia que teria que seguir em frente e dar um jeito de concertar toda essa desordem que causara.

Porem ele não conseguia se sentir a vontade, ele sentia uma sensação ruim toda vez que pensava que teria que voltar pro planeta Vegeta.

Ele e seu pai nunca haviam brigado dessa maneira. Ele sempre tinha respeito ao seu pai mesmo o contrariando muitas vezes, mas agora ele o odiava por tornar as coisas mais complicadas. Ele não esperava que seu pai fosse aceitar da melhor forma possível o fato dele ter um filho com uma Terráquea, e até mesmo ele não queria aceitar isso no começo.

Ele era um príncipe, e ela?

Ele era um Saiyajin de primeira classe, e ela?

Ele havia precisado “perdê-la” pra perceber a falta que ela fazia. Estar ali na Terra sem ter a presença dela, sem poder sentir seu cheiro e sem poder tocar a sua pele, era completamente sufocante.

Muitas vezes quando ele parava pra pensar, em todas as coisas que haviam acontecido nesses últimos dias, se perguntava como é que ela podia amar ele? Ele sabia que ela não o queria por ser o príncipe dos Saiyajins como as mulheres da sua raça, e mesmo sabendo que ele só a queria por prazer, decidiu se aventurar com ele enquanto ele tivesse ali.

Ela sempre teve sua personalidade forte, e sua beleza exuberante, mas será que ele a merecia? Ele nunca a respeitou como devia. E agora, sentado naquela pedra na beira de um penhasco, se perguntava o que sentia por ela? Por que sentia a falta dela? Por que estava preocupado?

Ele realmente nunca foi muito bom com sentimentos, na verdade, a única coisa que conseguia sentir antes de vir para aquele planeta era ódio, raiva. E agora estava começando a descobrir coisas muito alem disso, sentimentos completamente diferentes, que podiam causar satisfação e felicidade, mas também dor e sofrimento.

Estava confuso, mas faria o possível pra treinar ao máximo nesses últimos dias que ficaria na Terra pra se transformar em um Super Saiyajin.

Queria voltar pro Planeta Vegeta sendo um dos mais fortes, com exceção de Broly, e mostrar pro seu pai que ele podia ir muito alem do que ele imaginava, pra mostrar pro seu pai que seria muito melhor que ele, e assim ser temido por toda a raça Saiyajin.

Apenas uma coisa além de tudo isso ele não sabia ainda como resolveria.

Bulma Briefs.

Ele não queria deixá-la, mas não poderia viver com ela no planeta Vegeta.

Ele não queria deixá-la, mas também não queria abrir mão de ser Rei pra morar com ela na Terra.

O que fazer em uma situação dessas?

Ele sentia como se estivesse à beira da loucura, e nada, absolutamente nada, conseguia acalmá-lo. Ele tentava olhar a sua frente, mas não via uma solução pra todos seus problemas. Então, como seguir em frente?

Não sabia, mas teria que encarar as coisas de frente como um verdadeiro Príncipe Saiyajin.

Mas se Vegeta achava que as coisas estavam cada vez mais complicas e sufocantes pra ele, era por que não sabia como Bulma estava e pelo sofrimento que estava passando. Talvez se soubesse, pegaria a primeira nave que aparecesse em sua frente e voltaria imediatamente pro planeta Vegeta.

Porem ele achava que ela não estava tão mal assim, seus pensamentos o levavam ao fato dela ter se comunicado com Tarble há alguns dias atrás, e isso bastava pra ele achar que ela não estava em uma situação muito complicada.

Era ai que se enganava.

Bulma estava desacordada há um dia já, isso por que o pai de Vegeta resolvera acabar com o último pingo de esperança que ela tinha em se sair bem daquela situação.

Bardock esperava, pacientemente, Bulma acordar. Ele sabia que não demoraria mais muito tempo pra isso, provavelmente apenas alguns minutos.

Ele estava preocupado com o estado de Bulma, e já não agüentava mais vê-la passar por tudo aquilo. Bardock sabia que era o único e principal culpado por Bulma estar sofrendo tanto, e foi olhando pra ela que decidira ficar ao seu lado até o fim, sem o Rei descobrir ou perceber.

Ele merecia esse favor como desculpas por tudo o que havia feito de ruim. Se desculpar por ter apunhalado ela pelas costas.

Bardock suspirou, foi quando Bulma abriu lentamente os olhos.

_ Bulma! – ele exclamou feliz.

Bulma olhou pro lado, um olhar triste e perdido.

_ Não fique desse jeito. Nós vamos achar uma maneira de escapar dessa. – Bardock falou se aproximando e sentando-se na beira da cama.

_ “Nós?” Nunca houve “nós” Bardock, quando eu achei que podia confiar em você, você me traiu da pior maneira.

_ Desculpe, Bulma. – falou sinceramente. – Eu não medi o tamanho sofrimento que faria você passar. Se eu pudesse voltar atrás e não cometer os mesmos erros... Mas a única coisa que eu posso fazer agora é ajudar você a sair dessa. – comentou, mas Bulma continuou com a mesma expressão. – Eu sei que não será simples, e talvez nos custe um pouco de tempo, mas precisamos tentar.

_ De que adianta eu sair viva dessa, se minha família não? A única coisa que eu quero é que meu filho e meus pais possam viver. Não me importa o que acontecerá comigo, afinal, eu não serei feliz se minha família não estará viva.

_ Mas se você morrer, seu filho também morrerá. – disse Bardock. – Tem apenas dois meses que está grávida, Bulma, não pode pensar em salvar ele sem se salvar. Agora escute... Vamos esperar Vegeta chegar, ele com certeza virá com um plano pra salvar você, quando ele vier, eu converso com ele e então daremos um jeito de você sair daqui viva. Confie em mim.

_ Esperar Vegeta chegar? Não sabemos quanto tempo isso pode levar, até lá, o Rei já terá atacado a Terra e matado a todos!! – ela falou com raiva.

_ Calma. Deixe isso comigo, o rei confia em mim, e talvez eu consiga tempo. Não posso garantir que conseguiria o fazer desistir dessa idéia, mas pelo menos até Vegeta chegar eu consigo sim, sei que ele não vai demorar. E depois que Vegeta estiver aqui, eu posso ver com ele como poderíamos impedir o Rei de atacar seu planeta. Certo?

Bulma respirou fundo, sua única alternativa era confiar, mais uma vez, em Bardock.

Se o destino quisesse que ela vivesse, ele realmente iria ajudar. Se não, ele iria enganar ela mais uma vez, por isso, não tinha muitas escolhas, e escolheu acreditar.

Ela olhou pra Bardock com um ar de desconfiança.

_ Promete que não vai me enganar novamente? Não sei se eu conseguiria resistir a mais uma traição. – ela falou olhando nos olhos dele.

Bardock deu um meio sorriso.

_ Prometo. – respondeu calmamente. – É o mínimo que eu posso fazer pra me desculpar com você. – comentou e levantou-se da cama caminhando pro lado da porta.

Bulma ficou olhando ele se afastar. De certa forma acreditar que Bardock a ajudaria e saber que poderia confiar nele novamente fez ela se acalmar um pouco. Até que ele parou de caminhar e se virou pra vê-la mais uma vez.

_ Voltarei mais seguido ver você. Mas agora eu preciso ir, o Rei não pode desconfiar de nada, então, me trate como normalmente e deixe o resto comigo.

Bulma não respondeu, e Bardock saiu dali.

Ele seguiu até a sala do trono onde o rei estava.

_ Como ela está? – perguntou.

_ Já acordou. – respondeu Bardock e respirou fundo. – Ela continua na mesma. Acho que você forçou de mais contando pra ela sobre o que pretende fazer, ela não é uma Saiyajin...

_ Você quer questionar o que eu decido fazer ou não, Bardock?! – perguntou olhando com raiva pra ele.

_ Não, majestade.

_ Ótimo. – falou. – Não me arrependo do que eu fiz. O único meio de atingir Vegeta é através dela. Então tenho que aproveitar enquanto a tenho em minhas mãos.

Bardock não respondeu, simplesmente havia chegado à conclusão de que o Rei estava ficando cada vez mais paranóico com essa historia toda, não tinha jeito de ele aceitar tudo o que aconteceu e seguir em frente.

Estava cada vez mais impossível viver naquele planeta.

_ Você precisa tomar cuidado, Majestade. Bulma está cada vez pior, e por ser Terráquea talvez não resista até Vegeta chegar se você resolver atingir ela com mais sofrimento. – ousou falar.

O Rei sorriu.

_ Eu sei o que estou fazendo. E não se preocupe Bardock, não tenho mais planos pra atingir ela até Vegeta chegar. – respondeu.

_ E quanto ao ataque na Terra? Já sabe quando vai atacar?

_ Não. Ainda tenho muito a decidir sobre isso. Ainda tenho uma tropa de soldados em missão, só voltarão em uma semana, depois que eles vierem irei reunir todos e escolher quem irá, mesmo eu já tendo em mente quem eu quero mandar. Mesmo assim, preciso explicar a eles exatamente o que devem fazer.

_ Então, você acha que vai demorar mais quanto tempo?

_ Duas ou três semanas. – respondeu o Rei, e Bardock respirou mais aliviado, talvez fosse tempo suficiente pra Vegeta voltar.

Enquanto isso na Terra.

Todos dormiam tranquilamente pra descansar o suficiente para um bom treino no dia seguinte, exceto Vegeta, que estava treinando sozinho insanamente na sala de treinos.

Os dias estavam passando e ele não tinha conseguido ainda se transformar em SSJ.

Vegeta sabia que não seria fácil, mas estava dando o melhor de si pra aumentar os seus poderes. Ele treinava em uma parte da sala sozinho, não queria a ajuda de Broly, um garoto “estúpido” de apenas 12 anos, seu orgulho era grande de mais pra se “rebaixar” a tanto, tendo de aprender a ficar mais forte com alguém da terceira classe.

Não. Ele era o príncipe e conseguiria alcançar o poder máximo sozinho, custe o que custasse.

Por isso, treinava quase que 24 horas por dia, e quando estava quase desmaiando de tantos ferimentos que causava em si mesmo e de tanto treinar, ele ia até o tanque de regeneração e se curava pra mais horas e horas de treino seguido.

Tarble achava uma loucura, mas sabia que se tentasse discordar do que Vegeta vinha fazendo sobraria pra ele. Por isso, treinava com Nappa em outro canto da sala tentando se desligar do que acontecia a sua volta.