POV Renesmee

Acordei na minha cama. Jake deve ter me trazido. Levantei da cama e percebi a claridade do local, casa do vovô Carlisle, ótimo. Provavelmente meus pais estariam no chalé, não ousaria ir até lá. Tomei banho, fiz minha higiene e troquei de roupa.

Desci e percebi a ausência de boa parte da família. Creio que os gêmeos estavam em seus quartos, senti suas presenças lá em cima. Cheguei no escritório e encontrei meus avós, Esme estava pintando e Carlisle lendo.

— Bom dia! – Comentei alegre. Fui recebida com bom dias e abraços. – Onde está o resto da família?

— Rosalie e Emmett se cansaram da monotonia e foram viajar, começaram por Nova York. – Esme falou. – Alice e Jasper foram com eles só nessa primeira parada, sua tia viu que a nova coleção fará um enorme sucesso daqui a uns meses, então já foi se garantir. – Típico dos meus tios.

— E seus pais estão no chalé, como deve imaginar. – Carlisle completou.

— Vou terminar o presente do Jacob então. – Falei. Esses seriam nossos últimos dias aqui. Depois do aniversário do Jake iríamos nos mudar.

Subi para meu quarto e assim que entrei escutei batidas em minha porta, os gêmeos. Abri e dei permissão para que eles entrassem.

— Renesmee, gostaria de lhe explicar algumas coisas. – Alec começou.

— Nessie. – Corrigi. – Se vão fazer parte dessa família precisam adotar este apelido. – Sorri. Alec contraiu os músculos e Jane rolou os olhos, não entendi.

— Desculpa Nessie. Não to implicando com você, a culpa é inteira do meu irmão e ele vai te explicar. – Dito isso a bruxinha se jogou em minha cama. – É extremamente confortável, acha que Esmee deixaria eu trocar meu sofá por uma cama? – Perguntou.

— Esqueça minha irmã um pouco. – Alec pediu com um sorriso de canto.

— Certo, o que queria falar comigo?

— Primeiro entenda que não era minha intenção. – Suspirou. – Você é minha cantante. – Disse e fechou seus olhos.

— Calma. Ham? – Eu estava confusa. – Mas como assim? Não! E se fosse mesmo você não teria descoberto agora...

— Ontem de tarde, quando passamos a tarde juntos. – Corrigiu receoso.

— Não. Não estou falando disto. Estou dizendo que já sabia. Estava lá há sete anos, deveria ter descoberto isto lá e chegado aqui já dizendo. – Virei de costas olhando para as arvores que balançavam do outro lado da janela aberta. – Não contou isso com medo de não aceitarem não foi? Só está falando agora porque não irá conseguir esconder por mais tempo do meu pai. – Acusei.

— Não se atreva a falar assim com meu irmão. – Paralisei, minha mãe não estava por perto, não era sábio irritar Jane. Ela me olhava séria. – Ele não premeditou, muito menos está armando algo.

— Calma irmã. – Ela imediatamente relaxou, balançando a cabeça com um pequeno sorriso. – E respondendo a sua pergunta: Não. Sua parte vampira encobre o suficiente para que só se perceba o seu sangue quando estiver próximo – Sim, foi por isso que fui acusada anos atrás. – E sinceramente não pude prestar muita atenção em você naquela época, tínhamos recebido ordens para termos comprometimento total com a missão.

— Aro queria ter o máximo de cuidado, nada poderia dar errado. Você sabe, ele queria Alice. – Jane falou revirando os olhos. – E meu irmão não pode saciar sua curiosidade a respeito da nova espécie. – Alec estava curioso sobre mim?

— Mas não foi um problema. Estudei atentamente com Aro e Marcus os outros híbridos com quam tivemos contato. – Pude ver um sorriso sincero em seu gosto, acho que ele se assemelha a Carlisle neste quesito.

— Não é quanto a isto que estou preocupada. – Falei. – Já me contaram o quão difícil é resistir ao sangue de cantantes. É a história dos meus pais.

— Quero lhe garantir que não irei machuca-la. – Ele falou se aproximando. – Seu cheiro é maravilhoso, sim. Mas não arriscarei tudo por ele. Só preciso manter uma distancia razoável de ti, só me atingi quando estou próximo. – Disse eu ri irônica.

— Então o que está fazendo aqui? Pela sua lógica é bem melhor nunca estarmos num mesmo cômodo, ou sempre com belos metros de distancia e que eu nunca esteja a favor do vento. – Falei sarcástica.

— Queremos sua amizade Nessie. – Jane disse próxima a mim, porém lançando um olhar estranho ao irmão. – Pode chamar de encanto de meio vampiros ou o que quiser, mas eu quero ser sua amiga. – Dito isso ela me abraçou. Congelei, nunca imaginei estar tão próximo ao inimigo. Não consegui controlar, pensei que morreria ali mesmo, Jane me seguraria e Alec beberia meu sangue.

Jane se soltou de mim com os olhos arregalados. Oh não. Transmiti minha mente de novo.

— É esplêndido. – Deu pulinhos sorrindo, não entendi. – É tão vivo, parece que eu que estou pensando tais coisas. Irmão, devia ver! – Dirigiu-se a Alec. Depois se virou para mim quase arrependida. – Fico triste que ainda nos veja como inimigos, mas sei que logo essa imagem passará. Sua tia mesmo já disse eu e ela seremos ótimas amigas, então imagino que não será diferente com você. – Olhou ternamente para mim, parecia tão mais experiente. Oh sim, eles podem parecer adolescentes mas tem mais de mil anos de idade. – Mas por favor, mostre para Alec, é algo que ele amaria ver. O que você tinha passado para ele antes eram só pensamentos desconexos não? – Okay, Jane era tagarela e eu estava completamente perdida.

Olhei para Alec que estava quieto me analisando, o quão difícil deve estar sendo para ele? Pelo que Jane disse e eu pude perceber, ele era um estudioso. Não sei se meu dom o agradará, mas deve ser uma sensação semelhante ao que senti com Zafrina. Isso, posso mostrar a ele o que ela me mostrou, isso o agradará. Transmiti por pensamento uma das “imagens bonitas” que Zafrina me mostrou. Meus pais ainda me devem uma visita as Amazonas e a Nahuel... Acho que pedirei isto de aniversário esse ano, eles já enrolaram demais.

— Fantástico. – Escutei Alec dizer. Ele estava sorrindo e seus olhar estava perdido. – Como faz isso? São ilusões? Não... sua mente não é? Se pode transmitir seus pensamentos, pode transmitir tudo o que passar ai dentro não é? – Perguntou olhando fundo nos meus olhos

— Isso mesmo. – Sorri

— Funciona integralmente? – Perguntou.

— Como assim? – Jane estava curiosa com o desenrolar de nossa conversa.

— Sensações, dons mentais... – Não entendi aonde quer chegar, mandei para ele que riu com o mecanismo da conversa. – Transmitir a sensação de um dom que foi usado em você.

Oh, nunca havia pensado nisso. Acho que vovô iria gostar dessa hipótese. Passei pelos gêmeos puxando-os pela mão. Em segundos estávamos no escritório dos meus avós.

— Vô! – Exclamei animada.

— O que houve? – Carlisle perguntou um pouco confuso, mas rindo da minha animação. Mostrei a ultima parte de minha conversa com Alec a ele e a Esmee. – Interessante, parece que pode dar certo, só temos que testar a teoria.

— É tão bom ver meu irmão animado. – Jane falou se virando para mim. – Prometo que pego leve, no três okay? – Oque? Pera, não. Não to pronta. Acho que Alec viu meu espanto e segurou a irmã.

— Nada de impor dor Jane. – Do que ele está falando? Precisamos dela para sabermos se funciona. Bom.. ou ela ou tia Kate.

— Acho que peguei sua ideia Alec. – Carlisle comentou. – Ele vai usar seu dom em você, um começo não traumático, imagino. – Oh, entendi.

Assenti dizendo que estava pronta. Segundos depois eu não senti mais nada, era como se meu cérebro estivesse desconectado do meu corpo. Não senti mais nada, não sabia se ainda possuía membros, visão ou qualquer coisa do tipo. Tentei me movimentar, mas nem sabia ao certo se realmente estava dando comandos ao meu corpo. Parecia que minha mente vagava sozinha, será que isso é morrer?

Tão rápido como veio, desapareceu. Vi-me do outro lado da sala, acho que quebrei um dos vasos de Esme. Olhei para ela pedindo perdão e a mesma só gargalhou em resposta, vi que os outros continham sorrisos no rosto, deve ter sido engraçado.

— Pensei que seu dom fosse lento Alec. – Falei erguendo as sobrancelhas.

— Ele pode demorar a atingir o alvo, se estiver distante. Mas o efeito é imediato. – Sorriu.

— Então Ness, acha que consegue replicar? – Meu avô perguntou. Assenti, iria tentar, só não sabia em quem.

— Em mim. – Jane falou como se lesse meus pensamentos. – Já estive inúmeras vezes sobre o efeito da névoa de Alec. Saberei dizer se funciona ou se só passa a ideia.

Assenti e transmiti para Jane. Tive que me concentrar na sensação desta vez, não queria que nenhum sentido escapasse. Não aguentei muito tempo, exigia concentração de mais.

— Incrível, é só um pouco menos agoniante que o Alec, aparente ser menos real, talvez. Não que mude significativamente alguma coisaa. – Balançou a cabeça. – Na verdade, acho que encontrei uma diferença. Quando estava sobre a névoa de Alec, pensou que estava morta? – Ela me perguntou. Respondi que sim. – Imaginei, deixei de pensar isso a muitos séculos atrás. Acho que alguns pensamentos seus vieram junto com a névoa.

Não me contive, abracei os gêmeos. Se não fosse por eles, talvez eu nunca tivesse descoberto esse pluss no meu dom. Senti Alec respirar fundo e depois se soltar rapidamente de mim. Cantante, eu havia esquecido. Ele agora estava na entrada no escritório e prendia a respiração.

— Desculpe Alec. – Falei olhando para ele. – Fiquei tão empolgada que acabei esquecendo. Ele só assentiu e saiu em disparada.

— Eu vou ver como ele está. – Jane falou seguindo o irmão.

— Acho que estraguei minha própria comemoração não é? – Perguntei para minha avó.

— Lógico que não querida. – Ela me abraçou. – Logo, logo estaremos todos acostumados com isso. – Ela fez pouco caso beijando minha testa.

— Deixe disso Nessie. – Carlisle falou. – Estamos orgulhosos de você. E creio que seus pais também estarão quando chegarem.