Tirando a capa -Reneslec
9 A bruxaria se virou contra a bruxa
Notas iniciais
POV Renesmee
Meus pais chegaram algumas horas depois do ocorrido com Alec, imediatamente souberam do ocorrido e estavam discutindo com meus avós a respeito do autocontrole do garoto. Claro que meu pai já sabia a respeito do meu dom, mas pedi, como havia feito com meus avós, para que não comentasse, só queria mostrar a ele e a mamãe quando os gêmeos voltassem. Era o meu pedido de desculpas e uma forma de aceitação, os dois queriam que desse certo, tanto que Alec está lutando contra seus instintos, nobre até.
— Eles já estão voltando. – Meu pai falou.
Olhei constrangida para os irmãos, um olhar que Jane refletia, devia estar tão envergonhada quanto eu. Não que ela devesse, o irmão dela que quer beber meu sangue e a culpa do ultimo episódio foi completamente minha. Alec, por outro lado, não me dirigia o olhar. Bufei. Escutei um riso baixo do meu pai. Muito engraçado, pensei.
— Na verdade é engraçado sim Nessie. – Meu pai falou. Minha mão revirou os olhos, odiava conversas mentais. – Desculpe Bella, mas é que os dois pensam a mesa coisa. – Apontou para mim e Alec.
— Como? – O vampiro perguntou.
— A respeito da culpa. Nessie sabe que não devia ter se aproximado tanto. – Enrubesci, exposição demais pai.
— Não seja por isso. Alec pensa que é muita imaturidade de sua parte esquecer o perigo em que se expõe. – Não acredito!
— Imaturidade? – Perguntei zangada. – Não foi você que disse que não havia possibilidade de me machucar? – Alec arregalou os olhos um pouco constrangido, mas logo se recuperou.
— Sim, mas isso quando estou longe. – Falou irônico. – Tem ideia do quão tentadora para mim a poucos metros? Nem eu entendo isso direito. – Retrucou.
— É realmente interessante. – Meu pai interrompeu. – Por exemplo, a essa distancia sua parte vampira mascara o cheiro do seu sangue quase totalmente para ele. Contudo quando está mais perto fica impossível para Alec resistir.
— Intrigante realmente filho. – Carlisle seguiu o pensamento de meu pai. Estavam alheios a mim e ao gêmeo que ainda nos encarávamos com vestígios de raiva. – Principalmente se levarmos em conta o fato de Nessie ser alvo de um Imprinting e uma cantante. – Alec desviou os olhos de mim e encarou meu avó.
— Imprinting? – Perguntou. Ótimo, uma maravilhosa explicação sobre meu coração partido, tudo que eu precisava. Bufei e me acomodei no sofá que estava um pouco atrás de mim.
— Um laço afetivo muito forte que ocorre entre um lobo, transmorfo, e uma pessoa. É uma espécie de amor a primeira vista, alma gêmeas. – Meu pai explicou. – Jacob explicou que é como a gravidade, toda a força dela muda. Ele disse que de repente não é mais a terra que te prende aqui.
— Você faria qualquer coisa, seria qualquer coisa que ela precisasse. Um amigo, um irmão, um protetor. – Completei rápido. Não preciso ficar sendo torturada com isso.
— Desculpe filha. – Minha mãe pediu me abraçando, as vezes parece que ela consegue ler minha mente melhor que meu pai.
— Tudo bem, eles vão entrar nessa família maluca, tem que começar a entender. – Soltei.
— Então... Você tem um namorado Ness? – Jane perguntou rindo. – Oh, era aquele cara malcheiroso de ontem, não é? – Erguei as sobrancelhas e olhou para o irmão que cotinha uma expressão de repulsa no rosto... deve odiar o cheiro do Jake...
— Não, o imprinting enfraqueceu... – Falei. – Posso não entrar em detalhes sobre isso? – Pedi e ela assentiu baixando a cabeça.
— Isso Nessie. – Carlisle falou vindo dar um beijo em minha cabeça. – Talvez seja por isso eu Nessie possa ser a Cantante de Alec, porque o imprinting não é total. Ainda sim é peculiar, mas só o fato da nossa pequena Cullen existir é peculiar. – Forcei um sorriso envergonhada. O jeito com que meu avô falava sobre cantante fazia parecer algo bastante intimo.
— Também acho que Carlisle está um pouco acima do bom senso filha. – A feição do meu pai era séria. — E não gosto nenhum pouco disso.
— Já chega disso. – Esmee ordenou fazendo todos olharem para ela. – Nos reunimos para ver a evolução do dom da Nessie, não foi? Então é isso que faremos. – Minha avó me olhou com ternura. Amo você, mandei para ela. Sempre sabia o que fazer.
— Ótima ideia Esmee. – Minha mãe sorriu largo. – O de Alec certo? – Assenti. – Quer tentar comigo?
— Você é um escudo Isabe... – Jane começou, mas logo mudou ao ver o olhar mortal da minha mãe. – Err Bella. Não funcionará em você.
— Eu acho que vai, afinal Renesmee sempre conseguiu mostrar seus pensamentos para Bella. – Meu pai falou. – E além disso, minha esposa já consegue retirar seu escudo caso queira. – Completou orgulhoso dando um selinho nela.
— Muito bem mãe, não retire o escudo. – Dito isso me concentrei e transmiti a lembrança da névoa de Alec. Vi minha mãe apertar as mãos e seus olhos saírem de foco, não pude prestar muita atenção pois se não mandaria os pensamentos atuais e não... Oh droga, minha mãe já estava com os olhos focados, está me ouvindo não é?
— Sim, sim. Mas só peguei a partir do “atuais”. – Sorriu. – Filha você é ótima. – Abriu um sorriso maior ainda e veio me abraçar, sorri de volta, era bom saber que minha mãe estava orgulhosa.
— Estamos os dois orgulhosos. – Meu pai beijou o topo de minha cabeça. – É impressionante como você consegue transmitir uma lembrança e deixar parte de sua mente protegida.
— Não por muito tempo. – Falei cabisbaixa. – Mas com certeza eu só consigo fazer isso quando transmito sem o toque, porque assim eu tenho que e concentrar no que quero mandar, já com o toque minha mente fica completamente aberta, mas somente para meus pensamentos atuais. – Era como a inversão do dom de Aro e do meu Pai. Escutei um gritinho vindo de Jane.
— Não Jane! – Meu pai rosnou.
— Ah, por favor. E nem serei eu, será a Nessie.
— Você só quer isso pra poder se satisfazer.
— Não vou negar que amarei isso, mas você também sabe que será ótimo para o desenvolvimento da Ness. – Do que estão falando?
— Jane quer tentar atingir Bella tendo você como intermediário. – Meu pai me explicou. – Como uma corrente de choque.
Interessante a ideia, mas vou testar algo antes... Meu pai sorriu com minha ideia. Caminhei até Jane levando minha mãe comigo e vi Alec se afastar discretamente. Assenti dizendo que Jane podia começar.
Imediatamente me arrependi. Cai no chão me contorcendo. Parecia que laminas estavam perfurando minha cabeça. Era muita dor. Tortura. Mas uma parte de mim se lembrou do que eu queria fazer. Estiquei ambos os braços e toquei Jane e minha mãe. Ambas caíram no chão e logo depois minha dor cessou. Acho que Jane perdeu a concentração.
— Incrível. – Alec falou entre gargalhadas. – O que achou do seu próprio dom Irmã?
Jane se ergueu furiosa, encarou friamente seu irmão e depois mim.
— Nem pense Jane, já tenho a dor na memória, mesmo que não consiga tocar em você ainda posso transmitir sem o toque. – Falei rindo. Eu estava imensamente feliz.
— Não era esse o acordo Renesmee. – Ela cuspiu meu nome. Coitada. Depois respirou fundo e olhou piedosa para o irmão. – É isso que você sempre sente? – Ele assentiu. – Prometo que tentarei não fazer mais.
— Estamos orgulhosos de você filha. – Meus pais disseram me abraçando por trás.
— Todos estamos. – Minha avó completou.
— Oh. – Meu pai sorriu. – O Seth está chegando, ele vai te arrastar pra floresta porque quer conversar com a amiga sem o “Edward atazanando a mente”. – Gargalhou no final. – Ele está a pouco mais de um quilometro, quer ir encontra-lo?
Assenti e sai correndo de dentro da casa. Seth era praticamente meu melhor amigo, excluindo a relação que eu tenho com o Jake. Fazia seis meses que eu não o via, ele estava fazendo faculdade em outro estado e esse ultimo semestre foi complicado demais e não deu para ele passar por aqui. Claro que ainda mantemos contato, redes sociais estão ai para isso, mas não é a mesma coisa. Estou morrendo de saudades de correr e conversar com ele.
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