Tinúviel
6 Capítulo 5 - Remembering
Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura!
De novo, aquela sensação. Não foi apenas o fato de aquela ser a famosa Reyna que surpreendeu Jason, mas aquele incômodo, como se ele estivesse conectado a esse nome... não apenas ao nome, mas à dona do nome. E então, ele reconheceu aquele rosto. Era ela. Aquela Reyna. Aquela garotinha que havia aparecido com um pônei e dividido sua comida com ele quando ele não tinha mais esperanças de sobreviver por muito tempo. Sua primeira amiga, mesmo que a amizade tecnicamente só durou algumas horas.
– Jason? — Reyna franziu a testa, como se estivesse se lembrando de algo, mas a resposta continua lhe fugindo à mente. Balançou a cabeça, tentando se livrar do pensamento incômodo.
Um silêncio tenso se estabeleceu por um tempo, até Jason tomar coragem e perguntar:
– O que te traz aqui?
Reyna pareceu tensa e relutante em responder.
– O que quer dizer? — Indagou por fim.
– Você é uma nobre e... se casou hoje, não? Por que está numa região praticamente deserta? — Jason não estava reclamando, apenas não poderia entender. A vida dos nobres parecia tão rica e magnífica que não havia sentido alguém querer fugir... ao menos para ele, que nunca conseguira ter uma vida estável em apenas um lugar.
– Sim, me casei, mas não por vontade própria. — Reyna explicou, furiosa e chateada por ter de se lembrar daquele detalhe. — Foi tudo planejado, e eu odeio Octavian. Ele é deplorável, sujo, baixo... me enoja ter que ficar no mesmo cômodo que ele. Então, fugi, e espero não ser forçada a voltar tão rapidamente.
Jason compreendeu. Reyna havia contado apenas uma pequena parte resumida da história, mas seus olhos entregavam o resto.
– Ódio não é o único motivo pelo qual você fugiu hoje, não é? — Reyna meneou a cabeça. — Você parece assustada. O que aconteceu?
Ele sentia o instinto de protegê-la. Mesmo Reyna não parecendo o tipo de garota que não consegue se defender (todavia, ninguém arriscava falar sobre a probabilidade de ela saber usar armas, pois certamente isso não agradaria em nada lady Bellona), e mesmo ele sabendo que desde sua idade mais tenra ela era independente e até mesmo um pouco rebelde, a ideia de que ela passara por uma situação perigosa — fosse ela qual fosse — não o agradava. Queria cuidar dela como ela cuidou dele.
– Não. — Reyna afirmou, sabia que poderia ser sincera. — Esse não foi o único motivo, mas... — Ela parou por alguns instantes, novamente confusa. — Eu lhe conheço? Quero dizer... já lhe vi antes?
– Quem sabe... — Jason respondeu. A tensão aumentou, o volume de suas vozes abaixou e agora o vento uivava claramente na noite. — Você mudou desde a última vez que te vi, mas não está irreconhecível.
O camponês vasculhou em suas vestes e retirou um pedaço de pano de lá. O pedaço de pano era pequeno, azul e desregular; e o pano também parecia antigo e desgastado.
– Sua túnica rasgou e eu achei essa pedaço. — Ele avisou, rindo um pouco. Os anos não puderam acabar com o doce aroma de Reyna que havia ficado naquele pedaço de sua túnica. — Se lembra agora?
E Reyna lembrava.
Era o mesmo Jason de anos atrás, aquele pequeno camponês sem família ou moradia que ela havia encontrado, com o qual havia dividido sua comida e conversado horas a fio.
– Lembro. — Ela sorriu.
Conversaram por mais algum tempo, e Reyna lhe contou todo o motivo para ter fugido. Jason ouviu com atenção, injustiçado pelo que Octavian havia feito (ou quase feito) e dito. A madrugada já estava alta quando ruídos quebraram o silêncio.
– Reyna! — Uma voz grave chamou. A expressão de Reyna mudou.
– Oh não...
Notas finais
Reviews, por favor! A opinião de vocês é importante u.u
Até a próxima ♥
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