Notas iniciais
Tenho a honra de dar as boas vindas a mais um leitor novo: GabrielJacksonPotter!!!! Espero que você continue acompanhando, e que não se canse com esses capítulos longos! ;) E mais uma coisinha antes de deixarem vocês irem para o capítulo: tem uma leitora aqui que também é uma autora fabulosa, e essa leitora me deu a grande honra de me convidar para betar uma fic sobre o Batman que ela está escrevendo, que se chama "Batman: A Rebelião Dos Vilões". Só tenho a te agradecer, Cacau Fox, por esse convite incrível, e dizer que é uma enorme honra fazer sociedade com você! ;D Enfim, só queria dizer que para aqueles que curtem esse universo do Batman e dos vilões de Gotham, essa história é um prato cheio! =)

Coringa já havia desaparecido do quarto de Alice há um bom tempo, mas ela ainda encarava fixamente o ponto em que viu o Palhaço pela última vez, sem ao menos piscar, completamente hipnotizada pelos últimos acontecimentos – e ainda em dúvida se eles realmente aconteceram, ou se tudo não passou de mais um de seus sonhos... mas tudo fora real demais, palpável demais! A hippie ainda podia sentir o cheiro do Palhaço impregnado em cada canto de seu quarto, e inspirar aquele odor era como reviver o seu vício após muito tempo de abstinência. Nada menos do que inebriante...

Mas mesmo fascinada e tomada pela presença recente do psicopata, uma única pergunta martelava dolorosamente em sua cabeça: Por que Coringa, de repente, quis desenterrar o seu passado com Alice depois de quase quatro anos de completa ausência e silêncio? Parecia cruel demais que ele interferisse daquele modo em sua vida, justamente quando a hippie estava conseguindo reorganizá-la depois de todas as reviravoltas que sofreu. Mas esse tipo de atitude era a cara dele, era impossível negar!

Um sorriso involuntário apareceu timidamente no rosto de Alice, sem que ela se desse conta da satisfação que preencheu seus lábios. Por mais insana que aquela situação pudesse ser, a hippie não podia deixar de sentir um arrepio de prazer ao pensar que Coringa não havia simplesmente se esquecido dela, como Alice acreditou por todo esse tempo de distância entre eles.

Alice surpreendeu-se ao perceber que os primeiros raios de Sol já transpassavam a porta de vidro da sacada de seu quarto. Não sabia dizer quanto tempo ficou parada naquela posição, refletindo sobre a visitinha do Palhaço, mas a tímida luz que tomava o lugar da escuridão recente a fez perceber, com um estalo, o perigo nas palavras de Coringa. Não importava o que a hippie fizesse agora: acatando ou não o ultimato do psicopata, Logan e Krusty estariam em perigo de qualquer forma.

Ela levantou-se da cama apenas em um salto ao lembrar-se da ameaça que o psicopata fez ao seu filho, quase correndo até o quarto de Krusty para conferir se tudo aquilo realmente não passou de uma ameaça, ou se Coringa havia feito qualquer maldade contra o seu próprio filho.

Alice caminhou cautelosamente pela casa, evitando ao máximo qualquer ruído que fosse capaz de acordar Logan ou até mesmo Krusty. Seus passos eram rápidos, assim como as batidas do seu coração e as arfadas de ar irregulares. Conteve-se por um momento diante do quarto do filho, hesitando em girar a maçaneta. A hippie respirou fundo, tentando criar coragem e desviar de uma vez os pensamentos hediondos que rondavam sua mente, e por fim abriu a porta, olhando tudo ao redor.

Seus olhos se detiveram na cama vazia de Krusty, e o desespero tomou conta da hippie ao ver que o filho não estava ali... fechou a porta atrás de si com força, e correu para perto da cama, sentindo cada pequeno perímetro de seu corpo estremecer com intensidade. Passou a mão trêmula pelo lençol desarrumado, como se pudesse encontrar algum vestígio de que seu filho ainda estava ali... foi quando seus dedos esbarraram em um papel amassado sobre a cama, e imediatamente ela o trouxe para perto da luz e de seus olhos lacrimejantes.

O recado não podia ser mais claro, mas mesmo assim Alice sentia dificuldade em processar aquelas palavras com coerência:

“Se quiser ver o seu filho de novo, sugiro que apareça no galpão abandonado do centro da cidade de Gotham até o fim do dia. Cada minuto de atraso será um minuto a menos que você terá para se despedir do seu filho! O tempo está correndo...”

– Filho da puta! – xingou, conforme seus olhos corriam inúmeras vezes pela grafia quase ilegível que preenchia o papel. Deixou-se cair na cama de Krusty, sem ter ideia de qual seria o melhor modo de agir naquele momento, e ao mesmo tempo tentando não perder a razão e o bom-senso – Você passou dos limites, Palhaço! – falou para si mesma, enxugando uma lágrima que escorreu pelo seu rosto, decidindo-se sobre o próximo passo que deveria tomar. Se Coringa queria guerra, era exatamente isso o que ele teria! E mesmo que Alice se julgasse completamente incapaz de medir forças com o psicopata, ainda assim entraria em seu joguinho sórdido e faria questão de lhe dar muito trabalho.

– Levantou tão cedo por quê? – Logan franziu o cenho ao ver uma Alice pálida andando de um lado para o outro da casa, parecendo perdida nos próprios pensamentos.

– Não foi nada – Alice deu um enorme sorriso falso, porém convincente – Krusty não passou muito bem essa noite, e eu fiquei com ele até que pegasse no sono, mas agora quem não consegue dormir sou eu... – mentiu, ampliando ainda mais o sorriso.

– Krusty não está bem? – Logan pareceu preocupado – acho que eu vou vê-lo antes de sair para o trabalho, então... – disse, começando a caminhar na direção do quarto do pequeno garoto.

– Não! – a hippie alterou a voz, e o psiquiatra virou-se em sua direção, intrigado pelo modo estranho com que ela estava agindo – é só uma dorzinha de barriga, ele logo ficará bem! Melhor nem ir lá, só agora ele conseguiu dormir, e eu odiaria que ele acabasse acordando...

– Bom... tudo bem, então! Mas se ele piorar, me avise...

– Pode deixar! – Alice sorriu mais uma vez, acompanhando Logan até a porta – Bom trabalho – disse, dando um beijo rápido de despedida em seus lábios e praticamente o despachando para fora de casa. O sorriso morreu do rosto da hippie quando o médico finalmente sumiu de vista, dando lugar a uma expressão dura e decidida.

E agora viria a parte mais difícil e dolorosa de seu plano...

Alice pegou a primeira folha e caneta que viu, sentando-se à mesa e começando a rabiscar, com pressa, o papel que antes era perfeitamente branco. À medida que a hippie escrevia, sentia os olhos arderem e se odiava cada vez mais por cada palavra impressa naquele papel cruel e repleto de mentiras.

“Logan, quando você estiver lendo essa carta, eu já estarei bem longe com Krusty. Antes de qualquer coisa, queria que você soubesse que eu sou infinitamente grata por tudo o que fez por mim e pelo meu filho, e espero sinceramente que algum dia você possa me perdoar. Resolvi ir embora, pois não posso mais continuar vivendo esse teatrinho de ‘família feliz’ que nós montamos, e percebi que você estava certo quando disse que não corríamos mais o risco de sermos encontrados por Coringa e seus capangas... agora que o perigo passou, não vejo mais razão alguma para dar continuidade a isso. Por favor, não nos procure. Será bem melhor para nós dois ficarmos longe um do outro, e eu espero que você respeite essa minha escolha! Eu já o esqueci, e sugiro que faça o mesmo.”

Ela deixou o bilhete em cima da mesa, lançando um olhar triste ao pequeno papel, e imaginando a reação de Logan ao lê-lo... mas a hippie sabia que aquela era a única escolha sensata que podia tomar. Já estava mais do que na hora de encarar sozinha as consequências de seus atos, e quanto menos envolvesse Logan nisso, mais seguro ele estaria...

Alice juntou apenas algumas peças de roupa, sem querer perder muito tempo naquela casa, já imaginando as coisas terríveis que Coringa podia estar fazendo com o próprio filho. As torturas psicológicas, que ele tanto adorava, e que certamente destruiriam seu filho, era o que mais preocupava a hippie no momento. Sabia que o Palhaço não o machucaria fisicamente, pelo menos não até que Alice chegasse ao local marcado para presenciar a cena.

Antes que pudesse sair pela porta – sabendo que nunca mais voltaria a entrar naquela casa – Alice olhou com pesar para os cachorros que dormiam próximos uns aos outros. Apenas Satanás estava acordado, sentado em cima do tapete com a cabeça inclinada e os olhos fixos na dona, como se soubesse que nunca mais iria vê-la. A hippie contemplou por mais alguns breves segundos aquela imagem triste, e finalmente ultrapassou a porta, sentindo todo o vazio da perda e do abandono pesarem em seu peito. Até mesmo Sam, que sempre esteve ao seu lado, agora foi deixada para trás, para sempre.

E agora, a segunda parte de seu plano, que acabaria de vez com o seu orgulho... mas por Krusty, Alice seria capaz de fazer qualquer coisa!

Chegando ao aeroporto, a hippie comprou uma passagem para o primeiro avião com destino à Gotham – com destino ao seu passado – implorando mentalmente para que sua identidade falsa não a denunciasse no momento em que embarcasse.

– Identidade e passagem, por favor! – um funcionário com uniformes largos e cara de tédio pediu, sem nem ao menos olhar para a hippie.

– Um minuto – Alice respondeu, revirando a bolsa em busca do documento, rezando para que o homem não fosse capaz de ouvir o medo que se traduzia nas batidas altas de seu coração – Aqui está – ela entregou a identidade falsa e a passagem recém-comprada para o homem entediado, tentando cobrir o rosto da melhor maneira que seus cachos permitiam.

– Paola Bracho? – o segurança franziu a testa, estranhando o nome impresso no documento, e finalmente olhando para Alice com mais atenção.

– O senhor tem algum preconceito com descendentes de mexicanos? – Alice desafiou-o, sabendo que naquele momento a melhor defensiva seria o ataque – por acaso o senhor não viu que eu sou uma cidadã americana? – apontou para a nacionalidade inscrita no documento – Agora eu serei barrada no aeroporto apenas por que meu pobre pai foi seduzido pelos encantos de uma latina que adorava assistir “A Usurpadora”? Isso pode terminar em um processo para o senhor, sabia? E casos como esses sempre terminam em cadeia, ou pelo menos em uma gorda multa por danos morais...

– Me desculpe, senhorita, não era minha intenção parecer ofensivo! – ele disse de imediato, alterando completamente a sua postura diante da hippie – Pode passar – o segurança devolveu os documentos de Alice, permitindo a sua entrada no avião, receoso de que aquela estranha mulher acabasse levando o caso até a justiça.

– Obrigada! O senhor é muito gentil! – a hippie disse por cima dos ombros, dando passos largos até o avião. Quando finalmente sentou-se na poltrona marcada, massageou as têmporas, suspirando de alívio – Eu devia ter escutado o Logan quando ele disse que ‘Paola Bracho’ não era um bom nome... – resmungou baixinho, admirando a paisagem através da janela do avião, aflita por saber que tudo o que lhe restava agora era esperar – ainda bem que ele não seguiu o meu conselho quando eu sugeri que ele colocasse ‘Wolverine’ na identidade dele...

Aquelas poucas horas dentro do avião não podiam ter sido mais angustiantes. Saber que seu filho estava à mercê da loucura de Coringa, enquanto tudo o que ela podia fazer no momento era permanecer sentada naquela poltrona confortável, era um tanto enlouquecedor.

Alice mal conseguiu esperar até que o avião pousasse. Ao reconhecer a cidade de Gotham ao longe, a vontade que teve foi de arranjar um paraquedas e descer ali mesmo. A hippie levantou-se, sentindo que cada parte de seu corpo estava alerta a tudo que a rodeava...

– Por favor, senhora, mantenha-se sentada enquanto o avião se prepara para pousar! – uma comissária de bordo ruiva e cheia de sardas abaixo dos olhos pediu, apontando para o aviso de 'Aperte os cintos' com um sorriso simpático.

– Vai demorar muito para aterrissar? – Alice perguntou, ainda em pé.

– Nós já estamos sobrevoando os arredores de Gotham, mas eu devo pedir que a senhora sente-se e recoloque o cinto de segurança.

A hippie assentiu e aconchegou-se novamente na sua poltrona, concentrando-se em manter a calma até que pudesse, por fim, descer daquele maldito avião e parar de se sentir uma completa inútil ali dentro, a impotência sufocando-a como um claustrofóbico preso a um cubículo.

Passados mais alguns minutos agonizantes, e Alice finalmente estava em chão firme, repassando mentalmente cada pequena providência que deveria tomar enquanto praticamente corria pelo aeroporto.

Entrou apressada em um dos poucos táxis que ainda estavam livres, indicando o endereço final assim que fechou a porta – prometendo uma gorjeta adicional caso ele conseguisse chegar ao destino em menos de vinte minutos. O motorista não respondeu com palavras, porém arrancou o carro bruscamente, ganhando velocidade pelas ruas movimentadas de Gotham.

O taxista costurava com velocidade por cada brecha que encontrava pela estrada, parecendo tão concentrado em seu destino quanto a própria Alice, que nem por um momento desviou os olhos do caminho que lhe era extremamente familiar...

Depois de dezesseis longos minutos, Alice viu-se diante da majestosa e imponente Mansão Wayne, hesitando brevemente ao sair de dentro do táxi parado. Respirou fundo, tentando encontrar novamente a coragem que a havia movido até aquele lugar que lhe proporcionava tantas lembranças díspares...

A hippie jogou apressadamente algumas notas por cima do banco do motorista, e em seguida saiu do carro, seguindo em direção à enorme fortaleza que era aquela mansão. Viu o táxi dar meia volta e sumir rapidamente de vista, e a solidão que a envolveu foi o estímulo que faltava para que Alice voltasse a caminhar de encontro à mansão.

Tocou o interfone, sentindo uma súbita falta de ar envolver seu corpo trêmulo, mas apesar de todas aquelas reações desfavoráveis de seu sistema nervoso, manteve-se firme diante do enorme portão que a separava de sua melhor esperança naquele momento.

– Pois não? – a voz aveludada e extremamente educada de Alfred invadiu os sentidos auditivos da hippie, e o som quase foi capaz de reconfortá-la.

– Alfred... – Imediatamente a figura do rosto do mordomo formou-se na cabeça de Alice, arrancando-lhe um sutil sorriso de nostalgia. Porém, aquele pequeno devaneio foi embora com a mesma rapidez com que apareceu, e sua voz passou a exalar urgência – Alfred, eu preciso falar com Bruce!

– Quem gostaria? – ele perguntou, na dúvida. Alice deu um sorriso triste ao ser invadida pela sua nova realidade. Ela não pertencia mais ao mundo de Bruce e Alfred, e esperar que o mordomo a reconhecesse apenas pela sua voz, depois de quase quatro anos de ausência, era realmente ridículo de sua parte – Alice? – Alfred indagou, para a completa surpresa da hippie, tão baixo e tão admirado que ela soube exatamente qual seria a expressão do mordomo. Percebeu a pequena câmera encarando-a vivamente, e soube que o mordomo a via através da lente.

– Sim – ela sorriu brevemente para o interfone, concentrando-se novamente no seu real objetivo ali – Alfred, você pode perguntar ao Bruce se ele pode me atender agora?

– Só um minuto – sua voz foi cortada, e em poucos minutos Alice viu o mordomo aproximando-se do portão, iluminando o rosto com um de seus sorrisos afáveis e paternais – Alice! – ele alargou o sorriso, abrindo imediatamente o portão para que ela entrasse.

– Como vai, Alfred? – ela perguntou, dando-lhe um abraço apertado, e aconchegando-se nele. Era como abraçar o pai que ela nunca teve, e a sensação protetora que experimentava com Alfred foi capaz de tranquilizá-la enquanto aquele abraço se manteve.

– Eu estava prestes a lhe perguntar a mesma coisa – disse, olhando com intensidade diretamente para os olhos cansados da hippie, como se pudesse decifrá-la.

– Eu estou bem – mentiu, sorrindo o melhor que podia – só que eu estou com um pouco de pressa, será que eu posso falar um instante com o seu patrão?

– Infelizmente isso não será possível... Patrão Bruce está em uma viagem de negócios, e só voltará amanhã pela manhã!

– Bruce não está? – Alice passou a mão pelo próprio cabelo, sentindo o desespero começar a invadir cada pequena parte de seu corpo.

– Eu posso ajudá-la? – o mordomo perguntou, parecendo preocupado.

– Não... – a hippie respondeu, com os olhos desfocados – não pode... desculpe, Alfred, eu preciso ir! – e sem mais nenhuma palavra trocada, antes que Alfred pudesse perguntar qual era o motivo de sua aflição, Alice sumiu rapidamente do campo visual do mordomo, indo de encontro à sua própria sorte.

Alice apenas deixava que os seus pés a guiassem pelas ruas de Gotham. Não prestava a menor atenção ao caminho que eles faziam, apesar de saber que a levavam para o lugar certo... era um movimento extremamente mecânico, sem qualquer participação consciente de seu corpo. Sua mente estava em um lugar bem distante dali, dividida entre Bruce e Krusty! Todo o plano de ação que bolou para resgatar o filho envolvia a participação de Batman... Alice havia pensado em cada pequeno detalhe, porém nem sequer cogitou a hipótese de não poder contar com a ajuda do Morcego. A hippie sabia exatamente como deveria proceder, até o momento em que o Cavaleiro das Trevas assumisse o controle da situação, e agora tudo estava perdido...

Alice tinha plena consciência de que não era capaz de enfrentar Coringa sozinha e ainda conseguir que seu filho permanecesse em segurança. Não, o único que realmente podia bater de frente com o Palhaço era Batman, e sem ele, a hippie não tinha a menor chance de sucesso!

Estava completamente sozinha agora, muito mais do que nunca esteve antes. Mesmo em meio à pequena multidão que caminhava ao seu lado e que a cercava nas ruas, era como se Alice fosse o último ser humano que ainda habitava essa terra vil e repugnante. E tudo o que mais ansiava naquele momento, era desprender-se daquela realidade tão mórbida que fazia questão de sugar até a última gota de sua energia vital.

Mas ainda havia Krusty... ele era o único motivo pelo qual valia a pena continuar tentando. Alice sabia que, até então, tudo o que fizera foi falhar como mãe, mas desta vez seria diferente! Faria o possível, e até mesmo o impossível, pela segurança de Krusty, e nem mesmo o Palhaço poderia impedi-la disso.

Foi em meio àqueles pensamentos que Alice reconheceu um homem na multidão, tentando camuflar-se a ela, mas sendo incapaz de fazê-lo. Era um dos capangas de Coringa que a havia sequestrado, levando-a para o mesmo galpão abandonado que agora era o cárcere de Krusty. Seus olhares se cruzaram, e a hippie manteve o contato visual, com a postura decidida de quem não tem mais nada a perder. O capanga caminhava em sua direção, com um sorriso quase tão doentio quanto o de seu chefe.

– Você é rápida! – ele disse quando já estava perto o suficiente da hippie – eu quase a perdi no aeroporto.

– Então Coringa mandou um de seus cachorrinhos me seguir? – Alice provocou-o com desprezo.

– Se o Chefe não fizesse tanta questão de cuidar pessoalmente de você, eu mesmo teria um enorme prazer em terminar o serviço – sua voz era tão baixa quanto ameaçadora, assim como o seu olhar.

– Vamos acabar logo com isso, Aprendiz de Palhaço! Me leve de uma vez até o seu chefe.

O capanga olhou a hippie com repugnância ao segurar rudemente seu braço e puxá-la em direção a uma Van branca porcamente estacionada. Antes que Alice pudesse protestar, já estava dentro do carro, massageando o braço. O capanga entrou logo em seguida, acomodando-se no banco do motorista.

– Coloque isto! – ele ordenou, jogando uma venda no colo de Alice, que olhou intrigada para o pedaço de pano.

– É sério? – perguntou, erguendo o tecido encardido com uma das mãos, sem entender o motivo de vendar os próprios olhos... Afinal, Alice sabia chegar até o galpão abandonado em que Coringa a esperava! Aquela venda não fazia o menor sentido...

– Ou você coloca, ou eu mesmo faço isso – disse, impaciente, ligando o motor do carro.

Alice revirou os olhos antes de envolvê-los pelo tecido e dar um nó frouxo sobre os seus fios de cabelo. O capanga bufou, inclinando-se por cima da hippie e apertando a venda o máximo possível, tornando impraticável qualquer ínfima chance que ela tinha de enxergar alguma coisa ao seu redor. Enquanto o capanga estava praticamente deitado sobre Alice apertando aquele maldito nó, a hippie foi invadida pelo cheiro fétido de suor que exalava do homem. Ela virou o rosto na direção de um de seus ombros, tentando impedir a passagem daquele ar podre para dentro de seus pulmões.

– Isso é realmente necessário? – Alice perguntou, quando ele finalmente não estava mais tão próximo, sem nem ao menos conseguir franzir a testa por conta do aperto excessivo da venda. O homem não respondeu, apenas manteve-se concentrado em dirigir com uma velocidade exagerada.

Mas a rapidez do automóvel nem de longe incomodava Alice... na verdade, era reconfortante saber que quanto mais os pneus cantavam, mais a distância entre ela e o seu filho diminuía. A hippie sentiu um arrepio ao pensar no filho e na possibilidade de falhar mais uma vez como mãe! Somente a consciência de que qualquer erro de sua parte poderia resultar em consequências desastrosas faziam com que Alice perdesse ainda mais o pouco de autoconfiança que ainda lhe restava.

E aquela venda... o que diabos aquilo significava afinal? Por que ser submetida a isso se a hippie sabia exatamente para onde a estavam levando? Ou talvez aquilo não passasse de mais uma hostilidade grátis vinda do Palhaço? Algo para deixar bem claro que ela sempre seria submissa a ele...

Alice não duvidou nem por um segundo da veracidade daquela constatação! Era a cara de Coringa agir desse modo, apenas para intimidá-la... como se não bastasse ter o filho da hippie nas mãos, ainda por cima queria fazer o que fosse preciso para que ela se sentisse o mais subjugada possível.

Sua cabeça latejava, tanto por culpa da venda – que de tão apertada chegava a enrugar a pele de Alice – quanto por culpa de todas aquelas preocupações que rondavam a sua mente e não a deixavam em paz por um segundo sequer. A hippie levou a mão até o pano que envolvia seus olhos, tentando afrouxá-lo um pouco, e em resposta recebeu um sonoro tapa no braço.

– Não mexa aí! – foi tudo o que o capanga disse.

– Isso está mais apertado do que o cinto do Senhor Barriga... – Alice protestou, mas o homem nem se deu ao trabalho de responder. Mesmo sem ser capaz de ver a feição do homem, a hippie sabia que ele sorria de contentamento pelo desconforto da refém.

Passados longos minutos, o carro ainda estava em movimento, e Alice começou a estranhar aquele atraso... não estavam tão longe do centro da cidade para demorarem tanto, ainda mais naquela velocidade. Mas tudo aquilo também pareceu ser a cara de Coringa. A hippie até podia imaginar o Palhaço dando as ordens ao seu capanga com seu típico sorriso cruel no rosto: “Faça o caminho mais longo! Deixe-a bem impaciente antes de trazê-la aqui...”

– Como o meu filho está? – ela não conseguiu mais conter a pergunta que não calava em sua mente, porém nenhuma resposta foi pronunciada. E naquele momento, Alice daria qualquer coisa para poder ver a expressão do homem e tirar suas próprias conclusões.

Alice respirou fundo algumas vezes, tentando não se deixar atingir tão rápido por toda a teia de torturas psicológicas em que Coringa já tentava aprisioná-la. A hippie sabia que, assim como um cachorro, o Palhaço sabia farejar o medo que exalava das pessoas, e por mais que esse sentimento estivesse dentro de si, a vontade de ver seu filho em segurança novamente era muito maior do que qualquer covardia, e essa era toda a coragem que ela precisava para dar continuidade à toda aquela loucura em que ela mesma se colocou.

A Van parou bruscamente, fazendo com que Alice fosse jogada para frente em seu desequilíbrio. O capanga saiu do carro e escancarou a porta ao lado da hippie, puxando mais uma vez o seu braço com força exagerada, só que dessa vez no sentido oposto, tirando-a do veículo.

– Já posso tirar essa maldita venda? – perguntou, esforçando-se para acompanhar o ritmo acelerado do homem, que a conduzia sem a menor delicadeza por um caminho totalmente tortuoso.

Mais uma vez, ele não respondeu, apenas intensificou o aperto no braço da hippie, como uma ameaça caso ela tentasse tirar o pano dos olhos.

Eles deram mais alguns passos, e logo que Alice sentiu o aperto em seu braço finalmente soltar-se, uma mão lhe deu um empurrão forte nas costas, fazendo com que ela caísse no chão em meio aos próprios tropeços. Alice pôde sentir a pele sendo rasgada na região dos joelhos e das mãos – que serviram de apoio ao cair – mas em momento algum deu qualquer demonstração da dor que sentiu. Naquele momento, o seu orgulho era a única coisa que lhe restava.

– Aí está, Chefe! – o capanga disse, adotando um tom respeitoso, ou talvez temeroso, ao se dirigir a Coringa.

– Ótimo – a voz fria e sedutora do Palhaço, que Alice conhecia tão bem, preencheu o espaço, criando um sutil eco pelo ambiente – o que está esperando, seu inútil? Saia já daqui! – o capanga obedeceu em silêncio, e logo os dois já estavam completamente sozinhos.

Alice ouviu os passos pesados de Coringa cada vez mais próximos dela, e não ousou mover um único músculo enquanto sentia a aproximação do psicopata.

– Então... – ele começou a dizer, e a hippie sentiu seu corpo ser erguido do chão, até que ela ficasse novamente de pé. A mão fria de Coringa escorregou pelo seu rosto, tirando a venda que cobria os olhos de Alice. O lugar era escuro, mas logo a sua visão se acostumaria àquele breu – você finalmente se deu conta de que Gotham é o seu lugar – ele disse, cinicamente.

– Você só pode estar brincando – ela riu – vamos acabar logo com isso! Talvez ainda dê tempo de ir ver o filme do Pelé...

– Acabar? – franziu o cenho, inclinando de leve a cabeça – Mas eu ainda nem comecei... – ele gargalhou, tirando um canivete de um dos bolsos internos de seu paletó roxo – você pode imaginar como me aborreceu a sua fuga com aquele seu namoradinho? – disse com escárnio, rolando o canivete entre os dedos com uma habilidade e rapidez que prenderam a atenção de Alice por um tempo.

– Eu já estou aqui, como você queria, agora vamos ao que interessa!

– Apressadinha você... – Coringa arqueou a sobrancelha, aproximando-se ainda mais – mas eu estou com uma dúvida persistente que quase não me deixa dormir à noite... – ele olhou para cima, fingindo estar pensativo – o que a fez pensar que você poderia se livrar de mim? Aliás, melhor ainda – sorriu, reformulando a pergunta – o que a fez acreditar que você era páreo para medir forças comigo, me desafiando com essa fuga ridícula?

– Durante quatro anos eu provei que posso ser melhor do que você – Alice também se aproximou, encarando os olhos intensos e faiscantes de Coringa – é tempo demais para alguém que se julga tão impassível a erros, não acha?

Coringa soltou uma gargalhada sonora, e Alice quase havia esquecido o quanto esse som podia ser irritante.

– Você realmente acha que conseguiu me evitar todo esse tempo por competência própria? – riu ainda mais alto – ou você é muito idiota, ou as suas piadas finalmente estão melhorando...

– Do que você está falando? – Alice perguntou, sem entender.

– Ah, Docinho – o psicopata segurou uma mecha do cabelo castanho de Alice, ainda rindo – Batman esteve te vigiando por todo esse tempo, seguindo cada passo seu, arrumando cada erro que você deixava para trás... se não fosse por ele, sua fuga não teria durado mais do que dois dias!

– O Batman? – a hippie perguntou, sem conseguir acreditar.

– E isso me leva a outra questão que também está atrapalhando o meu sono – sua voz adquiriu novamente o tom de ameaça – essa preocupação exagerada que o Morcego tem com você... – Coringa gesticulou com uma das mãos, e com a outra apertou a ponta de seu canivete próximo ao umbigo da hippie – me faz ter a leve impressão de que vocês são bem próximos – ele concluiu, quase gritando de ódio, e enfiando o metal cortante através da pele de Alice, sem prévio aviso. Ela urrou de dor, afastando-se cambaleante do Palhaço e levando a mão até o ferimento, que já jorrava sangue.

– Isso é ridículo – Alice riu, tentando disfarçar o nervosismo e a dor lancinante – eu sei tanto sobre o Batman quanto você!

– É mesmo? Por que será que eu não acredito nisso? – o Palhaço aproximou-se novamente, segurando entre seus dedos o canivete que agora estava tão vermelho quanto o ferimento de Alice.

– Espere – ela pediu, suplicante, já prevendo que um novo golpe viria.

– Vai implorar pela sua vida? – ele sorriu cruelmente, sentindo um prazer inexplicável com aquela situação, e saboreando intensamente cada pequena evidência de medo que via refletido através dos olhos de Alice.

– Não... não... – a hippie disse, sentindo dificuldade em manter o peso de seu corpo ereto. Caiu novamente, incapaz de controlar as próprias pernas trêmulas, e permaneceu com as costas apoiadas na parede, vendo Coringa se aproximar com um ar triunfante no rosto – eu só peço que você me deixe falar com Krusty, só por alguns minutos...

– Um último pedido... – o Palhaço sorriu – Interessante... mas infelizmente isso não está ao meu alcance, sinto muito! – riu, ajoelhando-se para ficar na mesma altura da hippie, e em seguida colocou a lateral do canivete próximo à sua boca pálida – isso é para que você entenda que quem decide quando tudo acaba sou eu, Docinho! – com o canivete manchado de sangue, Coringa desenhou um sorriso vermelho no rosto de Alice.

– É claro que está ao seu alcance! – irritou-se, juntando o pouco de energia que ainda restava – Você trouxe Krusty até aqui, me deixou um recado dizendo que se eu quisesse vê-lo de novo deveria voltar para Gotham! Pois bem, eu voltei, e agora quero que você cumpra a sua parte no acordo e me deixe ver o meu filho!

– Do que você está falando? Já está delirando, Docinho? – Coringa mantinha a testa franzida, e sua expressão era confusa, apesar de sempre tentar mantê-la impenetrável.

– Você sequestrou meu filho – Alice disse, com a voz tingida pelo desespero – e você vai ter que me deixar vê-lo!

– E eu que pensei que você seria mais resistente à dor – o Palhaço balançou a cabeça em sinal de reprovação, e a hippie percebeu que ele realmente não sabia do que ela estava falando. Ela segurou a gravata verde de Coringa, praticamente colando o seu rosto com o dele.

– Krusty está aqui ou não?

– Bem que eu adoraria ter sequestrado o seu filho, mas dessa vez eu sou inocente – ele deu um sorriso angelical, como se colocar a sua pureza em dúvida fosse uma heresia.

– Então nós não estamos naquele galpão abandonado que fica no centro da cidade? – Alice perguntou entre arfadas dolorosas de ar.

– Você acha mesmo que eu ia continuar trabalhando no mesmo lugar de quatro anos atrás? – o psicopata a encarou como se ela fosse uma completa idiota.

Alice olhou a sua volta, desesperada, procurando por qualquer sinal de familiaridade naquele lugar escuro, mas tudo ali soava estranho, não havia nenhum indício de reconhecimento por parte da hippie... mais uma vez, ela conseguiu estragar tudo!

– Mas se não foi você – Alice começou a pensar alto – então quem sequestrou o meu filho?

– Sinceramente, eu não dou a mínima! O único pesar que eu tenho nessa história é saber que eu não vou poder te atingir através do menino, porque provavelmente alguém vai matá-lo antes de mim...

Alice, apesar da dor, apoiou-se na parede e sustentou novamente o corpo com suas pernas fracas.

– Você precisa me ajudar – sentiu os olhos marejarem à medida que via a satisfação do psicopata. Para ele, ver Alice implorar e fazer aquele papel repugnante era muito mais do que prazeroso. Ele finalmente havia atingido o seu orgulho, a única coisa que ela fazia questão de manter intacta dentro de si, agora escorria pelo ralo.

– Talvez você devesse pedir ajuda àquele psiquiatrazinho... como pai, ele tem obrigação de zelar pela segurança do filho! Onde ele está agora, quando você mais precisa dele? – o sorriso do Palhaço aumentava conforme ele atacava a hippie com suas palavras.

Aquela era a hora! Alice não soube exatamente o que a incentivou a contar a verdade ao psicopata, ela simplesmente saiu de seus lábios antes que a hippie fosse capaz de contê-la. Alice havia prometido a si mesma que ninguém mais – muito menos Coringa – saberia sobre a verdadeira origem de Krusty, mas ao verbalizá-la ao Palhaço, a hippie sentiu como se estivesse apelando para um lado bom de Coringa, que seria sua melhor e última esperança.

– Você é o pai do Krusty – Alice disse, e por alguns milésimos de segundo foi capaz de ver uma sombra percorrer os olhos de Coringa, antes que ele recompusesse sua máscara hostil e impenetrável novamente. Talvez aquela sombra fosse o seu lado bom... mas estava mais do que claro que a essência ruim de Coringa sempre ganharia essa batalha, e imediatamente Alice soube que aquele argumento seria completamente inútil para conseguir a sua ajuda.

– Você realmente acha que pode me manipular com uma mentira dessas? – riu, mas pela primeira vez desde que Coringa entrou na vida de Alice, esse riso tinha uma leve pontada de dúvida.

– Sabe, é difícil acreditar que você foi o espermatozoide mais esperto... – a hippie riu baixinho, e o gesto fez com que a dor de seu ferimento ficasse ainda mais insuportável – você simplesmente ignorou todas as evidências que praticamente berram que o Krusty é seu filho... a começar por esse nome que eu escolhi! Jura que nunca passou pela sua cabeça que você era o pai? – Alice fez uma pausa, esperando pela resposta, mas ela não veio – o garoto é simplesmente a sua cara! Por que você acha que eu fugi daquele jeito com Logan? Se as autoridades sequer desconfiassem da minha gravidez, eu nunca mais seria livre de novo.

– Um laço genético não significa nada pra mim – ele deu de ombros, e Alice já esperava por esse tipo de reação, mas mesmo tendo certeza dessa indiferença do Palhaço, a pouca esperança que ainda existia dentro dela finalmente se apagou ao ouvir aquelas palavras saindo de sua boca de forma tão apática – você achou mesmo que eu me sensibilizaria por algo tão hipócrita quanto a paternidade? – riu da cara da hippie.

– Não. Você não é homem o suficiente para ser pai – Alice viu o ódio no rosto de Coringa, e mais uma vez o canivete ficou em uma posição ameaçadora, mas isso não intimidou a hippie, e ela continuou falando – por isso eu proponho um acordo. Uma troca justa de favores.

– Que tipo de pagamento você pode me oferecer pela minha ajuda? – ele gargalhou novamente – você não aguentaria arcar com o meu preço!

– Eu posso lhe dar aquilo que você mais deseja – disse, odiando a si mesma por cada palavra, e mais ainda pelo que estava prestes a fazer.

– É mesmo? – perguntou, achando graça – e o que seria essa oferta irrecusável? – o tom de Coringa era sarcástico.

– Você tinha razão – disse, ainda com a mão sobre o ferimento ensanguentado – eu conheço a verdadeira identidade do Batman, e se você me ajudar a salvar o meu filho, esse segredo também será seu.

Coringa estancou, e o sorriso desapareceu brevemente de seu rosto.

– Como eu posso saber que isso não é um blefe? Parece muito conveniente que eu te ajude a salvar o seu filho e como pagamento receba o nome de qualquer um, que nem de longe poderia ser o Batman.

– Bom, você mesmo chegou à conclusão que eu sabia sobre a verdadeira identidade do Morcego. E você não tem escolha! Você precisa acreditar na minha palavra, porque o fato de eu falar a verdade sobre o real rosto do Justiceiro Mascarado me transforma naquilo que você sempre quis que eu fosse. Me transforma em alguém como você. Então, não acreditar em mim é o mesmo que declarar a sua incompetência!

Coringa ficou um tempo em silêncio, como se digerisse as palavras sensatas de Alice.

– Ou eu posso te torturar até você me contar o que sabe, sem precisar me dar ao trabalho de te ajudar com o moleque.

– Faça isso, então, mas saiba que sem a sua ajuda eu não tenho a menor chance de conseguir salvar Krusty, e nenhuma outra razão que não seja o meu filho vai me fazer revelar a identidade do Morcego. Você iria me torturar até não poder mais, e a verdade morreria junto comigo. Eu não estou pedindo nada de extraordinário em vista do prêmio que irá receber depois de me ajudar...

– O Batman sem a proteção de sua máscara, e em troca eu a ajudo com o seu filho... – Coringa deu um largo sorriso para si mesmo, e o motivo daquele sorriso não era apenas por causa da inevitável queda de seu arqui-inimigo... grande parte do contentamento do Palhaço vinha da transformação de Alice. Finalmente ela estava começando a deixar seus escrúpulos de lado em prol dos próprios interesses. Por mais que aquele seu interesse tivesse um fundo nobre, nada seria capaz de justificar a traição que ela estava prestes a cometer. Por fim, Alice estava pronta para se tornar sua parceira!

Notas finais
Poooobre Alice, cada vez mais ferrada! E aí??? Quero reviews!!! x)