Notas iniciais
Espero que gostem e um "sejam bem-vindas" especial para minhas novas leitoras ^^

–Quem está aí? –Ouvi a voz de alguém rasgar o ar gelado.

Minha roupa parecia ter pregado em todo o corpo e o corpo parecia ter pregado no chão. Eu só queria morrer ali e tinha certeza que seria melhor do que morrer nas mãos do Lorde das Trevas, que não teria piedade em abrir mão de uma morte lenta, dolorosa e “divertida” aos olhos dele. Pelo menos, por um segundo, eu havia esquecido o peso que carregava sobre as costas. Mas agora ela havia voltado à tona, quando Luna a “esfregou” na minha cara.

Meu rosto parecia ter inchado e eu sentia os cabelos grudados na testa com suor enquanto respirava a baforadas que eram visíveis como vapor branco acima da minha cabeça.

E então algo quente e pegajoso melecou toda a minha bochecha. Se eu estivesse ao menos um pouco estável, teria saltado no exato momento em que senti aquela língua enorme na minha bochecha. Mas não me importava com aquilo. Eu simplesmente não me importava com mais nada.

–Malfoy? –Ouvi aquela voz grave e familiar. Hagrid. –O que está fazendo aqui? Foi atacado? –Ele tirou seu grande cachorro de cima de mim, a voz baixa e assustada.

Dei um longo suspiro. “De volta à encenação”.

–Não, senhor. Eu estou bem. –Falei, ainda contemplando o céu acima de minha cabeça.

–Está sob o efeito de bebidas, Malfoy? –Ele perguntou se agachando ao meu lado. Mesmo agachado ainda era mais alto do que um bruxo comum. –Está tão pálido. Parece morto. –Concluiu em tom sombrio.

“Quem me dera”.

–Não estou sob efeito de nada, Hagrid. –Senti seu braço me içar para cima e tive de me conter para não protestar porque sabia que minha voz iria sair como uma lamúria.

–Vou te levar para o castelo, certo?

Respondi com um gemido.

Depois de um tempo, sendo carregado com os pés a um centímetro do chão, Hagrid perguntou, a voz muito baixa:

–Alguém te fez algo?

–Não, não. –Balbuciei enquanto descíamos as escadas para as masmorras, chacoalhando. –Eu fiz isso a mim mesmo. –Sorri debilmente.

Hagrid me olhou mais uma vez como se perguntasse “Está sob efeito de bebidas?”. Apenas expandi o sorriso. Uma vez deixado na frente da porta, passei as mãos nas roupas tentando ficar apresentável quando ouvi a voz de Hagrid:

–Por nada, Malfoy. –Falou em um falso tom suave.

Reunindo o máximo de dignidade que me restava, falei:

–Obrigado, Hagrid. –Minha voz escapou entre dentes e em tom rude, mas ele parecia satisfeito o bastante.

Me virei para a porta e balbuciei a senha:

–Serpentina.

A porta se abriu rapidamente. No Salão Comunal, estirada em um sofá, Pansy jogava snap explosivo com Goyle e, ao me ver, seu rosto inchou de fúria.

–O que estava fazendo até agora com a di-Lua? Sabe que horas são? –Ela falou em sua voz aguda, jogando os cabelos lisos para trás e então franzindo o cenho dramaticamente. –Está molhado, Draco Malfoy?

Bufei alto.

–Não é de sua conta o que eu faço ou deixo de fazer, Parkinson.

Goyle me olhou por um momento por cima de suas cartas, mas eu já estava subindo a escada em espiral para os dormitórios.

Arranquei a camiseta sem nem ao menos olhar ao redor, deixando a Marca visível. Se alguém a visse, eu também não me importaria. Enchi rapidamente uma banheira com água quente e enquanto deixava o líquido me esquentar, me convencia mentalmente de que conseguiria aguentar mais algum tempo. Eu tinha de aguentar.

Quando fui dormir, tive sonhos pontuados por Avadas sendo lançados em minha direção e Luna choramingando na minha frente...

POV Luna

Eu não tenho nada a ver com isso, pensei enquanto agitava, entediada, a varinha na minha frente.

–Ei! –Gina chamou, me fazendo parar. –Olha o que está fazendo! –E então indicou vários passarinhos amarelos que piavam ao redor de minha cabeça.

–Ah. –Murmurei. –Eles são tão fofinhos, não são? –Dei um pequeno sorriso para ela.

Gina estreitou os olhos claros.

–Você está tão estranha, Luna Lovegood. –Ela repuxou os cantos dos lábios, mas não era um sorriso.

–Será que você só percebeu isso agora, Gina Weasley? –Quis saber com meu primeiro sorriso sincero desde que havia deixado Draco no lago.

Ela riu alto e continuamos falando sobre o baile. Gina havia sido convidada por Harry e nós discutíamos qual seria o melhor vestido para a ocasião.

–Eu realmente gosto daquele seu vestido verde... –Falei por fim.

–Aquele que imita o movimento de grama ao vento? –Ela perguntou franzindo o cenho.

–Sim. Ele também tem um cheiro muito bom de grama recém-cortada. –Respondo sorrindo.

Gina olhou para cima, como se visualizando o vestido em sua mente e então assentiu:

–Certo, o vestido verde então! –Ela sorriu.

–Um bilhete para a Srta. Lovegood e outro para a Srta. Weasley! –Anunciou um garotinho que devia ter onze anos e veio andando até nós, tropeçando nas próprias vestes.

Gina franziu o cenho, olhando para mim e pegando o bilhete. Eu fiz o mesmo, segurando uma exclamação quando vi um papel pardo onde se lia “Querida Luna”. “Não pode ser o Malfoy, não pode ser o Malfoy...”

Em uma letra miúda e apertada, o bilhete se estendia por mais duas linhas daquela estranha caligrafia:

“Olá! Sei que nos conhecemos há pouco tempo e você me vê apenas como amigo, mas estive pensando se gostaria de ir ao baile comigo? Não veja isso como um grande compromisso.

Neville Longbottom.”

Senti o rosto corado enquanto erguia o rosto e ouvia Gina praguejar:

–Acredita que Dino Thomas me mandou um convite para o baile? Será que ele nunca vai superar? Pelas plicas de Merlim! –E então olhou para mim – Quem lhe mandou um bilhete, Luna?

–Neville Longbottom. –Falei com um sorriso suave. –Me convidou para o baile.

–Ah! Neville é um ótimo garoto! –Ela disse de modo sinceramente feliz –Luna, Luna, Luna... Você atrai pessoas muito diferentes. –E então me lançou uma piscadela antes que nos levantássemos.

Eu não havia pensado nisso ainda. Draco Malfoy e Neville Longbottom. Quais eram as probabilidades? Certo, não haviam probabilidades. Fui rapidamente procurar por Neville, andando até a mesa da Grifinória. Alguns olhares curiosos me seguiram e a verdade é que, não importa o quanto você converse com pessoas de outras casas, ninguém realmente entende ou aceita muito bem.

Encontrei Neville comendo uma fatia de bolo de chocolate e inclinei minha cabeça para ficar ao seu lado. Assim que me viu, ele engasgou levando as mãos à garganta e tossindo um pouco.

–Ah, desculpa. –Falei franzindo o cenho e erguendo um guardanapo pra ele, que arregalou os olhos e acenou negativamente com a cabeça enquanto pegava os guardanapos e tossia neles.

–Não é sua culpa. –Falou por fim, a voz suave.

Sorri e olhei rapidamente para cima, para o céu azul refletido no teto do Salão Principal.

–A resposta é sim. –Falei sem tirar os olhos do céu e então voltando o olhar para Neville.

O garoto estava vermelho e mais surpreso, impossível.

–Ótimo! –Respondeu sorrindo. –Te encontro às sete e meia na frente da Sala Comunal da Corvinal, certo?

–Certo! –Confirmei sorrindo e me virei para retornar a mesa da Corvinal.

Foi quando o vi. À alguns metros na minha frente, Draco estava na mesa da Sonserina, a expressão paralisada de desprezo, as mãos congeladas no movimento de partir um pão doce ao meio. Seus olhos cinzentos esquadrilharam meu rosto rapidamente e então se voltaram para Neville e algo como ânsia de vômito invadiu suas expressões.

“Ótimo. Nada disso é minha culpa, certo? Se convença disso”.

Notas finais
Se você ama a sua mãe, deixe um review! Se n ama, só ignora kkkk'