Time After Time

3 Right Here Waiting


Notas iniciais
Olá meus amores, aqui estou eu com o penúltimo capítulo dessa história que está sendo escrita com todo o meu amor por Mileven... Só posso prometer uma coisa hoje, o capítulo promete muuuuuito e talvez algumas lágrimas rolem!!!!

POV ELEVEN

El aprendeu a continuar mesmo quando não havia nada esperando no fim do dia.

A mercearia abria cedo, e o som do sino na porta ainda ecoava dentro dela mesmo depois de horas. Organizar prateleiras, contar troco, sorrir por educação — tudo seguia igual, como se o mundo tivesse feito um acordo silencioso para não mudar mais.

No início, o medo era o seu amigo mais fiel, cada vez que o sino da porta tocava ela tremia, com medo de ter sido descoberta, com medo de dar de cara com alguém que se lembraria dela, mas o tempo foi passando e isso nunca aconteceu, de forma que ela ficou mais confiante, mais tranquila, o coração parou de acelerar toda vez que a porta abria e ela entendeu que estava segura, tanto quanto alguém na situação dela poderia estar.

As vezes ela não sabia se preferia o medo ou essa sensação de impotência, parecia horrível sequer pensar algo assim, mas a verdade era que o medo pelo menos fazia com que ela sentisse algo, mas isso, essa sensação de...nada, isso fazia parecer que a vida dela realmente havia acabado.

-Olívia? Olivia? Eu tô falando com você, menina!

El se virou pra trás rapidamente, as vezes ainda se esquecia que esse era seu “novo nome” e simplesmente agia como se não estivessem falando com ela.

Doía não ser mais Jane ou El, mas mesmo assim ela havia escolhido um nome que ainda a mantinha perto da família e de toda a sua história.

-Sim, senhor Duntan, me desculpe, eu estava um pouco distraída!

O velho homem sorriu pra ela e apenas fez um gesto com a mão – Não tem problema, está um lindo dia lá fora mesmo e é uma tragédia pra uma jovem como você ficar trancada aqui, então por que você não dá o expediente por encerrado e vai passear?

-Não posso deixar o senhor aqui sozinho, aliás não ia levar a Margareth pra passear hoje? Não precisa se preocupar, ainda estamos no almoço e eu tenho muitas horas pela frente!

Ele sorriu e o sorriso fez com que aparecessem pequenos pés de galinha ao redor dos olhos, o senhor Duntan era um homem bom, assim como Rose, a mulher que a havia ajudado anos atrás, ele se preocupava com a segurança dela e não queria nada em troca, havia lhe dado um emprego e lhe ensinado tudo o que precisava saber, pagava um salário justo e sempre a tratava com muito respeito.

El nunca conseguia agradecer, porque sempre que tentava ele apenas sacudia a mão e dizia “Você tem a idade da Margareth, se minha neta estivesse em algum lugar longe de mim, gosto de pensar que alguém cuidaria dela também”. E simples assim, ele seguia ajudando El todos os dias, ajudando seu coração, lembrando-a de que a bondade e a maldade coexistiam no mesmo mundo, mas que as pessoas boas ainda podiam consertar umas às outras.

-Ela decidiu sair com o namorado, acredita? Acho que a companhia desse velho aqui já não é mais tão interessante, além disso, acha que eu não dou conta sozinho? – Ele riu, um tanto debochado demais pra um senhor de setenta e três anos – Eu já cuidava de tudo nessa loja antes mesmo de vocês duas nascerem, acho que dou conta de cuidar do meu próprio negócio por uma tarde enquanto a minha linda funcionária vai sair pra aproveitar o dia e se Deus quiser voltar com um namorado.

Sr. Duntan terminou a frase com um sorriso satisfeito, enquanto El se limitou a revirar os olhos, ele reclamava que Margareth o havia abandonado pelo namorado, mas foi ele mesmo que passou meses bancando o casamenteiro pra própria neta e agora que o objetivo havia sido atingido, ele havia decidido focar todas as suas energias em El, dizendo todo dia que ela era uma moça bonita demais pra estar solteira e precisava arranjar um bom rapaz antes que todos os bom partidos fossem escolhidos e sobrassem apenas os charlatões que não valiam nada.

Era um discurso bem acalorado o que El ouvia todos os dias as sete horas da manhã!

-Eu só posso ir passear se prometer voltar com um namorado? Porque se for assim acho que não vou poder ir! –Ele bufou e apenas sacudiu um pano, fazendo sinal pra que ela saísse logo dali.

Eleven apenas riu e pegou sua pequena bolsa atrás do caixa, saiu da mercearia rapidamente enquanto escutava o velhinho resmungão dizer que começaria a fazer uma lista dos bons rapazes solteiros pra ela.

Isso tudo a divertia muito, sabia que ele não fazia por mal, apenas havia nascido em um tempo em que casamentos eram a maior segurança da vida, fora que, ele havia vivido uma vida maravilhosa com a esposa e queria que todas as pessoas perto dele sentissem a mesma coisa.

El não podia dizer que já havia sentido aquilo antes, que sempre sentiria, mas que o amor da sua vida estava agora além do seu alcance, então sempre se limitava a sorrir e agir como se um dia pudesse pensar na possibilidade, assim ele ficava feliz.

Olhando o céu brilhando do lado de fora, ela decidiu que de fato estava fazendo um dia lindo demais pra voltar direto pra casa, fora que não estava a fim de topar com o “estrangeiro” que havia alugado o chalé próximo ao seu. A locatória, uma senhora bem acalorada, havia dito que a mocinha da agencia de viagens garantiu que se tratava de um jovem tranquilo, mas como El se lembrava da última vez que uma pessoa “tranquila” havia alugado o chalé e sabe-se Deus lá como tudo terminou com o corpo de bombeiros apagando um incêndio e tirando um cara pelado de cima do telhado, ela decidiu não arriscar.

Por isso, ela pegou a bicicleta e decidiu que uma pedalada de quase uma hora e meia até as cachoeiras de Gullfoss não seria tão ruim assim.

O trajeto demoraria ainda mais se pegasse as trilhas oficiais que os ônibus cheios de turistas usavam, mas agora, depois de pouco mais de dois anos morando na região, já havia conhecido as trilhas secretas, aquelas que só os locais conheciam e que os levavam a pontos mais baixos da cachoeira que não estavam disponíveis para os turistas.

Com isso em mente, pedalou por muito tempo, sentindo o sol batendo em sua nuca e o suor escorrendo entre os seus seios, mas isso era bom, era um contraste maravilhoso com o frio congelante que geralmente fazia na região, embora essa troca súbita de quente/frio não fosse tão boa para a sua rinite.

Era um tanto peculiar pensar nisso, antes El se preocupava com monstros saindo de fendas, portais interdimensionais e experimentos secretos do governo, agora precisava se preocupar se a mudança do tempo faria sua cabeça doer e seu nariz ficar escorrendo.

Bom, ainda se preocupava com os militares aparecendo na sua porta e dando um tiro na sua testa, mas tentava não pensar muito nisso, porque a verdade é que se isso realmente chegasse a acontecer, ela não sabia o que faria, não sabia se lutaria pra fugir ou se apenas se deixaria morrer e finalmente poder descansar.

Um pensamento mórbido demais pra uma garota tão jovem, mas a verdade é que seu espírito estava mais cansado do que o do velho senhor Duntan e ela realmente não sabia quantos golpes mais ainda conseguiria aguentar antes de cair de vez.

Tentou ignorar os pensamentos tristes quando começou a escutar o som da água ao longe, ali não era o lugar de pensar em nada ruim, ali só eram permitidos pensamentos felizes e sentimentos de esperança.

El nunca ia quando havia gente demais, por mais que pegasse a trilha dos nativos ao invés de ficar junto aos turistas, mas estava aproveitando que ainda estavam no início da alta temporada e por isso as grandes multidões ainda não haviam se formado. Porque multidões traziam perguntas. O silêncio, pelo menos, não exigia respostas.

A trilha terminava em um ponto mais baixo da queda d’agua, onde o barulho era constante o suficiente para abafar qualquer outro som. Ela gostava disso. Ali ninguém a chamava pelo nome errado, ali o seu coração ficava um pouco menos dolorido do que realmente estava.

Os turistas sempre ficavam nas plataformas superiores. Ela preferia ficar ali embaixo, onde ninguém olhava, considerava aquele como seu lugar secreto.

Se contentou apenas em sentar na grama úmida, sem se importar com as suas roupas e se encostou em uma pedra maior enquanto retirava o seu sanduiche da bolsa e ia comendo em mordidas lentas, apreciando a paisagem a sua frente, o sol brilhando forte no céu e a água cristalina caindo em cascatas fortes.

Ali embaixo, El acreditava estar invisível. E, por um instante raro, isso pareceu suficiente.


POV MIKE

Do alto da plataforma, Mike se sentia como se estivesse sozinho com as próprias lembranças.

Elas tinham um gosto amargo na ponta da língua, mas também aqueciam o coração, em uma complexidade de sentimentos que ele achou que estourariam pra fora do peito.

Aquele lugar era perfeito, era ainda melhor do que o que ele havia imaginado viver com El, ele podia imaginá-la ali, olhando o sol alto no céu e a água cristalina, observando tudo com os olhos arregalados, como sempre fazia quando via algo pela primeira vez.

Ele retirou uma pequena foto dela do bolso, que ele havia conseguido tirar pouco antes da última batalha contra o Vecna, ela estava irredutível naquela época, tão concentrada em treinar e ultrapassar os próprios limites, tentando proteger a todos.

Naquele dia Mike só queria que ela sorrisse um pouco, que se distraísse por pelo menos um único minuto de todo o caos que a vida deles havia se tornado.

-Vamos El, só uma!

Ela revirou os olhos novamente, mas ele estava vendo um leve sorriso querendo despontar do lado direito do seu rosto.

-Mike não, você não acha que temos coisas mais importantes pra nos preocupar? Além disso, eu acabei de voltar do treino, tô toda desarrumada, fora que, você odeia tirar fotos até onde eu sei, então por que quer tirar uma de mim, assim do nada?

Ele apenas deu de ombros e chegou mais perto dela com a câmera nas mãos.

-Em primeiro lugar, você está sempre linda e em segundo, eu odeio tirar as mil fotos que a minha mãe quer toda vez, mas gosto de tirar fotos com você, além disso, eu não vou aparecer, só você vai.

El desistiu de tentar segurar o sorriso e deixou ele puxá-la pela cintura enquanto olhava pra ele de um jeito que sempre fazia o seu coração acelerar.

-Tudo bem, eu deixo você tirar uma foto, mas só se você me dizer o motivo pra querer tanto assim!

-Porque eu quero guardar na minha carteira pra levar sempre comigo, já temos fotos juntos e eu tenho várias fotos de quando você era mais nova, mas não tiramos nenhuma no último ano, então eu acordei pensando nisso e pensei, por que não? –Ela apenas sorriu e um empurrou de leve antes de soltar o cabelo e tentar se arrumar discretamente.

Mike segurou o sorriso ao perceber que ela estava ficando vermelha, então apenas fingiu que não estava notando.

-Vamos logo com isso porque o Hopper e a Joyce devem chegar daqui a pouco! –Ela ainda parecia um pouco tensa, então Mike se limitou a dar de ombros.

-Tá bom, daqui a pouco eles terminam a sessão de beijinhos e voltam pra cá! – El fez uma careta, mas ele continuou – Ai Joyce, eu te amo tanto, me dá um beijinho, só um, com barba enorme e tudo!

Assim que terminou de falar, El caiu na gargalhada e ele aproveitou o exato momento para tirar uma foto dela.

-Ei, eu não tava pronta, você me fez rir de propósito! – Ela estava ainda mais vermelha e ele se limitou a sorrir enquanto guardava a câmera.

-Tenho certeza que ficou muito boa mesmo!

Mike sorriu, olhando pra foto em suas mãos, realmente havia ficado muito boa e ele a carregava por todo lado desde então. Olhava pra ela quando o coração doía muito, mas era inevitável pensar que ele já tinha vinte anos agora e ali, ela ainda tinha dezesseis. E, de alguma forma cruel, parecia que era ele que tinha ficado parado no tempo.

Se limitou a ficar ali, observando as cachoeiras pelo que pareceram horas, ao contrário dos outros turistas que estavam tirando fotos e mais fotos, sorrindo e apontando, ele apenas ficou sentado em uma das plataformas, admirando a vista e pensando em tudo o que já havia vivido pra chegar até aquele lugar.

Será que teria vontade de conhecer um lugar assim se não fosse por ela? Provavelmente não, Mike era criativo desde novo, sabia disso, sempre havia gostado de ser o mestre das campanhas de Dungeons & Dragons que fazia com Dustin, Lucas e Will, mas nem mesmo sua mente poderia imaginar tudoo que aconteceria na sua vida.

Tudo mudou desde que conheceu El, suas concepções da realidade, de certo e errado e do que sonhava pra própria vida.

Dava graças a Deus todos os dias por ter tido a chance de dizer a ela o que sentia, porque ele não havia mentido em uma única frase quando disse que a amou desde o primeiro momento, desde que a encontrou na floresta e que seguia a amando desde então.

-Oi...com licença? – Mike se virou pra trás e uma moça sorria pra ele. – Desculpe, mas o ultimo ônibus do dia sai em trinta minutos e já estamos reunindo todos lá perto pra garantir, tudo bem?

Ele sorriu de leve e apenas acenou com a cabeça, ela saiu e Mike se levantou, espreguiçando o corpo logo em seguida, realmente havia ficado sentado por horas.

Se despediu momentaneamente do cenário a sua frente, porque sabia que passaria os próximos dias ali naquele mesmo lugar, admirando e sonhando com o que a sua vida poderia ser.

Minutos depois já estava dentro do ônibus de volta pra Selffoss e antes de pegar o carro alugado no estacionamento da agência e seguir para o seu chalé, passou em uma pequena mercearia, comprou um pouco de comida e seguiu viagem.

O chalé era bonito e silencioso, Mike estava feliz por estar ali. Ainda não havia conhecido os vizinhos, mas só pelo fato de não terem tido nenhum problema, ele já ficava bem satisfeito.

Talvez nem precisasse vê-los no final nas contas, pretendia passar a maior parte do tempo nas cachoeiras e nas trilhas, então...

Após tomar um banho e comer, Mike se limitou a deitar no sofá confortável da sala e suspirou aliviado quando suas costas doloridas agradeceram, sua mente ficou girando com pensamentos, do que havia sido, do que poderia ser e assim foi até que ele pegou no sono.

...

Horas depois, Mike acordou com a luz da lua batendo direto no seu rosto e não soube nem como aquilo era possível, a lua estava brilhante demais pro gosto dele.

Lua brilhante demais, isso existia?

Sacudindo os ombros, se levantou do sofá, bebeu um copo cheio de água e decidiu que ficaria um pouco na varanda do pequeno lugar, o céu parecia realmente bonito e uma brisa fresca corria pelo lado de fora, o que um dos guias disse que deveria ser aproveitado caso acontecesse, porque as noites lá costumavam ser frias demais.

Por precaução, pegou um cobertor e caminhou para fora, se sentou na pequena cadeira de balanço e ficou ali, simplesmente olhando as estrelas.

Perdeu a noção de quanto tempo havia se passado, quando percebeu pela visão periférica que uma luz vinha de um dos chalés vizinhos, parecia uma lanterna. Estava um pouco distante pra ele realmente poder distinguir quem era, mas o modo como a lanterna ia de um lado pra outro, dava a entender que a pessoa estava procurando alguma coisa.

Não fazia parte da natureza de Mike ignorar quem precisava de ajuda e por isso, ele foi caminhando lentamente em direção as luzes, rezava pra que não fosse nada demais, então apenas se apresentaria e voltaria pro seu chalé, mas sabia que não conseguiria dormir direito se não tentasse fazer sua parte.

Ter consciência as vezes era um saco – e ainda assim, ele continuou andando.

Conforme se aproximava, percebeu pela silhueta que se tratava de uma mulher. Ela estava abaixada, procurando por algo em meio à grama, murmurando palavras que ele ainda não conseguia distinguir.

Continuou andando e, quanto mais se aproximava, mais nítida a voz ficava — e, por algum motivo que ele não soube explicar, mais acelerado seu coração batia.

Mike se distraiu por um instante quando um brilho prateado atravessou seu campo de visão. Abaixou-se e pegou uma corrente fina, delicada demais para estar ali jogada, com um anel pendurado como pingente.

Era isso que ela procurava.

Ele voltou a caminhar, as pernas estranhamente bambas, prestes a chamá-la, quando o som da voz dela o alcançou primeiro.

— Meu Deus, onde foi parar? Eu não posso perder o anel… eu não posso.

O desespero em seu tom fez o mundo de Mike inclinar levemente para o lado.

Ele conhecia aquela voz.

Conheceria aquela voz em qualquer lugar.

Estava ficando louco? Sua mente finalmente havia decidido brincar com ele?

Lentamente, com as mãos tremendo, baixou os olhos para a corrente entre seus dedos, e reconheceu o anel pendurado ali.

Mike não disse nada de imediato e o silêncio se alongou por tempo demais.

A mulher interrompeu o movimento da lanterna, como se tivesse sentido algo — não um som, mas uma presença. Seu corpo ficou tenso na mesma hora.

— …Tem alguém aí? — perguntou, a voz baixa, alerta demais para alguém que só tinha perdido um objeto.

O coração de Mike batia tão forte que ele teve certeza de que ela conseguiria ouvir.

Sem pensar, antes que o medo o fizesse recuar, o nome escapou.

— El…

A palavra saiu quase num sussurro, frágil demais para carregar tudo o que ele sentia, e ainda assim pesada o suficiente para atravessar a noite.

Ela congelou.

Por um segundo eterno, nada se moveu.

Então, devagar, como se tivesse medo do que encontraria, ela se virou.


Notas finais
Finalmente eles se encontraram, eu me inspirei pra fazer esse encontro em um sonho que eu tive a uns três dias atrás, dá pra acreditar? Eu literalmente sonhei com o encontro deles. Agora estamos perto do final feliz do nosso casal, se você passou por aqui e eu estou ajudando a deixar o seu coração quentinho, deixa o seu comentário por favor, que ele é extremamente importante pra mim!!! Até o final meus amores, beijooos...