Notas iniciais
Oi meus amores, aqui estamos com o último capítulo dessa fanfic que me trouxe de volta ao mundo da escrita, eu disse que postaria ele somente amanhã, mas não me controlei. Confesso que estou chorando horrores enquanto escrevo essa nota, espero do fundo do meu coração que vocês se emocionem com esse final que nosso casal tanto merecia assim como eu me emocionei muito escrevendo. Vou deixar o link da música que inspirou esse capítulo, recomendo que todo mundo ouça,vai emocionar ainda mais kkkkkk!!!!

https://www.youtube.com/watch?v=3eT464L1YRA


El ficou imóvel no meio da grama, a lanterna tremendo levemente em sua mão.

O vento soprava entre as árvores, fazendo as folhas sussurrarem umas contra as outras, e o som distante de insetos noturnos preenchia o ar. Mesmo assim, ela sentiu.

Aquela sensação antiga — o arrepio subindo pela nuca, o corpo entrando em alerta antes mesmo da mente entender o porquê.

Não estava sozinha.

A noite parecia densa demais, pesada demais. El fechou os dedos em torno da lanterna, pronta para correr, lutar ou desaparecer, se fosse preciso. Quatro anos vivendo escondida tinham ensinado que o perigo raramente fazia barulho antes de atacar.

— Tem alguém aí? — perguntou, firme, apesar do coração disparado.

Nada respondeu.

Só o vento, os grilos… e aquela presença invisível atrás dela, fazendo o ar parecer diferente.

Por um instante, quase se convenceu de que era só paranoia. Quase.

Então a voz veio.

— El.

Uma única palavra. Baixa. Trêmula. Impossível.

O mundo não parou.

Mas El parou.

O nome verdadeiro. O que ninguém ali conhecia. O que ninguém tinha o direito de usar.

O peito dela se contraiu como se tivesse levado um golpe invisível, não de medo, mas daquela dor aguda de quando uma lembrança decide voltar a existir.

— …Mike?

Não era uma pergunta. Era um reconhecimento.

E naquele instante, ela soube que, se aquilo fosse um truque, se fosse o Universo sendo cruel outra vez, ela ainda sim daria um passo à frente. Porque algumas coisas, algumas pessoas valiam a queda.

Todos esses pensamentos passaram em sua cabeça por uma fração de segundo enquanto ela virava devagar, como se o ar ao redor estivesse pesado demais para permitir qualquer movimento brusco. A lanterna ainda iluminava o chão entre eles, mas o coração dela já batia forte demais para esperar que os olhos confirmassem o que ele tinha reconhecido no instante em que sentiu aquela presença atrás de si. Era alto demais. Familiar demais. Quando a luz finalmente alcançou o rosto dele, tudo o que ela havia construído nos últimos quatro anos — o cuidado, o silêncio, a distância — ameaçou ruir de uma vez.

Ela deu um passo para trás, quase por reflexo. Não porque não o quisesse ali. Justamente pelo contrário. Se Mike estava ali, o mundo inteiro podia estar ali também. Sempre havia alguém olhando. Sempre havia um risco.

— Você não devia estar aqui, se alguém te seguiu...— disse, a voz baixa, tensa, mais aviso do que reprovação.

— Ninguém me seguiu — Mike disse rápido demais, firme demais. — Eu vim sozinho.

E ela soube que era verdade. Soube porque Mike não mentia pra ela — e porque o medo nos olhos dele era do mesmo tipo que o seu.

Mike se aproximou, os olhos cheios de lágrimas não derramadas e ergueu a mão devagar, como se estivesse se aproximando de algo frágil demais para suportar um toque brusco.

Quando os dedos dele tocaram seu pulso, foi como se o mundo inteiro prendesse a respiração. A pele dele era quente. Real. Não era um sonho, nem uma memória distorcida pela saudade. Era ele. Ali. O simples contato fez algo se partir dentro dela — anos de contenção, de força, de silêncio.

— Mike… — o nome saiu baixo, quase quebrado, do jeito que sempre saía quando ela estava com medo de sentir demais.

Ele fechou os olhos por um segundo ao ouvi-la. Como se aquele som fosse tudo o que ainda o mantinha de pé e então, deslizou a mão um pouco mais, até alcançar os dedos dela, sem ainda se permitir segurar de verdade. Como se estivesse dando a ela a chance de fugir, mesmo que isso o destruísse.

-Eu sabia, sabia que você tava por aí, sabia que você não tava morta, eu sentia isso todos os dias, era o que me dava forças! – Ela percebia que ele estava se segurando muito pra não chorar e percebeu que estava do mesmo jeito, com os olhos cheios de lágrimas não derramadas.

O toque dele ainda queimava na pele de El quando ela deu mais um passo para trás. Não porque quisesse distância, mas porque precisava de ar. De espaço. De um segundo para lembrar que o mundo ainda era perigoso, mesmo quando ele estava ali.

A mão de Mike ficou suspensa no ar por um instante curto demais para ser percebido por qualquer outra pessoa… longo demais para quem estava dentro daquele momento. O olhar dele mudou. Não era raiva, era medo. Um medo cru, de quem tinha acabado de encontrar algo que jurava que só existia na memória.

— El… — a voz saiu baixa, instável. — Eu… eu achei que você…

Ele engoliu em seco, como se dizer em voz alta fosse perigoso demais.

— Eu pensei que tinha te perdido.

Ela sentiu o golpe no peito antes mesmo de entender por quê.

— Não — respondeu, quase num sussurro. — Eu nunca fui embora de você.

Os olhos dele se encheram de algo que não era só emoção, era incredulidade. Como se o mundo tivesse acabado de quebrar todas as regras na frente dele.

— Quatro anos — Mike murmurou. — Quatro anos achando que você tinha… que você não tava mais em lugar nenhum, me esforçando pra acreditar porque era a única coisa que fazia seguir em frente. E agora você tá aqui. Você é real, né?

A voz dele tremeu.

— Mike, se você estiver aqui, outras pessoas podem estar. Sempre tem alguém seguindo alguém. Sempre tem alguém olhando.

Ele não se moveu. Como se qualquer movimento pudesse fazê-la desaparecer.

— Eu cheguei sozinho, eles deixaram a gente em paz depois de todos esses anos, no início eu ainda sentia olhos me observando, mas isso sumiu com o passar do tempo. Eu nem sabia que… que você ainda existia fora da minha cabeça.

Aquilo quebrou alguma coisa dentro dela.

— Eu pensava em você todos os dias — ele continuou, a voz cada vez mais frágil. — Não como alguém que foi embora. Mas como alguém que ainda estava em algum lugar… só fora do meu alcance.

E quando El deu um passo na direção dele dessa vez, Mike quase não respirou.

— Amar você nunca foi o problema — ela disse. — O problema sempre foi o que o mundo fazia com a gente.

A pergunta dele veio de uma vez só, como se estivesse presa na garganta havia quatro anos.

— Então por que você não me levou com você? — a voz falhou no meio da frase, mas ele não parou. — Eu te disse que ia com você pra qualquer lugar. Eu te disse que a gente podia ir embora, que eu não me importava de deixar tudo pra trás. Você sabia disso.

Ele respirou fundo, tentando manter algum controle e falhou.

— Então por que você não me levou junto? — repetiu, mais baixo. — Por que você nem sequer me mandou uma única mensagem pra dizer que tava viva?

O silêncio que veio depois foi pesado demais pra caber entre duas pessoas.

El engoliu em seco. Os olhos dela brilhavam, mas ela não desviou.

— Porque se eu tivesse te levado comigo, você teria morrido.

As palavras saíram baixas, mas pesadas como chumbo.

— Você acha que eu não quis? — ela deu uma risada sem humor. — Você acha que eu não acordei todos os dias pensando nisso? Mas eu sabia. Eu sentia. Eles ainda estavam procurando. Sempre estiveram. E tudo que eu tocasse virava um alvo.

Ela respirou fundo, como quem segura algo que dói há anos.

— Eu não fui embora pra ficar sozinha. Eu fui embora pra você ficar vivo.

Os olhos dela desceram até as mãos deles, quase se tocando.

— Se eu tivesse ficado, você seria o primeiro a pagar.

Então ela o encarou de novo, firme, vulnerável e quebrada ao mesmo tempo.

— E eu preferia viver com saudade de você do que ter que visitar o seu túmulo.

Mike finalmente chorou.

Não com soluços altos, nem com o corpo se quebrando, só com lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto, como se ele tivesse segurado aquilo por quatro anos inteiros e o peso finalmente tivesse cedido.

— Eu sei disso… — ele murmurou. — Acho que eu sempre soube. Eu só precisava ouvir você dizer em voz alta, porque naquele dia… você tava certa. Eu entendia. Entendia por que você precisava ir, por que você achava que era a única saída.

Então, pela primeira vez, ele desistiu da distância cuidadosa entre eles. A mão dele fechou na dela, firme, quase desesperada, puxando El para perto até que só restasse o ar quente entre as respirações dos dois, enquanto lentamente retirava o anel da corrente e colocava novamente no dedo indicador dela, de onde nunca deveria ter saído.

— Mas o que você não entendeu… — a voz dele tremeu — …é que eu aceitava o risco.

Os olhos de Mike ardiam, mas ele não desviou os dela.

— Você fez tudo aquilo por amor. Eu sei. Mas você tirou a minha escolha. E isso… isso foi o que mais doeu.

A testa quase tocando a dela agora.

— Eu sempre quis ficar com você. Sempre. Eu sabia que podia acabar morrendo. Sabia que podia dar tudo errado. E mesmo assim, não importava. Porque eu queria você. Pelo resto da minha vida… fossem cinquenta anos… ou só cinco dias.

El ficou em silêncio por alguns segundos depois das palavras dele, como se estivesse organizando algo frágil demais dentro do peito.

— Você fala como se tudo isso estivesse no passado. Como se… tivesse acabado.

Mike franziu a testa, confuso.

— Não é isso que eu…

— Eu sei. — Ela respirou fundo. — Mas depois de quatro anos… às vezes as pessoas mudam. Às vezes… o que a gente sente vira só uma coisa bonita que ficou pra trás.

O olhar dela não fugiu do dele.

— Eu via você — confessou. — Às vezes. Pelas mentes dos outros. Pelos sonhos. Pelas lembranças. Eu sabia onde você estava, como estava… quando estava triste.

Ele engoliu em seco.

— Então por que você nunca olhava pra mim? — a pergunta saiu baixa, quase com medo da resposta.

El hesitou.

— Porque você sempre me sentiu — disse. — Mesmo quando eu só encostava na sua mente por um segundo, você ficava diferente. Eu não queria que você passasse quatro anos procurando um fantasma.

Os olhos dele brilharam.

— Eu fiquei procurando mesmo assim.

Ela deu um meio sorriso triste.

— Eu sei.

Houve um silêncio estranho entre eles, carregado demais para ser vazio.

— Eu precisava saber — El continuou, a voz mais baixa. — Se isso… — ela fez um gesto vago entre os dois — …ainda existia. Ou se era só eu segurando algo que já tinha ido embora.

Mike soltou uma respiração trêmula.

— El… eu nunca parei. Nem por um dia.

Ele ergueu a mão devagar, como se ainda tivesse medo de assustá-la.

— Eu nunca deixei de te amar e me arrependi todo dia durante os últimos quatro anos por não dizer mais vezes, eu tinha medo, você sabe, de que quanto mais eu falasse, me sentiria pior quando te perdesse, mas eu te perdi e esse virou o meu maior arrependimento.

Algo nos olhos dela finalmente cedeu. Um pedaço de armadura que vinha segurando tudo.

Ela terminou de destruir a distância entre eles.

Quando os lábios se encontraram, não foi urgente nem desesperado. Foi suave. Cuidadoso. Como se os dois estivessem confirmando que aquilo era real antes de acreditar.

E era, finalmente era real!

O beijo começou devagar, quase hesitante, como se ambos ainda estivessem com medo de que tudo aquilo desaparecesse se fosse rápido demais. Mas bastou um segundo para que algo antigo despertasse entre eles — aquela familiaridade que não se aprende, só se carrega.

Mike foi o primeiro a aprofundar o beijo, a mão finalmente se fechando nos braços dela, firme agora, como se estivesse decidido a não soltá-la outra vez. El sentiu o peito se apertar com uma mistura de alívio e dor boa, daquele tipo que vem quando algo que você perdeu volta a existir.

Ela deslizou a outra mão pelo braço dele, sentindo o calor, o tremor contido, a vida ali. Real. Presente. Não era uma lembrança, não era um sonho esquisito criado pela saudade. Era o Mike. O seu primeiro amigo, seu primeiro e único amor.

Quando se afastaram só o suficiente para respirar, as testas ainda ficaram encostadas.

— Você ainda é meu — ela murmurou, quase como se tivesse medo de dizer em voz alta.

Ele soltou uma risada fraca, emocionada.

— Sempre fui.

E pela primeira vez desde que o mundo deles tinha quebrado, El sentiu que talvez… só talvez… estivesse começando a se encaixar de novo.

...

O dia amanheceu com uma geada firme no céu acinzentado, hoje o sol não faria as honras e El estava mais do que feliz por isso, porque mal havia pregado o olho a noite inteira.

Ela e Mike haviam passado a madrugada adentro nos braços um do outro dentro da sua pequena cabana em frente a lareira, eles mal falaram, apenas se abraçaram apertado e as vezes, ela sentia as lágrimas dele pingando no seu cabelo, nessas horas ele a apertava ainda mais forte.

Com o raiar do dia, Eleven sabia que o mundo também voltaria com força total e precisavam decidir o que fazer, precisavam conversar e escolher, juntos.

Porque ela já havia cometido o erro de escolher pelos dois uma vez e estava decidida a não fazer isso de novo!

O cheiro fraco de café improvisado ainda pairava no ar da cabana quando Mike se encostou no batente da porta, observando El mexer distraidamente em uma caneca. Ela parecia tranquila demais, o cabelo preso de qualquer jeito, o suéter largo, os pés descalços no chão frio. Ele ainda não tinha se acostumado com a ideia de que aquilo era real.

— Você… vai trabalhar hoje? — perguntou, baixo, como se tivesse medo de quebrar o momento.

— Vou. Só meio período. — Ela deu de ombros. — Preciso manter tudo… normal.

A palavra ficou suspensa entre eles, pesada demais para algo tão simples. Mike desviou o olhar por um segundo, respirando fundo.

— Normal pra você agora é se esconder a vista de todos né?

El parou de mexer o café. Não parecia ofendida. Só cansada.

— Normal pra mim é estar viva.

Ele assentiu devagar. Sabia disso. Sempre soube. Mas ainda assim, doía.

— Ainda tem gente procurando por você, não tem?

— Tem. — Ela ergueu os olhos para ele. — Talvez não oficialmente. Mas arquivos não somem. Pessoas não esquecem. Se alguém ligar os pontos… você vira um alvo também, mais do que já é.

Mike se aproximou um pouco mais, o chão rangendo sob seus passos.

— Você ainda tá tentando me proteger.

— Sempre. — A voz dela suavizou. — Eu sobrevivi porque desapareci. Se você ficar comigo, vai ter que desaparecer também, vai estar em risco.

Ele soltou uma risada sem humor, passando a mão pelo cabelo.

— Engraçado, porque eu passei quatro anos achando que o risco era viver sem você.

El engoliu em seco, os dedos apertando a caneca com força demais.

— Mike, você tem uma vida. Uma família, amigos, faz faculdade e quer escrever livros que o mundo todo vai ler.

— E você acha que eu acordei todos esses anos pensando em horários e salas de aula? — Ele se aproximou mais um passo. — Eu acordei pensando em você. Em onde você estava. Se ainda respirava. Se ainda… lembrava de mim, eu escrevia pra me sentir inteiro, pra garantir que nunca me esqueceria de nada que passamos juntos. Além disso, todos mundo ali te ama e sente sua falta, ainda são a sua família e seus amigos, isso não mudou, nunca vai mudar.

Ela levantou os olhos, vulnerável.

— Eu sempre disso, também sinto falta de todos eles!

— Então não me fala como se isso aqui fosse um capricho. — A voz dele falhou, mas não recuou. — Eu não tô jogando nada fora. Eu tô finalmente indo pra onde sempre foi o meu lugar. Além disso, podemos dar um jeito, não vou ser um idealista vivendo de sonhos, mas com nós dois aqui, juntos, podemos dar um jeito nas coisas, devagar vamos conseguir.

-Mas o que você vai fazer com a sua vida? Não é como se você pudesse sumir do dia pra noite.

Mike ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse organizando o próprio mundo por dentro.

— Eu não posso sumir do dia pra noite… — ele começou, a voz baixa — mas eu também não vou mais fingir que existe um mundo em que você não esteja nele.

Ele deu um passo até ela, devagar, como sempre fazia quando algo importava demais.

— Eu posso fazer faculdade por correspondência, posso mudar de nome assim como você fez. Posso inventar uma desculpa qualquer, vamos dar um jeito de explicar as coisas pros nossos amigos, talvez você possa visitar as mentes deles e me levar junto como fez com a Max e a Kali daquela vez, assim poderíamos manter contato. O que eu não posso é ir embora de novo sabendo que você está aqui.

Mike engoliu em seco.

— Eu passei quatro anos vivendo pela memória de você. Agora que eu finalmente te encontrei… eu quero viver com você. Do jeito que der. Onde der.

Ele tocou o rosto dela com cuidado.

— Não porque é fácil. Mas porque é você.

El fechou os olhos por um instante, como se estivesse tentando conter algo grande demais dentro do peito.

— Eu não queria que você tivesse que escolher entre mim e o mundo.

Ele encostou a testa na dela.

— Eu não estou escolhendo entre você e o mundo. Eu estou escolhendo o meu mundo.

Pela primeira vez em quatro anos, um sorriso enorme nasceu nos lábios dela.

— Então você vai ficar!

Mike não respondeu. Só a puxou para si, como se aquele abraço fosse a única resposta que importava.

Eles ainda não sabiam como seria o amanhã, só sabiam que dessa vez, não iriam enfrenta-lo separados.

E isso era o suficiente… por enquanto.

Eles ainda não sabiam que, alguns anos depois, graças ao fim da Guerra Fria e com a ajuda do Dr. Owens, El pisaria em um aeroporto sem nome falso, sem mãos tremendo, sem medo, que Mike estaria ao seu lado quando ela finalmente cairia nos braços de Hopper, que fingiria estar bravo só para esconder o quanto tinha sentido falta dela.

Ainda não sabiam que Joyce iria chorar quando os visse na porta, que Dustin ia falar sem parar por vinte minutos seguidos, que Lucas ia rir como se o tempo nunca tivesse passado e que Will só precisaria olhar para eles para entender que tudo, de algum jeito estranho e milagroso, tinha valido a pena.

Eles ainda não sabiam que Hopper quase tentaria matar Mike quando descobrisse sobre a gravidez — nem que depois ficaria sentado do lado de fora do quarto do hospital, orgulhoso demais para admitir, esperando para conhecer a neta, Sara.

Não sabiam que Max, com um sorriso torto e ainda carregando um skate debaixo do braço depois de tantos anos, ensinaria aquela garotinha de cabelos escuros e olhos atentos a cair e levantar sem medo.

Nem que, em noites tranquilas, El a embalaria contando histórias de monstros que haviam sido derrotados e de um garoto que nunca parou de procurá-la.

Eles ainda não sabiam que o mundo um dia ficaria quieto o bastante para deixá-los viver.

Mas sabiam de uma coisa.

Que tudo o que tinham atravessado, a dor, a perda, o silêncio, os anos separados, os havia trazido exatamente para ali.

Dois corações que se recusaram a se perder.

Duas vidas que aprenderam a sobreviver… só para, no fim, aprenderem a viver juntas.

E sob aquele céu frio, segurando as mãos um do outro, Mike e El não precisavam conhecer o futuro para saber: o amor deles já tinha vencido o impossível.



Notas finais
Eu espero que vocês estejam em lágrimas assim como eu kkkkkkkkkkkk... Era isso o que eu queria, era esse o final feliz que Mike e El mereciam e a partir de agora, esse é o único final que vai existir na minha mente e no meu coração, espero que no de vocês também! Obrigada por me acompanharem e darem apoio até aqui, sempre estaremos unidos pelo amor a esse casal tão maravilhoso! Até uma próxima, beijoooos!!!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!