Os passos pesados ecoavam por toda cidade, sobre os prédios, de telhado em telhado o pássaro vermelho fazia do vento seu aliado enquanto se esgueirava pelo céu escuro da cidade pulando sobre prédios e se balançando em fios até a mansão Wayne. Ainda era cedo, a patrulha de Tim mal havia começado até que uma invasão na mansão Wayne teve que fazer ele voltar a caverna.
Saindo da área principal da cidade e adentrando no bosque Robin preparo seu arpão e disparou na arvore mais próxima e se lançou até ela, pulando de galho em galho, com a habilidade de um circense se pendurava nas arvores e cortava o ar com maestria. Tim era o mais invejado dos Robins, O detetive como seu mentor, o acrobata como seu amigo e o lutador, como seu falecido antecessor.

Os portões da mansão estavam intactos, assim com as defesas principais da mesma. Nenhuma armadilha havia sido ativada, seja lá que entrou na mansão era bom. muito bom.

Tim deu a volta na mansão e pulou do muro diretamente pra sacada entrando na sala de musica da mesma. O som das arvores balançando invadia o recinto, o cheiro forte de grama molhada, lençóis limpos, chá sendo aquecido, tinta fresca. Chá?
Era possível ver uma luz vindo do corredor que dava para a sala de musica, alguém estava na cozinha. O garoto cerrou os punhos e se esgueirou pelas paredes até a cozinha tomando toda precaução possível para não ser visto.

– Eu sei que você esta ai gatinho. – Uma voz doce e familiar ecoava da cozinha.

Robin adentrou a cozinha tirando seu capuz e cruzando os braços ao se deparar com Stephanie e Alfred tomando chá na bancada.

– É muito difícil só ligar? E você também Alfred, por que não desativou o alarme se não era nenhuma invasão seria?

– Peço perdão mestre Tim, a senhorita Stephanie disse que queria fazer uma surpresa e pensei que não devia arruinar tal coisa de namorados. – Alfred disse impassivo com os olhos fechados degustando ao máximo o lendário chá dos Pennyworth.

– Não somos namora – Antes que Tim pudesse terminar a sentença Stephanie voou em seu pescoço e sorriu enquanto passava a mão pelo seu cabelo e juntava seus lábios ao do menino prodígio.

Alfred pôs sua xícara de lado e se retirou do comodo sem interromper o jovem casal.

– Iai garoto maravilha, como tem sido a vida sem o papai morcego pegando no seu pé? Anda trazendo muitas meninas pra mansão e dando festas é?

Os longos cabelos loiros da garota realçavam seus olhos azuis cintilantes, ela vestia uma jaqueta preta de couro, calça jeans e um all star surrado. Podia se sentir a ternura em seu olhar para Tim, a forma como ela pressionava um lábio contra o outro a dando um certo biquinho na tentativa falha de conter o sorriso que morava no seu rosto sempre que ela estava perto do garoto prodígio, as sobrancelhas se mantinham erguidas e o olhar cerrado a dava um ar de indiferença enquanto o resto do seu corpo demonstrava completamente o contrario. Não se precisava ser nenhum detetive como Batman ou Tim para perceber o que a garota sentia por ele.

– Simmm, o Alfred não te contou? Andamos dando as maiores festas da cidade, você tinha que ter visto a ultima, o Alfred fez body shot numa líder de torcida da Gotham Academy. Ele vira outra pessoa depois de uns goles de tequila. -Tim respondeu num tom irônico a menina e segurou a mão dela arrastando-a com ele para a biblioteca.

Tim olhou em volta para ver se Alfred não estava por perto. – O Bruce vai me matar por isso mas não vamos ter outra chance dessas, puxa aquele livro azul. – Tim sorria apontando pro livro.

– Você não vai... meu deus você vai! – A garota sorria mais ainda e segurou o livro e assim que o puxou para fora da estante a mesma se abriu dando passagem a um elevador secreto.

Ambos entraram lá, ela se agarrava no braço do garoto contendo sua animação a cada andar que o elevador descia. Ate que enfim a porta se abriu.

– Bem vinda a Batcaverna.

Podia se ouvir o bater de asas de morcegos ecoando por toda a caverna, a saída do elevador dava para uma plataforma com um grande corredor prateado com 7 capsulas, cada uma delas com uniformes. A escada da plataforma dava para o centro da caverna, ali tinha um grande computador com pelo menos 6 telas gigantes e diversos teclados. Uma ponte que dava para uma cachoeira cujo som do cair das águas dava um tom menos sombrio ao lugar, fazia com que aquela caverna pudesse para alguns ser chamada de casa.
Diversos armários cheios de batarangs, arpões, bombas de fumaça e todo o tipo de adereço que a Batfamilia pudesse vir precisar. O enorme e assustador Batmovel ficava bem no centro da ponte que levava para a cachoeira. Pronto para partir sempre que necessário.

– Eu não acredito que eu finalmente estou aqui. – Stephanie caminhava pela plataforma maravilhada, fitando cada detalhe daquele lugar, seu olhar se virou para trás, ela pós seus dedos a tocarem uma das capsulas e examinou cada uma delas com cuidado.

– É, essas duas são as primeiras roupas do Bruce, aquela azul e cinza é tão brega, não consigo acreditar que ele usou isso um dia, chega a ser embaraçoso. – Tim explicava cada uniforme nas capsulas para a jovem enquanto ela mordia o lábio e sorria ouvindo atentamente.

Ela parou sobre o uniforme do primeiro Robin e cruzou os braços olhando o uniforme, ele era composto de uma capa amarela, uma blusa vermelha com botões escuros, o simbolo dos Robins no peito e uma cueca verde e botas verdes.

– Nossa... Adoraria ver o Dick usando essa roupa hoje em dia, deve ficar uma delicia.

Tim fechou a cara para a menina que logo em seguida riu e segurou a mão dele.

– Eu to zoando ok. Ahm, esse é o uniforme dele?

Stephanie parou sobre a penúltima capsula, outra roupa do Robin, essa era toda vermelha, uma capa também amarela e botas e detalhes negros existiam nela.
Tim fitou a capsula com dor em seu olhar, suas palavras tinham pesar agora que ele confirmava a pergunta a garota.

– É, era a roupa do Jason, Bruce costuma ficar encarando ela as vezes, as vezes durante horas. Eu sempre olho pra ela e me pergunto se aqui é realmente meu lugar, depois do que aconteceu com Jason eu só.. Não sei se o Bruce me quer de fato aqui.

Stephanie apertou a mão de Tim e se virou para ele olhando em seus olhos.

– Você é parte da Batfamilia Tim, você é O Robin agora. Não torne isso um fardo, torne um privilegio. Você carrega o legado do Batman com você, o Bruce o escolheu por um motivo. Ele viu algo em você, aprenda a ver isso também.

Os olhos de Stephanie se encontraram com os deles, suas mãos se arrastaram pelos braços dela até que pudessem chegar ao rosto da mesma. A duvida de se ele era merecedor de assumir o manto de Robin ainda existia nele, mas as palavras da menina o fizeram querer buscar tal merecimento, o fez querer provar para si por que ele é o Robin.
Os dois desceram a escada aos beijos e tropeços, sorriam enquanto ele apontava para os troféus depois da área de treinamento. A primeira carta que o coringa deixou para atrair o Batman, uma muda de planta da Ivy, A arma de gelo do Mr.Freeze e muitos outros.

Stephanie se jogou na cadeira do computador principal fazendo-a girar e pôs os dedos no teclado e antes de digitar algo olhou confusa para Tim.

– Como diabos isso funciona?

O garoto prodígio riu e empurrou ela pro lado pondo os dedos no teclado.

– Espero que tenha trazido seu uniforme. Vamos procurar um caso para resolver.