– SE VOCÊ POR A MÃO NELA EU JURO POR DEUS QUE EU VOU TE MATAR!

Uma risada ecoo no quarto, o homem segurou Stephanie pelo queixo enquanto puxava a mascara para fora do rosto dela. Caminhou lentamente coçando a própria barba e admirando a menina presa a cadeira, as pernas amarradas aos pés da cadeira, mãos atadas atrás do corpo e a respiração falha. O corte no lábio fora profundo, o sangue dele agora se misturava com o que saia de dentro da boca da menina.

– Você não é nada bobo mesmo, ela é uma maravilha. – O homem se abaixou ao lado de Stephanie e agarrou o cabelo da mesma com força. – Olha pro seu namorado, quero que você olhe pra ele enquanto eu mato você, quero que ele olhe nos seus olhos e saiba que isso é culpa dele.

Tim agonizava preso a uma cadeira também. Seu olho esquerdo não conseguia abrir tamanho inchaço que existia agora ali, sua mão esquerda pingava sangue no chão, o pensamento do menino era confuso, a dor pelas costelas quebradas apertava mais e mais, como uma agulha fixa nos seus pensamentos. Ódio, Dor e Medo. As três coisas que Bruce sempre me ensinou a exorcizar de mim. Tentou ensinar.

– Sabe por que eu gosto de facas criança? – O homem puxou uma lamina do seu bolso, ela era do tamanho de um dedo, a ponta era coberta por uma tinta azul suja que destoava completamente com a lamina brilhante. – Elas são simples, e mostram quem a pessoa realmente é por dentro sabe? Olha pra sua namorada, ela é tão lindinha, esperta, corajosa! Mas será que você sabe quem ela realmente é por dentro.

A lamina foi pressionada contra braço de Stephanie e arrastada para baixo uns centímetros, cortou o tecido da roupa da jovem e expôs sua pele que se arrepiava ao toque da lamina gelada.

– Ou, eu podia por a faca pelos dedos, sabia que não existe dor mais insuportável que a de uma lamina entrando entre suas unhas e arrancando elas pra fora? Gostaria de ver se ainda seria tão forte e apaixonado a ponto de se oferecer no lugar dela depois disso...

O homem fitava o teto do quarto, a lampada piscava constantemente, o som do sangue de Robin pigando no chão ecoava. O cheiro de esgoto impregnava o lugar, a tintura da parede corroída pelo mofo e o tempo. Não era onde eu havia imaginado que iria morrer.

Stephanie gemia de dor e engolia o choro enquanto olhava fixamente para o chão aterrorizada.

– Ei, EI, Spolier. Eu vou tirar a gente daqui, olha pra mim. – Robin tremia os lábios enquanto se esforçava para acalmar Stephanie. – A gente vai ficar bem. Eu te prometo, eu prometo.

Robin encarava o homem que sorria vendo a cena.
– Vocês são tão fofos. Mas ele ta certo Spolier, fica calminha. – O homem acariciava a bochecha dela – Vai ficar tudo bem.

Uma ultima gargalhada dele foi dada e então a lamina penetrou o abdômen de Stephanie e ele a puxou para cima rasgando-o.
– Shhhhh, vai ficar tudo bem, ele prometeu pra você meu anjo, confia nele.
– SEU FILHA DA PUTA, EU VOU MATAR VOCÊ EU JURO QUE VOU. – Robin gritava ignorando completamente a dor pelos seus ferimentos e era consumido pela raiva.

Os olhos de Stephanie se arregalaram ao receber a facada, a garganta falhou junto com sua respiração, não demorou muito até o sangue dela começar a sair, aos poucos a roupa roxa da menina se tornava vermelha. O quarto se tornará vermelho.

DOZE HORAS ANTES

– Hmm tem um chamado de briga de gangues na zona norte de Gotham, pode ser Stephie?

– Depende, quem pegar mais traficantes paga a próxima pizza?

– Fechado.

Tim foi até o arsenal da Batcaverna e repôs seu estoque de Batarangs, bombas de fumaça e alguns EMP’s.

– Você precisa de alguma cois-EI temos banheiro na Batcaverna também, não precisa se trocar aqui na minha frente. – Tim virou de costas pra Stephanie imediatamente assim que viu ela tirando a roupa e pondo seu uniforme de Spolier.

– Você fica tão bonitinho sem jeito Tim. Me passa um arpão que ta ótimo, o meu ultimo quebrou... E eu trouxe seu bastão de volta, você esqueceu lá em casa na ultima vez que entrou escondido. – Stephanie não conseguiu conter o sorriso ao lembrar do fato.

Ambos se armaram e seguiram caminho para a cachoeira que se abria pelo portal principal dando passagem direto para a estrada de Gotham.
A rua estava vazia, já era perto das três da manhã, a lua iluminava o céu e o vento batia contra o rosto de Tim. Ele fechou os olhos e segurou a mão de Stephanie por um tempo.

– Esse tipo de coisa que faz valer a pena, estar aqui agora, sobre tudo e todos, ser o guardião de Gotham. Inspirar as pessoas como Bruce as inspira, como o superman inspira. Ser um super herói. – Tim não continha o sorriso ao pairar sobre a cidade com a menina ao seu lado.

A vida nunca foi fácil para mim, e junto com o manto da Batfamilia tragedias vieram, mas elas viriam de qualquer forma. Talvez a outra pessoa mas viriam, e se essas mortes são um fardo que eu preciso conviver com, eu vou passar todos os dias da minha vida lutando para que ninguém mais precise dele.

De longe podia se ver duas silhuetas no topo de um prédio, na Gotham adormecida, um casal de sombras juntos como a noite a escuridão. Eram um só. Um grito de alegria foi ouvido antes que as duas silhuetas se jogassem do prédio e se unissem ao vento.
Tim se agarrava ao arpão preso no topo do prédio mais próximo enquanto se jogava para frente, Spolier dava cambalhotas no ar antes de soltar também seu arpão em direção ao prédio. O caminho até a zona norte não era longo, e apesar da urgência, os dois se divertiam ao máximo com aquilo, amavam ser o que eram, eram jovens e super heróis. Pensavam ser literalmente imortais.

Ao chegar na zona norte da cidade já se podia ouvir o som de tiros ao fundo da gótica paisagem de Gotham. A rua estava um caos, mães corriam de casa com os filhos no colo em prantos e desespero enquanto gangues trocavam tiros e usavam as casas como proteção.
Os grupos podiam ser divididos em dois, a gangue de rua com as roupas roxas, eram do gueto, alegavam ser o donos originais de Gotham, perderam poder nas ruas com a chegada das outras gangues. A outra gangue era a do Mascará Negra, as roupas brancas e as armas de alto calibre mostravam ser um grupo organizado.
Gotham sempre foi uma cidade problemática, o crime nasceu junto com Gotham costumava dizer Bruce. Antes de Heróis e Vilões as gangues dominavam o lugar, até hoje, os grupos de Fishmonney eram renegados e caçados na cidade, a gangue de Falcone era principal aliada do Mascará Negra. Existia também os que seguiam o Pinguim, Coringa, Duas Caras. Esses grupos eram mais reclusos. Não atuavam dessa forma. Mas todos eram igualmente um grande vírus para a cidade.

– Spolier, ativa o comunicador. Você entra pelo sul e eu vou pelas casas. Vamos assustar eles, usa o medo ao seu favor. E pelo amor de deus toma cuidado. – Tim ligava o comunicador e juntava seu bastão a sua mão e se preparava para se lançar ao caos.

Spolier ligou o seu também e estalou os dedos da mão se preparando para o ataque. – Eu sempre tomo cuidado gatinho. Vou logo avisando, eu vou querer pizza de quatro queijos.

Robin disparou seu arpão na pequena casa verde a sua frente e entrou na mesma pela janela que estava aberta. Spolier correu pela rua em campo aberto contornando-a e entrando pelos becos.

Longe dali nas docas um grupo de chefões de casas de prostituição, donos de bocas de trafico e comerciante de armas se juntavam a Falcone para uma reunião de negócios.
As docas eram conhecidas como ponto de encontro dos ‘’ Donos da cidade ‘’ a um bom tempo, com isso a policia era cobrada para patrulhar o local frequentemente na chance de pegar alguma negocião no ato. Perto dali um carro da policia estava parado bem em frente aonde eles negociavam. O policial se aquecia dentro do carro com um café e olhava o movimento em volta e falava no rádio. – O movimento ta vazio chefe, vocês avisei pra DP que vou fazer patrulha aqui até mais tarde. Ninguém vai incomodar o trabalho de vocês.

– O tira falou que o movimento ta limpo. Podemos trabalhar agora.

O homem careca de idade avançada acariciava seu anel no dedo enquanto se mantinha sentado na ponta da mesa fitando seus companheiros.

– Li sun, o que você trouxe pra gente? – O rapaz mais gordo perguntava enquanto impregnava o lugar com a fumaça incessante de seu cigarro.

– Eu só vou mostrar o que eu trouxe assim que você me explicar por que caralhos tem homens seus cobrando dobrado paras minhas putas trabalharem na sua área. Ta tentando ganhar por fora Jack? Eu vou cortar essa sua barriga gorda para você ter muita coisa pra fora que possa pegar.

Grupos pequenos discutiam negócios na grande mesa, e outros apenas ficavam quietos observando a agitação no lugar. O homem careca coçou seu anel uma ultima vez e bateu com sua arma na mesa de forma que todos pudessem ouvir.
Todos se calaram e fitaram o homem com respeito e medo. O homem sorriu.

– Cavalheiros, como sabem o grupo do Mascará Negra está agora forçando a retirada dos remanescentes da gangue de pretos. – Falcone cuspiu na mesa com repulsa a própria palavra. – Li sun, carregue todos com seu equipamento, uma caixa para cada um. Por minha conta. Vamos precisar de todo mundo pronto para o que estar por vir.

Ninguém ousou dizer não, até Li sun abaixou a cabeça e comunicou pelo celular para seus homens pegarem as caixas e entregar para todos. Falcone era a cabeça, o corpo e a alma do crime na cidade, os que duvidavam disso ou eram tolos, ou defuntos.

– Ahm.. Senhor Falcone, o carregamento que o senhor pediu, ta se encaminhando para a rua 13 agora. Vai chegar no galpão do Strange em poucas horas. Nenhum contratempo ocorreu como o senhor pediu. – Um homem baixinho acanhado e aterrorizado se aproximou de Falcone para dar a informação, os olhos dele não saíram do chão nem por um segundo.

– Ótimo, estamos a um passo do futuro rapazes, um passo... – Falcone sorria deixando os companheiros mais a vontade que agora também sorriam e riam alto recebendo o equipamento de Li sun.

No topo de um contêiner perto dali, entre as longas estruturas de ferro que mantinham todo o cais de pé. Em meio a escuridão uma figura se mantinha deitada com o olho na mira de uma arma, apontada para a cabeça de Falcone. A figura viu de camarote toda a negociação dos chefes do crime de Gotham, através de um fone ouvia tudo que diziam.
Relaxava a respiração e destravava a arma forçando o dedo contra o gatilho, mantinha a arma firme e ponderava a ideia.

– Um passo do futuro.

A figura travava a arma mais uma vez e tirava o olho da mira pondo-a de lado.

– Vamos ver tem lugar para mais um nesse futuro.