Tigers
21 Xanferhion - A Alegria Roubada - Parte 1
Notas iniciais
– HEY! XANFER! VEM LOGO!ELES ESTÃO CHEGANDO! –gritava uma bela jovem loira de olhos castanhos, aparentava ter 13 anos e usava roupas feitas de pele animal.
Xanfer – Já estou indo Maita.
Interrompendo seu descanso sobre uma colina esverdeada, Xanferhion, aparentando 10 anos de idade e também trajando roupas de pele, se levanta e segue a garota. Mesmo com a diferença de idade, Xanfer era mais alto do que Maita.
Maita – Você devia ser mais cuidadoso. Da última vez que chegaram e você não estava lá, eles te castigaram não foi?
Xanfer – O que posso fazer? Eu adoro isso!
Maita – Adora ser castigado?
Xanfer – O q-
Maita – Não sabia que você era sadomasoquista.
Xanfer – NÃO! NÃO É ISSO!
Maita – O que é então?
Xanfer – (junta as mãos e as joga na nuca) Eu gosto da paz.
Maita – Hum?
Xanfer – Quando eu deito sobre a colina eu consigo sentir tudo. Consigo sentir o vento, o sol, as plantas, os animais… tudo. É uma sensação maravilhosa e eu quero senti-la sempre que eu puder.
Maita – Esquisito.
Xanfer – O q-
Maita – Super, mega, ultra esquisito.
Xanfer – Esquisito?! Você que quis saber e me chama de esquisito?
Maita – Eu gosto.
Xanfer – Ah?
Maita – Você é diferente e não pensa igual aos outros. Age do jeito que quer.
Os olhares se cruzam e Xanfer fica vermelho com o lindo sorriso estampado nos lábios da loira.
Maita – É isso que eu amo em você Xanferhion.
Totalmente sem graça e envergonhado, Xanfer abaixa a cabeça e fica tocando os indicadores.
Xanfer – Não diga isso Maita. Você sabe que eu não sou um “Hion”.
Maita – AH? Depois do que eu disse você só prestou atenção em como eu te chamei? Seu esquisito!
Xanfer – Eh? Isso outra vez?
Maita – O MAIOR ESQUISITO DO VILAREJO (começa a correr)!
Xanfer – EU NÃO SOU ESQUISITO, SUA ESQUISITA (a persegue)!
“Hion”. Todos os jovens da nossa vila buscam desesperadamentecolocar essas quatro letras após o nome. Tendo esse adicional no nome você seria respeitado, amado e temido por todos. Teria tudo de bom que nossa vila pudesse oferecer, mas eu não ligo nem um pouco pra isso.
Não muito distante o vilarejo era visto: tendas e cabanas feitas com madeira, panos e restos de animais. Adultos, adolescentes e crianças eram vistos conversando, brincando e lutando. Desde cedo as lutas eram incentivadas com o objetivo de criar guerreiros mais fortes. Crianças entre 3 e 5 anos de idade possuíam força de uma criança de 10 anos.
Maita – Vem logo!
Xanfer – Espera!
Eles tentam passar por entre a multidão que se agrupou diante a entrada principal. Um pouco distante, alguns jovens notam Maita e Xanferhion e, igual a muitos ali, os encaram com indiferença.
Maita – Onde será que foram dessa vez?
Xanfer – Não sei. Talvez em um covil de Telakires.
Maita – Impossí-
Xanfer – Você não conhece o meu pai. Nada é impossível pra ele. Maita?
A euforia tomou conta de todos ali quando uma armada se aproxima, mas Maita mantinha um semblante triste ao ver várias pessoas acorrentadas. Liderando-a está um homem alto, cabelo raspado, sem a orelha direita, uma cicatriz iniciando-se sob a sobrancelha, atravessando o olho e terminando sobre o queixo. Trazia em seus ombros seu mais recente troféu: a pele de um Telakir Alfa.
– Limpe isso até amanhã. – tira a pele dos ombros e a joga em uma mulher qualquer sem desviar o olhar ou parar de andar.
– S-sim, mestre Rutterhion. – ela pega a pele e se vai.
Rutterhion – Como está a caça?
– Excelente, meu senhor. – respondia um vassalo – Sem nenhuma ocorrência.
Rutterhion – Preparem logo uma refeição. Estou faminto.
– Agora mesmo senhor. Não quer saber das novidades?
Rutterhion – Fomos atacados?
– Sim. Alguns bárbaros do norte tentaram nos dominar, mas nossos jovens deram conta deles.
Xanfer – Bem vindo de volta, pai.
O líder para de andar, olha para o lado e encara o filho que portava um semblante tímido.
Rutterhion – Quantos foram mortos?
– Jogamos mais de duzentos corpos aos Telakires, meu senhor.
Rutterhion – E quantos esse jovem diante de mim matou?
– Ele não…
Xanfer – Eu não… fui pra-
Rutterhion – Chame os conselheiros. Quero atacar esses bárbaros amanhã.
– Agora mesmo.
Deixando o filho de lado, Rutterhion continua sua caminhada até a tenda central. Mesmo um pouco em choque com o ocorrido, Xanfer volta a si quando Maita segura sua mão e o puxa.
Maita – Vem. Vamos sair daqui.
Ainda um pouco desorientado, Xanfer lentamente a acompanha, mas sem perceber que estavam sendo seguidos. Algum tempo depois, Rutterhion adentra a tenda principal ondetrês senhores, vestindo roupas feitas com pele e ossos, repousam em tronos.
– Os anciões de Xontor saúdam a chegada de seu líder. – diz o primeiro.
Rutterhion – Sem conversa fiada. Eliminarei os bárbaros do norte até o próximo entardecer.
– Fomos bem criteriosos quanto a isto. – começa o terceiro – Mesmo com sua sede de poder, não podemos acabar com um inimigo que serve como uma de nossas defesas.
Rutterhion – É o terceiro ataque esta semana. A cada ataque eles nos subestimam. A cada semana eles ficam mais ousados. Eles querem nos eliminar e eu não vou deixar.
– Prevejo um ataque de seu líder. – inicia o do meio – Isso deverá ser logo.
Rutterhion – Logo? Quando será esse “logo”?
Os três se calam deixando-o irritado.
Rutterhion – Não acredito em vocês.
– Não acredita? – questiona o primeiro.
Rutterhion – Não mais. Achei que não se superariam da primeira vez, mas essa foi incrível.
– Primeira vez? – dizia o terceiro.
Rutterhion – Quando previram que eu seria morto por meu filho.
– Nunca dissemos isso. – novamente o do meio – Dissemos que o líder do clã de Xontor seria morto por seu filho. Pode ser nesta, na próxima ou na geração seguinte. Só sabemos que será-
Rutterhion – Logo não é?
– Mas pode ficar tranquilo, pois temos certeza de que não será nessa. – ironizava o primeiro – Um único filho e este nem busca honrar sua linhagem. Imagino se ele ao menos será um Hion.
– Para um descendente direto de Xontor, ele não aparenta ser um lutador, muito menos um guerreiro. – continuava o terceiro – É uma humilhação para nosso clã.
– Ambas as situações foram esclarecidas hoje. Não atacará os bárbaros do norte e não será morto pelo seu filho inútil. Entendeu?
Rutterhion apenas confirma com a cabeça, se vira e se retira da tenda. Os dedos de suas mãos se contorciam e sua fúria estava mais do que visível.
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Longe dali, Xanfer estava sentado sob a copa de uma árvore enquanto Maita brincava nas águas de um riacho.
Maita – Hey, Xanfer! Vem cá! A água tá ótima! XANFER!
Não conseguindo a atenção do amigo, Maita olha para o fundo do riacho e exibe um sorriso maléfico. Xanfer, ainda cabisbaixo, não percebeu o aproximar da amiga e, em um pulo, se afasta dali ao sentir algo em seu pescoço.
Xanfer – O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO, MAITA?
Maita – Você não me dava atenção, então eu ataquei seu ponto fraco!
Xanfer – Ponto fraco?
Maita – Sim! (mostra duas pedras) Você não gosta do frio e é bem sensível na nuca. Ataque perfeito! (faz um “V” com a mão direita)
Xanfer – Você é bem cruel as vezes, sabia disso?
Maita – Heheheh!
Xanfer – Mas, obri-
– Olha só quem nós encontramos pelas nossas andanças!
Xanfer se vira e cinco jovens aparecem. Quatro deles deviam ter entre 13 e 15 anos. Já o mais forte, e aparentemente o líder do grupo, devia ter uns 18, cabelos vermelhos e curtos, olhos negros, trazia uma espada na cintura e possuía uma cicatriz na bochecha direita.
Xanfer – O que você quer, Hidan?
– É Hidanhion pra você. – disse um de seus seguidores.
Maita – “Hion”? Por quê?
Hidan – Após o ataque dos bárbaros do norte e minha maestria no campo de batalha, nosso líder decidiu me promover. (seus subordinados param, mas ele continua andando) Você não sabe a honra que eu tive ao receber o título.
Xanfer – Verdade? Meus parabéns, Hidanhion. Espero que você conti-
É interrompido pelo soco que recebera de Hidan. Maita se assusta e corre para ajudar o amigo.
Maita – Xanfer! Por que você fez isso?
Hidan – Você sabia, Xanfer?
Xanfer – Hum? (apoiando-se em Maita)
Hidan – Muitos do clã acham que eu serei o próximo líder de Xontor.
Maita – Ah?
Hidan–Eu fiz os testes com os anciões e, mesmo sem eu treinar, minha força aumenta em 4% a cada dia. Não serei tão forte como nosso mestre Rutterhion, mas superarei qualquer um no clã.
Algo assustador em nosso clã é essa habilidade. Não precisamos treinar ou cuidar de nossos corpos para obtermos força. Precisamos apenas descansar. Um Xontoriano comum aumenta sua força em 2% a cada novo dia. O atual líder tem sua força ampliada em 7% a cada dia.
Xanfer – O que quer que eu diga? Parabéns outra vez?
Hidan – Tsc! Todo o clã se sente humilhado por sua existência. Ainda mais por você ser filho do mestre Rutterhion. Ninguém consegue engolir que você não passa de um inútil perante aos nossos inimigos.
Maita–Cala a boca!
Hidan – Tão inútil que precisa de uma escrava pra te proteger.
Maita, assim como muitas pessoas que vivem no vilarejo, é uma escrava trazidaà força de sua vilaque fora destruída por nosso clã. Nossa amizade é algo desprezado por todos e considerado humilhante.
Xanfer – Ela não é uma escrava.
Hidan – Ah?
Xanfer – Ela é minha amiga. É algo verdadeiro e sincero. Muito diferente desses idiotas que te seguem.
– Idiotas? Você vai ver!
Os quatro avançam sobre o caído Xanfer e começam a espanca-lo. Maita tenta impedi-los, mas é segurada por Hidan.
Hidan – Aonde você vai, gatinha? Sabia que você é a escrava mais atraente daqui? Se for boazinha eu (colocando a mão por dentro da blusa dela) cuidarei muito bem de você.
Maita – ME SOLTE SEU NOJENTO! (se solta ao arranhar o rosto dele com as unhas)
Hidan – ARGH! Sua cadelinha!
Desfere um tapa em Maita, fazendo-a ir ao chão.
Xanfer – Maita!
Hidan – Vou te ensinar o que acontece com uma escrava que desobedece um Hion. (saca sua espada) Vou começar por suas mãos, para que não cometa o erro de me arranhar novamente.
Maita fecha os olhos e espera o ataque que parte como um raio em sua direção, mas algo a surpreende quando ela os abre: o punho de Hidan que embainhava a espada fora segurado.
Maita – Xanfer.
Hidan – O que diabos vocês pensam que estão faze- o… que?
Olhando para os companheiros, Hidanse espanta ao vê-los caídos e imóveis.
Xanfer–Seus “amigos” não tiveram escolha, mas eu te ofereço duas.
Hidan – Como é que é?
Xanfer – Primeira: desculpe-se com Maita, saia daqui e não conte a ninguém o que aconteceu aqui.
Hidan – Você está de brincadeira comigo, não é?
Xanfer – Segunda: pode se juntar aos seus amigos.
Hidan – Não me faça rir!
Hidan tenta puxar sua mão, mas Xanfer fecha mais seu punho ao ponto de seu inimigo ajoelhar de dor.
Hidan – NÃO! NÃO! PARE! POR FAVOR, PARE!
Xanfer – Por favor? Um Hion pedindo por favor? Que gracinha! (fecha mais a mão)
Hidan – AAAHHH!
Xanfer – Desculpe-se com Maita!
Hidan – DESCULPE! DESCULPEEEE!
Xanfer – Você não está sendo sincero.
A força depositada era tanta que fez a bainha da espada se quebrar e a lâmina ir ao chão. A satisfação de Xanfer ao ver seu inimigo sofrer era vista em seu sorriso, mas ele logo desaparece quando Maita encosta a testa nas costas dele.
Xanfer – O que você-
Maita – Pare com isso.
Xanfer – Ele quis te machucar. Eu não-
Maita – Esse não é você. Você não é desse jeito. Não é o Xanfer que eu conheço.
Uma gota quente escorre pelas costas de Xanfer e soluços de choro são ouvidos por ele.
Maita – Por favor.
Pouco a pouco a raiva de Xanfer se vai junto com suas forças. Livre e assustado, Hidan junta o resto de suas forças e foge. Vendo que seu pedido fora aceito, Maita envolve o amigo com um caloroso abraço. Algo que o surpreendeu, pois nunca sentiu algo tão acolhedor. Segurando a mão de Maita, que estava em seu peito, Xanfer chama a atenção da amiga.
Xanfer – Vem comigo.
Maita–Onde-
Xanfer – Vem logo.
Maita – Mas… mas… e eles?
Quando Xanfer vira o rosto e a encara, Maita vê um sorriso tão forte e destemido ao qual nunca vira no rosto dele.
Xanfer – Confie em mim.
Esquecendo de todo o ocorrido, Maita sorri e o segue.
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Mais um dia chegava ao fim e as pessoas no vilarejo comiam, bebiam e comemoravam mais uma vitória do clã.Tambores soavam enquanto algumas escravas dançavam impulsionadas pelo chicote de uma anciã. Ao redor de uma fogueira e rodeado por três mulheres seminuas, Rutterhion apenas observava enquanto seus súditos conversavam e riam. Ele deposita sua atenção ao ver Hidan correndo e procurando alguém desesperadamente enquanto ocultava sua mão. Sua busca termina quando este encontra uma musculosa mulher de cabelos ruivos.
Hidan–Sui! Irmã Sui.
Sui – Hidan! Achei que estivesse comemo-
Olhando para o irmão, Sui nota os dedos de sua mão esmigalhados, corre e o puxa para dentro de uma tenda para ajudá-lo.
Sui – O que você fez na mão?
Hidan – Fomos atacados. Kirat, eu e-
Sui – O que fez isso em você?
Hidan – (fica quieto)
Sui – Quem fez isso Hidan?
Hidan – Foi o… Xanfer.
Sui – O que?
Hidan – Xanfer fez isso.
Sui – Hahahah! Pare de mentir assim! Como ele pode ter feito isso?
Hidan – Não estou mentindo! Eu tive sorte de sair vivo. Kirat e os outros estão mortos e foi culpa dele!
– Culpa de quem?
Ambos se surpreendem quando o líder do clã aparece diante deles. Mais que rapidamente os dois se ajoelham.
Sui – Mestre Rutterhion. Que honra recebe-lo em meus aposentos.
Sem dizer uma palavra, Rutterhion adentra a tenda e fica diante deles.
Rutterhion – Levante sua mão, garoto.
Hidan – (o faz)
Rutterhion – De quem foi a culpa?
Hidan – Foi o Xanfer, mestre Rutterhion.
Rutterhion – Sabe que não tolero mentiras, não sabe?
Hidan – Eu seria louco em mentir pra você, mestre.
Rutterhion – Que provas você tem?
Hidan – Kirat, Duga, Carvelli e Zauro. Eles estão perto do riacho. Todos foram mortos por Xanfer.
Rutterhion – Verdade?
Hidan – Sim.
Rutterhion – Então por que eles estão caminhando perto da fogueira?
Hidan – O que?
Saindo da tenda, Hidan se assusta ao ver seus amigos vivos e um pouco atordoados.
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Sentados sob a planície esverdeada e aproveitando os últimos raios de Sol, Xanfer explica o ocorrido enquanto Maita cuida das feridas em suas costas.
Maita – Você não os matou?
Xanfer – Eu descobri o local que eu deveria jogar a pressão necessária apenas para desmaia-los. Ataque perfeito (faz um “V” com a mão direita)!
Maita – Mas como isso é possível?
Xanfer–O clã de Xontor, principalmente os Xontorianos puros, possui habilidades monstruosas. Se um deles te golpear e não acertar, mas passar perto o bastante, uma pressão é criada e ela se contrai. Dependendo do lugar que passar pode ser fatal. Eu diminui a pressão e os ataquei perto de suas nucas.
Maita – E você fez essa pressão apenas desmaia-los?
Xanfer – Sim!
Maita – Esquisito.
Xanfer – Outra vez isso? Por que você sempre me chama de-
Maita se levanta, ergue o rosto de Xanfer pelo queixo e, de ponta cabeça, o beija. Maita percebe que, ao se afastarem, os lábios de Xanfer ficam trêmulos.
Xanfer – O que foi isso?
Maita – Isso se chama beijo.
Xanfer – Eu sei o que é, mas… por quê?
Maita – Não gostou?
Xanfer – Não foi isso que eu-
Maita – Eu estava errada.
Xanfer – Ah?
Maita – Em te chamar de Xanferhion. Você não é igual a eles. Você é melhor do que eles. Você é maior do que eles. É isso que eu amo em você, Xanfer.
Ela se aproxima para beija-lo novamente, mas se espanta quando sente-se puxada e jogada ao chão por ele. Rolando pela planície, ambos ficam com o corpo cheio de folhas. Xanfer olha nos olhos de Maita e se assusta com as lágrimas que escorrem de seus olhos.
Maita – Eu fiquei assustada.
Xanfer – D-desculpa! Não sabia que isso iria te assustar.
Maita – Não por isso. Você me assustou com o que fez com Hidan. Eu nunca te vi daquele jeito.
Xanfer –Ele te machucou e… acabei perdendo a cabeça.
Maita – Me promete… que não vai ficar mais assim.
Xanfer – Eu… prometo.
Maita – Enquanto eu viver?
Xanfer – Sim. Eu prometo.
O sorriso da loira novamente o deixou sem reação. Desviando o olhar, Xanfer respira fundo e a encara.
Xanfer – Eu queria te convidar, mas não sabia se você queria o mesmo.
Maita – Convidar pra quê?
Xanfer – Vem comigo. Pra longe daqui.
Maita – O que?
Xanfer – Vamos sair do vilarejo e construir nossa vida juntos.
Maita – Tá doido? Seu pai vai nos caçar como se fossemos Gauris.
Xanfer – Ele não vai nos achar. Atravessaremos as fronteiras do norte além das montanhas, cruzaremos o oceano com os navegadores e-
Maita – Desculpe.
Xanfer – Por quê?
Maita – Eu tenho irmãos e irmãs aqui. Eu… eu amo você Xanfer, mas não posso deixá-los sofrendo aqui enquanto vivo uma vida feliz.
Aparentando tristeza, Xanfer se afasta dela, se levanta e vira o rosto para o Sol. Ele fecha os olhos, espera o sol finalmente se pôr e encara Maita.
Xanfer–Então está decidido.
Maita – Decidido?
Xanfer – Sim. Eles vem com a gente.
Maita – Como é?
Xanfer – Vamos fugir. Todos nós. Hoje.
Maita – Eu não entendi.
Xanfer – Então eu vou ser mais direto.
Aproximando-se de Maita, Xanfer demonstra o mesmo sorriso confiante fazendo a loira corar.
Xanfer – Nós vamos fugir e seus irmão e irmãs vem com a gente.
Maita – Ah?
Xanfer – Será perfeito. Todo o clã ira comer e beber devido a última vitória e todos vão dormir. Vamos voltar, você avisa todos para se prepararem e nos encontramos aqui. Pegue só o necessário e- o que foi? Por que está chorando?
Maita – Você é esquisito (soluço de choro). O maior esquisito do mundo.
Xanfer – Sei disso. E sei também que é algo bom.
Maita – Sim.
Xanfer – Vamos voltar. Agiremos normalmente, mas não podemos perder tempo, ok?
Maita – Deixa comigo!
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Diante de muitos do clã, Hidan e seus seguidores estão ajoelhados e de cabeça baixa enquantoRutterhion os observa.
Sui – Não consigo acreditar nisso, meu senhor. Mesmo após os cinco terem contato a mesma coisa.
– Quanto maior o número de testemunhas, maior será a veridicidade dos fatos. – indagava o lacaio de Rutterhion.
Sui – Mesmo se duzentas pessoas vierem a dizer a mesma coisa eu ficaria em dúvida. Infelizmente Xanfer não é do tipo torturador. Isso é impossível.
– Impossível ou não devemos nos atentar nas testemunhas que presenciaram tudo.
Sui – Mas você não-
Rutterhion – Quietos.
Ambos obedecem. A passos lentos e pesados, Rutterhion se aproxima dos jovens.
Rutterhion – Sua mão dói, garoto?
Hidan – Sim, mestre.
Rutterhion – Toda a dor termina quando a morte chega. O fim dos seus sofrimentos, dos seus sonhos, das suas dores. Ela é realmente o fim de tudo.
Os jovens erguem os rostos e encaram seu mestre.Rutterhion se abaixa, pega a mão machucada de Hidan e começa a aperta-la. Os gritos de dor do irmão não fizeram com que Sui se incomodasse.
Rutterhion – Eu posso fazer essa dor ser mil vezes maior e o seu caminho para a morte durar dias. Vocês vão chorar, vomitar e se cagar de dor. Vão implorar para que eu os mate, mas eu não os matarei. Sabem por que? Por que vocês mentiram para mim. Vocês não estão mentindo, estão?
– Não, meu senhor – todos, exceto Hidan, respondem em uníssono.
Tendo sua mão solta, Hidan a puxa para perto de seu corpo visando amenizar a dor.
Sui – O que fará, meu senhor?
Rutterhion – Amputem a mão desse garoto. É inútil do jeito que está e nunca mais voltará ao normal. Continuem com o que estão fazendo.
Com sua tenda como destino, Rutterhion começa a caminhar e deixa seus súditos apreensivos.
…
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