Tigers
23 Serpentes entre nós
Notas iniciais
Venks – Não acreditei em seu retorno. O que aconteceu com Xanferhion?
Rozekio – Está morto.
Levantando de sua cadeira e aproximando-se mais do monitor, Venks Dregon exibe um olhar de descrença.
Venks – Como isso?
Rozekio – Isso o que? Ele morreu. Perdeu para aquele garoto. Entendeu?
Venks – Eu entendi o que disse, mas não consigo criar essa imagem em minha mente. Como um guerreiro que em sua existência roubou dezenas de milhares de vidas fora derrotado por uma criança?
Rozekio – De alguma maneira ele estava fraco e não conseguia usar seus poderes. Ele me deu um soco para testar se suas habilidades estavam funcionando, mas eu ainda estou aqui!
Venks – Isso foi realmente inesperado.
Rozekio – Ele não foi sozinho. O garoto também morreu.
Venks – Quais são as condições do Zaeron? (olhando para o lado)
– A análise desse planeta mostrou que os recursos em seu solo são bem promissores e encontraremos tudo o que for necessário. Mesmo assim precisaremos de mais cinco dias para o total reparo do Zaeron e mais quinze para recarrega-lo.
Venks – E do outro lado?
– As propriedades do Nizou conseguem construir um Zaeron, mas sua base era diariamente avariada por Xanferhion. Com sua morte confirmada ela se iniciará o quanto antes. Sua base de energia estará pronta em cinco dias, mas sua estrutura principal se completará em doze.
Venks – Há algo em Veratia que nos possa ser útil?
– Nada que possa acelerar seu processo.
Venks – Me diga em que você o estava ajudando.
Rozekio – Eu disse que lhe cederia informações de dentro dos portões de Sairati e ele me recrutou.
Venks – Muito bem. Me informe sobre tudo o que descobrir a cada amanhecer.
Rozekio – Sem problemas, mas creio que nos próximos cinco dias será impossível.
Venks – Explique.
Rozekio – Existe um ritual chamado Tausarani que se inicia após a morte de alguém em Sairati. Todos ficam em suas casas em sinal de respeito com os mortos. Xanferhion causou muitas mortes e, provavelmente, o Tausarani será iniciado hoje.
Venks – Não vejo o porquê de sua saída não ser possível.
Rozekio – Todos se recolhem para suas casas. Seria um desrespeito além de suspeito uma pessoa sair em uma situação dessas.
Venks – Tem certeza disso?
Rozekio – Devido à todos os acontecimentos, tenho certeza que o Tausarani será anunciado hoje e se prolongará por cinco dias.
Venks – Então veja o que consegue descobrir e volte no fim desse ritual.
Rozekio – Conte comigo.
Venks – Me diga uma coisa.
Quatro fotos aparecem na parte inferior do monitor e Rozekio aponta para uma delas.
Rozekio – É este. Este é o garoto que lutou com Xanferhion.
Venks – Muito bem. (a foto de Toni desaparece) Reconhece algum dos outros?
Rozekio – Esta aqui é uma Gashi em Sairati. Gashi Nakashyro ou algo assim. Nunca vi os outros, mas adoraria conhece-la. (encarando a foto de Lysa)
Venks – Se um deles está lá então os outros dois também estão. Além de informações o que mais você pode nos prover?
Rozekio – Você ficará surpreso com o que eu posso lhe oferecer.
Venks – É mesmo?
Rozekio – Me dê o nome de todos eles e mais três dias após o Tausarani. Voltarei com algo esmagador para você.
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Antes do cair daquela tarde a ponte de acesso a Sairati fora concertada. Uma grande comemoração após o término do serviço foi feita e Mikke, mesmo não sendo tão útil, também se animou como todos. Alegria essa que durou pouco após Akishiba chamar a atenção de todos.
Akishiba – Um objetivo e a força de vontade de todos. Esse serviço não poderia ser feito apenas um de nós, mas sim com a união de nossas forças. Se eu morrer hoje quero que saibam que eu morreria alegre sabendo que Sairati está em boas mãos e que essas mãos estão unidas buscando o melhor para todos!
A euforia é exibida nos olhares e gritos de todos ali.
Akishiba – Comam, bebam e descansem um pouco. Essa foi a nossa vitória de hoje.
– E quanto ao seu anúncio Erigashi?
Akishiba – Informarei vossa Grisma sobre o ocorrido aqui. Os deixarei a par de tudo o que sei em meu retorno.
Todos se dispersam enquanto Akishiba retornava para a sala de Janessa. Observando suas mãos cheias de cortes e farpas, Mikke sentiu-se orgulhoso em ter participado daquele momento.
– Olha! Você sobreviveu! – caçoava o jovem de cabelos castanhos de antes.
Mikke – Há! Engraçado.
– Perdoe-o. Caçoavam dele no começo também e agora ele desconta nos outros. – ressalvava o senhor careca.
– Caçoavam de mim por ser melhor do que eles.
– Melhor em desmaiar por erguer metade de uma dessas toras.
Mikke – Sério isso?
– Para de espalhar isso, tio.
Mikke – Tio?
– Meus modos foram martelados nesse portão. Peço desculpas por isso. Meu nome é Zutak e este é meu sobrinho Ize.
Mikke – Eu sou Mikke e vim de-
Zutak – Não diga mais nada. Erigashi logo voltará e todos saberemos quem é você.
Mikke – Tudo bem então.
Zutak – Você deve estar com fome. Vamos comer algo antes que ele volte e-
O portão começa a se abrir e alguém aparece diante dele e, a passos rápidos, entra logo em seguida.
Ize – Rozekio? Onde você esteve cara?
Rozekio – Não tenho tempo. Onde está o Erigashi? (olha para Mikke)
Ize – Seguiu para a sala de vossa Grisma, mas- Hei!
Não houve como impedir o jovem de cabelos cinzentos de seguir seu caminho.
Ize – O que houve com esse cara?
Zutak – Não sei, mas parece urgente.
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Em pé diante de Geixa e Janessa, Akishiba explica os detalhes que lhe fizeram seguir até suas presenças.
Akishiba –… foi um choque inicial, mas tudo foi resolvido.
Janessa – Muito bom.
Akishiba – E sobre a Eren? Algo já foi mencionado à elas?
Geixa – Ainda não. Somente informamos que algo será anunciado e a preparamos mentalmente para o que virá.
Akishiba – Entendi. Então nós só devemos informar que-
– ERIGASHI! – aparece e se apoia, ofegante, na entrada da sala.
Janessa – Quem é esse?
Akishiba – Por onde esteve Rozekio?
Rozekio – Preciso falar… com você. Com todos… vocês.
Akishiba – Também preciso falar com você, mas agora não é o-
Rozekio – Xanferhion está morto.
A junção dessas palavras fizeram com que tanto Janessa quanto Geixa levantassem de suas respectivas cadeiras e encararem o jovem.
Janessa – O que?
Akishiba – Esse não é lugar para brincadeiras Rozekio.
Rozekio – NÃO ESTOU BRINCANDO! Eu vi. Um garoto de cabelo espetado que… não sei… usava gelo o derrotou, mas pereceu em seguida.
Geixa – O protegido de Nizuka. Onde eles estão?
Rozekio – Perto das rochas de Aradit.
Akishiba – Vou para lá imediatamente. (começando a caminhar)
Geixa – Eu irei junto.
Janessa – Não. (volta a se sentar)
Akishiba – Não? Por quê?
Janessa – Essa é uma informação importante que devemos confirmar o quanto antes, mas não podemos nos arriscar e ficar expostos ao escuro.
Akishiba – Eu não entendo seu raciocínio Vossa Grisma.
Janessa – E a penumbra noturna é perfeita para ataques de Jambarus.
Akishiba – Nem dez Jambarus seriam capazes de me derrubar e-
Geixa – Não questione, Erigashi.
Akishiba – Mas, Enishi…
Geixa – Foi uma ordem direta da Grisma. Não questione.
Akishiba – Está bem.
Geixa – Seguiremos para a Eren e faremos o anuncio.
Akishiba – Voltarei para a Oren. Se precisarem de mim me chamem. (se vira e caminha) Vamos Rozekio.
Ao saírem da sala, Geixa nota que Janessa voltou a tremer.
Geixa – Realmente. Devido aos Jambarus é extremamente perigoso sair à noite, mas esse não é o verdadeiro motivo por trás da ordem de permanecermos aqui não é?
Janessa – Esse é o maior perigo que sabemos como evitar. Não podemos correr esse risco.
Geixa – Mas acredito que somente o poder de Kayera causaria tamanho pavor em você.
Janessa – (não consegue conter sua tremedeira)
Geixa – Não temos nada confirmado sobre ela. Me desculpe, mas não ficaremos presos à uma suposição.
Janessa – Suposição ou não, essa foi uma ordem minha. Você mesmo disse: “Foi uma ordem direta da Grisma. Não questione.”
Janessa se levanta e começa seu percurso até a Eren. Mesmo indignada pela decisão dela, Geixa percebe que a real intenção de Janessa é proteger todos. Abraçando estes pensamentos ela logo a segue.
Lysa – Naquela mesma noite, Janessa e Geixa reuniram todas da Eren e informaram sobre o que estava acontecendo. Igualmente foi feito por Akishiba na Oren. Fomos apresentados logo de início. Lika era uma antiga conhecida de todas ali e eu morri de vergonha. Acredito que Mikke também foi apresentado, mas não sei como ele ficou. Uma garota chamada Safira também foi apresentada, mas ela também era uma antiga conhecida da Eren. Não escondendo nada falaram sobre o possível retorno de Venks Dregon, que um lacaio dele matou Tayuu e mais dez guerreiros que formavam a patrulha naquele dia e de sua possível morte. Fora falado sobre o ainda desconhecido paradeiro de Delug e as mortes de Aték, Vaz e Celta. Apelos, gritos e choros desesperados clamando seus entes perdidos começaram e mesmo na Eren era possível escutar a mesma indignação na Oren.
– O QUE ACONTECEU ERIGASHI? QUEM FEZ ISSO? VOCÊ NÃO ESTAVA COM ELES NAQUELE DIA?
Akishiba – Estamos juntando informações que nos levem até o-
– INFORMAÇÕES? QUEM MATOU VAZ? QUEM MATOU MINHA IRMÃ? QUEM ERIGASHI?
Encarando Mikke, Akishiba nota que ele ficou abatido e aparenta estar sofrendo muito.
Akishiba – Descobriremos o mentor por trás disso e eu o trarei até aqui. Até lá eu lhes garanto que (olha para Mikke) este mal não entrará em Sairati e não afetará mais ninguém.
Mesmo não sendo o suficiente para dar-lhes conforto, as palavras de Akishiba acalmaram a maioria deles que pararam de questionar.
Akishiba – Antes de mais nada, para os amigos que não mais estão conosco, iniciaremos o Tausarani.
Lysa – Nos próximos cinco dias uma Sairati vazia e silenciosa seria vista. Todos estenderam faixas brancas sobre as janelas e portas de suas casas e se recolheram as mesmas. Não havia entendido de início, mas me explicaram que o Tausarani era o meio de Sairati mostrar que também estava triste.
Observando de longe, Mikke olha o homem que gritou por sua irmã e se questionava sobre sua reação se descobrisse que ele era o causador de sua morte.
Zutak – As perdas são difíceis, mas o tempo nos ensina a seguir nosso caminho e nossas vidas. Só alguém que também perdeu algo precioso para si pode compreender essa dor, não é?
Mikke – O que?
Zutak – Instantes antes de receber aquela notícia, Azudi estava com um olhar radiante. Agora o olhar dele está igual ao seu.
Mikke – (abaixa a cabeça)
Zutak – Todos temos cicatrizes e, de um jeito ou de outro, acabamos por mostra-las. Você é igual ao seu pai.
Mikke – O que? Conheceu meu pai?
Zutak – O tempo o levou muito cedo. Iwkento era um homem honrado. Ajudava todos que podia e, igual a você agora, partilhava da dor alheia como se fosse sua. Os olhos dele ficavam com a mesma expressão que a sua e-
– Vamos deixar a conversa para depois do Tausarani.
Mikke – Por favor, Erigashi! Eu quero saber mais sobre meu pai.
Zutak – Sei que não se conheceram, mas ficarei alegre em lhe contar tudo o que sei sobre Iwkento quando o Tausarani passar.
Akishiba – Mas agora eu preciso falar com você.
Mikke – Está bem. Obrigado Zutak.
Seguindo pelo corredor que dá acesso as outras áreas de Sairati, Mikke e Akishiba viram o corredor seguindo para a sala de Janessa.
Mikke – Aconteceu algo?
Akishiba – Devido a sua não iniciação da Oren, você passará os próximos dias em uma das salas reservas da Gashi enquanto será ensinado sobre as regras de Sairati.
Mikke – Me desculpe. Eu não queria causar aquilo e-
O terror nos olhos de Mikke era palpável quando Akishiba se vira, o ergue pelo pescoço, o encosta na parede e começa a enforca-lo.
Mikke – Ah… Guah!
Akishiba – Eu menti pra eles.
Mikke – ?
Akishiba – Eu disse que descobriria o mentor de tudo aquilo, mas você está aqui. Que aquele mal não entraria em Sairati, mas você estava entre eles. Eu nunca menti para eles e para proteger você eu tive que fazê-lo. Mesmo sabendo que não foi você o causador daquilo eu não consigo parar de pensar que você foi o culpado por não conseguir se controlar. Eu prometi para Vossa Grisma que te treinaria, mas se você se tornar um perigo para qualquer um dentro desses portões eu te garanto que sua respiração acabará ali. Entendeu?
Mikke – S-sim.
Sendo solto, Mikke vai ao chão de joelhos tossindo e buscando grandes doses de ar.
Akishiba – Levanta daí e vamos terminar logo com isso.
Akishiba se distancia enquanto Mikke se levanta e lentamente o segue.
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Ateci – Por que esconder isso dele, senhor?
Venks – Quanto menos ele saber, melhor para os nossos planos. Ele pode querer nos ajudar, mas da mesma maneira que ele traiu seu povo, nada o impediria de nos trair também.
Ateci – Mas o espírito ainda vive. O garoto não está morto.
Venks – Isso só prova o quão pouco ele sabe. Deixaremos assim até descobrirmos sua verdadeira face. Como estão os preparativos para as Cinco Privações, Ateci?
Ateci – Tudo seguindo conforme o planejado. Conseguimos uma boa quantia aqui, mas dependerá de quem você enviará.
Venks – Kayera.
Ateci – Terei que checar os números novamente e verificar se são compatíveis com sua força vital. Caso não seja o suficiente precisaremos aumentar esse número.
Venks – Isso não será um problema.
Ateci – Não?
Venks – É claro que não. Temos mais de mil humanos sob nossa vigilância e mais quatro bilhões espalhados por esse planeta. Aumentar esse número não será um problema.
Ateci – Certamente Senhor, mas devemos levar em conta a ligação que eles possam ter com os nossos alvos.
Venks – Isso também não será um problema.
Ateci – Os humanos que entregaram os parentes dos Tigers também foram presos por estarem ligados a eles. Não creio que eles sejam tão burros ao ponto de voltarem a fazê-lo. As mesmas palavras não convencem a mesma pessoa.
Venks – Mas uma nova atitude também trará resultados.
Ateci – Nova atitude?
Algo apita em um dos monitores e é rapidamente checado por Ateci.
Venks – E os resultados começaram a aparecer.
Ateci – Estamos recebendo isso de muitos lugares. Várias pessoas estão sendo entregues por… Volgan? Como isso é possível?
Venks – O Observador. Se é um amigo, irmão, inimigo… não importa. Tanto mentiras quanto verdades são descobertas por Volgan. Esse ambiente o torna tão letal quanto uma serpente faminta rodeada por pequenos ratos.
Em um dos becos de Tokyo, uma garota foge de alguns Denairovers. Entrando na porta dos fundos de um estabelecimento, ela passa por uma cozinha, passa por uma porta e reconhece uma lanchonete com grandes cadeiras. Escondendo-se entre elas, ela tenta abafar ao máximo sua ofegante respiração com uma das mãos. Seu coração começa a disparar quando a porta pela qual passou lentamente se abre e passos são ouvidos.
– Ela entrou aqui.
– Ssshhh. Ouviu isso? Ali.
Ela coloca as duas mãos para silenciar totalmente sua respiração e fecha os olhos implorando para não ser encontrada.
– O que está fazendo a-
Tiros são ouvidos e dois gritos terminam por silenciar o lugar.
– Hei. Eu os derrubei. Você pode sair se quiser.
Curvando cuidadosamente seu olhar para a direção da porta, ela vê um homem de terno branco munido de uma katana com os dois Denairovers caídos.
– Quem é você?
– Alguém que viu esses dois te perseguindo e não gostou muito disso. Eu pretendo me afastar daqui por um tempo. Se quiser vir comigo eu estarei na cozinha pegando alguns mantimentos.
Ouvindo alguns barulhos na cozinha daquela lanchonete, ela cria coragem e sai de seu esconderijo. Os corpos dos Denairovers apresentavam cortes em seus pescoços. A queda de uma panela e um grito de “droga” a fizeram continuar seu caminho.
– Levaram tudo. Como pode não ter sobrado nada?
– Você não precisava tê-los matado. – o questiona.
– O que? – olha para ela.
– Que direito você tem de tirar a vida de alguém?
– Deixa eu ver se entendi: eu te salvei e você está me dando um sermão?
– Não me lembro de ter te pedido por isso e menos ainda-
– Desculpe.
– O… que? – confusa.
– Eu não pensei na hora. Eu vi você correndo e quis te salvar, mas não medi o que fiz. Estou arrependido por isso.
– Uau. Que… surpresa.
– Não encontrei nada por aqui então… eu vou indo.
– Pra onde você vai?
– Tentar salvar meus pais. Meus irmãos os entregaram por conhecerem um fugitivo e eu não estava em casa. Vou procurar um lugar seguro e bolar um plano. Quer vir junto?
– Tenho coisas à fazer.
– Posso te ajudar então? Esse lugar está cheio desses caras e está um caos lá fora.
– Por que quer me ajudar?
– Bom… por que você é uma gata?
– Tenta de novo.
– É que… eu quero tentar me redimir por aquilo se… você me deixar.
Do lado de fora, a porta se abre e o rapaz olha por ela.
– Me segue. – caminha pelos cantos daquele beco.
– Qual o seu nome afinal?
– Não gosto do meu verdadeiro nome, mas estou bem interessado no seu.
– Melisson.
– Melisson? Que nome esquisito
Melisson – Pra alguém que não quer falar o próprio nome é bem estranho ficar comparando o dos outros.
– Cuidado. – joga o braço sobre ela, encostando-a na parede.
Melisson – Hey! Algum problema?
– Parece que não, mas-
Melisson – Então pode retirar sua mão?
Ao olhar para Melisson, o rapaz percebe o olhar de fúria da garota em ter seu seio tocado por um estranho. Este, mais do que depressa, retira sua mão após ter sua cara afundada com um soco.
– Pra minha defesa não foi de propósito.
Melisson – (envergonhada) Não foi o que pareceu pra mim.
– É sério. Achei que tinha alguém ali e-
Melisson – Só vou lhe avisando: mais uma dessas e você para de respirar.
– Estou começando a ter medo de andar com a sua pessoa.
Melisson – É só manter suas mãos bem longe do meu corpo que nada vai te acontecer, beleza?
– Beleza. Diz aí! Que coisas você tem pra fazer?
Melisson – Tenho que encontrar minha irmã.
– Irmã? Qual é o nome dela?
Melisson – Lysa.
– E como ela é?
Melisson – É… aquela.
Em um dos mais altos prédios dali, a foto de Lysa era facilmente visível junto com a de Mikke e dos outros.
Melisson – Eu fiquei com medo de te contar, mas você disse que seus pais também foram presos por eles.
– Uau. Ela também é uma gata.
Melisson – E também é menor de idade. Fica longe dela seu hentai.
– Eu tive uma irmã.
Melisson – Ah?
– Creio que ela estaria com uns 15 anos, mas ela foi tirada de mim.
Melisson – Sinto muito.
– Posso imaginar como você está se sentindo e sei que é horrível não saber como ela está. Sua irmã está bem e com certeza nós a acharemos. Te prometo isso.
Mesmo desconfiada daquele cara, Melisson exibe um lindo sorriso.
– Acho que terminei por aqui.
Melisson – Terminou? Como assim?
Três Denairovers aparecem, cercando-os.
Melisson – Vem com-
Ela tenta correr, mas o rapaz segura seu braço e a empurra de encontro com os perseguidores que de pronto a seguram.
Melisson – Ah? O que? ME SOLTEM! ME SOLTEM AGORA!
– Confiança. – tira um cigarro do bolso e o acende – Algo precioso que todos buscam em momentos como esse.
Melisson – Como é?
– Tudo o que fiz foi dizer o que você queria ouvir no momento certo.
Melisson – Por quê? Por que você fez isso?
– É da minha natureza.
Melisson – Você disse que queria se redimir por matar dois deles!
– E você é a minha redenção.
Melisson – O que?
– Nosso exército diminuir é algo terrível para nós, mas voltar um passo e avançar três é um cálculo bem lucrativo no meu ponto de vista.
Melisson – Seu monstro! MALDITO! DESGRAÇADO!
– Que boca suja essa a sua.
Melisson – MENTIRO-
Um golpe com a bainha de sua katana fora desferido na barriga de Melisson, enfraquecendo-a e deixando-a semiconsciente. O rapaz abre os olhos dela e a encara com um olhar assustador.
– Em nenhum momento eu menti. Em nenhum momento eu inventei fatos para me aproximar de você então não ouse me chamar de mentiroso.
Melisson – Minha irmã… fique longe dela. Não encoste nela.
– Não posso. Eu te prometi que a encontraríamos, não prometi? Eu nunca quebro uma promessa. Levem-na daqui.
Melisson – Não.
– Sim, mestre Volgan.
Melisson – Não.
Dois Denairovers começam a arrasta-la em direção à fortaleza. Mesmo se debatendo, Melisson não consegue se soltar e, com os olhos lacrimejados, observa o seu afastar forçado daquele ser perigoso.
Volgan – Muito bem… Lysa. (olha para a foto) Eu fiz uma promessa pra sua irmã mais velha, então… eu com certeza irei te achar!
…
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