Tigers

24 Aquilo que carregamos


Notas iniciais
Mais um empolgante capítulo! Espero que gostem ^^ Boa leitura!

Pouco tempo se passou e Akishiba, acompanhado de Mikke, chega a sala de Janessa. Tratando de um último assunto com Geixa, ela logo é dispensada e segue para a Eren deixando Janessa, Mikke e Akishiba sozinhos.

Akishiba – Ele foi apresentado na Oren, mas ainda desconhece das regras que seguimos. Por isso solicito que ele fique em uma das salas da Gashi enquanto seu treinamento é preparado.

Janessa – Não vejo por que não. Alguém já foi designado para treina-lo?

Akishiba – Tenho alguns nomes, mas quero destacar o mais calmo entre eles. Não quero que ele perca a paciência e cometa alguma loucura.

Janessa – Certamente ninguém quer isso.

Mikke – Eles com certeza estão me zoando (sussurra consigo).

Akishiba – Devido ao Tausarani e por estas partes da Gashi terem a entrada proibida para membros iniciados da Oren, eu o deixo em suas mãos Vossa Grisma.

Janessa – Nos vemos em cinco dias Erigashi.

Akishiba sai da sala e os dois ficam a sós. Sem saber o porquê, a mente de Mikke é invadida pelo momento em que fora beijado por Janessa.

Mikke – ‘Que pensamento é esse numa hora dessas? Mas por que eu não pensaria? Do nada ela me beija daquele jeito e… e que beijo aquele. Será que ela… quer…’

Vários pensamentos obscenos invadem a cabeça de Mikke, deixando-o corado e levando-o a chacoalhar a cabeça buscando alinhar sua mente.

Janessa – Algum problema?

Mikke – Não… não. Nenhum.

Janessa – Estou terminando aqui, mas demorarei um pouco mais. Quer se sentar?

Mikke – S-sentar?

Janessa – Soube que você ajudou a reformar o portão, então acho que você está um pouco cansado né? Sente-se aqui (aponta para uma das cadeiras ao seu lado).

Mikke –… Tá.

Sem olhar diretamente para Mikke, Janessa apenas mexia com alguns papiros sobre sua mesa. Olhava fixamente cada um deles, os separavam em três pilhas e colocava uma pedra sobre cada uma. Sentado ao lado dela e claramente nervoso, Mikke não conseguia pensar direito.

Mikke – ‘Calma cara. Calma cara. Ela só foi gentil em se preocupar com você. Não quer dizer que é mais do que isso. (lembra do beijo) Por que eu não paro de pensar nisso? Eu já beijei antes, mas (lembra do olhar dela) não assim. Por um momento eu… senti o coração dela batendo e… que lábios macios.’

Janessa – Você tá bem?

Mikke – Uh?

Mikke olha para Janessa que o estava encarando e se assusta. Seu susto assustou Janessa fazendo-a jogar alguns papeis no chão.

Janessa – AAAHHH! Eu estava quase acabando. O que deu em você?

Mikke – Desculpe. Não foi por mal.

Janessa – No que você estava pensando?

Mikke – Pensando? Como assim?

Janessa – Você estava quieto demais e quando eu te olhei você estava com uma cara estranha. Bem estranha pra ser sincera.

Mikke – Eu estava pensando…

Janessa – Pensando em que?

Mikke – Naquele… beijo.

Janessa – Uh?

A cor branca de sua pele é automaticamente trocada por vermelha.

Janessa – Por que isso de repente?

Mikke – Não é de repente. Com tudo o que aconteceu e… e… o que pode acontecer eu não consigo parar de pensar nisso e…

Janessa – Você… quer mais?

Mikke – C-c-c-c-c-como assim m-m-mais?

Janessa – Você não quer?

Mikke – Não é que… eu não queira, mas…

Janessa – Então o que é?

Mikke – Eu não sei. Você nem me conhece direito e me dá um beijo sem motivo.

Janessa – Tem… um motivo.

Mikke – Então me fala qual é.

Janessa – Me ajude a pegar esses papeis e eu te falo, mas não aqui.

Mesmo receoso com a proposta, Mikke aceita e começa a ajudá-la. Ao acabar, os dois saem da sala e seguem por iluminados corredores daquela estrutura. Mikke acompanha Janessa um pouco afastado enquanto sua mente vagava por diversos pensamentos.

Mikke – ‘Faz um bom tempo que estamos andando e ela não disse uma palavra desde que saímos de lá. Por que ela tá tão quieta? Vou tentar puxar conversa.’ E-esse lugar é mesmo bem grande. É impressionante.

Janessa – É.

Mikke – ‘DIRETA! O que se passa nessa cabeça? Não vou saber se não perguntar.’ Escuta… sobre aquela conversa… nós-

Janessa – (cambaleia e se apoia na parede)

Mikke – Hey! Você tá bem?

Janessa – Não é… nada. Só um mal-estar. Já estamos chegando.

Um pouco adiante, Mikke vê uma porta de pedra com uma esfera de cor púrpura, como na sala do Grande Loritai. Janessa repousa sua mão direita sobre a esfera, a porta se abre e revela uma sala 4x4, uma cama grande feita de folhas brancas, decorada com uma malha de veludo púrpura e alguns arranjos florais ao redor. O rosto de Mikke instantaneamente corou quando aquele pensamento veio a sua mente.

Mikke – Por acaso e-esse é o s-seu… quarto?

Janessa – Mikke…

A voz dela veio como um sussurro e o coração de Mikke começou a palpitar desesperadamente após ele sentir sua mão direita ser preenchida pelo calor da mão de Janessa.

Mikke – ‘O que? O que? O que?’

Janessa – Me ajude.

Todo o nervosismo de Mikke se esvai ao olhar para Janessa e ela, já inconsciente, ir ao chão.

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– Onde eu tô? Por que está tão escuro? Ai! Por que eu sinto essa… dor em meu peito? Ah… acho que eu me lembrei. Eu… morri.

As lembranças invadem sua mente e Toni se recorda de tudo o que aconteceu.

Toni – Meu peito ainda dói. Eu sempre achei que na morte nossos ferimentos não doeriam. Acho que eu me enganei. Será que… aquela garota está bem? Eu não sei o que aconteceu depois de- ah… tanto faz. Talvez eu consiga encontrar meu avô. Quero ter a chance de me desculpar com ele.

– Rum! Você não terá essa chance tão cedo.

Toni – O que?

Sentindo-se sufocado, Toni leva as mãos ao pescoço, abre os olhos e enxerga a floresta. A luz da Lua iluminava o ambiente, mas a fogueira a sua direita aumentava mais a luminosidade do local. Mesmo sentindo dor por seu corpo, mover partes dele não pareceu um problema.

– Não se mexa. – uma familiar ordem fora dada a ele que de pronto atendeu – Foi muito trabalhoso tratar de todos os seus ferimentos. De novo.

Toni – (fica em silêncio)

– Diferentemente de antes, agora você pode falar. Se quiser.

Toni – Meu peito foi atravessado por uma lança. Como eu ainda estou vivo?

– Essa é uma daquelas perguntas que eu adorarei responder… quando tiver a resposta.

Toni – Melissa está-

– Olhe você mesmo.

Toni vira o rosto e vê Melissa dormindo abraçada ao seu lobo. Ele estava com uma grande folha branca fechando seu ferimento.

Toni – Os dois estão bem.

– Os ossos de um Telakir são bem resistentes. O corte que ele levou não foi tão profundo e Melissa teve uma lesão no pescoço. Não sei como, mas vocês tiveram uma grande sorte.

Toni – Por que voltou Nizuka?

Nizuka – Você o matou? Xanferhion?

Toni – Sim.

Nizuka – E como você se sente agora?

Toni – E por que você se importa?

Nizuka – Apesar de você ser contra, eu faço o possível para manter minha palavra. Principalmente a alguém que tão bem me ajudou como seu avô. Eu prometi que cuidaria de você.

Toni – Disse antes e repetirei: Não sei quem você é ou o que significou para meu avô, mas você não é nada pra mim.

Nizuka – Não se preocupe. Creio que posso viver sem ter sua compaixão, mas não sei se você viverá mais tempo sem saber de toda a extensão de sua força.

Toni – Eu não preciso saber.

Nizuka – O que?

Toni – Agora que o assassino do meu avô está morto eu não preciso saber de mais nada sobre isso. Acabou.

Nizuka – Rum! Você mata um deles e acha que acabou?

Toni – Um… deles?

Nizuka – Não era apenas uma rixa entre Barok e Xanferhion. Barok disse que você era um menino detalhista e que entende fácil a situação em qual está. O que ele disse é verdade?

Um raio passa pela mente de Toni e um nome surge por lembrar da conversa que Xanferhion teve com Barok.

Toni – Quem é… Venks Dregon?

Nizuka – Tudo o que aconteceu em sua vida desde o primeiro dia que veio para cá e muitas coisas que ainda acontecerão, ele é o responsável. Até muito antes de você nascer. Até muito antes de eu nascer. Antes mesmo até que a própria história. Um mal que é conhecido por poucos, mas que pode acabar com o mundo que nós conhecemos sem que ao menos percebamos.

Toni – E Xanferhion recebeu ordens desse cara?

Nizuka – Sim.

Toni – Qual foi… a promessa que você fez ao meu avô?

Nizuka – Que cuidaria de você, lhe ensinaria a usar o presente sagrado e que a vingança não é a solução. Não se levante!

Toni – Você não precisa se preocupar com as duas primeiras, mas como você quer me mostrar que vingança não é o caminho me (cambaleante) dizendo que o mandante da morte do meu avô está vivo?

Nizuka – Não distorça os fatos para esse lado. Eu não te diria nada sabendo que buscaria vingança.

Toni – E por que eu não iria? Ele não é um grande mal que precisa ser detido?

Nizuka – E o que vai fazer? Vai atrás dele igual fez com Xanferhion?

Toni – Algum problema com isso?

Nizuka – Deixa de ser idiota criança. Atenda os desejos do seu avô.

Toni – E estou atendendo. Siga um caminho e apague a escuridão. Estou fazendo o que ele queria que eu fizesse e-

– Toni.

Ambos olham na direção da voz e Melissa fala enquanto dorme.

Nizuka – O que ela falou? Ela disse seu nome?

Toni – Ela também disse quando nos encontramos.

Nizuka – Isso… não é normal. Ela nunca fala nada que não sejam ordens para seu bicho.

Melissa – Ipasha… Ipasha Toni.

Respondendo aos apelos de Melissa, Toni volta ao chão e se deita.

Nizuka – O que aconteceu contigo?

Toni – Meu corpo ainda dói e não consigo me mexer direito.

Nizuka – Você vai…

Toni – Vou… pensar melhor sobre isso… amanhã.

Nizuka – Rum! Então muito bem. Parece que Melissa arrumou um novo bichinho.

Toni – EU NÃO SOU UM BICHINHO!

Antes de se sentar, Nizuka joga mais alguns galhos na fogueira.

Toni – Sabe onde meu avô está?

Nizuka – Por quê?

Toni – Quero que me leve até o meu avô.

Nizuka – Vamos descansar por hora e veremos isso no próximo amanhecer. Proteja seu cabelo com alguma coisa ou sua cabeça acordará encharcada.

Toni – Deixa que eu me viro.

Nizuka – Bom… eu te avisei.

Ao se deitar, Nizuka cobre sua cabeça com uma grande folha vermelha.

Nizuka – Teremos uma bela surpresa de manhã.

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A noite estava chegando ao ápice e todas da Oren se recolheram para descansar. Geixa era uma exceção, pois procurava algo nos cantos da Eren. Algo a deixou muito preocupada após sua saída da sala de Janessa e sua busca logo termina quando encontra alguém abraçando os joelhos enquanto olha o vento balançar as águas de um pequeno lago diante dela.

Geixa – Então é aí que você está se escondendo.

– Enishi Sigren? (seca as lágrimas de seus olhos) O que faz aqui?

Geixa – Eu quis te procurar antes, mas só agora que eu consegui fugir de lá. Aconteceu algo? Por que está chorando?

– Não é nada demais. Fico feliz que esteja bem.

Geixa – Nós duas sabemos que eu não ficaria bem se você não tivesse me achado Elie. E eu vim aqui pra te agradecer… por me salvar.

Elie – Te salvar?

Geixa – Sim. Obri-

Elie – NÃO DIGA ISSO!

Geixa — ?

Elie – D-desculpe, Enishi. Como um membro da Gashi eu não deveria-

Geixa – Não se preocupe com isso, mas… o que aconteceu lá? Me disseram que você me encontrou.

Elie – Fui eu, mas…

Geixa – Mas?

Elie – Eu não consegui fazer nada. Eu te vi e fiquei… paralisada. Não consegui chamar ninguém. Não consegui buscar ajuda. Eu fiquei ali, parada. Nem ir te ajudar eu consegui. Sendo fraca desse jeito, como eu posso ter salvo você?

Os olhos da rosada voltam a se encharcar e soluços dominam sua voz. Aproximando-se da pequena, Geixa se senta ao seu lado e olha para a Lua refletida sobre o lago.

Geixa – Posso te contar um segredo, Elie?

Elie – (novamente seca os olhos)

Geixa – Eu tive… uma filha.

Elie – Filha?

Geixa – Sim. Eu estava grávida há exatos dezessete anos e, após o nascimento dela, eu tive que abandona-la.

Elie – Abandona-la? Por quê?

Geixa – O Presente Sagrado que hoje é de Vossa Grisma pertenceu a mim. Naquela época estávamos em uma batalha que definiria o rumo que nossas vidas levariam. Logicamente eu não poderia leva-la comigo e, com muito pesar, eu a deixei com dois amigos. Demorei três meses para voltar, mas quando eu voltei… já era tarde.

Elie – O que houve?

Geixa – Eu voltei e os encontrei. Encontrei os dois ou… o que sobrou dos dois e os restos de um Jambaru.

Elie – E sua filha?

Geixa – Ela não estava em nenhum lugar da casa. Eu não a encontrei. Eu… tentei ter certeza de que não estaria dentro do Jambaru, mas o que eu vi me… deixou com mais certeza de que… ela estaria ali.

Os olhos de Geixa se encharcam, mas logo são secados por suas mãos.

Geixa – Eu sempre me pego pensando se… eu tivesse sido mais forte eu poderia tê-la levado comigo e a protegido. Se eu não tivesse sido tão fraca, ela não teria-

A emoção toma conta de Geixa ao ter sua cabeça abraçada por Elie. As lágrimas da pequena desciam por seu rosto e caiam sobre a cabeça de Geixa.

Elie – Não diga isso Enishi. Você não é fraca! Você é forte! A mais forte de todas! É por isso que eu quero ser você quando ficar mais velha!

Retribuindo o abraço e também as lágrimas, Geixa acredita ter dado um pouco de luz na até então embaçada mente de Elie e que a pequena abraçou não só eu corpo, mas também seu coração.

Geixa – Hey. Quantos anos você acha que eu tenho?

Elie – Não sei. Cinquenta?

Geixa – COMO É QUE É?!

Elie – Hehehehe!

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Já deitada sobre a cama, Janessa ofegava pesadamente e aparentava estar com febre. Mikke achara uma bacia de barro com água e, rasgando uma parte da manga de seu manto, fez uma compressa em sua testa.

Mikke – ‘Ela está com febre e mal respira direito. O que eu faço?’

Janessa – Mi… kke?

Mikke – Estou aqui.

Janessa – Qu… quente… e… apertado.

Falava enquanto tentava puxar algo atrás de seu manto.

Janessa – Não… respiro. Tire meu… manto.

Mikke – Espera. Deixa que eu tiro.

Gentilmente virando-a de lado, Mikke avista o laço em suas costas, mas algo o fez parar antes de puxa-lo.

Mikke – ‘E-e-espera um pouco. Eu não… tenho nada por baixo desse manto. Será que ela… também… está…’

Pensa nas curvas nuas do corpo de Janessa e fica vermelho. Trazendo Mikke para o agora, Janessa tosse fazendo a compressa cair.

Mikke – ‘Não é hora pra pensar nisso. Tenho que me concentrar aqui e depois… pensar… nisso.’

Janessa – Rápido.

Puxando o laço, Mikke o rodeia pelo corpo de Janessa e termina por retira-lo. Aparentando mais aliviada, Janessa abre um pouco a parte da frente de seu manto e Mikke, mesmo sem intenção, dá uma espiada: ela usava uma pequena malha branca cobrindo seus seios e uma maior cobrindo da cintura até um pouco acima do joelho.

Mikke – ‘É bastante… sexy.’

Percebendo o olhar fixo de Mikke para com seu corpo, Janessa grita e assusta o jovem que voa de encontro à uma parede ao receber um chute no rosto. Ela, envergonhada, se envolve com a manta púrpura da cama enquanto Mikke tenta se levantar.

Janessa – O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ OLHANDO?

Mikke – Não… foi… por mal.

Janessa – “Não foi por mal”? Então qual era sua intenção em me olhar desse jeito?

Mikke – Você desmaiou de repente e… achei que tinha algum ferimento em seu corpo.

Janessa – MENTIROSO!

Mikke – NÃO É MENTIRA!

Janessa – ENTÃO O QUE ERA AQUELA CARA?!

Mikke – É QUE EU… eu…

Janessa – Você o que?

Mikke – Nunca vi uma garota assim… (corado) de perto.

Janessa – Ah?

Mikke – Eu quis te ajudar, mas a situação ficou assim e… eu não soube o que fazer. Daí o beijo, você perguntando se eu queria mais, me traz pra cá e… eu fiquei em choque.

Janessa – E?

Mikke – Não quis te deixar envergonhada ou te passar uma impressão errada sobre mim. Me desculpe Janessa.

Janessa – Hum.

Mikke – Não quero causar mais problemas. Se puder me dizer onde fica uma dessas salas que o Akishiba-

Janessa – Eu que peço desculpas, Mikke.

Mikke – O que?

Janessa – Por não imaginar o que você estava sentindo. Eu fui egoísta e passei por cima das suas dores sem pensar.

Mikke – Como assim?

Janessa – Acho que (leva a mão direita à testa) ainda não estou bem.

Mikke – Você estava com febre quando desmaiou. Melhor se deitar.

Janessa – Sim.

Já deitada, Janessa está coberta e com uma nova compressa sobre a testa. Mikke encosta na parede mais próxima da cama.

Janessa – Sente-se aqui (aponta para o lado vago da cama).

Mikke – Tem certeza?

Janessa – Se eu estiver errada eu te atravesso por essas paredes.

O visível medo nos olhos de Mikke não duvidavam daquelas palavras. Seu corpo travou ao lembrar-se de como ela fizera com Akishiba.

Janessa – Estou errada?

Ouvindo aquela voz, agora acompanhada de um tom, olhar e sorriso assustadores, ele mais do que depressa senta do outro lado da cama.

Mikke – E-e-e-e-estou o-o-ouvindo.

Janessa – Mikke. Eu te beijei por que… foi previsto.

Mikke – Previsto?

Janessa – Sim. Você mesmo se impressionou quando o Grande Loritai leu seu passado sem sequer te conhecer, não é?

Mikke – Pra ser sincero eu fiquei… bem assustado.

Janessa – Não precisa ficar, mas não é só isso que ele faz.

Mikke – Ah?

Janessa – Ele mesmo disse: “O que eu consigo enxergar é aquilo que aconteceu ou acontecerá.” Isso é verdade e é o que nos guia.

Mikke – Guiam vocês? Não entendi.

Janessa – Ele consegue prever o que acontecerá com cada um de nós. Não sabemos como, mas ele vê o futuro de cada um.

Mikke – Não é apenas um truque?

Janessa – Por anos eu e várias pessoas também pensávamos assim, mas coisas aconteceram que nos fizeram acreditar em suas visões. Elas mudaram o destino de muitas dessas pessoas e… o seu também.

Lembrando-se de tudo o que acontecera com sua mãe, Mikke não encontra palavras para questiona-la.

Janessa – A cada vinte e dois dias, muitos se reúnem na sala do Grande Loritai para pedir por suas visões. Dez dias depois nós realizamos o Ritual da União.

Mikke – Ritual da União?

Janessa – Isso. Esse ritual define o caminho de muitos casais em Sairati e as visões do Grande Loritai são sempre solicitadas.

Mikke – Por quê?

Janessa – Por que sempre estão certas.

Mikke – É meio… difícil de acreditar.

Janessa – Ele previu que alguém apareceria na minha vida e a mudaria.

Mikke — ?

Janessa – Eu sou a Grisma. Porta voz e a próxima pessoa a suceder o Grande Loritai. Um dever e responsabilidade enormes, mas é solitário.

Mikke – Solitário?

Janessa – Você abandona sua humanidade e se conecta com a natureza. O fluxo de energia da mãe terra passa a correr pelo seu corpo e um grande poder e conhecimento são adquiridos assim, mas eu não quero isso. Não quero passar a minha vida nessa solidão.

Mikke – Se você não quer é só não fazer. Ninguém pode ser obrigado a fazer algo que não quer.

Janessa – Sei disso, mas não é tão fácil. Não posso só… desistir e tudo bem.

Mikke – E como você pode fugir disso?

Janessa – O Grande Lotirai previu como eu poderia deixar de ser Grisma, mas é… um pouco… complicado. (envergonhada)

Mikke – Complicado? Então eu te ajudo.

Janessa – Me ajuda? Mas você nem sabe o que é.

Mikke – Você foi acorrentada em algo que não quer fazer. Se existe uma solução para te livrar disso eu ajudo com certeza.

O rosto de Janessa fica vermelho e esta desvia o olhar para o lado.

Mikke – Acho que a compressa está seca. Deixa eu molha-la novamente.

Retirando o pano e mergulhando-o sobre a água, Mikke se surpreende quando Janessa o puxa, o deita na cama, sobe em cima dele e o beija. Os confusos olhos de Mikke são visíveis quando ela lentamente se afasta.

Janessa – Essa foi a previsão que recebi.

Mikke – Eu não…

Janessa – Você disse que me ajudaria com certeza, não disse?

Mikke – Disse, mas…

Janessa – Então me ajude, Mikke. Livre-me desse destino solitário… tornando-se um comigo.

Notas finais
Bom... é isso. Espero que tenham gostado. Todo autor gosta de reviews. Sejam eles bons ou ruins. Se não for pedir demais, deixem alguns pra mim. Até mais!