Ticket To Ride

1 Prólogo - Shes Leaving Today


Notas iniciais
Hey, hey, hey!
Fic nova, vida nova, honeys!
Hahahha, brincadeira.
Para as velhas leitoras, SIM, voc~es vão ter outra fic inteira pra me aturar! (apesar de que eu acho que vocês vão querer me matar depois desse capitulo...)
Para as novas leitoras... Não é nescesário ter lido SDaW antes, apesar de indicado. Ticket to Ride é, digamos, o que veio depois. Alguns fatos podem parecer confusos pra quem não leu a primeira, mas creio que vai dar pra entender tudo.
Bom, chega de falatório.
Aí vaí o capitulo.

Existem aqueles momentos estranhos na vida em que tudo parece se encaixar perfeitamente, por puro acaso. Em que sua sorte por isso ter acontecido sem qualquer problema é tanta, que fica até difícil acreditar. Aqueles momentos em que as coisas acontecem de um jeito em que sua única opção seria se deixar levar.

Bom, Katie jamais conseguiria achar qualquer outra forma de explicar tão bem aquele momento.

— Ah, droga. – ela suspirou pesadamente, olhando para o telefone sem fio desligado na sua mão e as duas cartas jogadas em cima da cama meio bagunçada.

Ela estava em seu pequeno quarto no apartamento que dividia com Juliet, em Washington. Era um prédio pequeno de tijolinhos vermelhos meio antigo, mas havia algo de acolhedor nele. O apartamento, apesar de meio pequeno, era bem iluminado e Juliet tinha dado um jeito de deixar tudo perfeitamente decorado. Seu quarto era em tons de amarelo claro e pastel, com uma cama de casal tipo dosel espaçosa e um delicado lustre de vidro no teto.

Sua decisão de se mudar para Washington com a meia-irmã não podia ter sido pior. Quer dizer, melhor. Sinceramente, nem ela mesma sabia mais. Os primeiros seis meses foram uma maravilha, nada podia soar mais certo. Mas, agora que ela havia terminado com Travis, nada podia soar mais errado.

Katie suspirou de novo. Fazia exatamente quatro dias que eles haviam terminado. É. Terminado. Realmente terminado. Não fora uma simples briga, foi um rompimento dos feios. E, dessa vez, dava para ter certeza que havia realmente acabado.

Era óbvio que seu namoro com Travis sempre fora conturbado. Mas, de um jeito ou de outro, eles sempre achavam uma razão para ficarem juntos no meio das brigas. Até que, aparentemente, essa razão começou a ser ofuscada. E o que ele havia feito... Nossa, Katie sequer conseguia se obrigar a pesar nisso. Uma briga, a pior de todas as brigas que tiveram até então, e aí virou oficial. Eles haviam terminado.

Ela balançou a cabeça negativamente, tentando afastar esses pensamentos. Havia prometido a si mesma que não ia sofrer por uma causa perdida, que ele não merecia esse prazer. Kay prometeu a si mesma que não precisava dele. Que estava melhor sozinha. E por isso não havia derramado uma única lagrima até então.

“PROGRAMA DE INTERCÂMBIO: ACEITA” O envelope da esquerda, aquele ligeiramente maior e completamente branco, dizia em letras garrafais. Em baixo, com letra menores, estava escrito “Londres” e um endereço que ela não tinha nem ideia de onde ficava.

Ela abriu o envelope calmamente, puxando a passagem de avião e a extensa carta de lá. Katie havia recebido esse envelope a uns dois meses. Mas, tinha decidido não ir. A carta dizia que tinha um prazo de até 24hrs antes do desembarque para decidir, e que caso não aceitasse a passagem podia ser trocada por milhas na companhia. Agora, uma ligação e uma carta depois, ela não tinha nem noção do que ia fazer.

Porque, as coisas estavam se encaixando perfeitamente. E, mesmo assim, algum ponto ainda lhe parecia terrivelmente errado ali no meio. Lhe soava tão certo, e, ao mesmo tempo, tão incrivelmente errado.

— Argh! – Katie resmungou irritadiça, largando o envelope na cama como se ele tivesse começado a pegar fogo e caindo pesadamente sobre as suas costas, com a cabeça afundando em cima do travesseiro. Maldito intercâmbio.

Seu pai queria que ela fosse. Queria muito mesmo. Algo sobre lhe dar um tempo para pensar o que queria fazer na faculdade, conhecer novos lugares e ter experiências incríveis que ela nunca teria parada ali. Ah, a faculdade. Katie ainda não sabia o que Hades ia fazer na faculdade. Todos sabiam, menos ela. Até Travis, sempre tão irresponsável, já devia saber o que queria fazer.

— Ghhhhhrn! – ela grunhiu completamente frustrada. Não, nada disso. Ela não ia pensar em Travis. Aquilo não tinha nada a ver com ele. Tinha a ver com o que Hades ela ia fazer.

Kay já havia decidido que não ia para Londres. Já havia decidido que ia ficar bem ali e tentar descobrir por si mesma o que queria fazer. Mas, agora, que havia lido a carta de Tia May...

Ah, a pobre Tia May. Sua madrinha. Ainda estava digerindo as malditas palavras daquela carta. Câncer. Tia May, sempre tão alegre e divertida, estava com câncer. Aquela doença que pode arruinar a vida de qualquer um em menos de dois segundos.

E o pior de tudo, é que Tia May ainda estava morando na Inglaterra, completamente sozinha. Katie não podia deixar que isso acontecesse. Seu pai não podia ir visita-la (não com Isabel e a pequena Taylor, sua meia-irmã) e May simplesmente não podia tentar lidar com isso sozinha (mesmo que insistisse o contrário).

Se fosse para o intercâmbio, Katie podia ficar ao lado dela nesse momento tão difícil. Além do mais, ela sentia mais que tudo que precisava escapar. Ter um tempo só seu, para descobrir o que realmente quer. Descobrir quem ela era.

Verdadeiramente falando, Travis costumava ser seu principal motivo para não ir. Mas, agora que haviam terminado, ela não tinha absolutamente nada que lhe prendia ali diante daquela situação cheia de prós. Havia Juliet, claro. Juliet ia ficar magoada, mas ia acabar entendendo. Ela tinha certeza que Juliet ia apoiar sua decisão.

Então, porque Hades ainda soava tudo tão errado? Porque nenhum desses motivos conseguia convencer a ela mesma? Não estava parecendo nenhuma sorte as coisas se encaixarem assim, mas sim um verdadeiro azar.

Katie suspirou, mirando o vazio em frente aos seus olhos e se perguntando porque o lustre no teto do seu quarto jamais lhe pareceu tão interessante. Ela fechou os olhos, e por um segundo não conseguiu pensar em nada. Só que mesmo antes de abrir os olhos, ela já sabia o que havia decidido. E isso era uma verdadeira droga.

Seus dedos tatearam na colcha como se tivesse vida própria, até encontrarem o telefone e discarem automaticamente o número que (era tão estranho dizer isso) era da sua antiga casa.

— Pai? – Perguntou com a voz rouca, quando os bipes foram interrompidos por um impaciente “Alô?” dele. – Você pode ligar para a agência para mim? Eu já decidi. Eu vou.

Katie nem esperou por uma resposta. Ela desligou o telefone, tacando-o no outro lado da cama. Se sentou, meio tonta, amarrando o cabelo castanho cor-de-terra em um coque mal feito e olhando criticamente para o envelope da agência. Pegou a passagem de novo. O avião saía as 19:20. Ainda eram 11:35, mas ela iria demorar quase uma hora para chegar no aeroporto e tinha que estar lá com até quatro horas de antecedência.

Era domingo, e Juliet havia saído de manhã cedinho para um brunch com seu pai e depois ia fazer compras com a nova namorada dele. Ela devia voltar mais ou menos uma hora da tarde, o que dava a Kay uma hora e meia para arrumar sua mala, chamar um taxi e dar o fora dali o mais rápido possível. Depois, ela podia almoçar no aeroporto.

Foi até seu armário, puxando a pesada mala preta que usava em viagens longas de lá e, rapidamente, colocou-a em cima da cama e começou dobrar suas roupas e enfiar lá dentro, aleatoriamente. Mais cedo, no primeiro telefonema de seu pai, ele havia falado que podia usar o cartão de crédito que lhe dera para qualquer coisa em quanto estivesse lá. Ela nem prestou muita atenção no que estava fazendo, sabendo que se esquecesse alguma coisa poderia comprar em Londres.

Quando se deu por satisfeita em questão de roupas e sapatos, Katie se afastou encarando a mala criticamente. E, sem pensar duas vezes, pegou uma cadeira para alcançar a estante mais alta do armário, de onde puxou uma caixa de sapatos marrom.

Tirou a tampa, cuidadosamente, só para ter certeza se ainda estava tudo lá. E estava. Sua adaga embainhada, o cantil prateado de néctar e um saco cheio de ambrosia estavam exatamente como ela havia deixado da ultima vez. Ela sorriu, fechando a caixa e colocando-a dentro da mala cuidadosamente, torcendo para que parecesse uma caixa de sapatos quando passasse na alfândega.

Pegou o telefone de novo, discando rápidamente o número que havia decorado para emergências e pedindo um taxi para seu endereço. Trocou de roupa, optando por seu par de jeans mais confortável, uma camiseta clara e a encharpe verde que ganhara de sua madrasta, com um casaco preto bem pesado (por que tinha de ser tão frio assim em Janeiro?).

O taxi chegou em vinte minutos. Ela pegou a mala de rodinhas, descendo o mais rápido possível pelo elevador. Quando pisou no hall, a primeira coisa que notou foi Juliet carregando uma quantidade enorme de sacolas que quase tampavam seu rosto.

— Ah. Hey, Kay. – ela cumprimentou desajeitada, tentando manter o equilíbrio das sacolas. Katie arregalou os olhos e se esquivou dela, apressando o passo para fora do prédio. Não queria lidar com Juliet agora. Passou pelas portas de vidro, colocando a mala no porta-malas do taxi amarelo o mais rápido que conseguiu. – Katie? Katie, espera!

— Aeroporto Internacional Washington Dulles – Katie disse para o taxista mal-humorado, praticamente se jogando no banco de couro e fechando a porta do carro atrás de si. Ele olhou para ela entediado, concordando com a cabeça e acelerando pela rua calma.

A filha de Demeter suspirou pesadamente, deixando o corpo afundar no banco da frente. Pelo espelho retrovisor, dava para ver Juliet parada na frente do prédio, com todas as sacolas jogadas ao seu redor, encarando o taxi paralisada. Katie encarou o prédio de tijolinhos, tentando imaginar o que vinha a seguir e pensando em como aquela poderia ter sido uma ideia terrível.

Certo. Agora era oficial. Katie estava indo embora.

Notas finais
Por favor, não me matem.
Juro que vai ser tudo explicado. Juro de verdade!
Hahahha
Pelo amor de deus não se esqueçam dos reviews, galera.
Serio.
Beijos,
Jojo