Notas iniciais
Gente eu agradeço muito os comentários! Estou muito feliz que estejam gostando da minha fic e mais uma vez peço perdão pela demora, mas como já havia citado no capítulo anterior estou passando por uns problemas na vida off. Ademais, fiquei doente e acabei não conseguindo terminar o capítulo rápido como gostaria, mas espero de coração que continuem acompanhando e gostando. Está aí, mais um capítulo com muito carinho para vocês. o/

— Eu não acredito que tenho que fazer algo tão ridículo. — Ikki resmungou de péssimo humor, ajudava o loiro a ajeitar os longos cabelos dentro da touca, havia também arrumado para ele um jaleco e uma máscara cirúrgica. Nunca imaginou que teria que fazer algo tão estúpido para fazê-lo deixar o quarto. — Está satisfeito? Ninguém vai te reconhecer. — Resmungou enquanto o virava de frente para um espelho.

— Não reclame, a idéia foi toda sua, eu disse que preferia ter alta em outro momento. Não quero que o Milo saiba que estou aqui e muito menos que estou indo viver com você. A idéia de ir embora de casa sem comunicar a ele era discrição e eu não vejo como manter isso se eu deixar o hospital com um completo estranho. — O loiro resmungou nervoso, não queria que o ex-namorado o visse e acima de tudo não queria ter que falar com ele naquele momento. Se sentia triste e chateado, não tinha condições de lidar com a revolta do mais velho e muito menos a falta dela. — Estou ridículo. — Concluiu.

— Muito bem loiro, entendo seu ponto de vista, mas você acha que isso é ser discreto? — Apontou para o loiro com uma expressão que seria cômica se Shaka não estivesse tão irritado naquele momento. — E, sim, está e não me olhe desse jeito, eu sou sincero, sabia? Eu é que deveria me sentir ofendido, ter que andar com você parecendo um doido psicopata de um filme de quinta categoria. — O médico resmungou com uma carranca. — Agora, alteza, se puder parar com as reclamações, talvez consigamos chegar em minha humilde residência ainda hoje. — Abriu a porta e fez uma mesura debochada.

— Eu tenho um nome, agradeceria se utilizasse ele, pare de me chamar de loiro, odeio isso. — Resmungou inconformado e ofendido, deu uma última olhada no espelho e fez uma careta, decerto não havia sido sua melhor idéia, mas teria que servir. Era grato ao médico, todavia, de alguma forma se sentia extremamente irritado quando estava perto dele. Não sabia explicar o motivo, talvez fosse aquele ar de superioridade que o outro tinha, não que fosse arrogante, mas o olhava como se fosse o dono do mundo e isso era irritante. Suspirou, imaginando que viver com aquele tal Ikki Amamiya seria o mesmo que estar no pior dos infernos. Mas fez exatamente o que ele havia dito, deixou o quarto, andava pelos corredores de maneira muito suspeita, sempre olhando para os lados e vira e mexe de cabeça baixa. Se a idéia era não chamar atenção, sem dúvidas aquele plano não era um dos melhores. Como o próprio Ikki havia afirmado o loiro atraia muito mais olhares vestido daquele jeito do que se estivesse sem ‘disfarce’. Enfermeiras olhavam confusas para ele, como se quisessem compreender aquela loucura, visitantes que possivelmente deixavam agora seus parentes nos quartos também lançavam olhares incrédulos para a figura que circulava chamando tanta atenção e mais parecia um maluco alienado do que de fato um enfermeiro como tentava encenar.

Tudo estava saindo perfeitamente bem, pensou o médico, só precisavam avançar mais alguns passos e alcançariam o elevador e assim poderiam deixar o hospital pelo estacionamento de funcionários. Claro que pensava isso, pois andava sem olhar para trás, pois se o fizesse certamente mudaria de idéia ao notar a forma esquisita com que Shaka caminhava. Sem encontros indesejáveis, sem Milo Séferis ou reclamações, porém, o mundo não era justo, mirou o acompanhante de soslaio e revirou os olhos em pura irritação ao perceber a vergonha que estava passando, pior, haviam câmeras por todos os lados e certamente seria indagado sobre aquela questão em algum momento. Odiava ter que dar explicações de sua vida, mas naquele caso em particular era óbvio que chamaria atenção demasiada. Agarrou o braço do loiro, puxando-o apressadamente para que aquela tortura acabasse, mas a personificação de suas maiores dores de cabeça simplesmente surgiu, como se tivesse sido invocado, Ikki passou a mão no rosto e cessou os passos, bem diante dele estava um Milo Séferis com braços cruzados ao lado de um Afrodite Laursen aborrecido.

— Que bom, achei que seria chato e conseguiríamos escapar sem encontros indesejados. — Ikki tornou em puro deboche e soltou o braço de Shaka. Se colocou na frente dele e caminhou na direção dos dois loiros. Arqueou uma sobrancelha. — Senhores. — Disse polidamente, embora o olhar arredio estivesse fixado em Milo que sorriu irônico. — Em que posso ajudar?

— Na verdade doutor, eu queria falar com você, sobre uma permissão especial, nem que seja apenas cinco minutos, será que poderia permitir que Milo encontrasse com Camus? — Afrodite não estava satisfeito com a decisão, mas somente Camus para colocar aquele loiro em seu devido lugar. Se eles se encontrassem, certamente o amigo diria com todas as letras que não desejava vê-lo e o outro desistiria.

— Em absoluto! — Ikki tornou sério. — O próprio Camus deixou claro que as únicas pessoas que gostaria de receber eram o senhor e o irmão mais novo. — O médico cuidou para não dizer coisas desnecessárias.

— Eu sei disso, mas é realmente importante, eu me responsabilizo. — Afrodite tentou negociar.

— Eu prometo que não volto mais, me deixe vê-lo. — Milo pediu de maneira arredia, mas potencialmente controlada. Era orgulhoso e certamente gostaria de incomodar os irmãos até processar aquela criatura e arrancar tudo que ele tinha, mas após conversar com Afrodite, optara por deixar o escândalo de lado, isso, se o loiro cumprisse a promessa de arranjar um encontro com Camus. Mas ao se ver diante do médico e sabendo que ele seria sua única chance, estava ao ponto de abandonar o orgulho de lado e implorar se fosse necessário. É claro que a idéia logo desapareceu, seria humilhação demais e jamais abaixaria a cabeça para aquele projeto de médico. — É como Afrodite disse, somente cinco minutos, eu prometo que não volto. — Insistiu de mau grado.

— Claro, cinco minutos com o senhor e todo o tratamento iria por água abaixo. Você não cansa de incomodar as pessoas? — Ikki cruzou os braços com uma expressão fechada. — Não tem outras prioridades para cuidar? Alguém que deveria estar nesse momento ao seu lado? — O médico alfinetou, notou que o outro iria retrucar e ergueu a mão como se pedisse, aliás, ordenasse, pois, seu olhar deixava bem claro que não iria deixar aquele homem dizer nada antes de concluir sua opinião. — Ouça, você de alguma maneira se importa com o Camus? Se a resposta for sim, use essa cabeça loira para alguma coisa que não seja pensar em si mesmo, ele está passando por um momento complicado e necessita de paz e silêncio. Sua presença certamente irá perturbá-lo, ao acaso não deseja que ele melhore?

— É claro que eu quero que ele melhore! — O loiro disse com irritação, quem aquele homem pensava que era para julgá-lo? Passara noites insones pensando no estado do ruivo, em como ele deveria ter sofrido por todo aquele tempo calado. Queria protege-lo, não sabia precisar com palavras o quanto o empresário havia se tornado importante e mesmo que tentasse explicar, o conhecia tão pouco, seria ridículo sequer cogitar uma explicação lógica e certamente ele próprio não conseguia compreender ao certo. — Tudo que eu mais quero é que o Camus melhore! Se eu pudesse eu ficaria aqui no lugar dele, droga! — Confessou lotado de sentimentos.

Shaka se aproximou de cabeça baixa e agarrou a ponta do jaleco do médico, como se implorasse, para que ele desistisse daquela discussão tola e fossem embora de uma vez. Por alguns segundos fez contato visual com Milo e o loiro bem que o encarou, temia que se continuasse ali seria reconhecido. Ademais, estava ao ponto de chorar, nunca imaginou ver Milo tão desesperado, Milo sempre foi seguro de si e sempre conquistou tudo com um sorriso maroto e um jeito moleque, mas agora ele parecia outra pessoa. E toda aquela preocupação pertencia ao ruivo que ele nem ao menos conhecia direito, era difícil ficar indiferente.

— Bom, eu estou ocupado no momento, na verdade, meu expediente acabou, assim como o horário de visitas, portanto, senhor Laursen se quiser fazer alguma outra solicitação peço que o faça em outro momento. — O médico percebeu o desespero do paciente, se virou e agarrou o pulso dele, puxou-o em direção ao elevador. Apertou o botão e ficou aguardando, tomava cuidado de sempre ficar próximo ao loiro de forma que o deixasse em menos evidência.

— Eu te conheço. — Milo disse finalmente se referindo ao acompanhante do médico. — Hey, você, loiro, eu te conheço, não é? — Tentou se aproximar, mas o maldito médico se colocou na frente como um cão de guarda. — O que foi? Não posso ver o Camus, não posso conversar com alguém próximo ao elevador, qual é o seu problema? — Explodiu.

— O meu problema é que você ainda está aqui, achei ter sido bem claro quando o mandei embora. Não, você não o conhece, ele é.... parente da minha esposa. — Ikki disse a primeira coisa que passou pela cabeça.

— Ah, o senhor é casado? — Afrodite pareceu interessado naquela informação. — Isso sim é surpreendente, tomei a liberdade de reparar, não usa aliança. — Estava realmente curioso. — Medo de perder ou estragar? — Arqueou uma das sobrancelhas de maneira sugestiva como se quisesse arrancar alguma resposta satisfatória daquele homem misterioso. Sempre o achou um pouco estranho, mas visto a maneira carinhosa que tratava dos pacientes, resolveu deixar as impressões de lado, mas agora realmente parecia interessado. Não acreditou muito na desculpa do médico, por que um parente dele estaria vestido daquele jeito suspeito? Claro, se fosse outra pessoa talvez acreditasse que o loiro fosse um enfermeiro, porém, Afrodite ia ali todos os dias visitar o amigo e já conhecia praticamente toda a equipe, visto que o visitava em todos os horários disponíveis.

— Eu estou ficando incomodado com esse interrogatório. — O japonês sorriu, um sorriso que deixava bem claro que estava começando a ficar nervoso, não estava nada contente com toda aquela invasão de privacidade. — É força do hábito, minha falecida esposa. — Explicou de má vontade.

— Meus pêsames. — O Sueco disse sem graça, agora realmente se sentia chateado pela insistência, lambeu os próprios lábios e mexeu nos cabelos incomodados. — Você parece tão jovem, eu realmente sinto muito! — Insistiu arrancando apenas um acenar de cabeça do médico e ao notar que ele não diria mais nada, achou por bem encerrar o assunto, não queria ser ainda mais inconveniente.

— E ele não pode falar? — Milo insistiu.

— Até agora pouco as cordas vocais dele pareciam ótimas, ele provavelmente não quer falar com você, já parou para pensar nisso? Olha senhor Séferis, o que você quer? — O médico suspirou irritado. — Você veio aqui para ver o Camus, certo? Então por que está incomodando meu parente? Nem todos têm a obrigação de conversar com você, não acha que é ridículo que um homem da sua idade acredite de verdade que é irresistível? Por favor, não estamos em um dos seus eventos pomposos, senhor Séferis, achei ter sido claro em relação as suas gracinhas, isso é um hospital, vá procurar o que fazer. Do contrário retiro a oferta que fiz ao senhor Laursen, entendeu? Nada de visitas! Nem por um segundo sequer! — Ameaçou, não que tivesse concordado com a idéia, mas achou que isso o faria desistir do assunto.

— Parente, parente, qual é o nome dele? Eu não vou sair daqui enquanto não disser. — Milo sabia que conhecia aquela pessoa, aqueles olhos lhe eram muito característicos, desconfiava que pudesse ser Shaka, mas não entendia que inferno de ligação ele teria com aquele médico biruta. — E sobre a proposta, não houve nenhuma! Disse para ele tentar em outro momento, mas nunca garantiu que seria uma resposta positiva, agora eu quero saber o nome dele! Responda à pergunta, pare de fugir e arranjar desculpas. — Exigiu tentando se aproximar, porém, ao perceber que o rapaz tentava se afastar, resolveu respeitar, mas ainda estava muito desconfiado. Se não o conhecia, por que todo aquele pavor? Havia algo muito suspeito ali.

— Eu não preciso responder nada, se continuar insistindo eu vou chamar a segurança. — Ikki ameaçou inconformado. — Ikki mirou para o elevador com verdadeiro desespero, nunca demorou tanto, concluiu nervoso e mais uma vez se colocou entre ambos ao notar a audácia do modelo ao tentar se aproximar mesmo diante de tantas recusas. — Vou analisar a proposta, agora queira, por favor, se retirar antes que eu perca a paciência e resolva mandar meu emprego para o inferno. — Estava ao ponto de partir para cima daquele homem de novo, não entendia a razão, quer dizer, decerto não concordava com as atitudes dele, mas era um psiquiatra e já ouvira diversas vezes seus pacientes comentando a respeito de casos escabrosos e coisas mirabolantes, mas não conseguia se sentir tranquilo. Talvez fosse pela fragilidade de seu outro paciente que tremia visivelmente e só faltava se fundir a porta do elevador para ganhar espaço e fugir daquele homem.

— Isso é muito importante! — Milo cortou irritado. — Olha eu sei que você me odeia, não sei o que fiz para isso, mas não interessa, apenas me deixe falar com ele, sim? — O grego parecia desesperado, o loiro, no entanto, havia se escondido atrás de Ikki de frente para o elevador e parecia ignorá-lo prontamente. — Shaka, por favor, olhe para mim! Por que foi embora sem me dizer nada? Por que está aqui nesse hospital? Você está bem? Vamos conversar, sim? Vamos resolver, loiro, vem para casa comigo. — Pediu, mandando às favas o medo de errar, era ele, tinha que ser ele! Não estava louco e reconheceria o homem com quem estivera até então, mesmo por detrás de qualquer disfarce ridículo, concluiu com o coração aos pulos.

Shaka arregalou os olhos e engoliu em seco, estremeceu, possivelmente Ikki tenha sentido, pois estava a segurar seu pulso, mas isso não fê-lo se virar para encarar o ex, não conseguiria. Não queria fazer isso, no entanto, aquele desespero e preocupação o enchiam de um sentimento estranho que não sabia definir. Em partes, se sentia aliviado em saber que Milo havia sim notado sua partida, sentia-se também comovido por vê-lo tão preocupado, mas não iria voltar atrás. O elevador finalmente se abriu e ele entrou no local, Ikki logo o acompanhou.

— Shaka! Shaka! — Milo gritou inconformado por ser ignorado daquele jeito, tentou entrar junto com o loiro, mas o japonês o empurrou para o lado de Afrodite. — Por favor! — Implorou. — Loiro olha para mim, diz alguma coisa.

— O nome dele não é Shaka e ele não te conhece, agora pare com esse escândalo. Tenham um bom dia senhores. — Ikki disse sério e apertou o botão para que as portas do elevador se fechassem.

— Milo pare com isso! — Afrodite o segurou para que ele não acabasse fazendo uma loucura. — Quem é Shaka? Você ficou doido? — O loiro ainda tentou dizer algo, mas Milo livrou-se do enlace e correu para as escadas. — Milo volta aqui pelo amor de todos os Deuses! — O loiro murmurou entredentes e bateu o pé. — Eu devo ter feito algo muito errado na minha vida passada, daqui a pouco eu é que vou ficar louco. — Exclamou irritado, tentou seguir o outro, porém, ele parecia um louco correndo escadaria abaixo. — Aí chega, não tenho mais idade para isso. — O Sueco tornou e apoiou-se na parede em dado momento. Não estava com vontade de sair feito um maluco atrás do modelo, ademais, quase tropeçara. Era o que faltava se quebrar todo por causa dos caprichos daquele mimado. Era melhor voltar para dentro do hospital e aguardar.

— Doutor, eu acho que já chega, ele estava mesmo desesperado. — Shaka disse baixinho, mas ao vislumbrar a expressão incrédula do médico desviou o olhar. Embora quisesse simplesmente se manter indiferente, se sentia realmente compelido a perdoá-lo após notar seu desespero. Ademais, mesmo só de olhar em seus olhos, Milo não teve dificuldades em reconhecê-lo, poderia parecer patético, mas havia sido importante para ele descobrir que o modelo o reconhecia e que se preocupava.

— E você vai cair nessa, não é? Olha aqui, você aceitou o nosso trato e eu sou responsável por você agora, não vou permitir que volte para ele como se nada tivesse acontecido. Tenha um pouco de amor próprio, loiro. — Ikki resmungou sem olhá-lo, não sabia os motivos, mas se sentiu ligeiramente incomodado com a perspectiva do loiro sair correndo quando as portas se abrissem e resolvesse voltar para Milo.

— Eu tenho amor próprio! — Shaka se revoltou. — E você não tem nada a ver com isso, a vida é minha, eu faço o que bem entender. — Empinou o nariz. — Você e eu somos completos estranhos, se eu quiser conversar com ele, você não pode me impedir. Sim, aceitei, fiz uma loucura, por Deus, como pude pensar em ir viver com um completo estranho? — Shaka riu, um riso lotado de escárnio, não era típico dele tomar atitudes tão irresponsáveis, ademais, ainda gostava de Milo, sabia disso agora, mais do que quando deixou o quarto com o coração aos pedaços, assustado com a perspectiva de vivenciar uma experiência completamente nova. Ainda doía e muito ser deixado de lado, mas ao vê-lo tão solícito a ter uma conversa seu tolo coração se encheu de novas esperanças e isso era difícil de ignorar.

— Sim, aí depois vai se entupir de comprimidos e ir parar na minha sala! — O médico debochou. — Você não passa de uma criança mimada, olha só para você, nem sabe nada da vida e acha que tem controle sobre tudo. Pois você não tem! Tanto não tem que agora estou aqui com você, acha que eu estou soltando fogos de alegria? Acha? — Voltou-se ao loiro e agarrou o braço dele. — Achei que você tinha dito que queria melhorar e seguir em frente, mas você só queria ser notado por ele. É realmente lamentável. — Disse sério, nunca havia falado assim antes com um paciente, no geral, era calmo e imparcial, jamais expunha seus julgamentos com tamanha crueldade ou falta de cuidado, mas aquele homem o tirava do sério. — Se ele realmente gostasse de você as coisas não teriam chegado a esse extremo, se ele está demonstrando arrependimento agora é por culpa e não por amor, será que você não enxerga?

— Eu já disse que não tomei aquelas porcarias, por que você continua afirmando isso? Exatamente! Eu sou apenas um estranho, um desconhecido, então por que simplesmente não me deixa aqui? É notável que você está incomodado em ter que tomar conta de uma pessoa que nem conhece. Então por que insiste tanto nisso? Eu não entendo você! — Shaka empurrou o outro e se desvencilhou do toque, não queria admitir, mas experimentou uma sensação inédita, era como se pequenas correntes elétricas se espalhassem por seu corpo apenas com aquele mero contato e isso não o deixava nada à vontade.

— Boa pergunta. — Suspirou cansado. — Não tenho uma resposta para isso, satisfeito? Apenas cumpra o acordo, eu vou te ajudar, mas não vou permitir que você caia de novo na conversa mole desse crápula. Você por acaso é estúpido? Parece inteligente, mas age como um idiota, ele estava ali com o Laursen para pedir uma permissão especial para ver o Camus, você entende o que isso significa? Você sair daquele apartamento, tomar um monte de remédios e quase morrer na minha mesa não mudou absolutamente nada! Entende isso? — O médico dizia tudo sem pensar nas consequências, não era o tipo de pessoa que costumava ser tão explícito, mas aquele loiro o fazia perder a cabeça.

— Eu não estava pensando em mudar de idéia, mas talvez fosse bom conversar, resolver as coisas. — Shaka tornou tentando ser racional. — Eu realmente estou me sentindo péssimo, não queria ver ele daquele jeito, por que as coisas têm que ser tão difíceis? Eu não queria nada disso, doutor, queria apenas ter uma vida tranquila e olhe só para mim, eu não sou assim! Sei que não vai acreditar no que estou dizendo, mas eu geralmente sou uma pessoa completamente diferente, ele fez isso comigo, não, eu mesmo fiz isso comigo! Eu realmente quero melhorar. — Confessou triste, no fundo queria sim, e saber que o outro desconfiava de sua força de vontade de alguma forma o fazia sentir-se triste. Mas era difícil se manter calmo diante daquela situação.

— Porque a vida não é fácil. — O psiquiatra rebateu mais calmo. — E você não tinha a intenção de conversar, Shaka, não tente enganar a si mesmo, a idéia de sair com essa droga na cara foi sua. —Referia-se à máscara e ao disfarce ridículo que ele havia pensado, aliás, devia estar ficando louco por aceitar as idéias de um garoto que recém havia saído do colegial. — Mas eu acredito em você, sei que você quer melhorar, mas não será de um dia para o outro. Assim como não irá esquecê-lo de um dia para o outro também, mas eu acredito que agora que deu o primeiro passo as coisas vão se desenrolar e tudo ficará bem. — Tentou passar uma confiança que estava longe de sentir. Naquele momento duvidava até mesmo de seus dotes como médico, nunca precisou se preocupar em manter o trabalho fora da vida pessoal e agora lá estava ele, cometendo aquela loucura, já não era mais um assunto profissional e possivelmente fosse isso que o deixava tão desconfortável. Respirou fundo e soltou o ar devagar, tinha que se controlar, não era daquele jeito, era um homem calmo e centrado, bem na maioria das vezes, salve alguns episódios em que sua personalidade indômita acabava ficando em evidência, mas no geral conseguia se controlar com facilidade, isso estava sendo estranho até mesmo para ele, concluiu perturbado e novamente os olhos miraram os números dos andares, ansiando sair dali de uma vez por todas para conseguir respirar aliviado.

O rapaz ficou em silêncio, as portas finalmente se abriram, por alguns momentos ele ficou estático, o japonês caminhava imponente pelo estacionamento, em direção a um carro simples que estava próximo ao elevador. O nome na vaga deixava bem claro a quem pertencia, incerto o loiro correu na direção dele e resolveu seguir em frente, sim, ele tinha tido aquela idéia, portanto, voltar atrás agora seria patético. Não iria rastejar de volta para Milo e aceitar as desculpas esfarrapadas que ele tinha a oferecer. Entrou no veículo e colocou o cinto de segurança. Retirou a máscara e permaneceu em silêncio enquanto o japonês dava a partida.

— SHAKA! — Milo gritou esbaforido, observou o carro dar a ré e ainda tentou seguir. — SHAKA! — Gritou novamente e se por algum motivo imaginasse que o loiro não pudesse escutá-lo, ao mirar a face do mesmo que o encarou e desviou o olhar, desistiu daquela idéia absurda. — SHAKA, HEY, ME ESCUTA, POR FAVOR! — Tentou, mas o carro acelerou e logo não conseguiu mais segui-lo. Gritou frustrado, sabia que havia errado, mas por que o loiro resolvera confiar naquele desconhecido em vez dele? Será possível que se conheciam antes? Não, definitivamente não, Shaka deixara bem claro que não tinha nenhum amigo ou conhecido na cidade.

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— Pandora, pode, por favor, trazer os arquivos do novo caso? — Radamanthys ditou ao telefone de má vontade, recém havia chegado naquele país e já estava atolado de trabalho. Era um juiz renomado, fazia um bom tempo que atuava na área, não que não gostasse disso, mas em certos pontos se sentia frustrado.

— Sim senhor. — A mulher rebateu e se apressou a cumprir a ordem.

Ele tamborilava os dedos em cima da mesa de mogno e olhava para a janela com uma expressão fechada e lotada de tédio. O clima daquele país era uma porcaria, permaneceu alheio aos chamados da mulher, até que resolveu se dignar a olhar para a porta, já estava começando a se indignar pela demora, foi então que percebeu que ela estava ali.

— Deseja mais alguma coisa? — A bela mulher mantinha a cabeça baixa, sabia o quanto Radamanthys conseguia ser perigoso quando estava irritado e ele realmente parecia irritado. Deixou os documentos em cima da mesa e pensou em se retirar, todavia, não conseguiu dar sequer um passo. Algo vibrou e ela se encolheu dolorida, mirou a face do ‘chefe’ com um desespero febril. Lambeu os próprios lábios e a respiração lhe abandonou a boca de maneira sôfrega. — R-radamanthys... — Murmurou com dificuldade, gemeu, não, quase gritou ao sentir novamente a vibração que fê-la apoiar-se na mesa do juiz.

— Estou entediado, quero me divertir um pouco. — Ele anunciou enquanto se levantava e com passos calculados estudou sua presa que o olhava com um desespero quase palpável no olhar. Mostrou a moça o controle que tinha entre os dedos e um sorriso sádico adornou a face do loiro à medida que se aproximava. — Você deveria ficar feliz, Pandora, vou acabar com seu castigo mais cedo, como é que se diz? — Ele arqueou uma das sobrancelhas e mirou-a esperando que ela agradecesse.

— M-muito obrigada mestre. — Ela tornou esbaforida, já estavam naquele jogo há cerca de 3 anos, trabalhava com o loiro, mas na verdade, era apenas um capricho por parte dele, ambos tinham um caso e ele parecia se divertir ao vê-la seguindo-o para cima e para baixo interpretando o papel de secretária dedicada. Não havia nem terminado o colégio, que dirá feito qualquer tipo de curso que lhe garantisse um emprego como aquele, mas para ele nada era impossível e suas vontades eram a lei. Aliás, ele era a lei, um homem rígido, parecia ser extremamente focado no trabalho, mas ela sabia o quanto era corrupto. Havia algo nele que a excitava, embora soubesse o quanto ele era perigoso. Gemeu quando ele agarrou seus cabelos com violência e atirou-a em cima da mesa. Agora jazia com o rosto encostado na madeira polida, ofegante, enquanto ele separava suas pernas sem o menor cuidado e num piscar de olhos arrancou o pequeno vibrador que havia colocado mais cedo. — P-por favor, mestre, eu imploro! — Choramingou excitada.

— Oh, como poderia negar um pedido seu? Você é se comportou tão bem. — Ele anunciou contente por ver que dessa vez ela não havia retirado o objeto, embora se sentisse um pouco decepcionado, pois adoraria castigar a mulher por sua desobediência, mas a bem da verdade queria e muito transar com ela naquele exato segundo. Tanto, que não precisou de maiores estímulos, somente a expressão de prazer e agonia da mulher foi o suficiente para que a potente ereção se fizesse presente. Com um rosnado ele se livrou rapidamente do cinto, valendo-se apenas de uma mão, afinal, ainda segurava os cabelos negros com força, fazendo-a esfregar a face bonita contra o mogno. Expos somente o membro já teso e sem cuidado algum estocou-a, deixando um gemido de pura satisfação escapulir por entre os lábios. As investidas eram fortes e intensas, adorando sentir a maciez e a umidade daquele local que tanto ansiava por recebe-lo. — Ah, você é perfeita, Pandora, jamais encontrei melhor escrava, você é uma delícia. — Sussurrou lotado de malícia, puxou os cabelos da mulher com força, fazendo-a gritar e projetar a cabeça para trás. — Vamos lá, estou esperando, não acha que vou fazer todo o trabalho sozinho, não é? — Indagou divertido.

A morena sentia-se em brasas, era doloroso quando ele estava irritado, mas aquela dor a fazia se sentir viva como nunca, sem pensar duas vezes projetou os quadris para trás e gemeu em êxtase, rebolando contra o membro que estava deliciosamente enterrado dentro dela. Sexo com Radamanthys era sempre intenso e delicioso, isso ela tinha que admitir, embora às vezes sentisse pavor do que podia ler naqueles olhos dourados. Ambos os corpos se moviam, gemidos e ofegos poderiam ser ouvidos à distância, isso não preocupava nenhum dos dois que adoravam a sensação de serem pegos fazendo aquele tipo de coisa. A mulher cravou as unhas bem-feitas na mesa, literalmente destruindo alguns documentos nos quais o loiro trabalhava anteriormente, sentia as estocadas como se fossem parti-la ao meio e ao mesmo tempo era como se fosse chegar ao céu a qualquer momento. Não demorou para que as estocadas se tornassem mais firmes e o falo do outro inchasse ainda mais dentro de si, ela sabia o que estava por vir, ansiosa, moveu os quadris em busca de mais contato. O barulho de ambas as peles se tocando era deveras erótico, assim como os ruídos que o juiz despudoradamente deixava escapar à medida que investia firme e forte dentro dela. Não demorou para a mulher gozar num gemido mais alto e logo pôde sentir o sêmen quente do amante inundá-la. Cansada, deixou-se cair em cima da mesa com um sorriso satisfeito. Os cabelos estavam bagunçados, as roupas amassadas e certamente sua cintura tinha a marca dos dez dedos possessivos que a agarravam anteriormente, mas ela se sentia extremamente satisfeita.

— O que está esperando? Saia daí, dê um jeito nessa aparência deplorável e depois venha arrumar essa bagunça. — Anunciou o homem ao olhá-la com desprezo. Nessas alturas já estava impecavelmente vestido, voltou a se sentar na poltrona de ocupava anteriormente e lançou um olhar atravessado para a mulher que rapidamente deixou a sala, embora caminhasse com as pernas bambas.

— Dois acéfalos desajustados, pena que não posso optar por pena de morte. — Resmungou o homem ao analisar toda a papelada que ela trouxera anteriormente, obviamente eram cópias, portanto, não havia necessidade de reclamações, visto que os papéis estavam em um estado lastimável. Eram duas fichas, dois garotos que haviam tentado assaltar uma loja e tudo culminou em uma agressão e tentativa de assassinato. Adorava quando poderia decidir pelas piores penas aos meliantes, o que gostava em ser juiz era justamente as condenações, se divertia sabendo que tinha em suas mãos o destino das pessoas. É claro que o júri também auxiliava, mas isso era simples de se manipular, pessoas corruptas existiam em todo lugar, pensou com satisfação. Mirou a foto de ambos os meliantes e um sorriso cruel adornou os lábios ao reconhecer o sobrenome de um deles. — Que mundo adoravelmente pequeno... — Ele pareceu realmente animado, não demorou a pegar o paletó e deixar a sala com uma expressão renovada.

— V-vai sair senhor? — Pandora se ergueu pronta para acompanha-lo, mas somente um olhar dele foi o suficiente para que ela ficasse exatamente onde estava. Naquelas alturas já havia dado um jeito nas vestes e no cabelo, não podia permitir que alguém a visse naquele estado lamentável, não seria bom para a imagem do juiz e sabia que ele certamente a castigaria dolorosamente caso alguém fizesse algum comentário.

— É o que parece, não? — Tornou sem se abalar com o olhar surpreso dela. — Hoje você fica, anote todos os meus compromissos e cancele o almoço com o secretário de estado, não posso hoje, diga que... não importa! Invente uma boa desculpa e remarque para outra ocasião. — O loiro dispensou a mulher e se apressou a deixar o prédio. Ao analisar por cima dos documentos, percebeu que o garoto já estava em liberdade, apenas aguardando o julgamento, mas queria saber mais sobre ele e descobrir como encontra-lo. Repentinamente ser transferido para aquele país ridículo havia se tornado extremamente promissor.

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— Aquela história de esposa falecida era apenas para ajudar o disfarce? — Shaka finalmente havia falado, parecia realmente incomodo aquele silêncio terrível dentro do carro o que era surpreendente, visando que ele sempre foi muito comedido e gostava de silêncio, Ikki, no entanto, o ignorou prontamente. — Vai ficar quieto para sempre?

— Como se fosse possível. — O médico resmungou e estacionou. O bairro onde vivia era simples, mas tinha lá seu charme. É claro que não era nenhum bairro de luxo, mas era sem dúvidas um lugar confortável para se viver. — Desça. — Disse simplesmente ao sair do carro.

Shaka obedeceu, incomodado, aquele homem era realmente misterioso, como podia parecer uma pessoa dócil e compreensiva em um segundo e no outro um ditador? Observou-o travar as portas do veículo e caminhar na direção de um prédio um pouco antigo. Era um lugar até agradável, concluiu ao acompanha-lo. — O que vai dizer ao seu irmão? — Indagou curioso.

— Que você vai ficar uns tempos em casa. — Disse simplesmente.

— Assim? Sem maiores explicações? — Shaka estranhou aquela atitude.

— E qual o problema nisso? Por que você precisa complicar tudo? É apenas isso, não é? — Ikki tornou, verdadeiramente interessado na visão do loiro sobre aquela questão. Não havia nada de especial, seria apenas um hóspede por tempo indeterminado, tempo esse que poderia ser realmente curto, caso o loiro se esforçasse para arrumar mesmo um trabalho.

— Minha família ficaria irritada. — Explicou como se fosse óbvio. — Eu sei, na sua visão sou uma criança e você é adulto, mas mesmo assim existe um limite para irresponsabilidade, não acha? Eu poderia ser um risco para seu irmão. — Explicou algo que era mais do que óbvio.

— Você entendeu tudo errado, loiro, eu não me preocupo nenhum pouco com você desvirtuando meu irmão, eu o trouxe aqui para que aconteça justamente o contrário. Shun é um rapaz inteligente e sensato, talvez você devesse seguir o exemplo. — Provocou.

— Ah, é? Eu sou o quê? — Shaka estreitou os olhos e crispou os lábios. — Sou uma pessoa muito centrada, eu seria um ótimo exemplo para ele. E eu já disse, tenho um nome e pare de me tratar como se fosse uma criança.

— Eu preciso mesmo responder? Vamos lá, sorria loirinho, a vida é bela. — O médico debochou, ele se irritava com facilidade perto do loiro, mas também havia notado que conseguia facilmente irritá-lo e isso de alguma forma parecia realmente divertido. Era estressante ficar trabalhando o tempo todo e aquele tipo de passatempo parecia realmente instigador. — Mas você é uma criança, uma criança mimada e petulante.

— É ridículo que pense que a idade seja algo relevante, por favor, nós dois sabemos que eu já vivi muita coisa e eu posso afirmar que tenho muito mais conhecimento que você. — Shaka sorriu petulante. — Eu poderia ser o que quiser, até mesmo um médico como você, aliás, provavelmente seria muito mais competente. — Afirmou com o nariz em pé.

— Bem vejo, poderia ser qualquer coisa, mas decidiu ser namorado daquele infeliz e jogar pelo ralo suas chances de fazer uma boa faculdade e se tornar alguém responsável que conseguiria se sustentar, não é? Genial, genial, estou impressionado. Agora, mova-se, ou espera que eu o carregue? — Abriu passagem para o loiro que revoltado entrou como um furacão no local. — Ah, não temos elevador, então vá preparando essas suas perninhas, porque moro no último andar. — O prédio tinha sete andares, era realmente uma boa caminhada, embora não sentisse dificuldade alguma nisso é claro.

A caminhada era um tanto cansativa, ainda mais quando trocava farpas com aquele médico idiota, Shaka pensou que iria morrer, quando finalmente alcançaram o bendito apartamento. Esbaforido o loiro se apoiou na parede, sem dúvidas precisaria de muito exercício para aguentar as petulâncias daquele homem. Talvez tivesse sido uma péssima idéia, pois apesar de se dizer psiquiatra, aquele homem parecia ser perfeito para enlouquecer as pessoas e não para curá-las.

— Vou pedir ao meu irmão que te dê uma cópia da chave. — Explicou enquanto abria a porta. — Bem-vindo. — O japonês tornou realmente feliz por estar na segurança do próprio lar, estava acabado, embora parecesse realmente revigorado. Provocar aquele cabeça-oca tinha sido realmente interessante.

— Acho que é meio tarde para isso. — O loiro resmungou para si mesmo e entrou no apartamento. Se surpreendeu, apesar dos móveis rústicos e uma decoração bastante sóbria, parecia exatamente como um lar deveria ser. Era limpo, organizado e o cheiro do ambiente era muito acolhedor. Muito diferente do apartamento de Milo, que mais parecia um cenário montado do que propriamente a casa de alguém.

Mas o que mais chamou a atenção do rapaz foi vislumbrar uma cabecinha loira apoiada em uma almofada. A televisão estava ligada e figuras animadas interagiam na cena do programa infantil. Shaka arregalou os olhos ao vislumbrar Ikki se abaixar e dar um beijo gentil na testa da garotinha que se moveu, mas não acordou.

— Quem é ela? — Ele realmente parecia curioso, se aproximou da garota, parecia um anjinho dormindo, se pegou imaginando qual seriam as cores dos olhos da pequena. Era realmente uma princesinha, estava usando um vestido rodado e parecia estar tendo bons sonhos, pois, um sorriso meigo lhe adornava os lábios e vez por outra emitia risos baixinhos.

— Minha filha, o nome dela é Aya. — Ikki disse como se fosse óbvio. — Fale baixo, ela deve estar cansada. — Ikki anunciou com um olhar autoritário. — Que estranho, Shun ainda não chegou. — O médico franziu o cenho preocupado, geralmente Shun chegava cedo e sempre ficava em casa esperando a garotinha chegar da creche.

— Ah, senhor Amamiya, desculpe, eu estava no outro cômodo. — Uma mulher baixinha anunciou enquanto pegava os brinquedos que a pequena possivelmente havia espalhado pelo apartamento. — O Shun não chegou ainda, não ligou e nem deixou recados, mas acho que deve ser coisa da escola, ele está em época de prova. — A moça pareceu ler os pensamentos de Ikki e foi logo explicando. Olhou para Shaka com curiosidade, mas deu os ombros. — Bom, eu vou indo, resolvi ficar com a menina até o senhor chegar já que o Shun não estava. — Explicou, era na verdade uma vizinha, tinha um filho da mesma idade que Aya e ambos vinham juntos na perua, ao perceber que Shun não foi recepcionar a sobrinha, optou por deixar o filho com o marido que estava de folga e ficou com a garotinha. Até pensou em leva-la para casa dela, mas achou que Ikki ficaria extremamente preocupado ao não encontrar ninguém não apartamento. — Boa tarde. — Despediu-se, tinha a chave do apartamento do rapaz, pois vez ou outra Aya ficava adoentada e Ikki como médico achava prudente que uma pessoa com mais experiência cuidasse da garota no lugar de Shun.

Shaka ficou em silêncio até a mulher deixar o local e quando finalmente estavam a sós. Se virou para Ikki, surpreso e confuso. — Então você realmente tinha uma esposa? — Shaka insistiu, mas ganhou apenas um olhar atravessado de Ikki e resolveu deixar o assunto de lado momentaneamente, achava Ikki jovem demais para ter uma filha, achou que viveria apenas com o irmão mais novo do médico. — Ela é linda. — Disse com sinceridade. — Ikki quantos anos você tem? — Quis saber curioso.

— Sim, muito linda. — O médico se permitiu um sorriso discreto enquanto olhava a menina. — Não temos um quarto extra nesse momento, Aya dorme no quarto do Shun, portanto... — Ikki pareceu meio sem graça, talvez fosse melhor levar Aya para dormir com ele e permitir que o loiro ficasse com Shun, mas a mudança poderia parecer complicada, ademais não sabia se Shun se daria bem com o loiro e não queria estressar o adolescente. Não que Shun fosse complicado, mas o irmão era sempre tão dócil e atencioso que não queria tirar a pouca privacidade que ele já tinha. Por um instante ínfimo pensou em dividir o quarto com o loiro, mas desistiu de imediato. — Pode ficar com o meu quarto, eu durmo no sofá. — Anunciou após pensar melhor. — Eu tenho 25, vou dizer uma vez só, sim, eu tive uma esposa, aliás, teria, íamos nos casar, mas Esmeralda sofreu um acidente, quase perdi minha filha no processo, mas os médicos conseguiram salvá-la, embora tenha nascido antes da hora. Eu prefiro não falar no assunto e agradeceria se encerrássemos o interrogatório por aqui.

— Desculpe, eu só fiquei surpreso, não vou mais fazer perguntas. — O loiro anunciou sem graça, não queria chatear o médico e podia compreender que aquele fosse um assunto complicado para ele, mas ainda não estava satisfeito, queria saber mais sobre Ikki. Era óbvio que ele era japonês, queria saber onde nasceu, porque resolveu se mudar, tinha muitas perguntas, mas ele não era uma pessoa fácil de lidar, portanto, era melhor esperar. Talvez tivesse melhor sorte com o tal irmão, concluiu. — De maneira nenhuma, você trabalha em um hospital, não pode dormir no sofá, vai acordar todo quebrado, como espera cuidar dos seus próprios pacientes se chegar ao hospital em um estado lamentável? — O loiro sorriu com ironia. — Eu durmo no sofá, não se preocupe. — Volveu com tranquilidade, vendo ali a deixa perfeita para mudar de assunto.

— Você é meu hospede, seria ridículo se eu o deixasse dormir no sofá. — Ikki pareceu horrorizado com a perspectiva, seu orgulho nunca permitiria algo assim, quase nunca levava ninguém em casa, mas não iria permitir que saíssem dizendo que era um péssimo anfitrião. — Eu fico com o sofá. — Teimou.

— Por isso mesmo, você é o dono da casa, não é certo que eu tire sua privacidade e ainda exija a suíte principal. — O loiro rebateu um tanto sem jeito. — Eu durmo no sofá, já disse. — Insistiu.

— Eu não vou discutir isso o dia inteiro, estou há 48 horas sem dormir, lembre-se, você prometeu que ia ouvir minhas orientações, então pare de ser teimoso. Sente-se. — Apontou o sofá de dois lugares que estava atulhado de brinquedos, meio sem graça recolheu os objetos e atirou-os em um canto da sala. — Eu vou preparar o almoço, deve estar faminto.

— Ah, eu estou com um pouco de fome sim, mas não se preocupe, eu posso fazer isso, não quero ficar sentado o dia todo. Me mostra a cozinha e podemos resolver isso rapidamente, vá tomar um banho, eu cuido da comida. — Shaka se ofereceu, não era o tipo de pessoa que fosse viciado em ficar fazendo serviços domésticos, mas gostava muito de cozinhar, ademais, temia os gostos estranhos de Ikki, era melhor que ele cuidasse das refeições. Queria se mostrar prestativo, afinal, o outro já estava fazendo muito oferecendo um lugar para ficar. — A propósito, sou vegetariano, bom, você é médico, não deve ser difícil encontrar vegetais aqui, não é? — Sorriu.

— Alguns... — Ikki pareceu ponderar e se sentiu um tanto envergonhado, mas a verdade é que viviam basicamente de comida congelada, ele não era nenhum expert na cozinha e Shun era apenas um adolescente e sempre vivia ocupado com a escola e os dois cursos que fazia. — Devo confessar que não tenho muito tempo para abastecer a dispensa. — Tornou um tanto sem graça.

— Papai! — A voz infantil soou, chamando a atenção de ambos. A pequena que não parecia ter mais do que quatro anos se sentou no sofá e coçou os olhos sonolenta. — Abraço. — Ela pediu manhosa e estendeu os bracinhos.

Para Shaka a cena pareceu realmente surpreendente, pois, não somente Ikki atendeu prontamente o pedido, como parecia um bobo olhando para filha com olhos cheios de sentimentos. Nunca imaginou o moreno daquele modo, ele parecia uma pessoa muito séria e até mesmo assustadora se encarado melhor, mas ali, parecia somente um pai babão, sorriu discretamente.

A pequena encheu o pai de beijos e se acomodou no colo dele, mas ao ver o loiro arregalou os olhos e apoiou as mãozinhas nos ombros do mais velho. — Mamãe? — Olhou para Shaka com os olhinhos esperançosos. Estendeu os bracinhos e se esticou toda tentando alcançar o loiro, Ikki ao notar isso, se aproximou e deixou que a garota fizesse sua vontade. Praticamente pulou para o colo de um Shaka surpreso e estupefato. — Mamãe! — Ela tornou a dizer, agora visivelmente mais animada.

— Mãe? Eu não sou sua mãe, eu... — O loiro pareceu realmente sem graça. — Me dê uma ajudinha aqui. — Pediu com um olhar de desespero na face, porém, seus olhos se fixaram na face da pequena, agora finalmente podia vislumbrar os belos olhos azuis, cílios longos e bochechas rosadas a garota parecia uma bonequinha, era ainda mais bonita acordada, concluiu ao analisar melhor. Nunca levou muito jeito com crianças e sempre as idealizou como pequenos demônios perturbadores da paz, mas até que ela não parecia ser tão ruim.

— Não é? — Ela fez um biquinho adorável. — Mas seus olhos são iguais os meus e os cabelos também e.... e.... — A menininha fungou. — O Shunny disse que a mamãe tinha ido para o céu viver com os anjos e você parece um anjo. — Ela esfregou os olhos ao ponto de chorar.

— É porquê... — Shaka tentou vasculhar a mente atrás de uma idéia que a fizesse segurar o choro, olhou para Ikki e o moreno deu os ombros, ele não ia mesmo ajuda-lo, concluiu chateado. — Sua mãe estava muito, muito ocupada no céu! Ela foi mesmo viver com os anjos, ela é bem importante lá, sabe? Então eu vim no lugar dela te visitar, quando voltar para o céu vou contar tudo. — Se sentiu ridículo dizendo coisas como aquelas, nem acreditava em anjos ou ‘céu’, era hinduísta e como tal suas crenças não eram nem de longe parecidas com as crenças populares, mas não queria magoar a menina.

— Promete? — Ela esfregou os olhos e foi se acalmando. — Vai mesmo dizer para ela como me comportei bem e como tenho saudades? — Ela segurou o rosto do loiro e olhou para os olhos dele com aqueles grandes olhos curiosos e esperançosos.

— Prometo sim, vou contar tudinho! Então tem que ser boazinha, fazer os deveres e ajudar a pegar seus brinquedos. — Apontou para a bagunça, sorriu com sinceridade ao ver a garotinha corar e assentir. Ela se remexeu e ao perceber que queria descer, colocou-a no chão e ela logo foi recolher os brinquedos, correu para o quarto com as mãozinhas ocupadas.

— Nossa, loiro, você vai mesmo fazer a garota trabalhar? — Ikki maneou a cabeça negativamente, mas tinha um sorriso agradecido nos lábios, conversar com a garotinha a respeito da mãe era sempre muito complicado, mas não imaginou que ela iria confundir o loiro com Esmeralda e isso de algum modo era engraçado, acabou rindo baixinho. — Me desculpe, Shun tentou fazer ela entender de um jeito que não a deixasse muito triste, sabe? Obrigado. — Foi sincero.

— Não precisa, ela é uma graça, não queria que ela chorasse. — Ele disse sem jeito, adorando o sorriso que o médico tinha nos lábios, era diferente da ironia ou deboche, era tão sincero, ele ficava bem mais bonito daquele jeito. Ao notar o que tinha pensado desviou o olhar e tratou de disfarçar, não podia crer que tinha pensado em Ikki como um homem ‘bonito’. Com a face rubra andou em volta da sala. — A cozinha... — Ele disse depois de perceber que estava sendo ridículo circulando como um idiota. — Me mostra? — Pediu sem graça.

— Não é necessário, mas já que insiste tanto. — Ikki então caminhou pelo local e guiou o loiro até o cômodo onde ficava a cozinha.

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— Eu não acredito! — Kanon riu ao vislumbrar o estado do irmão. — Quem é você e o que fez com o Saga? — Se aproximou do outro e puxou-o para se apoiar nele. Nem conseguiu acreditar quando ligaram do bar, dizendo que não somente Saga havia tomado um porre daqueles como havia também entrado em uma briga e agora precisava ir busca-lo. Já era tarde da noite e achou realmente estranho quando recebeu a chamada, mas ao notar que se tratava do irmão trator de ir rapidamente.

— Cala a boca, Kanon! — Saga tornou irritado, mas embriagado demais para conseguir dar um soco na cara do gêmeo como realmente gostaria. Estava se sentindo miserável, por isso tinha saído para beber, mas no fim das contas acabou passando dos limites. E tudo isso por culpa dele, estava fremindo de raiva, mas não conseguia deixar de estar feliz por vê-lo ali por ele. Pensou em pedirem para ligar para Milo, mas depois de saber do desaparecimento de Shaka não queria incomodá-lo, então só sobrou a opção de ligar para Kanon.

— Oras, você passou a vida inteira me dando sermões chatos por causa dos meus excessos, essa é uma chance única, não seja egoísta, maninho. — Kanon provocou, mas estava realmente preocupado. Saga nunca bebia, aliás, até bebia, mas sempre controladamente. O desvairado e descontrolado sempre foi ele próprio e ver o gêmeo naquele estado o fazia se preocupar. Ademais, já fazia um bom tempo que não conseguia ter uma relação ‘normal’ com o irmão. Isso, porque ele propositalmente o afastava. Sempre adorou Saga e por isso, não se fazia de rogado, querendo sempre estar junto dele, mas para o mais velho parecia o oposto. Em certo momento da adolescência tudo mudou, já não dormiam mais juntos como sempre faziam ou tinham os mesmos amigos, Saga simplesmente mudara da água para o vinho. Até hoje tentava descobrir os motivos, mas o outro sempre dizia que era tolice e que estava imaginando coisas.

Tratou de leva-lo para o carro e rumou para o apartamento do irmão, outra coisa que odiava, ele havia se mudado para longe dele. Primeiro na faculdade, coisa que o mais velho decidiu fazer fora do país e longe de seu alcance. Quando voltou, em vez de ir para casa como Kanon ansiava com todo o coração, simplesmente comprou um apartamento e passou a viver sozinho. Isso o enchia de mágoa e por vezes discutiam e discutiam, era muito difícil ter uma boa relação com ele. Não demorou para chegar ao apartamento, Saga era tão meticuloso que até mesmo calculava a distância do bar, provavelmente planejava voltar caminhando para casa.

— Só me deixa aqui e vai embora. — Saga resmungou ao se jogar no sofá.

— Não senhor, vou aproveitar que você está assim e vou te arrancar o que quero saber. — Kanon empurrou as pernas do irmão e sentou ao lado dele. Ouviu-o reclamar, mas não se deu por vencido até estar confortavelmente sentado perto dele. — Saga, por que você está me evitando? Faz tempo que você não conversa comigo, se eu não tivesse inventado aquela droga de viagem garantindo que era um compromisso da empresa, você não teria ido. E mesmo assim você fugiu de mim o final de semana inteiro! O que foi que eu te fiz? Onde eu errei com você? Primeiro você simplesmente muda de quarto, depois resolve ir fazer faculdade em outro país e aí quando volta vem morar nessa merda de apartamento. Qual é? Está óbvio que você está querendo me evitar! O que fiz para merecer isso?

— Vá para o inferno, Kanon! — Saga resmungou e tentou se levantar, a sala da casa rodava e ele pensou que iria cair, porém, o irmão o puxou para si. Viu-se no colo dele para seu completo desespero. — M-me solta! — Exigiu enquanto se movia no colo do mais novo.

— Não vou soltar até você me contar. Vá para o inferno você, meu próprio irmão me odeia e eu nem sei o motivo. — O mais novo estava tentando se controlar, mas ficava difícil com o outro literalmente se esfregando nele daquele jeito, engoliu em seco, mas em dado momento se irritou com a insistência do outro em escapar atirou-o de volta no sofá, porém, não saiu de perto, ao contrário, juntou-se ao mais velho e segurou os pulsos dele, enfiando-se entre as pernas do mesmo. O encarou muito de perto, ambas as bocas quase se tocando. Por um momento sentiu vontade de beijá-lo, era sempre assim, ficava completamente louco quando estava perto do irmão. Sabia que não era normal, mas o amava! Tentava agir com normalidade para não o assustar e mesmo assim ele o repudiava. Se era para ser odiado, então ao menos daria bons motivos para isso, pensou cheio de idéias que certamente destruiriam a vida de ambos. — Me diz Saga, por que?

— Eu não odeio você. — Saga desviou o olhar sentindo a face corar. Droga, era tão difícil ignorar a presença de Kanon quando ele estava tão próximo. Era exatamente por isso que tinha decidido ir embora, não conseguia mais enxerga-lo simplesmente como seu irmão. No começo achou que era coisa da adolescência, mas com a distância aqueles sentimentos foram se tornando cada vez mais fortes. Se sentia à beira de um colapso, morria de ciúmes do irmão com os amigos ou com as companhias eventuais que ele arranjava. E era justamente isso que o estava destruindo, Afrodite Laursen, desde que aquele loiro havia aparecido Kanon era só sorrisos e andava para cima e para baixo com ele. Odiava isso, odiava, por isso resolveu beber tudo e mais um pouco para afogar as mágoas e aquela tristeza que o fazia ter vontade de sumir. — Eu fui embora, porque eu queria espaço, só isso, que droga Kan, qual o problema nisso? Eu devia passar o resto da minha vida agarrado a você? Quem iria querer isso? — Ditou sem conseguir encará-lo.

— Qual o problema? Somos irmãos, droga! A gente nasceu junto, por que não podíamos simplesmente continuar juntos? Você trata o Milo com toda paciência do mundo, mas comigo é sempre diferente. Você me despreza e tudo que eu faço é um lixo para você. — O mais novo tornou cheio de mágoa, sempre quis que o irmão tivesse orgulho, queria que ele o abraçasse, assim como abraçava Milo, que ficassem próximos, mas o outro nunca o aceitava. — Eu só queria que as coisas fossem como antes. — Confessou triste.

— Esse é o problema Kanon! Eu nunca pedi para ser seu irmão, eu nunca quis isso! — Lágrimas escorreram pela face do agente que não sabia ao certo porque dizia aquilo. Sempre ocultou aquele pensamento, aquele sentimento. Odiava ser irmão dele, queria que tudo fosse diferente, que não houvesse aquele laço inquebrantável, pois assim poderia de uma vez por todas admitir o que sentia e ser feliz. Mas infelizmente não havia nada que pudesse fazer para mudar isso. — Impossível, Kanon, não tem como ser como antes. — Saga disse lotado de tristeza e pela primeira vez durante aquela conversa encarou os olhos do irmão. — Não podemos ser como antes, não quero ficar perto de você. Não percebe que as coisas estão bem como estão? Sobre o Milo, ele é quase uma criança, ele precisa de mim, você não, você é adulto e sabe muito bem se virar.

— N-não queria ser meu irmão? Você... — Kanon indagou com o coração partido, então era isso? Nunca poderiam ser como antes? Ele o odiava tanto assim? Aquela face lotada de lágrimas fê-lo experimentar uma amargura tão grande que teve vontade de gritar, mas acima de tudo queria beijá-lo e machucá-lo como nunca antes. — Está bem Saga, então se é desse jeito, foda-se! — Explodiu. — Eu já suportei essa droga toda por tempo demais! — O mais velho entreabriu os lábios para retrucar e foi nesse momento que mandou tudo às favas, já que tudo estava destruído e que ele não o queria por perto, não havia mais motivos para se segurar. Sem pensar nas consequências tomou a boca do gêmeo em um beijo afoito e lotado de desejo. Há muito tempo almejava sentir o gosto daquela boca tentadora, céus, quantas noites insones tivera somente com esses pensamentos? A língua atrevida e dominadora exigia mais contato e quando o outro gemeu durante o beijo Kanon sentiu que iria enlouquecer. Bastou apenas isso para que o corpo inteiro ficasse em chamas, sentia o baixo ventre arder em um desejo incontrolável.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Como podem ver entramos em outra fase da estória, agora com novos personagens, em breve outros mais. o/ E um pequeno momento SagaxKanon. Gente vou deixar para vocês decidirem como devo continuar o capítulo em relação a eles: O que acham? Deve rolar um lemon ou paro por aqui? Aguardo as sugestões, beijos. ;*