Through the Eyes of Love
8 Capítulo VIII
Notas iniciais
Kanon devorava a boca do irmão como se fosse a última coisa que faria na vida, os lábios moviam-se sincrônicos e exigentes e sentiu-se ainda mais excitado ao perceber que Saga não só gemia entregue em seus braços, como também correspondia o beijo com paixão. Os lábios do mais velho eram deliciosos e certamente eram ainda melhores do que qualquer coisa que tivesse sonhado em sua vida. Sentiu o outro agarrar-lhe os cabelos e intensificou o ósculo, ficaram se beijando por um longo tempo, até que ambos se afastassem ofegantes pela necessidade de ar. O mais jovem esquadrinhou a face do outro, tentando descobrir o que se passava pela cabeça do mesmo. O próprio membro latejava dentro da calça, exigindo liberdade e ele se sentia como um adolescente lotado de hormônios. Sem pensar duas vezes se afastou, mas somente o suficiente para conseguir enfiar uma das mãos por dentro da camisa do outro e sentir a textura e o calor daquela pele. Irritado, agarrou a camisa social e puxou-a para lados opostos, os botões voaram pela sala e ele riu, enquanto os lábios tomaram o pescoço do outro, deixando marcas que certamente ficariam ali por vários dias. — Droga Saga, você me deixa louco. — Resmungou enquanto tratava de beijar cada pedacinho de pele exposta. Há muito desejara aquele contato e o mais velho parecia completamente aéreo agora, entre surpresa e prazer, sabia que ele estava ébrio, mas era impossível ignorar aquele desejo que o acompanhara por anos a fio.
— Kanon, para, por favor! — Saga pediu após algum tempo, tendo recuperado parte da razão, parte, pois a outra gritava para que ficasse quieto e o deixasse continuar, esperara por aquele contato a vida toda, mas sabia que era errado, que era inaceitável. — Para! — Pediu no ápice do desespero, mas o outro não parecia ouvi-lo, os beijos continuaram e para seu completo desespero viu-se gemendo e se contorcendo, principalmente quando a mão do mais novo lhe invadiu a calça, agarrando seu membro que já pulsava dolorido e excitado. Corou, incapaz de pensar em qualquer coisa que não fossem aqueles dedos atrevidos que trabalhavam de forma habilidosa na carne quente e necessitada. Guiou as mãos até o ombro do gêmeo e tentou empurrá-lo, mas logo apertava os ombros do outro com força, cravando as curtas unhas no local. — P-para. — Implorou envergonhado e mortalmente culpado. — S-somos irmãos. — Tentou trazê-lo para a realidade. — I-isso está errado, não é isso que eu quero, eu não posso, me solta! — Tentou ser mais enérgico, o coração batia acelerado no próprio peito, sentia-se feliz e o mais miserável dos homens ao mesmo tempo. A cabeça doía e se pudesse desapareceria do mundo naquele exato momento. Por muito tempo tentou esconder o que sentia e agora simplesmente estragava tudo permitindo que o outro o tocasse daquela forma. — Kan, por favor, irmão, para com isso! — Mirou a face do mais novo e lágrimas escorreram pela face rubra de prazer e vergonha.
O mais novo se encontrava tão distraído em finalmente realizar seus desejos mais ocultos que nem percebeu o desespero do outro, no entanto, ao mirar a face do mesmo, afastou-se irritado e magoado. Ele estava chorando e havia tanta dor que por um instante quis morrer por ser o responsável por aquelas lágrimas. Decerto se sentia magoado, triste, por um momento quis que ele sofresse igualmente, mas a verdade é que o amava e vê-lo sofrendo o machucava também. Se levantou e passou a mão no próprio rosto. — Não quer? Você... — Um sorriso torpe adornou os lábios do advogado e ele riu irônico, riu de si próprio, do papel ridículo que estava fazendo. — É claro, somos irmãos! — Praticamente cuspiu aquela sentença. — Muito conveniente dizer isso agora, não é? Há poucos momentos estava aí se lamuriando e maldizendo o fato, mas agora somos irmãos! Já chega, eu estou cansado disso, cansado de você e dos seus sentimentos confusos. — Agora era ele quem estava prestes a chorar, por anos guardara aquela mágoa e agora simplesmente não conseguia suportar aquela indiferença toda. Sim, indiferença, pois não era de agora que sofria e o outro parecia disposto a simplesmente fingir que não notava e agora, retribuía seu beijo, suas carícias e então de novo vinha a recusa. — Se eu sair por aquela porta, nunca mais, ouviu bem? Nunca mais vou voltar, se você não me quer como irmão, como amante ou como merda nenhuma na sua vida eu vou realizar o seu desejo. — Advertiu.
— Kanon, você está completamente louco! — Apesar de estar embriagado, aquela questão parecia tê-lo trazido de volta a realidade, pois mesmo aos tropeços, se colocou de pé e fechou a calça que o outro havia aberto anteriormente. — Não posso ser seu amante, somos irmãos! E isso nunca vai mudar, mas eu não consigo tratar você como trato o Milo, eu não posso! — Segurou o próprio peito angustiado. — Não podemos ser amantes, mas também não podemos ser irmãos, será que você não entende? Por anos eu senti esses sentimentos asquerosos, eu não posso ficar perto de você, porque sou incapaz de controlar essa... essa... coisa... — Vociferou no ápice no desespero. — Não faça isso comigo, não faça isso conosco, como poderíamos fazer algo tão nojento? O que vão dizer? O que nossos pais diriam? Eu fiz uma promessa quando nosso pai morreu, prometi que iria cuidar dessa família e eu não vou permitir que ninguém estrague isso, mesmo que seja você. — Rebateu dolorido. — Vá embora Kan, pode ir, não importa que não volte, é o certo a fazer. E depois eu não posso te amar, o que sinto por você é.... apenas curiosidade, um desejo estúpido, não é amor! Não pode ser amor, porque a única pessoa que eu amo é o Olos! — Praticamente gritou, tentando convencer a si mesmo e acabar de vez com aquela situação horrível. Sabia que iria magoar o outro, mas era necessário, pelo bem de ambos, pela sanidade de ambos.
O menor cerrou os punhos com ódio, não era possível que o outro estivesse falando sério, asqueroso? Nojento? Não era correto, mas ele não se importava, o amava com todas as forças e se ele aceitasse lutaria por aquele amor contra o mundo todo. — Saga não é assim, podemos resolver juntos, eu... — Ao escutar a última parte arregalou os olhos e as lágrimas finalmente escorreram pela face, não podia acreditar que estivera enganado por todo aquele tempo, ao sentir que o mais velho o retribuía a centelha da esperança brilhou gloriosa em seu peito e acreditou que finalmente as coisas poderiam mudar entre eles. Pois, aquele afastamento nada mais era do que medo daqueles sentimentos confusos, podia compreender, podia perdoar, mas não era nada disso, ele mesmo afirmava que não o amava e que tudo era apenas por curiosidade, um desejo narcisista. Sem pensar duas vezes voltou a se aproximar do outro, mas dessa vez socou a face do mais velho com força suficiente para derrubá-lo e quando ele tombou no sofá, voltou a atingi-lo novamente. — Eu odeio você! — Gritou inconformado e socou mais uma vez. — Odeio! — Mais um soco.
Saga nada fazia, poderia até tentar se defender apesar da embriaguez, mas não o fez, apenas se permitiu chorar e aceitou cada golpe, sentia aquilo com muito mais intensidade do que realmente gostaria, mas o que doía mais não eram os socos, não era a dor física, mas sim saber-se o responsável por toda a raiva e mágoa que o outro carregava. Merecia aqueles socos, que ele o matasse, não se importava mais. Sentia o gosto metálico do sangue e possivelmente o nariz estava quebrado, mas só ficou ali, inerte, sem reação alguma. Esperou outro soco e outro, mas em algum momento eles pararam de vir, mirou-o com o único olho que permanecia aberto, ofegante e cansado. Não sabia o que dizer, ele apenas o olhava, com a mão ferida e uma expressão tão triste que era de dar pena. — K-kan..on...
— Cala a boca! — Murmurou entredentes. — Eu não vou te bater mais, você não vale a pena Saga. — Sorriu com o coração despedaçado. — Não vale a pena. — Murmurou baixinho. — Eu tenho pena do Aiolos, sério, eu até gosto dele, crescemos juntos afinal, ter um covarde como você ao lado, pobre Aiolos, você não passa de um covarde, um hipócrita! Acha mesmo que ele vai continuar amando você quando souber o que se passa pela sua cabeça? Acha? Não, Saga, não! Você tem razão, é asqueroso, é nojento, você é doente! Ouviu bem? É tão doente quanto eu, aliás, você é pior, porque continua vivendo nesse mundinho ilusório, olhe em volta, você não tem nada, ninguém! — Riu com escárnio e sibilou venoso. — Eu nunca vou perdoar você, conseguiu o que queria, a partir de hoje somos apenas estranhos com o mesmo rosto, não temos mais laços de sangue ou qualquer porcaria do tipo. Eu nunca mais quero ver você, mas sabe a única coisa que me consola? É que eu sei que você nunca vai ser feliz, você vai amargar sozinho! Nem mesmo o Aiolos vai aguentar um fracassado como você, você não ama ninguém Saga, você é incapaz de amar, é só um imbecil narcisista, um desgraçado prepotente. Espero que seja muito infeliz e que sofra muito mais do que estou sofrendo agora. Espero que morra sozinho! — Após dizer tais palavras simplesmente saiu dali, bateu a porta com força e deixou-o sozinho com seus fantasmas.
Saga apenas se permitiu chorar, sentia o corpo dolorido por causa da surra, mas o que doía mais era o coração, conseguira magoar a pessoa que mais amava e sem sombra de dúvidas as palavras agourentas do gêmeo se concretizariam. Se não tivesse feito uma promessa ao pai no leito de morte, certamente morreria mesmo, morreria ali, sozinho, amargurado. Queria correr atrás do gêmeo e dizer que estava tudo bem, que tudo iria melhorar e que nunca o abandonaria, mas não podia impor um fardo daqueles. Bem sabia o quanto a sociedade era cruel, não importava o quanto as coisas tivessem evoluído, ainda era inaceitável que dois irmãos ficassem juntos daquele modo e sempre seria assim. Não haveria lugar no mundo em que pudessem ter paz, eram conhecidos e constantemente observados por repórteres e afins, não podia permitir que Kanon fosse envolvido em um escândalo tão imoral, mesmo que doesse magoá-lo, o faria, pelo bem dele, por amor a ele. — Me perdoa Kan, me perdoa. — Murmurou para a escuridão do apartamento e para a solidão que sempre o cercara. — Eu te amo tanto. — Confessou. — Tanto... por isso eu só quero que você seja feliz, longe de tudo isso, longe de mim que só te trago dor e desespero.
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— Bom dia. — Shaka murmurou ao perceber que Ikki já estava devidamente vestido e já arrumava as coisas para ir trabalhar.
— Bom dia loiro. — O japonês murmurou contrariado, estava de péssimo humor, na noite anterior, discutira com o irmão, aliás, tentou, pois Shun foi categórico em evitar uma conversa ao se trancar no quarto e largá-lo falando sozinho no corredor. Chegara tarde da noite e se recusara a dar explicações e isso Ikki julgava inaceitável. — Onde está o Shun? — Questionou com uma ruga de irritação.
— Ele disse que tinha que terminar um trabalho e decidiu fazer isso na biblioteca do colégio. — Shaka tornou ao servir-se de um pouco de chá. — Olha Ikki, eu não acho certo me meter na sua vida, mas eu acho que você deveria ser menos enérgico com ele, Shun parece uma boa pessoa, conversamos bem pouco ontem, mas tenho certeza que ele deve estar passando por uma situação muito difícil, não acho que ele esteja sendo rebelde, ontem ele chegou tarde, mas parecia realmente muito triste. Não acha melhor tentar uma abordagem mais sutil? Não precisa crucificar o garoto, tente conversar com ele, mostrar sinceridade.
— Tem razão. — Ikki se mirou-o com seriedade. — Você não deveria mesmo se meter na minha vida. Do meu irmão cuido eu, não preciso dos seus conselhos, sou psiquiatra, sei muito bem como tratar de um adolescente. — Murmurou azedo. — Cuide da sua vida, não se esqueça que você é péssimo em julgamentos. — Alfinetou.
— Nem sempre se resolve tudo com teorias e conversas técnicas Ikki, ele é seu irmão, por que não tenta falar com ele de igual para igual? Dizer que o ama e o quanto se preocupa com ele não é nenhum pecado e também não é nenhum constrangimento. — O loiro também se ergueu e sustentou o olhar que ele lhe lançava. — Sim, eu errei em julgar o Milo, mas ao menos eu tenho coragem de admitir o meu erro e você? Tem a mesma coragem? Shun é seu irmão e não um paciente, você não consegue lidar com ele, não consegue lidar com seus problemas, por isso vive enfiado naquele maldito consultório! — Cerrou os punhos irritado.
O moreno deu a volta na mesa e agarrou o loiro pelos cotovelos, seus olhos estavam cheios de raiva, não gostava do rumo que as coisas estavam tomando. Morava com ele há apenas um dia e o outro já se julgava no direito de dizer aquele monte de asneiras? — Quem te disse que você pode sair por aí tirando conclusões? Ninguém pediu sua opinião, não se esqueça dos motivos de estar aqui, em vez de ficar aí pensando tolices, deveria sair para procurar alguma coisa para fazer. Não tenho a intenção de te aturar para sempre. — Advertiu cruel.
— Não deveria nem ter vindo aqui para início de conversa, você não é melhor que o Milo em nenhum aspecto, aliás, ele é muito melhor que você! Pode ter essa postura de seriedade e responsabilidade, mas ele nunca seria grosseiro com ninguém e nem ficaria jogando na cara de um hóspede o quanto ele é indesejado. — Moveu os braços com brusquidão, porém, não conseguiu se soltar. — Me solte agora mesmo seu troglodita estúpido! — Ordenou irritado. — Eu estou vivendo aqui de favor, mas isso não te dá o direito de descontar suas frustrações em mim.
— Estão brigando? — A menininha adentrou a cozinha com uma expressão sonolenta. — Papai? Por que está machucando o Shaka? — Ela indagou assustada.
— Não está me machucando. — O loiro suavizou a expressão. — Estamos apenas conversando, meu amor. — Puxou novamente os braços e dessa vez conseguiu se soltar. Se aproximou da pequena e pegou-a no colo. — Vamos, eu fiz café da manhã para você. — Deu um beijo na testa da pequena e colocou-a sentada na cadeira. — Vamos comer rapidinho, daqui a pouco você tem escola. — Ele se ocupou de servi-la.
— É só uma conversa de adulto, princesa. — O japonês escondeu a raiva que sentia bem lá no fundo e beijou a testa da filha que o olhou desconfiada. — Papai não está bravo, está apenas cansado. — Explicou.
— Hm... — Ela pareceu ponderar por algum tempo. — Conversas de adulto dão um pouco de medo, devia evitar papai. — Ela aconselhou em sua inocência infantil. — O Shaka é bonzinho com a Aya, não pode brigar com ele. — Fez bico.
— Não vou. — Lançou um olhar atravessado ao loiro e recebeu um em pé de igualdade, estreitou os olhos diante daquela atitude abusada. — Bom, eu vou indo, não quero me atrasar, Shun deixou uma chave para fazer cópia? — Ikki perguntou sem encarar o loiro.
— Ah, sim, não faço idéia de onde fica o chaveiro, mas vou me virar, melhor assim, conheço a vizinhança. — Ele disse sem encará-lo, se sentou em uma cadeira próximo a garotinha e voltou a beber tranquilamente o chá de outrora.
— Pode usar. — Ikki retirou da carteira um cartão de crédito e depositou em cima da mesa. — Você precisa de roupas, não tem como continuar usando as roupas do Shun, mesmo porque você está muito estranho vestido assim. — Mirou-o com certa atenção, ele usava uma calça de moletom e uma camiseta de banda que possivelmente o irmão havia emprestado, definitivamente não combinava com o loiro.
— Não preciso do seu dinheiro. — Rebateu orgulhoso. — Vou ver o que posso fazer. — Devolveu o cartão.
— Pegue logo e pare de resmungar, você não tem nem o que vestir, por que torna tudo tão complicado? — O médico arqueou uma das sobrancelhas e empurrou o cartão de volta. — Quando conseguir um trabalho pode me devolver o que gastar. Eu vou indo, até mais tarde. — Beijou o rosto da filha e fez um aceno na direção do loiro, não demorou a sair de casa.
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— Olha só o que temos aqui. — A voz debochada soou e os três amigos que acompanhavam o rapaz riram e se espalharam para cercar o rapaz que haviam encontrado. — O nerd idiota e puxa saco. — Disse malvado e pegou as folhas que o castanho organizava anteriormente.
— Me devolve! — Pediu chateado. — Por favor, preciso terminar isso, é para hoje, então... — Shun até tentou, mas o rapaz ergueu as folhas acima da cabeça, era consideravelmente mais baixo, não conseguiria pegar de volta e não estava disposto a passar a humilhação de tentar. — Por favor!
— Não. — Ele disse simplesmente e se afastou, analisou as folhas e revirou os olhos. — O todo certinho representante de sala e seus trabalhos chatos e organizadinhos. — Debochou e o grupinho riu. — Vamos fazer o seguinte, eu vou fazer isso, olha... — Sem piedade o maior simplesmente rasgou as folhas e atirou-as em cima do rapaz. — Ah, que pena, foi sem querer. — Sorriu.
— Por que estão fazendo isso comigo? Eu não fiz nada! — O menor se revoltou e estava ao ponto de chorar, não era possível que as coisas continuassem daquele jeito, desde que entrara na escola as pessoas pareciam querer sempre pegar em seu pé.
— Isso é porque você é um pobre coitado, quem disse que quero estudar no mesmo lugar que você? Você envergonha todos nós! É ridículo que alguém sem nome como você estude no mesmo lugar que nós, somos a elite de Atenas e você é só um bolsista, por que não vai estudar em uma escola pública? Aqui não é seu lugar. — Ele pegou as coisas do rapaz que estavam em cima da mesa e derrubou-as no chão.
— E-eu passei na prova! Eu estudei muito para estar aqui, não importa que seja uma bolsa eu... — Shun até tentou, mas logo era empurrado de um lado para outro no meio do grupinho. — Parem, está machucando. — Resmungou ao ter os cabelos agarrados.
— Foda-se! — Um dos rapazes ditou. — Bichinha, pobretão. — Xingou.
— Mas que merda é essa? Não posso nem dormir em paz? — Uma voz soou irritada e só então perceberam que não estavam sozinhos no local. — O que vocês estão fazendo, uh? — O loiro volveu de cabeça baixa, estava em uma mesa bem mais afastada, pela disposição das estantes, não daria para vê-lo, fazia tempo que estava observando aquela situação ridícula e já começava a perder a paciência.
— Não é da sua conta, fica na sua. — Advertiu o líder do grupo. — Isso é assunto meu com esse merdinha. — Tomou o lugar do amigo e agarrou o cabelo de Shun que tentava se debater. — Fica quieto. — Sacodiu o rapaz.
— Não interessa, eu estou tentando dormir e você está me incomodando, cai fora! — Ordenou irritado.
— Quem você pensa que é? — Um dos rapazes ditou e quando o loiro finalmente se aproximou e ergueu a face engoliram em seco. — H-hyoga?
— O próprio. — Ele sorriu orgulhoso, desde que saíra no jornal, ganhara fama de agressor e como tal sempre o evitavam.
— Eu já disse, nosso problema é com esse infeliz, vamos sair, pode dormir. — O líder também havia ficado assustado, afinal, todos sabiam que o loiro quase matara um homem e que até esteve na cadeia. Não queria se meter com ele, mesmo porque, ele andava com Isaak que era um valentão e vendia drogas, não era bom se envolver com aquele tipo de gente. — Vamos gente. — Puxou o garoto que choramingou. — Colabora mocinha, vamos logo. — Ordenou.
— Eu acho que você não entendeu... — Hyoga se aproximou do grupo e olhou um a um, estreitou os olhos e mostrou seu melhor sorriso deturpado. — Eu mandei vocês caírem fora, ele fica, alguém tem algo contra o meu ‘pedido’? Esse lugar está uma zona, não vou pegar essas porcarias quando a bibliotecária chegar, então deixem ele aí para pegar tudo e colocar as coisas no lugar.
— M-mas... — Um ainda tentou, mas ao ter o colarinho agarrado, engoliu em seco. — E-esquece, vamos! — Pediu aos amigos com uma expressão apavorada.
— Que seja. — O maior empurrou Shun que só não caiu, pois Hyoga o amparou. — Tsc... — Estalou a língua e deixou o local contrariado.
— Por que será que sempre nos encontramos no meio de uma briga? — O loiro indagou com uma pitada de divertimento, mas o rapaz apenas se afastou e começou a recolher as coisas quietinho. Revirou os olhos e se abaixou para ajudá-lo.
— N-não precisa. Eu pego minhas porcarias. — Ele disse magoado e puxou um dos cadernos que o rapaz ia pegar.
— Você poderia simplesmente dizer um obrigado, não acha? — Hyoga tornou com uma sobrancelha erguida. — Olha Shun, eu não tenho nada contra você, mas se não começar a se impor vai virar um saco de pancadas.
— E-eu sei me virar. — Abaixou a cabeça.
— Estou vendo! — Recolheu alguns objetos sobre o olhar inquisidor do menor. — Eu disse aquilo para eles saírem logo, não é como se eu fosse incapaz de pegar isso. São suas coisas, não são porcarias. — Explicou paciente, não queria magoar o garoto.
— O-obrigado. — Shun sorriu constrangido e ao mesmo tempo feliz pelo loiro se lembrar de seu nome. Ainda estava chateado pela discussão que tiveram outro dia, mas estava feliz que não fora esquecido. — Agora eu acho que estamos empatados. — O sorriso se alargou.
— De nada e você está certo, nerd. — Ele pegou um livro e bateu de levinho na cabeça do garoto e retribuiu o sorriso com sinceridade. Não havia se esquecido do garoto, nem daqueles olhos verdes enormes e chorosos, ele realmente ficava bonitinho quando irritado, talvez por isso gostasse de provocá-lo. — Vem, vou te ensinar uns lances de defesa pessoal, vê se soca eles também, poxa. — Ajudou o rapaz a se levantar e a guardar os materiais dele.
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— Albafica pela milésima vez, não estamos atrasados. — Shion tornou um tanto contrariado, não era exatamente sua vontade fazer aquela viagem, tinha muitos negócios para resolver, não que não considerasse as prioridades do esposo importantes, mas a verdade é que achava errado que ambos largassem suas obrigações para ir até outro país visitar o voluntarioso Afrodite e tudo isso, porque o loiro resolvera assumir a posição de protetor do tal Camus que era seu sócio. Não conhecia o ruivo, todavia, julgava inaceitável o fato dele tirar um tempo para repousar enquanto os negócios ficavam largados nas mãos de uma pessoa doidivanas como Afrodite Laursen. O vira poucas vezes, duas para ser mais exato, uma delas no noivado de ambos e outra no casamento. O filho pródigo como gostava de se referir a ele. Não era novidade que o rapaz largara tudo, inclusive sua herança para vivenciar um sonho tolo como se tornar estilista. Não que não soubesse que era uma posição de sucesso, mas ainda assim achava irresponsável da parte do rapaz.
— Claro que estamos atrasados. — Albafica resmungou incomodado enquanto conferia o relógio. — Para você pode parecer um encontro casual, mas eu não vejo meu irmão há cinco anos! Cinco anos Shion, acha que isso não é importante? Aliás, nem sei porque resolveu me acompanhar, visto que está mais do que óbvio que está se sentindo incomodado. — O Laursen mais velho rebateu magoado, não era justo que sempre tivesse que iniciar uma discussão com o esposo quando queria fazer algo que lhe era importante. Recebera um telefonema do irmão e ficou sabendo de toda a situação complicada em que ele se encontrava e aquela visita era o mínimo que poderia fazer por ele, mesmo porque, por diversas vezes visitara a França e conhecera Camus, era um homem muito responsável, uma ótima companhia para seu irmão e ao saber que ele estava adoentado se sentiu na obrigação de ao menos fazer uma visita. Ficou realmente contente ao saber que ambos resolveram expandir os negócios e agora abriram uma nova sede da companhia na Grécia.
— Não estou incomodado, só não compreendo porque seu irmão não podia nos visitar em vez de virmos até aqui. Ele tem muito mais disponibilidade no trabalho dele, ora. — Shion volveu tentando ser paciente, não queria deixar o outro chateado, mas realmente não entendia muito bem. Ambos estavam agora em um carro alugado rumando para o endereço que Afrodite havia lhes enviado mais cedo. Coisa que ele desaprovou de imediato, será possível que além de se disporem a ir até outro país para vê-lo, seria pedir demais que fossem recepcionados no aeroporto? Conferiu no GPS e franziu o cenho. — Hospital? Por que isso, Alba? Por acaso seu irmão está doente?
— Não, mas Camus está, quero vê-lo. — Explicou. — Eu já havia comentado, mas pelo visto você não estava prestando atenção. O sócio do meu irmão está internado, sofreu um grave estresse e caiu doente, por isso, até mesmo adiaram o lançamento da nova coleção. — O rapaz disse calmamente.
— Estresse? Pelo que me disse o homem é bem famoso, um marco das grandes marcas atuais, não aguentou a pressão da nova coleção? — Shion ironizou. — Bem, algumas pessoas realmente têm tempo para se sentirem estressadas e se afastar do trabalho, não é? Sendo amigo do seu irmão, já consigo imaginar a figura. — Um riso debochado escapou por entre os lábios do empresário.
— Como sempre tirando péssimas conclusões. — Albafica se irritou. — Para sua informação, Camus é uma pessoa extremamente focada e responsável e desde que ficaram sócios, nunca vi o Afrodite dizer que ele tenha tirado férias ou folgas, ao contrário, ele vive e respira trabalho, acho até que trabalha mais do que você. E mesmo assim ele ainda tem tempo para cuidar do irmão mais jovem, diferente de você que nem ao menos se dispõe a escutar o que digo. — O rapaz ditou venenoso e deu graças aos céus quando o carro finalmente parou, não queria mais conversar com o esposo, há tempos ambos só conseguiam divergir e discutir, ademais, achava inaceitável que o outro julgasse alguém se nem ao menos conhecer. Parecia que ele realmente tinha algo contra Afrodite e isso o desagrava muito.
— Alba espera! — Ainda tentou pedir, mas o outro ignorou prontamente, fazendo-o soltar um rosnado irritado. — Que droga! — Balbuciou para si mesmo enquanto travava as portas do veículo e caminhava apressado para o saguão do hospital. Apesar dos pesares, encontrou Albafica próximo ao balcão de informações, abraçando o irmão que tanto adorava, cruzou os braços e aguardou as saudações terminarem, só aí se aproximou e cumprimentou o cunhado com um aperto de mão firme.
Pouca coisa fora dita, algumas coisas sobre a situação da empresa, que Albafica prometeu resolver para o desgosto de Shion, o rapaz era formado em administração e certamente teria facilidade em resolver os problemas mais graves, enquanto Afrodite era apenas estilista e não sabia lidar com nada daquilo. Pensou em perguntar ao cunhado se não havia uma forma de contratar outra pessoa, mas um olhar arredio por parte de Albafica fora o suficiente para que resolvesse ficar calado.
— Então se me derem licença, vou até a cafeteria, podem ir na frente. — Tratou de dizer, não gostava de hospitais e muito menos queria ir visitar o tal sócio de Afrodite, embora soubesse que era errado julgá-lo pela personalidade exagerada do cunhado, não conseguia imaginar o homem que Albafica descreveu se relacionando com um desmiolado como o loiro.
— Você continua sendo insuportável e grosseiro. — Afrodite rebateu com uma expressão raivosa. — Deveria ao menos ir conhecê-lo já que se deu ao trabalho de vir até aqui. — Resmungou.
— E dizer o quê? Eu não faço idéia de quem seja e se o homem está doente, seria incomodo um quarto cheio de pessoas, inclusive um desconhecido, não acha? — Estava sendo sincero, embora se sentisse um pouco incomodado em conhecer os amigos do cunhado, também pensava que uma pessoa convalescente devia ficar confortável e não cercado de estranhos tagarelando. — Mais tarde enviarei flores e um cartão, em outra ocasião teremos o prazer de nos conhecer, você não acha melhor Alba?
— Ah, nesse ponto eu acho que o Shion está correto, Dite, Camus é uma pessoa reservada e não o vejo ficando a vontade diante de um estranho. — O mais velho dos Laursen sentenciou e sorriu ao ver o mais novo revirar os olhos, maneou a cabeça negativamente e tratou de acompanhá-lo.
Ambos foram na direção do quarto do ruivo, quando adentraram o local, ele estava sentado em uma poltrona, tinha acabado de tomar café, estava lendo um livro, mas ao ouvir a porta se abrir, lançou um olhar na direção da mesma, se permitiu um sorriso discreto. Se levantou e estendeu a mão na direção de Albafica. — Olá, me perdoe pelas circunstâncias pouco convenientes, eu não acredito que o Afrodite foi te incomodar. Nem deveria ter se vindo, Albafica, você é um homem muito ocupado.
— Não diga besteiras Camus. — Albafica mirou a mão do ruivo, mas ignorou prontamente e o abraçou. — Faz mais de cinco anos que não nos vemos e você quer me dar um aperto de mão? Peguei um avião, fiquei horas trancado naquela lata velha, vim de outro país só para te ver e é desse jeito que me trata? Ora senhor Versailles você já foi mais educado. — O mais velho dos Laursen ditou com um sorriso lindo e mirou a face do amigo, tocou o rosto dele. — Você está melhor? — Indagou preocupado.
— Eu estou muito bem, espero ter alta em breve. — Explicou um tanto constrangido, mas envolveu os ombros do outro e retribuiu o carinho, não podia negar que gostava de Albafica, ademais, parecia que toda a família Laursen era calorosa, ao menos aqueles dois, embora Albafica fosse mais reservado, era gentil e agradável. Afastou-se pouco depois, não gostava tanto assim de contato e possivelmente Albafica compartilhasse daquele sentimento, pois não pareceu ofendido ou irritado pela distância. — Você veio sozinho?
— Ah, não, Shion veio comigo, mas achou por bem respeitar seu espaço, ficou constrangido achando que iria incomodar já que vocês não se conhecem. — Fez questão de salientar, não gostaria que Camus achasse que o esposo não estava feliz em estar ali, embora em partes fosse verdade, queria poupar o Francês.
— Não me incomodaria. — Camus voltou a se sentar e mostrou outras duas poltronas para que os visitantes ocupassem. — Adoraria oferecer um café, mas as acomodações são terríveis.
— Bobagem. — Albafica se sentou e Afrodite fez o mesmo. — A propósito, meu irmão me disse que você está com alguns problemas na empresa, tomei a liberdade de me oferecer para verificar os livros e conferir algumas planilhas.
— Afrodite! — Camus olhou para o amigo com uma expressão de zanga. — Além de incomodar seu irmão para vir de tão longe para me visitar ainda pediu que ele trabalhasse? Não, por favor, não posso aceitar isso. — O ruivo foi categórico.
— Não aceitarei recusas, fico até aliviado, Shion insiste que eu viva em função da galeria de artes, gostaria de cuidar das finanças, mas ele quer fazer tudo sozinho, me sinto um inútil. — O rapaz confessou frustrado. — Eu fiz meu curso por prazer e não por obrigação.
— Então ao menos permita que pague seu serviço. — Sugeriu o ruivo.
— De maneira alguma, somos amigos, Camus, amigos, e amigos não precisam envolver dinheiro nesse tipo de situação. Sei que você é perfeitamente capaz de levar em frente seu negócio, mas no momento está cansado e abatido, portanto, pense apenas no seu tratamento e deixe que dos problemas da empresa cuido eu. Não foi incomodo vir te visitar e você deveria ficar feliz, mais um pouco e Afrodite teria acabado com as suas economias. — Sorriu.
— E acha que agora vou conseguir me concentrar no tratamento? — O Francês suspirou fingindo preocupação.
— Eu estou aqui, seus ingratos, não falem como se eu não estivesse! Francamente, eu fiz tudo para tomar conta das nossas coisas Camyu e você me agradece assim. — O loiro fez biquinho.
Os três continuaram conversando, Camus vez ou outra sorria, estava se sentindo bem melhor e esperava sinceramente que conseguisse mesmo sair daquele lugar em breve. Naquela mesma tarde teria uma sessão com o psiquiatra e tentaria convencê-lo de todas as formas a liberá-lo, claro que continuaria tomando todos os remédios e faria consultas regulares, mas não queria mais ficar internado.
Shion fez exatamente o que havia dito, caminhou calmamente até a cafeteria do hospital, pediu um café expresso e resolveu aguardar, todavia, qual não foi a surpresa ao vislumbrar um rosto conhecido, quase deixou o café cair, engoliu em seco, não era possível que o mundo fosse assim tão pequeno. Os olhos percorreram o outro de cima abaixo, desacreditando em como a vida poderia ser irônica. Apesar dos anos terem passado, o homem continuava extremamente atraente e mantinha um ar jovial que sentira tanta falta, embora jamais fosse admitir com facilidade é claro. Sem pensar duas vezes abandonara a xícara de café na mesa que ocupara e se apressou a acompanhar o conhecido que ameaçava deixar o local, tocou-lhe o ombro. Um sorriso galante adornou os lábios do empresário enquanto o olhava com intensidade. — Dohko?
— Shion? — O diretor do hospital arregalou os olhos. — Há quanto tempo... — Murmurou um tanto desanimado e extremamente surpreso, por um lado era incrível como as coisas haviam mudado, mas Shion continuava o mesmo, agora visivelmente mais maduro, mas ainda assim extremamente belo e sedutor enfiado em um dos belos ternos que costumava usar. — O que veio fazer aqui? — O tom de voz era sério e agora o encarava com uma curiosidade sincera e uma mágoa latente que tentava disfarçar, mas seus olhos denunciavam e muito que não havia esquecido a última vez em que se encontraram. Não conseguia acreditar que ele estivesse ali e que ainda tivesse a audácia de manter aquele sorriso pedante na face enquanto tentava iniciar uma conversa casual. Moveu o corpo escapulindo do toque do outro e mirando-o com uma expressão fechada que exigia uma resposta.
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— Então é esse o caso, preciso que você descubra onde mora esse tal de Amamiya e investigue todo o passado dele, quero saber onde ele morou, com quem se envolveu, tudo! Até mesmo o nome das primeiras namoradas dele. — Milo explicou com uma expressão emburrada. — Preciso que você descubra qual a conexão dele com o Shaka e se possível onde o loiro está se escondendo.
— Sinceramente. — O homem sorriu debochado. — Você quer saber se seu amante está tendo um caso com o médico?
— Não é isso, claro que ele não está! — Milo interrompeu irritado. — Shaka tem bom gosto, por favor, mas eu estou preocupado com ele. Depois da nossa briga ele simplesmente sumiu e esse cara não confiável.
— Isso vai custar caro, você sabe que ando ocupado, já fiz uns trabalhos para o seu irmão, mas sair perseguindo seu amante? Francamente, tenho coisas mais importantes para fazer. — Ângelo coçou o queixo e mirou a expressão do modelo. — Prefiro outro tipo de caso se é que me entende. — Preferia os do tipo perigosos, não era à toa que recebera a alcunha de Máscara da Morte, era um policial aposentado, bem, não por vontade própria, digamos que tenha exagerado em certos momentos e acabou tendo que se afastar do serviço, obviamente sua conduta fora louvável, exceto pela violência exagerada em alguns momentos, por isso, acabara se aposentando mais cedo e não fora despedido como normalmente ocorria. Abrira então um escritório e passara a trabalhar como detetive particular, mas evitava aqueles casos passionais, no entanto, como havia dito Saga era um cliente e por isso se sentia compelido a aceitar o pedido do modelo.
— Não interessa o preço, eu pago! — Foi logo dizendo. — Mas eu preciso de informações e quanto mais rápido melhor. — Estava realmente preocupado e angustiado, Shaka não tinha dinheiro e só de pensar que ele estava naquele momento dependendo do tal médico o incomodava e muito. Ele nunca aceitara ser sustentado por ele, então por que agora se permitia por aquele cara? Moveu-se incomodado na cadeira.
— Tudo no tempo certo, não é como se eu fizesse mágica, vou iniciar a investigação o mais rápido possível, mas não se meta no meu caminho, sei muito bem como fazer o meu trabalho e se for ficar me ligando a cada cinco minutos encerramos o assunto por aqui, procure outro. — Retirou um maço de cigarros da gaveta e acendeu um.
— Não, eu sei que você é bom, vou ser paciente. — O loiro volveu a contragosto, é claro que gostaria de saber do andamento da investigação, mas já conhecia a fama do detetive e bem sabia que por mais que pagasse, ele não pensaria duas vezes em mandar tudo à merda se fosse pegajoso e insistente em demasia. — Você é o melhor nessa área, soube que nunca deixou de resolver um caso.
— Isso mesmo, sou o melhor! — O Italiano sorriu e deixou a fumaça escapar por entre os lábios. — Vou começar hoje mesmo, pode fazer o deposito na minha conta. — Retirou de dentro da gaveta um papel com as informações e atirou para o modelo.
— Temos um acordo então. — Se levantou e estendeu a mão para o outro.
— Certo, agora cai fora do meu escritório. — Dispensou o outro com uma expressão amarrada e não fez questão de cumprimentá-lo.
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