Karen

Estávamos andando em direção ao centro da cidade, Karel tinha uma ideia de onde havia algum Ryan.

–Sério que não sente frio? – Perguntou tomando seu último gole de café expresso descafeinado.

–Sim, é estranho?

–Só para você ter uma ideia do quanto é estranho, tá fazendo -14 graus, você está de regata, sem casaco, bebendo milk-shake de chocolate com nozes, com cabelo molhado, quer algo mais estranho que isso?

–Satisfeita – Dei um riso descontraído e continuei – estamos andando á um bom tempo, onde é que ele pode estar?

–Estamos quase lá, não vai demorar, só me deixei pegar mais um café,
Adentrou um estabelecimento na esquina, tinha cheiro de café chocolate e baunilha no ar, andou até o balcão e o acompanhei até meio caminho, uma pessoa me chamou a atenção.

–Elyand?
Era um apelido que admito que não gosto, e só haviam 3 pessoas que me chamavam assim, me virei e vi um trio de garotas, uma morena e duas loiras metidas a, dona do mundo, as conhecia do orfanato, passamos muito tempo compartilhando muitas coisas evitando nos matarmos.

–Ora ora, Bella, Meg e Weiner, o trio de Vis – Tentei parecer o mais simpática possível, mas esses olhos, quem não tem medo deles?

–Não nos chame assim – disse a morena cabisbaixa, por um acaso teria algo contra a cor prata?

–Do que deveria chamar então Bella? Esta é a palavra mais educada que encontrei para vocês.

Me virei tentando me segurar para não começar uma briga de bar, ou café, fui ao balcão e disse em baixo tom, o suficiente para só o Karel ouvir.

–Enquanto estivermos nesse café e aquele trio estiver ali, finja que é meu namorado ou algo assim, mesmo que pareça extremamente estanho, por favor.

–Tudo bem... – arqueou uma sobrancelha e logo ajeitando-a

Uma moça voltou com o café expresso descafeinado e pegou o dinheiro do balcão, remexeu um pote meio transparente que estava com várias notas e moedas, tirou algumas notas e a entregou, foi pega e colocada dentro de uma carteira, se ouviu um voltem sempre até que baixo e sorrimos para a moça, nós viramos e passamos os braços em volta de nossas cinturas e saímos andando com passos sincronizados, passamos pela porta e andamos até a próxima esquina em silêncio, desfizemos o laço e ficamos como antes, estranho ele não me estranhar pelo pedido repentino.

Parou de andar após atravessar a rua que estava coberta por gelo e olhou para cima, parei logo em frente depois de notar a falta de sua companhia, olhei para ele e olhei para cima, voltei alguns passos e continuei a olhar para cima, que dava em um prédio extremamente alto.

–É aqui, no andar 104, sala 362, Studio Stronger.

–Studio Stronger? Curioso...