Three Lives

3 Sheer Ecstasy


Notas iniciais
Só pra constar aqui, odiei essa atualização do Nyah! Ficou tudo muito espaçado, wtf... Espero que isso não interfira na leitura, só quis comentar, por que me deixou P da vida. Enfim, taí o cap, espero que curtam ;) Beijos e boa leitura.

Aquele velho bar mal iluminado no fim da rua me trazia tantas memórias incríveis, que vocês não tem ideia. Afinal, o que esperar de um local onde você pode agir como quiser, do lado de gente que te entende e não tá nem aí se você é gay, gótica, problemático, hiperativo, ou seja lá o que for?

Esta é a terra do nunca, onde podemos respirar aliviados, esquecer dos problemas e curtir á sua própria maneira. Se isso é estar errado, qual é seu conceito de “certo”? – Abaixar a cabeça para os padrões do mundo e fingir ser quem não é?

Você pode me achar uma otária anarquista sem nada na cabeça, que talvez um dia amadureça, como meu pai... Mas só pra deixar firmado aqui: Eu não sou um Marshall Lee. Ainda bem que não.

Afastei esses pensamentos da cabeça, pois não fugi daquele aeroporto pra ficar me martirizando ao lembrar do ex anarquista, traidor do movimento, que aceitou ser mais um como todos os outros, se rendendo á rotina de casamento, crianças, trabalho. Fala sério! Você poderia ser menos quadrado, pai.

Me joguei no cadeira do canto mais mal vigiado do lugar, lá no fundo mesmo. Debrucei-me sobre a mesa e liguei a tela do celular.

– Pra um fim de mundo, até que aqui tem sinal pra caralho – Pensei alto, mas não tão gritante pra me fazer ouvir naquele barulho todo. Todos os quatro, não calavam a boca nem por um segundo.

Desbloqueei a tela e, aproveitando a enorme onda de wireless que recebi no aparelho, resolvi dar uma olhava nas redes sociais, enquanto a coisa ali não ficava interessante. Nada de novo no twitter, além do mesmo pessoal falando as mesmas bostas. Migrei pro facebook e bati o olho numa nova mensagem, que me surpreendi ao ver quem era:

“Arthur: Garota, vc só pode ter ficado louca... Onde ce tá? A tia Marcy vai te matar! Como tu some assim do nada, tem merda na cabeça, droga? Estamos preocupados, diabinha”

Revirei os olhos e pensei em ignorar, mas mudei de ideia.

“Vc n cansa de ser um pé no saco, né porra? Se quiser saber onde estou, eu digo: Na puta que pariu!”

Ele visualizou e respondeu na mesma hora:

“Quando você vai crescer?” – Desta vez, ignorei, outra veio mais tarde – “Toma cuidado, então”.

Mereço esse moleque, ele deve achar que é meu pai.

Não demorou muito pra eu parar de pensar naquilo e voltar toda a minha atenção pra mesa onde estava. Enquanto falava várias bostas, Matt colocava erva no papel de seda, enrolava e selava, ascendendo, puxando e passando para o próximo. O baseado passou de mão em mão, até chegar em mim, que há um bom tempo não dou um “tapa na pantera”. Que saudades disso.

Puxei e segurei, senti e soltei. Foi quase imediato a sensação de relaxamento, minhas pupilas dilatavam lentamente e eu fiquei leve. Eu fumaria aquilo até ficar tão louca de não conseguir lembrar quem eu sou. Mas, como era compartilhado, me dei por satisfeita e passei pro Mattew novamente. Enquanto o cigarro ia e voltava pra mim, eu dava uns goles na vodka deixada sobre a mesa, até notar que o as coisas começavam a duplicar um pouco.

Ótimo, já estou começando a sair de mim. O mundo girava e coloria, eu ria, junto com todo mundo. Erik provavelmente era o mais chapado dali, que já começava a falar coisas sem sentido e gargalhar pro nada.

Não estava grogue o suficiente pra esquecer completamente de que tinha uma casa, e que tinha que voltar pra ela mais cedo ou mais tarde. O fato de que eu já estou fodida o suficiente só por ter sumido, é piorado se eu aparecer bêbada ali.

Me levantei, quase cambaleando em direção ao banheiro... eu precisava jogar uma água no rosto e esperar por lá, enquanto a brisa passa e eu me recupero. O problema é que eu já não fazia mais ideia de onde era o banheiro, mesmo tendo frequentado esse bar sempre.

Aonde estavam meus amigos eu também não sabia. Na verdade, eu não fazia ideia de em que dimensão eu havia parado. Encostei na parede, mas ela mudava de cor, então eu pensei “Se eu não sair de dentro da parede, é gameover”. Porém eu não conseguia sair de dentro da parede, droga. O jeito era esperar meu unicórnio me salvar.

Naquela confusão do tamanho do mundo, eu só lembro de ter sentido o cheiro do Devon, e quando eu abri os olhos (eu nem sabia que estava com eles fechados), ele estava ali, na minha frente.

Eu observava seus olhos, que originalmente eram castanhos, mas estavam virando verdes, e de repente, azuis, violeta, rosa, laranja... Espera, porque o seu cabelo tá flutuando? Acho que estamos de cabeça pra baixo. Ele encostou suas mãos na parede, me colocando entre ele e se aproximando cada vez mais. Eu sentia sua respiração contra a minha, e sem mais nem menos, nossos lábios se selaram, enquanto ele inclinava sua cabeça e pedia passagem com sua língua entre a minha.

Fechei os olhos e deslizei minha mão por debaixo de seu casaco, sentindo o toque de seu corpo quente contra minha pele gelada. Suas mãos ao redor da minha nuca puxavam meus cabelos pra trás, me fazendo encarar o teto (que por sinal, havia serpentes arco íris se entrelaçando).

De repente, as coisas começavam a escurecer, mas eu ainda sentia suas mordidas no meu queixo descendo pra clavícula. Suspirei, arrancando um rouco gemido, baixo. Depois disso, nada mais lembro. Tudo ficou mais escuro e o som sumiu, junto com meus outros sentidos. As memórias viraram um borrão.

Quando abri os olhos, a claridade do ambiente (que nem era tão claro assim) entrou em minha retina, me cegando por alguns segundos. A dor de cabeça começa a aparecer agora, enquanto retornava a minha consciência. Eu estava sentada no chão, encostada na mesma parede, que agora voltara a sua cor normal. Devon estava do meu lado, no mesmo estado.

– O que aconteceu? – Indaguei

– Acho que a gente se pegou, não lembro bem – Ele respondeu depois de alguns segundos encarando o nada.

– E aquilo branco ali na parede... – Apontei, com o braço ainda amolecido – Isso é porra?

– Eu já disse que não sei, Violet – Ele desceu o olhar para seu zíper aberto – Deve ser, eu sei lá.

Não perguntei mais nada, apenas descansei minha cabeça em seu ombro. O que não durou muito tempo, já que ele rapidamente voltou a si e levantou, descendo aquele corredor e voltando ás mesas. Fiquei lá por mais um tempo, notando o gosto da minha boca e meu sutiã jogado mais pro canto. Essa com certeza foi a foda mais sem sentido que eu já tive.

Finalmente achei o banheiro, que ficava no final do corredor e estava na minha cara o tempo inteiro.

Me levantei por fim e abri a porta, apoiando-me na pia a abrindo a torneira. Não pensei muito, apenas juntei um monte daquela água gelada e joguei no rosto, encarando-me em seguida no espelho. Olhos vermelhos, lábio cortado e o delineador preto totalmente borrado.

Sequei o rosto com um papel toalha e limpei os excessos da maquiagem preta dos olhos, me recompondo e voltando pra mesa.

– Pensei que tinha morrido – Disse Erik, pouco mais sóbrio do que antes.

– Por quanto tempo eu sumi? – Perguntei, praticamente me jogando na cadeira

– Meia hora, mais ou menos – Respondeu Olivia, indiferente e distante.

– Qual é a da cara de enterro? – Devon, que também estava fora, questionou.

– Pergunta pro Matt – Erik apontou para o mesmo, debruçado na mesa, quase em coma – Virou a garrafa de vodka toda e não deixou mais nem uma gota.

– De quebra, o dinheiro acabou – A mesma acrescentou – O jeito é ficar sóbrio...

– ... Ou esperar até mais tarde, na festa do Klaus, que vai ter muita marijuana e TE-QUI-LA – Interrompeu Erik, que parecia super animado com a ideia.

– Ahn... Klaus? – Devon revirou os olhos – Aquele burguesinho?

– Ahh qual é cara, é seu irmão – A mona louca passou por detrás do mesmo e apertou seus ombros – Imagina quanta fumaça você não vai soltar por esse pulmãozinho podre, hein?

– Meio irmão – Corrigiu – E eu não sou obrigado a dividir meu ar com ele.

– Aquela casa é enorme, você mal vai ver ele – Insistiu o outro

– É um porre aquele riquinho... – Ele continuava retrucando

– Pensa só na quantidade de menina pra você sarrar, ou nos litros de bebida que vai ter – Seus olhos brilhavam, como os de um cachorro pidão – Eu não quero ir sozinho.

– Eu só vou se vocês forem – Comentou Olivia

– ... ele pensa que é melhor do que todo mundo – Ele continuava a franzir o cenho, falando sozinho – Já estou por aqui com ele.

– Já que você odeia tanto ele, não precisa nem olhar na cara... A gente te mantém distante do burguês e todo mundo enche a cara e fica feliz – Disse, decidida.

– Quero ver isso dar certo – O emburrado contrariou

– Então fechou – Erik abriu um grande sorriso – Livia?

– Se vocês estão dizendo – Ela deu de ombros

– É open bar gente, animação – Incentivava ele, que era o único que parecia não estar morto.

– Com essa dor de cabeça, a última coisa que você pode me pedir é animação – Debrucei-me sobre a mesa, junto com Matt, que ainda se encontrava em estado vegetativo.

Normalmente, a ideia de festa me alegraria, e eu estaria tão animada quanto a bicha purpurinada do meu lado, mas não sei o que vem acontecendo comigo ultimamente, que a felicidade custa a me atingir, como se estivesse me evitando. Continuei com a cabeça inclinada sobre a mesa, encarando o copo vazio em minha frente, ao som de uma banda grunge e conversas alheias, quando uma batida na mesa me surpreendeu.

– Violet! – Escutei uma voz familiar berrar meu nome.

Eu já sabia quem era, então preparei meu fôlego pra uma discussão daquelas. Com as duas mãos sobre a mesa e uma expressão furiosa, minha tia Marcy me encarava como se quisesse me esganar. Ergui o olhar e encarei-a também, sem dizer uma palavra.

– O que você tem na cabeça, garota? – Ela questionou, após alguns segundos de tensão. Com exceção da música, o bar ficara em silêncio.

Ela estava esperando por uma resposta, então, insolentemente, respondi:

– Um bocado de maconha

O que não era mentira, mas parece que não foi o que ela queria ouvir. Seu rosto ficou vermelho de repente.

– Você faz ideia de o quando nós procuramos por você, sua pirralha irresponsável? Como você pode fazer isso com a gente? Fumou merda, porra? – Ela podia ser bem rude quando queria. E eu também.

– É exatamente disso que eu tentei fugir, quando sumi daquele aeroporto – Respondi, no mesmo tom – De você, de tudo aquele inferno! Eu não pedi pra vir me procurar, muito menos pra se preocupar comigo... Porque não volta pra casa e finge que eu não existo? Não seria muito mais fácil?

– Escuta aqui, sua criança, eu não sou babá e muito menos paga pra ficar aguentando sua essa sua rebeldia, entendeu? – Ela apontou aquele dedo magro, trêmulo e anêmico pro meu rosto – Eu não sou seu pai, que você pode passar por cima... Nem mole como sua mãe foi ao te criar. Eu sou sua tia, e enquanto você estiver sob a minha guarda, vai baixar essa bola e me obedecer.

– Tenta a sorte – Afastei seu dedo

– Não me teste – Ela cerrou o punho – Vamos pra casa.

– Não – Cruzei os braços

– Agora! – Ela disse ainda mais alto

– Já falei que não vou sair – Não movi um músculo

– Violet... – Ela fechou os olhos – Eu vou contar até três.

Continuei imóvel. Ela contou até um... Dois... E, finalmente, três. Abriu seus olhos castanhos avermelhados, que agora estavam mais avermelhados do que castanhos, segurou forte em meu braço e puxou, no tranco, arrastando-me á força até a saída.

Eu me debatia e xingava horrores, mas a monstra desalmada continuava a me arrastar. Eu não sabia de onde aquela esquelética tirava tanta força, mas de que eu não conseguiria me desvencilhar, era fato.

Só consegui me soltar quando a mesma abriu as mãos e me empurrou contra sua moto, ordenando que eu subisse e me entregando o capacete. Segurei aquela porra e joguei com ódio no chão, o que, claro, foi uma péssima ideia.

Ela estava completamente louca quando rapidamente se agachou, pegou o capacete e catou meu tornozelo, puxando-o, fazendo com que eu caísse de bunda no chão. Ainda segurando ele, a psicopata da minha querida tia subiu na moto, dizendo:

– Se você não vai por bem, ok – Ela ligou-a – Vai arrastada, então.

– Você não vai fazer isso – Arqueei a sobrancelha, duvidando.

– Não, é? – Ela sorriu, andando lentamente com a moto.

– Tia, para já com isso! – Exclamei, levemente assustada – Me larga!

Dando de ombros, a louca continuou a acelerar, á uns 5 km/h. Eu sentia que minha jaqueta iria rasgar a qualquer momento, quando tive a brilhante ideia de colocar a mão no chão, arrastando-a contra o asfalto, o que resultou em um belo arranhão em ambas.

– Tá bom, chega! – Gritei – Eu vou, eu vou!

A vampira parou a moto no acostamento e sorriu, se virando pra mim e entregando o capacete.

– Boa escolha – Disse ela, num tom de sarcasmo.

– Eu te odeio – Me levantei do chão, recebendo o maldito capacete e subindo na moto – Sua louca, insana, monstra desalmada, destruidora de planos.

– Também te amo – Ela deu partida novamente – Um dia você vai ver que tudo o que a gente faz é pro seu bem.

– Como me arrastar no asfalto? – Indaguei, emputecida.

– Faz parte – Assentiu ela – Ah, e só pra te prevenir: Isso foi só o começo. Você tá muito fodida quando chegar em casa.

Nenhuma palavra foi dita durante o trajeto, mas a cara fechada de ambas já dizia como essa noite ia acabar. Agora vocês entendem meu desejo constante de estar morta, ou minha aversão ao “amor fraterno”?

Ao chegar em meu doce lar, mais conhecido como inferno, travei na porta. Meus pés se negavam a dar mais um passo pra dentro daquele lugar. Minha tia, de braços cruzados atrás de mim, me esperava tomar alguma atitude.

– Não me faça ter que te arrastar de novo – Ela disse friamente, abrindo a porta por mim e apontando pra escadaria – Suba.

– Não – Respondi, dura.

O que não adiantou muito, já que ela me empurrou pra dentro, fechando a porta atrás de si. Minhas únicas opções eram: subir as escadas por vontade própria; ser brutamente arrastada escadaria acima; me jogar dela. Embora considerasse a opção de me jogar mais sensata, acabei por optar a mais viável: Obedecer logo de uma vez.

Meu orgulho doía ao fazer isso, mas eu sobrevivi até lá em cima.

Agora havia aquele corredor, onde na terceira porta á esquerda estava onde eu costumo chamar de casa. Esse era o último lugar na terra em que eu gostaria de ir. Olhei pra trás, e a carrasca continuava me encarando rigidamente. Suspirei e segui em frente. Chegando na porta, girei a maçaneta e a empurrei, dando de cara com toda a família reunida, me encarando com feições preocupadas, nervosas e julgadoras. Hoje é o dia.

Dentro da minha cabeça só me martelava uma coisa: Como foi que Marcy me encontrou ali? Uma leve impressão dentro de mim dizia que aquele loirinho desgraçado estava metido dos pés a cabeça nisso.

Arthur, eu vou te matar de porrada.

Notas finais
Aehush sinto que alguém aí tá muito fodido... Como vocês sabem, a fic nunca foi movida á comentário, mas dá uma certa insegurança quando eu me esforço horrores pra escrever algo que o feedback é quase nulo. Não sei o que vocês estão achando da fic, então não custa nada deixar um review, seja pra críticas ou incentivos. Afinal, a razão de eu ter feito essa segunda temporada foi justamente por vocês. Enfim, é isso :) Beijos e até semana que vem o/