This is my Happy Ending
39 Tavi's father
Notas iniciais
Coraline não havia conseguido dormir de ansiedade. Passara a noite toda perto do telefone e olhando as horas.
Acabou vendo alguns filmes, comendo algumas bobagens, mas por fim estava adormecida no sofá vencida pelo cansaço.
Pela manhã ela tomou um banho e se arrumou de maneira apresentável. Pegou as chaves e o telefone, enquanto descia para a garagem ligou para a mãe.
– Mãe? – Disse animada.
– Oi, filha! Que saudade! Você não vem em casa há dias! O que houve?
– Nada de muito importante... Podemos almoçar juntas hoje? Tipo eu você e papai?
– Malcolm não vai?
– Não.
– Ah... Claro que podemos. Onde quer ir?
– Pode ser na minha casa? – Ela ouviu a mãe sorrir.
– Claro! Achei que nunca iria me convidar para ir aí depois que se mudou.
– Mas que bobagem! – Disse rindo. – Vejo você ao meio dia, pode ser?
– Certo.
– Agora vou desligar por que estarei no transito. Beijo, mãe. Te amo! – Dizendo isso ela apenas desligou.
Assim que deixou o celular no banco e ligou o carro o telefone tocou.
Ela arrancou e atendeu no viva voz.
– Coral? É Cristine, querida. Como está indo? Já recebeu sua resposta?
– Estou indo ver Marla agora... Que tal um jantar lá em casa hoje? Aparece por lá!
– Isso seria ótimo, já que estou sozinha por uns dias... Acredita que Teresa foi viajar com meus pais sem nem mesmo se lembrar de mim? – Coraline riu.
– As crianças são assim mesmo, Cris... Vou desligar agora. Estou chegando aqui para ver Marla. Beijo grande! Nos vemos a noite!
– Me ligue quando sair para dizer o que aconteceu.
– Ok. Tchau! – Ela disse desligando o celular e o guardando na bolsa.
Quando entrou na sala de sua orientadora a mulher sorriu para ela.
– Sente-se, meu bem. – A menina obedeceu a encarou a mulher a sua frente.
– E então? O que disseram?
– Eles querem entrevistar você... Vai fazer o questionário e se tudo correr bem você esta dentro! – Coraline sorriu e se levantou.
– Não acredito! Não acredito! – Disse pulando. Ela se abaixou e abraçou a mulher desconhecida e depositou um beijo em sua bochecha.
– Tudo bem! Eu já entendi que está feliz! – A mulher que aparentava uns cinquenta anos disse rindo da menina. Coraline apenas se sentou se desculpando.
– Para quando marcaram a entrevista?
– Hoje a tarde. Querem te ver o mais breve possível... Se candidatou um pouco tarde para iniciar o próximo ano, mas eles abriram uma exceção por ser você. – Coraline sorriu um pouco boba.
– Poxa... – Sussurrou. – Ninguém nunca abriu exceções para mim... – A mulher sorriu.
– Você pode ter desistido, mas vai continuar sendo uma estrela! Espero que tenha sucesso! Boa sorte!
– Obrigada! Muito obrigada mesmo! – Dizendo isso ela se levantou e saiu animada para fora do prédio.
Ela dirigiu para casa e ligou para algum restaurante pedindo o almoço dela e dos pais.
Organizou tudo na mesa de uma forma que a comida parecia toda caseira e depois serviu as taças com água e deixou um vinho a mesa caso alguém estivesse servido.
Foi para o banheiro tomar um banho. Enquanto acaba de se vestir a campainha tocou. Ela apenas fechou o vestido, o que não era um costume, e correu para a porta com o cabelo ainda preso do jeito que estava para o banho.
– Oi! – Disse abraçando a mãe. A menina estava mudando aos poucos... Amadurecendo.
– Oi meu bem!
– Podem ficar a vontade. Só vou ajeitar meu cabelo. Tenho uma entrevista em duas horas e quero estar mais folgada para conversarmos depois do almoço.
Ela se virou e deixando os dois um pouco confusos. Eles entraram e fecharam a porta.
Se sentaram no sofá e ficaram esperando pela menina que não demorou muito a voltar.
– Então? Vamos comer? – Eles se dirigiram a mesa e se sentaram ali.
– Hmm... Está ótimo.
– Eu até me gabaria, mas liguei para um restaurante. – Admitiu sorrindo.
– Espertinha! – Brincou o pai.
– Eu estava um pouco sem tempo. Gente... Eu tenho algumas coisas para contar. Tipo... Eu e Malcolm estamos divorciados. – O sorriso desapareceu do rosto de Reyna e Aaron deixou o talher cair no prato.
– Quando isso aconteceu? – Perguntou o pai.
– Por que não nos contou? – Completou a mãe.
– Calma gente!
– Por que ele fez isso?
– Então... Descobrimos que o tratamento havia dado certo e ele simplesmente disse que estava indo embora e que eu receberia os papeis do divorcio... Eu fiquei mal por alguns dias... Cristine esteve aí e se livrou das coisas dele, depois me levou em uma orientadora e... – Ela batucou na mesa e sorriu. – Eu tenho uma entrevista para a faculdade em... – Ela olhou o relógio e se voltou para eles. – Em uma hora! – Disse sorrindo.
– Filha... Eu... – Reyna apenas disse isso encarando a menina.
– Eu sei... Eu devia ter dito sobre Malcolm, mas mãe... Era algo que eu queria passar sozinha, eu precisava crescer mãe... – A mulher se levantou contornando a mesa e abraçou apertado a menina.
– Eu amo você, Coraline...
– Eu também te amo, mãe... – Ela estendeu a mão e segurou a do pai. – Também amo você, pai... – Ela apenas se deixou ser aquecida pelos braços da mãe. – Agora eu realmente preciso terminar de comer por que a UCLA está me esperando.
– UCLA? Qual curso vai fazer?
– Design de interiores. – Os olhos de Reyna se iluminaram.
– Ah! Tomara que dê tudo certo, meu bem!
– Sim... Tomara.
Eles passaram o resto do tempo conversando e quando Reyna e Aaron saíram Coraline apenas tirou a louça deixando dentro da pia e saiu um pouco apressada para sua entrevista.
***
Emma estava encarando Regina com uma expressão de tédio e desgosto.
– Por que eu? Amor! Combinamos que eu seria o pai da Tavi! – Reclamou. Regina se levantou rindo e foi até ela.
– Este ficou perfeito! – Disse olhando para a noiva em seu vestido branco.
– Você não respondeu minha pergunta.
– Emma... Me casei de branco uma vez e não deu certo... Vou tentar agora de preto. – Emma a encarou. – Preto é a minha cor.
– Mas...
– Nada de mais. Eu estarei lá na frente te esperando e você vai entrar nesse vestido! – Emma a encarou e fez biquinho. Regina se inclinou e beijou seus lábios com cuidado.
– Só você para me convencer a umas coisas assim... – A loira disse com manha.
– Olha pra você Emma... Está magnífica. – Ela disse virando o rosto da loira para se reflexo no grande espelho.
Ela pareceu ficar sem voz por alguns segundos e então sorriu um pouco boba.
– Quem é aquela loira linda no espelho? – Regina riu e deu-lhe um tapa no braço.
– Idiota! – Emma a segurou pela cintura antes que a mesma se virasse a beijou.
– Não vamos demorar... Henry chega de viagem hoje. Quero levá-lo para jantar com Tavi em algum restaurante legal antes de sair novamente para jogar.
– E... Eu estou convidada?
– Não... – Regina a encarou com ironia. – É claro que sim! Onde já se viu! – Emma riu e puxou o vestido.
– Já posso tirar isso?
– Sim... Vai ser este mesmo? Não precisa apertar nem abrir nada?
– Ele está bom...
– Certo... Hoje é a última prova, então não engorde! – Emma riu e se virou para Regina abrir um a um dos vários botões em suas costas.
***
Cristine caminhou devagar contando os passos.
Suas pernas, por alguma razão, tremiam e um arrepio subia por sua coluna a cada passo.
Quando tocou a campainha a menina logo abriu a porta com um sorriso no rosto.
– Boa noite. – A loira disse baixo.
– O jantar esta servido. – Dizendo isso ela colocou a mulher para dentro e fechou a porta.
Cristine estava sem assunto... Ou sem jeito. Ela não sabia o que dizer.
Na verdade elas passaram todo o tempo se encarando... E assustadoramente Coraline mantinha um sorriso nos lábios.
Quando terminaram de comer a menina se levantou e tirou a mesa colocando a sobremesa no lugar das bebidas e dos pratos.
Enquanto Cristine encarava seu sorvete Coraline se virou e pegou dois envelopes brancos.
– Eu tenho um presente pra você... Mas primeiro vamos as boas notícias. – Cristine a encarou em confusão e então a menina entregou a ela um dos envelopes.
Dentro do fino papel branco ela encontrou uma aprovação para a faculdade. Ela abriu um largo sorriso e se levantou puxando a morena para um abraço apertado.
– Achei que fosse fazer Design de Interiores...
– Pois é... Eu sou uma caixinha de surpresas... Agora que tal a melhor parte? – Cristine a encarou e ela entregou o segundo envelope.
– Chegou hoje... Eu já havia assinado alguns papeis sabe. E então... – Ela foi interrompida por lábios apressados.
– Então quer dizer que agora você é uma mulher solteira? Descomprometida? – Coraline sorriu.
– Talvez não por muito tempo... – Sussurrou voltando a beijar a loira.
– Pode ter certeza disso. – Cristine disse se afastando um pouco e colocando uma mexa do cabelo da morena atrás da orelha. – Vamos devagar com isso... Você acabou de se divorciar de um homem que tinha câncer e acima de tudo... É o pai da minha filha... E... Eu também quero fazer isso certo com você. Você ainda é muito nova. Não seja tão apressada... Antes do divorcio vocês..?
– Não... – Admitiu encarando o chão.
– E antes disso? – Ela ruborizou.
– Ér... Também não. – Cristine a encarou.
– Então você é... virgem? – Coraline deu um sorriso tímido e assentiu em silencio. Cristine sorriu. – E está vermelha por que acha que eu me importo com isso? Na verdade eu acho muito bom! – Disse fazendo a morena relaxar novamente.
– Obrigada... – Ela disse baixinho quando já estavam deitadas agarradinhas no sofá.
– Por que esta agradecendo? – Perguntou um pouco sonolenta.
– Por ser tão paciente, cuidadosa e várias outras coisas para mim...
– Não estou fazendo um favor a você para que precise me agradecer... Estou fazendo isso, na maioria das vezes, por mim... Por que eu te amo tanto que apenas te ver feliz me faria feliz... Eu simplesmente não consigo ser egoísta o bastante para te impedir de fugir se preferir. Por que todos nós temos nossos monstros, e algumas pessoas apenas não sabem lidar com isso.
– Eu nunca fugiria... Por que eu te adoro por suas qualidades... Mas te amo por seus defeitos e monstros. – Disse a morena aconchegada nos braços da doutora no sofá com a fraca iluminação da TV ligada.
A loira apenas sorriu e beijou o alto da testa da menina. Como um selo de promessa que ela iria cumprir.
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