A xerife ainda dormia tranquilamente, em seus lábios havia um sorriso delicado. A Rainha se aproximou e a beijou com ternura, a loira nem sequer abriu os olhos, apenas retribuiu o beijo puxando o corpo da morena para mais próximo do seu.

– Combinamos de ver a casa hoje... Está se lembrando? – Regina perguntou separando seus lábios dos de Emma.

– Eu sei. Temos quanto tempo?

– Uma hora... Não, não temos tempo para um banho juntas. – Emma riu.

– Eu nem iria pedir mesmo. – Elas se levantaram e enquanto Emma tomava seu banho Regina pediu o café.

Após a loira sair do banheiro a Rainha se apressou em tomar seu banho também. Depois de vestidas elas se sentaram para comer antes de ir.

Elas haviam alugado um carro lá em Beverly, não poderiam sob circunstância alguma circular com o fusca de Emma por ali querendo reserva em um hotel e comprar uma casa com uma das mais famosas corretoras da cidade.

Ao se aproximarem do local combinado Emma tentava digerir as magníficas mansões a sua volta... 90210 era o bairro mais caro do país? Emma não acreditava. Ela sabia que Beverly Hills, Bel Air, West Hollywood entre outros eram lugares incríveis... Mas não assim. A Califórnia era simplesmente demais, Henry precisava ver aquilo.

– Terá festa na praia depois do show.

– Meia noite? Festa na praia Coraline? – Enquanto se aproximavam podiam ouvir Reyna conversar com a filha.

– Mãe, o show começa a meia noite... Faremos a festa para vermos o por do sol.

– Terá bebidas?

– Não.

– Você vai transar?

– Mãe! – Gritou a menina indignada.

– Vai?

– Não.

– Vai dirigir em alta velocidade?

– Não.

– Vai usar drogas?

– Não.

– Então me responda: Por que diabos quer ir a uma festa se não vai fazer nada? – Coraline revirou os olhos.

– Eu simplesmente vou.

– Eu ainda não autorizei.

– Sua cliente está caminhando para cá.

– Você não vai fugir dessa conversa assim. Me espere em casa, eu chego a tempo da resposta.

– Saco!

– Vou ligar para o seu pai vir ficar com você.

– Não. Eu já estou indo. – A menina se virou e caminhou um pouco entrando em uma outra casa.

– Bom dia. – Cumprimentou Emma.

– Oi, bom dia senhorita Swan.

– Oh, por favor, me chame de Emma. – Reyna sorriu.

– Como preferir. Vamos entrar? – Acenou em direção a casa.

– Claro. – Elas caminharam para dentro e Reyna apresentou-lhes a casa.

– Arquitetura do século Médio, totalmente renovada e reinterpretada por um designer publicado. Fechada e privada, tem uma garagem de três carros. A entrada do pátio leva a um piso plano aberto fantástico com paredes de vidro com aberturas, espetaculares vistas da cidade e do oceano. Quatro quartos e cinco banheiros, incluindo uma suíte máster. – Emma e Regina olhavam admirada a casa enquanto Reyna descrevia os detalhes e lhes apresentava os cômodos. – O piso plano é aberto permitindo o fluxo da sala de estar, cozinha e sala de jantar. Há uma área ao ar livre, se preferir. O chef de cozinha gourmet é equipado com aparelhos top de linha e leva a um escritório brilhante e isolado. A casa envolve uma piscina e spa. A mecânica desta casa pode ser controlada por controle. Esta é uma oferta rara e incrível. Será o negócio da vida de vocês.

– E a vizinhança?

– Isso é Beverly Hills, amor, é seguro! – Reyna sorriu. – Eu moro ao lado, conheço o local... Acredite, é perfeito.

– Temos um valor?

– $ 8,399,000. – Emma sorriu tentando parecer acostumada.

– O preço está bom. – Mentiu. Emma nunca havia comprado casas ou apartamentos, não sabia o preço e preferiu assim para não se assustar com os valores ali.

– Olha, eu posso procurar mais algumas coisas, mas acredite... Essa oferta está magnífica.

– Vamos ficar. – Respondeu Regina.

– Ótimo! – Se apressou Reyna.

Após fecharem o negócio com a imobiliária e assinarem os papéis Emma e Regina foram organizar suas vidas para se mudarem para a casa nova. Morando ao lado de Reyna teriam muito mais chance de se comunicar e criar laços com ela.

Dois dias após a compra Emma e Regina já haviam organizado suas roupas no closet. Emma estava em uma das espreguiçadeiras, ela usava um biquíni preto e óculos escuro. Regina riu e caminhou até ela lá fora.

– Tomar sol faz parte do plano?

– Não, eu já programei alarmes para quando ela sair de casa apitar e nos seguirmos ela. – Regina arregalou os olhos.

– Sério?

– Claro que não. Relaxe, querida... – Ela ergueu seu olhar. – E tire um pouco dessa roupa. Venha aproveitar comigo... – Regina se sentou em uma cadeira ao lado de Emma e tirou os sapatos.

– Acha que Henry gostaria daqui?

– Sim... Mas está pensando em morar aqui de verdade?

– Por que não? – Ela se levantou e caminhou para dentro da casa.

Emma se levantou e entrou na piscina. Quando emergiu de seu mergulho pode ouvir a campainha. Olhou pela parede de vidro e viu Regina atendendo. Era Reyna, ela e Regina conversaram por um tempo e então elas se despediram, Regina fechou a porta com um sorriso nos lábios.

– Ande, ande! – Regina chegou apressada.

– O que houve?

– Reyna nos convidou para um jantar, hoje a noite... Ela costuma convidar as vezes alguém e como somos novas ela quer se enturmar.

– Tá, mas... – Emma gesticulou a volta. – Estamos praticamente no meio da tarde.

– Emma não está pensando aparecer lá usando jeans e sua jaqueta vermelha, certo? Me diz que você tem um pouco de juízo. – Emma engoliu em seco.

– Nós... Nós vamos fazer compras? – Regina sorriu.

– Você precisa de um vestido. – Emma gemeu como se a ideia de comprar simples vestidos doesse mais do que se Regina houvesse lhe dado um soco.

***

Regina havia feito Emma vestir uma armadilha branca.

– Por que é cheio de furos? – Emma ficava colocando os dedos nas fendas da barra do vestido.

– Pare com isso! – Advertiu Regina. – Não acabe com o vestido! – Emma bufou e se sentou para Regina arrumar seu cabelo.

Após fazer um coque nos fios loiros de Emma Regina fez uma maquiagem na loira e depois vestiu seu vestido preto... O preto realmente era a cor de Regina. Ela ficava magnífica de preto. Depois de estarem prontas elas saíram de casa rumo a casa ao lado, a de Reyna, filha de Regina.

Quando tocaram a campainha não demorou muito para a porta se aberta... Não era Reyna, era Cora. Regina sorriu, controlou o desejo de tocar o rosto da neta e deixou Emma assumir o controle, como nas outras vezes.

– Emma? – A menina perguntou.

– Sim, você é..? – Emma fingiu não saber.

– Eu sou Coraline, sou filha de Reyna. Entrem, minha mãe está esperando vocês... – Ela fez um sinal educado para elas prosseguirem e elas o fizeram.

– Boa noite. – Reyna cumprimentou Emma e Regina com um abraço e dois beijos no rosto. – Estava mesmo aguardando vocês, Aaron ainda não chegou, mas logo se juntará a nós.

– Aaron? – Regina perguntou.

– Meu marido.

– Ah sim! – Fez-se silêncio por um minuto e elas puderam ouvir o som de um carro chegando.

– Parece que ele acaba de chegar. Venham, vamos nos sentar... – Elas a acompanharam e se sentaram. Um homem alto, musculoso e com ar de galã entrou passando por elas.

– Boa noite senhoritas. – Ela cumprimentou. – Gatinha. – Beijou a testa da filha. – Oi meu amor. – Ela se inclinou e beijou Reyna. Ele usava um terno preto elegante.

– Por que não sobe para tomar um banho? Troque essa roupa, estou tendo 33 agonias diferentes só de ver. Vá logo! – Ele sorriu e saiu da sala. – Acho que ainda não apresentei vocês, essa é Coraline, minha filha. – Coraline sorriu.

– Prazer em te conhecer Coraline.

– O prazer é todo meu senhorita Swan. – Sua educação era impecável também. Mesmo com as semelhas de Emma com Reyna, de ter sido abandonada, ter tido um filho depois... Reyna era melhor por que ela procurou se formar e construir uma família... Emma nunca seria como ela. Responsável daquela maneira.

– Por favor, me chame de Emma.

– Você não é muito de falar, certo? – Reyna perguntou a Regina.

– Eu estou passando por um conflito interno durante esses dias...

– E do que se trata?

– Vamos fazer o seguinte, eu lhe conto uma história e você me diz o que você faria no lugar da personagem... Pode ser? – Regina encarava fixamente Reyna.

– Sim.

– Pois bem... Era uma vez uma jovem moça que vivia em um reino encantado. Ela adorava cavalgar, e como se isso fosse inevitável ela se apaixonou por seu tratador de cavalos... Eles viviam um amor além da compreensão, mas mesmo com todo esse amor o mal ainda estava lá fora, a rondar a felicidade da moça... Sua mãe, ela era má e cruel, fazia qualquer coisa para atingir seus objetivos. Um certo dia, enquanto se encontrava as escondidas com seu amado Garoto dos Estábulos, a moça ouviu gritos por ajuda rapidamente montou em seu cavalo e partiu em direção a pequena criança em cima de um cavalo desgovernado... A moça salvou sua vida. O que ela não sabia era que essa menina era ninguém menos que a princesa Branca de Neve... – Coraline riu nesse ponto da história, mas Reyna parecia hipnotizada com o som da voz de Regina. – Seu pai, rei Leopold, pensando ser a melhor maneira de recompensar a jovem propôs-lhe um casamento. Chocada e sem palavras a jovem apenas observou sua mãe aceitar... Na calada da noite ela planejava fugir com seu amado tratador de cavalos, mas sua mãe apareceu para impedi-la. Ela era uma bruxa poderosa, ela enganou os dois fingindo concordar com aquele amor, mas assim que se aproximou do rapaz ela arrancou-lhe o coração na frente de sua filha... O que essa mãe não sabia era que no ventre de sua filha crescia o fruto desse amor... Ao descobrir esse detalhe a bruxa enviou a filha para o homem mais perigoso de todo o reino, O Senhor das Trevas, Rumplestiltskin, ele tomou-lhe a menina e arrancou sua memória... Amadurecendo por meio de morte e desastres a nova rainha se tornou uma mulher ferida chegando a ser pior até do que sua própria mãe, e para acabar com a felicidade de todos a sua volta ela lançou uma maldição que os levou para um lugar onde nem sempre as coisas davam certo, um lugar onde o único final feliz seria o dela... O nosso mundo. – Regina gesticulou a volta. – Mas o que ela não sabia era que sua filha, agora com 17 anos, havia vindo junto. A maldição apagava as memórias dos amaldiçoados e lhes dava novas memórias de acordo com os desejos da Rainha... Como a mesma não sabia da existência de sua filha essa veio sem memória alguma, junto dela veio o Senhor das Trevas, que lhe contou apenas o necessário... Alguns meses depois a maldição ser quebrada por uma mulher, A Salvadora, filha de Branca de Neve e Príncipe Encantado, fruto do verdadeiro amor, a Rainha se apaixonou por essa Salvadora, e isso fez com que seu amor por ela fosse mais forte que seu coração sombrio... O fogo dessa paixão foi capaz de reascender até as memórias que lhe foram arrancadas. Então essa rainha, juntamente com sua amada Salvadora, partiu atrás de sua filha... E ela a encontrou...

– E viveram felizes para sempre? – Cora perguntou sorrindo.

– Calada. – Ordenou Reyna.

– Ela a encontrou... Mas não sabe se a quebra da maldição afetou a menina também, não sabe se ela se lembra que não pertence a esse mundo... O que você faria no lugar da Rainha? Você contaria ou apenas ficaria de longe observando-a sem poder fazer nada?

Um silêncio assustador se repousou sobre elas. Reyna caiu sobre a mesa desacordada.

– Mãe?! – Cora se levantou segurando o rosto da mãe. – Mãe! – Nada.

– Reyna?! – Regina se levantou dando a volta na mesa.

– Pai! – Cora gritou. – Papai! – O desespero era evidente em sua voz jovial, logo o homem desceu as escadas correndo, ele não usava mais o terno preto.

– O que houve? Reyna! – Ela correu até a mulher e a pegou nos braços. – O que aconteceu aqui?

– Eu não sei, ela simplesmente caiu desacordada. – Ele a carregou até o sofá e a deitou nele. –

– Deve ser apenas um desmaiou. Quando foi a última vez que ela comeu?

– Ela tomou um café com Gail no meio da tarde...

– Pegue açúcar, Coral.

– Rum-Rumplestiltskin. – Sussurrou Reyna. – Floresta Encantada, minha mãe... – Regina olhou para Emma, ela não sabia se sorria ou se preocupava com Reyna.

– O quê ela está dizendo? – Aaron perguntou.

– Eu não sei o que significa, parece com a história que você contou. – Mencionou Cora olhando para Regina.

– Minha mãe... Regina. – Seu corpo tinha leves espasmos e o suor brotava em sua testa. – Regina! – Gritou. Aaron e Cora olharam assustados para a morena.

– O quê você fez?

Lagrimas desciam pela lateral do rosto de Reyna, Regina as secou.

– Vou levá-la ao hospital. – Aaron começou a pegá-la nos braços.

– Não toque ela... Eu sei o que está acontecendo... Ela precisa vir comigo. – Tanto Coraline quanto Aaron encaravam Regina como se ela fosse louca. – Escute-me, eu preciso que confiem em mim.

– Rumplestiltskin! – Reyna gritou. – Regina... – Ela se debateu. – Não posso acordar... N-n-não!

– Está difícil nestas condições.

– Eu salvarei a vida dela vocês permitindo ou não! – Regina levou o apito de Arion a boca e o assoprou, lá fora se pode ouvir um relinchar. – Pegue-a, Emma.

– Nem pensar! – Aaron entrou na frente da xerife. – Me expliquem o que está acontecendo? Tem um cavalo lá fora?

– Não tem como explicar, sim, tem um cavalo lá fora. Saia da frente. – Aaron olhou nos olhos de Regina e se afastou devagar.

Emma pegou a mulher e caminhou logo atrás de Regina com ela nos braços, Aaron e Coraline vinham atrás preocupados. Quando viu Regina, Arion se abaixou para ela subir. Ela montou o animal sentando-se de lado por estar de vestido, Emma imitou o movimentou e segurou Reyna em seus braços.

– Nos vemos no hospital? – Perguntou Coraline.

– Não, nos vemos em Storybrooke, no Maine. – Após Regina dizer isto o cavalo disparou deixando o rastro quente de seus cascos no chão.

Notas finais
Gente, eu imagino Reyna como Jessica Lowndes e Coraline como Kaya Scodelario. Beijos!