Após levar Regina a sua casa e reapresentar-lhe o lugar que ela deveria conhecer bem, Emma partiu com os olhos inchados de chorar... Assim que entrou no fusca amarelo ela desabou novamente. Rapidamente se recompôs, precisava ser forte. Quando se aproximou do pequeno grupo que restara desde o breve rapto de Regina ela respirou fundo e colocou sua melhor mascara sem emoções.

– E então? – Reyna parecia aflita.

– Ela... Ela está bem. – Todos pareceram soltar o ar.

– Mas onde está? Por que essa cara?

– Ela está em casa... Tamara a jogou para fora da cidade.

– Mas ela tinha o colar. – Mary Margareth interveio.

– Ela o arrancou antes. – Não conseguiu. Sentiu uma dor imensa ao se lembrar daquela cena... Sentiu braços delicados a sua volta e abriu os olhos notando Mary tentando consolá-la.

– Vamos reverter isso.

– Você pode trazer a memória dela de volta? – Perguntou com a voz chorosa a Reyna.

– Sinto muito... Se é possível meu pai nunca me disse como fazer. – Reyna entrelaçou os dedos das mãos e olhou para o chão.

– Então é impossível fazer ela se lembrar? Tipo, ela atravessou a linha e as memórias simplesmente desapareceram? Para sempre? – Então uma ideia estalou na cabeça de Emma.

– O amor verdadeiro! É claro! Se eu conseguir beijar Regina talvez ela recupere a memória!

– Sim! – Mary sorriu. – Tem que dar certo!

– Eu vou tentar fazer isso agora!

– Emma! Não pode simplesmente chegar e beijar uma mulher desmemoriada! – Reyna se pronunciou.

– Eu preciso tentar!

– Então tente com um plano!

– Você, por acaso, troca de roupa sem um plano?

– Não. Antes de me vestir eu visualizo mentalmente o que tenho e combino... Mas não vem ao caso. Você precisa se aproximar devagar e contar aos poucos... Então aí, só aí... Você a beija.

– Olhe bem para minha cara e veja se estou em condições de “ir devagar”. – Ela gesticulou irritada ao dizer as última palavras.

***

Emma caminhava de um lado para o outro parecendo uma adolescente ansiosa. Mary não se aguentou mais rindo da filha.

– Não tem a menor graça! – Queixou-se.

– Tudo bem. – Reyna desceu as escadas usando saltos e um vestido preto até os joelhos. Ela fez com que Emma se lembra-se de Regina. – Você só precisa que ela aceite seu beijo, se for um beijo roubado não vai funcionar.

– Vai ser moleza! – Ironizou.

– Eu sei que vai. – Reyna a encarou com uma expressão indecifrável. – Sem chances de que você troque essa jaqueta? – Perguntou pela milésima vez.

– Não. – A morena suspirou.

– Então vamos. Ah! Hum... Mary, obrigada novamente pelo apoio e quando Coral acordar diga que sai com Emma para tentar trazer Regina de volta.

– Não precisa agradecer! E pode deixar que eu digo. – Mary sorriu e observou as duas saírem pela porta do apartamento.

– Obrigada... – Disse Emma. – Por me ajudar a não perder a cabeça e lascar um beijo em uma Regina desmemoriada.

– Bem, esse seria o seu trabalho, como madrasta e essas coisas, mas de nada.

Emma deu um sorriso torto e se encheu de felicidade ao saber que Reyna já enxergava ela e Regina como sua família. A loira parou abruptamente na calçada encarando o outro lado da rua. Regina andava observando tudo e as vezes uma pequena ruga de confusão pairava entre suas sobrancelhas.

– Ela... Ela está do outro lado... – Murmurou em uma voz esganiçada. Reyna riu.

– Vá até lá e se ofereça para mostrar a cidade! – Encorajou. – Não está esperando que ela simplesmente esbarre em você e as duas se abaixem para recolher os livros na mesma hora, não é mesmo? – Emma sorriu.

– Isso é muito clichê.

– Vá logo! – Disse empurrando a loira para atravessar a rua.

Emma caminhou lentamente como se não notasse Regina, Reyna lhe dera uma ótima ideia. Ela olhou para baixo e pisou no próprio cadarço desfazendo o laço e a impulsionando para a frente, direto para cima da morena.

– Aí! – Disse assustada.

– Me desculpe, me desculpe! – Pediu Emma.

Do outro lado da rua, Reyna ria da cena que assistia.

–Tudo bem?

– Sim! Estou ótima! E você? – Emma segurou suas mãos e analisou-a... Aquilo só doeu mais, ela queria beijá-la. Por instinto ela começou a se inclinar para a morena.

– Estou ótima, Senhorita Swan. – Disse se afastando.

Emma despertou e se afastou.

– Que tal se eu te mostrar a cidade? Podemos tomar um café e depois eu te apresento tudo... – Regina sorriu.

– Seria ótimo! Estou completamente perdida. Não sei quem é quem... E se eu deveria conhecer alguém? Algum parente... Algum marido... Bem, eu notei estar usando uma aliança na mão direita... Talvez algum noivo? – Perguntou curiosa.

– Vamos dar um passo de cada vez... – Emma respondeu surpreendendo a si mesma... Ela estava sendo paciente? Ela sorriu. – Um café então? – Regina respondeu primeiro com um sorriso caloroso.

– Claro!

Elas entraram no Granny’s e se sentaram em uma das mesas.

– Chocolate com canela e... – Ruby sorriu olhando para as duas.

– Chocolate com canela? – Perguntou Regina.

– Sim, algum problema? – Emma perguntou. Sabe-se lá se a nova Regina iria odiar chocolate quente com canela!

– Não! É que eu acho que já preparei algo assim para alguém... Que tem haver com essa aliança... – Emma sorriu.

– Obviamente. – Regina estreitou os olhos por um tempo mas logo olhou para Ruby, que por sinal estava completamente perdida.

– Vou querer um café forte, obrigada. – Ruby anotou desconfiada e encarou Emma logo em seguida.

– Posso falar com você? – Emma entendeu e se levantou pedindo alguns minutos a Regina. – Ela está louca?

– Ela foi jogada para fora da cidade e perdeu a memória completamente... – Sussurrou.

– Então ela não se lembra de vocês? – Perguntou com delicadeza.

– Não... Mas isso não vai durar muito tempo. – Respondeu determinada.

– Tudo bem. Vou levar os pedidos. – Emma assentiu e voltou para seu lugar.

Elas ficaram em silencio se encarando até Ruby voltar... Emma ajudou a garota com as canecas e quando Ruby saiu foi o tempo de Emma deixar a caneca sobre a mesa a frente de Regina que a mesma lhe agarrou a mão.

– Você também usa uma!

– Uma o quê? – Perguntou tentando disfarçar.

– Uma aliança! Igual a minha! – Emma puxou sua mão.

– Que besteira! É só um anel. – Regina voltou a estreitar os olhos para a loira. – Vamos tomar o café para eu te mostrar a cidade. – Apressou.

Elas ficaram em silencio se encarando novamente... Emma jurou ver algo diferente no olhar da prefeita. Alguma luz...

Por todo o percurso de lhe reapresentar a cidade Emma evitava tirar a mão do bolso e encarando fixamente aqueles olhos castanhos que a forçariam a dizer a verdade. Quando parou na porta da casa de Regina antes que fosse embora, já na entrada Regina roubou-lhe um beijo breve na bochecha, como uma adolescente, e fechou a porta se encostando nela não acreditando no que tinha feito.

Emma tocou a face com um sorriso bobo no rosto e se virou com o dia ganho.

Notas finais
Mereço comentários? hahahahahaha