This Number Isn't Available
1 Prólogo
Notas iniciais
Semana 1, dia 15 de abril de 2017, 00h54min.
— ... foram encontrados mortos na noite dessa sexta-feira. Os policiais da área ainda estão procurando pelas pistas. Os únicos resquícios que restaram foi a carta deixada pelo assassino, ainda não identificado. Não haviam sinais de luta na residência dos Hopper, e a filha mais nova,Amelia, ainda está sendo procurada...
Jones desligou o rádio do carro, suspirando enquanto passava as mãos grandes pelos cabelos. As gotículas de suor escorriam lentamente por sua testa, demonstrando seu desespero. Procurou pelos bolsos, pegando o celular de emergências – ele nunca carregava consigo o celular de casa, no qual tinham seus contatos. Discou o número que tanto conhecia, colocando o aparelho no ouvido enquanto olhava para a rua mal iluminada.
— O número para o qual você ligou está indisponível no momento, por favor, tente mais tarde.
Soltou uma lufada de ar pela boca, batendo no volante. Largou o celular de lado, ligando novamente o rádio. Procurou durante um tempo por alguma música, mas vinham apenas as notícias ruins, as quais ele não queria ouvir.
Jones deu partida no carro, dirigindo pela avenida enquanto fitava a casa de Bob e Martha Hopper pelo retrovisor. Se culpava por aquilo estar acontecendo, e sabia que seria difícil descansar naquela noite, principalmente com Amelia desaparecida. Pegou novamente o celular, discando atrapalhadamente o número de Michael, que lhe atendeu no quinto toque.
— Hey, brô, não tem como me ligar mais tarde? Estou meio ocupado nesse momento.
— Sinto muito, mas preciso de sua ajuda. Sequestraram a Amelia, e se alguém da delegacia descobrir que eu tive um envolvimento com ela estou fodido. Ninguém pode saber, Michael, eu não posso virar um suspeito ou tiram o meu título de detetive e colocam o Josh de volta!
— Primeiro precisa se acalmar. Ninguém vai saber que você esteve envolvido com ela, apenas apague todas as coisas suas que tenham alguma relação com ela, okay? Fotos, vídeos, chamadas de telefone, o que for. Vocês tiraram fotos no Facebook juntos?
— Não, ela não gostava de fotos, então nunca tiramos uma para postar. Mas eu não posso me livrar de tudo, Michael! E se tiverem matado ela? Quais as lembranças que terei de Amelia?
— Apenas dê um jeito de se acalmar, okay? Eu chego na sua casa em vinte minutos.
O amigo finalizou a chamada, e Jones dirigiu mais rápido, estacionando seu Porsche na garagem de casa. Olhou por alguns momentos para o alto do lugar, notando as bandeiras dos Estados Unidos presas nas paredes e os vários troféus e medalhas, junto dos vários títulos que ganhara. Entrou na casa, dando direto na cozinha, onde podia encontrar sua empregada, Moira, fazendo o jantar.
Seguiu para a sala, a TV estava ligada, mostrando algum desenho animado bobo, provavelmente Sarah estivera ali mais cedo. Procurou pela casa o celular que sempre usava, abrindo imediatamente a galeria, onde olhou suas fotos com Amelia. Passou todas para o computador e transferiu a um pen drive, o qual guardou no bolso.
Passando as mãos pelo rosto, sentiu a cicatriz em sua bochecha, causada por um serial killer que capturara uma vez. Amelia costumava dizer que era um charme dele, uma marca de como era durão. O moreno mordeu o lábio com força. Estava fazendo de novo o que não queria, pensando em Amelia como se já estivesse morta, como se nunca fosse voltar.
Piscando rapidamente para afastar a névoa da tristeza, virou-se para o computador e fitou a foto da esposa no wallpaper, da noite em que se casaram. Os longos cabelos ruivos e os grandes olhos verdes, o sorriso de dentes bem alinhados e as sardas que pontilhavam suas bochechas. Será que ela voltaria mesmo dali a duas semanas de sua viagem ou sumiria como Amelia?
Entrando no Google, seguiu direto para as noticias da cidade, onde encontrou varias manchetes detalhadas sobre o caso.
— Merda... Os caras nem esperaram a cena do crime esfriar.
Pegou seu celular e discou o número da policial de plantão.
— Ei... Yeah, sou eu, o Jones... Tem como ficar de olho na cena do crime? Tem umas manchetes aqui, acho que teve gente em contato com as provas... Sim, eu sei. Okay, muito obrigado então.
Olhou de relance para o celular flip em cima de sua mesa e bateu os dedos longos na mesa. Não poderia ligar agora para o loiro, e se o assassino o matasse por causa disso?
Não suportando, Jones elevou as mãos até o celular, o qual pegou e abriu, vendo duas mensagens novas, no entanto eram de mais cedo, quando Amelia tinha saído da escola e lhe respondera. Quando ela não estava desaparecida ainda. Leu diversas vezes as mesmas duas mensagens e fechou o celular, para abri-lo em menos de dois minutos depois e discar o número da loira. Encarando a floresta pela janela, esperou ansiosamente a chamada.
— O número para o qual você ligou está indisponível no momento, por favor, tente mais tarde.
Fale com o autor