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2 Capítulo 1
Semana 2, dia 26 de abril de 2017, 16h30min
Jones foi do quarto para a cozinha, onde começou a passar um café. Enquanto via as figuras coladas na geladeira, ele pensou sobre Amelia. O celular ainda estava na sua gaveta, ele não tinha mais conseguido ligar para ela, e nem havia pensado nisso. Se ela estivesse viva o sequestrador poderia tentar algo com a garota, e aquilo fazia o sangue do investigador ferver.
Quando Jones se vestiu naquele final de tarde, ele lembrou da garota morena naquele quarto: dela deitada na cama, totalmente nua, com os cabelos longos cobrindo seus peitos, um sorriso de dentes da frente separados, a boca manchada pelo tom rosado do batom, os vários chupões deixados em seu corpo. Amelia nunca fora alguém que aparecia demais nas mídias, então o relacionamento de ambos era totalmente afastado. Amelia gostava de sentar no carro dele e colocar suas músicas em um volume alto, ambos ouvindo a música e rodando pela cidade. Ele gostava quando ela deitava de bruços em sua cama e fazia o dever de casa, sempre batendo a ponta do lápis no caderno e fazendo um barulho irritante.
A esposa de Jones nunca desconfiara dos dois, já que ela vivia viajando, e ela não era a primeira adolescente a comparecer na casa deles. Jones trazia meninas mais novas desde sempre, alegando que estavam em um programa de proteção de testemunhas.
Após terminar seu café o investigador foi até seu carro e partiu para a interestadual. Procuraria por mais pistas, ia encontrar os avós de Amelia e descobrir se a família possuía algum tipo de rixa com vizinhos, ou deviam a algum agiota. Enquanto dirigia ligou o rádio para ouvir as notícias. Mais duas crianças tinham desaparecido desde as últimas quatro semanas, provavelmente os corpos seriam encontrados em algum rio, sem nenhum órgão, já que o mercado precisava ser abastecido de alguma forma. Jones não tinha remorso algum dos casos que pegava, ele até sentia prazer em se aproximar dos corpos e ver todo aquele sangue, o olhar parado, os lábios brancos e as bochechas sem vida.
Refletiu tanto sobre os casos de crianças que levou um susto quando seu celular começou a tocar e a foto de Michael brilhou na tela. Parando no acostamento, ele atendeu a ligação.
— Acharam uma pista nova. É um bilhete. Acharam ele no meio dos cobertores do casal, está cheio de sangue, mas vamos tentar pegar alguma digital.
— Certo, eu estou indo ver os avós, procurar alguma coisa que possa ter causado isso. Tem algo sobre a Amelia?
— Yeah... Bom, achamos que é dela a pista. Temos um fio de cabelo. Eu vou continuar na coleta lá dentro da casa, preciso desligar.
Jones suspirou quando o amigo foi desconectado e olhou a o wallpaper da esposa e ele. Discou o número dela, franzindo a testa. Jennifer atendeu no quarto toque, com a respiração ofegante.
— O que foi?
Aquele era um pequeno código dos dois: nunca ligavam para saber como o outro estava, preferiam as mensagens, mais práticas, então definiram que as chamadas seriam apenas para emergências.
— Eu... Eu quero saber se está tudo bem aí.
— Ah... Sim, estou bem aqui. O Cairo não é tão ruim assim. Estou suando, mas é um lugar tranquilo, esse hotel é muito bom, e tem academia com ar condicionado. Não consegui me segurar. Pegou algum caso novo?
— Sim. Na verdade não peguei, estou dando uma mãozinha. Fiquei com o caso das crianças desaparecidas, de novo. Dessa vez um casal foi assassinado e a filha deles foi levada. Lembra da Amelia? Aquela menina que veio para a proteção de testemunhas?
— Lembro sim, eles levaram ela?
— Sim. Estou indo ver se os familiares sabem de alguma briga ou se eles pegaram algum dinheiro por aí e ficaram devendo. Seu treinamento é até sexta?
— Vou ter que ficar mais um tempo. Logo isso vai acabar, essas viagens todas. Não entendo porque nos deslocamos tanto assim só para treinamentos.
— Sim...
Jones franziu a testa quando um carro prata parou logo atrás do seu e um homem barbudo e gordinho saiu dali de dentro, com uma caixa na mão. O homem parou ao lado do vidro e abriu um sorriso, o mantendo até que Jones abrisse.
— Posso ajudar você? Vi que estava parado, foi o pneu?
— Ahn... – Jones desligou a ligação com a mulher e encarou o barbudo, de cara fechada. – Não. Está tudo bem. Eu só estava no telefone, aí parei pra atender. Mas obrigado.
— Ah, ok então. Desculpe atrapalhar.
Jones observou o homem se afastar para o próprio carro, então desceu e andou até o mesmo, tomou de sua mão a caixa e bateu com ela na cabeça do barbudo.
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