This Must Be Love

24 You've Dug Your Own Grave, Now Lie In It.


Notas iniciais
Esse capítulo é o meu favorito até agora. É contado pelo ponto de vista da Ali. Foi delicioso escrevê-lo! Espero que vocês gostem e que não me odeiem. Sério, não me odeiem.
Enfim, boa leitura. (:

Eu quase havia me esquecido de como era ser eu novamente, parar de fingir perfeição e me deixar ser natural. Eu estou sempre tentando me convencer de que essa sou eu agora e que o passado não afetaria meu presente e muito menos meu futuro. Mas o que eu não contava era que minhas mentiras estavam cada vez mais tentadas a se revelarem e acabar de vez comigo. Eu já podia ver isso. Talvez estivesse na hora de eu recuar um passo e finalmente perceber que eu estava olhando a mesma cena o tempo todo. Aquela cena que possuía inúmeras faces, terríveis revelações e trágicas consequências. Algo como um novo começo prestes a surgir, emergindo de repente, com força, em brasa. Porém, tudo o que eu gostaria de saber era como evitar uma catástrofe total. Nem todos os começos são para celebrar e, quando começam, não podemos pará-los. Eles precisam acontecer e o destino garante o respaldo para tal.

Por que você está tão calada? — Perguntou a voz rouca e, na maioria das vezes, lasciva, a qual eu já havia me acostumado há meses ouvir. Faye Penton sentou do meu lado na beirada da sua própria cama com um copo de uísque na mão — eu também já havia me habituado com sua rotina de sempre beber à noite. Sua casa condizia perfeitamente com sua personalidade e fazia jus à sua nacionalidade britânica, tendo em uma das paredes da sala um quadro pintado à mão da Tower Bridge construída sobre o Rio Tâmisa, na cidade de Londres, e um arranha-céu londrino em miniatura na sua estante. A mobília possuía uma mistura ousada com a era romana, mas não abandonando o conforto moderno.

Quantos copos desse você já tomou? — Perguntei, reparando que suas ações estavam começando a ficar diferente.

Eu não sei, mãe. — Zombou com a voz ainda equilibrada, virando o copo e engolindo todo o líquido de uma vez, logo, deixando seu corpo cair de costas no colchão macio e confortável. — Parei de contar depois dos dez. — Riu bobamente, parecendo estar se divertindo com a situação. Eu também não sabia quantos copos de uísque com lima eu havia tomado, mas não me sentia como se tivesse tomado mais de dez. Eu me sentia calma e ao mesmo tempo eufórica.

Tirei o copo de sua mão e o enchi novamente, tomando a metade e devolvendo a ela. Minha cabeça já estava começando a sair de foco, mas mesmo assim me mantive equilibrada. Eu não tinha a intenção de continuar sóbria, desde que voltar para casa essa noite não era um plano, então eu não economizei nas goladas profundas que eu dei no uísque de Faye. Minha irmã ainda estava em casa e eu não sabia até quando ela ficaria e nem quais eram suas intenções. Eu não me sentia segura nem na minha própria casa e, a cada dia que passava, eu tinha mais certeza de que ela estava tentando me enlouquecer indiretamente, me perseguindo de todas as formas. O que aconteceu na pista de patinação era só um aviso de que ela estava me observando. E no momento eu não estava dando à mínima.

O que você acha de amizade com benefícios? — Perguntei de repente, cutucando seu braço de leve e me tirando de meus pensamentos meio sóbrios. Ela já estava sentada ao meu lado novamente com outro copo cheio de uísque na mão e um sorriso sapeca nos lábios.

Se você estiver se insinuando já aviso que não vai rolar. — Ela disse rapidamente, não parecendo realmente sincera quanto aquilo. Torci os lábios para o lado, bastante pensativa, então logo disparei:

Não é como se não tivéssemos nos beijado antes. — Dei de ombros, encarando o nada vagamente. A lembrança da primeira vez em que vim à sua casa me preencheu instantaneamente. Havíamos nos beijado e eu não sabia o motivo de termos feito aquilo, mas me pareceu certo no momento. Como me parecia certo agora, pois eu já estava entregue ao sentimento de vulnerabilidade e carência. — Eu faço seu tipo, Faye Penton. Eu faço o tipo de todo mundo. — Sussurrei extravagante, me sentindo cada vez mais ousada. Ela virou seu rosto para mim, me observando com um sorriso charmoso e desafiador. Então, me inclinei em sua direção e toquei seus lábios suavemente, roçando minha língua no seu lábio inferior. Seus dedos emaranharam-se entre meus cabelos, me puxando para mais perto de seu rosto e pressionando nossos lábios com firmeza. Esbarrei no seu copo propositalmente, derramando o restante do uísque na sua blusa.

Oops! — Escapou da minha boca assim que ela se afastou e olhou para sua blusa molhada, deslizando seus dedos suavemente pela mancha.

Oh, ótimo! Muito obrigada. — Resmungou com a voz rouca e falha. Aproximei-me dela novamente e deslizei meus dedos pela lateral de seu corpo, puxando sua blusa para cima e a jogando no chão. Um sorriso cheio de malícia surgiu nos seus lábios e, então, eles vieram de encontro aos meus rapidamente, unindo-se num beijo caloroso. Ela me puxou para cama, sentando-se enquanto ainda nos beijávamos. Faye tirou minha camiseta às pressas entre beijos e mordidas, e em poucos segundos suas mãos desciam pela minha barriga nua, pairando no cós da minha calça jeans. Seus toques se tornaram cada vez mais íntimos e profundos, me envolvendo cada vez mais no clima erótico. Nossas respirações estavam incontroláveis e nossas peles roçavam uma na outra, rendendo-se ao desejo da carne.

Logo pela manhã acordei ao som de passos leves pelo quarto, que não foram suficientes para me fazer despertar completamente. Uma vez que eu já estava com meu subconsciente ligado, não pude deixar de ouvir todos os barulhos num quarto quase silencioso. Eu não sentia como se eu realmente houvesse dormido e minha cabeça parecia que tinha sido amassada por um trator, enquanto eu não conseguia controlar os insuportáveis zumbidos no meu ouvido. Meu corpo inteiro achava-se dolorido e exausto, como se eu tivesse passado a tarde inteira correndo em volta do campo de hóquei sem cessar. O barulho fraco e suave do chuveiro parecia tempestades e o barulho das gavetas abrindo e fechando parecia tiros.

Hora de acordar, dorminhoca. — Faye se jogou na cama, tirando alguns fios de cabelo do meu rosto enquanto meus olhos ainda permaneciam fechados. Respirei fundo e pude sentir seu cheiro doce e floral invadir meus sentidos. — Se não levantar agora você vai se atrasar para escola. — Cantarolou energicamente, como se estivesse revigorada. Sexo a noite toda deve surtir esse efeito nela.

Só mais cinco minutos. — Resmunguei, enterrando meu rosto no travesseiro. Ela riu e então se afastou, saindo do quarto e descendo as escadas em passos pesados. Ressaca leva sua audição a um nível quase enlouquecedor. Não esperei os cinco minutos passarem, pois eu sabia que não conseguiria voltar a dormir. Levantei da cama num pulo e fui direto para o banheiro, tendo a leve sensação de que iria vomitar. Meu estômago não estava um dos melhores e o enjoo não passava, era como se eu estivesse estado numa roda gigante a noite toda. E eu odiava rodas gigantes.

Não se preocupe. Estarei aí em vinte minutos. Tudo bem. Tchau. — Pude escutar Faye dizer assim que entrei na cozinha e sentei à sua frente no balcão, observando sua expressão de quem havia acabado de ser arruinada. — Ótimo! Parece que vamos à escola juntas. — Informou nada satisfeita e soando um pouco alto demais.

Você poderia, por favor, falar um pouco mais baixo? Eu estou do seu lado. — Resmunguei um pouco rabugenta e mal humorada. Peguei um donnuts da caixa em cima da mesa, mas percebi que eu não estava com fome, então o devolvi.

Tudo bem. — Sussurrou docemente, suspirando e mexendo na sua bolsa creme. Era bem óbvio que ela estava de bom humor, o que me levou a um ligeiro incômodo. Por mais que eu tentasse não pensar no que fizemos ontem à noite, era praticamente impossível olhar para ela sem que os flashes de toda a luxúria praticada por nós duas me viessem à mente. E eu não ousaria pensar que foi horrível quando, na verdade, foi extremamente o oposto de horrível.

Assim que Faye estacionou seu Audi no meio-fio da rua de Rosewood Day, percebi que o carro que estava parado a nossa frente era a BMW de Jason, enquanto do outro lado da rua estava o reconhecível Hyundai de Spencer. Por um segundo senti meu coração se desestabilizar e sucumbir ao início do desespero, não era sempre que eu começava o dia com um péssimo pressentimento. Claro que Faye, muito ocupada com sua aparência, não reparou que havia estacionado seu carro atrás de Jason. Caso contrário ela estaria tagarelando.

Você já se olhou bem no espelho hoje? — Perguntou percebendo que eu a estava encarando impaciente e ansiosa. De repente, me lembrei de que havia dado uma olhada rápida e mal humorada no espelho, sem realmente prestar atenção se eu estava de acordo. — Porque eu não sei se você já reparou, mas eu não posso dar aula desse jeito. — Mostrou seu pescoço e colo cobertos por marcas arroxeadas em alguns pontos de sua pele sutilmente bronzeada. Afastei minha cabeça da palma da minha mão e aproximei meu rosto do seu tronco, sentindo meu coração batendo cada vez mais rápido. Não tinha como esconder as marcas, pois sua jaqueta não cobria seu pescoço.

Desculpe por isso. — Sussurrei sem jeito, tirando meu cachecol que protegia meu pescoço do frio e entregando a ela. — Aqui. Acho que isso resolverá seu problema. — Deslizei minha mão pelo meu cabelo louro e brilhante, colocando meus óculos escuros e me preparando para sair do carro assim que Faye fez a mesma coisa. Mas antes que eu pudesse sair, ela segurou meu braço e se inclinou em minha direção, afastando meu casaco e analisando meu pescoço cuidadosamente.

Nada mal. — Murmurou satisfeita consigo mesma. — Eu adoraria que isso ficasse apenas entre nós, sabe? Porque eu sinceramente odiaria ser presa por violar uma menor. E eu também não acho que laranja seja minha cor. Não combina com meu tom de pele, ou meus olhos. — Comentou Faye vaidosamente, enquanto deixávamos seu carro e caminhávamos até Rosewood Day. Todos nos olhavam com visível admiração e curiosidade, como se fôssemos estrelas de cinema ou algo assim. Mas não era por menos; Faye Penton sempre fora o objeto de desejo de qualquer um. O tipo diferente de garota malvada que poderia facilmente roubar o coração de qualquer um. E talvez fosse por isso que minha irmã gêmea a odiava tanto! Ela detestava ter seu brilho ofuscado.

Não se preocupe, não serei a pessoa que irá estragar qualquer chance que você tenha com sua preciosa Samara. — Debochei, sacudindo a cabeça e espantando alguns pensamentos. Eu sabia o real motivo dela não querer que ninguém soubesse... Como se eu realmente fosse contar a alguém. Eu também tinha meus próprios interesses e destruir minha imagem não era um deles. Mas era divertido fazê-la pensar que existia a possibilidade de eu contar. — A única pessoa que pode fazer isso está bem ali. — Lancei um olhar deprimido, mas ao mesmo tempo frio e indiferente, para onde Emily estava junto com as outras. Spencer e Hanna nos observavam com expressões incógnitas e eu quase podia escutar todas as perguntas flutuando ao redor de suas cabeças.

Vejo que você está por fora de algumas coisas... — Murmurou sarcasticamente, assim que nos aproximamos da praça em frente ao colégio e de onde as garotas estavam. — Bom dia, senhoritas. — Cumprimentou Faye, misturando charme e educação como sempre. Todas cumprimentaram de volta, exceto por Emily que mantinha sua cabeça baixa. Não absorvi de imediato o que ela dissera sobre eu estar por fora de algumas coisas e, quando finalmente me permiti a fazê-lo, virei meu rosto bruscamente para as escadas.

Onde ela comprou esses Louboutins? — Perguntou Hanna interessada, observando enquanto Faye avançava até a entrada de Rosewood Day.

Você está bem? — Perguntou Emily, chamando minha atenção para ela e não dando atenção às bobagens de Hanna. Balancei a cabeça suavemente, afirmando positivamente em resposta. Aria estava quieta e, assim que viu sua mãe chegando à escola, foi de encontro a ela. — Jason está procurando por você. — Prosseguiu olhando diretamente para mim. Seus olhos estavam profundos e melancólicos, o que fez eu me questionar o que eu estava deixando passar. Abra os olhos e se permita ver o que está bem na sua frente, dissera Faye ontem à noite. Apesar de ter bebido bastante, eu ainda me lembrava de muita coisa sobre ontem.

O que houve com você? — Perguntou Spencer com fria polidez enquanto me analisava com um olhar superior. — Está com cara de quem festejou a noite inteira. — Sorriu debochadamente, cruzando os braços sobre o peito. Ela precisava seriamente ser posta em seu lugar. Spencer estava abusando da minha camaradagem.

Talvez eu tenha. — Respondi rispidamente, encarando Spencer fixamente. Ela sabia de alguma coisa e estava fazendo exatamente como eu costumava fazer com ela e as outras garotas. — Mas, de qualquer forma, receio que isso não seja do seu interesse. — Dei de ombros, ignorando suas tentativas frustradas de me intimidar.

Tudo bem por mim. — Sorriu cinicamente com seus olhos cravados em mim. — Mas você sabe o que dizem sobre a verdade, não é mesmo? Ela sempre aparece. — Cantarolou com uma voz infantilizada insuportável. Cruzei os braços e cerrei os punhos involuntariamente, sentindo uma fúria quase desconhecida brotar dentro de mim.

Qual é o seu maldito problema, Spencer? — Perguntei pausadamente, tentando não perder o controle das minhas ações. Esse definitivamente não era um bom dia para Spencer me confrontar.

Spencer, vamos até a biblioteca comigo. — Pediu Hanna ansiosa, não parecendo prestar atenção na intriga rolando solta. Spencer lançou um olhar estreito e incógnito a ela, que bufou irritada. — Vamos logo antes que vocês duas se ataquem. — Alterou o tom de voz, impaciente. Spencer descruzou os braços e me direcionou um olhar ameaçador. Em seguida, ela se aproximou de Emily e se inclinou em sua direção, beijando o topo de sua cabeça suavemente. Era no mínimo interessante ver a diferença de tratamento. Spencer só estava agressiva comigo, mas com as outras garotas, principalmente com Emily, havia um instinto protetor muito forte.

Por que ela estava com seu cachecol? — Quis saber Emily, assim que Spencer e Hanna saíram do nosso campo de visão. Ela não parecia afetada com o que quer que fosse que Spencer estivesse insinuando. Sentei no banco ao seu lado, usufruindo do silêncio para pensar. Mas mesmo depois de um longo momento em silêncio, eu não sabia o que responder. Eu poderia experimentar a verdade, mas seria desastroso.

Está bem frio e, bem, me senti benevolente. — Respondi cautelosamente, tomando o cuidado para não vacilar enquanto pronunciava cada palavra.

Acho que você deveria se sentir assim sempre. — Disse ela, esboçando um sorriso de torcer o coração. — Vem, vamos sair daqui. — Levantou rapidamente, me puxando para levantar também. Emily me levou até o estacionamento de Rosewood Day, onde estava seu carro.

Aonde vamos? — Perguntei assim que entramos no carro, estranhando sua súbita mudança de humor. Ela se inclinou em minha direção, tirando meus óculos escuros e fitando meus olhos profundamente, como se estivesse tentando desvendar todos os meus pensamentos.

Vamos à casa do lado da Spencer. — Balançou as chaves, que eu presumia serem as da casa do lado, quase animada. Receio que minha reação facial não tenha sido uma das mais alegres, visto que toda sua ansiedade havia murchado. Mas antes que Emily dissesse qualquer coisa, me antecipei em dissipar sua preocupação momentânea:

Acho que ficar sozinha com você é tudo o que eu preciso nesse momento. — Sussurrei com meus olhos fixos nos dela, sentindo toda sua pureza e inocência inundar meu coração instantaneamente. Coloquei o cinto de segurança e deixei minha mão cair entre nós duas, assistindo enquanto seus olhos desciam até ela e sentindo quando a palma da sua mão tocou a minha suavemente. O toque mais simples e delicado que fez meu corpo inteiro formigar.

Logo chegamos à casa do lago de Spencer, que possuía a mesma típica e pomposa estrutura dos Hastings — e que, às vezes, era tão esquecida quanto a própria Spencer. A casa era semelhante a mansão que eles tinham em Rosewood, tendo diferenças por ter menores proporções e ser numa vasta extensão do campo. A piscina ficava perto da casa e, consequentemente, perto do imenso lago mais à frente. Era aqui que o pai de Spencer adorava jogar golfe nos fins de semana, enquanto ela e Melissa se ocupavam em esquentar cada vez mais a intensa rivalidade que, constantemente, podia-se ver entre as duas e a Sra. Hastings fingia que tudo estava perfeito, porque nada acontecia, afinal era uma família feliz.

Eu tinha quase me esquecido de como esse lugar é tranquilo e harmonioso. — Comentou Emily, me trazendo de volta à realidade que, pensando bem, agora me parecia um pouco menos indigna e meramente mais aceitável.

O que você me diz de nadarmos agora mesmo? — Perguntei enquanto andávamos pela plataforma de madeira sobre o lago, nos possibilitando observar toda a extensão. Puxei Emily para um pouco mais perto de mim, encostando seu corpo na barreira que nos impedia de ultrapassar o limite da plataforma e repousei minhas mãos nos seus braços, fitando-a com seriedade. — Nuas. — Complementei, aproximando meu rosto do seu e não conseguindo conter um sorriso lascivo. O tempo não estava nada favorável para tal ato, mas mesmo assim eu não podia evitar.

Você está falando sério? — Emily deixou uma risada confortável escapar dentre seus lábios, como se fosse uma ideia insana e embaraçosa.

Não estou, mas se você quiser... — Baixei os olhos, sentindo meu coração acelerar rapidamente e minha respiração falhar.

Eu adoraria se não estivesse tão frio. — Sussurrou calidamente, tomando minha mão e me puxando para dentro de casa. — Você não está com frio? — Virou seu rosto rapidamente, ficando bem próximo do meu. Arqueei as sobrancelhas e balancei a cabeça negativamente. Assim que chegamos à sala de estar, avistei inúmeros filmes esparramados pelo sofá e cobertores dobrados no canto. Havia também alguns pacotes de Doritos e alcaçuz em cima da mesa de centro, deixando a entender que alguém esteve aqui.

Você iria vir aqui sozinha? — Questionei com ligeiro receio de já saber a resposta. Emily não respondeu e caminhou até o sofá tranquilamente, recolhendo os filmes e os mostrando para mim. Vendo que eu também não opinaria em qual filme deveríamos assistir, ela mesma escolheu um e o colocou para rodar no DVD. — Emily, você esteve aqui com outra pessoa? — Tentei novamente, deixando meu corpo cair sobre o sofá. Tirei meus sapatos de salto altos e minha jaqueta de couro azul, me ajeitando confortavelmente no sofá e me cobrindo por inteira.

Estive. — Respondeu simplesmente, fazendo o mesmo que eu havia feito e se juntando a mim debaixo dos cobertores. Levei um tempo razoável ponderando quem poderia ter sido a pessoa que Emily trouxe, mas a única que me veio à mente, no entanto, não está na cidade.

Com quem?

Spencer. Nós dormimos aqui ontem à noite e desde que as chaves ficaram comigo, pensei em matar aula e vir sozinha. Não estou com ânimo para enfrentar um dia inteiro de aula. — Respondeu num fôlego só. Havia alguma coisa de errado com ela e eu não estava sendo apta a descobrir o que era — ou talvez eu apenas não quisesse enxergar.

Há quanto tempo você está fazendo isso? — Perguntei suavemente, me endireitando no sofá e direcionando um olhar amigável a ela, que sorriu em troca.

Acho que há uma semana. — Deu de ombros, fixando seu olhar na TV. Suspirei lenta e educadamente, pegando o controle da mesa de centro e pausando o que quer que estivesse passando.

Vamos brincar do Jogo da Verdade. — Sugeri assim que tive sua atenção voltada somente para mim. Ela me encarou por alguns instantes, pensativa.

Tudo bem, mas eu começo. — Disparou de repente. — Onde você dormiu noite passada? — Perguntou com as sobrancelhas arqueadas. Meu coração deu um salto violento. Jogo da Verdade... Péssima ideia.

Acho que você sabe. — Tentei me desvencilhar de ter que responder diretamente. Eu não precisava das pessoas me lembrando o tempo inteiro do que eu fiz ontem à noite.

Sim, mas eu quero saber de você.

Com Faye. — Respondi com falsa calmaria. Emily fechou os olhos com força, como se estivesse tentando suportar a ideia do que pode ter acontecido — e que de fato aconteceu. E isso me deu uma luz por onde começar.

Vocês fizeram...

Eu não me lembro, Em. — Menti. — Nos beijamos e eu apaguei. — Disse por fim, baixando os olhos na intenção de esconder meu embaraço.

Acho que agora é sua vez. — Murmurou com a voz falha depois de um longo momento em silêncio, passando seus dedos pela testa. Respirei com dificuldade, rompendo o bolo que havia se formado na minha garganta.

Você ainda...

Sim. — Me interrompeu bruscamente, suspirando com pesar. — Eu ainda amo você. — Meus olhos salpicaram instantaneamente, me fazendo olhar para o outro lado com contida emoção. Eu também a amava, mas não sabia a maneira correta de lhe dizer isso. Um frio deliciosamente bem-vindo envolveu meu ventre enquanto meu coração batia descompassado.

Mesmo depois de todas as besteiras que eu fiz? — Tornei com um misto de receio e culpa. Ela repousou a palma da sua mão em cima da minha, acariciando meu pulso afavelmente.

Não é algo que eu possa parar ou controlar. É algo que somente você pode! — Começou com serena seriedade, olhando para baixo. — Suas ações não têm nada a ver com o que eu sinto por você; elas não mudam nem interferem em nada, porque o que eu sinto é imutável. — Concluiu com certa firmeza. Meus batimentos cardíacos estavam acelerados e desestabilizados, deixando minha respiração fraca e difícil. Levei sua mão diretamente ao meu peito, pressionando a palma para que ela pudesse sentir como meus batimentos estavam fora de ritmo. Eu me sentia nervosa e completamente vulnerável. Suas palavras me levaram a um lugar diferente e, ao mesmo tempo, extraordinário. Emily controlava meu lado calmo e equilibrado com facilidade e maestria.

— É por isso que ficaremos juntas. — Me inclinei em sua direção, sorrindo torto. — O destino, além de cruel e duvidoso, às vezes não erra. Nossa história tem curvas o suficiente para nos levar em direção a um final que merecemos. Um final feliz. — Sussurrei docemente, fitando seus olhos com toda transparência possível. Nesse momento ela poderia ler todo meu coração, se assim ela o quisesse.

Tudo o que eu consigo pensar é: por favor, esteja certa. — Riu fraco, contraindo os músculos dos ombros nervosamente.

Eu sempre estou certa. — Aproximei meu rosto do seu devagar, deixando nossos lábios há poucos centímetros de distância um do outro, esperando que ela desse o próximo passo. Sua respiração estava quente e pesada, e eu quase podia escutar as batidas aceleradas do seu coração. Fechei os olhos por um segundo e, então, senti seus lábios tocarem os meus suavemente, logo se tornando um beijo profundo e caloroso. Toquei seu rosto com delicadeza, deslizando meus dedos pelo seu pescoço e acariciando a pele com carinho.

Eu gostaria que você soubesse do efeito que tem sobre mim. — Sussurrou contra meus lábios, pressionando com firmeza enquanto tentava estabilizar sua respiração. Nos beijamos novamente, só que dessa vez com mais intensidade e fervor. Puxei seu corpo para cima do meu, me deitando de costas quando senti suas mãos deslizarem pelo meu corpo calmamente. Nossas línguas se encontravam com pressa e necessidade, enquanto eu agarrava sua cintura com mais e mais volúpia e desejo. Sua mão envolveu meu pescoço carinhosamente e suas pernas o meu quadril, sem parar o beijo. Um gemido rouco e baixo escapou dos seus lábios quando escorreguei minha mão entre suas pernas, acariciando a coxa interna e arranhando.

Não podemos fazer isso. — Sussurrei contra seu pescoço, tentando afastá-la de mim. Todas as células do meu corpo implorava por um contato mais íntimo e carnal com Emily, mas o pouco senso de caráter que me sobrou depois que me transformei na minha irmã me lembrava de que não era certo. Ela não estava comigo e, apesar de ela ainda me amar, não mudava o fato de que ela se relaciona com Samara de todas as formas. Pensar nisso me fez continuar firme na minha posição. — Eu quero muito isso, mas não desse jeito, Em. — Afastei uma mecha de cabelo que estava cobrindo seus olhos, delicadamente, controlando minha respiração e meu nível de excitação. Ela me fitou por alguns segundos, estudando minhas palavras com cuidado. E então o entendimento cruzou seu rosto.

Desculpe, eu não... Eu entendo. — Um rubor subiu rápido e potente pelo seu pescoço, levando-a baixar os olhos sem jeito. Deslizei meus dedos pelos seus braços nus, contendo minha vontade de descê-las por seu todo seu corpo.

Nossa primeira vez será especial, eu prometo. — Selei nossos lábios doce e demoradamente. Ela afastou seu rosto, os olhos brilhando e um pensamento em mente. — O que foi? — Perguntei. Mas ao invés de me responder, ela me beijou ternamente, roçando seu corpo contra o meu. Seus dedos envolveram meus cabelos cuidadosamente, me puxando para o mais perto possível dela.

Eu amo você. — Sussurrou com um sorriso de torcer o coração. Ela saiu de cima de mim e deitou ao meu lado, repousando sua cabeça sobre meu peito.

A noite chegou num piscar de olhos e, quando me dei conta, já passavam das nove da noite. O celular de Emily não parava de tocar enquanto ela dormia nos meus braços, confortável e relaxada. Ela dormiu em menos de vinte minutos da série a que estávamos assistindo na MTV, Teen Wolf. Ela adorava qualquer coisa que envolvesse o mundo sobrenatural. Eu sabia muito bem disso.

Em uma das vezes em que seu celular tocou, ela acordou e atendeu. Era sua mãe pedindo para que ela fosse para casa. Ela estava muito sonolenta para obedecer de imediato, mas não demorou até ela decidir que tinha mesmo que ir.

Ao contrário do que eu desejava, também não demorou até Emily estacionar seu carro na esquina da casa de Spencer. Eu sabia que aquilo era uma indireta para que eu fosse até a casa dela para fazer as pazes. Não dissemos nada a respeito e, assim que fiz menção de sair do carro, ela segurou meu braço e se inclinou em minha direção — essa ação me deu déjà vu. Seus lábios tocaram os meus suavemente, pressionando devagar e com gentileza. Meu coração batia violento contra meu peito, ameaçando saltar pela boca. Eu me sentia incontestavelmente feliz. Atravessei o jardim dos Hastings e a casa estava toda apagada, sem sinal de ter alguém em casa. Continuei caminhando até minha casa e me distraí com as corujas que estavam empoleiradas nos galhos do carvalho do meu jardim.

Então é isso o que você faz quando ninguém está observando? — A voz aguda de alguém que soava terrivelmente familiar emergiu dentre as árvores, fazendo com que eu me virasse rapidamente e desse um pulo em sobressalto. Os sons dos grilos, de repente, cessaram em conjunto. Como se houvessem sentido a ameaça se aproximar silenciosamente.

Você não deveria estar aqui. — Tentei manter minha voz calma e indiferente enquanto observava a figura pálida e autoconfiante de minha irmã gêmea vindo em minha direção com um sorriso quase assustador.

Eu tenho que dizer que é revigorante e extremamente satisfatório assistir você se destruindo por conta própria. — Comentou com a voz impregnada de cinismo, encarando sua mão como se houvesse algo de interessante nela. A névoa que se estendia na atmosfera fria e obscura, misturada com algum tipo de fumaça intoxicante, atravessava minha garganta como farpas e perfurava meu estômago dolorosamente. Comprimi meu pulmão rigidamente, não desviando meus olhos dos seus movimentos meticulosamente calculados.

Não faço ideia do que você está falando. — Avancei alguns passos em direção à minha casa, mas fui impedida de prosseguir quando Courtney se colocou em minha frente. Senti uma raiva conhecida correr minhas veias, me impulsionando a dar um passo ameaçador para frente. — Saia do meu caminho, sua esquizo. — Exigi com a voz firme e confiante que quase não reconheci ser minha, chamando-a da mesma forma como ela costumava me chamar. Um músculo sob sua expressão facial tencionou, afetando seu ego e arrogância amargamente. De repente, era como se estivéssemos voltando para a época em que a esquizofrênica era eu, quando na realidade ela sabia que era o contrário.

Você não acha que já está na hora das suas vadias perdedoras me conhecerem? — Se afastou devagar, mantendo seus olhos selvagens e atordoados nos meus. Ela se escorou no carvalho a alguns centímetros de distância de mim, tocando a madeira com dedos trêmulos num cuidado fora do normal. Suas palavras com tom de desafio e ameaça quase me surtiram efeito desesperador, se não fossem pelo fato de suas atitudes estarem completamente atingindo o grau de loucura. Ela estava perdendo o controle da sua curta e encenada sanidade. — Fico me perguntando se elas continuariam suas amigas depois de descobrir tudo o que você fez.

Eu só fiz o que você, durante anos, me obrigou a fazer e que custou minha liberdade. — Repliquei defensivamente, sentindo meu sangue esquentar e meu coração pulsar com fervor.

E eu fiz o que foi necessário. Você precisava ir embora, irmãzinha. — Ela disse com estranha calma, passeando ao redor do jardim com leveza manipulada.

Mas agora eu não vou a lugar nenhum. — Cruzei meus braços e firmei meus pés no solo úmido da grama recém aparada do meu quintal. — Eu não vou voltar para um lugar no qual eu não pertenço. Até mesmo a morte é um destino menos cruel do que aquela clínica psiquiátrica. — Um sorriso pretensioso e desagradável cruzou seus lábios assim que concluí meu pensamento em voz alta.

Falando em morte, como está Em? — Ela perguntou num tom fingido de preocupação. Meus sentidos começaram a ficar mais aguçados e receptivos. Uma sensação de impotência e desespero ameaçou se instalar no mais profundo do meu âmago. Vendo meu início de alarde e confusão, ela prosseguiu com calmaria angustiante: — Ela ficou devastada por saber o que você fez noite passada? E quanto a Spencer? — Riu grosseiramente, triplicando a potência da minha raiva. — Desculpe, eu não aguentei. Eu tive que contar a elas! Jogar Spencer contra você foi mais fácil do que pensei.

Foi você... — Avancei em sua direção com o coração em estado de choque e raiva. E, apesar de estar começando a me assustar com todo esse jeito estranho e perturbador de agir e falar, fui para cima dela numa tentativa de machucá-la da mesma forma como ela estava fazendo comigo. Empurrei seus ombros com tanta força que, em questão de segundos, suas costas estavam contra a grama e seus olhos ergueram para os meus quase imediatamente, surpresos e repletos de ódio.

Você vai me pagar por isso! — Rosnou, levantando numa agilidade notória e pulando em cima de mim. Senti uma dor física e aguda tomar conta do meu corpo que logo identifiquei como sendo minhas costas se chocando contra o solo felpudo e espinhoso, seguido das mãos finas de minha irmã envolta do meu pescoço. Ela apertava com força enquanto colocava todo o peso de seu corpo sobre suas mãos, pressionando minha cabeça contra o chão e me impedindo de respirar. — Eu deveria ter feito isso há muito tempo. Eu deveria ter matado você quando tive a chance! — Ela gritou, apertando e fincando suas unhas no meu pescoço com uma força renovada. Tomei um grande impulso interior composto por todos os sentimentos negativos os quais nutri por ela durante os anos em que passei internada no Radley por sua causa, e a empurrei para longe de mim. Um alívio inundou meu corpo quando senti o ar preencher meus pulmões enquanto eu tossia violentamente. Não era à toa que ela havia escolhido um lugar completamente isolado e silencioso para me pegar desprevenida quando eu estivesse voltando para casa. Ela não queria que ninguém nos visse.

E ainda sim, morrerei como Alison DiLaurentis. — Consegui dizer entre fungadas dolorosas, rindo cruelmente e sentindo o pânico se instalar dentro de mim. Olhei para ela por um segundo apenas, seus olhos estavam mais selvagens do que antes, sua respiração pesada e sua boca comprimida num meio sorriso retorcido. Me coloquei de pé o mais rápido que pude, sendo tomada por uma sensação de vertigem momentânea. Ela estava tomada de raiva, então dei as costas para ela e avancei alguns passos em direção da minha casa. Eu não poderia cair na sua armadilha de me fazer perder o controle de minhas ações. Emily estava certa em dizer que sou a única responsável pelo que faço.

Você roubou a minha vida! — Ela rosnou, rastejando no chão e serpenteando meu tornozelo, tornando a queda inevitável. Algo pontudo e cortante que estava entre a grama atravessou o canto do meu lábio implacável e doloroso. Abri mais os meus olhos e ergui minha cabeça, encarando o solo com manchas vermelhas do sangue que escorria do meu lábio, desorientada pela dor. Virei de costas para a grama espinhosa e senti o corpo de Courtney em cima de mim novamente, mas, dessa vez, não lutei para tirá-la. Suas mãos voltaram para o meu pescoço, pronta para me estrangular. O som de alguns galhos se quebrando e os arbustos se movendo prendeu minha atenção por alguns segundos. Courtney não pareceu notar, ela estava muito ocupada sussurrando palavras de ódio e tentando me matar. — Você vai pagar por ter me arruinado! Eu vou matá-la e ninguém nunca vai sentir sua falta. Vão agradecer e se sentirem aliviados por você ter ido para o inferno, onde é o seu lugar! — Suas palavras cortantes e cheias de raiva atravessaram meu cérebro desnorteado. Eu tentava tirar suas mãos do meu pescoço, mas sua força e determinação pareciam ter duplicado. O gosto forte de sangue na minha boca ficava cada vez mais nítido e parecia aumentar conforme a pressão que seus dedos faziam no meu ponto de pulso se intensificavam.

Parem com isso! — Exigiu uma voz masculina, se aproximando. Levou alguns intensos segundos até eu reconhecer a voz como sendo de Jason. Então, em poucos segundos, Courtney não estava mais em cima de mim e pude finalmente respirar novamente. Meus pulmões pareciam estar prestes a explodir. O ar que estava insuportavelmente quente parecia ter esfriado de novo. Arrastei meu corpo para trás e me sentei, passando a mão pela minha boca e tirando o excesso de sangue. — Courtney, o que deu em você? — Jason parecia decepcionado e de coração partido. Como uma criança que acabara de ter seus sonhos cruelmente destroçados em milhões de pedaços. Mas não era para ser assim. Ele era o meu melhor amigo, não o dela!

Meu Deus! — Outra voz soou, em puro choque. Meu coração gelou instantaneamente quando meu cérebro reconheceu a voz de imediato. Minha cabeça girava e eu só conseguia olhar para o chão, pois se eu a movesse seria trágico. Tudo estava acontecendo tão rápido...

Você sempre aparecendo nos momentos errados. — Resmungou minha irmã amargamente. Levantei do chão ainda com os olhos baixos e com a mão na boca, contendo o sangramento. A dor que eu sentia era quase sufocante, mas não era só por causa dos meus ferimentos físicos. Era uma dor de quem havia perdido de vez uma irmã. Meus olhos inevitavelmente se encheram de lágrimas, escorrendo pelo meu rosto silenciosamente. Passei minha mão rapidamente pelo meu rosto, secando as lágrimas e, então, ergui meu rosto machucado. Jason segurava o braço de Courtney com firmeza, que tentava a todo custo se desvencilhar, e vacilava seu olhar entre nós duas, esperando que alguém explicasse o que estava acontecendo. Mas a cena que ele havia interrompido era óbvia demais e já falava por si só.

Alison, o que você fez a ela? — Ele perguntou com a face rubra, me encarando de uma forma acusadora. Era como se eu fosse a grande e imperdoável vilã da história.

Eu sou Alison! Essa vadia roubou a minha vida! — Minha irmã gêmea se exaltou, tentando arduamente fazer com que Jason acreditasse nela. Mas felizmente ele a ignorou.

Ora, por favor, Jason! Não seja ridículo. — A pessoa se moveu tão rápido para perto de mim que só pude comprovar que meu cérebro não estava errado quanto ao que eu havia escutado. De repente, percebi que o maior segredo da família Day-DiLaurentis não era assim tão restrito. — Nós dois vimos quem fez o que a quem. — Protestou defensivamente, tocando meu rosto delicadamente e me fazendo fitá-la diretamente nos olhos, as íris verdes como folhas me estudavam com calma.

Você não sabe de nada, então é melhor ir embora. — Rebateu asperamente. Mas ela não deu atenção, continuou me analisando. — Faye!

Oh, querido, você não tem ideia do quanto eu sei. — Finalmente se virou, lançando um olhar esnobe, mas ao mesmo tempo repreensivo a Jason. E, então, virou-se novamente para mim. — Você está bem? — Ela perguntou, tocando meu lábio de leve. Um rubor subiu pelo meu pescoço, aquecendo meu rosto inteiro.

Ela tentou me matar. — Sussurrei com a voz rouca e falha, sentindo minha garganta e meu peito queimarem. Faye tocou meu pescoço devagar, olhando as visíveis marcas vermelhas da mão de Courtney no meu pescoço, e então envolveu algo em volta dele. Olhei para baixo por uma fração de segundos e percebi que era meu cachecol. Talvez fosse por isso que ela estivesse aqui — ou talvez não. Mas também eu não me importava.

Da próxima vez não terá tanta sorte. — Courtney prometeu, se debatendo nos braços de Jason. Ela, afinal, se cansou de fingir sanidade, já que não estava lhe rendendo algo digno. Eu roubei sua vida depois de ela ter arruinado e destruído a minha. Ela tirou minha liberdade, me mandou a uma clínica para doentes mentais e tentou me matar duas vezes. — O que essa vadia estúpida está fazendo aqui? — Ela gritou para Jason, se soltando dos braços dele. Faye a olhou com indiferença e superioridade. Ela sabia o tempo todo que eu tinha uma irmã gêmea. E elas se odiavam.

Tira essa imunda da minha frente. Ela já me irritou o suficiente por um dia inteiro. — Ela disse friamente, como se não tivesse sido a primeira vez que Courtney aprontava. — E se você não contar aos seus pais o que ela fez, eu conto! — Ameaçou, apontando o dedo para ele com o punho fechado. Jason a encarou com o rosto em brasa, provavelmente fervendo de raiva e adrenalina. Minha cabeça ainda girava e meu coração batia num ritmo quase frenético. De repente, senti as lágrimas escorrerem silenciosas e impulsivas pelo meu rosto novamente. Era uma avalanche violenta de sentimentos, que estava guardado no profundo do meu interior. Eu odiava minha irmã, mas um dia eu já a amei mais do que qualquer coisa. Tudo o que eu fiz foi em consequência do que ela havia me feito. Eu só queria uma vida normal e feliz novamente.

Notas finais
Que coisa mais linda Faylison! Agora sou uma shipper. E me emocionei escrevendo Emison! ♥
O que vocês acharam? Eu honestamente estava em dúvida sobre o caráter da Faye, mas não resisti... Mas bem, me contem suas opiniões e o que vocês acharam do capítulo.
Até o próximo! :D xx