This Must Be Love
1 What's In The Ground Belongs To You.
Notas iniciais
Era uma segunda-feira de manhã como todas as outras. Eu estava em frente ao meu closet, tentando me decidir com qual roupa eu deveria ir à escola. Óbvio que eu não precisava de muito esforço para ficar impecável. Sorri para esse pensamento. Eu sou Ali e sou fabulosa, disse em frente ao espelho. Era incrível como o universo sempre conspirava ao meu favor. Tudo conspirava ao meu favor, afinal, eu sou Alison DiLaurentis, a garota mais popular e invejada de Rosewood. Todos queriam ser como eu, mas era mais do que transparente de que querer nem sempre é poder. Fui arrancada de meus pensamentos quando ouço uma buzina lá fora. Encaminhei-me para a janela, certificando-me de que era minha carona. Eu ainda não estava pronta. Voltei para meu closet, esperançosa de que poderia achar algo deslumbrante e fácil. Era o primeiro dia de aula, e finalmente eu estava no primeiro ano. Esse ano vai ser igual a mim: fabuloso, disse sonhadora. Peguei uma blusa verde com detalhes nas costas que ia um pouco abaixo da cintura, – aparentando que o short que eu estava vestindo fosse um tanto quanto indecente – e calcei meus saltos Gucci. Desci as escadas às pressas, indo em direção ao carro que estava à minha espera. Eu estava ligeiramente atrasada, entrei no carro e ali estava Emily Fields, sentada no banco do motorista, com o cotovelo apoiado na janela do carro e a cabeça descansando sobre a mão. Em estava distante e tive a impressão de que não notara minha presença.
– Olá, Em. – Cumprimentei-a. Vi várias emoções passarem por seu rosto, primeiro foi de susto, seguida por confusão e logo depois por felicidade. Ri.
– Ali. – Disse sorrindo.
– Você está bem? – Perguntei levemente preocupada. Emily andava distante ultimamente e isso estava me deixando atônita.
– Claro. – Sorriu. Mas não me convenceu. – Você está bem? – Devolveu a pergunta.
– Ótima! – Respondi alegre. Até demais. Emily sorriu e ligou o carro, voltando sua atenção para frente. O caminho até a escola foi tranquilo. Em permanecia quieta e pensativa, mas resolvi ignorar. Chegando à escola, ela estacionou o carro, peguei minhas coisas e saí. Ela fez o mesmo e se colocou ao meu lado. Logo avistei as outras meninas conversando entre si. Hanna tentava explicar para Spencer como fazer a combinação perfeita de saltos e vestidos, mas sem realmente combinar, enquanto Aria apenas observava um pouco impaciente.
– Meninas! – Exclamei. Todas me olharam vacilantes por alguns segundos, mas depois seus rostos iluminaram-se e logo correram até mim. Todas estavam muito mudadas. E, às vezes, isso me chocava um pouco. Hanna era a que mais tinha mudado fisicamente, deixando de ser a gorducha desengonçada para se tornar magra e confiante. Claro que ela nunca iria chegar aos meus pés. A criatura não pode ser maior do que seu criador. Nunca. E era assim, eu as fiz. Elas devem suas vidas a mim.
– Minhas meninas. – Sorri enquanto passava os olhos em cada uma. – Senti tanto a falta de vocês. – Disse, afagando de leve o braço de Hanna e Spencer.
– Sentimos sua falta também, Ali. – Spencer me abraçou carinhosamente. Todas nós passamos o verão separadas. Aria foi para Europa juntamente com sua família. Spencer foi para Filadélfia. Hanna passou suas férias com seu pai, sua madrasta e sua meia-irmã, Kate. E Emily viajou para o Canadá com a sua mãe para visitar seu pai, que servia ao Exército. E eu, bem, eu fui para Geórgia visitar minha avó.
– Você está tão bronzeada. – Reparou Hanna. – Tem certeza de que passou o verão na Geórgia? Estou achando que você passou as férias no Brasil.– Zombou. Spencer deu uma risadinha, sendo acompanhada por Aria.
– Se eu tivesse passado as férias no Brasil, voltaria vermelha, não bronzeada. – Disse seca.
– Por quê? – Perguntou Hanna, fazendo uma careta. Revirei os olhos em desgosto e apenas dei de ombros. Hanna realmente tinha mudado, mas apenas por fora, porque o cérebro continuava com a mesma lerdeza. Avistei Ben se aproximando de nós e surpreendendo Em, abraçando-a por trás e sussurrando algo em seu ouvido. Ela sorriu fraco. Ben era aquele típico garoto de Rosewood: jogador de futebol americano e popular, o qual Emily namora – e aguenta – desde a sétima série. Eu tinha conhecimento sobre a antipatia dele por mim. Emily deixara escapar uma vez quando estávamos na casa de Hanna. E claro que a recíproca era verdadeira. Em com certeza merecia algo melhor. Finalmente nossos olhares se cruzaram. Ben e eu. Pude distinguir certa malícia em seu olhar e sorriso presunçoso.
O sinal tocou anunciando o começo da primeira aula. Estávamos caminhando rumo ao corredor de Rosewood Day, nós quatro. Eu na frente, Aria um pouco atrás de mim à minha esquerda, Emily à minha direita, Spencer ao lado de Aria, e Hanna ao lado de Emily. Todos pararam para nos observar. Para me observar a passar. Era incrível como todos me idolatravam e como tinham aqueles que seriam capazes de beijar o chão que eu piso apenas para me agradar. Aquele dia definitivamente estava começando do jeito que eu planejei. Até um idiota qualquer estragar tudo derramando café no meu short branco. Encarei a mancha terrível que se formou, tentando não olhar diretamente para o imbecil causador desse estrago.
– Desculpe, Ali. – Disse Lucas Hermie num tom apavorado. Claro. Tinha que ser ele. Pude ver Hanna e Aria fazendo careta para a mancha em meu short e lançando um olhar de pena em direção do Hermie-Estraga-Shorts. Spencer e Emily apenas observavam com atenção meus movimentos. Senti-o tocando o local da mancha com algum tipo de pano e gesticulei com a mão para que ele não me tocasse. Odiava quando esses fracassados tentavam se aproximar de mim, e odiava ainda mais quando ousavam me tocar.
– Não me toque! – Tentei dizer calma, sem muito sucesso. Não fiz nenhum contato visual com ele, pois tenho certeza de que se eu o fizesse, iria ficar tentada a bater naquele estranho. E não queria ter nenhum tipo de contato direto com aquele perdedor. Não iria sujar minhas mãos.
– Foi um acidente. – Disse em tom de desculpas.
– Foi o que o médico disse à sua mãe quando você nasceu? – Retruquei venenosa. – Emily, vem me ajudar. – Pedi, marchando com passos firmes e seguros até o banheiro. Em me seguiu enquanto as outras permaneceram imóveis. Inúteis, murmurei. Meu humor estava por um fio. Havia duas garotas que eu não me lembro de já tê-las vistos na escola conversando sobre banalidades quando adentrei o banheiro com pressa. Deveriam ser novas. Ou não. Com certeza eram as fracassadas que eu nunca me dava ao trabalho de reparar e que nunca chamam minha atenção ao ponto de lembrar a fisionomia. Uma delas encarou Emily de um jeito estranho, me dando um leve desconforto.
– Saiam! – Gritei para elas, que obedeceram sem protestar. Fui checar meu estado no espelho, minha aparência continuava impecável, apenas o short que estava um horror. Não iria assistir às aulas naquele estado. De jeito nenhum.
– Droga! – Exclamei ao passar um papel molhado na mancha, que não alterou em nada a catástrofe. – Não acredito que vou ter que ir para casa! – Reclamei. Emily me fitou por alguns breves segundos, logo voltando a olhar para meu short manchado. Percebi que estava tentando conter um riso.
– Não ria, Emily! – Disse com voz chorosa. – Isso – Apontei indignada para a mancha. – é péssimo e não tem graça!
– Desculpe. – Disse, pegando uma quantidade generosa de papel e indo até a pia para umedecê-los. Bufei impaciente. – Acalme-se, Ali. – Disse com delicadeza enquanto sentava-me sobre a pia. Emily era sempre tão calma e paciente que, às vezes, me incomodava. Nada parecia realmente afetá-la. Ela sempre fora a mais doce e delicada das quatro.
– Essa sua calmaria às vezes me irrita. – Disse distraída, analisando a mancha com a ponta do dedo. Parecia que aquele infortúnio de mancha me daria trabalho para removê-la apenas com água. Em se aproximou de mim, colocando sua mão esquerda sobre minha coxa nua enquanto a direita encontrava-se com alguns papéis dobrados e úmidos para esfregar de leve sobre o local que estava aquela mancha horrenda. – Aquele imbecil me paga. – Prometi com amargura.
A noite chegou linda e gloriosa. Mandei uma mensagem para todas as garotas avisando que iríamos passar a noite na casa de Spencer. Meus pais não estavam em casa, estavam viajando e só voltariam no dia seguinte à tarde. Jason estava trancado em seu quarto, como sempre. Com certeza estava com algum dos amigos estranhos dele. Se drogando. Não me lembro da última vez em que vi Jason sóbrio. Era sempre a mesma coisa, ele sempre se encontrava bêbado ou drogado. Estava sempre agressivo e perturbado. Meus pais raramente ficavam em casa, por isso, não sabiam do ponto lastimável em que seu filho mais velho havia chegado. E claro que não seria eu que os alertaria. Se eles não têm a mínima competência possível para ao menos saber o que se passa com seus filhos, já não era da minha alçada. Não me importo também, se Jason estava estragando sua vida com aquelas porcarias e não estava nem ligando sobre as consequências, por que justo eu iria me preocupar? A única pessoa com quem devo me preocupar – e me preocupo mesmo – sou eu mesma, porque se eu não o fizer, tenho certeza de que ninguém o faz.
Terminei de me arrumar e saí pela porta principal, caminhando pelo jardim da minha propriedade até chegar à dos Hastings, que eram os meus vizinhos. O carro de Melissa, irmã mais velha de Spencer, estava estacionado de mal jeito na rua em frente à sua casa. Bem típico daquela criatura. Então aquilo era um péssimo sinal de que aquela insuportável estava em casa. Melissa e eu nunca nos demos bem, estávamos sempre brigando ou discutindo feio uma com a outra. A Srta. tenho-uma-família-perfeita-e-uma-reputação-a-zelar. Coitada. Se ela ao menos soubesse o que seu pai, Peter Hastings, fez, mudaria de ideia num instante sobre a sua suposta família perfeita. Senti um riso cruel preso em minha garganta. Segurei.
Quando cheguei à casa de Spencer já estavam todas as quatro garotas presentes, apenas me esperando. Aria estava sentada, com as costas recostadas no pequeno e sofisticado sofá do quarto de Spencer, que por sua vez estava ao seu lado na mesma posição em que Aria se encontrava, sentada e com um livro em mãos, diferente de Aria, que estava com seu porco de pelúcia, o qual ela colocara o nome de Pigtúnia. Emily estava deitada de bruços folheando uma revista de natação, enquanto Hanna, também deitada, estava com a cabeça apoiada em suas costas lendo uma revista da Vogue. Sempre desconfiara que Hanna devorasse a Vogue e a Teen Vogue secretamente.
– Ei, Ali. – Spencer chamou minha atenção. – Você não disse que já assistiu a esse filme? – Perguntou curiosa quando já estávamos na sala de estar com mobília Chippendale dos Hastings. – Nós sabemos que você não tem paciência de assistir a um filme duas vezes. – Observou com certo divertimento.
– Mas esse é legal e eu quero assisti-lo outra vez. Posso? – Respondi severa. Ela levantou as mãos em forma de rendimento e deu de ombros. Iríamos assistir a “Mean Girls”, o meu filme favorito. Ficamos em silêncio por alguns longos e desconfortáveis minutos por conta da tensão. Finalmente sorri, aliviando o clima pesaroso.
– Tudo bem. – Exaltei, levantando-me do sofá cinza da sala de estar dos Hastings, quebrando aquele silêncio mórbido que havia se formado. – Não estou mais a fim de assistir TV agora. – Avisei, brincando com uma mecha de cabelo louro meu. Aria suspirou aliviada. Eu tinha me esquecido do detalhe de que Aria odiava esse filme. Mas ela não havia se pronunciado contra quando anunciei que iríamos assisti-lo. Claro que não, o que eu dizia era lei. Elas não ousavam discordar ou se opor a mim.
– O que vamos fazer então? – Questionou Hanna, abaixando a revista para poder me fitar, claramente entediada. Não fazia ideia do que faríamos e aquela noite não estava saindo como eu planejei.
– Tenho uma ideia. – Disse, sentindo um sorriso malicioso brotar em meus lábios. Aria, Hanna e Spencer me encararam esperançosas.
– Diz! – Pediu Aria impaciente.
– Vamos brincar de verdade ou desafio. – Anunciei como se fosse óbvio. Emily finalmente me fitou nos olhos pela primeira vez desde que eu havia chegado. Ela estava quieta, distante e dispersa de tudo ao seu redor. Parecia que não estava ali. Ela estava fisicamente, mas a mente dela parecia que estava em outro lugar, seu semblante estava caído e era notório que algo estava a incomodando. Mas não de forma que as outras pudessem reparar, Emily é boa em guardar certos segredos. Mas o que ela ainda não sabe ou não notou é que o meu passatempo favorito era descobri-los. Meu celular apitou, anunciando uma nova mensagem, puxando-me de volta à realidade. Tirei-o de dentro da bolsa, desbloqueando a tela. Era de um número desconhecido, bloqueado. Estranhei, mas cliquei em ler.
Será que você está perdendo uma de suas seguidoras? Cuidado, Rainha Ali. Abra os olhos e fique bem atenta. Seu reinado está por um fio. –A.
Senti meu coração afundando. Olhei em volta verificando se uma das meninas estava com seus respectivos celulares em mãos, mas não estavam. Todas estavam tagarelando animadamente sobre o novo clipe da Katy Perry. Parei meu olhar em Emily e ela era a única que não estava falando. Seu olhar estava preso no nada e parecia desconfortável e insegura. Voltei a olhar para a tela do celular, li e reli a mensagem várias vezes seguidas. Quem seria essa –A? Aria? Não. Impossível. Ela estava ao meu lado, rindo e conversando sobre banalidades com Spencer e Hanna. E seu celular provavelmente estava em sua bolsa. Deve ser apenas um idiota fazendo uma brincadeira mais idiota ainda.
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