This Must Be Love
2 Everything's Different, Nothing's Changed.
Notas iniciais
A manhã chegou bem depressa. A noite de ontem transcorreu normalmente, as meninas estavam tão animadas que fizemos vários outros jogos durante a madrugada. Eu fui a primeira a acordar. Hanna e Aria dormiam tranquilamente e pareciam que com qualquer barulho poderiam acordar, enquanto Spencer e Emily dormiam como pedras e nenhum barulho seria capaz de acordá-las. O último jogo que jogamos foi verdade ou desafio e, quando fomos dormir, já eram quase três horas da manhã, sendo que tínhamos aula bem cedinho hoje. Por mais que eu tentasse não pensar naquela mensagem, era um tanto quanto inevitável. Aquela não foi a primeira mensagem que recebi, mas foi a mais séria.
Fazia sol, o céu estava de um azul límpido e o ar estava livre de qualquer umidade. O cheiro das flores estava tão nítido que parecia que eu estava lá fora, deitada sobre a grama bem aparada e cuidada do jardim dos Hastings. Eu podia escutar claramente o som dos pássaros cantando alegremente e em sintonia. Bem típico da primavera de Rosewood, minha segunda estação favorita do ano. O cheiro de primavera que exalava foi substituído rapidamente por um delicioso cheiro de café, ovos e bacon.
Com as meninas agora acordadas, descemos todas para tomar o café da manhã que a insuportável da Melissa havia feito. Era incrível como ela conseguia me tirar do sério apenas com aquela pose de: eu-sou-a-filha-exemplo-perfeita-e-responsável-de-toda-Rosewood. E o melhor de tudo é que eu não sou mais a única que anda batendo de frente com ela. Spencer finalmente acordou para a vida e resolveu não deixar mais a “irmã e filha perfeita” ofuscar seu brilho da família.
– Spencer. – Chamou Melissa, trazendo-me de volta para a realidade. – Não se esqueça do jantar de hoje. – Avisou-a, retirando as coisas do café da manhã da mesa. Spencer apenas sorriu fraco assentindo enquanto Melissa saía do nosso campo de visão.
– Que jantar? – Perguntei, dando um longo gole no meu iogurte de morango. Spencer deu de ombros, como se não fosse nada de importante. Por mais que ela tentasse negar, eu sempre soube dessa rivalidade que existe entre Melissa e Spencer, que antes era quase como se fosse algo invisível, mas agora ficava bem claro que Spencer estava fazendo de tudo para conseguir superar sua irmã mais velha e não se preocupava em esconder tal fato.
– É um jantar idiota que Melissa organizou para conhecermos seu novo namorado.
– Se é idiota, por que você vai? – Perguntou Hanna arqueando a sobrancelha. Era bem óbvio por que Spencer iria. Ela meio que não tinha escolha. Uma das regras idiotas da família Hastings. E, até onde eu me recordo, esse estava sendo o primeiro namorado sério de Melissa desde que Ian a largou, três anos atrás.
– Eu tenho que ir. Até parece que você não conhece minha família. – Spencer lamentou. – Esse é o primeiro namorado de Melissa desde Ian. – Disse como se tivesse lido minha mente. Ian era o namorado “perfeito” de Melissa da época em que ela estava no ensino médio. Todas as garotas tinham uma paixonite por ele, inclusive Spencer. Ninguém sabia a não ser eu, mas Spencer havia beijado Ian quando estávamos na sétima série e me implorou para que eu não contasse.
– Será que você vai aprová-lo, Spence? – Perguntei, com um tom ambíguo. Ela me encarou com os olhos arregalados, como se tivesse me mandando fechar a boca mentalmente. Ri. As meninas nos fitaram atônitas, não entendendo o que estava acontecendo.
– Eu não sei, Ali. – Sorriu ameaçadoramente. Estremeci por breves segundos. Spencer não estava afrontando apenas a sua irmã ultimamente, mas também estava me afrontando. Não que ela nunca tivesse feito isso antes, porque sempre estávamos brigando, Spencer insistia em se opor a mim. Mas agora era diferente, era como se ela não precisasse mais de mim. Impossível. Assim como as outras, Spencer não existia sem mim. Eu as fiz. Eu as criei. Elas são minhas e devem suas vidas a mim.
– Mas não são os seus pais que precisam aprová-lo? – Indagou Aria confusa, mexendo em seu anel de prata que estava em seu dedo indicador. Spencer assentiu com a cabeça, dando a entender que isso era óbvio. Claro que esse novo namorado de Melissa tinha que ser bom o suficiente para poder entrar na Super-Família-Hastings.
– E é por isso que Melissa está em Rosewood, para esfregar na nossa cara mais um namorado gostoso. – Concluiu Hanna rapidamente, fazendo todas nós rirmos.
– Pode apostar. – Afirmou Spencer, pegando suas coisas. Hanna, Aria, Emily e eu fizemos o mesmo e nos encaminhamos até a garagem dos Hastings e até o carro de Spencer.
– Vocês vão passar a tarde aqui, certo? – Questionou Spencer levemente esperançosa quando já estávamos no carro. – Eu, honestamente, preciso treinar meu psicológico para hoje à noite. – Suspirou cansada, enquanto tirava o carro da garagem.
– Claro. – Respondi, depressa. – Tenho certeza de que hoje vai ser uma droga pra você. Melissa com certeza vai tentar ofuscar seu brilho, Spence. – Afirmei solidária.
– O que você tem, Em? – Perguntou Hanna visivelmente preocupada. – Você está tão quieta. Não escutei sua voz hoje. – Analisou-a atenta. Olhei-a por sobre o banco do passageiro, enquanto Spencer apenas deu uma leve olhadela pelo espelho retrovisor, mas logo voltando sua atenção exclusivamente para a estrada. Aria não se deu o trabalho de olhar, pois estava pensativa demais.
– Nada. Eu só estou com um pouco de dor de cabeça. – Mentiu. Eu conhecia minhas meninas tão bem. Sabia quando estavam mentindo e quando não estavam. Lancei um olhar desconfiado em sua direção, esperando alguma reação suspeita de sua parte. Mas nada. Emily continuou com a mesma expressão de ontem à noite. Dispersa, distante e pensativa. Eu podia estar enganada, mas Aria também estava escondendo alguma coisa, porém eu ainda não fazia ideia do que se tratava o segredo que estavam tentando manter em oculto. Algo de muito errado estava acontecendo e eu iria descobrir, afinal, eu sou Alison DiLaurentis, nada passa despercebido por mim por muito tempo. Eu sou ótima em descobrir segredos. E, depois do último verão que passamos separadas, todas vieram tão mudadas. Era como se tivessem crescido e amadurecido muito além do necessário. Hanna estava tão confiante, bonita, magra e estilosa. Ela havia se tornado tudo o que eu a treinei para ser. Aria voltara da Europa não muito diferente, tirando o cabelo, que antes tinham mechas rosas e vestia-se exageradamente como uma gótica. Hoje estava mais segura do que queria e parecia ter deixado as esquisitices de lado. Spencer continua a mesma intelectual e competitiva de sempre, mas incrivelmente mais esperta e muito observadora. E tinha Emily. Emily parecia ser a única que não havia mudado em nada. Parecia que ela estava muito mais confusa e conflituosa do que antes. A mesma garota doce, frágil e certinha desde a sétima série.
– Ali. – Chamou Emily, tirando-me de meus pensamentos. Olhei ao redor um pouco assustada, percebendo que já estávamos na escola.
– Sim, Em. – Sorri ao notar sua visível preocupação em seu semblante.
– Você está bem? – Perguntou aflita. Emily sempre fora tão cuidadosa e zelosa comigo. Eu não entendia muito bem, mas eu sentia que o meu coração às vezes batia um pouco fora do normal. Deveria ser de alegria por ter alguém que realmente se importava comigo muito além da minha imagem e da minha popularidade.
– Claro. – Respondi um pouco rápido demais. Em estava do lado de fora do carro, com a porta do lado do motorista aberta, apenas me olhando com atenção. – Sente-se aqui. Pedi gentilmente, dando leves tapinhas com a mão no banco do motorista do carro de Spence. Em obedeceu sem protestar. As outras meninas estavam conversando nos degraus da escada de Rosewood Day, nos esperando. Peguei meu Iphone da bolsa e digitei rapidamente uma mensagem para Hanna dizendo que entrassem na frente, porque ainda íamos demorar um pouco. Quando voltei minha atenção para Em, ela estava me observando atenta e com expressão de quem não estava entendendo nada. Sorri aliviando um pouco da tensão.
– Ali, o que foi? – Questionou inclinando-se em minha direção.
– Eu é que te pergunto, Em. – Digo um pouco zangada. – O que está acontecendo com você? – Perguntei autoritária. Senti que seu corpo ficou rígido e seus músculos contraíram.
– Eu... Eu sinceramente não sei. – Disse quase num sussurro. Pude sentir certo desespero em seu tom de voz e realmente fiquei preocupada. Alguma coisa estava acontecendo. Alguma coisa estava a incomodando e eu não sabia o que fazer. Nunca vi Emily tão perdida como estava ultimamente.
– Tem alguma coisa te incomodando, Em? – Pausei. – Ou alguém? Pode me dizer, eu resolvo isso num instante, querida. – Garanti. Em negou com a cabeça, logo sorrindo envergonhada.
– Não se preocupe, é besteira. – Sorriu fraco.
– Emily, eu sei que você está me escondendo alguma coisa. – Avisei, arqueando a sobrancelha. – E você sabe que eu vou descobrir. – Disse, pronunciando cada palavra pausadamente com uma voz rouca. Emily me encarou um pouco aflita e receosa. Ela queria me dizer o que estava acontecendo, mas parecia que algo a estava impedindo. Sustentei seu olhar desesperado por alguns segundos, como se eu estivesse enviando confiança e compreensão com o olhar. Seu celular apitou dentro da bolsa, fazendo um som abafado. Ela pegou a bolsa que estava em seu colo e abriu, procurando pelo celular. Observei-a retirar o seu Iphone da bolsa e desbloquear a tela, com certeza era uma nova mensagem. Seu rosto empalideceu e seu queixo caiu, como se o conteúdo contido na mensagem fosse algo não muito comum e nada bom.
– O que foi? – Questionei aflita. Mas ela não disse nada, apenas ficou encarando o seu celular, como se ainda tivesse processando a mensagem. – Emily! – Gritei ansiosa.
– Não é nada. Deve ser engano. – Mentiu.
– Me dá aqui o seu celular. – Pedi, estendendo a mão. – Se não é nada, me deixe ver.
– Ali, deve ser algum engraçadinho que não tem o que fazer. Não queira ler. – Avisou. Agora sim eu queria ler. Deve ser um engraçadinho que não tem o que fazer. Não queira ler. Essa frase pairou sobre minha mente. Puxei o celular de sua mão e joguei os comandos para ir direto para a caixa de mensagens. Cliquei em ler na mais recente, que era de um número desconhecido, bloqueado.
Não se preocupe, Em. Alison tem mais segredos do que você possa imaginar. Não fique com medo de que ela descubra o seu, se é que ela já não sabe, mas se isso acontecer, eu prometo que te conto um dela. xoxo –A.
Mas o que diabos era aquilo? Em também recebe mensagens dessa –A? E como ela iria revelar um segredo meu? Impossível. Ninguém sabe nada sobre mim. Ninguém sabe nada além do que eu quero que saibam ao meu respeito. Isso só poderia ser uma piada de muito mau gosto.
– Desde quando você recebe esses tipos de mensagens? – Perguntei atônita.
– Desde a semana passada. – Respondeu incerta. – Mas deve ser só um engraçadinho querendo pregar uma peça. – Disse desacreditada de que poderia ser isso mesmo.
– Você realmente acredita nisso? – Questionei um pouco receosa. Em desviou o olhar. Seus olhos estavam ligeiramente lacrimejados.
– Eu espero que seja isso. – Sussurrou com a voz tremula.
Alison tem mais segredos do que você possa imagina. Alison tem mais segredos do que você possa imaginar. Alison tem mais segredos do que você possa imaginar. Alison tem mais segredos do que você possa imaginar. Alison tem mais segredos do você possa imaginar. Alison tem mais segredos do que você possa imaginar.
– Alison? – Chamou Em. – Ali, Você está me escutando? – Levanto a cabeça e vejo Emily me encarando ligeiramente impaciente. Só depois de piscar várias vezes eu me lembro de que já estávamos na sala de aula.
– Desculpe, o quê? – Pergunto, me endireitando na cadeira. Aquela mensagem ecoando em minha mente, várias e várias vezes seguidas. Aquilo era surreal, como alguém poderia saber sobre qualquer segredo meu? Estávamos sentadas todas juntas. Aria estava sentada ao lado de Emily, Hanna ao lado de Spencer e eu no meio de Han e Em. Minha cabeça estava girando, eu não conseguia parar de pensar sobre aquela mensagem.
– Aquela mensagem. – Lembrou-me. – Você queria saber o que estava me incomodando, não é? Então, agora você já sabe. O que vamos fazer agora, Ali? – Sussurrou, inclinando-se em minha direção.
– Acalme-se, Em. – Pedi com delicadeza. Olhei em volta para ver se alguém prestava atenção na nossa conversa, mas estavam todos tagarelando sobre banalidades. Parei os olhos em Hanna, que estava prestando total atenção em Aria, que falava e gesticulava animadamente sobre o cara que conheceu num bar.
– Não é você que está fazendo isso não, né? – Perguntou com receio.
– Claro que não! Você realmente pensou isso? – Digo indignada. Peguei meu celular de dentro da bolsa, desbloqueando a tela e indo direto à caixa de mensagens.
– Aqui. – Entreguei meu celular a ela. – Veja as mensagens que ando recebendo também. – Emily me fitou um pouco incrédula. Deve ter pensado que apenas ela recebia aquelas mensagens. Ela leu todas as mensagens que havia no celular e sua expressão parecia, de certo modo, aliviada por não ser a única que anda recebendo mensagens de –A.
– Desde quando você recebe? – Indagou ainda fitando o celular.
– Já faz algumas semanas. – Digo, olhando para minha mão. – Mas elas não fazem muito sentindo.
– O que quer dizer? – Em agora me encarava confusa.
– Eu quero dizer que, no início, as mensagens eram sobre coisas bobas e não vinham assinados com um “A”. Na verdade, eu recebi uma que assinava com a letra “A” ontem à noite, quando estávamos na casa de Spence. – Soltei num fôlego só. – E agora as mensagens só vão piorando conforme as semanas passam.
– –A sabe os seus segredos? – Perguntou ligeiramente incrédula. Parei por um segundo. Quem poderia saber tanto sobre mim? –A é a única que sabe mais do que eu permito que saibam. Mas tenho certeza de que ela não sabe tudo sobre mim. Isso é praticamente impossível. Essa –A deve ser apenas um desses perdedores que querem chamar minha atenção.
– Claro que não. – Digo como se fosse transparente. – –A não sabe de nada. Mas deixe-a pensar que sabe. – Emily devolve meu Iphone e abre a boca para falar algo, mas a figura do novo professor entrando na sala e dirigindo-se diretamente para a lousa faz com que ela desista. Olho para o novo professor atenta, ele parece ser bem jovem e, quando ele se vira para se apresentar formalmente, já com o seu nome escrito na lousa, Sr. Fitz, constato que ele é bem bonito também.
– Puta merda. – Diz o Sr. Sexy olhando em direção à Aria, que estava com a cabeça baixa escrevendo algo em seu caderno. Todos na sala a olham curiosos, fazendo-a olhar para frente de imediato. O queixo de Aria caiu e seus olhos arregalaram-se quase automaticamente. Hanna lançou um sorriso malicioso em sua direção, como quem já sabe o que está acontecendo. E eu apenas observo tudo com o mínimo de cuidado para não deixar nenhum detalhe sequer passar. O celular de Aria apitou, chamando sua atenção para a bolsa que estava pendurando na cadeira. Ela retirou o celular da bolsa, pude ver que tinha uma nova mensagem, mas não consegui distinguir o que estava escrito quando ela clicou em ler.
– Sou o Sr. Fitz, seu novo professor de inglês. – Apresentou-se um pouco sem jeito. Emily olhava de soslaio para Aria, que ainda não havia lido a mensagem que acabara de receber por não conseguir tirar os olhos do Sr. Sexy. Não a culpo, é tão raro ter um professor tão lindo e bem aperfeiçoado.
– Aria? Você está bem? – Questionou Emily, percebendo a palidez que o rosto de Aria tomou quando leu a mensagem. Aquilo não significava algo bom. Ela apenas assentiu com a cabeça, ainda um pouco perturbada.
O sinal anunciando o fim da aula de inglês tocou. Hanna e Spencer tinham aula de Economia e já deveriam estar na sala, enquanto Emily e eu tínhamos aula de Biologia. Aria havia sumido depois que o sinal tocou e não a vi em lugar nenhum. Aquilo estava muito estranho.
– Vamos mesmo para casa de Spencer hoje? – Emily perguntou desanimada, enquanto pegava seus livros no armário.
– Claro. – Digo, com um sorriso lascivo. – Precisamos de um pouco de diversão. – Ela me fita curiosa e ri um pouco envergonhada. Na verdade, preciso descobrir quem é essa vadia, que está tentando tirar meu sono. Mas, quando eu descobrir, tenho até dó desse triste ser humano. Seja quem for que esteja me tirando a paz, eu vou mostrar que não se deve brincar com Alison DiLaurentis.
– Ah, quando eu descobrir quem é a vadia que está me mandando esses recadinhos estúpidos. – Resmunguei baixinho, escorando-me no armário. Tínhamos aula de Biologia nesse exato momento, mas eu não estava com nenhum pingo de vontade de ir para a sala de aula. O corredor já estava vazio e o silêncio era assustador. Escutei passos firmes e pesados se aproximando rapidamente. Quando levanto um pouco a cabeça para olhar por sobre o ombro de Em – que ainda estava revirando seu armário à procura de alguma coisa que não entendi o que era ao certo –, avisto Aria vindo em nossa direção com uma expressão de fúria em seu semblante.
– Aquilo não teve graça, Alison! – Disparou, chegando perto demais do meu rosto. Pude ver Emily pulando com o susto que levou quando Aria socou a porta do armário. – Você não tem o direito de ficar invadindo minha vida desse jeito! Até quando você vai jogar na minha cara o que aconteceu? Chega de ficar me intimidando! Antes eu não fazia nada, eu apenas ouvia as suas piadinhas de péssimo gosto e ficava quieta, mas eu não permito mais que você fique jogando essas indiretinhas baixas. – Esbravejou. Recuei um pouco assustada e surpresa. Aria estava transtornada, me acusando de algo que eu não fazia ideia do que era. Emily nos encarava confusa, não entendendo a situação.
– Aria, acalme-se. – Pediu ela docemente. – Do que você está acusando a Ali? Deveria escutá-la primeiro antes acusá-la desse jeito. – Advertiu Emily protetoramente. Senti vontade de sorrir com aquele gesto. Mas não o fiz, Aria estava me acusando de algo que provavelmente eu não havia feito e isso não estava certo. Aria estava tão colérica que não deu atenção ao que Emily falara.
– Do que diabos você está falando? – Gritei para ela, que se afastou imediatamente de mim.
– Não se faça de idiota, Alison. – Cuspiu as palavras amargamente. – Ambas sabemos do que eu estou falando, então, poupe-me desse joguinho. – Pediu com os olhos ameaçando derramar as lágrimas que estava a caminho.
– Quem você pensa que é para falar desse jeito comigo? Você perdeu a noção? – Perguntei, não querendo uma resposta. – Eu não faço ideia do que você está falando, portanto, seja mais clara! – Aria trouxe sua bolsa para perto de seu peito para que ela pudesse pegar algo, vi que era seu celular quando ela o tirou da bolsa. Ela desbloqueou a tela, acessando os comandos para ir direto às mensagens, para logo em seguida me entregar o celular com a mensagem aberta, com o mesmo número desconhecido de mais cedo.
Talvez ele fique com alunas. Vários professores fazem isso. Pergunte ao seu pai. –A.
Engoli em seco. Aquela era a mensagem que eu não havia conseguido ler na aula de inglês. A mensagem que claramente deixou-a perturbada. A mensagem que era o motivo de seu aparente transtorno. Aria achava que fui eu quem lhe tinha enviado, por isso estava tão fora de si. Meus músculos se enrijeceram e parecia que tinha um buraco enorme em meu estômago. Pude sentir Emily impaciente querendo saber o que estava acontecendo. Aquele dia estava me saindo do controle, a realidade me mordendo ruidosamente. A realidade batendo na porta. –A não estava tentando atingir somente a mim. Ela queria atingir a todos que estavam ao meu redor, inclusive minhas meninas. E isso não estava certo.
Fale com o autor