This Must Be Love

3 Somewhere A Clock Is Ticking.


Notas iniciais
Desculpem a demora para postar, tive muitos trabalhos e não consegui escrever. E resolvi dar uma reformulada na fic. Aqui vai Emison para vocês. Enfim, espero que gostem. Boa leitura. (:

Alguns dizem que devemos manter nossos inimigos o mais perto possível. Mas, e quando você não fizer a mínima ideia de quem são eles? É estranho pensar na possibilidade de eu, Alison DiLaurentis, ter inimigos. Invejosos querendo ser tão fabulosos e populares quanto eu? Sim! Mas não terroristas – provavelmente ressentidos – querendo me perseguir e atormentar. Não é fácil ser eu, ainda mais tendo que lidar com tanta coisa nesse momento. A escola não está sendo como eu planejei, e é claro, eu continuo sendo a Rainha de Rosewood Day e o que eu falo ainda é lei. Mesmo eu estando ao redor de vários perdedores me bajulando, – aqueles mesmos puxa-sacos de sempre – o que antes eu verdadeiramente apreciava, e, de certa forma, ainda aprecio. Mas, agora, saber que possivelmente um daqueles bajuladores hipócritas pode muito bem ser –A acaba com qualquer vestígio de animação em ser idolatrada.

Aria ainda não se convenceu de que não fui eu quem lhe enviou aquela droga de mensagem. Eu ainda perdi meu precioso e disputado tempo tentando convencê-la de que tinha alguém tentando mexer conosco. Emily e Hanna tentara dialogar com ela, mas Aria não estava nada sociável. Pelo que pude entender, a única que estava se comunicando com ela era Spencer, porque Aria queria ficar um pouco sozinha para refletir. Quanta babaquice e melodrama só por causa de uma mensagem estúpida. E daí que mais alguém sabia da pulada de cerca que seu pai, Byron, havia dado? Isso não significava o fim do mundo. O erro foi do pai dela, ela não tinha que ficar se torturando por erros alheios. Talvez isso até a ajude a contar para a mãe dela sobre a traição por parte de seu pai. Porque já faz três anos que ela sabe sobre isso e tenho certeza de que, quando Ella, mãe de Aria, souber, não vai ficar nenhum pouquinho contente de saber que a sua própria filha guardou um segredo tão, mas tão obscuro de seu pai por tanto tempo. Esse é o grande problema de Aria, sempre tentando consertar situações que não são de sua alçada, e manter coisas que não deveria ser ela a tentar mantê-las, mas sim os mais interessados. Mas, em todo caso, a mais interessada nessa história, ao meu ver, seria a própria Aria. Por essas e outras, ela sempre sai machucada.

Eu estava jogada em minha cama tentando escrever algo decente em meu diário. Eu me acostumei a anotar tudo o que julgava ser bom o suficiente para, no futuro, ser lembrado com exatidão. Meu Iphone, que estava em cima da escrivaninha, vibrou sobre o móvel, fazendo meu coração saltar por alguns segundos. Fechei os olhos e afundei meu rosto na almofada violentamente, rezando para que não fosse quem eu estava pensando que era. Arrastei-me lentamente pela cama até onde meu celular estava. Na tela, avisava que havia duas novas mensagens. Cliquei em ler, ainda receosa.

Ali, a que horas você vai vir para nos arrumarmos? As meninas virão às sete. XX – Spencer.

Eu havia me esquecido que tinha combinado de me arrumar na casa de Spencer para a festa de Noel Kahn, que seria essa noite. Olhei para o pequeno relógio de porcelana que havia ganhado de minha avó na penúltima vez que fui visitá-la na Geórgia, e nele marcavam cinco horas em ponto. Voltei à atenção para o celular, logo pressionando o dedo em responder.

Tudo bem. Chegarei às sete. XX – Ali.

Assim que respondi, coloquei no modo silencioso e joguei o celular de volta na escrivaninha, o que fez um barulho irritante. Ainda tinha uma mensagem não lida. Só podia ser Aria pedindo perdão por ser tão dramática e cansativa. Mas eu não estava nenhum pouco afim de respondê-la agora. Escondi meu diário em um dos meus esconderijos, porque ninguém podia lê-lo. Naquele pequeno caderno cor de rosa contém segredos de muitas pessoas que apenas eu tenho conhecimento, inclusive o terrível segredo dos meus pais. Eu tenho mestrado e doutorado em descobrir segredos alheios. Escutei um estrondo de porta batendo com força e dei um pulo. Jason acabara de chegar e, provavelmente, brigou com meu pai. Antes, eu não entendia o porquê de meu irmão e meu pai brigarem e discutirem tanto. Eu pensava que eles brigavam porque se pareciam muito e tinham opiniões diferentes e, em partes, eu estava certa, meu pai e Jason tem quase a mesma personalidade e vivem entrando em contenda por causa disso. Mas Jason ainda não sabe do terrível segredo que meus pais escondem dele e supostamente de mim. Ele apenas desconfia que tenha algo errado e que nossa família esconde algo muito grande. Mas, ao contrário dele, eu sabia o que havia de errado. Eu sou impossível e imbatível, por isso, –A não tem chances contra mim.

A campainha, no andar de baixo, soou tão alto que chegou a fazer um eco horrível em meu ouvido. Olhei rapidamente para o meu relógio, que estava ao meu lado esquerdo. Ainda tinha mais de uma hora para tomar banho e arrumar as coisas para ir à casa de Spencer. A campainha tocou novamente, fazendo eu me irritar e levantar para atender. Saí do meu quarto e passei pela porta do quarto de Jason que, como sempre, estava trancada e o som ligado no último volume. Dei um chute na porta, gritando para que ele diminuísse a altura da música, mas ele me ignorou.

Imbecil. – Resmunguei para a porta que continuava trancada. A campainha tocou novamente, corri escada abaixo murmurando ofensas para quem quer que fosse que estivesse me incomodando a essa hora.

Ali. – Disse a voz conhecida, com certa animação. – Você está bem? – Emily rapidamente mudou sua expressão ao ver meu rosto vermelho de cólera.

Estou. – Digo. – É só o imbecil do meu irmão que é desprovido de semancol. – Concluo olhando para o andar superior, visivelmente irritada. Ela me encara um pouco confusa e incerta. Parecia que queria me dizer alguma coisa, mas estava tentando se decidir se falava ou não. Inclinei a cabeça para o lado, apertando os olhos e lançando um olhar desconfiado em sua direção. Olhei-a de cima abaixo; ela usava uma blusa xadrez preta comprida, que cobria quase todo o seu short jeans escuro e um All Star. Emily continuava na porta em silêncio, ainda indecisa e tensa.

Vem. – Dei um passo para frente e peguei sua mão, puxando-a para dentro e fechando a porta atrás de mim.

Vocês brigaram? – Questionou, enquanto subíamos as escadas. Percebi que o som havia sido desligado e a casa inteira estava em um silêncio mórbido. Dava até para escutar a respiração entrecortada de Emily ao meu lado. Jason estava aprontando alguma coisa.

Não. – Respondi distraída, observando a porta trancada de Jason ao meu lado. – Faz muito tempo que não lhe dirijo a palavra. Espera um minuto, Em. – Pedi. – Me espera no meu quarto. Eu já volto. – Garanti enquanto virava-me bruscamente para descer às escadas novamente. Caminhei para o porão, que ficava abaixo do escritório do meu pai. Lá ficavam todos os nossos brinquedos de quando éramos crianças. Tinha muitas coisas que eu dizia não poder viver sem quando era criança, hoje vejo como eu era tola. Me distraí com algumas bonecas que estavam espalhadas, fazendo-me perder o foco por breves segundos. Havia muitos carrinhos e bonecos de personagens de desenhos idiotas que o meu irmão adorava quando era pequeno num canto mais afastado do porão. Ele era obcecado por esses bonecos estúpidos e ficava uma fera quando eu os pegava para serem maridos das minhas bonecas, mandando eu nunca mais chegar perto de suas coisas novamente. Fiquei, deveras, impressionada com a organização e asseio em que o porão se encontrava. A maior parte das coisas que havia aqui era tudo de quando éramos crianças, coisas que sempre gostamos e que nunca tivemos coragem de jogá-las fora, mas tinha coisas recentes também. E era uma dessas coisas que eu estava procurando. Olhei ao redor procurando por uma pequena caixa preta aveludada e desgastada. Parei meu olhar no mesmo canto onde estavam os carrinhos e bonecos de Jason, que, ao lado, tinha um enorme pano branco escondendo algo. Aproximei-me devagar, retirando o pano e jogando-o em cima de alguma coisa pontuda que não prestei atenção no que poderia ser.

Achei. – Murmurei, deixando escapar um sorriso vitorioso. A caixa preta que eu vi Jason segurando algumas semanas atrás e escondendo-a no porão, onde ninguém mexeria. Até agora. Eu sabia que ele estava aprontando alguma coisa. Tateei a superfície da caixa procurando por onde eu devo abri-la. Mas nada. Não tinha nenhum vestígio de abertura na superfície. Passei os dedos levemente por debaixo da pequena caixa procurando por um fundo falso, logo encontrando. Abri devagar, tentando não fazer nenhum ruído e, quando eu consegui abrir, notei que, apesar de o exterior da caixa ser pequena, interiormente era bem espaçosa. E dentro dela havia uma boa quantidade de fitas aparentemente usadas e algumas ainda novinhas em folha, alguns binóculos para espionar as pessoas em longa distância e uma câmera que não parecia ser nada amadora. Para que diabos ele usa tudo isso? De repente me veio uma memória. Uma memória bem recente e muito clara.

Já ouviu falar em bater na porta? – Perguntei, fechando meu diário quase como por ímpeto quando Jason praticamente invadiu meu quarto sem nem ao menos pedir licença. Eu estava de lado me confessando para o meu diário, de frente para a porta.

Se quer me manter longe, coloque uma tranca. – Avisou irônico, olhando ao redor do meu quarto.

O que você e seus amigos fazem com a porta trancada? – Indaguei, com a cabeça inclinada para trás.

Quer mesmo saber? – Assenti com cabeça. – Me dê vinte pratas. Comprarei a cerveja essa noite. – Pediu em troca, estendendo a mão.

Vinte pratas por um segredo? Você é tão barato. – Digo fingindo desapontamento enquanto pegava minha carteira e retirava uma nota de vinte dólares da mesma.

Estamos fazendo um filme. – Desembuchou quando entreguei o dinheiro em sua mão.

Que tipo de filme?

Se eu te dissesse, teria que te matar. – Ri.

Será que nessas fitas tem o tal filme que Jason me contou que estava fazendo? Peguei algumas e as escondi dentro de meu moletom curto. Aquela lembrança estava tão fresca em minha mente. Aquele fora o dia em que comecei a receber recadinhos estranhos, mas sem assinatura nenhuma. “É a minha vez de torturar você.” Dizia o primeiro bilhetinho, que estava preso em um boneco de vodu. Escutei um barulho vindo do andar de cima, seguido de vozes. Tratei de colocar a caixa onde estava e deixar tudo exatamente como encontrei para ninguém desconfiar que algo fora remexido. Saí do porão, tomando o cuidado de fechar a porta sem fazer nenhum barulho. Subi às pressas e, quando estava prestes a entrar em meu quarto, vejo que a porta do quarto de Jason, que sempre fica trancada, está entreaberta e reparo que Emily não está me esperando no quarto como eu havia recomendado. Caminho em direção à porta em passos leves e sorrateiros e espio pela brechinha que havia. Jason estava sem camisa e de bermudas. Ele mostrava alguma coisa para Em enquanto ela sorria animadamente. Não consegui distinguir o que era. Ele se moveu um pouco para a direita e pude ver que ele segurava uma câmera, quase igual a que tinha dentro da caixa que encontrei no porão, em uma das mãos, enquanto a outra estava repousando safadamente sobre a coxa de Emily. Jason estava flertando com Em e ela não estava percebendo! Que absurdo! Senti meu rosto ficar vermelho de raiva e fechei os olhos tentando respirar pausadamente. Quando os abri, pude ver ele se aproximando dela, fingindo ensinar como se usa a câmera, parando seu rosto a poucos centímetros de seu rosto. Emily olhava fixamente para a câmera que estava na mão de Jason e, quando levantou seu rosto, me pareceu que estava assustada e ao mesmo tempo surpresa com a proximidade repentina de meu irmão, mas sorriu timidamente para o ato.

O que você está fazendo? – Pude ouvir Emily perguntar com a voz trêmula. Jason se inclinou um pouco mais em sua direção, deixando a câmera de lado.

Você é uma gata, sabia? – Sussurrou ele, acabando com a distância que existia entre seus lábios. Ele não podia estar realmente fazendo isso. Como ele se atreve? Vi Jason empurrando Emily contra o armário e passar a mão levemente por sua cintura e descendo até um pouco abaixo do quadril. Ela colocou sua mão esquerda um pouco receosa no pescoço dele. Aquela cena estava me causando repulsa. Como Emily ousa corresponder às investidas do meu irmão?

O que você pensa que está fazendo? – Empurrei a porta com força, fazendo-a bater contra a parede. Emily se separou de Jason no mesmo instante, assustada.

A-Ali. – Emily parecia surpresa. – Eu ia...

Emily, me espera no quarto. – Ordenei severa sem deixá-la terminar com os olhos fixos em Jason. Esperei até que ela obedecesse e, quando ela o fez, olhei bem nos olhos dele e disse:

Eu não quero você perto de nem uma das garotas. Fui clara? – Disse cada palavra pausadamente para que não houvesse nenhum vestígio de erro de interpretação. Ele me encarou incisivo e depois soltou uma risada sarcástica, o que me deixou mais irritada.

Qual é! – Silvou ele. – O que espera que eu faça quando você traz a amiga mais gostosa que tem aqui em casa? – Ele me fitava com o olhar perverso. Não acredito que ele teve coragem de me dizer isso.

Apenas me teste, Jason. Você sabe muito bem do que eu sou capaz. – Ameacei, cerrando os punhos. Não podia deixar nenhuma das meninas perto dele. Jason não estava confiável ultimamente. Vivia drogado e bêbado. Ele podia muito bem acabar machucando uma delas e não estava nos meus planos perder nenhuma nessa altura do campeonato.

Olha, que tal você ir dar uma volta e nos deixar sozinhos por uma horinha? – Sugeriu com ambíguo.

Ficou louco? – Ri sarcástica. – Emily não é para o seu bico, portanto, mantenha suas patinhas imundas longe dela.

Quebra essa, irmãzinha. – Pediu, fazendo biquinho.

Você está avisado. – Digo, ignorando sua total falta de noção e me virando para sair, mas logo parando no meio do caminho. – Quando você voltar a ser confiável e parar de se drogar constantemente, pode até ser que eu deixe você chegar perto de alguma delas um dia. – Dei a possibilidade e virei-me, saindo daquele antro de perdição e bagunça que era o quarto de Jason.

Quando cheguei ao meu quarto, Emily estava sentada na minha cama me esperando como eu havia mandado. Ela parecia estar muito nervosa. Olhei para ela deixando transparecer toda a minha raiva e desapontamento.

Desculpe. – Murmurou sem jeito. Fui até a porta e a tranquei, logo depois indo até onde ela estava. Sentei ao seu lado e a observei por alguns instantes. Por mais que eu tentasse ficar brava com ela, eu não conseguia. Pelo menos não por muito tempo. Emily era doce e inocente demais. – Se Ben sonhar que eu beijei seu irmão, ele vai ficar uma fera. – Falou ela, não parecendo que sua consciência estivesse pesada por conta de seu procedimento. Ben. Até parece que Ben não havia feito coisa pior com ela. O garoto é um verdadeiro safado, não pode ver um rabo de saia. Eu não contei para Emily, mas eu o peguei dando em cima de uma garota nova da escola. Aquele imbecil estava cantando aquela perdedora na cara dura. A sorte dele é que ela não havia correspondido à investida dele, senão os dois iam pagar por fazer Em de boba. E eu tenho certeza de que Ben já traiu Emily e eu só não fazia nada porque nunca tinha presenciado, mas meu palpite raramente falha.

Nunca mais chegue perto do Jason novamente. – Exigi séria. – Estamos entendidas? – Perguntei rígida. Emily apenas assentiu, parecendo desconfortável e ressentida com meu tom rigoroso. Sorri docemente para ela, aliviando a tensão. O quarto estava começando a ficar escuro, me permiti desabar sobre a minha cama queen size.

Vocês se parecem. – Emily disse distraída, deixando escapar um sorriso doce.

O quê?

Você e o Jason se parecem muito. Tanto em personalidade como fisicamente. – Explicou gesticulando com a mão. – Ele tem um corpo maravilhoso. – Deixou escapar. Ela cobriu a boca, parecendo não acreditar que tinha dito aquilo. Sorri com malícia.

Então é por isso que você o beijou? – Questionei delicadamente, brincando com uma mexa de cabelo que cobria seu rosto. Emily olhou para o outro lado, terrivelmente envergonhada. – Porque ele se parece comigo? – Pausei. – E você imaginou que fosse eu quem estivesse te beijando? – Aquilo era mais uma afirmação do que uma pergunta, na verdade. Sempre desconfiei que Emily pudesse sentir algo a mais por mim, mas eu só obtive a confirmação quando Emily me beijou na casa da árvore na sétima série. Cheguei mais perto dela, encostando meu joelho em sua coxa nua. Ela ainda permanecia sentada, agora olhando para baixo e brincando com um pedaço de linha solta que havia na bainha do meu short cor-de-rosa comprado em Paris. Em não havia percebido o quão curto ele era até se deparar com minha pele ligeiramente arrepiada.

Ri.

Talvez. – Finalmente respondeu, mas sem levantar o rosto para me encarar. Levei minha mão ao seu rosto, acariciando-o levemente e descendo até o seu queixo, logo o levantando para que ela olhasse para mim. Meu coração estava batendo descompassadamente, sentindo suas batidas por todo o meu corpo. Não entendia por que eu estava tão nervosa. Aproximei o meu rosto do seu, fitando seus olhos. Seu olhar era tão caloroso e cheio de amor. E muito mais do que isso, havia uma admiração nele e uma pontada de esperança. Era como se ela pudesse enxergar muito além das minhas ações e atitudes. Como se pudesse ver minha alma. Nunca ninguém havia me olhado daquela forma. Nem mesmo os meus pais. Desci os meus olhos para os seus lábios, sentindo uma vontade quase que insuportável de beijá-los. Eles estavam tão convidativos...

Talvez? – Perguntei com o meu rosto perto o suficiente do seu para sentir sua respiração pesada e quente. – Não é essa a resposta que eu quero, Em. – Digo com a voz rouca.

Eu amo você. – Confessou, num tom estranho. Era como se ela estivesse admitindo aquilo pela primeira vez. – Era isso o que queria ouvir? – Em afastou-se bruscamente de mim, mas, antes que ela pudesse sair completamente do controle de sedução que eu estava lançando sobre ela, puxei-a para perto de mim. Não sabia exatamente o que eu estava fazendo, mas aquilo era algo que eu esperava e queria ouvir. Ela me encarou confusa, com um olhar suplicante.

O que foi, Em? – Sussurrei em seu ouvido, mordendo seu lóbulo. Coloquei seus cabelos para trás, tirando-os de meu caminho. Rocei o meu lábio inferior sobre a pele quente e macia de seu pescoço, subindo até seu ouvido novamente, puxando sua orelha levemente com os dentes e descendo, enquanto deixava pequenos chupões pelo local e sendo inundada com seu cheiro ébrio. Eu podia sentir seu coração tão acelerado quanto o meu. Passei minha língua em seu pescoço preguiçosamente, retardando o que estava por vir. O que você está fazendo? Pude ouvir uma voz recôndita dentro de mim. Essa não é Alison DiLaurentis. Gritava a voz incoerente. Ignorei.

Ali... – Em gemeu baixinho.

Está tudo bem. – Garanti fitando-a, meu olhar quase tão intenso e lascivo quanto o seu. – Você está comigo agora. – Recostei-me sobre a cabeceira da cama, puxando Emily para cima de mim com certa voracidade. Minhas mãos foram parar em sua cintura, trazendo-a para o mais perto possível de mim. Suas pernas em volta da minha cintura.

O que exatamente você quer de mim? – Perguntou entre gemidos baixos, enquanto meus lábios estavam em seu pescoço chupando seu ponto de pulso.

Em. – Chamei baixinho em seu ouvido, ignorando sua pergunta. – Olhe para mim. – Tentei controlar o tom de voz. Quando ela o fez, pude ver que seus olhos negros estavam dilatados, consumidos pelo tesão. Sorri satisfeita. Levei minha mão até sua nuca, trazendo seu rosto para perto do meu. Mordi seu queixo de leve e, quando ela abriu a boca para deixar escapar um gemido rouco, finalmente a beijei, penetrando minha língua em sua boca. Minhas mãos agiam por conta própria, deslizando sobre seu quadril e coxa. Eu a beijava com tanta ardência e necessidade que parecia que aquilo era um desejo reprimido. E, para minha – surpresa – felicidade, Emily correspondia às minhas investidas com a mesma intensidade; sua mão esquerda movimentando-se preguiçosamente em meus cabelos enquanto a direita brincava com a alça do meu sutiã preto que Aria havia rendado para mim. Como se estivesse se preparando para tirá-lo. O momento estava tão profícuo e o ambiente tão propício; o quarto estava escuro, tendo o único ponto de luz vindo do sol que estava no seu ápice, entrando sorrateiramente pela fresta da janela, atravessando a cortina cor de champanhe, que acompanhava a delicada decoração do meu quarto. Meus dedos deslizaram sob sua blusa, subindo lentamente pela barriga até chegar ao fecho do seu sutiã. Seus olhos se fecharam com volúpia. – Posso? – Sussurrei, chupando seu lábio inferior enquanto esperava seu consentimento. Ouço seus gemidos abafados quando sugo sua língua e pressiono meu joelho entre suas pernas quase ao mesmo tempo. Interpretando-os como um sim, solto o fecho de seu sutiã, fazendo com que cada movimento fosse o mais perfeito e gracioso, sem parar o beijo em momento algum. Retirei seu sutiã, jogando-o de lado. Seus lábios suaves e macios foram de encontro ao meu pescoço, descendo perigosamente até minha clavícula. Eu estava a ponto de desatinar de vez, algo dentro de mim avisava que eu precisava estar em outro lugar, mas não era como se eu quisesse estar em outro lugar senão onde eu estava. Você sabe onde tem que estar, não é mesmo? – Questionava meu subconsciente de modo arteiro e despreocupado.

Eu estou exatamente onde eu preciso estar. – Murmurei em resposta. Emily me fitou confusa, deixando um “o quê?” escapar de seus lábios inchados. Dei de ombros, voltando a tomar seus lábios com urgência. Minha mão esquerda correu para suas costas, pressionando seu corpo contra o meu enquanto a direita subia lentamente pela sua barriga, pairando sobre seu seio rijo e apertando-o levemente por cima da blusa, fazendo-a gemer baixo e suplicante. Levei minhas mãos até sua blusa, passando a desatar cada botão cuidadosamente, tentando não deixar claro a minha urgência em ver Emily livre dela. Sua língua invadia minha boca, dançando juntamente com a minha em perfeita sintonia, enquanto eu forçava os botões a abrirem. Parei o beijo levemente irritada, percebendo minha vergonhosa derrota. Alison DiLaurentis perdendo para simples e meros botões? Decadente. Zombava a mesma voz irritante de alguns minutos atrás.

Precisa de ajuda? – Provocou Emily num sussurro articulado em meu ouvido, deslizando sua língua manhosamente sob minha clavícula, pescoço e orelha, fazendo meu ventre pulsar descontroladamente. Olhei para o seu busto, lamentando internamente a quantidade de botões que ainda restavam para desabotoar. Fitei-a nos olhos, puxando seu lábio inferior com os dentes, levando ambas as mãos para cada lado da gola de sua blusa e rasgando-a no momento em que tomei seus lábios novamente. Ela se afastou, desacreditando que eu realmente havia feito aquilo. Dei um sorriso vitorioso em troca, descendo meus olhos para seu torso, sorrindo amplamente para a visão. Emily possuía um corpo tênue – o quarto já estava totalmente escuro, mas, mesmo assim, eu conseguia enxergá-lo com clareza. Joguei o que sobrou do tecido para o outro lado do quarto, aquele empecilho claramente não tinha mais utilidade. Assim que o fiz, deslizei minha mão sob a pele nua do seu seio, sentindo e apreciando sua textura, mas sem tirar meus olhos de seu busto. Emily puxou meu rosto para si, forçando gentilmente um contato visual, roçando seus lábios levemente nos meus, retirando minha camiseta e a lançando para o chão frio antes de finalmente começar um beijo quente e erótico. Sua boca brincava com minha língua de uma forma tão envolvente e lasciva. Eu estava gostando de como tudo estava transcorrendo: devagar, desacelerado e suave. Não havia pressa. Havia desejo, muito desejo, mas sem pressa. Minha mão vagava sob sua coxa interna, prevendo o momento certo para retirar seu short. Vi meus planos ruírem-se quando ouço um som abafado e familiar. Em afastou-se de mim mais que depressa, procurando a origem do som. Estava na sua bolsa, mas não queria lhe avisar. Eu queria continuar o que estávamos fazendo.

É o meu celular. – Ela reconheceu. Bufei irritada.

Quem é o infeliz que ousa interromper Alison DiLaurentis em um momento tão profícuo?! – Indignei-me. Em deu uma risadinha gostosa, que me fez beijá-la novamente, intensificando-o rapidamente na esperança de ela esquecer a droga do celular e se concentrar apenas em mim. E no que estávamos prestes a fazer.

Ali, pode ser importante. – Advertiu, afastando seus lábios dos meus.

Mais importante do que estamos fazendo? – Questionei depositando chupões em seu pescoço e descendo perigosamente com um caminho certo até ela puxar meu rosto para muito próximo do seu e sussurrar um “Será rápido. Prometo.” e sair de cima de mim. Quando ela o fez, percebi que a temperatura estava baixa e senti frio.

Droga! – Exclamou ela. Olhei para a escuridão procurando pela figura magra de Em, mas sem sucesso. Não conseguia enxergar nada.

O que foi? – Perguntei impaciente. Mas ela não me respondeu, apenas caminhou até a cama, se jogando ao meu lado e me entregando seu celular com a mensagem aberta.

Emily, onde você está? Por que não apareceu para se trocar para a festa do Noel? Ali também não apareceu. Estamos indo para a casa dela, nos encontre lá. – Hanna.

– A festa. Droga! Eu esqueci completamente. – Suspirei indignada. Como eu consegui esquecer a festa de Noel Kahn? Peguei meu celular, que estava sobre a escrivaninha. Deveria ter umas quinze mensagens neuróticas de Spencer. Destravei a tela, confirmando minha teoria, não era o número exato de mensagens que eu havia chutado, mas chegou bem próximo. Havia treze mensagens e dezessete ligações perdidas.

Deus! Que desesperada. – Zombei, mostrando a tela do celular para Emily.

Essa é a Spencer. – Informou rindo. – Às vezes, ela consegue ser pior que a Melissa. – Disse num tom hilariante. Ri. Em estava deitada, ao que parece olhando para o teto com um sorriso sonhador em seu rosto. Deitei com um cuidado exagerado sobre ela, beijando seus lábios docemente. Ela não havia correspondido, fato esse que fez meu coração afundar por breves segundos, até que ela abriu lentamente sua boca, permitindo a passagem da minha língua. O beijo começou calmo, suave e desprovido de pressa. Sua mão, que descansava sobre a cama, veio de encontro à minha nuca enquanto a outra acariciava meu rosto gentilmente. Eu fui aprofundando o beijo aos poucos, elevando meu corpo alguns centímetros do seu, deslizando minha mão sob sua cintura, vagando por sua barriga nua e parando sorrateiramente em seu seio, massageando-o levemente. Em gemeu para o ato, me beijando com muito mais urgência. Suas mãos deslizaram para o fecho do meu sutiã, abrindo-o sem qualquer dificuldade, logo descendo para o cós do meu short, puxando-o para baixo e sendo retirado com sucesso. Emily sentou-se comigo em seu colo sem parar o beijo enquanto retirava meu sutiã. Seus lábios deslizando sob meu pescoço, parando rapidamente para depositar chupões que, provavelmente, deixariam marcas bem visíveis mais tarde.

Eu acho que preciso colocar uma roupa. – Sussurrou ela.

Você acha? Porque eu, honestamente, não acho. – Falei, sugando sua língua deliberadamente.

As garotas daqui a pouco estarão aqui, Ali. – Lembrou-me ela. – Você vai atendê-las desse jeito?

Quem disse que vou atendê-las?

Do que você está falando? Vai deixá-las lá fora esperando? – Riu.

Exatamente isso. – Confirmei, fitando-a nos olhos. Seu olhar havia um brilho irreconhecível e o seu sorriso era tranquilo e suave. Não pude deixar de sorrir com o calor e a intensidade que era olhá-la nos olhos. Mas não era como se eu estivesse apaixonada. Certo? O barulho irritante da campainha tocou e só poderia ser Hanna, Aria e Spencer. Já posso até ver o que Hanna vai falar “Como você esqueceu a festa de Noel Kahn? As festas dos Kahn são as mais esperadas!”. Eu sou Alison DiLaurentis, não preciso de festa de Noel Kahn. E, até porque, vão ter tantas outras ao longo do ano. Não era como se eu precisasse ir numa dessas festas para provar a quão fabulosa e popular eu sou. Emily me fitou como se dissesse “Eu avisei que elas chegariam logo.”. Saí de cima dela, liberando-a para colocar uma roupa e eu fiz o mesmo.

Como assim você não vai? – Perguntou Spencer, espantada, quando já estávamos na sala. Assim que desci para atendê-las, Emily avisou que desceria depois, pois não estava em condições de descer do jeito que estava. Segundo ela, seu estado estava lastimável. Como eu bem previa, Spencer me bombardeou de perguntas do tipo: Por que você não me atendeu ou me respondeu? Você viu minhas ligações e mensagens? O que aconteceu com você hoje? Por que você não foi se arrumar com a gente? Por que você não ligou avisando que não iria?

Não indo. – Respondi como se fosse óbvio. – Não estou com paciência para aguentar gente bêbada e nem gente em cima de mim. – Avisei com desdém, brincando com uma mecha de cabelo meu. Aria estava em pé do lado do sofá e não havia dirigido nenhuma palavra a mim e nem me olhado. Ao que parece, ainda estava chateada comigo por uma coisa que eu não havia feito. Olhei para ela com um sorriso de “Não estou dando a mínima se você quer ou não falar comigo.”.

A Em vai? – Perguntou Hanna, chamando minha atenção.

Não sei, pergunte a ela. – Disse seca. Eu havia dito a elas que Emily estava se trocando porque o idiota do meu irmão havia derramado cerveja nela numa tentativa inútil e desastrada de paquerá-la. Em partes, não era uma mentira.

Emily! – Sibilou Spencer, olhando para a escada enquanto Em descia. Virei-me para olhá-la. Ela estava linda. Seu cabelo estava um pouco úmido, não estava desgrenhado como eu havia deixado poucos minutos atrás, e sua expressão estava serena e suave. Vestia uma camiseta baby look com a estampa de bichinhos que ela havia deixado da última vez que dormiu aqui, usava um short curto com a mesma estampa da blusa. Deveria ser um conjunto. Seu olhar passou por mim e eu sorri para ela, que sorriu gentilmente de volta.

Notas finais
Fiz o capítulo grande para poder recompensar o atraso. O que acharam? Mandem reviews compartilhando suas opiniões. Até o próximo. xx (: