This Must Be Love

4 What Becomes Of The Broken-Hearted.


Notas iniciais
Mais um capítulo e nele vem... Problemas no paraíso. Espero que gostem e boa leitura. :)

O dia em Rosewood havia chegado bem depressa e sorrateiro. Fazia um tempo agradável, as folhas caíam graciosamente dos grandes e velhos carvalhos que havia no jardim da minha casa, fazendo um montinho colorido e alegre sobre a grama bem aparada. E, apesar do sol estar escondido atrás das nuvens, era possível senti-lo nitidamente sobre a pele. Eu havia acordado bem cedinho e me arrumado sem nenhuma pressa para ir à escola. Minha mãe já não estava mais em casa, provavelmente estaria desejando as boas-vindas para a família que se mudou há poucos dias. Eu ainda não os conhecia, mas, com certeza, a filha mais nova do casal, que tem aproximadamente a minha idade, estudará em Rosewood Day. Eu estava terminando de arrumar minhas coisas dentro da bolsa quando minha mãe adentra a sala conversando animadamente com alguém. Era uma voz feminina e jovem – desconhecida. Ignorei. Poderia ser mais uma daquelas mulheres que participam do comitê de boas-vindas de Rosewood do qual minha mãe faz parte.

Emily. – Minha mãe emergiu da sala, vestindo suas calças leggings, sua faixa de seda no cabelo, camiseta rosa da Nike e tênis Puma. Ao seu lado, havia uma menina um pouco menor que eu, cabelos encaracolados e pele morena, sorrindo para mim.

Sim? – Respondi, fechando minha bolsa e colocando-a nos ombros largos que adquiri com a natação. Eu fazia natação desde a sétima série e, quando percebi que meus ombros estavam ficando largos, diminuí o ritmo com que eu estava treinando. Eu realmente pegava pesado com o treino e isso começou a afetar minha saúde, pois eu não estava dormindo e nem comendo corretamente. Mas, por sorte, percebi a tempo a alteração dos meus ombros e a falha que estava ocorrendo na minha saúde, passando a diminuir a carga dos treinos diários.

Essa é Maya, filha do casal St. Germain, os nossos vizinhos que se mudaram para Rosewood. – Apresentou-me, apontando para a garota ao seu lado. – Maya, essa é minha filha, Emily.

Muito prazer. – Sorri, tentando ser gentil. Ela sussurrou um “Igualmente”. Maya parecia ser uma garota diferente. Fitei-a por alguns segundos incisiva, mas logo dei de ombros.

Você já está indo para a escola? – Perguntou minha mãe, me observando pegar as chaves do carro e o meu iPod que eu havia deixado na mesinha de centro da sala.

Já, mas primeiro tenho que passar na casa da Ali para pegá-la. – Expliquei, não conseguindo conter o sorriso ao lembrar-me do que houve entre nós na noite de ontem. Depois que as meninas foram para a festa de Noel Kahn, Ali e eu permanecemos na sala de estar dos DiLaurentis assistindo a um filme qualquer. Eu podia sentir sua respiração calma e suave contra meu peito, seu cheiro de baunilha inebriando meu sistema respiratório. Eram raros os momentos em que Ali se permitia tirar aquela máscara de Eu-Sou-A-Rainha-Malvada-e-Diabólica-De-Rosewood-E-Ninguém-Pode-Comigo que ela usa com quase todo mundo e o tempo todo, mas que, incrivelmente, muito raramente usava comigo. Quando voltei para casa, por volta de uma da manhã, ela me mandara uma mensagem me desejando boa noite. Meu coração parecia querer saltar de dentro do meu peito de tanta felicidade. Eu amava Ali. Sempre a amei. Desde a sétima série, eu nutro um amor por ela que vem crescendo desde então. Não era como se um dia eu pudesse esquecê-la. Eu sentia que Ali era minha alma gêmea, como se apenas eu pudesse entendê-la e vê-la do jeito que ela realmente é. Como se eu fosse a única pessoa que a conhecia de verdade. Sem máscaras. Apenas a Ali que me acalmou quando eu estava desesperada na noite em que, acidentalmente, cegamos Jenna Marshall, há três anos.

Ótimo! – Festejou. – Maya irá com você para que você possa mostrar a escola para ela, tudo bem? – Engoli em seco. Ali com certeza não iria gostar nada disso. Mas não podia dizer não a minha mãe. Eu sempre fiz de tudo para ser a filha obediente e responsável, isso incluía nunca dizer não a minha mãe, por mais que, às vezes, ela merecesse – e muito.

Claro. – Forcei um sorriso. A tal Maya me olhou um pouco sem jeito. – Vamos?

Sua amiga é a Alison DiLaurentis? – Questionou Maya quando já estávamos no carro, quase chegando à casa de Ali. Olhei-a pelo retrovisor, ela estava no banco de trás, com os olhos baixos mexendo em seu Iphone branco, quase igual ao de Ali. Estranhei, mas ri. Era engraçado como todos conheciam Ali, até os novatos.

Você a conhece? – Voltei a atenção para frente, logo fazendo a curva que dava para a rua de Ali, que era tão harmoniosa e calma. Toda vez que vinha para cá, sentia uma espécie de segurança e calmaria.

As pessoas falam dela. – Respondeu com um tom irritantemente sarcástico. – E não são coisas muito agradáveis. – Murmurou, achando que eu não tivesse ouvido.

Normal, sempre tem os invejosos. – Disse rude, diminuindo a velocidade quando passei pela casa de Spencer, que provavelmente já estava na escola a essa hora. Era isso o que te acontecia quando você decidia se filiar a simplesmente todos os clubes possíveis de Rosewood Day. Parei em frente à casa dos DiLaurentis, buzinando. Eu odiava fazer aquilo, achava muita falta de educação e, principalmente, muita falta de noção, mas fazia para Ali saber que eu estava a esperando

Desculpe. Eu não quis... – Ouvi Maya dizer, até ver Ali saindo de sua casa e desligar-me de sua voz. Ela estava linda como sempre e trazia um sorriso tão leve e relaxado em seu rosto. Ali ficava mais linda a cada dia e eu não sabia como isso era possível. Ela usava um vestido verde-oliva e botas pretas de cano alto. Ela tinha uma enorme bolsa roxa pendurada em seu ombro direito. Seu lindo e perfeito sorriso desapareceu quando se aproximou o suficiente, percebendo Maya sentada no banco de trás. Eu sabia que Ali não ia gostar nenhum pouco por ter uma garota que, com certeza aos seus lindos e penetrantes olhos azuis, era uma perdedora, no banco de trás do meu carro.

Oi, Em. – Disse ela docemente ao entrar no carro. Seu mesmo olhar intenso e caloroso continuava inabalável, não alterando em nada. Meu coração fazia uma festa dentro do meu peito, saltando violentamente. – Hanna me ligou hoje de manhã me detalhando a festa de Noel todinha. – Contou ignorando totalmente a presença de Maya. – Ainda bem que não fomos. Sabe Mona Vanderwaal? Aquela perdedora da sétima série, que vivia tentando ser minha amiga e que grudou em mim feito carrapato? – Perguntou, mas sem esperar exatamente por uma resposta. – Então, ela estava lá. E Hanna me disse que Noel ficou com ela. – Falou um pouco chocada e enojada. Pude ver Maya balançando a cabeça negativamente, como se estivesse reprovando a atitude de desdém no relatório de Ali.

Mas hoje ela não é mais considerada uma perdedora. Hanna parece que criou algum tipo de laço com ela. – Informei distraída. Ali revirou os olhos demonstrando desgosto. – Você não se arrepende de não ter ido àquela festa? – Questionei tirando os olhos da estrada e fitando sua reação por alguns segundos. Ela sorriu negando com a cabeça.

Você se arrepende? – Pude sentir seu olhar lascivo sobre mim. Flashbacks da noite passada iam surgindo pela minha mente como um incansável e incessante filme. Ali beijando meus lábios de forma tão doce e provocativa, deslizando sua mão ágil e precisa sobre meu busto; sua voz rouca e delicada sussurrando constantemente em meu ouvido, o suave e perfeito sorriso que se formava em seu semblante quando eu sussurrava palavras doces contra seus lábios macios. A noite de ontem foi, sem sombras de dúvida, muito melhor do que qualquer festa poderia ser.

Com toda certeza que não. – Sorri abertamente, deixando toda minha sinceridade estampada em meu olhar.

Quando já estávamos dentro de Rosewood Day, no estacionamento, foi que me lembrei de que eu tinha que mostrar a escola para Maya, a garota nova que havia se mudado há poucos dias para Rosewood. Ali ficou visivelmente irritada e não tentou disfarçar tal sentimento, lançando um olhar de fúria e desdém para Maya que, para minha surpresa e de Ali, devolveu o olhar com a mesma intensidade. Eu simplesmente não consegui acreditar, ninguém ousava encarar Alison DiLaurentis de mau jeito nem pelas costas, muito menos de forma tão aberta e exposta como Maya havia feito. Ali havia me perguntado se eu tinha carteira assinada como guia turístico. Eu ri. Conforme andávamos, Maya gesticulava com as mãos, me contando um pouco de sua vida. Ela veio da Califórnia juntamente com seus pais e irmão mais velho. Maya, ao que me parece, era uma garota totalmente despreocupada e alegre. Não parecia em nada com uma típica garota de Rosewood. Talvez seja porque ela realmente não era.

No pouco tempo que estou aqui em Rosewood percebi que as pessoas vivem de aparência. – Ela soltou, quebrando o silêncio que havia se instalado. De certo modo, Maya tinha razão, as pessoas em Rosewood vivem de acordo com o que terceiros esperam e não do jeito que realmente os agradam e convém. A minha família, por exemplo, é assim.

Por que acha isso? – Parei, fitando-a. Estávamos na estufa de Rosewood Day, onde folhagens altas e algumas espécies de borboletas floresciam na umidade. Aqui era um bom lugar para ler e almoçar durante o intervalo. Apesar de ser um lugar quente e que cheira à terra. Não havia ninguém por aqui e o silêncio, quando estabelecido, vira algo como um trágico-cômico. No mesmo momento que dá vontade de gargalhar, dá vontade de chorar e sair gritando. Meu estômago estava levemente embrulhado e parecia que havia um bolo em minha garganta.

Geralmente, cidades pequenas são assim. – Respondeu, sentando-se no banco perto de uma trepadeira. – E, sinceramente, isso não convence e nem me cativa. – Confessou.

O que quer dizer? – Me sentei ao seu lado, dobrando os joelhos e ficando de frente para ela. Maya me olhava de um jeito estranho, fazendo eu me sentir... Diferente. Não era como as outras garotas me olhavam, era um tanto peculiar e inquisidor.

Eu quero dizer que as pessoas aqui parecem viver monopolizadas, sabe? – Pausou. – Como se o status, e somente o status, importasse. E não concordo com isso, eu prefiro ser considerada uma perdedora, como sua amiga mesmo disse, a fingir ser algo que não sou para agradar ou ser aceita. – Ela me olhou sugestiva, como se esperasse por minha concordância. De fato, Maya estava certa e, em partes, eu concordava. Por mais que eu tentasse negar, eu vivia de status. Um fato que comprova isso sou eu estar namorando Ben apenas por ele ser popular e jogador de futebol.

Talvez você esteja certa. – Digo, fitando-a. – Talvez realmente não valha a pena fingir ser quem você não é. – Maya sorriu, virando-se e pegando uma rosa da trepadeira.

Tome. – Ela disse, estendendo a rosa em minha direção para que eu a pegasse.

Você não pode colher flores aqui. – Ri.

Eu não me importo. – Insistiu ela. – Quero que você fique com ela. – Dei de ombros e peguei a rosa. O que exatamente aquilo significava? Maya parecia estar... Me cortejando? Não. Ela deveria estar apenas retribuindo a gentileza que fiz em mostrá-la a escola. Somente isso.

Vamos. – Levantei-me do banco. Estiquei um pouco as pernas que estavam formigando, assim como minhas mãos. – Você precisa saber onde fica sua sala. – Ri.

Eu estava acabando de responder o questionário que a Sra. Montgomery havia passado quando o sinal anunciando o almoço tocou. Recolhi os meus livros e saí andando pelo corredor, indo em direção ao meu armário. Eu ainda não havia tido aula com nenhuma das garotas e depois do almoço eu só teria aula com Hanna. Abri meu armário, enfiando os livros tudo de qualquer jeito e fechando-o rapidamente. Até a rosa que Maya havia me dado eu joguei no armário, mas logo mudei de ideia e o abri com cuidado para que nada caísse. Não era certo deixar a rosa dentro de um lugar fechado. Assim que a peguei de volta, caminhei em direção ao refeitório. Senti uma mão fria tocar meu braço e me puxar pela cintura, virando-me bruscamente de encontro ao seu peito.

Oi, princesa. – Disse Ben, pressionando meu corpo contra o seu. Senti o ímpeto de empurrá-lo, mas não o fiz. Forcei um sorriso quando ele me chamou para ir à sua casa hoje à noite. As intenções dele com esse convite estavam subentendidas em seu olhar lascivo.

Hm, talvez. – Digo, tentando não soar desânimo. – Nos vemos depois. – Me liberto de seu abraço e viro-me em direção à mesa que as garotas estão. Aria, Hanna e Ali estão fofocando sobre alguma coisa que não me importei em tentar entender, enquanto Spencer estava folheando freneticamente um jornal até chegar à página que tinha como titulo escrito:
CONHEÇA O VENCEDOR DO ORQUÍDEA DOURADA. Eu não sabia exatamente o que era um Orquídea Dourada, mas eu sabia que Spencer faria qualquer coisa para ganhar um. Para mim, era algum reality show do estilo Big Brother, mas, segundo ela, Orquídea Dourada é o prêmio do ensino médio mais importante do país. Ou alguma coisa assim. Sentei-me em silêncio enquanto cutucava a minha maçã sobre a mesa com a ponta da rosa que ganhei de Maya, empurrando-a para lá e para cá. Por algum motivo meu estômago estava embrulhado e eu não sabia exatamente o que era.

Foi Ben que te deu? – Perguntou Hanna, apontando com o queixo para a rosa que estava em minha mão.

Hm, não. – Digo incisiva. – Foi uma menina que conheci hoje. – Dei de ombros. Passei os olhos pelo corredor procurando por Maya, mas nada. Voltei com meu olhar para frente, cruzando-o com o de Ali que estava me fuzilando com o seu olhar desconfiado.

Qual dessas perdedoras? – Perguntou ela com o tom de voz alterado, olhando ao redor procurando o mesmo que eu há segundos antes.

Por que ela te deu uma rosa? – Perguntou Aria, ignorando o pequeno descontrole repentino de Ali. Ao que parece, Aria ainda acha que Ali foi quem lhe enviou a mensagem, a qual era uma indireta de um segredo quente de Aria.

Não sei. – Olhei para a rosa, tentando entender o motivo de Maya ter dado ela a mim. – Deve ser gratidão, já que eu mostrei a escola para ela hoje.

Sei... – Ali revirou os olhos, torcendo os lábios para o lado. Alison não poderia estar com ciúmes. Poderia? Não era como se eu me interessasse por Maya. Ela era diferente e foi isso que achei bacana. Ela parecia enojada com todas as futilidades de Rosewood. Olhei para Ali que ainda parecia irritada, ela olhava para baixo, mais precisamente para sua salada sobre a mesa. Não parecia que ela pretendia comê-la, ela estava apenas brincando com a colher que cutucava a salada, pensativa. Finalmente, ela levantou os olhos e nossos olhares se encontram de imediato. Ela sorriu ao perceber que eu a estava observando. Seus olhos azul-safira pareciam me hipnotizar com o seu olhar caloroso. Não conseguia conter a explosão de sentimentos que sentia dentro do meu peito. Ali nem se preocupou com a forma que estávamos nos olhando; as garotas, como sempre, estavam alheias à pequena interação que estávamos tendo. Senti algo vibrar em meu bolso, chamando minha atenção. Era o meu celular. Puxei-o do bolso e destravei a tela, que avisava:

1 nova mensagem.

Cliquei em ler.

Cuidado, cuidado! Estou sempre de olho. –A.

Que legal! – Deixei escapar, um pouco alto demais. Ali me fitava curiosa e arrancou o celular da minha mão tão rápido e com uma agilidade que fiquei perplexa. Ela leu a mensagem e seu rosto tomou uma expressão de confusão misturada com aflição. Mas eu não estou com medo, nem ansiosa e nem nada do tipo. Acho que ainda estou entorpecida com tudo o que está acontecendo. O lance entre Ali e eu. Eu sempre desejei e esperei secretamente que Ali enxergasse que me ama da mesma forma que eu a amo. Será que o meu desejo se concretizou? Será que a espera finalmente acabou e ela percebeu que também me ama? Ela me devolveu o celular sem dizer uma palavra. E no mesmo minuto que ela me entregou meu iPhone, ele fez um bipe, avisando que eu tinha uma nova mensagem. Número desconhecido, bloqueado.

Ser ou não ser? Eis a grande questão! Será mesmo que ela te ama? Cuidado, Em. Você sabe como essa brincadeira termina: você com o coração partido e Ali comemorando mais um coração que se partiu. XOXO –A.

Senti alfinetes caindo minuciosamente sobre meu coração. Meus olhos ardiam e minha garganta arranhava. Não seria uma grande surpresa se fosse isso mesmo, afinal, Ali gosta de brincar com as pessoas. Esse parece ser o joguinho favorito dela, assim como era o de –A, que gosta de atormentar nossas vidas, nos ameaçando com frequência. Será que, assim como –A, Ali estava jogando? Guardei meu iPhone no bolso, saindo da mesa com pressa. Pude sentir os olhos de Aria e Hanna queimarem sobre mim, mas não me importei e continuei andando em direção à minha próxima aula. Escutei passos pesados e firmes vindo em minha direção, mas não me incomodei em olhar para verificar de quem se tratava. Empurrei a porta da sala com um punhado de força e entrei, não havia ninguém ainda. Deveria ser porque o sinal anunciando o fim do almoço ainda não havia tocado. No meio do caminho, ouvi o barulho da porta se abrindo novamente e fechando-se logo em seguida. Parei por um instante e olhei para trás. Ali estava a poucos centímetros de mim. Seu corpo quase tocando o meu. Podia sentir seu perfume suave e inebriante misturando-se com o cheiro de bala de iogurte, que era a sua favorita, tão nítido e convidativo. Sua íris, que normalmente estava sempre com um lindo tom de azul-índigo, quase não se via; era apenas uma grande camada escura cobrindo quase toda a cor natural de seus olhos, deixando apenas uma pequena linha circular azul-turquesa ao redor de sua pupila. Aquele era um sinal de que Ali estava tentando controlar suas emoções. Aquela pequena linha azul em volta de sua pupila indicava que ela estava mortificada. Eu sabia disso. Não era como se eu precisasse que ela dissesse com todas as letras. Não era como se ela precisasse ocultar de mim, aquele pequeno momento de emoção. Ela pegou seu celular do bolso, acessando os comandos que levam às mensagens e me entregou em seguida. Como eu previa, era de um número desconhecido, bloqueado.

Querida Ali, não esboço nenhuma lástima pela contenda que foi criada entre você e a pequena Aria. Mas não se alarme antes da hora, logo menos você estará sozinha. XOXO –A.

Li e reli várias e várias vezes. O verdadeiro alvo não somos nós em conjunto, é apenas Alison. –A quer afetar Ali atingindo todos que estão ao seu redor. Mas por quê? Tudo bem que Ali provocava todos que ela cismava em não gostar. Mas isso não parece ser apenas um daqueles que ela despreza e humilha. Não é possível alguém odiar tanto Ali por pouca coisa.

Você conhece –A? – Fui cretina o suficiente para lhe perguntar isso. Claro que ela não conhecia quem estava brincando desse jeito com, por enquanto, nós três: Alison, Aria e eu. Ela balançou a cabeça.

Para afetar você, –A vai atingir toda sua posse. – Murmurei apenas para mim, mas me arrependendo no mesmo instante que concluí a frase. Não queria ter dito aquilo. Ela me fitou com amargura.

No dia em que eu souber quem é a vadia que está fazendo isso, eu juro por tudo o que é mais sagrado, eu vou destruir a vida dela sem hesitar. – Prometeu. Eu nunca havia visto Ali tão amarga e aturdida como ela estava nesse momento. Ela sentou-se sobre a mesa do professor, baixando os olhos para o seu anel de prata que ela usava, rodando-o pelo dedo.

O que lhe garante que não seja ele? – Questionei observando-a retirar e recolocar seu anel do dedo repetidas vezes. – –A poderia ser ele, creio eu.

Não importa. – Parou. – Se for ele ou ela, vai sofrer as consequências do mesmo jeito. – Ela garantiu sem indícios de que estava apenas blefando. Ela desceu da mesa, ficando apenas escorada sobre a mesma. Cheguei muito perto dela, nossas mãos se tocando, logo se entrelaçando. Levei a minha outra mão ao seu queixo, erguendo-o para que ela olhasse para mim. Aproximei o meu rosto do seu e por um segundo inteiro pude ver toda sua fragilidade e ternura estampada em seus olhos, mas logo desapareceu e voltou a ser o mesmo olhar de Rainha do Gelo. Afastei-me mais que depressa, como se eu tivesse levado um choque. Todo o calor que havia em seu olhar tinha se esvaído. Fui tomada por um sentimento indescritível, o qual me fez perder o foco por breves segundos.

Talvez devêssemos parar. – Disse, me olhando incisiva. Não sei se eu realmente não entendi o contexto da frase ou se eu não queria entender.

O que quer dizer? – Soltei um riso nervoso e apreensivo. Não estava certa se queria que ela explicasse.

Oh, por favor! – Pediu impaciente, jogando a cabeça para trás. – Você me entendeu.

Seja mais clara, Alison. – Impacientei-me. Minha garganta deu um nó e meu estômago estava borbulhando. Ela se aproximou de mim, fitando-me. Suas próximas palavras não iriam me agradar.

Não é como se eu estivesse apaixonada por você, Emily! – Foi tudo o que ela disse antes de passar por mim e deixar a sala. Parecia que havia facas de todo tipo atravessando violentamente meu coração. Não é como se eu estivesse apaixonada por você, Emily. Dez palavras com o peso de mil ofensas gritando incoerente na minha cabeça, muito pior que disco arranhado. Essa frase se repetia diversas vezes na minha mente sem cessar. Meu iPhone vibrou, seguido de um bipe. Tirei-o do bolso, na tela avisava que eu tinha uma nova mensagem.

Pobre Emily. Quem avisa amigo é, e eu avisei! XOXO –A.

Notas finais
Me digam o que acharam do capítulo. Mandem reviews expondo suas opiniões. Enfim, até o próximo. xx :**