This Must Be Love

12 What Are You Willing To Lose?


Notas iniciais
Olá, lovelys! Mais um capítulo para vocês e um pouco do lado mais suave da Alison. O capítulo ficou um pouco longo, mas eu não consegui parar de escrever. Detalhes, detalhes. ~risus~ Enfim, boa leitura. :)

Já havia se passado quase dezoito minutos, mas, mesmo assim, eu não conseguia tirar os olhos dela nem por um segundo sequer. Sua feição estava tranquila e suave, como se estivesse desfrutando dos mais aprazíveis sonhos. Emily dormia calmamente, trazendo-me certo conforto em apenas admirá-la desse jeito: sem pesos, sem desânimo, apenas uma incrível e crescente paz muito bem arraigada em cada célula existente de sua face e corpo. Mas não era num quarto de hospital que eu gostaria de assisti-la dormir. Às vezes, eu tinha esse pensamento: poder assistir enquanto Emily tirava proveito dos seus mais belos sonhos de menina doce. Fazia pouco mais de uma hora que eu havia chegado ao hospital. Aria tivera a decência de me ligar me avisando que Emily passou mal. Eu não pensei duas vezes antes de ir correndo ao hospital vê-la. Tudo bem que tivemos um contratempo há menos de vinte e quatro horas, mas já são águas passadas. Quando cheguei ao hospital, tive o desprazer de encontrar com aquela amiga de Em. Tão insignificante e sem importância que nem me lembro do nome da vadia. Não me incomodei em cumprimentá-la, como também não a olhei. Era como se ela não existisse. Não passava das oito horas da manhã e Emily ainda iria demorar um pouco a acordar. Pelo que Hanna havia me contado, Em deu entrada no hospital durante a noite. Ela estava com febre e o médico que a atendeu disse que ela tinha uma úlcera no estômago e que havia algo de anormal em seu sangue, mas que teria alta ainda hoje. Spencer, Aria e Hanna estavam comigo no grande quarto branco de hospital. Emily ainda não havia acordado por estar medicada, portanto Aria e Spencer acharam melhor ir embora e voltar mais tarde. Hanna chamou a Loira à Pulso para tomar café, mas eu sabia que ela havia feito isso para que não entrássemos em contenda. Sentei-me na cadeira ao lado de Em, ainda a observando atentamente e escutando sua respiração calma e amena.

Eu nunca te contei isso, mas você sempre foi minha favorita. — Confessei, fazendo carinho em sua mão. — Ninguém me amou tanto quanto você. — Minhas palavras ficaram soltas no ar gélido. Lembranças dos anos anteriores começaram a invadir minha cabeça. Emily sempre me apoiava nas minhas ideias loucas e impulsivas e sempre concordava em fazer minhas vontades. Claro que eu sempre me aproveitei disso. Eu sempre usei o amor que ela sentia por mim para fazer com que ela cedesse aos meus caprichos. Mas isso mudou, mais precisamente, no inverno do ano passado. Eu havia chamado Emily para uma partida de hóquei; naquele dia seríamos somente nós duas, já que Spencer estaria ocupada com o Clube do Livro e não poderia jogar conosco. Emily não gostava de hóquei, nunca gostou. Mas sempre aceitava jogar comigo ou apenas me fazer companhia enquanto eu treinava. E, nesse dia, eu lembro que lhe perguntei se ela havia mudado de ideia e começado a pegar simpatia pelo esporte.

Não, eu continuo não sendo a maior fã de hóquei. — Ela havia respondido. Sua expressão naquele dia estava especialmente tranquila e abrasadora. Seus lábios estavam rosados e brilhantes por causa do brilho labial. O campo estava vazio e era possível escutar o vento soprar na direção contrária, fazendo seus cabelos negros esvoaçarem. A grama estava macia e muito bem aparada. Eu gostava de como Emily ficava dentro do uniforme de hóquei. A visão me era bastante profícua e aprazível.

Mas você sempre vem quando eu te chamo. — Provoquei, fitando-a. Eu tinha a mínima noção do porquê ela sempre atendia às minhas chamadas, mas sua resposta me surpreendeu, positivamente.

Sim. — Concordou ela, fitando-me de volta. — Eu receio ter a necessidade de tentar te fazer feliz. Seja com as mínimas coisas que podem lhe causar a satisfação. — Explicou ela, encarando a grama. Suas palavras haviam me tocado. Todos faziam minhas vontades e caprichos, mas somente porque eu sou popular e fabulosa, todos querem a minha aceitação. Mas eu sabia que Emily fazia o que eu lhe pedia não porque eu sou popular, mas porque me amava de verdade. Ela me amou acima de qualquer coisa, mas, ainda assim, eu escolhi as trevas. Saindo de minhas reminiscências e voltando à atualidade, peguei minha bolsa que estava perto da cadeira e a abri, retirando de dentro um dos meus livros favoritos. Eu raramente saía de casa sem ele. Grandes Expectativas é o nome do livro. Eu leio esse livro desde o sétimo ano. Procurei a página que citava o meu trecho favorito, não que eu realmente precisasse, já que eu sabia de cor.

Eu quero ler uma coisa para você. Mesmo que, quando você acordar, isso não terá acontecido. – Ajeitei-me na cadeira, ainda segurando sua mão e, sem precisar olhar para página, eu comecei a recitar pausadamente, fitando seu rosto calmo e tranquilo: – "Eu a amei contra a razão, contra a promessa, contra a paz, contra a esperança, contra a felicidade, contra todo o desânimo que poderia ser." – Recitei, sentindo o poder das palavras úmidas e impregnadas de verdade súbita me envolver numa bolha afetiva. Aquilo não deveria ter soado tão literal, mas alguma coisa dentro do meu âmago me informou que as coisas não são como devem ser. – Eu acho que eu amo você. – Sussurrei, sentindo meu coração saltar com as palavras ditas em voz alta. Minhas pernas estavam levemente trêmulas e minha mão gélida em contato com a mão quente e macia de Emily me causava uma sensação gostosa de segurança. Suspirei, mordendo o lábio inferior. – Mas você ainda não pode saber disso. — Avisei solene. Sua feição não se alterou indicando que ela pudesse estar acordada e ouvindo tudo o que eu acabei de dizer. Eu sabia que ela não estava fingindo. O médico havia dito que o remédio que lhe deram a deixa no mais profundo sono, e que também poderia causar efeitos colaterais quando ela acordasse. Levantei-me da cadeira e me aproximei da cama, afaguei seu rosto com suavidade, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Emily. Logo, inclinei-me em sua direção. Meus lábios tocaram os seus suave e demoradamente, causando um formigamento neles e um frio gostoso no estômago. — Eu vou, mas eu volto. — Garanti, sussurrando contra seus lábios imóveis. — Você só precisa me esperar. — Beijei-a na boca uma última vez antes de me virar e deixar o quarto. Quando eu estava prestes a virar o corredor à esquerda, encontrei com Hanna com um café na mão, e ao seu lado estava o projeto de loira amiga de Em.

Ela já acordou? — Questionou Hanna, parecendo conter um riso. Eu estava me segurando para não descer do salto com Hanna-Ex-Robusta. Parei, ficando de frente para ela.

Ainda não. Por quê? — Suspirei, fitando-a com tédio.

Pensei que ela havia te expulsado do quarto. — Riu, encarando o chão. Sorri, fingindo achar graça do que ela acabara de dizer. Eu não precisava olhar a vadia que estava posicionada ao seu lado, estranhamente silenciosa, para saber que estava tentando conter um riso.

Por que ela faria isso? — Meus olhos estavam fixos em Hanna.

Porque vocês brigaram. Eu ainda me recordo das palavras de Em. — Explicou ela. Hanna parecia estar feliz com tal acontecimento. Fitei o café que estava em suas mãos, logo voltando a encará-la incisiva.

As coisas mudam. — Sorri com desprezo. Ela me fitou, desafiando-me com a sobrancelha. — A prova disso é que antes você era gorda e desengonçada e hoje você se tornou o que eu te treinei para ser. — Apontei seu corpo com os olhos, com a voz cheia de razão e tranquilidade. Hanna ficou desconcertada e terrivelmente envergonhada, o que me motivou a continuar. — Não se engane, Han. — Assenti solene, logo mudando meu tom suave para sombrio.— Eu mando e desmando nessa cidade, portanto, não tente se virar contra mim. Eu tirei você do fundo do poço, mas posso te chutar de volta em questão de segundos. — Disse, minha voz estava impregnada de ameaças reais. Hanna, de repente, pareceu aquela antiga garota do sexto ano: gorducha dos braços em formato de salsichões, insegura e desengonçada. Minha visão periférica me alertou um olhar reprovador vindo da bisca loira.

Você não deveria ser tão rude com suas amigas. — Dirigiu-se a mim. Contei mentalmente até três para responder sua petulância. Não queria soar desespero ou descontrole em minha voz.

E você não deveria estar aqui. — Retruquei venenosa. — Sua presença me causa desconforto. — Comentei, fitando seu rosto pálido, porém tranquilo e suave. Era como se ela não estivesse dando a mínima para o que eu acabei de dizer. Será que ela usava alguma erva? Sua feição está sempre tão... Imperturbável. — Receio que sua presença não seja mais necessária. Você já pode seguir seu caminho, de preferência para bem longe da Emily. — Sorri com falsidade.

Ali, foi Samara que trouxe Em para cá. — Anunciou Hanna, com voz apaziguadora. Meus olhos voaram rapidamente para Hanna, que possuía uma expressão penosa, porém tranquila.

Oh! — Exclamei, fingindo espanto. — Muito bom. Parabéns. Fez algo de útil. — Minha voz repleta de deboche e desdém. Hanna me fitou com seriedade, como se estivesse me advertindo por ser ingrata e audaciosa. Revirei os olhos, entediada. Percebi que eu havia perdido tempo demais com Tabita. Olhei para o quarto em que Em estava para ver se havia algum movimento e, constatando que não, fui embora sem me despedir da Srta. Muito Insolente e companhia.

Depois que eu cheguei à minha casa, tomei banho e coloquei roupas limpas. Enquanto estava em casa, decidi dar uma olhadinha nas fitas que eu havia roubado de Jason. As primeiras cinco fitas não continham nada de muito relevante, mas já na sexta mostrava Jenna de perfil, com seus inconfundíveis óculos Gucci, conversando com alguém de moletom preto com capuz, o que impedia de ver o rosto, que também estava de perfil. Jenna gesticulava calmamente para essa pessoa, que apenas ouvia tudo atentamente. Depois de assistir ao vídeo inúmeras vezes, notei que alguns fios de cabelo claro escapam do capuz preto da pessoa que conversava com Jenna. O encapuzado parecia recitar ordens à Jenna, que apenas assentia com a cabeça em concordância e um sorriso malévolo estampava seu rosto. Aquilo não estava batendo. Com quem Jenna estava conversando? Balancei a cabeça na tentativa de dissipar A Coisa Com Jenna da memória. Deveria ser apenas Toby, uma vez que ele havia retornado à Rosewood depois de ter passado um tempo de molho num reformatório. Eu ainda não tinha o visto, só Emily. Perguntei-me se ele estaria cheio de tatuagens daquelas assustadoramente feias e conspiratórias. Os presos geralmente tinham tatuagens, certo? Guardei as fitas numa caixa e devolvi ao esconderijo de sempre. Ninguém poderia encontrá-las, e tenho certeza de que ninguém o fará. Deitei-me na minha cama queen size e fechei meus olhos por alguns segundos. Meu corpo estava cansado e exausto, a escuridão pareceu me envolver aos poucos, e era tentadoramente convidativa. De repente, não estou mais no meu quarto, me vi num glorioso e vasto jardim com todos os tipos de flores que existiam. Olhei ao redor tentando me lembrar de como eu vim parar aqui tão rápido. Resolvi começar a me movimentar e sair do lugar. Andei pelo que pareceram horas e quando cheguei a um ponto onde havia diversas árvores — cada uma revestida por suas respectivas flores — e algumas fontes de água, avisto Emily sentada no meio de três árvores; à sua esquerda havia uma árvore com seus galhos repletos de flores Acácia Amarela, à sua direita as flores eram Tulipas Vermelhas e a que ela estava escorada graciosamente eram Miosótis Azuis. Aproximei-me dela lentamente, apenas apreciando a postura calma e tranquila com que ela estava recostada na grande árvore. Conforme me aproximei, percebi que seus olhos estavam fechados. Ela usava quase as mesmas roupas que eu: camiseta preta de botões colada, calça jeans escura e botas rasas. Peguei três tufos de flores de cada árvore e me sentei suavemente ao seu lado. Mesmo com a minha aproximação, ela continuava com suas pálpebras fechadas. Deixei que meu corpo ficasse próximo o suficiente do seu para que ela pudesse me sentir perto. Depois de alguns minutos acariciando seus braços e brincando distraidamente com seus cabelos negros, ela pareceu despertar. Emily se recostou para mais perto de mim, envolvendo minha cintura com seus braços. Sua cabeça, agora, estava repousando sobre meu peito. Ela levantou a cabeça, me fitando com alegria em seus olhos negros e surrando:

Senti sua falta. — Suas mãos deslizaram sob minha camiseta florida e pairou sobre minha barriga nua. Eu ri com seu ato involuntário e destemido. Meus dedos deslizavam pelos seus cabelos esparramados pelos ombros.

Eu fiquei preocupada com você. — Confessei, sentindo o sol bater contra minha pele com veemência. Ela suspirou contra meu peito, o que me causou arrepios.

Eu estou bem, não se preocupe. — Me fitou com um sorriso sincero nos lábios, garantindo. — Foi apenas um mal estar bobo. — Me virei para o lado, pegando as flores que eu havia roubado das árvores e entreguei a ela.

São para você. — Entreguei-as em suas mãos. Emily se sentou, ficando de frente para mim. Seus olhos brilhavam de emoção com o singelo gesto. Emily sempre conheceu o meu lado mais suave, mas, naquele momento, era como se eu pudesse demonstrar todo e qualquer tipo de afeto e amor. Ela jogou seus braços em volta do meu pescoço, deitando-se novamente, mas, dessa vez, em cima de mim. Seus lábios tocaram os meus delicadamente. Nossas línguas se tocaram com suavidade, fazendo com que nossos lábios se movimentassem lentamente num ritmo gostoso e desacelerado. Sua mão repousou sobre meu peito, meu coração batendo descompassadamente contra a palma de sua mão. Os pássaros cantavam alegremente por cima das grandes árvores e a brisa fresca, que batia contra nossos corpos, me dava uma sensação de paraíso. Nossas línguas, que antes se tocavam leve e sensualmente em sintonia, agora se encontravam em um ritmo constante e urgente. Eu me sentei, trazendo-a junto de mim. Emily ficou sentada em meu colo, o que me possibilitou sugar seu pescoço com veemência. Minha mão foi de encontro às suas costas ereta, na intenção de puxá-la para mais perto de mim. Deslizei meus dedos estrategicamente para dentro de sua blusa, levantando-a sutilmente. Seus lábios afastaram-se dos meus e foram parar no meu pescoço, mordendo a pele com força. Deixei um gemido de dor misturado com satisfação escapar da minha boca. Beijei-a ardentemente, sentindo um frio gostoso embalar meu ventre. Sua mão esquerda escorregou por debaixo da minha blusa, arranhando a pele de leve. Baixei meus lábios, mordendo seu queixo com doçura, enquanto Emily desceu seus lábios para o meu pescoço, passando a sugar meu ponto de pulso. Seus beijos e chupões foram se estendendo até meu ombro, onde ela abaixou cuidadosamente a alça da minha blusa para mordiscar a pele exposta. Subi com minhas mãos pela sua barriga lisa, parando quando meus dedos entraram em contado com o fecho de seu sutiã, desatando-o com agilidade. Ela, por sua vez, tirou minha blusa por sobre minha cabeça, expondo meu sutiã rendado, jogando-a para o lado,descuidada. Voltamos a nos beijar, dessa vez com mais necessidade e ansiedade. Seus dedos escorregaram por sobre meu peito, pairando distraidamente sobre meus seios por cima do sutiã e fazendo círculos sensuais sobre os mesmos. Eu tinha a sensação de que estava tendo um déjà-vu. Abri os olhos e notei que sua face, ao contrário da minha, não estava ruborizada. Minhas mãos, que estavam entre seus cabelos sedosos, deslizavam facilmente. Sua pele possuía um aroma gostoso de lavanda, o que me entorpecia por dentro. Afastamos nossos rostos à procura de oxigênio e pude perceber seus olhos brilhantes e contentes. Não consegui conter um sorriso com seu olhar sonhador.

No que você está pensando? — Perguntou-me ela. Suas maçãs do rosto, agora sim, estavam rosadas por conta do nosso amasso super quente.

Que você pode ficar aqui comigo para sempre. — Sugeri a ela, vacilante. Seus olhos desviaram do meu, perdidos. Senti uma pontada sutil no meu peito. Ela me fitou, selando nossos lábios demoradamente, para depois me olhar com atenção.

Seria ótimo. — Sorriu, mas logo acrescentou: — Mas não podemos.

Por quê? — Questionei, sugando seu pescoço com força. Minhas mãos deslizaram pela sua coxa, pairando em seus joelhos.

Porque uma hora você vai ter que acordar. — Suas palavras ficaram suspensas no ar. Senti um nó se formar em minha garganta e estômago.

Mas isso é real. — Neguei, me esforçando para acreditar em minhas palavras. — Nós somos reais.

Você está enganada. — Começou, afastando-se de mim. — Isso aqui não é real. — Seus olhos apontando para todo o vasto jardim. — Nós não somos reais. Nunca seremos. Somos de mundos paralelos, Ali. — Sua voz estava falha, e seu sussurro soava à desespero. Flashbacks de antes de eu vir parar aqui invadiram minha cabeça. Emily havia dito que se cansou de mim. Era tudo o que eu conseguia lembrar. A dor daquelas palavras simples e banais se alastrou por todo meu ser. Elas se mostravam gritantes.

Você disse que se cansou de mim. — Murmurei, tentando não mostrar fraqueza ou afetação. Sua mão correu pelo meu pescoço, fazendo-me fitá-la nos olhos.

Assim como todas as pessoas que estão ao seu redor. — Replicou ela. Seus olhos não possuíam o brilho sonhador que eu havia visto minutos antes. — Mas, ao contrário dessas pessoas, eu deixei que você soubesse. O seu destino é ficar para sempre sozinha, porque até a única pessoa que te ama você consegue afastar. — Riu como se fosse patético. Não parecia Emily falando. Seu rosto tomou uma forma sombria e miserável. Ela se sentou ao meu lado, ficando de joelhos e me fitando. Sua forma alterou, ali, na minha frente, não era mais a imagem de Emily, era alguém de forma fantasmagórica e irreal.

Foi você. — Pensei alto. Seu sorriso se ampliou quando se deu conta de que eu, finalmente, caí na real. — Você a drogou. — Minha voz estava trêmula. Aquilo era tão óbvio. Emily ficou estranha de uma hora para outra, o médico havia me dito que seu sangue continha algo fora do normal, mas eu não havia me dado conta de que ele se referia a drogas que são capazes de mudarem o comportamento. Os efeitos colaterais... Febre alta.

Eu estou apenas cumprindo minha promessa de que tirarei tudo de você, afinal, é a minha vez de torturar você. — Sua voz começou a se perder dentro do meu cérebro. As palavras pareceram se arrastar miseravelmente para dentro dos meus ouvidos. — Nada mais justo e sábio do que eu começar com quem vai, de fato, te atingir. — Um sorriso doentio brotou em seus lábios, e ela continuou com sua divagação: — Você pensa que Emily é a única que realmente te conhece? — Perguntou, não querendo uma resposta. — Não olhe agora, mas tem alguém que sabe como fazer rachaduras nessa sua grande armadura. — Tocou meu braço, como se aquilo tivesse sido uma grande piada. — Ela é a mais fácil de ser enganada, não é mesmo? Tem o coração bobo que é sempre capaz de acreditar e fantasiar finais felizes. Foi assim com A Coisa Com Jenna. Mas mal sabe ela da verdade. — Torceu os lábios, fingindo condolência.

Você não vai conseguir me derrubar. — Garanti amargamente. Minha visão anuviou e meu coração começou a bater descompassadamente. Senti minha garganta fechar e o ar faltar. Sua gargalhada ecoou por toda minha mente, corroendo-a. O local onde eu estava mudou bruscamente para um milharal enorme e escuro. Minhas pernas eram incapazes de obedecer aos comandos do meu cérebro. Eu queria gritar, mas minha voz não existia. De repente, senti um impacto forte bater contra minha cabeça. Como se alguém houvesse batido nela com uma pá ou algo parecido. Eu acordei. Meus olhos se abriram lentamente, incapazes de permanecerem abertos. Sentei-me na cama com o intuito de forçá-los a abrir. Parecia que eu tinha corrido uma maratona, meu corpo estava dolorido e desgastado, enquanto meu coração estava batendo rapidamente. Quando abri os olhos, me assustei. Meu quarto estava completamente escuro. Acendi a luz no meu abajur para ver as horas no relógio digital que ficava ao lado. Arregalei os olhos, espantada pelo tempo que fiquei desacordada, presa naquele pesadelo horrível. Já passava das dez da noite. Como isso é possível? Caminhei pelo quarto tentando lembrar onde eu havia deixado minha bolsa. Encontrei-a debaixo da pilha de roupa limpa que minha mãe deveria ter colocado enquanto eu estava dormindo. Peguei meu celular e havia sete chamadas perdidas e duas mensagens de Spencer e nove chamadas perdidas e duas mensagens de Aria. As mensagens de Spencer diziam basicamente o mesmo que as de Aria.

Ei, onde você está? Emily já recebeu alta e está em casa. Bem. Pensei que você viria para vê-la ou levá-la até em casa. Liguei para você várias vezes, mas só deu na caixa postal. Espero que esteja tudo bem. XXX

From: Aria.

Li a mensagem com um pouco de dificuldade. Minha vista estava levemente embaçada. Liguei para Hanna e perguntei se ela iria dormir na casa de Em.

Não posso. — Lamentou ela ao telefone. — Meu pai está aqui e quer que eu fique para jantar com ele. — Explicou, parecendo culpada e ressentida. Trocamos mais algumas palavras e desliguei o telefone. Peguei algumas mudas de roupas e coloquei-as dentro de uma bolsa. Tomei um banho rápido e escrevi um bilhete para os meus pais dizendo que dormiria na casa de Emily. Eles com certeza chegariam tarde e se, por acaso, entrassem no meu quarto e eu não estivesse, leriam o bilhete que foi posto na cama e nem se dariam o trabalho de me ligar para saber se eu estou bem. Tão típico. Peguei minhas coisas e fui à casa de Hanna para pegar a chave da casa de Emily. Ela havia ganhado de Em depois que sua mãe foi viajar, e a usava com frequência. Não enrolei na casa de Hanna, apenas peguei a chave e voltei para o carro. Dirigi até a casa de Emily e o relógio digital, que ficava entre o ar condicionado e o painel, mostrava onze horas e três minutos. Peguei minha bolsa e o casaco que eu havia tirado e me dirigi até a porta principal da casa de Emily. Coloquei a chave na fechadura e a girei com cuidado para não fazer barulho. As luzes da cozinha e da sala estavam apagadas e assim permaneceram, porque não me atrevi a acendê-las. Tranquei a porta com a chave e coloquei dentro da bolsa, subindo para o quarto de Emily. Subi as escadas sorrateiramente, aproximando-me da porta de seu quarto que estava entreaberta. Ela dormia tranquilamente, seu corpo estava virado para a janela. O quarto estava sendo iluminado apenas pela luz da lua. Entrei no quarto e me troquei ali mesmo, mas sem fazer barulho. Mesmo estando frio, eu me contentei em usar apenas shorts e camisa de botões. Deitei-me na cama ao seu lado, elevando os lençóis para que eu pudesse me cobrir também e me aproximei o mais perto possível de seu corpo. Emily estava de costas para mim, o que me motivou a abraçá-la com delicadeza e suavidade. Sua respiração estava calma e lenta. Uma brisa gostosa entrava pela fresta da janela entreaberta. Antes de eu pegar no sono, senti sua mão sendo posta sobre a minha, que estava apoiada em sua barriga. Seu sono imperturbável continuou até o dia seguinte.

Raios fracos e insistentes entravam sorrateiramente pela janela do quarto de Em. Minhas pálpebras estavam pesadas e não obedeciam aos meus comandos. Abri um olho com muita dificuldade e constatei que Emily ainda estava dormindo. Do mesmo jeito que eu dormi, eu acordei. Meus braços ainda se encontravam jogados sobre o outro lado da cama, apertando Emily contra meu corpo. Sua respiração estava lenta e profunda. Olhei para o relógio digital e marcava sete e quarenta da manhã. Levantei devagar para não acordá-la e fui tomar banho. Não demorei no banho e, quando saí, Emily ainda não havia acordado. Deitei-me ao seu lado novamente e ela pegou uma almofada e cobriu seu rosto. Ela estava prestes a acordar. Tirei o travesseiro de seu rosto delicadamente, colocando-o longe de seu alcance.

Eu estou sentindo cheiro de sabonete de baunilha. — Engrolou ela ainda com os olhos fechados. Sua voz estava rouca e sensual. — Eu estou sonhando.

Eu também. — Ri, abraçando-a novamente. Sua mão pegou a minha, entrelaçando nossos dedos. Senti ela se aconchegar mais no meu abraço, o que me causou grande contentamento. Meus dedos escorregaram para dentro de sua blusa, sentindo a pele quente contra meus dedos gélidos. Ela se virou, me fitando com confusão no rosto.

O que você...? — Começou, pausando para clarear as ideias. — Como você...? — Desistiu de tentar formular uma pergunta. Sorri com a perplexidade e curiosidade que estampavam seu rosto. Selei nossos lábios demoradamente, ainda com meus braços ao seu redor. Senti segurança e conforto me envolver bruscamente.

Eu perdoo você. — Disse solene, referindo-me à sua audácia de me enfrentar. — Mas você tem que me prometer que não vai mais ter nenhum tipo de contato com aquela sua amiga. — Sussurrei próxima de seu rosto. — Ela é perigosa, Em. Ela drogou você para que me enfrentasse, e isso não é saudável. — Inventei, tentando soar sinceridade e certeza em minhas palavras. Emily me fitou incrédula, como se tudo o que eu acabara de dizer fosse um grande absurdo.

Você só pode ter enlouquecido. Não é saudável te enfrentar? —Riu, afastando-se de mim bruscamente. — O médico me contou que meu sangue continha alguma substância rara e difícil de encontrar. Mas você quer mesmo que eu acredite que foi Samara quem me drogou? — Emily pareceu chateada e desapontada com minha acusação falsa — e desesperada.

Emily, você não entendeu. Ela é perigosa, ela quer tirar você de mim... — Tentei persuadi-la, mas ela me interrompeu abruptamente.

Alison, eu não sou sua boneca! Você não pode brincar comigo da forma que te convém e achar que eu vou aceitar ser o seu tira-tédio. — Suas palavras se assentaram com um grande peso dentro do meu cérebro. Ela não queria me ouvir. A campainha soou alta, Emily me fitou parecendo imperturbável com o pequeno diálogo que acabamos de ter. Ela foi até a escada e gritou um “já vai”, entrou no banheiro e saiu depois de dois minutos. Desabei sobre a cama pensando no que ela havia dito. Eu realmente passo a ideia de que a considero apenas como minha boneca? Meu brinquedo tira-tédio? Escutei uma voz baixa e feminina vir do andar de baixo e caminhei sorrateiramente até a escada para ver de quem se tratava. A voz soou novamente, mas, dessa vez, mais clara e nítida. A mesma voz irritantemente doce e tranquila de Tamara. Ela tinha alguma coisa na mão e entregou à Emily.

Doces para o meu doce. — Ouvi-a dizer. Meu coração saltou com aquele atrevimento. Como ela ousa chamar Emily daquela forma? Aquilo não podia acontecer. Eu estava certa, ela é um grande e terrível problema. Dei uma espiadinha no andar de baixo e vi que Emily sorria com a cortesia de Tabita. Eca.

São os meus favoritos. — Emily disse, agradecendo-a. Corri para o quarto e desabotoei alguns botões da minha camisa, mostrando um pedaço do meu sutiã de florzinha rendado e dando uma ótima visão da pele dos meus seios sendo sustentados por ele. Tirei o short que eu usava e fiquei apenas com a camisa cumprida que cobria meu quadril, mas deixava minhas pernas e coxas torneadas e delineadas a mostra. Baguncei meu cabelo sem muito esforço, já que eu havia acabado de acordar, e desci as escadas calmamente.

Emily, porque você está demo...? — Parei, fingindo perceber a presença insignificante da garota sem importância. — Ah! É você. — Cuspi as palavras com desdém, revirando os olhos. Emily virou o rosto e ficou boquiaberta com meus trajes. Ela parecia desconcertada. Claro que minha intenção era fazer com que parecesse que, antes de Tamara chegar, estávamos num amasso super quente. E pela expressão dela, funcionou. Ela parecia chocada e desapontada, o que me causou profundo contentamento.

Samara, eu... — Começou, tentando se explicar, mas logo sendo interrompida. Por que Emily se importava?

É melhor eu ir embora. — Murmurou ela, sem tirar seus olhos desapontados e tristonhos de mim. Emily não sabia para quem olhar e, quando a fitou, eu lancei um sorriso de vitória e batalha ganha para ela.

É melhor mesmo. — Sorri, torcendo os lábios. Emily me lançou um olhar ferido e decepcionado. Aquilo não estava se encaixando, por que ela estava se importando tanto com alguém tão sem importância e insignificante? A porta principal de repente se abre e risos ecoam pela casa. Spencer e Hanna estavam rindo e Aria falava sobre como elas eram bobas e sem noção. Spencer é a primeira a avistar Emily.

Ei, você está acordada. — Ela abriu um sorriso amplo e animador. — Como está se sentindo? — Droga! Elas só aparecem na hora errada. Elas se aproximaram e levaram um susto quando me viram. Inapropriada para a ocasião.

Que calor, Ali. — Brincou Spencer, recebendo risadinhas de Aria. Elas não pareciam estar cientes do que podia ter acontecido entre Emily e eu. Suas faces não esboçavam maldade ou malícia. Hanna me fitou com seriedade como se já soubesse o que estava acontecendo. — Olá, Samara! — Saudou alegremente. Aria lançou um sorriso gentil e amistoso para ela, caminhando em direção a Emily.

Trouxe para você. — Aria estendeu sua mão, com um copo de café nela. Spencer abriu a boca para falar alguma coisa, mas eu fui mais rápida.

Ela não pode tomar café. — Avisei com tédio. Cruzei meus braços sobre o peito, esperando que a Loira à Pulso fosse embora. Eu realmente não gostava dela. Eu sentia que ela tinha interesse em Emily e isso não me atraía. Em é minha por direito!

Eu devo ir embora. — Anunciou ela. Finalmente se tocou. Aria e Spencer lançaram um olhar de questionamento em sua direção. Quando ela fez menção de se virar, Emily segurou sua mão e apertou como se estivesse pedindo silenciosamente para ela ficar. — Isso não vai dar certo. — Sussurrou para ela. Consegui conter um sorriso presunçoso e vitorioso que estava prestes a se formar em meus lábios. — Eu não quero ser o seu segredo. — O quê? Segredo? Uma grande nuvem de confusão tomou conta de meu cérebro. Aquilo não batia. Emily se virou para as meninas, Spencer, Aria e Hanna.

Eu tenho uma coisa para contar a vocês. — Anunciou solenemente. Sentei-me no sofá e elas vieram para o meu lado, esperando a bomba. Aria tinha uma expressão confusa no rosto, Hanna também. Meu âmago avisava-me que suas próximas palavras não me agradariam.

Qual é a bomba, Em? — Zombou Hanna, parecendo não fazer a mínima ideia do que se tratava. Pela minha visão periférica, vi Emily pegar a mão de Tamara e entrelaçar seus dedos nos dela. Meus olhos automaticamente caíram sobre suas mãos enlaçadas. De repente, minha mente clareou e o som da voz de Em ecoou como uma explosão dentro do meu ser:

Eu estou namorando a Samara. — Soltou calmamente. Suas palavras ficaram presas dentro do meu inconsciente. Eu não conseguia acreditar naquilo. Emily não podia estar namorando... Com ela! Spencer estava com as sobrancelhas quase ultrapassando o couro cabeludo, chocada; Aria estava boquiaberta, sua expressão parecia ter sido pega completamente de surpresa; Hanna não parecia surpresa, pelo contrário, ela e a vadia que segurava a mão da minha Em pareciam felizes por Emily finalmente ter assumido.

Você o quê?! — Gritei para ela, levantando-me rápido demais do sofá. Senti minha cabeça rodar por breves segundos, mas Emily pareceu inabalável com minha pequena alteração.

É isso mesmo o que você ouviu. — Confirmou com voz monótona. Meu sangue correu rápido demais para o rosto e senti um misto de raiva e traição tomar conta de mim. — Agora vocês estão conhecendo Samara da forma correta: como minha namorada.

Eu não permito isso. — Exaltei-me. Emily me fitou com atenção.

Mas eu não estou pedindo sua permissão. Estou apenas comunicando a todas vocês, garotas, que eu estou namorando. — Falou como se fosse óbvio e ridículo ao mesmo tempo. As garotas nos olharam aflitas, não sabendo o que fazer ou o que dizer. Hanna sorriu, mostrando apoio e complacência. Depois da raiva, uma grande decepção repousou no meu consciente e uma lágrima silenciosa rolou dentro do meu coração ao notar que consegui afastar, ou perder, a única pessoa que sempre me amou tão facilmente. E, no final, o que me sobrará? Além da estrada solitária.

Notas finais
Bem, devo dizer que o final me entristeceu bastante. Eu tanto shippo Emison quanto Samily. Não consigo me decidir... Qual ship vocês preferem, Samily ou Emison? Me digam nas reviews e me contem o que vocês acharam do capítulo também, porque não sei se gostei... .-. Até o próximo. xx :**** ♥