This Must Be Love

13 All That You Can't Leave Behind.


Notas iniciais
Bem, sem delongas. Boa leitura. (:

Eu nunca pensei em como seria minha vida sem Ali. Nunca me imaginei amando outra pessoa que não fosse ela. Eu sempre tive a ideia de que um dia fugiríamos de Rosewood e conheceríamos o mundo juntas. Mas as coisas estão um pouco diferentes agora, eu estou diferente. Eu finalmente entendi o significado de crescer e evoluir. Eu não posso ficar à mercê de Ali para sempre. Não quero ser o sol que penetra apenas na superfície, quero ir mais além. Mais ao fundo. Eu fiz tudo o que ela queria. Eu me anulei. Passei tanto tempo amando-a e me esqueci de que eu também precisava ser amada e, acima de qualquer coisa, me amar em primeiro lugar. Eu me contentei com as migalhas de afeto que ela me lançava, até o momento em que percebi que tudo aquilo era pouco e que eu precisava de mais. Eu não queria muito, eu queria mais! Mais carinho, mais amor, mais consideração, mais valor, mais atitude... Mas não se pode exigir da outra pessoa o que ela não pode dispor. E o que resta a fazer? Simples: desapertar os dedos e relaxar. Deixe livre, deixe ser. Eu não desisti, apenas me cansei de esperar muito de quem não tinha nada a oferecer. As coisas são mais fáceis quando o fim é aceito. Dói menos.

O sinal do intervalo soou mais rápido do que eu esperava hoje. Deveria ser porque não consegui prestar atenção em nenhuma das aulas. O Sr. Fitz chamou minha atenção diversas vezes hoje, questionando-me coisas relacionadas à sua matéria. Minha mente estava conflituosa; meus pensamentos iam de Samara à Ali numa velocidade impressionante. Sua reação quando contei sobre meu relacionamento com Samara foi inesperada. Eu seria capaz de sentir toda sua ira e revolta a anos luz da terra. Mas, afinal, o que eu deveria fazer? Aparecer daquela forma na sala foi um golpe baixo e incorreto. Samara não havia me perguntado sobre o que ocorreu antes dela chegar, mas eu fiz questão de deixar claro que Ali apareceu do nada e que não houve nada entre nós. Em momento algum. Eu não mencionei o beijo que Ali havia me dado de surpresa naquela manhã, mas também não foi grande coisa. Não contava como traição, certo? Guardei meus livros no armário e fui para o refeitório. Encaminhei-me em direção à mesa onde Spencer, Hanna, Aria e Ali estavam e me sentei silenciosamente ao lado de Ali. Senti sua mão tocar a minha de leve, num gesto de carinho. Ela não parecia mais zangada ou ressentida com as últimas notícias.

Ei, Em. — Saudou Hanna, animada. — Você já decidiu qual será sua fantasia no baile de máscaras? — Perguntou, dando um rápido gole em seu iogurte de ameixa. Ali me fitou atenta, esperando minha resposta.

Já. — Sorri, tentando soar animação. — Acho que vocês vão gostar. — Dei de ombros, abrindo minha garrafa de água.

Espero que Tamara não apareça. — Comentou Ali com a voz impregnada de desprezo e tédio. — A presença dela me causa náusea. — Sussurrou entre dentes para Spencer e Aria à nossa frente, como se fosse para eu não ouvir. Ignorei seu comentário maldoso e fingi prestar atenção em Hanna sentada à minha frente, que digitava furiosamente em seu BlackBerry novinho em folha.

Quem é Tamara, Ali? — Spencer riu, sendo acompanhada por Aria. — É Samara. — Corrigiu. Ali deu de ombros, como se aquilo fosse apenas um detalhe bobo e insignificante.

Tanto faz. É a mesma droga. — Revirou os olhos, passando a mão pelos seus cabelos louros, sedosos e brilhantes. Spencer balançou a cabeça, não achando cortês a atitude de Ali.

Você tem acompanhante, Aria? — Questionou, mudando o foco da mesa. — Não adianta mentir, porque nós sabemos que você está saindo com alguém. — Avisou, fazendo cara de repreensão. Fitei Aria atenta para ver sua reação diante disso.

Talvez eu tenha. — Soltou incerta. — Mas ainda é recente e, bem, talvez vocês o vejam no baile. — Hanna parou de digitar em seu celular e olhou para Aria, não satisfeita.

Quero nome. — Exigiu ela. — Diga o nome do Sr. Sortudo. — Pediu Hanna, encarando-a faminta por informações. Eu ri com a curiosidade que Aria nos causou com seu namorado-super-secreto. Ali não parecia intrigada ou curiosa sobre isso, inclinei-me em sua direção e sussurrei em seu ouvido:

Você sabe de quem se trata, não é? — Ela deixou um riso leve e gostoso ecoar pelos meus ouvidos e virou-se para mim.

Talvez. — Sorriu lasciva. Não consegui impedir que as borboletas voassem pelo meu estômago livremente. As maçãs do seu rosto estavam ligeiramente rosadas e brilhantes, como se estivesse corando. Sorri com a doçura que seu olhar possuía e me lançava. Seus dedos deslizaram pela palma da minha mão por debaixo da mesa, num gesto complacente e acolhedor. Senti meu braço inteiro formigar com o toque singelo e leve. — Com certeza não é quem eu estou pensando. — Sussurrou ela de volta. Ali estava especialmente mais calma e suave hoje. Eu gostava quando ela se encontrava com esse espírito tranquilo e tolerante. Atraía-me muito mais.

Mas e você? — Perguntei a ela. Seu rosto virou em minha direção, fitando-me. Engoli em seco. Seu olhar estava tão puro e leve, como se não houvesse máscaras e nem fingimentos, apenas Ali na sua forma natural e simples. Seus olhos abaixaram para a mesa, distraída.

Ninguém. — Murmurou apenas para que eu pudesse ouvir. Meu coração palpitou alegremente com sua resposta. Minha atenção se prendeu única e exclusivamente em Ali, passando a esquecer de tudo à minha volta. Hanna deu um toque com seu sapato alto na minha perna, como se quisesse me avisar de alguma coisa. Desprendi minha atenção de Ali e fitei Hanna. Enruguei as sobrancelhas, confusa, lançando um olhar inquisitivo em sua direção. Logo, senti mãos suaves e delicadas tapando meus olhos. O cheiro de pétalas de flores, tangerina e baunilha que eu tanto venerava e que tanto me entorpecia invadiu minhas narinas rapidamente.

Adivinha quem é. — Samara sugeriu com a voz rouca e lasciva. Senti um arrepio gostoso se instalar por todo meu corpo. Sua voz causou um efeito inesperado em mim. Levei minhas mãos até meu rosto, colocando-as sobre as suas.

Hmm... Eu não tenho certeza... — Comecei pensativa. — É uma loira sensual dos olhos claros? — Escutei os risos de Spencer e Hanna, enquanto, ao meu lado, eu poderia sentir o desconforto e o incômodo que Ali estava sentindo. Ciúmes. Minha cabeça foi puxada gentilmente para trás. Suas mãos não estavam mais cobrindo os meus olhos, mas eu continuei com eles fechados. Fui surpreendida com um beijo delicado e demorado nos lábios.

Não tenho certeza sobre essa parte do sensual. — Ela sussurrou, rindo timidamente. Seus lábios ainda pressionando nos meus, mas logo os afastando. Eu ri da forma sedutora e gentil que ela possuía sem esforço algum. Hanna pareceu suspirar com a interação que estávamos tendo. Ali grunhiu do meu lado, sem etiqueta.

Eu tenho certeza. — Sorri maliciosa, beijando seus lábios rapidamente. Samara desviou seu olhar para as meninas, que apenas nos observavam.

Oi, meninas. — Cumprimentou ela, com a mesma voz doce e melódica de sempre. Puxei-a para se sentar ao meu lado esquerdo, o que ela o fez de bom grado.

Olá, Sra. Cook. — Hanna riu, voltando a folhear sua Teen Vogue cuidadosamente. Samara deixou um riso bobo e divertido escapar de seus lábios. Assim como eu, Spencer e Aria lançaram um olhar inquisitivo para as duas. Samara se inclinou na direção de Hanna para espiar o conteúdo de sua revista.

Consegue desenhar esse vestido? — Apontou para um modelo Chloe simples, porém elegante. Hanna estudou a imagem, pensativa. Aria e Spencer me lançaram um olhar de diversão e contentamento. Ali apenas assistia à cena com atenção, como se estivesse esperando o momento certo para fazer algum comentário maldoso.

Bem, eu já tentei, mas não saiu do jeito que deveria. — Disse por fim, rindo. — Muitos olham e veem esse vestido como simples e banal, mas os detalhes são ricos e estimados. É como tentar desenhar todas as estrelas do universo. — Suspirou frustrada. Samara a fitava com curiosidade e perplexidade. Spencer e Aria ainda observavam a incrível interação das duas com atenção e diversão nos olhos.

Incrível! — Impressionou-se Samara, fitando Hanna. — Eu te dou uma semana para desenhar qualquer roupa ou acessório. Surpreenda-me. — Desafiou. Seu tom de voz sério e uniforme a tornavam ainda mais linda e encantadora. Senti meu coração pulsando violentamente quando senti sua mão pegar a minha, entrelaçando nossos dedos distraidamente e colocando nossas mãos enlaçadas sobre suas pernas cruzadas. Hanna a fitava intrigada, porém empolgada.

Tudo bem. — Concordou ela, com um brilho especial em seus olhos. Sorri com a constatação de que elas se dariam bem. — Amanhã faremos compras juntas. — Hanna anunciou com seriedade e tranquilidade em seu tom de voz. — Preciso de inspiração.

Mas você não fez compras ontem? — Spencer quis saber. Hanna torceu os lábios, pensativa.

Aquelas foram compras de emergência. Precisei me presentear por aguentar a Kate por quase quarenta minutos inteiros. — Suspirou, afetada. Kate Randall é a futura meia-irmã de Hanna, com quem ela não se dá bem desde o sétimo ano. — Preciso de motivação e nada melhor do que compras. — Concluiu com um sorriso faceiro nos lábios. Samara riu, assentindo. Toda aquela conversa sobre moda não me atraía. Enquanto Aria e Spencer conversavam entre si e Hanna e Samara faziam o mesmo, Ali digitava em seu iPhone, comprometida. Com certeza ela estava conversando com um dos seus pretendentes mais velhos. Suspirei, me sentindo cansada. Eu não podia ficar perto das duas. De um lado, Samara me atraía com sua candura, calmaria e naturalidade. Mas, do outro lado, Alison me puxava como um ímã forte e persistente. O seu lado mais suave e delicado era reservado apenas para mim. Ali se levantou de repente, deixando a mesa sem se despedir. Não era difícil adivinhar o motivo. Ela já disse várias vezes que não gostava de Samara e que a presença dela lhe incomodava, e até que ela aguentou muito tempo respirar o mesmo ar que Samara sem dizer nenhuma grosseria. Depois de quase dois minutos que Ali se ausentou, meu celular vibrou dentro do bolso da minha jaqueta. Meu coração palpitou por alguns segundos pensando que fosse –A, mas –A não me manda uma mensagem ameaçadora há semanas. Tirei meu celular do bolso e destravei a tela. Uma nova mensagem, dizia na tela. De Ali. Cliquei em ler, abrindo a mensagem instantaneamente.

Ei, pode vir aqui na sala dos zeladores rapidinho? É importante.

Estreitei os olhos para tentar decifrar o assunto de suma importância, mas desisti de tentar adivinhar sobre o que poderia se tratar. Devolvi meu celular para o bolso e disse para as meninas que eu já voltava. Caminhei para o corredor até chegar às escadas que davam para a sala dos zeladores. Aquela sala servia para diversas coisas, como, por exemplo, matar aula. Os zeladores quase nunca ficavam ali realmente, eles faziam o que tinham que fazer na escola e iam assistir a algum jogo de basebol idiota. Cheguei à porta e dei duas batidas leves. Ali a abriu com um sorriso doce e puro nos lábios, o que fez meu coração bater rapidamente. Eu entrei e escutei o barulho da porta se fechando e o trinco sendo passado atrás de mim. Virei-me para Ali, analisando-a atenta.

Eu gosto muito mais de você desse jeito. — Confessei, olhando nos seus profundos olhos azul safira. Ela tombou a cabeça para o lado, inquisitiva. — Posso sentir sua aura à quilômetros de distância. Ela está tranquila e serena. — Ri do quão idiota aquilo deve ter soado. Ali se sentou no espaçoso sofá que havia no meio da sala mal iluminada. Sentei-me ao seu lado, encarando minhas mãos. Seu rosto em formato de coração se aproximou do meu para sussurrar:

E qual é a cor da minha aura? — Perguntou ela interessada, com sua voz rouca e sensual. Um frio agradável percorreu por meus braços e se estendeu por minhas costas. Seus dedos tocaram a palma da minha mão com suavidade e estima. Senti uma carga elétrica se esticar da minha mão até meu rosto, que corou estupidamente. Ali percebeu minha inquietação e se aproximou mais de mim. Seu cheiro de baunilha era tão nítido no local que eu tinha a sensação de estar no seu quarto, na sua cama.

Talvez amarelo. — Respondi finalmente. Ela não respondeu, apenas me fitou atentamente esperando que eu explicasse. — Bem, na verdade, vejo em você uma mistura de cores.

O que quer dizer? — Riu, bobamente. Sua mão brincava com meus dedos distraidamente. — Isso é bom, certo? — Me fitou esperançosa. Como eu queria fazer com que esse momento durasse o suficiente para fazer com que todas as mágoas e desilusões que Ali me causara se anulassem por inteiras e eu pudesse, finalmente, esquecer e voltar a amá-la incondicionalmente e irrevogavelmente. Mas algumas coisas não se esquecem da noite para o dia. Exige tempo e paciência para que todas as dores se curem, as feridas se fechem e as mágoas sejam passadas. Exige graça para enfrentá-las com equilíbrio. Mas, ainda assim, o silêncio é sempre o mais favorável para poder escutar o eco do coração pulsante e vazio. Balancei a cabeça na tentativa de fazer com que as lembranças se dissipassem.

Receio que sim. — Sussurrei para ela, incerta. — Mas isso eu posso te explicar depois se você quiser. — Digo, fitando seu rosto perfeito e delicado. — Qual era o assunto importante?

Você me fez esquecer. — Riu baixo. — Mas, na verdade, eu queria te entregar uma coisa. — Seu tom de voz começou a ficar vacilante.

O quê? — Quis saber. Ela se ajoelhou no sofá, ficando com seu busto perto do meu, e esticou seus braços para alcançar sua bolsa do meu lado do sofá. Seu rosto ficou muito, perigosamente, perto do meu. Ali pareceu se desequilibrar e, no ímpeto, segurei sua cintura protetoramente. Seus lábios estavam quase tocando os meus; eu sorri e ela me beijou. Sua mão foi rapidamente parar no meu pescoço, puxando meu rosto para mais perto do seu. Seus lábios estavam gélidos e trêmulos por causa do frio, já os meus estavam trêmulos por conta do desejo recôndito. Ali deslizou seus dedos para dentro da minha jaqueta, tirando-a com delicadeza. Puxei sua cintura para junto de mim. Nossas línguas tocando-se sem pressa e com candura. Um misto de culpa e excitação inundou todos os meus sentidos; havia uma parte de mim que precisava ter Ali fisicamente, mas outra simplesmente me mandava parar por não ser certo. Eu sentia toda a doçura com que Ali me beijava e aquilo era só mais um lembrete de que eu não estava sendo correta. Por mais que eu quisesse continuar, Samara não saía dos meus pensamentos, era como se uma parte de mim também estivesse ligada a ela. E o fato de termos um compromisso apenas reforçava a ideia de que Ali e eu... Acabamos. Essa constatação deveria me ferir por completo, mas quando se aceita o fato, acredite, dói menos. Afastei-a de mim com decisão. Seus olhos estavam profundos e escuros, havia apenas uma tênue linha azul ao redor da sua pupila.

Eu não posso fazer isso. — Murmurei para ela. Sua boca estava rosada e inchada e sua respiração pesada e difícil.

É claro que você pode. — Ela aproximou seu rosto, ficando a centímetros do meu. — O que te retém? — Perguntou, mas ela não queria uma resposta. Ali me beijou novamente, mas, dessa vez, não houve reciprocidade. Eu não a correspondi. Ela se irritou e toda a tranquilidade e harmonia que estivera dentro de si se esvaíram numa fração de segundos. — Qual é o problema, Emily? — Sua voz soou aguda e ligeiramente alterada. O problema era tão óbvio e transparente, mas, mesmo assim, ela insistia em fingir que não o via.

Samara está me esperando. — Levantei-me, ignorando sua pergunta. Se ela quer fingir que nada mudou e que tudo continua a mesma coisa, então bom para ela. Mas eu não posso fazer isso. Ela segurou minha mão, impedindo-me de me afastar.

Ela é o problema? — Seu tom de voz começou a aumentar. — Deixe-me facilitar as coisas para você: termine logo com essa aventura boba e pronto! Problema eliminado. — Exigiu com a voz doce e simples. Seu rosto se suavizou num sorriso ameno e despreocupado. Encarei-a atenta e desatinei a rir. Ali conseguia ser inacreditável quando menos convinha. Ela me fitou curiosa.

Samara não é o problema. — Neguei com seriedade. — Pelo contrário, ela é a solução. O problema aqui é você. — Seu rosto sereno e suave se desmanchou e, no lugar, ficou uma sombra de raiva e desapontamento, mas, mesmo assim, eu não abaixei a guarda. — Eu já disse, eu não sou o seu brinquedo. Ao contrário de você, eu não esqueci o que você me fez passar e nem os anos em que fui apenas usada. — Minha voz saiu trêmula e rouca. Minha garganta estava queimando. A sensação era de que eu tinha passado horas gritando igual a uma insana num show qualquer de heavy metal.

Você realmente acha isso? — Ela quis saber. Ali cruzou os braços sobre o peito, aproximando-se de mim com cautela. Os pequenos raios de sol que invadiam a persiana da sala iluminou seu rosto, me dando a visão dos seus intensos olhos azul-índigo. Eu não tinha certeza do que responder.

Eu não acho nada. — Comecei, olhando para qualquer lugar menos para ela.

Isso não é saudável, Emily. — Disse, pegando minha mão com delicadeza. — Aquela vadia está envenenando você contra mim. Eu não posso ter você contra mim. — Suas palavras pareciam fazer círculos ao meu redor. Aquilo soava como... Desespero. Não como Alison DiLaurentis. Algo faltava.

Eu não estou contra você, os fatos estão. — Ela deixou minhas mãos escaparem das suas, me fitando. Seu rosto pareceu relaxar em desistência.

Por que você está agindo como se não me amasse mais? — Ela quis saber. — Seu tom de voz parecia fatigado e desgastado. — Você é minha por direito, Emily. Não se esqueça disso.

Você não é mais a única que tenho acolhida no meu peito. — Avisei, fitando seus olhos perturbados e inquietos. — Eu achei que você deveria saber disso. — Concluí, virando-me para sair de sua companhia. Ali não disse mais nada, apenas me assistiu deixando o recinto. Vir aqui definitivamente não foi uma boa ideia. Conforme eu ia me afastando da sala, sentia o peso das minhas palavras caindo sobre ela. Eu também tenho sentimentos fortes por Samara. Uma constatação ousada, porém assentada. No entanto, ela é mais do que certa para mim. Ela cheira à segurança e estabilidade.

Depois do fim das aulas, fui para casa trocar de roupa e pegar algumas coisas para dormir na casa de Spencer. Quando cheguei ao meu quarto, surpreendi-me ao me deparar com minha cama repleta de pétalas de flores espalhadas sobre ela. Aproximei-me da cama para poder apreciar o gesto mais lindo que já me fora feito. As pétalas não eram iguais; a forma, a textura, o cheiro e até as cores se diferenciavam nos seus mais lindos tons de amarelo, vermelho e azul. Perguntei-me se seria Samara a responsável por tudo isso, já que ela é tão gentil e doce. Olhei minha escrivaninha e havia um papel rosa bem clarinho preso na tela do meu iMac, como uma espécie de bilhete. A letra de forma redonda não me era estranha. Senti meu coração palpitar e o quarto vibrar com a possibilidade. Peguei o bilhete com cuidado e nele podia-se ler:

Eu poderia te dizer tantas coisas, mas eu realmente não sei como. As palavras nunca foram o meu forte, principalmente se nelas não contiverem insultos ou ameaças. As flores são justamente para isso: cobrir a falta de algumas palavras significativas e, de certa forma, um pedido de desculpas por não ser quem você precisa. As coisas estão um pouco difíceis entre nós duas... Chegamos a um impasse hoje à tarde. Eu deveria estar furiosa com você por estar me tratando dessa forma fria e distante, mas eu devo mesmo merecer. Confesso que parte de mim teme que chegue um momento no qual você não sinta mais nada por mim. Eu devo dizer o quanto eu sinto por ver você se desprender tão rapidamente de mim? Eu apenas gostaria que você soubesse que eu não deixarei você se afastar, como também não desistirei. Eu sei que você está passando por tempestades interiores e está confusa, portanto não levarei em consideração sua insensatez de mais cedo. Eu sempre fui a única na sua vida, Em. A única que você sempre amou. Pretendo que continue assim. Eu sei que preciso recompensá-la pelos anos em que fui estúpida e egoísta, e eu irei. Prometo. Tenho consciência de que quebrei seu coração inúmeras vezes, mas não quebrarei essa promessa.

Ali D.

Notas finais
Então? O que acharam? Reviews? *-*

Devo dizer que Ali começou a selecionar suas melhores cartas para derrubar a adversária?

Existe um jogo no qual o blefe é permitido... Wait for it.