This Must Be Love

28 The Hero Dies In This One!


Notas iniciais
Olá, olá, olá! Olha só quem resolveu aparecer. :DSem brincadeiras, desculpem pelo mega atraso. Escola é uma vadia! E meus cursos estão me consumindo, então... Vocês já sabem, né?Bem, espero que curtam esse capítulo. Era para ter ficado enorme, mas tirei muita coisa para não ficar algo maçante.Enfim, aproveitem porque é o antepenúltimo! Estamos chegando ao final com essa fanfic.Agora sem mais delongas! Vamos ao que interessa. :)

Mesmo com as garras ferozes das circunstâncias cravando impiedosamente em cada parte escondida, sob uma muralha que há muito tempo construíra, eu ainda tentava ao máximo manter minha cabeça erguida. Não poderia haver no mundo sofrimento que fosse capaz de me fazer gritar por misericórdia aos céus — ou praguejar blasfêmias para um alívio mais pessoal, que refletia tão abertamente no estado de espírito da pobre moribunda. Talvez, se eu tivesse feito isso, teria sido poupada do que me aguardava de forma tão fúnebre e promissora. Mas eu não poderia imaginar que o desespero me renderia todo encapuzado, vindo a desprender-se do disfarce com simplicidade e espontaneidade quase natural depois do conveniente... Em contrapartida, eu aceitaria o que estivesse por vir. Mesmo que por dentro eu estivesse em desgraça profunda, eu não me submeteria ao que eles exigiam de mim. Nem se isso custasse a minha vida.

Ah! Não vai perder a diversão logo agora, vai? — Inquiriu a voz que facilmente poderia ser confundida com a minha, articulada e melosa, fazendo com que eu me esforçasse para abrir os olhos e me livrar do cansaço que os selava. Porém, as luzes fortes que irradiavam no lugar que eu estava, o qual não fazia a menor ideia, agrediam minhas vistas sem misericórdia. Eu não sabia há quanto tempo eu estava aqui, uma vez que tinha perdido a noção de tudo ao meu redor quando fui submetida a algum tipo de droga que me consumia lentamente. — Os efeitos mais caprichosos estão prestes a começar. — Riu com diversão um tanto quanto exacerbada.

Courtney, depois de ter me acertado na cabeça com algo pontudo, iniciou uma sessão de tortura ao injetar algo que me provocava os mais loucos e temíveis delírios, enquanto me acusava incansavelmente de roubar sua vida. Ela me machucou de todas as formas, incluindo jogar na minha cara que dormiu com minha doce e inocente Emily. Ela sabia todos os meus pontos fracos. Sabia exatamente onde me atingir.

Aquilo que você injetou em mim... O que era? — Perguntei, sentindo minha respiração ficar cada vez mais rápida e descontrolada. Meus batimentos cardíacos pareciam caminhar rumo à explosão, enquanto o medo e a angústia começavam a me assolar por dentro a ponto de me levar à vulnerabilidade quase enlouquecedora.

Dimetiltriptamina, mais conhecido como DMT. — Disse rapidamente, sorrindo ao perceber que a droga já estava fazendo o efeito que ela gostaria de ver. — Como está sua aflição? — Courtney se aproximou, agachando-se para que pudesse ficar da mesma altura dos meus olhos.

Eu vou morrer... — Era tudo o que eu conseguia sussurrar e processar ao tempo em que minhas pupilas estavam dilatadas e meus pensamentos bagunçados.

A morte é um privilégio que somente os vivos têm! — Concordou enfaticamente, com um sorriso doentio moldando seus lábios. — Por isso, diga adeus! — Minha irmã sussurrou próximo ao meu ouvido. Uma agressividade misturada com doçura trincava em seu tom de voz, causando-me calafrios. — Sua hora está chegando, vadia. — Ela cantarolou animadamente, afastando-se de mim. Tentei acompanhar seus movimentos para fora do meu campo de visão, mas eu não conseguia mexer meu pescoço por conta da dor indizível que se concentrava em toda parte do meu cérebro e abdômen.

Antes que eu pudesse tentar qualquer coisa, minha visão ficou turva e meus sentidos já não eram os mesmos. Tudo ao meu redor rapidamente tomou formas e contornos estranhos. A cadeira, a qual eu tentava arduamente me segurar, transformou-se em uma gigante planta carnívora que, agora, tentava a todo custo me prender até eu não ter mais fôlego restante. De repente, vi-me enjaulada numa zona de completo perigo e ameaça, como nas fábulas onde todos os personagens ganham vida própria, e cada palavra salta para todos os lados à procura da liberdade há muito desejado. E, nessa ânsia pelo desconhecido, ganham vozes potentes que me confidenciavam suas enfermidades e aflições que eu tanto as compartilhava. Algumas coisas, eu sabia, não faziam sentido algum.

No entanto, para o meu infortúnio, tudo parecia retroceder como num filme. Eu não saberia dizer quantas vezes eu precisei reviver as últimas duas horas da minha vida, tendo a sensação de que estava presa no meio de um inescapável círculo vicioso. Foram tantas vezes passando pela mesma tortura física e psicológica que fui submetida a sofrer. E, por mais que eu tentasse sair desse estado de repetição, eu me via entrando cada vez mais fundo nessa sequência inacabável de sofrimento e aflição. Talvez tudo isso fosse apenas uma projeção causada pela droga que tão vorazmente agia no meu organismo — ou talvez eu devesse aceitar que o sonho se tornou um pesadelo.

***

Quando abri os olhos pela primeira vez, o que me pareceu depois de intermináveis anos, eu não estava mais num lugar completamente escuro e asqueroso. Pelo contrário, era iluminado demais para o meu gosto. Pisquei algumas dolorosas vezes, olhando ao redor e percebendo que eu estava num quarto de hospital. Inicialmente, senti grande alívio por acordar e ter a certeza de que eu não estava mais sob o poder da minha irmã sociopata. Em seguida, alegria eufórica por olhar para o lado e ver Emily deitada de mau jeito numa poltrona bem perto de mim. Suas pálpebras seladas pelo sono e seu corpo relaxado. Nossos dedos estavam entrelaçados, mas eu mal sentia seu toque. Movi minha mão devagar e tudo o que recebi foi um formigamento inconveniente. Emily, mesmo dormindo, não deixou de se sobressaltar com o movimento inesperado, abrindo os olhos no mesmo instante e olhando assustada minha mão junto da sua, e então para mim. Levou um determinado momento até sua face se iluminar e suas ideias parecerem clarear.

Alison. — Sussurrou com um sorriso estonteante crescendo em seus lábios quando notou que eu estava consciente. Eu quase podia escutar a euforia com que seu coração batia, assim como o meu.

Emily. — Sorri de volta, inclinando minha cabeça com graciosidade para poder olhá-la de maneira mais ampla, mas, ao mesmo tempo, ela se aproximou, me impedindo. Ela me olhava como se tivessem passado anos desde que me vira pela última vez e, em compensação, eu não ficava muito atrás. A sensação de nostalgia brincava cruelmente com meu estado de espírito.

Você está se sentindo bem? Eu... Eu vou chamar os médicos! — Antes que ela pudesse se afastar, segurei sua mão e não deixei-a sair de perto de mim. Eu não disse nada, apenas a puxei para um abraço cheio de calor e saudade.

Não tenha pressa, eu estou bem. — Sussurrei em seu ouvido, acariciando seus cabelos macios e sedosos. Apesar do meu corpo ainda estar adormecido, eu conseguia movê-lo o suficiente para poder tocar Emily. Ter seu corpo tão perto me dava uma sensação de segurança e felicidade plena.

Eu fiquei com tanto medo de perdê-la! — Confessou com a voz embargada e carregada de emoção. Fechei os olhos por alguns segundos e o cheiro delicioso de seu cabelo preencheu meus pulmões. Sua pele exalava o mesmo cheiro de sabonete de damasco com nozes que ela costumava usar. Era inebriante! — Você não se lembra, não é? — Ela se afastou e me fitou profundamente, seus olhos com um brilho melancólico, mas sem sinal de lágrimas ou coisa do tipo.

É claro que eu me lembro! E eu sinto muito por tê-la feito passar por isso. — Respondi, arriscando um sorriso tristonho. Emily me abraçou novamente, dessa vez mais forte. — Eu preciso que saiba que não vou deixá-la nunca, Em. Isso é uma promessa! — Garanti, descansando minha cabeça momentaneamente em seu ombro. O abraço não se prolongou por muito tempo e ela logo se afastou delicadamente.

Não, Ali. — Protestou. — Você não entende... Não faz ideia do que eu passei.

Em...

Você desistiu duas vezes. — Emily me cortou, declinando seu olhar para qualquer lugar que não fosse o meu. Estreitei meus olhos sem entender, levando minha mão ao seu queixo e erguendo seu rosto para que ela pudesse me encarar. Percebendo que eu realmente não sabia do que ela estava falando, deu continuidade com tristeza aparente: — Você teve duas paradas cardíacas. A primeira não foi tão dolorosa porque foi um pouco antes de eu apagar, mas a segunda... Foi terrível! Nunca experimentei algo tão desesperador. Os médicos tentavam reanimá-la, mas você não voltava... Foram pouco mais de dez minutos tentando trazê-la de volta. Eles já haviam desistido e estavam prestes a declarar sua morte. Eu não conseguia fazer nada. Você estava morta e tudo o que eu pensava era que você deveria ter me levado também... Mas, então, Spencer insistiu que tentassem mais uma vez; demoraram tortuosos segundos até que o monitor voltasse a apitar de maneira estável. Seu coração havia voltado a bater. — Concluiu com voz cortante e rouca. Sua calmaria parecia ser o reflexo do seu cansaço e melancolia. Escutei seu relato e não pude deixar de sentir a dor e o peso com que cada palavra fluía de seus lábios exauridos. Uma lágrima silenciosa escorreu pelo meu rosto e eu rapidamente a sequei. Houve um curto momento de pausa antes que eu soubesse o que dizer.

Você sabe, olhando assim, eu só consigo pensar em uma única razão por eu ter voltado. — Disse com tranquilidade forjada. Emily ergueu seus olhos negros e brilhantes, esperando o que eu tinha a dizer pacientemente. — Você, Emily! Não importa para o quão longe a vida possa me levar, eu sempre voltarei por você. — Sussurrei, levando minha mão até a sua e acariciando com cuidado e afeição. Ela sorriu e, então, inclinou-se em minha direção cautelosamente, depositando um beijo casto e demorado em meus lábios. Levei minha mão até seus cabelos, sentindo a maciez com que eles roçavam sob a palma.

Eu espero que você não precise mais ter que voltar. — Emily disse. — Porque eu sei que para voltar é preciso ir, e eu não quero que você vá. Nunca mais. — Ela sussurrou com emoção transparente em seu tom de voz, refletindo bruscamente em seus olhos um pouco avermelhados.

Não se preocupe, docinho. Ainda me restam algumas vidas. — Brinquei, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha. Ela ergueu seus olhos novamente, me fitando por um breve momento com seriedade, que logo se transformou em alívio. — Vamos lá, Em, fique feliz por isso.

Só depois que os médicos disserem que você está completamente fora de perigo. — Prometeu, erguendo-se um pouco e beijando minha testa de maneira afável e protetora. — Eu volto já. — Ela disse enfaticamente, deslizando as costas do seu dedo indicador pelo meu rosto pálido. Em seguida, levantou-se da cama e caminhou até a porta, parando no batente para me observar uma última vez e adicionar: — Ah! E vou ligar para sua mãe. Ela saiu há pouco tempo para trocar de roupa e se alimentar. — Dito isso, virou as costas e me deixou sozinha no quarto, analisando tudo ao meu redor.

Não demorou e Emily estava de volta, trazendo consigo um médico alto, dono de um sorriso doce e sotaque charmoso. Havia algo nele que julguei ser familiar e, então, foi preciso apenas que ele se apresentasse para eu conseguir me lembrar com eficácia de onde eu o conhecia. Wren Kingston. Ele havia sido o segundo namorado de Melissa que Spencer tão descaradamente roubara.

Qual é o seu nome? — Perguntou ele depois de um instante, examinando meus olhos cuidadosamente.

Isso é mesmo necessário? Eu sei quem eu sou. — Disse calmamente, obedecendo quando ele pediu para que eu olhasse para cima.

É parte do protocolo. — Sorriu amigavelmente, terminando de me examinar. — Você passou muito tempo inconsciente. Foram doze dias em coma. — Instantaneamente seu sorriso de médico charmoso desapareceu, dando lugar a uma serena seriedade. Fiz o possível para disfarçar a surpresa com que a notícia me pegou. Eu não fazia ideia de que tivesse ficado tantos dias em coma. Para mim, era como se eu tivesse dormido num dia e acordado no outro. — Sem contar que recebeu uma pancada muito forte na cabeça. — Acrescentou, verificando na prancheta que tinha em mãos.

Tudo bem. — Assenti com cuidado, olhando Emily por um instante e me sentindo estranha com a distância que nos separava, mas também motivada com o olhar encorajador que ela me direcionava. — Me chamo Alison DiLaurentis.

Quem são seus pais?

Jessica e Kenneth DiLaurentis.

Irmãos? — Não respondi a isso de imediato, o que fez com que ele tirasse seus olhos da prancheta e olhasse para mim. — Algum problema?

Não. — Neguei rapidamente, tentando não me deixar levar pela influência negativa que minha irmã gêmea exercia sobre mim. Eu precisava apagá-la de minha mente. Fingir que ela não existia. — Jason DiLaurentis. — Respondi, soando o mais calma possível.

E não se esqueça de Spencer Hastings. — Alguém entrou no quarto e, consequentemente, reconheci a voz de menina travessa que Spencer raramente fazia. Logo atrás dela, estava Hanna e Aria.

Você adora caprichar na entrada e causar boa impressão, não é? — Hanna desdenhou, revirando os olhos como se aquilo fosse algo cansativo. Spencer a olhou com a mesma arrogância e altivez de sempre, mas, muito mais do que isso, podia-se perceber um sutil rancor ali.

Ei, Ali! — Aria se aproximou, ignorando a intriga que se passava a poucos metros. Seu rosto sereno esboçava uma expressão de alegria e satisfação ao se dirigir a mim. — Como ela está? — Direcionou a pergunta ao médico parado bem ao seu lado.

Eu estou bem, Aria, e eu posso falar por mim mesma. — Um olhar surpreso passou por seus olhos esverdeados, seguido de um grande alívio.

Oh... Claro! — Assentiu, balançando a cabeça desajeitada. Ela rapidamente desviou seus olhos para os lados, não parecendo confortável em olhar para mim. — Nós... Ficamos muito preocupadas com você. — Murmurou com um fiapo de voz. Ela enrolava os dedos nervosamente no lençol que cobria mais da metade do meu corpo. — Spencer gritava com os médicos para não desistirem de você. Ela foi a que mais chorou. — Ela se inclinou em minha direção, abaixando o tom de voz, como se estivesse dividindo um segredo. Não pude deixar de sorrir ao saber disso.

— Não exagere, Aria. — Spencer disse, passando a mão pelo cabelo para esconder seu embaraço. — Aquilo foi a fumaça nos meus olhos, está bem? Você não entende mesmo... — Resmungou, movendo-se para onde Emily estava.

Muito bem, vamos apenas encerrar aqui... Você sente alguma dor? — Perguntou o Dr. Kingston, recompondo-se rapidamente. Ele parecia se sentir desconfortável com a atual situação, e Aria vacilava seu olhar entre Spencer e Hanna meio aflita em determinados momentos, enquanto Emily e Hanna estavam tão silenciosas que mal podia-se reparar suas presenças.

Na verdade, não. — Respondi sinceramente, buscando algum sinal de dor conforme movimentava minha cabeça e braços. Em deslocou-se do canto da parede, perto da porta, e finalmente se aproximou de mim. Seu toque suave fez meu coração bater descontroladamente.

Isso é um ótimo sinal. — Informou, anotando na prancheta com agilidade.

E quando vou poder ir para casa? — Quis saber, esperando que sua resposta me satisfizesse.

Acredito que dentro de alguns dias. — Respondeu animado, sorrindo ao terminar de anotar no meu prontuário. — Voltarei mais tarde para ver como você está. — Despediu-se, olhando Hanna por alguns segundos com um olhar tímido e sutil, entretanto. Em seguida, para Spencer, mas, para esta, direcionou um sorriso amoroso e íntimo, que foi correspondido a mesma altura. Meu estômago se embrulhou quando percebi o que estava acontecendo.

O que foi isso? — Exigi, elevando um pouco o tom de voz. Ela abaixou os olhos, timidamente, e encolheu os ombros.

Isso o quê? — Fingiu-se de desentendida, olhando para as outras como se não soubesse do que eu estava me referindo.

Você está ficando com ele? — Perguntei mesmo sabendo que a resposta era positiva.

Talvez. — Respondeu com hesitação.

Mas não era Hanna que estava ficando com ele? — Inquiriu Aria, ligeiramente confusa e completamente perdida.

Foram só algumas vezes, está bem? — Hanna revirou os olhos como se aquele assunto tivesse sido abordado várias vezes. — E isso não vem ao caso agora. — Tentou se esquivar. Com isso, um breve silêncio se instalou. Assim como eu, as outras também queriam saber se ela estava com o doutorzinho.

Sim... Nós estamos meio que namorando. — Respondeu depois de um momento, percebendo que não iríamos parar de encará-la até termos uma resposta. Ela sentou na beirada da cama, tomando o cuidado para não fazer um movimento que pudesse me machucar.

Mas ele era o noivo de sua irmã. — Retruquei com a voz livre de qualquer repreensão ou pré-julgamento.

Não é como se eu tivesse me jogado para cima de Wren. — Defendeu-se ela ligeiramente chorosa. — Nós tivemos uma conexão especial, mas as pessoas não entendem isso. Preferem me enxergar como a vadia que roubou o noivo da própria irmã. — Desabafou, olhando para suas unhas nervosamente. Por um segundo, me surpreendi com tamanha honestidade vinda de sua parte. Spencer, incrivelmente, parecia mais calma em relação a mim.

Saiba que eu não a vejo dessa forma, Spence. — Emily disse suavemente, tocando a mão de Spencer com sensibilidade. Esse gesto se prolongou por desnecessários sete segundos.

Sim, nós já entendemos. — Puxei a mão de Emily para mim, colocando-a no meu abdômen. Ela me encarou como se não entendesse o porquê de eu ter feito aquilo, mas apenas deu de ombros e sorriu calorosamente para mim.

Mas e o lance com Ian? — Hanna estendeu. — Eu lembro muito bem de você se jogando para cima dele durante os treinos de hóquei no campo. — Ela estreitou os olhos sabiamente em direção a Spencer, que apenas tinha uma expressão de quem não sabia como retrucar.

Com Ian foi só piranhice da minha parte, admito. Eu queria chatear Melissa. — Respondeu por fim, movimentando os ombros num gesto de quem não se importava. — E ele foi uma completa perda de tempo, na verdade. — Acrescentou rapidamente, lançando-me um olhar significativo, porém discreto.

Ian Thomas havia sido a primeira paixão de Spencer e, também, o namorado bonitão de sua irmã mais velha, Melissa Hastings. Depois que se beijaram, Spencer começou a criar fantasias absurdas sobre ele, como se aquilo fosse acontecer outra vez. Nem mesmo as minhas mais pesadas e cruéis críticas foram suficientes para fazê-la perceber que aquilo era algo baixo até mesmo para ela. Mas, quanto mais eu a repreendia, e, ao mesmo tempo, a provocava, mais sua convicção de que eu o queria para mim aumentava. E a verdade era que eu tinha nojo dele por ser tão promíscuo e infiel. No entanto, ninguém sabia disso, afinal, nenhuma vadia pensa dessa forma.

Acho que devemos deixá-la descansar. — Aria disse depois de um momento, percebendo que toda essa conversa estava me desgastando. Spencer abriu a boca para dizer algo, mas, antes que qualquer palavra pudesse sair de sua boca, foi impedida por alguém que acabara de entrar pela porta.

Alison! Querida! — Minha mãe emergiu como um furacão, vindo rapidamente até mim. — Oh, que alívio... Você finalmente acordou! — Ela tomou minha mão no mesmo instante e a colocou no seu peito, apertando forte para que ela pudesse me sentir. Observei suas feições por um instante e notei que ela não estava como de costume. Seus olhos revelavam olheiras de quem não dormia há dias, e vermelhidão misturada com inchaço de quem havia passado noites chorando. Seu cabelo prendia-se num coque alto e desleixado, enquanto suas roupas estavam longe de serem as mais elegantes que ela já vestira desde que eu havia voltado da Reserva. — Eu vim correndo assim que Emily me ligou! Como você está?

Eu estou bem, mãe. — Respondi com má vontade, virando o rosto para não precisar encará-la. Ela suspirou dolorosamente, fazendo com que eu voltasse a olhá-la. Por mais que eu ainda nutrisse certo rancor e ressentimento por ela ter destruído nossa família com sua traição e, muito mais do que isso, ter me arruinado de todas as formas ao me mandar para uma clínica psiquiátrica por manipulação da vadia asquerosa que infelizmente atendia por minha irmã, eu não conseguia ignorar sua dor e agir com indiferença por cima disso. — Desculpe, só estou um pouco cansada. — Amenizei meu tom de voz, sorrindo fraco quando ela percebeu que eu estava desarmada.

Não se preocupe, docinho. — Sorriu de volta, sentando-se na poltrona que Emily estava quando acordei. Esta trouxe um copo contendo algum líquido, que logo reconheci como sendo chá, e entregou a minha mãe com um sorriso doce e olhar encorajador. — Obrigada, querida. Não apenas por ser gentil, mas por cuidar da minha filha por mim. E por ter ficado com ela o tempo todo. — Disse minha mãe, estendendo a mão suavemente em direção a Emily, que a segurou na sua de bom grado.

Você ficou aqui o tempo todo? — Perguntei com espanto, erguendo a cabeça momentaneamente. Emily riu fracamente, movimentando sua cabeça para os lados.

Não foi o tempo todo...

Mas teria ficado se eu não a mandasse embora para casa. — Cortou minha mãe, vacilando seu olhar entre nós duas. — Ela não queria sair de perto de você um só segundo. — Informou com certo orgulho e alegria contida, esboçando um meio sorriso quando olhou para mim.

E é por isso que nós estamos indo. — Spencer anunciou, chamando a atenção de nós três. Minha mãe finalmente pareceu dar-se conta da presença de Spencer e empalideceu. Era a primeira vez que elas se encaravam depois do que ocorreu entre o pai de Spencer e minha mãe. — Vou levar Emily para minha casa, pois só assim vou saber se ela se alimentou. — Acrescentou, arriscando uma aproximação seguida de um contato físico. Por mais que eu sentisse vontade de protestar, eu não conseguia. Eu não queria que Emily fosse embora, mas em vez de eu pedir para que ela ficasse comigo, eu apenas assenti quando seu olhar cruzou com o meu. Silenciosamente, Em me perguntava se realmente deveria ir.

Você pode ir, contanto que não demore em vir me ver. — Deixei claro, sorrindo quando ela se aproximou e tocou minha mão suavemente. — Isso vale para todas. — Adicionei ao passar os olhos por todas elas.

Pode deixar, chefe. — Aria sorriu abertamente, caminhando até a porta e saindo do meu campo de visão.

Spencer veio até onde eu estava e me abraçou com cuidado, como se qualquer intensidade a mais pudesse me quebrar. Como de costume, as nossas antigas e recentes desavenças caminhavam de encontro ao esquecimento. Nenhuma de nós ousaria trazer à tona os lamentos os quais, de maneira mesquinha, protagonizamos aos longos dos anos.

Emily, em seguida, se aproximou de mansinho e beijou o topo de minha cabeça afetuosamente, fazendo com que eu fechasse os olhos e sorrisse com o gesto amável de sua parte. Porém, antes que ela pudesse se afastar, puxei seu rosto para o meu e beijei sua boca docemente, pegando ela e quem estava no quarto de surpresa quase espantosa. Spencer resmungou algo bem baixinho para que eu não pudesse escutar, dando um jeito esperto de tirá-la de mim. Afinal, algumas coisas nunca mudam e eu sabia que Spencer voltaria a me afrontar se percebesse que eu tinha voltado aos velhos hábitos, como brincar de maneira incansável com os sentimentos de Emily. O senso de proteção que ela possuía pelas garotas, em especial por Emily, era o que eu mais secretamente respeitava nela.

Emily é uma garota muito especial, não é? Sempre gostei mais dela do que das outras. Sua generosidade e bom senso me agradam. — Minha mãe disse depois que todas se foram, sobrando apenas nós duas. Ela sorria satisfeita, olhando para sua então revista de moda italiana. Não respondi a isso, pois não estava no clima de iniciar qualquer conversa que fosse. Por isso, notando que não havia resposta a caminho, prosseguiu num tom mais agravável: — Alison, esta garota realmente gosta você. Vejo isso na forma como ela age quando está na sua presença, e até mesmo nos olhares, sempre vi isso. Então, vou dizer o seguinte: não dê a impressão errada a ela.

O que você está insinuando? — Inquiri com impaciência, massageando a têmpora lentamente no intuito de me manter equilibrada.

Não estou insinuando nada. — Disse com firmeza absoluta transparecendo em seus olhos tão azuis quanto os meus. — Eu só estou dizendo que não se deve quebrar um bom coração. Se você não for capaz de corresponder aos sentimentos de Emily, não deixe que ela acredite no contrário. — Dito isso, voltou sua atenção para a revista em seu colo. — Estamos entendidas?

Sim. — Concordei entre dentes, olhando para o outro lado. No que dependesse de mim, eu não iniciaria uma conversa com ela sobre meu relacionamento com Emily. Não somos próximas a esse ponto; nunca fomos. — Mãe, você pode fazer com que me deem alta? — Perguntei depois de um longo momento, sentindo uma agonia crescente se formar dentro de mim. De repente, me dei conta do quanto eu odiava hospitais.

Você acabou de sair de um coma, querida. — Ela fez questão de me lembrar, ainda com os olhos fincados na revista que folheava cautelosamente. — Precisa passar pelo processo de recuperação antes de pensar em ter alta. — Disse com um tom de voz agradável, mas que não fora capaz de fazer com que meu aborrecimento fosse evitado.

Você sabe o porquê eu estou aqui, não sabe?

Nós a subestimamos, Ali. — Começou, largando finalmente a revista de lado e me olhando com melancólica seriedade. — Seu pai e eu conversamos... Nós vamos mandar Courtney para uma clínica de segurança máxima na Suíça. — Informou com descontentamento transparecendo em seu tom de voz. Eu podia facilmente ver o esforço que ela estava fazendo para se manter estável e equilibrada. Seu peito, assim como sua garganta, reprimia uma crescente vontade de desabar em lágrimas. E eu, apesar do sentimento de raiva e mágoa, não a culpava por isso.

Acho que é um pouco tarde para isso. — Cuspi as palavras com amargura, observando sua face mudar de cor momentaneamente. Ela se sentia culpada e eu estava muito bem quanto a isso. — Você sabe, seria melhor liquidá-la de uma vez por todas. Evitaria tantos transtornos... — Murmurei sem deixar passar qualquer emoção que fosse e, em contrapartida, minha mãe me encarou chocada diante de tal frieza vinda de mim.

O que houve naquele galpão, Alison? — Ela perguntou, temendo a resposta que poderia vir. E, como se um botão invisível tivesse sido acionado em meu cérebro, as poucas lembranças que eu tinha me invadiram de imediato.

O que diabos vocês pensam que estão fazendo? — Alguém havia gritado, pisando firme enquanto se aproximava. — Tirem-na daqui agora! — Ordenou a voz completamente alterada e cheia de cólera. Eu conhecia essa voz. Essa era... Melissa.

O que você está fazendo aqui? — Perguntou uma voz grave e sutilmente rouca. Seu tom era baixo e eu tive que me esforçar para conseguir ouvir o que eles diziam. — Não se esqueça de que você tem um trato com ela. Todos nós temos. — Dessa vez, sua voz aumentou significativamente e eu pude, finalmente, reconhecê-la de imediato. Toby Cavanaugh, o esquisito que abusava da própria irmã e que me odiava por ter feito toda Rosewood acreditar que ele fora o responsável pelo incidente dos fogos de artifício com Jenna Marshall. E, no entanto, eu não estava tão surpresa com estes dois; tudo se encaixava perfeitamente, no final das contas.

Estou desfazendo o acordo. — Melissa disse. — O que me garante que ela não vai machucar Spencer depois que acabar com essa vadia? — Apontou para mim. Minha garganta deu um nó sufocante com o que ela acabara de dizer. Melissa havia feito isso por Spencer...

Eu vou tirá-la daqui antes que Courtney volte. — Surgiu uma terceira voz, suave e feminina, soando apreensiva. Alguma coisa me dizia que eu conhecia essa voz, mas eu não me lembrava de onde. — Eu sinto muito... — Ela sussurrou bem próximo ao meu ouvido, suspirando pesarosamente.

Eu não dou a mínima. — Murmurei com desdém, virando para o lado e me inclinando para baixo. Uma tosse violenta irrompeu da minha garganta, fazendo-me cuspir sangue no chão. Lágrimas silenciosas de puro ódio escorriam dos meus olhos. E, para minha surpresa, senti suas mãos me ajudarem a levantar e, assim, permanecer de pé. Meu estômago se contraiu e a dor causada pelo esforço que meus músculos faziam foi praticamente inevitável...

Iris, não! — Toby a repreendeu. — Não somos nós que estamos no comando, portanto não podemos movê-la até que recebamos ordem direta para fazê-lo. — Ele havia ponderado de maneira inteligente, com temor em seu tom de voz. Toby parecia saber com quem estava lidando e desapontar minha irmã psicopata seria um erro terrível que ele não estava disposto a cometer. Mas, em contrapartida, a garota Iris não me pareceu se importar com o que ele dissera e, com a ajuda de Melissa, me levou para onde esta havia ditado.

Onde eu estou? — Engrolei as palavras ao olhar ao meu redor e enxergar apenas escuridão. As luzes piscavam ridiculamente a cada três batidas do meu coração.

Está segura por enquanto. — Ela respondeu, encostando minhas costas na parede fria. — Sua irmã pretendia enterrá-la viva... Nunca pensei que ela fosse realmente louca. — Sua voz soou aterrorizada e sinceramente arrependida, como se houvesse acabado de se dar conta no que havia se metido. Abri os olhos lentamente, me esforçando para conseguir encarar a garota que estava diante de mim. Seus cabelos louros e brilhantes caíam perfeitamente sobre seus ombros encolhidos. Ela vestia casaco e luvas pretas, e seus olhos acanhados eram de um verde pálido. Seus traços me eram meramente familiar... Então, eu me lembrei de onde eu a conhecia! Iris era uma das amigas íntimas de Courtney na Reserva, que com certeza havia sido manipulada exatamente como eu fui. E eu também não podia esquecer o fato de que encontrei com ela no Shopping King James há três anos, logo após ela ter sido liberada da clínica psiquiátrica.

É por isso que vou matar aquela vadia. — Jurei depois de um momento, voltando à realidade e sentindo a fúria brotar dentro de mim. A garota Iris automaticamente se afastou de mim. Talvez, e muito provavelmente, sentindo-se assustada com minha repentina demonstração de agressividade. Fechei os olhos bruscamente, deixando as lágrimas rolarem pelas maçãs do meu rosto...

Alison? — Virei meu pescoço lentamente para o lado, percebendo minha mãe me encarando com um misto de preocupação e irritabilidade. Pisquei os olhos algumas vezes, tentando não deixar com que minhas emoções fluíssem diante dessas memórias que me acometia sem permissão. — Você ouviu o que eu falei? — Perguntou minha mãe, inclinando seu corpo em minha direção e tocando meu braço suavemente.

Claro. — Menti, ouvindo minha própria voz sair monótona e cansada. Olhei para o lado novamente e, dessa vez, não tive vontade alguma de mover minha cabeça de volta para minha mãe. Então, rapidamente, minhas pálpebras foram ficando cada vez mais pesadas, tornando quase insuportável de mantê-las abertas por mais de três segundos. Meu corpo, como num passe de mágica, se encontrava num estado de repouso absoluto e, enfim, adormecido.

Por outro lado, esse momento de descanso e apaziguamento repentino não me pareceu se prolongar por tempo suficiente, uma vez que minha subconsciência enviava a sensação de que eu não estava sozinha. E quando, finalmente, consegui abrir os olhos por breves segundos antes de fechá-los novamente, repetindo essa sequência até eu ser capaz de perceber uma figura sombreada adentrando o quarto furtivamente, a passos leves e cuidadosos, notei que eu havia dormido por horas a fio. O quarto estava escuro, silencioso e eu mal podia enxergar quem se aproximava de mim. Por um instante, cogitei a possibilidade de aquilo não ser real, então fechei os olhos e percebi que, enquanto dormia, eu havia trocado de posição. Eu não estava mais à mercê da luz fraca e insignificante que emitia do teto cravejado, mas sim em uma posição fetal. Meus olhos se fecharam involuntariamente, a essa altura do campeonato eu não tinha mais o que temer.

No entanto, foram precisos severos segundos até eu sentir o calor de um contato físico e alguns minutos para distinguir o que estava acontecendo ao meu redor. Virei meu pescoço para trás lentamente, sentindo o cheiro conhecido de damasco com nozes que Emily possuía.

Emily? — Engrolei baixinho, estranhando o timbre da minha voz sonolenta e rouca. — Oh, droga! Estou tendo alucinações de novo... — Resmunguei confusamente, virando para frente de olhos fechados. Ela riu baixinho e, então, deitou ao meu lado com cuidado, aconchegando seu corpo no meu.

Não está mesmo. — Sussurrou calidamente no meu ouvido, causando-me arrepios por todo meu tronco. — Desculpe, eu não queria acordá-la. — Disse lentamente, passando seu braço pela minha cintura e me puxando carinhosamente contra seu corpo quente e suave. Esse contato pareceu ser tudo o que eu estava precisando. Era como se uma chama houvesse sido acesa no profundo do meu âmago, na intimidade do meu coração.

Não era para você estar na sua cama? — Perguntei ainda com os olhos fechados, aproveitando os leves carinhos que seus dedos faziam na minha mão.

Não. — Negou simultaneamente. — Eu estou onde eu tenho que estar... Na mesma cama que você. — Acrescentou com uma risadinha confortável, beijando meu pescoço logo em seguida.

Como conseguiu passar pelos enfermeiros? — Virei meu corpo por completo para ela, visualizando seu rosto bonito e sorridente. Até o momento, eu não fazia ideia de que sentia tanto sua falta quanto agora. Ela me lançou um olhar como se dissesse que aquilo não importava. Então, instantaneamente, me permiti analisá-la por um simples momento. Baixei meus olhos para vê-la de cima a baixo, apreciando a visão com a sensação de nostalgia e necessidade me invadindo.

Você pode dormir se quiser. — Ela avisou. — Eu ainda estarei aqui quando você acordar. — Garantiu, aproximando seu rosto do meu e roçando seu nariz no meu afetuosamente.

Eu já dormi o suficiente por um verão inteiro. — Sorri com empatia, levando minha mão até seu pescoço e o puxando para mim. Emily me analisou cuidadosamente, tentando me decifrar. Deixei com que minha mão descesse pelo seu abdômen devagar, deslizando-a sob sua camiseta e tocando a pele quente e macia. — Você vai dormir aqui comigo? — Perguntei com os olhos baixos, mantendo minha atenção nas carícias articuladas que eu lhe dava. Ela apenas deixou escapar um som de concordância de seus lábios, aproximando-os dos meus calmamente. — Então é melhor você tirar sua calça.

Eu não acho que seja uma boa ideia... — Respondeu hesitante, deslizando seus dedos pelo meu braço com carinho.

Tem certeza? Jeans é desconfortável para dormir. — Tentei persuadi-la, escorregando minha mão sutilmente para dentro da sua calça skinny escura. Mas, antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela segurou minha mão e sorriu docemente quando eu ergui meus olhos decepcionados para encará-la.

Você realmente quer fazer isso numa cama de hospital? — Perguntou com um misto de deboche e seriedade ponderando em seu tom de voz.

Seria muito excitante! — Disparei com um sorriso malicioso moldando meus lábios, sentindo a adrenalina do desejo fumegante que fluía tão rapidamente em minhas entranhas. Aproximei meu corpo ainda mais do dela e beijei sua boca afetuosamente, tendo a sensação de que não fazia isso há anos. Deixei meus dedos deslizarem pelo seu pescoço vagarosamente, apreciando a suavidade com que seus lábios se moviam contra os meus ao mesmo tempo em que tocava sua pele delicadamente. E, quanto mais o beijo caminhava rumo a uma intensidade prazerosa, mas não menos encantadora, Emily apertava meu corpo contra o seu enquanto se esforçava em controlar suas próprias vontades, que acabaram não sendo maiores que o cuidado que ela estava tendo comigo.

Está ficando muito quente aqui. — Afastou-se rapidamente de mim, olhando-me com os olhos brilhantes e a respiração entrecortada. Ela foi soltando sua mão da minha cintura devagar, como se, gentilmente, dissesse que não faríamos nada. — Nada de sexo num hospital. — Sussurrou contra os meus lábios depois de um beijo rápido e casto.

Emily...

Eu amo você! — Interrompeu antes que eu pudesse jogar todo meu sentimento de frustração para cima dela. O sorriso que se formou em meus lábios foi involuntário, e tudo o que eu podia pensar era no quanto eu a amava também.

Eu amo você, Emily! — Disse eu. — Eu amo você com todo meu coração! — Confessei baixinho, assistindo toda sua emoção se expandir através dos seus olhos bem diante dos meus.

Eu não esperava por isso tão cedo. — Ela disse, afastando uma mecha de cabelo do meu olho. Seu sorriso surpreso e satisfeito gerou o meu. — E, agora, eu não poderia estar mais feliz! — Exclamou com ardor, beijando meus lábios de maneira suave e comprometida. Um frio gostoso e, ao mesmo tempo, assustador varreu meu estômago, dando-me a percepção de que aquilo era real apesar de me parecer um sonho. E mesmo que meu coração tenha parado de bater duas vezes, ele ainda podia sorrir.

Com isso em mente, algumas imagens passaram em câmera lenta pela minha cabeça. Eu precisei me esforçar para conseguir capturá-las de maneira inteligível e, aos poucos, tudo parecia se encaixar de acordo com o que aconteceu antes de eu chegar até aqui.

Eu estou aqui, meu amor. Eu vou cuidar de você. — Emily havia dito. Eu abri os olhos imediatamente, avistando-a debruçada sobre meu corpo, e não contive um sorriso quando escutei sua voz doce e genuína. Como ela havia chegado aqui tão depressa? Minhas alucinações tomaram formas mais agradáveis, afinal, eu estava vendo quem eu queria ver.

Porém, as lágrimas escorriam furiosas pelo seu rosto bonito e, agora, abatido. Eu tentava mover meus braços, com o desejo latente de poder secar suas lágrimas e abraçá-la forte, dizendo que estava tudo bem. Então, todas as vozes, de uma hora para outra, pareciam se misturar confusamente na minha cabeça, fazendo com que eu desejasse me desprender por completo da minha matéria física. A sensação de incapacidade preenchia todos os cantos do meu cérebro, as fisgadas no meu abdômen e a pancada na cabeça pareciam se repetir incansavelmente, tornando minha miserável existência um fardo difícil de carregar.

Não. Alison! Você não pode fazer isso comigo. Você não pode... — Ela chorava, envolvendo meu corpo protetoramente com algo quente e pesado. Eu não tinha noção do que da minha boca saía para provocar suas súplicas que esmagavam meu coração dolorosamente. Minhas pálpebras estavam pesadas e difíceis de segurá-las do sono. O cansaço me dominava como uma marionete desleixada. Eu podia sentir meu corpo desfalecendo aos poucos. A dor indo embora...

Mas, então, todas as minhas memórias, como Emily me beijando suavemente nos lábios, girando alegremente no seu próprio eixo e o vento no seu cabelo, transcorriam de forma espetacular bem à minha frente. O cheiro das flores, juntamente com o aroma de sabonete de damasco com nozes que exalava da sua pele quente e delicada, se misturavam no ar, preenchendo minhas narinas persistentemente. Era como se, de fato, eu estivesse vivendo tudo o que eu estava vendo, sentindo... Como se tudo isso fosse a realidade paralela que eu tanto ansiava e tão fortemente almejava. Sua voz, mesmo que distante e perdida, tocava o mais profundo do meu âmago. O sentimento de nostalgia soprando forte e bruto contra meu coração, dificultando e arrastando minha respiração que, com muito custo, forçava-me a tomar um longo e profundo fôlego de vida.

De repente, me dei conta. Foi a partir desse momento que tudo havia se apagado. As cortinas haviam sido fechadas, porém sem a chance dos personagens se despedirem. E tudo não passou de um espetáculo. Eu estava morta.

Notas finais
Okay! Por onde começamos? Oh, sim... O título do capítulo é uma música, na qual me inspirei livremente para escrever boa parte desse capítulo, então se quiserem ver, o nome é o mesmo do título! Bem legal e eu recomendo. :)Agora o capítulo, não tenho muito o que comentar sobre, mas ouso dizer que Ali estará num momento profundo de sua vida. E o próximo capítulo, como já sabem, será o penúltimo capítulo, portanto aproveito o bondinho andando para avisar que minha próxima fic será Samily. Sim, gente, eu preciso disso! E é isso, compartilhem suas ideias a respeito nas reviews, MP, facebook, twitter e no que vocês quiserem. E me digam o que vocês acharam desse capítulo, porque é muito importante saber o que vocês pensam! Enfim, isso é tudo, vejo vocês nos derradeiros. Até mais! :')))